quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Lovecraft e a Teosofia - A doutrina de Blavatsky como inspiração para o Mythos

Com base no texto de Robert M. Price
É inegável que a Teosofia, doutrina criada por Helena Blavatsky, ainda muito em voga no começo do século XX, tenha exercido uma forte influência na ficção fantástica e nos autores dessa época.

O escritor e historiador Lin Carter, traçou a influência da Teosofia na obra de H.P. Lovecraft, colocando-o entre aqueles que encontraram inspiração na doutrina para compor suas estórias. Para Carter, um dos maiores entendidos na obra de Lovecraft, o autor tomou emprestado vários conceitos teosóficos para construir os famigerados Mythos de Cthulhu.

É curioso que Lovecraft, um cético quanto a tudo que envolvia o oculto, tenha estudado a doutrina teosofista para nela basear seus mitos ancestrais. Mas tudo indica que ele tenha buscado ali parte de sua inspiração.

Em uma carta enviada para seu colega Clark Ashton Smith, Lovecraft revela seu interesse no assunto: "Eu venho tentando digerir o material e transformá-lo em um background mais sólido... as lendas sobre Atlântida e Lemúria se mostram bastante promissoras". Ao escrever para Willis Conover, Lovecraft é ainda mais incisivo: "Essa bobagem teosofista, que em alguns pontos cai na classe de farsa bem definida, consegue ser interessante em certos momentos".

Entretanto, ao que parece a familiaridade de Lovecraft sobre a Teosofia era um tanto limitada. Em outra correspondência enviada para Smith, ele menciona vários aspectos da doutrina que desconhece. Smith responde aconselhando-o a trocar idéias com E. Hoffman Price (outro autor envolvido no círculo dos mythos) que parece ter uma compreensão mais ampla do tema:

"Price descobriu em suas pesquisas a menção a um tipo de tratado a respeito de criaturas primordiais, um tal Livro de Dzyan, que supostamente contém os segredos sobre um mundo contemporâneo de Atlantida e Lemuria. Ele etsaria guardado na cidade sagrada de Shamballah, no Tibet. Acredita-se que seja o mais antigo livro do mundo, pois foi escrito no idioma Senzar (um ancestral do sânscrito). Não sei onde E. Hoffman encontrou essas referências, mas parece algo muito bom."

Animado com essa sugestão, Lovecraft realmente trocou correspondência com Price e obteve mais informações à respeito do lendário Livro de Dzyan. Tanto que resolveu incorporar o tomo ao Mythos de Cthulhu.

Em vários de seus contos, Lovecraft faz com que seus protagonistas esbarrem em livros antigos e repletos de saber perigoso. Há vários deles: o Livro de Eibon, o De Vermis Mysteriis, Cultes de Goules, o Unaussprechlichen Kulten, e é claro o maior de todos, o Necronomicon de Abdul Alhazred. Occasionalmente seus personagens descobrem outros tomos de conhecimento arcano e entre eles está o Livro de Dzyan. Em "The Haunter of the Dark" Robert Blake localiza uma cópia na biblioteca do Culto Starry Wisdom.

Em "The Diary of Alonzo Typer", também de autoria de Lovecraft o personagem que faz a narrativa revela em determinado trecho: "Aprendi muitos segredos com o Livro de Dzyan, cujos primeiros seis capítulos antecedem a vida na própria Terra".

Os seguidores de Lovecraft continuaram a usar o livro mencionado pelos teosofistas no universo dos Mythos de Cthulhu. Em "The Lurker at the Threshold", escrito por August Derleth o narrador se recorda: "Eu mergulhei naquelas páginas estranhas e terríveis, do Livro de Dzyan, do Dhol Chants, e dos Sete Livros Cripticos de Hsan. Neles li à respeito de terríveis blasfêmias e cultos do passado, em eras pré-humanas..."
Mas o que é o Livro de Dzyan? Será que a reputação estabelecida pelos autores de ficção fantástica é merecida? Na primeira página de seu livro mais conhecido "A Doutrina Secreta", Blavatsky o descreve como "um antigo manuscrito, uma coleção escrita em folhas de palmeira feitas impermeáveis à água, fogo e ar, através de um processo desconhecido".

A Tradição diz que o Livro de Dzyan teria sido escrito em senzar, idioma conhecido pelos sacerdotes de antigas civilizações perdidas e compartilhado por Seres Divinos, que ditaram as palavras para que fossem anotadas.

Não há provas que o Livro de Dzyan realmente existiu em algum momento da história humana, Madame Blavatsky jamais mostrou a cópia que ela dizia ter em seu poder. É possível, no entanto que o Livro de Dzyan na verdade seja um dos volumes do Rig Veda indiano que trata do "Hino da Criação". Para alguns estudiosos, Blavatsky se inspirou no texto aramaico-cabalístico, Sifra Di-Tseniutha. Existindo ou não, o Livro de Dzyan de Blavatsky é bem diferente daqueles apresentado pelos autores do Mythos. Ao menos no que diz respeito ao seu conteúdo blasfemo, capaz de levar o leitor à loucura.

Mas Lovecraft parece não ter tomado emprestado da Teosofia apenas a existência do sagrado Livro de Dzyan.

Em "The Shadow Out of Time", a grande raça de Yith projeta suas mentes através do tempo e espaço para habitar os corpos de criaturas em forma de cone no passado distante da Terra. Segundo a Doutrina Teosofista, algo similar acontece: uma raça superior que habitava Vênus é obrigada a lançar suas mentes para o interior de seres repulsivos, os Lemurianos originais, para assim escapar da extinção.

A noção é quase a mesma: seres com uma mente superior enviando suas consciências através do tempo e espaço para habitar os corpos de outros seres inferiores.

Tudo indica que Lovecraft se inspirou na teosofia para conceber as mentes Yithianas. Em uma carta, ele escreveu: "Algumas dessas idéias sobre seres monstruosos da antiga Lemúria são incrivelmente férteis de sugestões fantásticas." É quase como um reconheciemnto de que ali estava um bom material, apenas esperando ser adaptado.

Lovecraft também parece ter "tomado emprestado" dos teosofistas a referência a cidadelas ciclópicas em ruínas que um dia foram habitadas por raças não-humanas.

Em "Out of the Eons", ele escreveu: "uma gigantesca fortaleza ciclópica de pedra erigida pelas criaturas alienígenas do escuro planeta Yuggoth, que colonizaram a Terra antes do nascimento da humanidade". Em "The Call of Cthulhu", os sonhos de Wilcox se referem a R´Lyeh, "uma horrível cidade ciclópica construída com pedra esverdeada". Já em "The Dream Quest of Unknown Kadath", o protagonista Randolph Carter pondera em determinado momento a respeito das "vastas ruínas de uma cidade construída com tijolos de lama cujo nome foi esquecido", e mais adiante comenta que "Carter não gostava do tamanho e formato das ruínas e nem das dimensões que os antigos habitantes deviam ter".

Os Teosofistas citam as mesmas cidades de proporções ciclópicas que mais pareciam atender às necessidades de raças gigantes do que a humanos. Blavatsky declara: "estas ruínas ciclópicas de pedras colossais, testemunharam a existência de gigantes que nelas habitaram muito antes do homem".

Ela atribui ainda aos lemurianos a construção destas cidadelas: "Eles aprenderam a erguer grandes cidades com uma arquitetura ciclópica, adaptada aos seus corpos gigantescos". Na doutrina teosofista, os lemurianos eram gigantes embrutecidos com algo entre quatro e seis metros de altura.

Mas em alguns momentos de sua ficção, Lovecraft se referiu diretamente a Teosofia deixando transparecer a sua idéia à respeito dela.

Em "The Call of Cthulhu", o viajado marinheiro Castro revela o que ele sabe a respeito de Cthulhu e dos Grandes Antigos. Lovecraft escreve: "O velho Castro recordava-se de fragmentos de lendas hediondas que empalideceriam as especulações dos teosofistas e que faziam o homem e o mundo parecerem realmente recentes e efêmeros".

Na mesma estória, o narrador descreve um arquivo de papéis que eventualmente revelam a verdade sobre o Culto de Cthulhu: "todos os demais manuscritos eram notas breves, sendo algumas delas relatos de estranhos sonhos, citações de livros e revistas teosóficas (principalmente de "A Atlântida" e a "perdida Lemúria") de W. Scott-Elliott's". Lovecraft havia lido esses dois livros e deve ter tido acesso às revistas editadas pelos teosofistas, material que sem dúvida incendiou sua imaginação.

Em "Out of the Eons", um excêntrico curador é descrito nos seguintes termos: "Um sabichão de conhecimento teosófico."

O que Lovecraft parecia implicar em seus contos é que os Teosofistas só detinham uma pequena parcela da terrível verdade sobre a criação do mundo e que não conseguiam compreender o caráter perigoso desse saber. De fato, o narrador em Call of Cthulhu diz: "Os Teosofistas têm feito conjecturas sobre a magnitude assustadora do ciclo cósmico, do qual nosso mundo e a raça humana contituem incidentes efêmeros. Têm feito alusões a estranhas sobrevivências, em termos que fariam congelar o sangue se não fossem mascarados por ameno otimismo".

Na concepção de Lovecraft os Teosofistas podem estar certos em parte, mas não sabem toda a verdade sobre a gênese humana. Eles entenderam corretamente que a criação da humanidade está relacionada intimamente a ação de seres alienígenas super-avançados, mas falham em entender como isso aconteceu. Pior ainda eles tentam ver essa relação entre a humanidade e as criaturas superioras de forma otimista, como se a humanidade tivesse sido criada por estes seres com razão e propósito.

Lovecraft pinta um cenário com cores escuras e num tom pessimista. Como fica claro em "At the Mountains of Madness", a humanidade surgiu acidentalmente nos laboratórios de criaturas ancestrais (os Elder Things). Ela não foi concebida com um propósito nobre e determinante.

Lovecraft parece ter atingido em cheio o pomo da discórdia entre criacionistas e darwinistas: se o homem teve uma origem aleatória, então seu significado e seu destino também devem ser aleatórios. Ou seja estamos aqui ao acaso e nossa presença pouco (ou nada) importa para o funcionamento do universo.

Em maior ou menor grau, é evidente que Lovecraft se apropriou de algumas noções teosóficas para suas estórias. É irônico lembrar que a mitologia do próprio Lovecraft serviu como base para Erick von Däniken e suas teorias a respeito de deuses astronautas.

Tudo indica que o ciclo está longe de se encerrar.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Madame Blavatsky - A conturbada vida da grande dama do ocultismo mundial

Uma das mas importantes ocultistas e influentes pensadoras do século XIX. Co-fundadora da Sociedade Teosofista, Blavatsky deixou para a posteridade uma imagem de aventureira, mística, medium, ocultista e charlatã que ainda hoje atrai e fascina.

Helena Petrovna von Han, a esotérica que ficou conhecida como H.P. Blavatsky ou Madame Blavatsky, nasceu na cidade de Ekaterinoslav, sul da Rússia, atual Ucrânia, em agosto de 1831, filha de um distinto oficial militar e de uma famosa novelista. As primeiras horas de vida da futura ocultista e paranormal pareciam anunciar seu destino incomum: recém-nascida, era tão fraca que foi desenganada. O batizado foi providenciado apressadamente para evitar que a criança morresse pagã. A cerimônia foi marcada por um acidente, considerado mau agouro, quando o padre e vários convidados se queimaram seriamente.

Quando Helena tinha 11 anos, em 1842, sua mãe morreu. Ela e os irmãos, Vera e Leonid, foram morar com os avós maternos, em Saratov; o avô, era governador de província e a avó, botânica e escritora. A mansão da família, tinha uma atmosfera de mistério: galerias subterrâneas, passagens abandonadas, inúmeros recantos e esconderijos; lugares onde a menina se escondia quando queria fugir da disciplina doméstica. Não raro, se perdia naqueles labirintos mas dizia que não tinha medo porque jamais ficava sozinha: tinha a companhia de criaturas invisíveis que a protegiam.

Ainda assim, sofria de crises nervosas, era sonâmbula e as vezes dizia-se perseguida por "terríveis olhos brilhantes". Definitivamente, Blavatsky não foi uma criança normal. Teve uma educação esmerada, com a rica biblioteca à sua disposição: devorava os livros. Era inteligente, aprendia outros idiomas com facilidade, tocava piano muito bem, pintava com maestria, era uma amazona destemida e montava usando cela masculina.

Desde cedo, também demonstrava faculdades esotéricas, ainda sem controle, como a clarividência ─ faculdade inspiradora das incríveis histórias de eras passadas que contava a adultos e crianças ─ a telecinese com a qual movia objetos com a mente e produzia pancadas, a telepatia, comunicação à distancia através do pensamento e leitura do pensamento de terceiros e o mesmerismo, arte do hipnotismo. Ainda na infância, tinha visões de um homem de feições orientais que, mais tarde, revelou-se como seu mestre espiritual, um Mahatma (grande espírito), Mestre Morya.

A jovem não se preocupava em casar, geniosa como era, foi desafiada a se aproximar de um velho e feio amigo da família, Nicephoro V. Blavatsky, a quem chamava de "corvo sem penas". Assim instigada e agindo impulsivamente a moça dirigiu-se àquele senhor e conversou com ele poucos minutos. Três dias depois ele fez o pedido de casamento. O pai consentiu e não houve como escapar. O casamento foi realizado; ela tinha 17 anos, o noivo 51.

Consta que a união jamais foi consumada. Três meses depois ela fugiu, abrigando-se com os avós. No caminho, temendo ser obrigada a voltar para o marido, fugiu de novo e, desta vez, abandonou a Rússia dando início à grande aventura que foi sua vida. Durante dez anos viajou pelos mais diferentes e remotos lugares do mundo: Ásia Central, Índia, América do Sul, África, Leste Europeu, Turquia, Egito, Grécia, México, Ilha de Java, entre outros. Apesar do escândalo, o pai não a desamparou e patrocinou suas viagens providenciando regulares remessas de dinheiro. Daquele casamento ela conservou apenas o nome com o qual tornou-se famosa e voltou à Rússia só depois que a separação foi legalizada.

Em 1851, residindo em Londres ela finalmente, teve seu primeiro encontro, no plano físico, com o Mestre Morya, aquele que aparecia em suas visões de infância. Soube, então, que ele era um Iniciado oriental, um indiano nascido no clã dos Rajput, descendente de uma dinastia de guerreiros. O mahatma revelou que queria muito encontrar Helena e que precisava pedir sua cooperação numa importante tarefa: A criação de uma sociedade teosófica. Explicou que ela teria de passar três anos no Tibete para ser preparada para essa importante missão.

Em 1854, Blavatsky viajou para os Estados Unidos e cruzou o país de costa à costa em um carroção de imigrantes. Em 1855, foi para a Índia, via Japão e finalmente conseguiu entrar no Tibete. Ali, sob a orientação de mestres foi adequadamente treinada e iniciada no teoria e na prática das ciências ocultas. Entre 1860 e 1865, novamente viajando, desta vez pelo Cáucaso, passou por uma séria crise física e psíquica que, uma vez superada, resultou no domínio completo de seus poderes paranormais. Em 1865, em carta para sua irmã, Vera, Blavatsky comentou: "Agora, não estarei mais sujeita a influências externas".

Porém, durante uma viagem, nas estepes asiáticas, Blavatsky ficou muito doente em decorrência de um ferimento na altura do coração, segundo ela mesma, um golpe de sabre. Desenganada por médicos, teve uma recuperação milagrosa e sobreviveu. Dizia ser capaz de sarar o próprio corpo através de meditação profunda. Dessa maneira enganou a morte após dois ferimentos quase fatais experimentados em suas aventuras. Consta que na Itália, filiada à Sociedade Carbonária em 1856, lutou ao lado de Garibaldi, em Viterbo onde recebeu um golpe que teria sido mortal não fosse seu conhecimento.

Continuou em suas viagens em busca do conhecimento antigo: Balcãs, Grécia, Egito, Síria, Itália. Em 1868, estava novamente no Tibete onde ficou hospedada com outro Mestre Iniciado, Koot Hoomi. Na Grécia, embarcou em um navio com destino ao Egito que naufragou. Ela escapou do naufrágio e se estabeleceu no Cairo onde tentou fundar uma Sociedade Espírita, iniciativa que fracassou vergonhosamente sob acusação de produzir fenômenos de forma fraudulenta. Blavatsky justificou o episódio atribuindo os truques, grosseiros, a membros da Sociedade que agiam de má fé.

Em 1873, H.P. Blavatsky chegou a Nova York onde começaria uma nova fase de sua trajetória no Ocultismo. Fase marcada por um trabalho mais sistemático na divulgação do que ela chamava de Doutrina Secreta. Já famosa em seu próprio pais e em toda a Europa, seu prestígio e também o número de seus admiradores e opositores expandiram-se na metrópole norte-americana. A fama foi conquistada não somente pelos comentários das muitas pessoas que, até então, haviam testemunhado os prodígios que realizava mas, também, porque Blavatsky foi jornalista: obtinha parte de seus recursos escrevendo artigos e ensaios sobre temas ocultistas, relatos sobre países exóticos, suas viagens e temas da vida russa.

Nessa epoca, ela conheceu o coronel Henry Steele Olcott, advogado e militar que participou da Guerra Civil, e se converteria no seu grande companheiro e co-fundador da Sociedade Teosófica. Estudioso do Espiritismo, Olcott foi apresentado a Blavatsky em Vermont, em uma fazenda onde estavam ocorrendo fenômenos espantosos: materialização de formas fantasmagóricas e sons guturais. As aparições, sensacionais, atraíam muitos visitantes e estudiosos que queriam ver de perto os fenômenos.

Olcott e Blavatsky se tornaram amigos imediatamente e passaram a trabalhar teorias que iam além do espiritismo kardecista ao inserir elementos de filosofias orientais como o budismo e confucionismo aos ensinamentos mais convencionais.

Em 1875, Blavatsky e Olcott fundaram oficialmente a Sociedade Teosófica sendo Olcott o presidente. Entre os objetivos da Sociedade destacavam-se o estudo comparativo das religiões, filosofias e ciências de todo o mundo e culturas; a busca pela história secreta da humanidade e a investigação dos fenômenos inexplicáveis da Natureza e tudo que é chamado Sobranatural. A idéia de formar a Sociedade foi de Olcott porém ele desconfiava que a inspiração fora "colocada" em sua mente porque no livro de anotações de HPB havia um escrito de julho de 1875 onde a ocultista registrou: "Ordens recebidas da Índia são de estabelecer uma sociedade filosófico-religiosa".

Ainda em 1875, poucos meses antes da fundação da Sociedade Teosófica, Blavatsky começou a redigir "Ísis Sem Véu" (Isis Unveiled). As fontes de pesquisa, citações, referências a livros e autores, muitos deles, obras raras, sempre foram um dos grandes mistérios da ocultista. A biblioteca de Madame contava com poucos títulos que cabiam em um pequena estante. Ela explicava que obtinha as informações acessando os livros diretamente em Akasha, a Luz Astral ou, ainda, materializando temporariamente os livros que consultava. Essas referências foram cuidadosamente checadas por seus revisores que constataram a autenticidade das fontes.

A "precipitação" ou "aporte" de objetos tais como livros, cartas, jóias, entre outros, era um dos mais surpreendentes prodígios que Blavatsky realizava e, em numerosas ocasiões, diante de várias testemunhas, em qualquer ambiente, à luz do dia e ao ar livre. Em certa ocasião, materializou para uma amiga um broche de família que estava perdido há muitos anos.

A redação de Ísis Sem Véu continuou, no local que ficou conhecido como Lamaseria, considerado quartel-general nos primeiros tempos da Sociedade Teosófica em Nova Iorque. Ísis Sem Véu foi publicado em 1877 e vendeu mil exemplares somente nos primeiros dez dias (uma quantidade considerável para a época). O sucesso de público tornou sua autora ainda mais famosa. Blavatsky naturalizou-se norte-americana, mas não se estabeleceu no país que a adotou.

Em 1879, Olcott e Blavatsky viajaram para a India e chegando a Bombaim foram recepcionados por simpatizantes que já conheciam Madame HPB e suas façanhas. Durante dois anos visitaram várias cidades e vilarejos indianos, entrando em contato com pessoas que reconheceram seus dons. Decidiram então estabelecer uma Sede Indiana da Sociedade Teosófica em uma ampla propriedade situada as margens do rio Adyar, perto de Madras.

Lá Blavatsky começou a rascunhar o projeto de seu próximo e mais ambicioso projeto, "A Doutrina Secreta", obra máxima da Teosofia. A Doutrina Secreta exigiu da ocultista um esforço titânico de vontade e uma severa disciplina de trabalho. Mais uma vez, a "biblioteca astral" foi utilizada em cerca de 1.400 citações e referências para escrever o extenso compêndio. A Doutrina Secreta foi publicada em 1888 e ainda hoje é considerada uma das mais importantes obras do estudo do ocultismo, uma síntese de religião, filosofia e ciência que se propõe a explicar segredos do universo.

De volta à Europa ela se estabeleceu na casa da mística Anne Besant, sua mais promissora discípula e fundou a primeira Casa Teosófica em Londres. A Sede foi frequentada por vários ocultistas de renome, entre os quais McGregor Mathers e Westcott os fundadores da Golden Dawn, a mais importante sociedade do século XIX.

Em abril de 1891, Blavatsky passou mal e seu médico, diagnosticou influenza (gripe espanhola), doença que a debilitou além de suas alegadas capacidades curativas. Suas últimas palavras foram "Keep the link unbroken! Do not let my last incarnation be a failure" ("Mantenham o elo intacto! Não façam de minha última encarnação um fracasso").

Blavatsky teve influência em um momento histórico em que a religião estava sendo rapidamente desacreditada pelo avanço da Ciência e da Tecnologia, e que testemunhou o nascimento de uma série de escolas de ocultismo com base conceitual pouco firme, que ganhavam grande número de adeptos em virtude do fracasso do Cristianismo em fornecer explicações satisfatórias para várias questões fundamentais da existência.

A importância da contribuição de Blavatsky foi reafirmar o divino, oferecendo caminhos de diálogo com a Ciência e tentando purgar a Religião institucionalizada de seus erros seculares, combatendo o dogma e a superstição, incentivando a pesquisa científica, o pensamento independente e a crítica da fé cega através da razão.

domingo, 4 de setembro de 2011

Filme Tentacular | YellowBrickRoad

Avaliação:




Alguns filmes de terror ficam na cabeça e são difíceis de esquecer.

É engraçado, mas nem sempre isso tem a ver com uma determinada cena ou com alguma coisa especificamente horripiliante. Certos filmes conseguem ficar na nossa cabeça por algum pequeno detalhe que despertam em nossa imaginação. Assim acontece comigo quando lembro do filme "O Iluminado". O filme todo é ótimo, mas aquela cena de um sujeito vestindo uma fantasia de urso num dos quartos é tão bizarra que ela sempre me vem à cabeça quando penso no filme.

Semana passada assisti um filme e me surpreendi com quantas vezes me peguei pensando nele. O título original é YellowBrickRoad (tudo junto como uma palavra enorme) lançado esse ano.

Eu gostaria de dizer que é um filmaço, que ele ficou na minha cabeça em função de ser um tremendo filme de horror e que mal posso esperar para assisti-lo novamente. Mas não é esse o caso... YellowBrickRoad é um filme que se dá ao luxo de pegar uma ótima (e assustadora) premissa, temperar com algumas situações bem engendradas, criar tensão no espectador e no fim estragar tudo com um final digno de figurar entre os piores da história.

Vou fazer uma analogia aqui: assistir a YellowBrickRoad é como receber uma enorme caixa de presente de aniversário, abrir e descobrir outra caixa no interior da primeira, abrir e achar outra, e outra até chega à uma pequena e última caixa... e depois de abrir não achar nada lá dentro.

Não estou exagerando, é isso mesmo. Eis aqui a excelente premissa:

Em 1940, os habitantes de Friar, uma tranquila cidadezinha no interior da Nova Inglaterra (sempre lá!) simplesmente abandonaram suas casas e se embrenharam em uma trilha que corta uma floresta, a tal Yellow Brick Road (Estrada de Tijolos amarelos). Na pressa deixam para trás seus objetos pessoais e suas vidas. Alguns foram encontrados congelados, outros misteriosamente mutilados na beira da estrada. Apenas uma pessoa sobrevive e seu testemunho é confuso e inconclusivo. Setenta anos mais tarde, os documentos sobre o caso vem à público. De posse dos registros policiais, um casal que pensa em escrever um livro à respeito do acontecido, reúne outras seis pessoas e resolve seguir a mesma trilha e tentar descobrir o que aconteceu com os moradores de Friar.

Esse resumo deixa no ar uma série de perguntas e tudo leva a crer que elas serão abordadas no decorrer do filme e respondidas no final. Ao menos é o que acontece normalmente, não é? Bem, nem sempre...

É inegável que YellowBrickRoad tem um grande conceito, ele trabalha bem a idéia intrigante do prólogo e até seu trailer parece promissor. É impossível assistir esse filme sem lembrar de A Bruxa de Blair descontando a irritante câmera tremendo e desfocada. A equipe de exploradores (investigadores?) planeja desvendar o mistério da estrada assombrada e entender que motivou as pessoas a abandonar suas vidinhas pacatas para morrer em uma das regiões mais inóspitas da Costa Leste americana. Essa é uma grande idéia.

Logo no início do filme, e da trilha, o grupo chega a Friar e visita um velho cinema que é onde a antiga trilha supostamente começava. Ninguém no povoado parece muito interessado em falar do assunto, mas a equipe acaba recrutando mais um componente para o grupo, uma moça que sempre vivieu no lugar e que alega saber alguns detalhes da tragédia. Em seguida iniciam a jornada pelos tais tijolos amarelos (que não aparecem em momento algum do filme!).

O ritmo é lento, mas fica a espectativa de que alguma coisa bizarra vai acontecer mais cedo ou mais tarde. À medida que o grupo segue pela trilha e adentra a floresta a civilização vai ficando para trás e sendo substituída por uma aura de isolamento desolação. Depois de alguns dias de caminhada o GPS começa a falhar e o grupo descobre que já avançou muito terreno adentro para voltar, o jeito é ir em frente.

Coisas estranhas então começam à acontecer. Primeiro é o estado de espírito de cada pessoa que muda, como se a viagem de alguma forma estivesse causando danos na mente de cada um. Mas o terror começa a se instalar quando uma música de época passa a ser ouvida dia e noite vinda de lugar nenhum. Minado em sua resistência física e fragilizado psicologicamente, um dos membros da expedição acaba cometendo um ato chocante e sangrento.

O ritmo lento do início da jornada parece que finalmente vai ser quebrado, mas a tensão jamais atinge o climax. O resultado infelizmente é pura frustração.

YellowBrickRoad é um filme de orçamento modesto, mas essa não é uma desculpa aceitável para o resultado muito aquém do que se esperava. A produção está em ordem, o elenco não é ruim, os diálogos parecem bem escritos e a filmagem também não compromete. O principal problema do filme acaba sendo o roteiro que começou tão bem e que termina tão mal.

Existem méritos, o diretor é bem sucedido em estabelecer o clima de suspense com algumas cenas impactantes (as ondas sonoras principalmente), mas o grande pecado é que no fim os mistérios que são propostos jamais encontram solução. Não se fica sabendo o que motivou a tragédia em Friar, porque o GPS falhava, de onde vinha a música, qual o seu significado e porque a personalidade das pessoas mudava tanto ao andar pela estrada. Também não se sabe o que seria a tal Estrada de Tijolos Amarelos. Uma alusão a O Mágico de Oz, quem sabe?

Quando você assiste a um filme fica esperando por um desfecho, mas este não apenas priva o espectador de uma explicação, como oferece em seu lugar uma conclusão tão absurda que chega a ser constrangedora. A idéia talvez fosse passar uma sensação de sonho/pesadelo, como ocorre nos filmes de David Lynch, se é isso mesmo, o resultado falha de modo catastrófico.

É o tipo de fim que deixa você coçando a cabeça e pensando que haveriam mil outras maneiras de encerrar o filme, e que escolheram justo a pior delas. E justamente por isso que YellowBrickRoad ficou na minha cabeça ao longo da semana. Fiquei tentando preencher as lacunas e encontrar alguma solução mais palatável.

De positivo, o fato que pretendo usar a idéia mais cedo ou mais tarde em um cenário de horror como Call of Cthulhu ou quem sabe Fear Itself. De preferência com começo, meio e fim.

Para quem ficou curioso, aí está o trailer:

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Cordyceps - O verdadeiro Fungo Zumbi da natureza em ação

O tema não é totalmente estranho nas obras de ficção científica/horror: uma forma de vida alienígena domina a mente e escraviza pessoas obrigando-os a fazer a sua vontade.

Imediatamente vêm à memória o clássico "Vampiros de Almas", filme dos anos 50 em que seres alienígenas dominavam a mente de humanos inocentes forçando-as a trabalhar e se submeter a sua vontade, a medida que conquistam o planeta.

Na natureza existe algo muito próximo disso.

O Cordicep é um fungo com mais de 400 espécies conhecidas pela ciência, bastante comum em florestas tropicais, podendo ser encontrado na Ásia, e América do Sul - na mata Atlântica do Brasil, inclusive. Trata-se de um fungo endoparasita que ataca diferentes tipos de insetos e causa um efeito no mínimo bizarro.

Quando um inseto entra em contato com o fungo através de esporos é imediatamente infectado. O cordicep entra pelos poros e contamina seus corpos e cérebros. Ele então manipula o comportamento do animal, forçando-os a executar uma determinada tarefa. No caso das formigas carpinteiras, o fungo as obriga a escalar o mais alto possível e se fixar em um local ideal para se desenvolver. O inseto age como um zumbi, obedecendo aos estímulos transmitidos pelo parasita antes deste causar sua morte.

O que acontece à seguir "parece algo saído da ficção fantástica". Com o hospedeiro morto, o fungo começa a se desenvolver, brotando da carcaça do animal e formando uma estrutura cilíndrica alongada chamada ascocarpo. Essa estrutura brota da cabeça do hospedeiro e tem como única função espalhar mais esporos e infectar outros animais. Logo uma colônia inteira pode ser aniquilada por esses esporos assassinos a medida que ele cria outras formigas zumbis.

O vídeo à seguir da BBC detalha como funciona o ciclo de vida desse assustador fungo parasita:




A música sinistra e as imagens mostram como a natureza pode ser cruel.

Imaginem agora um desses fungos (ou quem sabe um fungo alienígena ligado ao Mythos, alguém pensou nos Mi-Go?) especialmente adaptado para atuar sobre a fisiologia humana.

O resultado, em duas palavras: Holocausto Zumbi!

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

As Cavernas de St Margaret - Esticando um pouco a cena final do cenário para Rastro de Cthulhu


Semana passada terminei de mestrar o cenário "A Agonia de St Margaret" e aqueles que estão acompanhando os últimos artigos sabem que fiz mudanças na aventura.

Na ocasião em que completei a primeira parte do cenário, restava fazer apenas a cena final em que os investigadores descem até a praia abaixo do penhasco onde se localiza a escola para confrontar a criatura responsável pelos horror. Isso leva os personagens a descobrir uma caverna e o monstro em seu interior.

A cena final não é muito grande, por isso resolvi estender um pouco a aventura, o que me levou a criar uma espécie de exploração para o grupo no interior da caverna.

Aqui está o adendo se alguém quiser utilizar:

A Praia: A praia abaixo do penhasco onde está a Escola St. Margareth é rochosa, com grandes pedregulhos cobertos de limo e algas. Ela pode ser acessada através de uma escadaria de pedra com degraus irregulares.

O som das ondas se chocando contra o titânico paredão encobre a conversa entre os investigadores de modo que eles terão de gritar. O odor de sal é onipresente e a umidade no ar é tamanha que em poucos minutos as roupas estão encharcadas.

Descer a escadaria não exige nenhum rolamento ou gasto de pontos, embora os degraus estejam cobertos de limo escorregadio, presume-se que os investigadores vão descer com todo o cuidado.
A praia se estende por cerca de 300 metros e é uma paisagem triste e sombria. Durante a noite a maré alta engole a praia e quando amanhece retrocede deixando para trás algas e pequenos animais marinhos nas pedras (baratas do mar, mexilhões e caranguejos). Como a praia não é muito extensa é possível encontrar com facilidade cavernas naturais escavadas no penhasco. A maioria dessas cavernas não passa de um nicho raso onde a água escavou a rocha sólida ao longo de séculos. Uma delas, no entanto é bem mais profunda e foi ali que a criatura construiu seu refúgio.

Na frente da caverna o grupo encontra uma bolsa de couro puída, meio enterrada sob as pedras (rolamento de ocultação dificuldade 4). Os objetos que estavam dentro provavelmente foram arruinados pela maresia mas ainda é possível reconhecer um lampião, uma fogareiro, dois cobertores, 10 metros de corda e uma garrafa de óleo. O guardião pode decidir se algum material ainda pode ser usado. Tudo indica que seus predecessores entraram na caverna adiante.

O melhor local para se montar o círculo da magia é na praia. Trata-se do único local em que um círculo de 20 metros pode ser construído. Geologia ou então Ocultismo revelam que o interior da caverna não deve oferecer as condições necessárias. Se o grupo não tiver trazido consigo pedras para o ritual podem encontrar o que é necessário na praia.

A Caverna: A entrada da caverna é escura e úmida. O interior deve passar uma idéia de intensa claustrofobia, escuridão completa e isolamento. Do teto irregular projetam-se grandes estalactites pontiagudas que se precipitam como espetos ameaçadores. O chão é irregular, escorregadio e gelado e os investigadores terão de rastejar por ele em caminhos tortuosos e estreitos se quiserem explorar o local.

A água do mar costuma alagar essa caverna frequentemente, preenchendo o túnel com algas e animais marinhos. Espalhe pelo caminho poças de água fria, baratas da água e caranguejos onde quer que os personagens entrem. O som de gotas caíndo, água correndo pelas paredes e respingos é enervante. Eles terão de engatinhar e rastejar em passagens com água pelos calcanhares e evitar bater a cabeça no teto baixo.

É necessário carregar alguma fonte luminosa por todo o caminho. Peça aos investigadores que definam qual deles está carregando a lanterna, lampião ou tocha. Sem uma fonte luminosa é virtualmente impossível se guiar pelos túneis.

Explorando o interior da Caverna:

1 - Entrada da Caverna - A entrada da caverna é escura e indevassável. No chão há um monte de algas e um miasma suspenso no ar como uma névoa estagnada. O cheiro que vem lá de dentro é de sal e maresia.

2 - Caverna Principal - A câmara é larga com pelo menos 10 metros de uma ponta à outra. A maré moldou a parede com estranhos padrões de desgaste que na imaginação dos investigadores parecem desenhos rústicos. Do teto pendem estalactites escuras e afiadas como pontas de lança.
Há alguns pilares de pedra negra que vão até o teto espalhados pela câmara e nichos escuros onde ainda há água depositada. Existe um único túnel estreito através do qual se deve andar acocorado.

3 - Rabiscos na Parede - Seguindo pelo único caminho viável, os investigadores chegam a um túnel um pouco mais largo onde encontram uma inscrição feita com giz na parede. Ali diz: "Aqui os Caçadores da Verdade entraram em busca do desconhecido" ao lado está a data do desaparecimento deles e as iniciais de cada um dos envolvidos.

4 - Caranguejos Albinos - Essa área do túnel está alagada e força os investigadores a adentrar uma piscina natural lar de centenas de carangueijos brancos como neve. Os animais são estranhos e alguns possuem óbvias deformidades. Os menores fogem assustados de qualquer luz, os maiores (grandes e agressivos crustáceos) reagem a qualquer aproximação erguendo as pinças e avançando contra invasores.

Essas criaturas não são um perigo real, mas estão aqui para atrasar, incomodar e fazer com que os jogadores se sintam degradados, enjoados e furiosos. O grupo terá de engatinhar pelo único caminho esmagando o que quer que haja pela frente. Se a reação do grupo for condizente aplique alguns rolamentos de estabilidade ou relate alguma coisa "divertida" (como um caranguejo entrando nas calças de um dos investigadores).

5 - O Primeiro Caçador - Ao passar pelo túnel o grupo chega a uma outra câmara repleta de alga espalhada pelo chão. No canto, de baixo de uma pilha de algas se projeta uma perna. Esse é um ótimo local para colocar um dos caçadores da verdade.

O corpo está nas condições descritas na aventura, embora esteja vivo o pobre diabo encontra-se muito além de qualquer ajuda. O grupo não conseguirá obter nenhuma informação com ele e matá-lo é um ato de piedade.

6 - A Caverna do Aterrorizado - O túnel leva até uma caverna maior com as paredes de rocha nua e gotejante. Em um canto está uma forma humana ajoelhada junto da parede, ao seu redor estão rabiscados símbolos de proteção com giz. O cadáver não apresenta qualquer sinal de violência, e tudo indica que o indivíduo ficou sozinho no escuro e morreu sem conseguir encontrar a saída. O medo ainda está estampado em sua face transtornada.

O sujeito tentou escapar da criatura e se refugiou nessa câmara. Logo ficou sozinho e aterrorizado demais para voltar, acabou morrendo no escuro. A criatura drenou sua energia até ele morrer. Em seus bolsos os investigadores encontram os documentos de um dos caçadores desaparecido.

7 - O Covil da Criatura - Esta é a câmara final dessa pequena "masmorra". Aqui o grupo descobre uma caverna um pouco mais ampla com dois caçadores da verdade drenados no chão. Possivelmente seu amigo estará aqui, além de qualquer ajuda, seu corpo lentamente drenado de energia vital e transformado em uma casca frágil que se desfaz ao mais leve toque. O teto é de rocha porosa com saliências e buracos através da qual a criatura costuma se esgueirar. Uma espécie de atalho que só ele consegue acessar.

Há um odor de óleo mineral que emana de uma substância translúcida presa na parede como se fossem cortinas. Essa película semelhante a filme plástico recobre um nicho no lado esquerdo da câmara pendendo do teto em cascata. Ele é fino e quase invisível à olho nu. Não é difícil remover essas cortinas e revelar o que existe atrás. Preso à parede encontra-se o que poderia ser descrito como um tipo de ninho construído a partir do mesmo material das cortinas. No centro se aninham três criaturas com pouco mais de 15 centímetros de comprimento. As coisas parecem uma massa amorfa gelationosa e transparente semelhante a água viva. Elas tentam se proteger da luz e de qualquer toque.

Cabe aos investigadores decidir o que fazer, mas independente de suas ações, a criatura adulta, "aquele que viaja na névoa", surgirá em resposta a ameaça de suas crias. O grupo pode atear fogo ao ninho ou eliminar os filhotes facilmente com paus e pedras, eles não oferecem qualquer resistência. De uma forma ou de outra, o grupo poderá perceber a aproximação da criatura adulta quando começar a surgir do teto nuvens de névoa. isso deve fazer o grupo tomar uma decisão imediata. Se o grupo for esperto, será a deixa para fugir pelos túneis sem olhar para trás e voltar para a praia onde o círculo ritual com as pedras deve ter sido preparado antecipadamente.

Se algum dos Pcs tentar algo estúpido como levar um dos filhotes ele será o alvo prioritário da criatura. O monstro não reage a chantagem ou ameaça mesmo envolvendo suas crias e lutará para matar qualquer um que tenha descoberto o seu covil. A luta final deve ser difícil e mesmo com o ritual permitindo que a criatura seja ferida, espere por baixas.

Bem, com isso acho que encerro os comentários à respeito de "A Agonia de St. Margaret", espero que essa série de artigos seja proveitosa para os guardiões interessados em mestrar esse cenário.