terça-feira, 21 de novembro de 2017

Charles Manson - Os crimes que chocaram a América e o mundo


Ele gostava de chamar a si mesmo de demônio e para muitos, ele de fato era um.

Quem o via hoje em dia, velho e desgrenhado, achava que não passava de um ancião frágil e inofensivo. Mas aparências enganam e apesar de ser um octogenário, aquele pacato prisioneiro do Setor de Segurança Máxima da Penitenciária San Quentin ainda causava muito medo nas pessoas. Tanto que, todos os seus apelos para obter liberdade condicional foram sumariamente negados. As pessoas temiam que uma vez solto, ele ainda poderia constituir uma ameaça. Não por conta dele mesmo, mas pelos que ainda poderiam ser manipulados por ele. 

Aos 82 anos, Charles Manson ainda era um dos homens mais temidos do sistema prisional dos Estados Unidos. Longe de ser um prisioneiro comum, ele era um símbolo: a própria imagem do fanatismo, da maldade e do horror em carne e osso. Em uma pesquisa realizada em 2005, ele ainda era considerado o criminoso mais temido da América. E é possível que ele continue sendo por muitos anos, mesmo depois da sua morte.

Manson era um prisioneiro diferenciado, talvez pelo fato de ser um criminoso ao longo de praticamente toda sua vida. Aos 82 anos de vida, ele havia passado apenas 19 em liberdade. Os outros 63 haviam transcorrido atrás das grades, sendo que as últimas quatro décadas de modo ininterrupto. E foi apenas por um irônico acaso que ele continuou dessa forma, já que o Sistema judicial da Califórnia foi alterado em 1971, revogando a sentença de pena de morte. Charles se beneficiou dessa mudança e não foi executado, ainda que ele tenha recebido cinco condenações capitais em juízo. Há muito tempo os pulmões de Manson deveriam ter estourado pela ação da câmara de gás, mas ao invés disso ele foi condenado a habitar um limbo nos porões mais escuros e profundos de San Quentin. Sem direito a apelos ou condicional, já que recebeu uma sentença de prisão perpétua. 

Manson quando foi preso e recentemente 
Muitas pessoas dizem que ele teve sorte de ter envelhecido na prisão, de onde administrava sua própria página da internet e gravava seus discos de rock nos quais lia versos bíblicos, do Corão e peças de poesia. Ele ainda pedia por liberdade condicional, sabendo que esta seria negada. Alguns artistas, astros do rock e defensores dos direitos civis imploravam clemência, mas a verdade é que ninguém realmente queria vê-lo livre. Charles dizia não se arrepender de nada, e o mundo não estava pronto para perdoar os crimes que ele orquestrou. A memória do dia em que três mulheres e um rapaz, todos seguidores fanáticos de Manson despedaçaram sete pessoas que sequer conheciam, obedecendo ordens diretas de seu Profeta, Deus ou Demônio. Charles Manson, foi um pequeno criminoso com delírios de grandeza. 

Foi a faxineira que fazia a limpeza toda semana que descobriu os corpos. Como fazia todos os sábados ela chegou para o trabalho naquela manhã ensolarada de 9 de agosto de 1969. A casa pertencia a um dos casais mais famosos de Hollywood, a mansão em estilo espanhol era do diretor de cinema Roman Polanski, então com 36 anos, e da sua jovem esposa, a talentosa atriz Sharon Tate de 26 anos. A propriedade ficava na tranquila vizinhança de Cielo Drive, uma região habitada por muitos astros de cinema. Tudo estava muito silencioso e a faxineira por um instante achou que os donos não estavam, mas logo percebeu que algo estava errado: havia uma mancha de sangue na entrada da cozinha. E quando ela foi verificar os fundos da casa, encontrou dois corpos caídos em uma enorme poça de sangue. Ao fugir em disparada topou com um terceiro cadáver no interior de um automóvel na garagem. Aterrorizada, foi até os vizinhos mais próximos gritando que havia acontecido algo terrível.

A cena dantesca causaria horror até mesmo nos policiais chamados para entrar na mansão, pois enquanto seguiam os rastros de sangue pela propriedade de Polanski encontravam sinais de que algo medonho havia transcorrido. Não apenas mortes brutais, mas algum tipo de catarse emocional na qual o assassinato parecia ser o brusco desfecho. A palavra "porcos" (pigs) havia sido pintada com sangue nas paredes do corredor. No salão encontraram o corpo sem vida de Sharon Tate, tombada de lado em posição fetal, nua e coberta com algumas pétalas de flores casualmente jogadas sobre seu corpo. Várias punhaladas marcavam peito e costas, sobre o ventre inchado - já que estava grávida de oito meses, estava entalhado com faca um "X". Uma corda branca estava presa em seu pescoço e a outra ponta ligava ao corpo de um homem mutilado com golpes violentos de faca e cutelo. O rosto coberto com uma toalha ensanguentada havia sido desfigurado além de qualquer reconhecimento.

Uma das últimas fotos de Roman Polanski e Sharon Tate
Uma carteira de identidade em seu bolso dizia se tratar de Jay Sebring (35 anos), o cabeleireiro de Sharon, um dos mais requisitados da cidade. Os cadáveres caídos no jardim pertenciam a Abigail Fogler (26), rica herdeira de uma Indústria cafeeira e o cineasta polonês Voyteck Frykowski (37). Os três eram amigos pessoais de Polanski e haviam ido fazer companhia a sua esposa já que ele estava trabalhando em Londres. O ocupante do automóvel - e depois souberam, a primeira vítima do massacre, era Steven Parent, um estudante de 18 anos que teve o azar de estar indo visitar um amigo que fazia a segurança da mansão. O guarda por sinal, não viu ou ouviu nada, ele estava de folga e morava numa propriedade ao lado, situada a certa distância.

Mas o horror que começou naquele sábado, com a notícia daquela tragédia, iria continuar a assombrar Los Angeles até o domingo à tarde quando Frank Struthers, de 15 anos chegou à casa de sua mãe Rosemary de 36, e seu padrasto Leno La Bianca, de 44, proprietário de um supermercado no elegante bairro de Los Feliz. O rapaz encontrou La Bianca deitado no sofá da sala, com uma almofada empapada de sangue pousada sobre sua face. Tinha um cutelo de cozinha cravado na garganta e do pijama que vestia se projetava o cabo de um garfo com empunhadura de marfim. Frank quase desmaiou, mas ainda conseguiu correr para pedir ajuda. 

O corpo de sua mãe foi descoberto pela polícia no quarto do casal. Rosemary La Bianca estava caída de barriga para baixo em uma poça de sangue com a camisola de dormir enrolada na altura do pescoço, as costas, nádegas e pernas cobertas de perfurações. Uma almofada também havia sido colocada sobre a cabeça. Na sala de estar haviam sido pintadas três palavras com sangue: "Morte aos Porcos" (Death to pigs), "Erga-se" (Rise) e "Confusão e Caos" (Helter Skelter

A lista do Massacre
O sinistro fim de semana contabilizou os seguintes números apavorantes: Sharon Tate recebeu 16 perfurações por faca; Jay Sebring, sete golpes de faca e um ferimento de arma de fogo; Abigail Folger, 28 perfurações; Voyteck Frykowski, 51 ferimentos de armas brancas variadas, dois tiros e 13 golpes contundentes na cabeça (é provável que ele tenha lutado antes de morrer); Steven Parent, recebeu quatro tiros e uma punhalada; Rosemary La Bianca, 41 feridas causadas por facas, cutelo e garfos, e Leno La Bianca, 26 apunhaladas. Em seu ventre, próximo do garfo que havia sido enfiado até o cabo na sua carne, estava talhada a palavra "Guerra" (War).

Toda Los Angeles ficou estarrecida. Quem poderia ser o responsável por esses horrendos massacres? Qual seriam os motivos para promove tamanha barbárie? Desde logo, a polícia afastou a possibilidade de que os crimes haviam sido motivados por roubo, uma vez que não faltava nada da mansão de Polanski. Os detetives encontraram vídeos pornográficos e pequenas doses de drogas na propriedade que deu margem para as mais estapafúrdias teorias: orgias sexuais, tráfico de entorpecentes, rituais demoníacos, sacrifícios humano... 

As pessoas diziam que o demônio havia se manifestado na mansão para cobrar de Polanski e de Tate o preço pela fama que haviam conquistado. Polanski apenas um ano antes, havia conseguido enorme sucesso com o lançamento de seu filme mais conhecido até então "O Bebê de Rosemary" cujo enredo tratava de pactos e demonologia. Religiosos fanáticos diziam que o demônio havia sido conjurado para a mansão dos Polanski em algum tipo de Missa Negra na qual os participantes foram mortos. Exorcistas falavam da necessidade de purificar a propriedade. Videntes e médiuns chegaram a se apresentar à polícia, oferecendo suas habilidades extra-sensoriais para encontrar o demônio que agora, estava à solta em Los Angeles. Diziam que o casal La Bianca também estava envolvido com bruxaria e que provavelmente eles haviam sido punidos pelos mesmos motivos. A paranoia cobriu a Cidade dos Anjos com uma mortalha sanguinolenta. Durante alguns dias festas foram canceladas e o calendário de eventos de Hollywood foi todo remodelado. As pessoas voltavam cedo para casa, temendo o que poderia acontecer a elas. A venda de armas disparou na cidade, bem como o de trancas e fechaduras. Ninguém se sentia à salvo e o medo irracional por alguma coisa sobrenatural parecia atingir até mesmo as pessoas mais razoáveis.

"Morte aos Porcos" escrito na parede da Mansão Polanski
A imprensa fez um enorme estardalhaço a respeito do caso, cobrando da polícia medidas urgentes para descobrir os responsáveis. Todo contingente da polícia foi chamado para vigiar as ruas e parar qualquer suspeito. O medo dominava os boletins jornalísticos e era possível sentir o pavor que crescia em cada casa.

Enquanto isso, a apenas cerca de meia hora do centro da cidade, seis pessoas que conheciam todos os detalhes a respeito do horrível crime comemoravam sua façanha. Aos seus olhos, eles haviam logrado sucesso em seu intento: colocar a cidade de joelhos e instalar um clima de medo e apreensão em cada habitante de uma das maiores metrópoles do país.

A fazenda modesta chamada Spahn´s Movie Ranch, parecia abandonada. O grupo vivia de maneira comunal, assistiam filmes de faroeste, comiam frutas carameladas e riam sem parar de suas próprias piadas. O líder do bando era um sujeito de cabelo e barba comprida, roupas chamativas, violão sempre às mãos e olhos penetrantes. Tinha uma fala mansa e tranquila, que agradava aos que ouviam. Ele era um tipo de conselheiro espiritual, um guru que simbolizava um porto seguro para os que se concentravam ao seu redor, cerca de 40 jovens, na maioria garotas. A comunidade era formada basicamente por hippies. Como muitos outros jovens da Baixa Califórnia, eles acreditavam desafiar o sistema e as convenções em busca de uma vida mais simples e pacífica. Passavam seus dias ouvindo música, brincando e usando drogas, tinham uma pequena plantação no quintal da propriedade, mas complementavam suas refeições com o que conseguiam obter de doações ou de material que era jogado fora por mercados e vendas. Não havia luz elétrica, nem instalações de água ou gás. Tudo era compartilhado pelo bando e as decisões eram tomadas mediante votação. Ou ao menos, era o que diziam...       

"Charlie" pouco antes de ser preso.
Na verdade, o líder do bando, um homem de 35 anos chamado de Charlie agia como um prefeito da comunidade. Ele decidia o que deveria ser feito, como o pouco dinheiro do grupo seria gasto e quais seriam os seus planos. Charlie tinha enorme talento para trazer novos membros para o grupo, na maioria adolescentes com problemas de relacionamento com suas famílias e que temiam entrar na vida adulta e por isso fugiam. Charlie oferecia mais do que um lar temporário e companheirismo, ele sinalizava com a chance de fazerem parte de uma "família". E a "Família Manson" crescia muito naqueles dias.

Entretanto, a despeito da imagem que tentava passar, o amável Charlie não era um homem preocupado com a "Família", na verdade, ele não tinha nenhum escrúpulo em manipular e obrigar seus seguidores a fazer o que ele desejava. Um controlador nato, Charlie, ou melhor Charles Manson fazia o que bem entendia e impunha real poder sobre a vontade de todos à sua volta. Com um físico franzino e uma postura amigável, transbordando carisma, ele suscitava uma imagem de ternura; escrevia poesias com suas experiências de vida, tocava violão com suas composições, se colocava ao lado dos jovens contra figuras de autoridade que as afligiam (na maioria das vezes pais). Defendia ainda o uso de drogas, álcool e a prática de sexo livre que usava para atrair os jovens. Ele tinha uma conversa fácil e convincente que servia para ganhar a devoção da sua platéia. 

Com o tempo, aprendeu que a maneira mais eficiente de controlar sua "família" era fazendo com que eles acreditassem ser ele uma espécie de Guia Espiritual. Apesar de Charlie defender o "amor" e a "fraternidade" como metas para um mundo melhor, ele não tolerava qualquer questionamento das suas ordens. Seu tratamento era severo para com os que desafiavam a sua autoridade. As meninas que se juntavam ao grupo precisavam ceder aos seus avanços e ele as obrigava a fazer sexo com rapazes do grupo para assim manter o controle sobre eles. Também era ele quem controlava o acesso a drogas que eram distribuídas em rituais elaborados. Manson lentamente criava uma espécie de dependência extrema, na qual ele próprio era a figura central na vida dos seus jovens seguidores. A lavagem cerebral era tão profunda que o discernimento desaparecia por completo, tudo o que importava era promover a satisfação de Charlie. Se ele não estivesse feliz, eles não poderiam ficar felizes.

A Família Manson reunida
Adicionando componentes místicos - convenientemente extraídos de livros religiosos, Manson começou a galgar os passos que o transformariam em um auto-proclamado Messias. Os rapazes e moças viam nele um tipo de Profeta Hippie cujos ensinamentos seriam divulgados para o mundo na forma de música e poesia.  

É provável que a ingenuidade do período tenha ajudado muito a seduzir os jovens incautos, mas Manson era tudo menos inocente. Nascido em 12 de novembro de 1934, em uma região pobre dos arredores de Cincinatti (Estado de Ohio), Charles nunca teve uma vida fácil. Sua mãe, Kathleen Maddox, tinha quinze anos quando fugiu de casa, tentando escapar da vigilância constante de pais extremamente religiosos. Apenas um ano mais tarde, ela engravidou de uma relação com um amante ocasional. O menino recebeu o nome Charles Manson que pertencia a um outro sujeito com quem Kathleen estava saindo depois de engravidar. O relacionamento também não durou muito, e ela foi abandonada. Por conta própria e com um bebê para sustentar, ela passou a se prostituir.


Em 1940, Kathleen foi condenada após tentar roubar um posto de gasolina e Charlie, que acabara de completar seis anos foi enviado para viver com parentes até que ela saísse da prisão. Durante esse período o menino entrou em contato com pessoas religiosas que lhe ensinaram os princípios da crença que mais tarde lhe seriam muito úteis. Após a mãe deixar a cadeia, decidiram se mudar de cidade e não demorou até ela conhecer um novo companheiro. O homem, no entanto, não queria se tornar pai de um rapaz de doze anos, por isso, Kathlen decidiu abandonar o próprio filho. Ele foi deixado aos cuidados de um assistente social que após uma entrevista julgou o rapaz problemático e decidiu interná-lo em um hospício. Lá ele passava os seus dias, em suas proprias palavras "rezando e chorando". Alguns anos depois, Charlie conseguiu escapar da instituição e foi em busca da mãe que, ele esperava, o receberia de braços abertos. Katherine ao invés disso o devolveu ao hospício, deixando no filho nada além de um profundo sentimento de amargura e ódio.  

Charlie eventualmente conseguiu ser aceito em um albergue num regime especial de onde poderia trabalhar, desde que se apresentasse para dormir. Em sua nova casa ele era frequentemente surrado pelos guardas e pelos meninos mais velhos que roubavam o seu dinheiro. Há indícios de que ele tenha sido violentado pelos outros internos, o que fez com que aprendesse desde cedo que não poderia confiar em ninguém. Durante sua adolescência, Charlie foi transferido para outros quatro centros educacionais públicos, até completar 19 anos e ganhar liberdade condicional. Era o ano de 1954 e ele havia se tornado um rapaz muito articulado e atraente.

Ele conseguiu seu primeiro trabalho no hipódromo onde era ajudante de cocheira. Depois de numerosas experiências sexuais, muitas delas com homens, começou a se prostituir para ganhar dinheiro. Em certa ocasião comprou uma câmera e a usava para fotografar seus parceiros para depois chantageá-los. Charles chegou a casar, mas a situação econômica dele e seu controle extremo fez com que se separassem alguns meses mais tarde. Charles foi preso por roubar carros, indo parar na prisão mais uma vez. Libertado em 1958 voltou a vagar sem destino, prostituindo-se ou coagindo mulheres a lhe dar dinheiro. Nesse meio tempo ele foi preso várias vezes, entrando e saindo de centros correcionais. Em 1960 foi condenado por falsificar um cheque no valor de 37 dólares. Tinha 26 anos e já era um hóspede frequente do Departamento Correcional, no qual ingressava e saía.   

Durante sua estadia no Presídio de Terminal Islands, ele recebeu instrução, aprendendo a compor e tocar guitarra. Também teve acesso a livros que devorava diariamente. Os temas que mais lhe interessavam eram ciência, religiões, psicologia e folclore. Charles se gabava de ter aprendido noções sobre hipnotismo e maneiras de influenciar as pessoas. Também se tornou um frequentador assíduo do serviço religioso que era oferecido aos prisioneiros. Foi ajudante de missa e começou a decorar passagens inteiras da Bíblia que citava com grande devoção. Outros presos passaram a tê-lo como um bom companheiro, revelavam seus segredos e ele oferecia um "ombro amigo" sempre que eles precisavam, o que ajudou muito a conhecer a natureza humana.

Manson adquiria aos poucos os requisitos que o ajudariam a criar a imagem de uma pessoa agradável e simpática em quem todos confiavam. Quando terminou de cumprir sua pena de sete anos ele foi posto em liberdade. A essa altura ele já havia se convertido em um perfeito manipulador, alguém capaz de usar os outros em causa própria.

Quando Manson deixou a cadeia perguntaram a ele para onde iria e ele não teve dúvidas em responder: "Los Angeles. Vou conquistar aquela cidade!"   

(cont...) 

Um comentário:

  1. Nunca tinha lido a história de Manson, passei a vê-lo de outra forma. É mais do que uma assassino... A vida que esse cara levou foi totalmente traumática, uma pessoa que vivenciou tanta crueldade só posso transmitir mais crueldade. Será que ele realmente era louco na sua primeira internação? os hospícios são locais de esquecimento, quem é depositado ali não é para ser curado e sim para ser apagado da família e da sociedade.

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