quarta-feira, 10 de março de 2010

O Terror vem do Espaço - Anatomia da Cor que caiu do Céu


A mitologia criada por Lovecraft está repleta de criaturas alienígenas: Os Mi-Go, os Yithians, os Elder Things e os Pólipos-Voadores são apenas alguns desses estranhos seres provenientes de esferas distantes e dimensões desconhecidas.

De todas as raças alienígenas, a mais enigmática talvez seja a das Cores do Espaço.

Não se sabe ao certo de onde vêm esses seres bizarros, mas aquelas que entraram em contato com humanos ao longo das eras, vieram do espaço profundo e chegaram à Terra na forma de meteoros que despencaram na superfície.


Estes seres incorpóreos se manifestam como cores de espectro desconhecido, invisíveis sob certas circunstâncias, mas podendo adotar espectros absolutamente alienígenas para a percepção sensorial humana. Em alguns casos, as cores são equivocadamente compreendidas como uma forma de vida gasosa, mas não é esse o caso. Elas são entidades compostas de luminosidade própria que se movem voando o flutuando como uma entidade consciente.

A visão de uma cor se manifestando dessa forma pode ser uma experiência desconcertante.

O ciclo de vida destes seres no espaço é desconhecido. Outras raças alienígenas conhecem as Cores do Espaço e mantém com elas relações que vão desde a reverência, como ocorre entre os Antigos (Elder Things) até temor no caso dos Mi-Go, que evitam qualquer contato com as Cores.

As Cores encontradas na Terra adentraram o planeta através de meteoritos que à primeira vista parecem normais. A criatura neste estágio se mantém em um estado embrionário ocupando o interior oco de uma esfera rochosa de aproximadamente três polegadas de diâmetro. Quando o meteorito entra a atmosfera terrestre e se choca com a superfície, a esfera é rompida liberando a cor em estado de larva. A jovem cor busca então estabelecer um ninho. Elas preferem depósitos subterrâneos de água de onde retiram os nutrientes necessários para seu desenvolvimento. As cores são capazes de escavar o solo em busca de um leito rochoso profundo ou buscar abrigo em poços previamente escavados.

Uma vez instalada, a larva começa a exercer uma sutil influência sobre as formas de vida, alimentando-se inicialmente de microrganismos no solo, mas avançando rapidamente para a vegetação e em seguida pequenos animais.

O primeiro sinal da atividade de uma Cor é a drástica mudança no ecosistema ao seu redor. A vegetação experimenta um acelerado processo de crescimento. Árvores se tornam frondosas, gerando enorme quantidade de frutos de proporções anormais. Esse crescimento, no entanto, se mostra pouco saudável. Os frutos das árvores tocadas pela Cor, são amargos e impróprios para o consumo. Em alguns casos apresentam uma coloração cinzenta esmaecida e odor repulsivo.

Durante a noite uma tênue luminosidade fosforescente pode ser percebida na vegetação corrompida.

A Cor a seguir começa a se infiltrar nos seres vivos e drenar sua energia vital. Os efeitos no meio ambiente são assustadores. Insetos começam a surgir em grande quantidade mas com alterações acentuadas, alguns nascem albinos ou crescem além do normal. Pequenos animais também manifestam horríveis deformidades: nascendo totalmente cegos, acéfalos, com patas adicionais ou de menos ou com órgãos fora do corpo. O resultado é semelhante ao de animais expostos a forte dosagem de radiação.

É possível que o consumo dos vegetais corrompidos ou da água por parte dos animais seja o motivo dessas mutações.


Após alguns meses, a Cor já estará apta a se alimentar diretamente de animais. Ao se desenvolver para o estágio seguinte a cor gradualmente deixa o seu ninho e começa a se alimentar dos animais que ainda estão vivos.

Não se sabe exatamente como ela realiza a sua caça, no entanto é possível que a cor exerça algum tipo de comando sobre animais menores, atraíndo-os para perto de sua toca. O covil habitado pela cor apresenta dezenas de carcaças de animais que parecem ter sido queimadas de dentro para fora.

Fontes luminosas tendem a incomodar as cores que preferem caçar durante a noite. Nas horas do dia elas se mantém protegidas em seus ninhos.

Aos poucos a Cor vai se tornando confiante e se afasta cada vez mais de seu ninho, buscando animais cada vez maiores. Eventualmente ela buscará seres humanos de quem poderá se alimentar.

Um dos aspectos mais curiosos a respeito da influência que as cores exercem sobre os seres humanos é sua capacidade de lentamente minar a vontade dos indivíduos. Pessoas sob a influência de uma dessas criaturas sentem-se virtualmente impotentes, melancólicas, quase como se definhassem diante de uma força invisível que drena sua força de vontade. Isso explica porque pessoas vivendo em regiões contaminadas pela presença da Cor do Espaço simplesmente não vão embora.

Vítimas de cores do espaço acabam da mesma forma que os animais drenados. Horríveis manchas de pele e descamação são comuns. A pele de um indivíduo em estágio terminal aparenta estar coberta de uma fuligem fina como grafite, que na verdade é a própria camada cutânea destruída. Órgãos internos apresentam falência completa e o corpo irradia altas temperaturas que literalmente o cozinham de dentro para fora. Mesmo o tecido sanguíneo se torna denso com uma concistência que lembra xarope de groselha.

Em casos extremos os olhos fervem e as pleuras pulmonares se desintegram.

Cadáveres de indivíduos mortos pela ação de cores do espaço vem intrigando médicos forenses desde que a medicina evoluiu o bastante para permitir esse tipo de análise.

Após consumir suficiente energia de diferentes fontes, a cor está pronta para avançar a um próximo estágio de sua existência. A Cor sofre uma nova mutação que lhe permite ascender ao espaço em um efeito dramático e enigmático. Ao que tudo indica, a Cor após metabolizar suficiente energia, ou após um determinado tempo realiza essa mutação com o objetivo de abandonar o planeta por ela ocupado, como a lagarta que sofre a metarmofose e ganha a capacidade de voar como uma borboleta.

Nesse contexto, as cores poderiam se valer conscientemente de mundos habitados (onde encontram estoques de força vital do qual podem se alimentar) e propositalmente lançar suas crias nestes mesmos mundos com propósito reprodutivo. Isso denota uma inteligência inata ou instinto de perpetuação da espécie bastante aprimorados.

O mais notório incidente envolvendo a aparição de uma Cor do Espaço, se deu em 1882, nos arredores de Deans Corners, estado de Massachusetts. A cor em questão aniquilou uma fazenda, matando animais e humanos e desaparecendo em seguida. O local foi coberto pelas águas do reservatório que abastece a cidade próxima de Arkham.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Kuracinth - Um horror cósmico para Call of Cthulhu


Kuracinth, o Destruidor de K´faiz (Deus Exterior)

"Dormindo ele vaga pelo espaço infinito. Sonhando. Pela eternidade vagando em sua órbita pelo espaço escuro e frio. Kuracinth aguarda. Esperando o dia em que encontre em sua trajetória algum planeta que o desperte de seu sono. Algum lugar que ele possa clamar como seu e predar. E então, ele ganhará o espaço novamente, prosseguindo em sua peregrinação até o fim dos tempos".

Trecho do Liber Ivonis

Kuracinth é um dos Deuses Exteriores que originalmente orbitava na corte do Daemon Sultan Azathoth, supostamente no Centro do Universo, desde o início dos tempos. Ele é relacionado a Hastur e aos mitos do Rei Amarelo de Aldebaran e Celaeno. Uma das profecias do Rei Amarelo retrata Kuracinth como o "O Deus Cigano" e "Aquele que vaga sem destino".

Conhecimento a respeito dele pode ser encontrado em trechos do Necronomicon e na versão francesa do Liber Ivonis (editado no Século XIII, na França por Gaspard Du Nord). Existem rumores de placas incas em Naacal que também conteriam informações a respeito dele, porém estas jamais foram inteiramente decifradas. Kuracinth é um Deus Exterior, supostamente originário do sistema Baalbo próximo de Tond. Kuracinth teria sido exilado da corte cósmica de Azathoth e obrigado a vagar pelo infinito sem um destino. Ele se mantém em uma espécie de animação suspensa (daí a menção a dormindo e sonhando) enquanto as "marés do espaço" o levam em trajetórias desconhecidas.

Quando a massa de Kuracinth se aproxima o suficiente de um mundo pulsante de vida, ele tende a despertar captando as emanações psiquicas dos habitantes. O Deus é sensível a sonhos e capaz de captar com incrível apuro anseios e desejos. Uma vez desperto e atraído por algum mundo, ele ruma na direção deste (o que pode levar séculos para que ele chegue ao seu destino). A aproximação de Kuracinth é sentida em princípio, por indivíduos sensíveis que reagem com melancolia, frustração e angústia que muitas vezes podem descambar em mortes, guerras, genocídios...

Uma vez próximo do planeta de um planeta, Kuracinth se manifesta na órbita como um mensageiro do caos, destruição e apocalipse. Ele se alimenta das emanações psiquicas, drenando rapidamente a inteligência e a vontade de todas criaturas vivas. Em pouco anos, ele é capaz de enlouquecer milhares de indivíduos, conduzindo civilizações e mundos inteiros à ruína.

O Liber Ivonis, narra a apocaliptica chegada de Kuracinth ao planeta K´Faiz na borda da estrela esmeralda de Baalbo. Lar de uma espécie alienígena que construiu gigantescas cidades ciclópicas de pedra negra sobre lagos azulados. O autor, narra que nos séculos que antecederam a chegada do destruidor, sonhos de apocalipse fizeram surgir cultos em honra ao Deus que conduziram K´Faz a uma sangrenta Guerra Civil e a devastação de suas grandiosas cidades. Quando o Deus enfim chegou ao seu destino, os sobreviventes haviam se convertido em cultistas que criaram uma sociedade teocentrista em torno da adoração do destruidor. Estes o saudaram em júbilo.

Não obstante, a entidade, se instalou na órbita drenando toda a vida da superfície. Quando terminou, não havia nenhuma forma de vida em K´Faiz, apenas os escombros de uma antes orgulhosa civilização.

Garpard Du Nord alerta que certos mapas cósmicos indicam que Kuracinth um dia estará ao alcance da Terra e que isto poderia representar uma terrível ameaça a todas as formas de vida do planeta. Se o destruidor se aproximar o suficiente de nosso mundo, o bastante para captar nossa presença através de emanações psíquicas, é provável que ele altere sua trajetória.

Alguns sensitivos e conhecedores do mito de Kuracinth acreditam que é impossível evitar a rota do Deus e que seria questão de tempo até ele encontrar seu caminho até a Terra.

Culto - Kuracinth é reverenciado por alguns poucos cultistas dementes que descobriram a Profecia quanto a vinda de Kuracinth e o apocalipse. Estes cultistas, tentam atrair a atenção do Deus com sacrifícios e rituais que visam contatá-lo. O culto é pequeno, uma vez que o deus é obscuro até para os padrões dos Mitos de Cthulhu.

Há rumores que antigos druidas na França e astrônomos primitivos dos Impérios Inca e Maia, tinham conhecimento da existência de Kuracinth. Nesse contexto, certos monumentos erigidos por estas civilizações teriam como função calcular a distância e aproximação dele.

Aparência - Kuracinth vaga pelo firmamento em uma espécie de animação suspensa. Ele possui um tipo de cápsula cristalina em volta de seu corpo que o protege dos rigores do éter espacial. Essa carapaça é impossível de ser atravessada. Ela permite que ele mantenha certo grau de consciência, o suficiente para captar a existência de formas de vida. Uma vez próximo de um planeta habitado, a casca cristalina se rompe revelando o horror da presença de Kuracinth.

Em um dos tomos ilustrados do século XIII, Kuracinth é retratado como uma massa amorfa de tentáculos expandindo e retraindo sem parar. Seu tamanho é desconhecido, mas supostamente ele teria centenas de metros.

quarta-feira, 3 de março de 2010

1833 - O Fim do Mundo em uma chuva de estrelas

Imagine acordar de madrugada com gritos desesperados e luzes estranhas iluminando seu quarto. Você abre a janela e vê um tumulto nas ruas, enquanto no céu, centenas de estrelas parecem despencar na direção da Terra como bolas de fogo.

Foi mais ou menos isso que os habitantes do Hemisfério Norte do continente americano experimentaram nas noites de 12 e 13 de Novembro de 1833.

O fenômeno astronômico conhecido como Chuva de Meteoros de Leonid ocorre a cada 33 anos, sempre que a Terra se aproxima do rastro deixado pelo Cometa Temple-Tuttle. A cauda do cometa é composta de partículas sólidas congeladas, conhecidas como meteróides, que são ejetadas a medida que ele sofre derretimento ao se aproximar do Sol. Essas particulas viajam a grande velocidade, quando entram na atmosfera terrestre sofrem atrito e são visualizadas como bolas de fogo no céu noturno. A chuva de meteoros pode progredir para as chamadas tempestades de meteoros, dependendo da intensidade registrada.
A tempestade de meteoros de 1833 foi a maior que se tem notícia. O fenômeno causou enorme comoção naqueles que o testemunharam, para alguns era a certeza de que o mundo estava prestes a acabar em uma chuva de fogo vindo do céu.
O fenômeno foi tão impressionante que alguns pesquisadores estimam que mais de 100 mil partículas entravam na atmosfera em apenas uma hora, iluminando a noite da Costa Leste dos Estados Unidos como um caleidoscópio multi-colorido.
O evento celestial já era conhecido dos astrônomos da época, contudo sua intensidade superou todas as espectativas. Thomas Milner, um cientista inglês que havia viajado para testemunhar o incidente registrou em seu diário as seguintes palavras: "As estrelas em queda ofereceram o mais esplêndido acontecimento de que se tem notícia". Seu colega, o Professor Denison Olmsted da Universidade de Yale também escreveu que aquele era "o mais magnífico e impressionante acontecimento presenciado no continente americano, desde a sua colonização" e que "era um privilégio poder admirar tão fascinante acontecimento".

Porém nem todos pareciam compartilhar da reação dos cientistas. Para a maioria da população, em especial aqueles que ignoravam a natureza do evento, aquilo era o começo do fim e elas reagiram de acordo.

Tumultos, depredações e loucura varreram a Costa Leste dos Estados Unidos.

O chefe de polícia de Nova York escreveu em seu relatório na noite de 12 de Novembro: "Na maioria dos distritos, a massa de pessoas em pânico ganhou as ruas em um frenesi motivado pelo desespero e pela imagem do apocalipse iminente. As estrelas caíam do céu como se fossem as folhas de uma figueira agitada violentamente. Os policiais tentaram debelar os tumultos, mas a agitação da turba não podia ser contida".

Testemunha do evento no estado de Kentuck, Mildred Garland escreveu em seu diário: "Todos sentiam que aquela era a noite do julgamento, e que o fim do mundo enfim havia chegado! Era possível ouvir homens, mulheres e crianças gritando e chorando desconsolados pelas ruas". Na cidade de Lexington, uma das maiores do estado, houve violentos tumultos e incêndios. As autoridades registraram também saques e pilhagem.

Em Harrisburg, no interior da Pensilvania, foram reportados crimes de natureza violenta: assassinatos e agressões cometidos por uma turba enlouquecida diante do inexplicável fenômeno. "As pessoas pareciam sob o efeito de uma loucura coletiva" descreveu um policial. A força pública teve de buscar o apoio do exército que obrigou as pessoas a voltar para suas casas sob ameaça de rifles e baionetas. Em alguns lugares, houve resistência e um quebra quebra generalizado.

Destruição de propriedade também ocorreu em Charleston, capital da Virginia, onde houve linchamentos e depredação de propriedade. Comunidades de irlandeses católicos serviram como bodes-expiatórios.
A prefeitura da cidade também foi apedrejada e sérias ofensas se seguiram em uma noite de selvageria e violência. Em Anniston no estado do Alabama, uma igreja pegou fogo (ou foi incendiada) quando uma turba furiosa tentou forçar entrada no templo que já se encontrava lotado.

Boston, uma das cidades mais esclarecidas na época, não registrou tumultos, contudo houve um acentuado aumento no número de suicídios, sobretudo na noite da tempestade de meteoros. No caso mais grave uma família inteira se trancou no porão de uma casa e compartilhou de veneno para escapar dos horrores do apocalipse.

Acontecimentos astronômicos sempre tiveram influência sobre as pessoas. A passagem de cometas ou os eclipses lunares são em quase todas as culturas vistos como sinais de maus agouros. Vale lembrar que o termo lunático se refere ao indivíduo que sofre de alguma perturbação mental motivada pelas fases da Lua.
Na mitologia de Lovecraft são as estrelas que marcam a conjunção astral perfeita que decretará po despertar dos Antigos e consequentemente a extinção da raça humana. Também os astros desempenham papel fundamental na realização de rituais e encantamentos regidos pelas estrelas e pelas fases lunares. Além disso, as estrelas são o referencial para a morada ou o ponto de origem de muitas entidades dos Mitos.

O fenômeno de 1833 estimulou também o lado espiritual das pessoas. Em Covington, no estado de Nova York, os sinos da Igreja local soaram às duas da manhã conclamando a população a se reunir para rezar e pedir a absolvição de seus pecados. Em Paulding, também no interior do estado, a população foi reunida às pressas na praça central da cidade para pedir que Deus poupasse a cidade de sua ira.

A tempestade de meteoros foi tão marcante que todo um ramo religioso surgiu a partir dela. Ao presenciar o fenômeno, muitos lembraram de um popular trecho do Evangelho de Mateus que diz: "as estrelas irão despencar do firmamento e antes do mundo terminar, Jesus irá retornar".

Quando a noite se tornou dia e as estrelas pareciam cair, as pessoas tiveram certeza que o momento previsto por Mateus havia chegado.

Felizmente, o mundo não acabou, mas alguns passaram a acreditar que aquele teria sido um aviso de Deus para que as pessoas estivessem preparadas para a segunda vinda de Jesus. Essa crença motivou a fundação da Igreja Adventista do Sétimo Dia - que nos dias atuais conta com mais de 17 milhões de seguidores ao redor do mundo.

Além dos Adventistas muitas outras crenças de cunho apocalíptco se estabeleceram a partir desse ensaio do Fim dos Tempos, algumas delas empreenderam jornadas para o Oeste em busca de lugares isolados onde pudessem se preparar para o dia do julgamento.

Apenas quando o dia começou a clarear os tumultos da noite de terror diminuíram. Durante o dia, a claridade dos meteoritos adentrando a atmosfera era bem menos perceptível de modo que a chuva paredia ter chegado ao fim.

O governo do presidente Andrew Jackson reagiu prontamente diante da histeria coletiva. O Exército recebeu ordens de patrulhar as ruas e um toque de recolher foi instituído. Durante todo o dia circularam folhetos que explicavam o que havia acontecido e os jornais se empenharam em asegurar às pessoas que o acontecimento embora estranho nada tinha de perigoso.

As medidas surtiram efeito e a noite de 13 de Novembro, mesmo tendo apresentado um fantástico espetáculo celestial, não registrou a mesma loucura.

Se por um lado o acontecimento ocasionou tragédias, por outro fomentou a criação de um gabinete adjunto ao governo, cuja função era antecipar eventos científicos dessa natureza.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Zoologia Cthulhiana 101 - Conheça a Borboleta King in Yellow



Pessoal, essa aqui é uma curiosidade que eu achei bem legal.

Essa bela borboleta aí na imagem é da espécie King in Yellow, literalmente Rei em Amarelo.

Ela é nativa do Sudeste Asiático e de algumas ilhas da Indonésia. A borboleta foi descoberta e catalogada no início dos anos 90 por uma expedição de pesquisadores norte-americanos. A larva dessa borboleta vive e se alimenta exclusivamente da seiva da Urticabus infernalis, uma árvore do Sul da Ásia conhecida como Paintree, ou "Árvore da Dor". Essa árvore produz uma substância venenosa que queima ao toque e provoca uma dor lanciante.

Alimentando-se das folhas dessa árvore, não é de se estranhar que a borboleta seja incrivelmente venenosa e por isso é evitada pelos animais da selva.

Até aí nada de mais, a não ser a coincidência do nome da borboleta com uma das entidades mais temidas dos Mitos de Cthulhu.

Mas seria apenas uma coincidência? A resposta é não...

O nome científico do animal é Regipapilio hastur.

Muito provavelmente a borboleta foi batizada por algum fã ou conhecedor dos Mitos de Lovecraft, pois o Rei Amarelo é o mais conhecido avatar do Deus Hastur.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Planetas e os Mitos - Uma relação de corpos celestes ligados aos Mitos Ancestrais


Por John Beal. Traduzido por Frater AhaZeD, retirado da página Morte Súbita http://mortesubita.org/

Segundo L. Sprague, Lovecraft era um “astrônomo” afiado, cujos primeiros interesses estavam relacionados à criação dos mitos associando as constelações. As historias de Lovecraft e outros escritores do Mito de Cthulhu que mencionam frequentemente os papeis das estrelas nas conexões dos eventos, em rituais. Um determinado número desses planetas e estrelas era ficção, por exemplo, o planeta Sharnoth, morada de Nyarlathotep além deste universo, que pode ser denominado universo B. Outros corpos celestes são reais, daí surgiu o interesse de investigar a conexão com a mitologia.

Os Planetas
Interessante listar cada planeta seguido de seus mitos associados, veremos a seguir a sinopse de alguns que parecem particularmente interessantes. Nas historias de Lovecraft e Sterling - "In the Walls of Eryx" – se passa em Vênus coberta pela selva, onde o narrador procura por um cristal adorado por venuzianos homens-lagartos, uma possível referência aos povos da serpente de "The Haunter of the Dark" e outras histórias. Vênus é mencionada, assim como Jupiter em "The Shadow out of Time" em que Lovecraft escreve "There was a mind from Venus, which would live incalculable epochs to come, and one from an outer moon of Jupiter six million years in the past." – Muitas das histórias de Clark Ashton Smith são baseadas em planetas, ‘The Door to Saturn’ por exemplo ‘The Vaults of Yoh-Vombis’ que se passa em Marte.
A maioria dos trabalhos de Smith concerne planetas de outros sistemas, por exemplo, em ‘example The Planet of the Dead’ o planeta mencionado ficaria na constelação de Andrômeda. Os planetas que mencionarei no final, parecem ser os pivôs centrais dos mitos de Cthulhu – Yuggoth é sinônimo de Plutão - morada das criaturas fungol que fazem viagens interplanetárias, criaturas que resistem ao Ether.

Kenneth Grant usa Yuggoth como símbolo do limite entre as dimensões, uma idéia expressa pelo poema Beyond de Lin Carter.

"I have seen Yith, and Yuggoth on the Rim,
And black Carcosa in the Hyades.

"É interessante que Carter menciona Carcosa (a invenção de Ambrose Bierce em sua história “An inhabitant of Carcosa”) como se encontrando nas sete estrelas irmãs de Hyades, porque esta área do céu é comentada repetida vezes nos mitos de Cthulhu.

FOMALHAUT (Alpha Pisces Australis)

Este nome como qualquer outro se deriva do árabe. Origina-se de Fum Al Hiiit, que significaria ‘a boca dos peixes’. Não sendo nenhuma surpresa uma vez que essa estrela está localizada em peixes. Interessante que é uma das únicas estrelas nomeadas dessa constelação e pode ser vista da Grã-Bretanha O fato de magnitude inicial nos relatos dos Mitos de Cthulhu é Cthugga com quem é conectada. Cthugga é descrita como uma massa ardente que varia continuamente na forma.

ALDEBARAN (Alpha Tauri)

Aldebaran é geralmente conhecido como “O olho do touro” por causa de sua distinta coloração de cor laranja. Seu nome vem outra vez do árabe, al Dabaran, significando ‘o seguidor '. Isto era devido à opinião dos gregos que a estrela seguiu a Pleiades. Esta estrela é ligada aos mitos de Cthulhu de uma maneira extremamente interessante. A ligação original era com as histórias de Robert William, onde é a estrela do repouso de Hastur.

É considerada por August Derleth a estrela da emanação de algumas forças relacionadas à Cthulhu. Com respeito a isto é interessante citar - The Whisperer in Darkness: “Nyarlathotep, mensageiro poderoso que revela todas as coisas, revelará todas as mascaras e vestes escondidas quando estiverem abaixo dos sete sois... – Robert Graves no livro The Greek Myths Os mitos indicam que o Pleiades e o Hyades eram as sete filhas do Atlas de Titan, fazendo os equivalentes em termos mitológicos. A indicação " The Whisperer in Darkness " mostra claramente um alinhamento com os sete sóis, assim conectando Nyarlathotep à área de influência de Aldebaran. – podendo até comentar que Hastur, o rei amarelo, é uma das formas de Nyarlathotep e de outros. Na história "The Dream-Quest of Unknown Kadath" Nyarlathotep é descrito como o portador da“mascara amarela”.

A historia "The Crawling Chaos" escrito por Lovecraft e Elizabeth Berkeley comenta a destruição da terra através dos Sete sóis, conectando assim Nyarlathotep, como o caos rastejando, como o castigo merecido da terra. Outra observação é que Aldebaran estava uma vez na constelação de Mihras; que consistiu em Tauros e Perseus. Isto conecta a estrela Algol, outra estrela mencionada em "Beyond the Walls of Sleep" escrito por Lovecraft.
ALGOL (Beta Persei)

Esta era uma das primeiras estrelas binárias a serem descobertas: Montanan, um astrônomo italiano, foi o primeiro europeu a criar estudos a cerca das estrelas que piscam. Em árabe o nome é Al Ghtil que significa “O Demônio” mais precisamente “O Ghoul” e em inglês “the demon star”. Originalmente o Algol era uma estrela protetora de Mithras, mas depois veio a representar o olho piscando da malévola Medusa na constelação de Perseus.

BETELGEUSE (Alpha Orion)
A estrela é vermelha, e seu nome deriva de Yad al Jauzah que significa ‘mão do gigante’. Aparentemente o nome deve ser Yedelgeuse, mas soletrados devido à tradução pobre do árabe no latin que se leu errada. Esta estrela encontra-se uns 650 anos luz ausentes de nós e é uma estrela de períodos variáveis, alterando sua luminescência e esvanecendo-se em um ciclo anual. Nos mitos de Cthulhu é considerada como a estrela em que os Antigos governaram.
POLARIS (Alfa Ursae Minoris)
Obviamente o nome demonstra ser a estrela do pólo, e está de fato dentro do pólo norte celestial. Entretanto no grego seu nome é Cynosura, e significa a cauda do cão. Um nome grego mais adiantado uniforme era Phoenice, relacionada possivelmente a Phoenissa, (cujo o nome no masculino é Phoenix). Phoenissa significa “o vermelho”, ou o “sangrento”. Os estudos de Robert indicam-na como interligada com Demeter e Astarte; Phoenix é indicado de forma interessante como o rebatismo da terra de Canaan como Phoenicia, assim produzindo uma outra ligação possível.

A estrela polar estará no seu ponto mais próximo ao norte celestial no ano 2100 e será sucedida então gradualmente pela estrela Vega. Esta procissão parece ser comentada na história de Lovecraft, no poema “polaris”:

"Slumber, watcher, till the spheres,
Six and twenty thousand years
Have revolv’d, and I return
To the spot where now I burn.
Other stars anon shall rise
To the axis of the skies;
Stars that soothe and stars that bless
With a sweet forgetfulness;
Only when my round is o’er
Shall the past disturb thy door."

O uso de termo ‘the axis of the skies’ – a linha central dos céus - no poema é interessante pelo conectar da estrela ao nome árabe Al Kutb al Shamaliyy que significa ‘O eixo do norte’. O texto comenta, também, a cerca de ARCTURUS e SIRIUS. O interessante do texto é a especificação dos sete sóis que dentro do Círculo Iniciático dos Sete Caos são representados por sete alto-sacerdotes capacitados a trabalhar com as forças contidas no Núcleo do Caos. – considerado como sóis negros.

O termo Sol Negro é usado pelo Círculo Iniciático para qualquer pessoa que seja capaz de, através de técnicas relacionadas à projeção astral e através dos Antigos, se projetar e ir de encontro ao Núcleo do Caos, onde não há forma, mas que é a essência da vida; e este é o ponto complicado no processo, mas que uma vez conquistado, o iniciado poderá trabalhar com essa força contida neste Núcleo Caótico, pois em resumo... Ele se torna uma face do Chaos.