segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Dívida de Sangue - O Cimério em Quadrinhos

Por Clayton Mamedes

Como muitos de nós, tive o meu primeiro contato com o Cimério de Bronze através dos dois filmes estrelados por Arnold Schwarzenegger. Contudo, uma imensa parcela da minha experiência com Conan tem origem nas páginas das histórias em quadrinhos.

Na rua onde eu morava antigamente, existia o Calango, o irmão mais velho do lendário Duda (da velhíssima guarda do RPG), com quem dividíamos mesas de Gurps Fantasy, Velho Oeste, Mafia e outras coisas. Este irmão do Duda possuía pilhas de revistas de formato grande, com ilustrações em preto-e-branco. Assim li a minha primeira A Espada Selvagem de Conan, isso lá em 1993.

A Espada Selvagem foi publicada no Brasil de 1984 a 2001, totalizando 205 edições mensais, onde tínhamos as aventuras insanas do Cimério, acompanhado algumas vezes de outros personagens criados pro Robert E. Howard, como Kull, o Conquistador, Salomão Kane e Bran Mark Morn. Além disso, existiu a versão colorida desta revista, que sobreviveu a 13 edições na década de 90. Para os mais fanáticos, Conan ainda protagonizou uma edição “gibizinho”, pequena e colorida chamada de Conan, o Bárbaro, que circulou de 1992 a 1997, em 59 números. A estes título regulares, podemos ainda somar diversas coletâneas ou edições especiais, tais como Graphic Marvel e outras.

Fuçando no meu armário, encontrei algumas edições dignas de nota, que compartilho com vocês em algumas fotos e comentários sugestivos.

A Espada Selvagem de Conan #104:
Esta edição tem um significado especial para mim. Ela conclui a saga da Caveira dos Mares, cujo início foi no exemplar 101. É simplesmente um épico genial, escrita pelo lendário Roy Thomas e ilustrada pelo inesquecível John Buscema.

Destaque aqui para a participação dos Serpent People, diretamente extraídos dos confins dos Mythos. O bacana é que na HQ utilizam a frase que anula a magia Consume Likeness, muito utilizada pelo povo serpente para se passar por humanos: “Ka Nama Kaa Lajerama!”




A Espada Selvagem de Conan #127:


Este número traz umartigo um tanto curioso: um relato sobre um filme perdido de Conan. Nele, um tal de Charles Alexander Piltdown alega ter adquirido uma escrivaninha em leilão, que pertencera a Willis O' Brien, designer de produção do filme King Kong, em 1934. Junto com o móvel havia alguns esboços de um roteiro e ilustrações para um filme do Cimério, chamado Blood and Ice, onde o próprio Howard estaria colaborando. Ao que tudo indica, o filme não saiu da fase de planejamento devido à morte prematura do escritor. Será?


Graphic Marvel #12 – Conan, o Indomável
Conan visitou as páginas da série Graphic Marvel também, desta vez com mais uma história da famosa dupla Buscema e Thomas, desta vez colorida. Obviamente, a mulherada não poderia faltar. Gosto muito desta capa.

A Espada Selvagem de Conan #100
A centésima edição da Espada Selvagem nos trouxe uma trama muito peculiar. Nela, a jornada de Conan em uma taverna muito suspeita tem a sua narrativa intercalada com a incursão de Howard em um bar nefasto na fronteira mexicana. Criador e criatura juntos em plenos anos 90! Fico devendo a foto real da edição, pois a minha está emprestada. Pelo menos sei com quem está!

Conan, o Bárbaro #2

O segundo volume da revista “gibizinho” do Cimério traz outra grata surpresa: uma quadrinização do clássico conto “A Torre do Elefante”. É uma das minhas histórias favoritas. Na verdade, A Torre já havia sido quadrinizada por Roy Thomas e John Buscema na Espada Selvagem #11, porém esta versão aqui foi desenhada pelo lendário Barry Smith, com argumento de Thomas novamente; esta foi a primeira versão, apesar de ser publicada aqui depois.


Rei Conan
Esta mini-série em 8 edições foi publicada para concluir a saga de Conan como rei da Aquilônia, iniciada em 1990, com as 24 edições de Conan Rei, em formato americano e colorido. Aqui no fechamento do ciclo temos um Cimério casado com Zenóbia e com um filho, de mesmo nome, mas conhecido como Conn.

Conan Saga #1
Em 1993, A Espada Selvagem entrou em nova fase: as histórias ali contadas seriam em ordem cronológica, relatando períodos específicos da vida do Cimério. Já as tramas fechadas ou especiais, seriam publicadas em Conan Saga, que durou 17 edições. Destaque neste primeiro número para a horripilante “A Morte Espreita no Labirinto” (sim, me assustei quando li) e a “Fúria das Femizonas”, onde temos um futuro alternativo dominado pelas mulheres!!.

Assim concluo esta minha breve colaboração ao blog. Ao invés de focar o artigo em fatos objetivos sobre as HQs de Conan no Brasil, preferi uma abordagem mais pessoal, com relatos das obras que pude ler e apreciar. Garanto que foi uma fase inesquecível de minha vida e que deixou saudades, principalmente por não termos mais publicações regulares do Cimério por aqui nas nossas bancas.

Quem sabe com o novo filme, alguma editora não se anima e reedita A Espada Selvagem? Seria um boa notícia em tanto.

sábado, 17 de setembro de 2011

As melhores opções para ler a obra de Robert E. Howard

Robert E. Howard é um escritor bem conhecido e ao longo dos anos ele foi publicado em vários idiomas em um grande número de antologias que reúnem seus contos mais importantes. Infelizmente o leitor brasileiro não tem acesso a obra inteira de Howard pois apenas parte de seus contos foi publicado em português.

Abaixo estão três opções para conhecer o personagem mais importante criado por Howard: Conan, o Bárbaro.

Livros em Português:

Existem três livros publicados em português devotados aos contos de Robert E. Howard.

A Editora Conrad lançou dois volumes caprichados com o título "Conan, o Cimério". Cada edição contém contos clássicos escritos por Howard, além de alguns extras como fragmentos de textos, notas a respeito dos contos e alguns rascunhos incompletos.

A tradução dos contos é excelente e a edição não deixa nada a desejar à versão original americana (intitulada "The Coming of Conan the Cimmerian"). As páginas são adornadas por belíssimas imagens - assinadas por Mark Schultz - em preto e branco na beirada dos textos e algumas em página inteira.

Uma pena que estas edições estejam esgotadas, mas ainda é possível encontrar em algumas livrarias, sebos ou em grandes lojas online. Vale muito a pena!

Conteúdo:

O Volume 1 traz os seguintes contos: "Ciméria", "A Fênix na Espada", "A Filha do Gigante de Gelo", "O Deus na Urna", "A Torre do Elefante", "A Rainha da Costa Negra" e "Colosso Negro". Entre os extras estão esboços, fragmentos de alguns textos, sinopses e o ensaio "Gênese Hiboriana". Embora esse material seja interessante eu preferia o espaço ocupado por mais um ou dois contos, mas creio que a edição original tenha esse formato.

O Volume 2 é composto dos seguintes contos: "A Cidadela Escarlate", "Sombras de Ferro sobre a Lua", "Xuthal do Crepúsculo", "O Poço Macabro", "Inimigos em Casa", "O Vale das Mulheres Perdidas" e "O Demônio de Ferro". A edição acompanha sinopses, fragmentos, rascunhos e notas sobre os contos.

Infelizmente o terceiro volume que fechava a coleção não chegou a ser publicado pela Conrad.

Aproveitando a carona do novo filme (reparem na capa), a Editora Generale lançou recentemente um volume intitulado Conan, o Bárbaro com mais alguns contos do personagem inéditos em português.

A edição traz ainda "A Hora do Dragão", o único romance escrito por Howard ao longo de sua carreira, e uma seleção de três ótimos contos: "Além do Rio Negro", "As Negras Noites de Zamboula" e "Os Profetas do Círculo Negro".

A tradução de Alexandre Callari é ótima e a edição, embora não conte com a inspiradora arte em preto e branco em suas páginas, tem um bom acabamento e um prefácio assinado por Roy Thomas, o lendário editor da Marvel Comics.

Livros em Inglês

Para o leitor que domina o idioma inglês, há muitas opções para conhecer a obra de Robert E. Howard. Uma boa opção é a antologia em três volumes que deu origem a edição brasileira. "The Coming of Conan the Cimerian", "The Bloody Crown of Conan" e "The Conquering Sword of Conan" lançados pela Editora Del Rey com ótimo acabamento. Todos eles podem ser encontrados no Amazon.com com um preço bem acessível.

Entretanto, na minha opinião quem realmente é fã do personagem ou quer conhecê-lo deve optar pelo tomo lançado pela Gollancz: "The Complete Chronicles of Conan".

Essa edição especial é simplesmente espetacular!

A Gollancz também é responsável por "Necronomicon - The Best Weird Tales of H.P. Lovecraft" que recebeu uma resenha aqui no blog. A qualidade é basicamente a mesma.

A capa dura com imitação de couro e letras douradas dá uma idéia do luxo e beleza desse imponente volume de 930 páginas (!!!)

A contra capa tem o mapa do Mundo Hiboriano conforme esboço do próprio Howard.

O livro contém TODOS os contos originais de Conan, poesias, manuscritos inacabados e ensaios assinados por Robert E. Howard, além de em posfácio contando a importância desses contos para a criação de um gênero literário próprio (o Sword & Sorcery) e a biografia comentada do autor.

O livro traz ainda uma boa arte em preto e branco e desenhos de rodapé.

A edição tem um acabamento impressionante e a melhor parte é que esse tremendo livro não custa mais do que US$ 25,00 (mais o frete) em boas livrarias online. Para quem é fã, é um livro quase obrigatório!

Quadrinhos da Marvel:

Finalmente existe a opção de conhecer a obra de Howard através de quadrinhos editados nos anos 70 pela Marvel.

As primeiras estórias de Conan em que eu pus as mãos foram os quadrinhos que saíram aqui pela Editora Abril ao longo dos anos 80. A revista mensal "Espada Selvagem de Conan" marcou época e tenho certeza, muitos aqui leram as sangrentas estórias adaptadas pelo genial Roy Thomas que formava parcerias imbatíveis com monstros sagrados do desenho como John Buscena, Ernie Chan e Alfredo Alcala.

É uma pena que a revista "Espada Selvagem" tenha acabado. Depois da saída de Thomas a qualidade caiu um bocado, mas enquanto esteve na revista (por mais de 40 edições) ela era incrível.

Bom, para aqueles que assim como eu guardam suas edições amassadas e amareladas na casa dos pais, aqui vai uma dica. A Dark Horse lançou volumes encadernados, cada um com 500+ páginas trazendo o melhor da extinta "The Savage Sword of Conan".

Eu comprei os dois primeiros volumes e tenho outros já na alça de mira. A coleção já está em seu décimo volume, embora o filé mignon sejam os cinco primeiros volumes (que pega a fase do Thomas).

São exatamente as mesmas estórias que saíram aqui, com aquela arte vibrante em preto e branco invocando toda a ferocidade das batalhas e com os roteiros imortais de Roy Thomas, um verdadeiro poeta do barbarismo.

Para quem se amarrava nessas estórias é quase uma viagem no túnel do tempo.

Ah sim, a parte legal é que esses encadernados estão sempre em promoção em livrarias online como a Amazon.com, Barnes & Noble e a Book Depository. Em média uma dessas edições custa algo em torno de US$ 12 a 15 dólares (mais o frete), um bom preço para um tremendo calhamaço de 500 páginas.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

As Viagens de Conan - Cronologia do Personagem (Parte 2)

Continuando com a viagem e as aventuras de Conan.

Eventos acabam conspirando para que Conan desistisse de tentar transformar os Afghulis em um exército regular. Depois de vagar por algum tempo nas ricas terras de Vendhia ele segue para oeste explorando Kosala. Com pouco dinheiro e com sua cabeça à prêmio em toda região, ele visita a cidade de Zamboula onde pretende ganhar algum dinheiro.

Em "As Negras Noites de Zamboula" (Shadows in Zamboula), Conan cruza o caminho de um assustador culto canibal Darfari que venera o Deus Macaco Hanuman. Depois de extrair vingança contra um sinistro estalajadeiro, Conan retorna às terras hiborianas com 29 anos de idade.
Howard planejava escrever um conto à respeito de Conan roubando a jóia conhecida como Estrela de Khorala e pedindo um resgate real da Rainha de Ophir, mas esse conto não foi finalizado pelo escritor.

Pouco depois, estoura uma batalha naval entre Argos e a Estígia e Conan chega a tempo de se alistar na Marinha sob o comando de Zapayo de Cova. O plano é que a marinha argoseana ataque o litoral da Estígia, enquanto seus aliados kothianos invadem as fronteiras cercando a cidade estuária de Khemi. O plano falha quando Koth trai a aliança e faz a paz com os estígios. Em desespero, os mercenários tem que escapar cruzando o deserto à leste de Shem sob ataque constante dos soldados estígios.

Em "Drums of Tombalku" Conan acaba capturado e levado até a cidade de Tombalku para ser executado. O destino coopera com o cimério, quando o Rei Sakumbe o reconhece como sendo Amra, o Leão. Os dois foram compaheiros de armas nos tempos entre os corsários negros. Sakumbe promove Conan a General de suas tropas, pouco antes de ser deposto e morto em um golpe.

O bárbaro segue para os reinos negros ao sul de Kush. Nessa época ele assiste um ritual envolvendo o símbolo de Jhebbal Sag, uma entidade que detém poder sobre os animais. Conan aprende a desenhar o glifo que lhe será útil no futuro. Aproveitando sua reputação como Amra, conquistada ao lado de Bêlit, o bárbaro se torna chefe de guerra de uma tribo negra.

Em "O Vale das Mulhees Perdidas" (The Valey of Lost Women), ele quebra uma trégua firmada entre tribos durante um conselho de guerra para salvar uma mulher hiboriana que foi escravizada. Ele consegue garantir que a mulher retorne para a Estígia e conquiste sua liberdade.
Aos 30 anos, Conan viaja pela costa oeste oferecendo sua espada como pirata das Ilhas Barachas. Ele passa a servir à bordo de um navio e se torna um líder entre os marinheiros. Seu nome é sussurrado com um misto de medo e admiração quando ele passa a integrar a "Irmandade Vermelha". Afundando navios e saqueando cidades portuárias ele passa a ser um dos maiores predadores do Mar Ocidental. Alvo de intrigas entre rivais, que invejam sua posição de prestígio, Conan sofre uma tentativa de assassinato em Porto Tortage, mas escapa mergulhando no mar.

Em "O Poço Macabro" (The Pool of the Black Ones) Conan é resgatado por uma nau comandada pelo renegado capitão Zingaro, Zaporavo. Aceito na tripulação ele toma parte em vários saques e na destruição de navios mercantes, por fim o barco chega a uma ilha misteriosa. Conan conspira para substituir o capitão quando os piratas desembarcam, mas a situação foge do controle. Selvagens de pele negra que habitam a ilha capturam a tripulação e planejam sacrificar cada homem em um poço com poderes sobrenaturais. Conan salva os marinheiros e é feito capitão da embarcação prometendo guiar a nau até "portos ricos e navios mercantes carregados de pilhagem".

O trabalho como capitão o ocupa por quase um ano inteiro, dividindo seus ataques entre as rotas comerciais e navios piratas pertencentes aos Barachos que o traíram. Tranformado em corsário, o bárbaro experimenta grande sucesso em suas investidas contra a marinha Argoseana e Estígia. Sua sorte se mantém até que o barco é colhido numa tempestade e lançado contra recifes na costa de Shem. Depois de se recuperar, Conan vaga por algum tempo nas cidades shemitas aguardando alguma guerra ou conflito onde possa vender sua espada, mas o período é de relativa paz.

Sua notoriedade se espalhou pelas terras hiborianas e sua cabeça está à prêmio em Turan, Argos, Zingara e na Estígia. Eventualmente, Conan viaja para a Ciméria a fim de rever sua terra natal. Em seguida toma o caminho do sul novamente, conhecendo a Aquilonia. Ele tem 34 anos.
Viajando pela Aquilônia ele fica sabendo que existe trabalho na região de Westermark. Recrutado no exército regular ele logo se torna oficial e é despachado para o Forte Tuscelan em Conajohara no coração dos Sertões Pictos. A vida na fronteira é perigosa desde que Numedides, o recém coroado Rei da Aquilonia, decidiu reduzir as tropas que defendem a fronteira contra os selvagens pictos.

Em "Além do Rio Negro" (Beyond the Black River) Conan enfrenta o feiticeiro Zogar Sag que conseguiu unificar as tribos de pictos e lançar um ataque devastador contra os colonos. A invasão liderada pelo bruxo é sangrenta e o Forte é destruído. Conan consegue avisar os aquilonianos à tempo de guarnecer a cidade de Velitrium e estancar o avanço dos selvagens salvando milhares de vidas. O cimério também consegue vingar a morte de colonos inocentes assassinando Zogar Sag e enfrentando o demônio do pântano que o serve.

Presume-se que Conan passa mais alguns meses à serviço da coroa da Aquilônia atacando focos de revoltas dos pictos e tribos hostis que continuam infernizando a região. Ele toma parte em pelo menos três incursões pelas densas florestas e pântanos comandando soldados ou avançando solitariamente com o intuito de matar os "selvagens pintados".

Em The Black Stranger, Conan consegue escapar de implacáveis caçadores pictos e encontra o legendário tesouro do pirata Tranicos depositado nas profundezas de uma caverna. De posse do tesouro ele planeja retomar sua vida de corsário comprando um navio e armando uma tripulação. Seus planos acabam indo para o inferno quando o porto onde Conan está refugiado é atacado pelos pictos. Aos 35 anos, seu tesouro acaba se perdendo e ele se vê novamente sem dinheiro.

Conan acaba retornando a "Irmandade Vermelha" como capitão do "Mão Vermelha" uma embarcação que leva o caos às rotas comerciais defendidas pela marinha Zingara. Para deter o cimério, a marinha real envia vários navios de guerra no encalço do pirata, eles obtém sucesso e afundam o Mão Vermelha após uma longa batalha naval na costa de Shem. O capitão sobrevive ao desastre nadando para a costa.

Meses mais tarde Conan fica sabendo que os "Companheiros Livres" sob o comando de Zarallo, planejam reestruturar a companhia mercenária. O bárbaro cavalga até a fronteira com a Estígia onde os mercenários fazem seu primeiro ataque conquistando a cidade de Sukhmet. Nessa campanha Conan conhece a pirata Valéria da Irmandade Vermelha acusada de esfaquear um capitão da tropa e fugir. Conan apaixonado pela pirata resolve segui-la.

Em Red Nails, Conan e Valeria matam um dragão (na verdade um dinossauro) que defendia a cidadela perdida de Xuchotl e em busca de riquezas exploram o lugar envolvendo-se em um feudo de sangue entre duas facções rivais.

A dupla participa de algumas aventuras nos arredores da Costa Negra mas acaba se separando. Valéria retorna ao mar, enquanto Conan decide investigar os rumores sobre um fabuloso tesouro em uma terra mística no extremo oriente, chamada Keshan. O cimério empreende uma longa viagem cruzando planícies, selvas e montanhas até finalmente atingir a cidade real de Keshia. A reputação do bárbaro aparentemente havia chegado a essas terras distantes e ele é contratado para comandar o exército contra seus inimigos hereditários na nação de Punt.

No decorrer dessa guerra, Conan tem a oportunidade de explorar as ruínas de Alkmeenon na estória "Jewels of Gwahlur". Nesse lugar abandonado ele descobre o lendário tesouro conhecido como Dentes de Gwahlur. Com 37 anos, ele resolve se retirar por algum tempo ao lado da hiboriana Muriella. Mas o chamado da aventura acaba contagiando o bárbaro pouco mais de um ano depois.

Retornando às terras hiborianas, Conan fica sabendo que o governo do Rei Numedides lançou a Aquilônia - o mais poderoso Reino Hiboriano - em um caos sem precedentes. Poderosos inimigos se aproveitam do clima de instabilidade para reinvindicar terras além da fronteira. Alistado no exército da Aquilônia, Conan faz valer a sua indicação como comandante de regimento e enfrenta bravamente invasores Zingaros na província de Poitain. O combate é sangrento e o bárbaro assume o cargo de General de todo o exército aquiloniano para forçar uma vitória decisiva. Conan se torna o grande herói da guerra por destruir a poderosa armada Zingara e recuperar Poitain.

Numedides convoca o comandante vitorioso para a Capital, Tarantia e o apresenta como o salvador da Aquilônia. O bárbaro é ovacionado e seu nome gritado pela população, mas os bons tempos não durariam muito. Temendo a popularidade de seu general, Numedides ordena que ele seja preso na infame Torre de Ferro.

Ajudado pelo Conde Trocero e outros nobres insatisfeitos com o reinado de Numedides, Conan consegue escapar da prisão infernal e é conduzido até Poitain onde já se fala abertamente de uma revolta armada e um exército começa a se formar. Trocero recebe ordens de desmantelar sua tropa, mas ao invés disso prepara seus homens para a batalha nomeando Conan o comandante geral. Após uma vitória triunfal no campo de batalha, o caminho para Tarantia está aberto e Conan marcha para capturar a capital. Ele estrangula Numedides no salão do trono e toma a sua coroa sagrando-se Rei por seus próprios méritos. Conan tem quase 40 anos quando o sonho de conquistar um trono torna-se realidade.

A vida de rei não é uma cama de rosas para o recém sagrado regente da Aquilônia. Vários nobres não estão satisfeitos em ter um bárbaro no trono, mas a população reage bem às suas medidas que diminuem os impostos e restringem os abusos de décadas.

Em "A Fênix na Espada" (The Phoenix on the Sword), Conan enfrenta a primeira e mais séria ameaça ao seu governo quando Quatro conspiradores aquilonianos tramam seu assassinato e um golpe de estado, mas o bárbaro consegue desmascarar os envolvidos no plano.

Cerca de um ano depois desse complô, Conan assina um acordo com a nação de Ophir. Pouco depois, Ophir pede ajuda a Aquilonia para repelir uma invasão do Reino de Koth. O Rei envia um contingente de cinco mil homens para lutar mas descobre que foi traído.

O Rei é feito prisioneiro em "A Cidadela Escarlate" (The Scarlet Citadel) , por ordem de Amalrus de Ophir e Strabonus de Koth. Ele fica preso na Cidadela Escarlate, mas consegue escapar da masmorra com a ajuda de um prisioneiro, o feiticeiro Pelias de Koth.

De volta a Aquilonia ele contém uma revolta punindo os nobres que tencionavam entregar o reino a Koth e Ophir. Conan move a corte de volta a Tarantia e passa a viver no suntuoso palácio que pertenceu a Numedides.

Em "A Hora do Dragão" (The Hour of the Dragon) um plano de reestruturar as fronteiras hiborianas é colocado em curso quando o feiticeiro ancestral Xaltotun de Acheron é trazido de volta à vida. Os aliados do mago usurpam o trono da Nemedia e conseguem depor Conan usando magia negra. O Rei bárbaro consegue escapar e embarca em uma aventura para reclamar seu trono devolvendo também ao Rei Tarascus seu lugar na Nemédia. Conan tem 45 anos e resolve tomar Zenobia como sua Rainha.

O reinado de Conan foi marcado pela violência e períodos turbulentos, mas ele conseguiu se manter no poder à despeito da insatisfação de nobres e do cerco de conspiradores. A Aquilonia protegeu suas fronteiras mesmo com as nações vizinhas testando seu poder. Finalmente Conan empreendeu um ataque aos seus inimigos, expandindo as fronteiras e tomando territórios que formariam um verdadeiro Império. A extensão desse império, no entanto, é desconhecida.

É interessante perceber que o Rei continuou participando de campanhas militares e visitas a outras terras. Consta que ele fez uma visita oficial a Hyrkania e que participou de uma comitiva que se aventurou na distante Khitai. Há rumores que ele também patrocinou uma expedição em busca de um continente desconhecido além do Mar Ocidental.

Não há registros destas jornadas e sobre o destino final do Cimério, e talvez isso seja algo bom. As Crônicas à respeito das aventuras e do reinado de Conan foram encontradas pelos Filhos de Arrius nas ruínas de Tarantia (a atual cidade de Lyon) quase um milênio mais tarde.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

As Viagens de Conan - A Cronologia do Personagem (Parte 1)

Em 1936, um fã de Conan chamado P.S. Miller enviou a Robert E. Howard um rascunho sobre a carreira do personagem como ele (Miller) havia organizado, separando sua vida em períodos relacionados a sua ocupação: ladrão, mercenário, saqueador, pirata, rei. Howard comentou que o trabalho estava bem próximo do ideal e corrigiu alguns pequenos erros ao responder a carta de Miller. Este rascunho se tornou a base para o que existe mais próximo de uma Cronologia Oficial de Conan. Informações adicionais foram acrescentadas a esta cronologia por L. Sprague de Camp, um dos maiores conhecedores do Bárbaro e alguns de seus colaboradores ao longo de décadas.

Como resultado, o texto à seguir é o mais completo a discorrer à respeito da biografia do personagem, suas andanças pelo Mundo Hiboriano e suas façanhas que mudaram o panorama desse continente fictício.

Nota: Usei a tradução mais recente dos títulos de cada estória seguido do título original em inglês. Quando não houver tradução para o português, significa que a estória não foi publicada em forma de texto no Brasil.

Conan o Cimério nasceu em um campo de batalha, durante uma luta envolvendo sua tribo e saqueadores Vanir. Trajando uma tanga de couro, ele passou a sua juventude testemunhando a luta contínua entre o seu povo e as várias tribos inimigas que habitavam as fronteiras geladas ao norte da Ciméria. Seu avô tomou parte em vários saques aos Reinos Hiborianos, e suas estórias à respeito das magníficas cidades inflamaram em Conan o desejo de explorar o mundo civilizado.

Aos quinze anos, Conan já tinha 1,80 de altura e pesava 90 quilos, e ainda que ele ele não fosse mais do que um rapaz imberbe, seu nome já era repetido ao redor das fogueiras do conselho tribal pela sua coragem.

Seu primeiro feito notável entre os cimérios foi ter participado do ataque que devastou a cidadela-fortificada Gunderlandense, o Forte de Venarium, construído em uma tentativa de colonizar as terras ao sul da Ciméria. Pouco depois, Conan deixa a Ciméria, mas ao invés de seguir para o sul nas terras hiborianas, viaja para o norte onde se junta aos loiros Aesir, lutando contra seus primos, os ruivos, Vanir.

Sua carreira se inicia em "A Filha do Gigante de Gelo" (The Frost-Giant’s Daughter) onde Conan, como único sobrevivente de um bando saqueador aesir, tem um encontro sobrenatural com Atali, filha de Ymir, deus do inverno.

Posteriormente seus aliados Aesir são capturados por soldados da Hyperborea, Conan é feito prisioneiro, desenvolvendo um ódio mortal contra os Hyperboreos que se manteria aceso por toda sua vida. Depois de liderar uma revolta e fuga, ele segue para a Britúnia a primeira nação Hiboriana que ele conhece. Sem dinheiro e faminto, Conan decide ganhar a vida usando suas habiliaddes como ladrão. Depois de algumas aventuras ele acaba seguindo para Numalia, uma cidade na Nemedia, importante como rota comercial.

Ainda novo em terras civilizadas, ele se envolve em uma tentativa de roubo na casa de um rico mercador e enfrenta a ameaça do "Deus na Urna" (The God in the Bowl).

O assassinato de Aztrias Petanius, uma figura ilustre no reino, força Conan a fugir da Nemedia em direção a Oeste e as terras da Aquilonia. Ele continua a aprimorar suas habiliaddes como ladrão com diferente grau de sucesso. Pouco depois ele se refugia em Koth. Aprendendo que os Zamoranos são mestres na arte do roubo, Conan resolve viajar até essas terras sombrias e deixar sua marca. Ele chega a notória Shadizar, Cidade dos Ladrões cerca de um ano depois de deixar a Ciméria.

Mais audacioso do que experiente, Conan planeja roubar a fabulosa jóia guardada na torre pertencente ao feiticeiro Yara. Com apenas 17 anos, ele consegue ganhar acesso a mítica construção adornada de cristal e marfim, "A Torre do Elefante" (The Tower of Elephant) e se alia ao lendário ladrão Taurus da Nemédia nesse perigoso empreendimento. No interior da torre ele encontra horrores inomináveis e a estranha criatura Yag-Kosha que lhe faz prestar um juramento solene de libertá-lo e extrair vingança contra o terrível Yara.

Depois dessa aventura ele passa algum tempo em Shadizar aprendendo as técnicas dos ladrões e tendo sucesso em alguns roubos. Seu nome começa a ganhar fama e atrair as autoridades. Conan acaba emboscando uma patrulha que havia sido enviada para capturá-lo e faz amizade com um mercenário Gunderlandês chamado Nestor, que se torna seu companheiro. Os dois planejam deixar a Zamora e partem em busca de um tesouro escondido em uma cidadela em ruínas na Borda da Fronteira Ocidental. Em "The Hall of the Dead", Conan ainda é um ladrão profissional, mas já dá mostras de ser antes de tudo um guerreiro feroz e experimentado.

A seguir em "Inimigos em Casa" (Rogues in the House) Conan é jogado na cadeia após assassinar um sacerdote que havia enforcado seu companheiro gunderlandês. O bárbaro concorda em se tornar um assassino para ganhar a liberdade. Ele devia ter por volta de 19 anos.

Conan deixa a cidade estado de Murillo e empreende um breve retorno à Ciméria. Depois segue para as ricas terras ao sul em busca de fama e riqueza. Ele decide então mudar de profissão e se alista como mercenário e espadachim no Exército do Reino de Corinthia.

Na estória "The Hand of Nergal", Conan é o único sobrevivente de uma batalha próxima da cidade de Yaralet. Rumando para o sul ele é contratado por um Príncipe rebelde de Koth. Antes de entrar em batalha, o príncipe jura lealdade ao Rei deixando quase cinco mil mercenários sem trabalho. Chamando a si próprios de "Os Companheiros Livres", eles começam a pilhar as cidades dos reinos de Koth, Zamora e Turan.

Shah Amurath, o Lorde turaniano de Akif, arregimenta uma tropa de quinze mil homens, caíndo sobre os mercenários no Rio Ilbars, fronteira com Turan onde passa cada homem pelo fio de suas cimitarras. Conan consegue escapar do massacre e ruma para o Leste às margens do Mar Vilayet.

Conan consegue ter a sua vingança contra Shah Amurath em "Sombras de Ferro sobre a Lua" (Shadows of Iron on the Moon) mas ele e uma jovem de nome Olivia acabam aprisionados em uma ilha fantasmagórica no mar interno de Vilayet. Enfrentando entidades sobrenaturais, o bárbaro e sua companheira conseguem escapar por pouco.

Conan se torna então capitão de uma embarcação pirata por um curto período de tempo. Esta é a primeira vez que ele assume a posição de liderança, mas infelizmente, sua falta de experiência faz com que a tripulação o abandone na primeira oportunidade. Conan acaba na margem leste do Mar Vilayet onde visita várias cidades do Reino de Hyrkania. Enquanto isso, o Rei Yildiz de Turan é deposto, e seu sucessor, Yezdigerd, embarca em uma campanha militar imperial que visa transformá-lo no senhor do maior Império do Mundo. Durante sua estadia na Hyrkania, Conan enfrenta invasores Turanianos e aprende o uso do arco enquanto serve como mercenário.

Cansado do Oriente, ruma para o Oeste e tem uma desagradável experiência com um bando de saqueadores kozaki liderados pelo perigoso Olgerd Vladislav. Conan retorna aos reinos Hiborianos e se alista no exército de Amalric da Nemédia, ascendendo na hierarquia e se tornando Capitão de uma Coluna de Lanceiros mercenários. Amalric cede seu exército mercenário para Yasmela, rainha regente do Reino de Khoraja. Conan tem por volta de 22 anos.

Yasmela (aconselhada pelo Deus Mitra) é convencida a entregar a liderança de suas tropas a um novo comandante, o próprio cimério. Em "O Colosso Negro" (The Black Colossus), Conan se converte em defensor de um reino à beira da desgraça sob as maquinações do feiticeiro Nathohk -na verdade um morto vivo que atendia pelo nome de Thugra Khotan de Kuthchemes.

Depois de derrotar Nathohk, Conan desfruta de um breve período de calmaria ao lado da Rainha Yasmela. Mas os conselheiros reais terminam por afastá-lo da liderança das tropas. Ele decide então buscar por uma nova guerra onde sua espada possa ser útil. Ouvindo rumores de uma possível guerra em Argos, ele cavalga para o litoral ocidental. Problemas com a lei em Messantia o obriga a pegar o primeiro navio seguindo para o sul.

Nas Terras Negras, Conan se alia a pirata Bêlit e sua tripulação de corsários à bordo de seu navio, o Tigresa. A estória é narrada em "A Rainha da Costa Negra" (Queen of the Black Coast). Conan tem cerca de 23 anos quando recebe o apelido de Amra, o Leão, e juntos os dois saqueiam a Costa Negra e incendeiam a frota estígia. Bêlit se torna a amante de Amra e o amor de sua vida, e (por Crom!) essa é uma boa vida.

Mas a tórrida paixão (que durou dois anos) seria interrompida pela tragédia, quando os corsários ousaram buscar um tesouro maldito além do Rio Zarkheba, no coração da selva. Após a morte de Bêlit, Conan atea fogo no Tigresa e segue sem olhar para trás rumo a Shumballa, a capital de Kush.

Logo o bárbaro decobre que um demônio está aterrorizando a cidade, na estória "The Snout in the Dark". Ele resgata Tananda, irmã do Rei de Kush, da morte certa em um tumulto e é contratado como Capitão da Guarda Real. Envolvido em intrigas palacianas, o cimério revela um complô e expõe a identidade do mestre do demônio. Ele conta 25 anos de idade.

A natureza irriqueita do bárbaro faz com que ele abandone o posto de Capitão e siga para os portos Kushitas, onde ouve notícias sobre os preparativos para uma Grande Guerra em Terras Hiborianas. Ele fica sabendo que seu ex-empregador Amalric, se prepara para marchar contra o impopular Rei Strabonus de Koth. Farejando sangue, ele viaja para Koth e se junta a tropa como mercenário. Mas Conan uma vez mais se encontra do lado errado. As forças do Rei Strabonus empurram os soldados mercenários para o deserto onde aniquilam as tropas com flechas e pragas lançadas pelos seus aliados, os estígios.

Conan e uma jovem brituniana chamada Natala são os únicos sobreviventes da campanha. Juntos os dois perambulam pelo deserto até avistar a cidadela de cristal Xuthal e buscam refúgio em seu interior sem saber os horrores que habitam esse lugar. O bárbaro derrota a entidade demoníaca chamada Thog em "Xuthal do Crepúsculo" (The Slithering Shadow) e foge com Natala para o Norte.

Integrados a uma caravana de mercadores os dois cruzam o soturno Reino da Estígia onde Conan entra em contato com sua misteriosa história e cultura. Durante a viagem ele passa por Darfar onde tem o primeiro contato com os assustadores cultos canibais e pelo Lago Zuad, onde habitam os Tlazitlans, uma raça monstruosa que descende dos estígios. Quando a caravana chega aos eu destino final, a cosmopolita capital Luxor, a dupla segue caminhos opostos. Conan com 26 anos, é contratado como Capitão da Guarda Real de Khauran, na fronteira ocidental de Koth.

Em "A Witch Shall Be Born", a Rainha de Khauran, Taramis é vítima de um complô arquitetado pela sua irmã gêmea Salomé. Conan é capturado e pregado em uma cruz para morrer no deserto. Ele é salvo pelo cruel Olgerd Vladislav, que se tornou chefe de uma tribo nômade de saqueadores do deserto, os Zuagir. Sete meses mais tarde, Conan depõe Olgerd, e se junta à revolta para retomar o reino e restaurar Taramis ao trono. Ele decide permancer como líder dos Zuagires.

Não satisfeito meramente em saquear as cidades shemitas e postos avançados turanianos, Conan usa seus lobos do deserto para levar o caos à fronteira do mais rico reino da Era Hiboriana. Em um determinado momento ele cogita saquear a rica cidade turaniana de Zamboula, mas acaba desistindo da idéia e abandona a liderança da horda (presumivelmente por não querer lidar com um número tão grande de homens que precisavam ser abastecidos frequentemente em um ambiente árido e inóspito).

O bárbaro não fica muito tempo afastado da vida de bandoleiro. Cavalgando para o leste ele se junta a um bando de perigosos saqueadores, os Kozaki. Usando de persuasão e de sua espada ele rapidamente se torna um líder respeitado e temido. Tendo aprendido muito a respeito de pilhagem ao longo de seus 28 anos de vida, Conan se alia aos piratas que infestam o Vilayet, e conduz suas forças em ataques relâmpago nas cidades às margens do mar interno. Seus homens fazem fortuna saqueando as ricas caravanas de Khitai e Vendhia.

As autoridades turanianas incapazes de lidar com as depredações dos kozaki resolvem atrair o chefe dos saqueadores com uma bela isca, a escrava Octavia. Em "O Demônio de Ferro" (The Devil in Iron), Conan é caçado implacavelmente por soldados turanianos e tem que se refugiar na ilha de Xapur onde habita uma criatura diabólica contra a qual espadas se quebram em pedaços. O bárbaro precisa usar toda a sua astúcia para sobreviver a esse desafio.

Depois de perder uma importante cidade para as hordas kozak, o imperador de Turan envia Kerim Shah, seu mais experiente espião com a missão de infiltrar no bando de Conan e descobrir mais sobre ele. Disfarçado como um renegado hirkhaniano ele ganha a confiança do chefe e se torna um de seus capitães, plantando as sementes para a destruição do bando. Conan consegue escapar, mas sua tropa é fratuarada e ele tem de seguir para as Montanhas de Himelia que fazem fronteira com a orgulhosa nação de Vendhya.

Enquanto cruza a região adjacente a Província do Ghulistão, Conan faz amizade com homens das tribos guerreiras, os Afhguli. Depois de provar seu valor e bravura ele ganha o posto de chefe de guerra. Unindo sete tribos dos povos da montanha sob uma mesma bandeira, o bárbaro forma um exército e leva o caos às rotas de comércio entre Vendhia e Turan.

O destino intervém quando líderes Afghulis são feitos prisioneiros. Conan rapta a Devi de Vendhia, Yasmela para conseguir barganhar a libertação de seus homens. Em "Os Magos do Círculo Negro" (The People of the Black Circle) o cimério enfrenta os Profetas do Círculo Negro que vivem no Monte Yinsha. Ele se vê obrigado a juntar forças com um velho inimigo, Kerim Shah, para salvar Yasmela.

As viagens de Conan continuam...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Robert E. Howard - O Homem que inventava Bárbaros

Com base no texto de Glenn Lord

Aquele que viria a ser o criador de Conan, Robert Erwin Howard, nasceu no dia 22 de janeiro de 1906, na pequena cidadezinha de Peaster, próxima de Fort Worth, no Texas. O pai, um médico do interior, fez a família se mudar por todo o Texas, durante anos até finalmente se estabelecer em Cross Plains, outro vilarejo no interior do estado em meados de 1919.

Quando ainda era criança, o jovem Howard vagava pelo deserto brincando de cowboy ou espadachim, atirando em indios imaginários e trespassando inimigos com sua espada feita de madeira. Dono de uma imaginação vibrante Howard começou a redigir contos a partir dos 15 anos para tentar vender às revistas da época. Uma lista de seus trabalhos iniciais, indica que a primeira estória oferecida foi "Bill Smiley and the power of Human Eye", rejeitada por duas editoras em 1921. Howard conseguiu a sua primeira venda em 1924, quando a revista Weird Tales aceitou "Spear & Fang" (Lança e Presa), um conto sobre homens das cavernas em uma caçada na pré-história, comprada por 18 dólares, pagos quando a estória foi publicada.

Já adulto tornara-se um leitor compulsivo e intelectual, ainda que a aparência física sugerisse um sujeito bruto e grosseiro, bem ao estilo dos homens do oeste. Com mais de 1,85 de altura e com uma constituição robusta, rosto quadrado e queixo largo, era um fã de boxe, de história militar e de armas - não por acaso tinha o apelido Bob Cano-Duplo. Era um historiador amador; vagava pelas cidades dos pioneiros entrevistando agentes da lei (os Texas Rangers), veteranos da Guerra Civil e ex-escravos em busca de relatos verdadeiros do passado. Em mais de uma oportunidade cruzou a fronteira com o México vestindo um sobrero como disfarce para beber em bares decadentes de Tijuana. Arranjava brigas com os valentões locais para testar sua força e habilidade como pugilista e colecionava desafetos e amigos fiéis.

Robert arrumou vários tipos de emprego depois de se formar no colegial. Trabalhou em um escritório de advocacia como secretário particular, carregou mira topográfica para um geólogo, escreveu notícias nos campos petrolíferos, foi estenógrafo, atendente de farmácia e até carteiro. Nos intervalos de seus vários trabalhos seguia escrevendo as estranhas narrativas que afloravam em sua mente criativa.

Depois de ter sua primeira estória publicada, Howard se convenceu que poderia se tornar um escritor profissional. Largou o emprego de estenógrafo e começou a escrever diariamente em um ritmo febril de produção literária. Escrevia trancado em seu escritório, datilografando ruidosamente em sua máquina Underwood enquanto gritava as falas de seus personagens pela casa como se estivesse encenando as violentas cenas de seus contos de sabre em punho. Seus pais, e os vizinhos tiveram de se acostumar com os gritos e maldições do rapaz.

Solomon Kane, o severo espadachim duelista e puritano, foi o primeiro de uma série de personagens a serem publicados regularmente pela Weird Tales. Suas estórias envolviam misticismo, feitiçaria e ruínas africanas abandonadas desde os primórdios. O ano seguinte viu o advento de Kull, o selvagem atlante que usurpava o trono da fabulosa Valusia na Era Pré-Cataclísmica - isto é, antes da Atlântida afundar.

Em 1930, Howard tinha se tornado uma presença regular na Weird Tales e também já havia chegado a outras publicações como a Fight Tales através das narrativas de outro personagem, o marinheiro Steve Costigan.

Howard também obteve grande sucesso com as estórias de horror e suspense. Ele escreveu a respeito de lobisomens e monstros marinhos, maldições de zumbis e casas assombradas, mas influenciado por outros autores como H.P. Lovecraft (de quem se tornou fiel correspondente) e Clark Ashton Smith, mergulhou de cabeça no horror cósmico. Escreveu contos a respeito de deuses antigos, criaturas da aurora da humanidade, ruínas abandonadas e cidadelas proibidas. Com um talento impar, colocou seu nome ao lado da primeira geração de autores do Círculo Lovecraftiano com clássicos como "The Black Stone" e "Worms of the Earth". Seu estilo mesmo imerso no terror privilegiava a ação e seus personagens eram exploradores, aventureiros e caçadores de tesouros.

A Grande Depressão, como não podia deixar de ser teve um efeito devastador na indústria editorial. Durante algum tempo, a Weird Tales diminuiu a sua frequência de publicação de mensal para bimestral, e mesmo depois de voltar a programação mensal se viu afundada em dívidas. Howard teve de se adaptar a essa nova realidade, buscando outros gêneros e públicos. Escreveu sobre detetives particulares, pugilistas, caçadores africanos, soldados na Grande Guerra, pistoleiros no Oeste Selvagem, espadachins na França dos mosqueteiros...

Em 1932 trabalhando novamente para a Weird Tales apresentou um novo personagem, Bran Mak Morn, o chefe picto cujas batalhas com as legiões romanas se tornaram muito populares. O público parecia gostar da idéia original de Howard a respeito de povos selvagens e primitivos, bárbaros que colocavam de joelhos inimigos mais civilizados. Nessa época ele cunhou uma famosa frase: "Barbárie é o estado natural da humanidade. A civilização não é algo natural. É um capricho de circunstância. O barbarismo há de triunfar sempre no final".

A edição do mês seguinte, revelou um herói que acreditava piamente nisso e que iria sobrepujar todos os outros. Ele seria a sua criação mais famosa: Conan, o Bárbaro. A primeira aventura de Conan, "A Fênix na Espada", era na verdade uma versão de um conto estrelado pelo Rei Kull, chamada "By This Axe I Rule!" e apresentava um Conan mais velho e experiente enfrentando questões d eestado no trono da Aquilônia.

Os leitores reagiram positivamente a este personagem e Howard começou a se dedicar quase que inteiramente a ele. Definiu em seguida um ambiente rico em detalhes, um vasto mega-continente onde as aventuras de Conan aconteceriam, uma terra exótica e pitoresca que correspondia a uma época anterior à história registrada. Howard batizou essa época de Era Hiboriana e a populou com toda sorte de reinos, deuses, magia e povos. O fascínio que sentia por história foi bem aproveitado para construir um ambiente que encontrava eco em várias civilizações da antiguidade.

Conan ganhou vida a partir desse cenário inusitado e começou a protagonizar estórias selvagens onde a tônica eram as intrigas políticas, a violência, o horror diante do desconhecido e a sensualidade de belas mulheres semi-nuas. Howard lançou nesse caldeirão elementos de misticismo e sobrenatural, cunhando assim um gênero que ficaria conhecido como Sword & Sorcery.

Entre 1932 e 1936, a Weird Tales comprou dezessete estórias de Conan transformando o personagem no mais popular da revista. A cada edição, o Bárbaro transportava o leitor para um mundo de selvageria e ação, que nenhum outro escritor era capaz de conjurar. Em 1936, Howard atravessava uma excelente fase, vendendo estórias para a Weird Tales e trabalhando também para a Action Stories, Street and Smith e para a revista Spicy (essa dedicada a contos mais picantes, escritos sob pseudônimo). Sua produção continuava em ritmo vertiginoso, ele trabalhava por horas à fio e sua fonte de idéias parecia inesgotável.

Todavia as cartas de Howard enviava aos seus colegas de correspondência indicavam sua crescente preocupação com o estado de saúde de sua mãe. Em 1935, a sra Howard havia sofrido uma cirurgia e nunca mais recuperou a saúde. Dali em diante, iria exigir visitas periódicas e cuidados intensivos de enfermagem. Howard foi acometido de uma profunda depressão da qual não conseguia se recuperar e que parecia consumi-lo de tal maneira que nem a paixão pelo trabalho conseguia superar.

Na manhã de 11 de junho de 1936,a enfermeira responsável respondeu negativamente quando Robert perguntou se sua mãe algum dia sairia do coma em que se encontrava. Ao ouvir a resposta, ele caminhou até seu carro, estacionado nos fundos de sua casa nos subúrbios de Cross Plains, entrou e disparou um tiro na cabeça. Howard morreu oito horas depois. Sua mãe expirou cerca de trinta horas mais tarde. Os dois foram sepultados no Cemitério de Brownwood.

Howard nunca chegou a se casar, seu relacionamento romântico mais longo foi com a professora Novalyne Price. Cheio de altos e baixos o namoro não foi adiante ainda que os dois tenham continuado bons amigos até a sua morte. Novalyne escreveu uma biografia a respeito da vida de Howard intitulada "The One who Walk alone", que foi usado como base para o filme de 1996, "Um Amor do Tamanho do Mundo" (A Whole Wide World)

A morte trágica e prematura não apagou o legado de Robert E. Howard. Nos anos seguintes as suas estórias, tanto as publicadas quanto as por publicar encontraram seu caminho até os leitores que avidamente devoraram sua literatura e elevaram suas criações ao mais alto patamar do gênero fantástico. Sua obra influenciou autores como J.R.R. Tolkien e George Martin.

Publicado em mais de 40 idiomas, com personagens reconhecidos nos quatro cantos do mundo, Howard é hoje cultuado por uma multidão de fãs que chegaram até ele não apenas pela literatura, mas através de outras mídias como quadrinhos, filmes e games.

Sua carreira, foi brilhante e ruidosa, assim como as façanhas de seu mais famoso personagem. Se os dois se encontrassem, com certeza teriam muito a agradecer um ao outro.