sábado, 9 de fevereiro de 2013

10 Filmes Lovecraftianos (sem ser Lovecraftianos) dos quais (provavelmente) você nunca ouviu falar


Todo fã de filmes de terror e de H.P. Lovecraft espera ansiosamente por um filme de qualidade inspirado na obra do distinto Cavalheiro de Providence.

Infelizmente a carreira de Lovecraft no cinema rendeu uma safra variada de filmes no que diz respeito a qualidade. Eu costumo dividir os filmes baseados na obra de Lovecraft em três tipos:

1) Aqueles bastante fiéis, sobretudo por serem feitos por fãs, como "The Call of Cthulhu" e "The Whisperer in Darkness" ambos produzidos pela HPLHS (HP Lovecraft Historical Society). "The Mountains of Madness" que seria dirigido por Guilhermo del Toro prometia ser absolutamente fiel ao conto, e sem dúvida tinha chances de vir a se tornar o expoente máximo desse exemplo, mas Prometheus acabou com esses planos (maldito seja Ridley Scott!!!!)

2) Os que ganharam o status de cult conquistando uma legião de fãs ainda que deixem a desejar no quesito fidelidade a fonte original, como "Re-Animator", "From Beyond" e "Dagon". Esses estão longe de serem ruins (bem, boa parte ao menos) ainda que eu imagine que Lovecraft ficaria corado como uma beterraba diante das cenas de indisfarçável saliência (U-Hú! Barbara Crampton, hubba-hubba) e enjoado com o festival de sangue e tripas de algumas produções.

3) E finalmente há aqueles que são simplesmente medonhos. Filmes ruins demais que tentam ganhar um pouco de reconhecimento ou granjear fãs chapinhando elementos típicos do universo lovecraftiano. São em geral produções rasteiras que pinçam nomes de criaturas ou referências menores. Alguns até podem ser divertidos, mas a grande maioria é de lascar.

Mas há ainda uma quarta vertente. São aqueles filmes levemente inspirados no Universo de Horror Cósmico do Mythos, sem contudo assumir isso em momento algum. Exemplos clássicos são "The Thing", "The Mist", o primeiro "Hellboy" e até mesmo "Alien, o oitavo passageiro". Esses filmes costumam ser chamados de "Lovecraftianos sem ser Lovecraftianos".

São filmes onde as "digitais incriminatórias" que apontam para um roteiro inspirado por Lovecraft estão em toda parte. Filmes em que os fãs conseguem encontrar os indícios claros, mas que não possuem uma ligação assumida com a mitologia de Cthulhu.

Aqui está uma pequena lista de filmes tipicamente lovecraftianos, mas onde você não ouvirá uma vez sequer os nomes Cthulhu, Dagon, Necronomicom etc... alguns deles são extremamente obscuros, mas é possível encontrá-los com algum esforço na internet. Nem todos eles são "bons", alguns são meio "estranhos", mas no geral são filmes com uma pitada de tentáculo, aqui e uma blasfêmia ali.

Ah sim, eu tomei cuidado para não cometer nenhum SPOILER. Então fiquem tranquilos: 

1 - Monstros (Monsters, 2010)

"Monstros" é um ótimo filme de... hmm, bem... monstros! Talvez seja um dos melhores filmes sobre criaturas monstruosas gigantescas, descendente direto de Godzila, Gamela e mais recentemente Cloverfield (e do ainda inédito Pacific Rim). Há um toque lovecraftiano no horror provocado por criaturas gigantescas e malignas à solta, uma sensação de impotência diante de forças colossais e de choque diante de entidades alienígenas desconhecidas.

Trama: Seis anos atrás, uma exploração em espaço profundo descobre a possibilidade de vida em nosso sistema solar. Uma sonda é lançada para coletar amostras, mas ao retornar a nave acaba caindo na América Central. Formas de vida nativas sofrem mutações e se tornam aberrações gigantescas. As forças armadas do México e Estados Unidos se juntam para criar uma área de quarentena para conter essas "criaturas". Uma zona de infecção é traçada e vigiada constantemente.  Um jornalista em busca de uma incrível estória tenta atravessar a zona infectada e sobreviver a sede de sangue das criaturas.



2 - Sinais do Mal (Maléfique, 2002)

Se você quer ter uma idéia do que representam os tomos com conhecimento profano do Mythos e a maneira como eles afetam a mente das pessoas, esse é o seu filme. Essa produção francesa não é para qualquer um, é um filme no mínimo estranho, mas muito bem feito.

Trama: Em uma penitenciária, prisioneiros dividem a mesma cela: Carriére, condenado por fraude e traído pela esposa e amigo, o retardado Paquerette, que devorou a própria irmã de seis meses, e o intelectual Lasalle culpado por assassinar a mulher. Certa noite, Carriére encontra um antigo diário escondido em um buraco na parede da cela. Eles descobrem que o livro foi escrito por um prisioneiro no começo do século e que suas páginas ocultam perigosos rituais de magia negra. Os prisioneiros decidem estudar o livro e usá-lo em um plano para escapar da prisão.



3 - O Corredor (The Corridor, 2010)

Esse parece ser um daqueles típicos filmes sobre um grupo de amigos que saem para um final de semana numa cabana isolada e que vivem uma experiência de terror. Mas as coisas não são tão simples em "O Corredor". Há algo de distintamente lovecraftiano na estória e nas situações apresentadas. Loucura e paranóia aos poucos fazem com que a confiança entre os personagens vá se desintegrando até que as coisas saem do controle. De certa forma é um tema muito semelhante ao de "The Mist": "o medo muda tudo". Além disso, a presença de uma dimensão maligna conduzindo os personagens às raias de insanidade é bem interessante. 

Trama: Cinco amigos dos tempos de colégio decidem se reunir em uma cabana para um animado final de semana. Isolados nas profundezas de uma floresta, eles descobrem acidentalmente um tipo de corredor luminoso que parece conectá-los a uma outra dimensão. Como uma droga, a energia do corredor parece dominá-los fazendo com que um a um, eles sejam dominados pela loucura e por um estranho desejo de matar.    



4 - Pontypool (Pontypool, 2008)

Olha eu não esperava muito desse filme e fiquei surpreso. É um filme pequeno, mas bem assustador sobre os efeitos do pânico e da loucura em um grande número de pessoas, algo no estilo que Orson Wells conseguiu com sua encenação de "A Guerra dos Mundos". Alguns venderam Pontypool como um filme de zumbis, mas ele é bem mais do que isso. É um filme sobre os efeitos da loucura e como as pessoas tentam equacionar o horror (até ser tarde demais!)

Trama: Um radialista transmite seu programa ao vivo, quando de repente recebe notícias a respeito de um distúrbio na cidade de Pontypool. Ele coloca no ar uma narrativa apavorada feita por um repórter que cobre a história, descrevendo uma cena de horror, sangue e destruição. O radialista e sua equipe tentam então confirmar o que teria acontecido e passam a suspeitar que um surto de violência sem precedentes está se alastrando.     



5 - Colapso no Ártico (The Last Winter, 2006)

Não é apenas o fato de se passar em uma área isolada e inóspita que torna "Colapso no Ártico" (por sinal, título bem ruinzinho) uma produção com um dedo lovecraftiano. Apesar da mensagem ecológica, não se trata também de um filme politicamente correto sobre os males do homem e da destruição da natureza. Colapso trata da exposição de pessoas a um ambiente hostil e de uma mera presença (que sequer é vista) que parece conduzir cada um dos personagens a ruína e obliteração. Há algo que remete a forças primais contra as quais não há escapatória.

Trama: Uma companhia de prospecção de Óleo realiza escavações próximo a um refúgio selvagem ainda intocado. Ativistas trabalham com a equipe de prospecção fiscalizando os procedimentos para que não haja depredação desnecessária do meio-ambiente. Tudo vai bem, até que o corpo nu e desfigurado um ativista é encontrado na neve. Um grupo de investigadores é enviado até a região para descobrir o que aconteceu, pois há a suspeita de que a liberação de gases tóxicos possa ter provocado alucinações e insanidade no grupo. Eventos inexplicáveis, beirando o sobrenatural, acabam prendendo a equipe na base.



6 - Escavadores (The Burrowers, 2008)

Esse é outro filme de que eu não esperava muito... e se ele não imperdível, ao menos é suficientemente divertido. Sem falar que juntar horror e western muitas vezes resulta numa mistura agradável. Eu diria que Escavadores está mais para uma aventura de Deadlands do que para um horror lovecraftiano, entretanto há sustos, mistério e sangue suficientes que justificam uma olhada. Além disso a estrutura pode ser aproveitada para uma boa estória em que o grupo tenta descobrir o que aconteceu com vítimas em potencial, sem desconfiar da enrascada em que está se metendo.

Trama: Território de Dakota - 1879. Uma família desaparece de sua fazenda no meio da madrugada e tudo indica que eles foram sequestrados por nativos hostis. Experientes soldados e rastreadores são reunidos em uma posse com o intuito de resgatar os pioneiros e acabar com os "selvagens" de uma vez por todas. Mas a medida que membros do grupo de resgate começam a desaparecer e horríveis acontecimentos se multiplicam, o grupo descobre que estão sendo caçados por algo muito mais terrível e assustador.  



7 - Noroi, a Maldição (Noroi, 2005)


Vou ser sincero: eu não gosto de filmes de terror oriental. Pessoalmente eu acho que as coisas demoram demais para acontecer e o ritmo é lento demais. Há, no entanto, algumas exceções. Noroi é uma delas! O que faz esse filme ser lovecraftiano não é a estrutura, semelhante a um Blair Witch Project, mas o enfoque no poder de lendas e a maneira como estórias assustadoras se espalham e se desenvolvem mantém o interesse. Apesar do clima fake do documentário, Noroi é uma experiência assustadora que soa real e perturbadora. E o tal demônio Kagutaba parece muito com uma entidade do Mythos!  

Trama: Em tom de documentário, uma equipe de jornalistas tenta relacionar várias estórias e relatos a respeito de uma entidade sobrenatural, uma espécie de demônio nipônico, chamado Kagutaba. Os repórteres começam a juntar os fatos e coletar testemunhos de situações inexplicáveis que os leva a traçar um panorama geral sobre a misteriosa criatura.



8 - O Hospedeiro (The Host/Gwoemul, 2008)


Muitas pessoas se referem a "The Host" como o "Tubarão" da Coréia do Sul. Não acho que esse filme chegue perto do clássico estrelado pelo Grande Predador Branco, mas a comparação até que é bem vinda. Hospedeiro é um típico filme de monstro, mas incrivelmente bem feito. Não é exatamente um mistério, mas o filme consegue impressionar e tem um tempero lovecraftiano ao retratar a maneira como as pessoas normais reagem diante de algo impossível e implacável que se infiltra em suas vidas acabando com sonhos e planos.

Trama: Uma monstruosidade habita as profundezas do Rio Han, em Seul. Certo dia essa abominação vem a superfície deixando um rastro de destruição na cidade, causando várias mortes e desespero. Uma das vítimas é arrastada para o rio pela criatura e desaparece sem deixar vestígios. Familiares e amigos ficam devastados, mas quando descobrem que a vítima ainda pode estar viva se preparam para salvá-la custe o que custar, nem que tenham de enfrentar a perigosa criatura em seu ambiente. 



9 - O Último Portal (The Ninth Gate, 1999)


Nem todo mundo gostou desse retorno do diretor Roman Polanski (de "O Bebê de Rosemary") ao gênero horror. Teve muita gente que torceu o nariz e achou o final muito fraco. Mas "O Último Portal" ainda assim é um filme que desperta certo grau de curiosidade. Se o roteiro não é espetacular, ao menos ele consegue ser intrigante e apresenta cultistas e caçadores de tomos raros, duas espécies bem íntimas do horror lovecraftiano. Tudo bem, o horror fica por conta do "coisa ruim", mas há espaço para algumas cenas soturnas. Em última instância é um bom filme sobre obsessão, busca por conhecimento proibido e poder. Senão pela estória, ao menos os personagens são suficientemente carismáticos.

Trama: Notório caçador de livros raros é contratado por um colecionador milionário para atestar a autenticidade de um volume proibido, o Nono Portal, supostamente escrito em colaboração com o próprio demônio. Ele terá de viajar para Portugal e França em busca de pistas sobre os demais volumes, encontrando no caminho indivíduos perigosos interessados em desvendar os segredos do livro.



10 - A Beira da Loucura (In the Mouth of Madness, 1994)


Deixei o meu favorito por último. Eu adoro "A Beira da Loucura", um filme menor e até pouco conhecido do diretor John Carpenter (responsável por "The Thing", "Halloween", "Fuga de Nova York" entre outros). Aqui Carpenter faz a sua homenagem mais rasgada a Lovecraft e ao universo de deuses negros e entidades cósmicas. Embora em momento algum o filme fale do Mythos de Cthulhu, é óbvio que ele trata do tema em numa série de elementos a começar pelo vilão que venera "terríveis criaturas de além do tempo e espaço". A Beira da Loucura é um excelente filme lovecraftiano que bebe da fonte do horror cósmico até se embriagar. Altamente recomendado!

Trama: Um detetive é contratado para descobrir o paradeiro de um famoso escritor de livros de horror que desapareceu às vésperas do lançamento de seu mais novo trabalho. A editora acredita que trata-se de um golpe promocional e pede que ele descubra onde o autor se meteu. Seguindo as pistas, o detetive acaba indo parar em uma pequena cidade idêntica à dos romances, povoada por pessoas que parecem ter saído dos livros. Logo ele descobrirá que as sinistras estórias escondem uma realidade tenebrosa prestes a ser libertada no mundo.



Essa lista é claro não é definitiva... há muitos outros filmes com o feeling de H.P. Lovecraft e que podem ser abordados em um próximo artigo. Quem quiser cooperar indicando algum filme fique à vontade para fazê-lo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Les Masques de Nyarlathotep - Fotos e comentários sobre a Edição Especial de Colecionador (parte 2)

Continuando com a resenha fotográfica da Edição Especial de Masks of Nyarlathotep da Editora francesa Sans Detour.

Vamos aos livros que compõem a campanha.

RECURSOS PARA O KEEPER 


A Campanha vem com três livros de material especial para auxiliar o Keeper na narrativa. Eles detalham minuciosamente cada episódio e trazem todas as informações necessárias para que a tarefa de narrar uma campanha desse tamanho fique mais fácil.


O Livro de Introdução à Campanha, vem com gráficos e diagramas relacionando cada um dos personagens da campanha, onde eles aparecem, sua importância para a trama, onde ele pode ser encontrado e suas conexões para a campanha.


A princípio eu achei esse livro meio exagerado, mas considerando o grande número de NPCs dessa campanha, um gráfico relacionando cada um deles é um recurso muitíssimo bem vindo. Sem falar que diagramas ficaram bem simples de entender e acompanhar.

LIVRO DE ANEXOS

                          

O Livro de Anexos é outra excelente ferramenta para que o Keeper possa se situar e dar prosseguimento a cada etapa da campanha de forma mais organizada.


Além de uma cronologia completa da campanha e dos principais acontecimentos, o narrador encontra detalhes de como interpretar os personagens principais, quais as motivações d ecada personagem, sua interação com o tema central e como alterar a estrutura de acordo com o que o grupo de jogadores deseja. É o tipo de material concebido para facilitar a vida do narrador que não tem muito tempo para ficar trabalhando a estória e adaptando trechos para seu grupo de jogo. Uma preocupação muito justa para quem não dispõe do mesmo tempo livre que tinha antes.


O Capítulo sobre as várias facções do Culto de Nyarlathotep talvez seja o melhor apêndice a respeito de um culto devotado ao Mythos que já li. Sério, o negócio é realmente muito bem feito, estruturado e detalhado. Praticamente qualquer situação que possa vir a acontecer na campanha é esmiuçada com direito a conselhos e planejamento prévio para o Keeper se resguardar de surpresas e imprevistos.

O livro acompanha também uma série de idéias para o Keeper envolver os personagens e jogadores na campanha e tornar a experiência de jogo algo diferente.


Há ainda uma série de dicas úteis e informações especiais para ajudar a dar um colorido a campanha. Dicas de livros, filmes, música ambiente para cada trecho da estória. Fatos históricos relevantes para ambientar os jogadores no contexto da época, calendários, moedas de cada país, meios de transporte, nomes para NPCs e um glossário de termos úteis em vários idiomas (inglês, árabe, chinês, swahili).


Ah e isso aqui: O "Trombinoscope".

Cada NPCs da campanha (mesmo os moderadamente importantes) possui uma fotografia que serve como recurso gráfico para facilitar o reconhecimento do personagem pelo grupo de jogo. É ou não é um preciosismo que beira a paranóia? 

LIVROS DA CAMPANHA



E essa é a parte mais importante do pacote: Os livros que compõem a Campanha. Cada capítulo da Campanha Masks of Nyarlathotep se refere a uma diferente cidade do mundo. São elas: Nova York (EUA), Londres (Inglaterra), Cairo (Egito), Nairobi (Quênia), Shanghai (China) e Port Headland (Austrália).


O mais impressionante é o tamanho de cada livro.

Essa é uma comparação da campanha com o Livro Básico de Call of Cthulhu 5th Edition. Cada livro possui em média 120 páginas! Ou seja, são pelo menos 720 páginas de Campanha. Isso sem contar o Livro de Anexos, os Handouts, os suplementos de apoio ao mestre.


A grosso modo, a Campanha acaba sendo mais volumosa do que a legendária Beyond the Mountains of Madness, um verdadeiro Catálogo Telefônico em dimensões. 


Mas do que exatamente trata cada um desses livros?

Para começar, os livros são totalmente ilustrados. Cada página possui belíssimas fotografias em preto e branco de época, a maioria fotos originais dos lugares que serão visitados ou explorados pelos personagens.  


Um detalhe importante é que os livros não se resumem ao cenário. Além dele, há uma descrição completa da cidade/país onde se passa a aventura: suas principais características, informações sobre economia, sociedade, política, geografia, principais pontos de interesse, o que os investigadores podem encontrar, lugares interessantes para investigar ou explorar, etc. Cada livro tem ainda um mapa da região onde se passa a estória com os lugares a serem investigados devidamente assinalados. 


As fotografias são na minha opinião o ponto alto dos livros de cenário. O keeper pode usar esse recurso para ilustrar praticamente toda a sua narrativa. Por exemplo: o grupo chega ao Cairo (há uma imagem do porto), contrata um guia (há uma foto do sujeito), se registra num Hotel (há fotos da fachada e do interior dos quartos!), visita o Museu do Cairo (existem imagens dos corredores, da fachada e das principais obras em exposição), conhece as ruas da cidade (várias fotos), comparece a um jantar em um restaurante local (há imagens de restaurantes da época no Cairo) e assim por diante. 

O recurso visual é tão perfeito e as fotos tão interessantes que vale a pena pontuar toda a narrativa com essas imagens reais.


Mas e quanto aos cenários em si? O que eles trazem? O que posso dizer é que os cenários foram estruturados de forma muito organizada para facilitar o trabalho do narrador. Cada um deles possui uma ficha de resumo com os pontos chave da estória e dicas de como conduzir esses eventos. Cada episódio vem com um adendo para introduzir novos personagens (muito justo, considerando o alto índice de letalidade) e como aquele episódio se encaixa no contexto geral da campanha. Os cenários são muito bem escritos, boa parte do texto foi pinçado da edição original, mas algumas informações adicionais foram incluídas concedendo um pouco mais de clareza a trama.


Algumas ilustrações foram aproveitadas do livro original (editado pela Chaosium), mas outros tantos monstros e criaturas receberam uma nova abordagem mais moderna. Os artistas da Sans Detour são no geral bastante talentosos e conseguem acompanhar a qualidade da arte interna em preto e branco. Ainda que a maioria das ilustrações seja derivada de fotografias, quando há desenhos, estes não decepcionam.

KEEPERS SCREEN


E finalmente o Keeper's Screen (Escudo do Mestre). O escudo vem com uma aventura introdutória chamada "Singeries" que pode ser usada como uma introdução da campanha. Ela serve basicamente para apresentar o personagem Jackson Elias um dos NPCs mais importantes da campanha e que será o fio condutor da investigação ao redor do mundo.


Apesar da aventura ser interessante, o filé mignon é o Escudo do Mestre que acompanha o pacote. O desenho do verso com a Montanha do Vento Negro e os membros de uma expedição (avançando na direção dele) é belíssima! Eu goste muito dessa escolha de imagem, fica algo sugestivo, que aponta para o lado pulp da trama envolvendo uma corrida ao redor do mundo para salvá-lo da ameaça de cultos e das criaturas por eles reverenciadas. 


Uma visão mais próxima do Screen com o grupo de investigadores.

O único senão é que o screen de Masks é basicamente o mesmo em relação ao Escudo básico de Call of Cthulhu francês. Por sua vez esse modelo é o mesmo adotado pela Chaosium no atual Keeper's Screen, com as mesmas informações, tabelas e gráficos para auxiliar o mestre. Eu preferia que o escudo tivesse informações exclusivas da Campanha, tornando-o exclusivo, mas ao invés disso as informações são genéricas.

Bom, é isso!

Les Masques de Nyarlathotep é uma Edição Especial simplesmente sensacional que só comprova o excelente trabalho gráfico e visual da Editions San Detour. É um filão que as editoras norte-americanas ainda não descobriram, produtos com acabamento luxuoso que até podem custar mais caro, mas que fazem a alegria dos fãs. Um padrão de qualidade ainda longe de ser equiparado na terra do Tio Sam, quem dirá aqui no Brasil.

O maior problema (além do preço!) é a barreira do idioma. Eu tenho um conhecimento básico de francês que se resume a dois anos de curso e algumas aulas nos tempos de colégio. Mas surpreendentemente o problema da língua pode ser  transposta com boa vontade e a providencial ajuda de um dicionário. E no fim das contas, depois de algum tempo você descobre que consegue ler boa parte dos textos.

Achou interessante? Então leia também:

Atlas do Mythos

Novo Keeper's Screen

A Lovecraft Retrospective

Bookhounds of London - Edição Limitada

The Art of H.P. Lovecraft Cthulhu Mythos

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Les Masques de Nyarlathotep - Uma das mais belas Edições Especiais de uma campanha de RPG (parte 1)


Não é de hoje que as publicações de RPG da editora francesa Sans Detour chamam a atenção pela qualidade, acabamento e beleza.

A Edição Especial da Campanha Beyond the Mountains of Madness é simplesmente "de cair o queixo". Esse aliás foi o título da postagem a respeito daquela edição especial de colecionador. Para os que não leram a respeito aqui está o link:


Mas a Sans Detour não pararia por aí. O objetivo deles é reeditar todas as grandes campanhas e os principais livros lançados originalmente pela Chaosium, fazendo mudanças que não se resumem apenas ao lado estético. Cada livro além de novos mapas, desenhos, tabelas e informações de rodapé, possui textos exclusivos o que torna boa parte do material inédito.

O último grande lançamento da Sans Detour (em meados de 2011) foi uma versão caprichada da clássica campanha Masks of Nyarlathotep, considerada por muitos jogadores veteranos como a melhor campanha de Call of Cthulhu de todos os tempos (para alguns até a melhor de todas as campanhas de RPG até os dias atuais).

Os franceses não economizaram nessa edição... a Edição Especial de Colecionador é de encher os olhos! Sacre Bleu!!!!

Mas falar do material não é o suficiente... eu poderia escrever vários parágrafos a respeito, elogiando cada um dos vários aspectos que colocam essas edições entre as mais bonitas que já vi. Mas acho mais interessante mostrar através de fotos.

Então aí vai o primeiro artigo sobre a Edição Especial Limitada de "Les Masques de Nyarlathotep".

A BOLSA


A Edição normal da campanha vem dentro de uma caixa reforçada e por si só já é bonitona.

Mas a Edição de Colecionador é de babar na gravata! A caixa vem dentro de uma bolsa de couro legítimo, semelhante a uma daquelas bolsas de viagem dos anos 1920 com dois fechos de metal e alça para carregar no ombro.


Ela traz um "Elder Sign" em relevo na parte da frente (para garantir a "proteção do material", segundo consta em um certificado no interior). 

O que achei fora de série é o cuidado com que a bolsa foi feita. Ela é toda costurada e bastante robusta, o que significa que dá para levar ela por aí, sendo muito mais do que um simples prop.


O Elder Sign aparentemente foi feito com algum tipo de aplicador em relevo.


A bolsa é grande o bastante para comportar a caixa da campanha que deve ter uns 10 centímetros de altura, mais o screen e dados, sobrando espaço para o Livro Básico, papel, lápis e caneta.

O fato dela ser bem resistente é importante porque o material todo deve pesar uns cinco quilos.


Essa é a caixa com a campanha. Essa arte da capa é aliás deslumbrante! Curiosamente ela é um pouco diferente da Caixa da "edição simples", sendo mais escura e num tom que remete a papel antigo. Acho que é para diferenciar as edições...

A CAIXA


O material vem todo no interior da caixa, com exceção do Screen. Fica tudo bem acondicionado e organizado.


Esse é o certificado de autenticidade da edição limitada. 

Dizem que foram feitos na primeira edição uma tiragem de 500 exemplares. Depois mais 250 quando a primeira se esgotou e uma tiragem final de 250. A minha é a de número 0341. Ouvi falar que nas outras tiragens a qualidade da bolsa já tinha caído, mas não sei se a informação confere.


O verso da caixa com as informações a respeito do material que compõe a Edição Especial.

O POSTER


A Edição vem com esse poster promocional de "Les Masques of Nyarlathotep" como se fosse material de propaganda de um filme de época.


Uma sacada muito legal é citar os personagens principais da campanha como se fossem os atores/protagonistas. O poster mede 60 x 80 cm e pede (implora!) para ser enquadrado e colocado na parede de uma sala de jogos. Coisa que eu pretendo fazer um dia!

HANDOUTS


Os Handouts (pistas, fotos, cartões e cartazes) mais importantes vem em papel de alta qualidade, papel fotográfico lustroso, como se fossem fotos de verdade. O que chama mais a atenção é a caixa de fósforos, uma das pistas mais legais da aventura...


...que de fato é uma caixinha com os fósforos de verdade.


O restante dos Handouts vem em um livro de quase 100 páginas. É coisa que não acaba mais... para ser copiada e entregue aos jogadores durante a campanha. 

Os Handouts são bem diferentes dos que vinham na campanha original, tudo é bem mais trabalhado e detalhado com marca d´água, fotografias granuladas, documentos com marcas de uso, cheques com filigrama, páginas de diário amassadas, etc... 


O nível de detalhismo é impressionante! As cartas são escritas cada uma com uma caligrafia diferente (algumas propositalmente difíceis de ler!). Os recortes de jornal em algumas ocasiões vem em mais de um idioma para que o grupo sem conhecimento de determinado idioma tenha a chance de tentar interpretar o texto. Esses slides do Egito talvez sejam os meus handouts favoritos.


Até os tradicionais recortes de jornal tem um detalhe que faz a diferença, a forma como eles foram "picotados" ou rasgados da folha do jornal. O livro sugere como incluir propagandas e anúncios no verso dos recortes para criar um ar de autenticidade.

(continua)

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Tratamento de Choque - A Verdadeira História da Terapia Eletroconvulsiva



Esses tempos narrei um cenário de Call of Cthulhu que se passava em um manicômio em que os personagens eram internos. Um dos momentos mais tensos envolvia a clássica cena do Eletrochoque.

Para ajudar a entender o procedimento, fiz uma pesquisa a respeito do eletrochoque que foi a base para esse artigo.


Ah sim, tenham em mente que eu não sou médico ou psiquiatra, assim sendo espero que os colegas que eventualmente trabalhem na área e tem conhecimento do assunto relevem alguns pequenos erros. Por sinal, aqueles que quiserem corrigir esses mesmos erros fiquem à vontade para fazê-lo.




Quando se pensa em manicômios e sanatórios mentais, uma imagem recorrente que vem à mente é a do notório Eletrochoque.


O procedimento, cujo nome correto é Terapia Eletroconvulsiva (ECT), consiste na aplicação de choques de pequena voltagem através de eletrodos fixados nas têmporas do paciente com objetivo terapêutico no tratamento da depressão severa, catatonia, mania e quando foi criado como opção no tratamento da esquizofrenia.


Muitas pessoas, ainda hoje, acreditam que a aplicação do Eletrochoque constitui exclusivamente uma forma de punição aos pacientes rebeldes. Ou que a utilização dele é algo cruel e reprovável. De fato, o histórico de abusos cometidos, a falta de informação e a própria natureza do tratamento sempre geraram controvérsia. 


A Terapia Eletroconvulsiva foi desenvolvida pelos médicos italianos Ugo Cerletti e Lucio Bini que estudavam a relação existente entre convulsões e esquizofrenia. A teoria corrente era que esquizofrenia e epilepsia não podiam se manifestar simultaneamente em um mesmo paciente, portanto forçando um quadro de epilepsia a outra doença (mais grave) desapareceria naturalmente. 


Os psiquiatras na década de 1920, acreditavam que a melhor forma de controlar a esquizofrenia era portanto estimular convulsões usando para isso métodos não-ortodoxos. 


Primeiro foram feitas experiências que visavam induzir o coma. Doses maciças de insulina eram ministradas nos pacientes esquizofrênicos com objetivo de deixar o paciente em estado de inconsciência. Revertendo o processo, alguns médicos acreditavam que os pacientes manifestavam melhora significativa. Uma segunda vertente utilizava substâncias que causavam convulsões como forma de moderar surtos esquizofrênicos. Para isso injetavam um derivado de cânfora direto no paciente para que ele manifestasse uma reação convulsiva semelhante a epilepsia.  


Em 1937, um neurologista italiano chamado Ugo Cerletti estava convencido que as convulsões induzidas pela substância metrazol eram úteis para o tratamento de esquizofrenia. Contudo, a solução era perigosa já que não havia um antídoto para parar as convulsões depois de iniciadas. Além disso, os pacientes tinham um temor profundo do tratamento.


Cerletti sabia que uma pequena descarga elétrico aplicada na cabeça gerava como resposta convulsões, pois, como um especialista em epilepsia, ele tinha feito experimentos com animais para estudar as consequências neuropatológicas do mal. 


O neurologista desenhou um equipamento simples visando provocar crises epilépticas em cães e outros animais. Ele utilizou a máquina em mais de 300 animais obtendo em alguns casos horríveis resultados, mas aos poucos a potência ideal foi ajustada. A ideia de usar o choque eletro-convulsivo em seres humanos ocorreu-lhe pela primeira vez ao observar porcos sendo anestesiados com um método semelhante, antes de serem abatidos nos matadouros em Roma. A técnica era empregada há anos e deixava os animais dóceis e submissos.



Cerletti convenceu dois colegas Lucio Bini e L.B. Kalinowski (um jovem médico alemão) a ajudá-lo a desenvolver o equipamento usado para produzir breves choques elétricos em seres humanos.


Eles experimentaram vários tipos de dispositivos, até determinar os parâmetros ideais e aperfeiçoarem a técnica. Os pacientes escolhidos em manicômios e asilos no norte da Itália sofriam de esquizofrenia aguda. Após 10 a 20 eletrochoques em dias alternados, a melhora na maioria dos pacientes começou a se tornar evidente. 

Um dos benefícios inesperados do eletrochoque trans-craniano foi que ele provocava amnésia retrógrada, ou seja, uma perda de todas as memórias de eventos imediatamente anteriores ao choque, incluindo a sua percepção. Assim, os pacientes não tinham sentimentos negativos relacionados à terapia, como acontecia com o choque causado por metrazol, muitas vezes  traumatizante. Além disso, o eletrochoque era mais seguro e mais bem controlado, além de ser menos nocivo para o paciente do que a indução de elementos químicos.

Em 1939, Kalinowski começou um tour para anunciar a terapia por choque eletro-convulsivo ao redor do mundo, visitando a França, Suíça, Inglaterra e Estados Unidos. 

Pesquisadores que adotaram o método de Cerletti-Bini logo descobriram que ele parecia ter efeitos espetaculares sobre os distúrbios afetivos. De acordo com E.A. Bennett, 90% dos casos de depressão severa que eram resistentes a todos os outros tratamentos, desapareceram após três ou quatro semanas de eletrochoques. Logo, o curare e escopolamina estavam sendo usados em conjunto com a terapia eletroconvulsiva, e gradualmente substituíram o choque induzido por insulina e metrazol. O eletrochoque começava então a sua longa jornada como a terapia de mais utilizada na maioria dos hospitais e asilos ao redor do mundo.

Outros tipos de terapia por choque foram brevemente testados, tais como a indução de febre por meio de microondas radio-magnéticas, anóxia cerebral transitória induzida pela respiração de uma mistura de oxigênio e nitrogênio, e pela crioterapia (redução abrupta da temperatura corporal). Os resultados foram dúbios na maioria das vezes, e estas técnicas foram logo abandonados em favor da terapia eletroconvulsiva, mais prática, eficiente e barata.

A técnica de eletrochoque foi aperfeiçoada  desde então, incluindo o uso de relaxantes musculares sintéticos, o uso de EEG para monitoração da crise, e construção de melhores dispositivos para ministrar o choque trans-craniano.  Apesar destes avanços, a popularidade da terapia eletroconvulsiva diminuiu gradualmente nas décadas de 60 e 70, devido ao uso de neurolépticos mais efetivos e como resultado de um forte movimento antagônico ao eletrochoque em psiquiatria. Entretanto, a terapia eletroconvulsiva voltou a ganhar evidência nos últimos 15 anos, devido à sua eficácia. É a única terapia somática da década de 1930 que permanece em grande uso ainda hoje. Calcula-se que entre 100.000 e 150.000 pacientes são submetidos à terapia por eletrochoque anualmente apenas nos EUA.

Terapia de Choque em cenários de Horror


Para cenários repletos de horror e loucura, a Terapia Eletroconvulsiva oferece várias oportunidades para criar tensão e medo.


Uma vez que a maior parte dos cenários se passa nos anos 20-30, podemos assumir que o tratamento ainda estava em etapa de experimentação e muitos médicos realizavam testes com suas próprias máquinas. Adaptando essa noção para o universo de terror é possível imaginar médicos sem muita ética ou até mesmo sádicos cruéis realizando experiências bizarras nos pobres pacientes de manicômios.


Máquinas caseiras ou modificadas poderiam ser usadas por "médicos" interessados em literalmente cozinhar o cérebro de suas vítimas. Choques consecutivos em uma potência acima do que é considerado seguro visando diretamente o cérebro poderiam causar horríveis danos mentais. Uma sessão prolongada poderia resultar em uma lobotomia. É importante salientar que no mundo real, tais experiências foram incrivelmente raras - o que não significa que tais coisas não possam ocorrer no reino da ficção. Nos anos 40 e 50, o cinema de horror e a literatura, trataram de transformar o Tratamento Eletro-Convulsivo em algo assustador, dramático e brutal.


Em termos de jogo, o tratamento eletro-convulsivo pode ser incrivelmente traumático para quem assiste uma sessão e não sabe exatamente como ele funciona. Existe uma série de preparativos e a maneira como o equipamento é empregado pode causar a impressão de que o paciente está sofrendo uma verdadeira tortura. 

Em Call of Cthulhu, o custo por presenciar uma pessoa passando por esse procedimento é de 0/1d3, o montante aumenta para 1/1d4 caso o paciente seja algum conhecido, parente ou amigo próximo. Em Rastro de Cthulhu, os testes de Estabilidade por presenciar esse tratamento tem dificuldade 2 e 4, respectivamente.



Ironicamente, o tratamento tem como consequência direta desorientação e perda de memória do paciente, o que inibe a perda de Sanidade do paciente. Imagino que o tratamento poderia ser usado em um investigador que acaba de sofrer uma perda acentuada de sanidade a fim de fazer com que ele esqueça de algo incrivelmente traumático. Francamente, eu mesmo não saberia dizer se esse procedimento de choque seria válido na minha mesa de jogo. 


Via de regra, máquinas usadas em Tratamento Eletro-convulsivo estão restritas a asilos, manicômios, casas de repouso e hospitais e são operadas por médicos e profissionais treinados. Apenas um médico atuante nessa área tem as credenciais necessárias para operar esse equipamento legalmente. 


A partir de 1940, surgiram as primeiras máquinas portáteis (como essa aí da foto) que podiam ser alimentadas com baterias semelhantes às usadas em automóveis. Esses aparelhos eram igualmente eficientes e tinham a vantagem de poder ser levados para qualquer lugar. Hoje em dia, muitas dessas máquinas portáteis são consideradas valiosas peças de coleção.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Mesa Tentacular: "The Room Beyond" início da mini-campanha de Cthulhu by Gaslight


Semana passada, dei início a uma mini-campanha de Call of Cthulhu clássico que será jogada regularmente no encontro Dungeon Carioca (na Bara da Tijuca, Rio de Janeiro).

Fazia tempo que eu estava interessado em começar uma campanha, nem que fosse uma pequena como essa, formada por quatro ou cinco cenários. Apesar de gostar de aventuras no estilo one-shot (cenários fechados em que os personagens não serão utilizados posteriormente), eu sentia falta de um desenvolvimento dos personagens, uma forma deles continuarem crescendo e ganhando experiência em uma trama contínua. O que SIM é plenamente possível em Call of Cthulhu a despeito do que muitos dizem.

Foi isso que me animou a narrar essa mini-campanha. 

Escolhi como ambientação a Era Victoriana, em parte porque estava ansioso por testar a recém lançada nova edição do Cthulhu by Gaslight e porque sinceramente fazia tempo que não narrava algo nesse período que oferece uma riqueza incrível de possibilidades. 

A mini-campanha que estou planejando vai integrar dois dos meus livros prediletos de Call of Cthulhu cobrindo essa época histórica. O primeiro é "The Golden Dawn" um suplemento editado pela Pagan Publishing em meados dos anos 1990 sobre a notória Sociedade Secreta/ Ordem Hermética que realmente existiu nessa época. Para os que não conhecem, a Golden Dawn era exatamente isso: uma Escola devotada ao estudo do Ocultismo, do paranormal e das tradições antigas. É um terreno fértil para aventuras de mistério e horror sobrenatural. O segundo livro é um excelente suplemento de aventuras chamado "Sacraments of Evil". Esse livro oferece seis ótimos cenários. foi um dos primeiros livros de CoC que eu comprei e não exagero ao dizer que foi lendo esse material que começou meu interesse por Lovecraft e pelo jogo baseado no universo por ele criado.

No domingo narrei o cenário introdutório para a mini-campanha, intitulado "The Room Beyond" ("O Aposento mais Adiante") uma estória de mistério envolvendo segredos negros de família, ambição e horror sobrenatural. Eu dei umas pinceladas adicionais incluindo elementos tirados dos artigos sobre "O Nevoeiro" e a coisa ficou bem interessante.

Na trama, um grupo de membros da Golden Dawn é recrutado para uma missão oficial: avaliar o valor de supostos "artefatos sobrenaturais", que estão em poder de um nobre. O segredo de família que ele expõe envolve o legado de seu avô, um poderoso feiticeiro que deixou em um quarto fechado estranhos tesouros arcanos que permaneceram esquecidos por meio século. Mas o grupo descobre (da pior maneira possível) que os segredos do "quarto lacrado" são muito mais perigosos do que poderiam imaginar.

Para os que quiserem ler a respeito do cenário, escrevi um relato completo alguns anos atrás quando narrei essa mesma aventura para outro grupo. Isso foi lá por 2008. Na ocasião, criei um Blog que serviria como "Diário de Campanha", mas infelizmente a mesma acabou não passando do terceiro cenário por uma série de motivos e abandonei as anotações. Dedos cruzados para que essa vá além desse ponto!

Quem quiser ler sobre "The Room Beyond" é só seguir o link abaixo:


Lembrando que a ordem da postagem está de trás para frente. 

Eu pretendo fazer algo parecido para essa nova campanha, mas é provável que seja um diário de campanha escrito.

A seguir algumas fotos da mesa de jogo tiradas no dia:




Agradecimento ao grupo de corajosos investigadores/jogadores (da esquerda para direita):

Jogador               Personagem                               Ocupação    

Luiz Felipe            Arthur Moore Whitehead              Debunker/Engenheiro
Flávio                   Eustace Pembleton                        Antiquário
Erick                    Alec York                                     Médico
Thiago                  Gideon Spencer                            Aristocrata
Ricardo                Malcolm Fitz-Hugh                       Oficial do Exército (aposentado)                            

Espero que seja tão divertido para vocês jogar, quanto para mim contar essas estranhas estórias.

No próximo cenário nossos heróis investigam "The Eyes of the Stranger".