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sexta-feira, 5 de junho de 2026

O Infernal Major Weir - A Confissão de um Feiticeiro que abalou Edimburgo

 

Em 1599, viveu na Escócia um homem chamado Thomas Weir

Seu pai, um funcionário público, não gozava da melhor reputação em termos de probidade, era suspeito de desfalques nos cofres públicos, dinheiro usado para alimentar o vício em jogo. Teria cometido suicídio, nunca confirmado. Sua mãe era suspeita de praticar feitiçaria. Parte de uma família tradicional, ela era versada na leitura do tarô, alegava conhecer feitiços e ser capaz tanto de curar quanto de matar usando maldições. Seus irmãos, quatro no total, também tinham uma vida conturbada, envolvendo acusações de traição, prisões e desconfiança geral. Sua irmã mais nova era especialmente difícil sendo suspeita de várias atividades ilícitas como veremos mais adiante.

Thomas se alistou no exército para escapar dessa família problemática, e com a Revolta Puritana ele começou a ganhar reconhecimento na forma de promoções. Alcançou o posto de Major em 1641, após servir com destaque em campanhas contra os monarquistas. Em 1649, aposentou-se do serviço ativo e, a partir de então, foi empossado como Comandante da Guarda da Cidade de Edimburgo.

Seu mandato foi notável pela rígida devoção aos princípios militares, aliada a um zelo correspondente na perseguição aos inimigos monarquistas. Um relato da época descreveu Weir como "muito ativo na descoberta e captura de traidores, levando-os a serem julgados e sempre buscando condenações capitais". Dizem que o Major Weir era especialmente cruel e criativo no emprego de tortura física e psicológica para que seus cativos apontassem colegas conspiradores. Ele mantinha seus prisioneiros em uma masmorra escura e sufocante, sob rígida vigilância e constante brutalidade. Utilizava instrumentos de tortura: açoite e ferros em brasa nos interrogatórios e participava ativamente de cada sessão. Ele ficou famoso pelo tratamento que dispensou ao Marquês de Montrose, que ele próprio processou, acusou e sentenciou.

Após vários anos no cargo, Weir deixou o posto — não se sabe ao certo se foi por demissão ou renúncia voluntária —, ficando livre para se dedicar mais plenamente à vida religiosa. Sua ardente devoção ao presbiterianismo, aliada ao seu vasto conhecimento das Escrituras e à sua impressionante eloquência na oração, fizeram com que o povo de Edimburgo o considerasse praticamente um santo vivo. “Feliz era o homem com quem ele conversava”, dizem, “e bendita era a família na qual ele se dignava a orar”. Sua fama se espalhou a tal ponto que as pessoas viajavam dezenas de quilômetros apenas para ouvir seus sermões improvisados.


A sociedade tinha conhecimento de apenas uma controvérsia envolvendo esse estimado cidadão. Um ministro, John Nave, foi informado por uma de suas paroquianas que ela havia visto o Major Weir na companhia de pessoas suspeitas em um campo certa vez. Nesse episódio ele estaria presidindo uma estranha reunião noturna com direito a uma fogueira e entoações misteriosas. A alegação foi rejeitada por falta de provas, e a acusadora de Weir foi açoitada pelo carrasco local "por caluniar um homem santo tão eminente".

Em 1642, Weir casou-se com uma viúva chamada Isobel Mein. Foi após a morte dela e o casamento de sua enteada que a vida do Major tomou um rumo mais estranho. Depois de ficar sozinho, ele permitiu que sua irmã solteira, Jean (ou Grizel, em alguns relatos), fosse morar com ele como governanta. A irmã tinha péssima fama, alguns diziam que havia se envolvido em escândalos com homens casados. Mas havia rumores muito mais graves! Alguns diziam que Jean era praticante bruxaria, versada nas artes negras e que adorava o Demônio.

Como os eventos revelariam, a relação entre os dois pode muito bem ter sido — para dizer o mínimo — mais íntima do que a sociedade aceitava no que diz respeito a irmão e irmã. É provável que o peso psicológico esmagador dessa violação específica do tabu tenha levado à tragédia final.

A queda de Weir foi tão inesperada quanto dramática. Rumores circulavam em Edimburgo, embora ninguém falasse abertamente. Criados mencionavam estranhas celebrações no porão da casa do Major, reuniões soturnas com conhecidos criminosos e mulheres acusadas de má conduta. Diziam que algo havia corrompido aquela casa e que Weir mantinha uma vida dupla secreta: de dia um homem religioso e justo, à noite um devasso praticante de satanismo.


Em um certo dia da primavera de 1670, houve um grande encontro religioso em Edimburgo no qual o Major Weir seria um dos convidados. Em determinado momento da cerimônia, ele se levantou para discursar aos fiéis. Contudo, em vez das usuais “frases entusiasmadas, êxtases e arrebatamentos”, ele ofereceu à sua plateia algo completamente diferente. Weir, na verdade, cometeu suicídio diante dos olhos cada vez mais horrorizados de todos.

Ele começou a relatar seus muitos pecados — pecados que deixaram os irmãos atônitos e revoltados. Aquele homem que, por tantos anos, fora visto como o epítome da piedade e da virtude, estava, por sua própria vontade, revelando-se um monstro. Contou sobre atos de incesto (com sua irmã e sua enteada), bestialidade, inúmeros encontros sexuais com criadas e o pior de tudo, confirmou a Adoração ao Diabo. “Diante de Deus”, exclamou, “não lhes contei nem a centésima parte dos pecados que cometi, e do que sou culpado!

Ele já havia contado o suficiente. O primeiro instinto de seus ouvintes foi encobrir tudo. Seria péssimo ter esse “escândalo desconcertante” dentro de sua igreja tornado público. Isso poderia muito bem destruir a reputação de todos eles.

Como explicação para quaisquer relatos desse incidente chocante que pudessem ter vazado, os irmãos anunciaram que Weir havia adoecido gravemente. Durante vários meses, pareceu que a terrível verdade sobre o que a igreja abrigava em seu seio poderia ser mantida em segredo. No entanto, um dos ministros confidenciou ao Lorde Prefeito de Edimburgo, Sir Andrew Ramsay, o que havia acontecido. Sir Andrew, supondo que “crimes tão horríveis quanto os que o ministro lhe disse que o Major havia confessado” fossem simplesmente terríveis demais para serem verdade, enviou vários médicos à casa de Weir para “examinar seu cérebro perturbado”. Os médicos relataram que Weir parecia “livre de hipocondria” e estava perfeitamente são. Seu único mal, julgaram, era “uma consciência excruciada que o forçava a confessar tudo o que tomou parte”. Weir queria ser levado à justiça e, na opinião dos médicos, seu desejo deveria ser atendido. Alguns “ministros” que o prefeito enviou para interrogar o Major concordaram com esse diagnóstico. “Os terrores de Deus”, disseram eles, “o impeliram a confessar e se acusar”.

E que confissões eram aquelas! Bombásticas para dizer o mínimo! Weir relatou ter sido iniciado na Igreja de Satanás e que tinha a marca do diabo tatuada em sua virilha. Disse que renunciou a Deus e as Escrituras e que escreveu seu nome com sangue no Livro do próprio Demônio. Firmou com este um pacto diabólico recebendo riqueza e saúde em troca de sua alma imortal. Disse ainda que realizou toda sorte de sortilégio e malefício na companhia de sua irmã, uma feiticeira com quem dividia a cama. Weir confessou ter conduzido missas negras nas quais crianças foram sacrificadas em altares, que manteve um diabrete familiar e que aprendeu magia negra para afetar inimigos. Seus crimes eram tantos e tão variados que ele deveria pagar por eles.


As autoridades da cidade se desesperaram. Era impossível acobertar o escândalo público já que muitos na cidade já comentavam o teor blasfemo das confissões. Por fim, admitiram que não havia outra alternativa senão levar o Major a julgamento. Weir e sua irmã — a quem ele havia incriminado profundamente em sua confissão e que posteriormente reconheceu seus pecados — foram enviados para a prisão. Quando os irmãos foram detidos, Jean disse aos policiais para confiscar um "Cajado Mágico" pertencente a Weir que estava na casa. Esse objeto maligno tinha poderes e poderia ser usado contra os dois por membros da cabala em uma vingança. 

Observou-se que esse "Cajado" era feito de espinheiro e decorado com imagens de centauros e uma carranca na extremidade. Jean Weir disse que seu irmão "o recebeu do Diabo e fez coisas impossíveis com ele". As autoridades também descobriram em sua casa um pano contendo "uma certa raiz". Quando esse objeto foi jogado no fogo, as chamas "circularam e brilharam como pólvora e, passando pela chaminé, deram um estalo como um pequeno canhão, para espanto de todos os presentes". Também ficaram sabendo de algumas moedas que Weir possuía, as quais causavam perturbações semelhantes a poltergeist onde quer que fossem guardadas. O porão onde os rituais supostamente ocorriam foi misteriosamente destruído, alegadamente por membros da cabala que tentaram ocultar seu envolvimento no caso. Weir garantiu que entre seus asseclas estavam pessoas poderosas e influentes na cidade.

Enquanto aguardava o julgamento, Weir encarava seu destino com indiferença. Rejeitava os apelos ao arrependimento, respondendo que estava irremediavelmente condenado e que qualquer oração seria inútil. Um historiador da época atribuiu a atitude de Weir à astúcia: "já que iria para o Diabo, não o irritaria".


Sua irmã contou às autoridades que herdara da mãe o talento para a magia negra. Jean também exibia uma "marca de bruxa" em forma de ferradura na nádega direita. Segundo Jean, ela e o irmão eram parceiros do Diabo há muitos anos e este os tornou seus comensais. Em 7 de setembro de 1648, ela contou que foram levados de Edimburgo a Musselburgh e de volta por uma carruagem satânica puxada por seis cavalos "que tinham cascos flamejantes". Ela deu detalhes sobre o "cajado encantado" do irmão, que ele usava "para cometer atos indizíveis". O instrumento era um canalizador da força diabólica e podia ser usado para matar inimigos e desafetos.

Em 9 de abril de 1670, os irmãos foram a julgamento com acusações de incesto, fornicação, idolatria, bruxaria e assassinato. Por algum motivo, a acusação contra o Major se concentrou em seus pecados sexuais, enquanto apenas a Jean enfatizaram as acusações de feitiçaria. Nenhum advogado se dispôs a defendê-los. Ambos os réus afirmaram prontamente a veracidade de todas as acusações, e o júri não teve dificuldade alguma em considerá-los culpados. Dois dias depois, o Major foi estrangulado e seu corpo “queimado até virar cinzas” em uma pira montada na praça central de Edimburgo. Seu corpo exalou um fedor de enxofre segundo testemunhas. No dia seguinte à morte de seu irmão, Jane Weir foi enforcada em outra execução medonha. Seus olhos teriam pulado das órbitas e a língua tornou-se preta pendendo para fora da boca. Tamanho era o horror de seu semblante cadavérico que os restos foram removidos da jaula onde eram mantidos e incinerados.

Conta-se que Thomas Weir encontrou seu destino “em desespero, declarando que não tinha esperança de misericórdia”. Enquanto a corda era colocada em seu pescoço, foi encorajado a rezar. "Não vou rezar", respondeu ele secamente. "Vivi como uma Besta e devo morrer como uma Besta." Seu cajado mágico foi queimado com ele, e dizia-se que estalou e chilreou nas chamas como algo vivo.

Ao longo dos anos, muitos mitos macabros e cada vez mais extravagantes foram contados sobre Weir, que permanece o "bruxo" mais notório da Escócia. Essas histórias parecem exagerar a realidade. Certamente, os fatos básicos de sua história já são suficientemente arrepiantes.


Somente um século após a morte de Weir alguém se dispôs a morar em sua casa, um local que os residentes acreditavam firmemente estar impregnado de maldade. O primeiro inquilino intrépido permaneceu por apenas uma noite, alegando ter visto "uma forma semelhante à de um bezerro" aparecer ao lado de sua cama durante a noite. A casa acabou sendo ocupada por diversos estabelecimentos comerciais, mas nunca mais foi usada como residência particular. De acordo com o historiador e folclorista escocês Andrew Lang, os espíritos inquietos de Thomas e Jean Weir foram vistos ainda no início do século XX. Por muitos anos, acreditou-se que a sinistra casa dos Weir havia sido demolida em 1878. No entanto, na edição de fevereiro de 2014 da revista "Fortean Times", Jan Bondeson revelou que suas pesquisas o levaram a descobrir que a casa foi incorporada a um prédio existente, que atualmente abriga a Casa de Reuniões Quaker, no número 7 da Victoria Terrace. E sim, os ocupantes do prédio relataram ter visto coisas estranhas acontecer no local.

A história do Major Weir é estranha, bizarra e cheia de questionamentos. Haveria algum fundo de verdade em suas narrativas aterrorizantes ou seria o resultado de alguma doença mental que o levava a confessar ator indizíveis. 

Talvez nunca venhamos a saber... e provavelmente é melhor ficar desse jeito. 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Mistério Diabólico - Violência, feitiçaria e um crime macabro sem solução


A história está repleta de crimes sem solução que estão destinados a continuar assim para sempre. 

Por várias razões algumas pobres almas parecem fadadas a jamais descansar, seja pelas misteriosas, por vezes absurdas, circunstâncias que envolvem suas mortes ou pelo fato da identidade de seus assassinos jamais serem descobertas. Contudo, poucos casos são tão bizarros ou sinistros, quanto um incidente ocorrido há mais de 40 anos e que ainda desperta interesse por envolver elementos aterrorizantes de feitiçaria, satanismo, rituais sinistros e segredos inomináveis.

A história tem início com um cão. Em 19 de setembro de 1972, em Springfield, Nova Jersey, um cão retornou ao seu dono trazendo na boca algo inesperado e macabro. Para horror de seu dono, ele estava carregando os restos decompostos de uma mão humana. As autoridades foram contatadas imediatamente e começaram a empreender buscas na floresta onde o animal havia estado recentemente. Trouxeram cães farejadores que sem dúvida os levariam até o restante do cadáver, seja lá de quem fosse ele. Não demorou muito para que fosse encontrado nos arredores da Pedreira de Houdaille, um lugar afastado e isolado, desativado fazia alguns anos.

O corpo estava largado em uma área arborizada da pedreira que tinha o agourento nome de "Dente do Diabo" uma vez que as pedras espalhadas pelo terreno lembravam dentes afiados pendendo numa enorme mandíbula. O cadáver pertencia a uma jovem mulher caída de bruços no solo lamacento, a face voltada para o chão. Ela estava totalmente vestida, mas dias de exposição ao sol e chuvas haviam causado uma rápida degradação que dificultava determinar a causa da morte. Seria preciso fazer uma análise dentária para garantir a identificação, o que revelou se tratar do corpo da adolescente Jeanette DePalma de 16 anos. Ela vivia no local e seu desaparecimento havia sido registrado em 7 de agosto do mesmo ano. Na época da comunicação, a polícia conduziu extensas buscas pela garota que não resultaram em nenhuma pista de seu paradeiro. Para todos os efeitos, as autoridades imaginaram que ela havia fugido de casa, algo comum entre jovens.

A análise forense dos dentes demonstrou que ela estava morta fazia 6 semanas, o mesmo período de tempo pelo qual ela estava sumida. Contudo, ainda que o mistério do que havia acontecido com DePalma estivesse solucionado, o verdadeiro mistério estava apenas começando. Afinal, era preciso descobrir como ela havia morrido e em que circunstâncias. A partir desse ponto, a história se torna extremamente estranha.  


A análise da cena do crime onde o corpo foi achado rendeu algumas curiosas descobertas. Próximos do cadáver havia uma coleção de tocos de madeira e galhos que à primeira vista não pareciam ter nenhum significado, contudo, uma segunda análise demonstrou que eles haviam sido posicionados de modo intencional. Mais sinistro ainda, o padrão formava uma imagem ligada ao ocultismo. Uma testemunha que esteve presente na cena do crime afirmava que os galhos e tocos estavam posicionados formando um perímetro ao redor do corpo. Quase como se estivesse delimitando uma área trapezoide de onde ele não deveria ser removido. Exatamente ao lado da cabeça, algumas pedras foram posicionadas para apoiar uma cruz improvisada feita de galhos atados com um pano rasgado. A "cruz" havia caído, mas era óbvio que alguma pessoa a havia colocado de pé. A poucos metros de distância encontraram os restos de uma fogueira e o que parecia ser uma curiosa mesa de pedra e madeira que lembrava uma espécie de altar. Uma análise do tampo dessa mesa confirmou que as manchas escuras que a salpicavam eram realmente sangue. E uma análise mais criteriosa provou que era o sangue da jovem.

A essa altura a polícia começou a suspeitar que tinha em suas mãos algo muito mais sinistro do que um simples crime praticado por um matador de ocasião. A cena inteira indicava que elementos ritualísticos estavam presentes e que talvez, o responsável ou responsáveis por aquela morte, estariam envolvidos com feitiçaria, adoração satânica e sacrifício humano.

Os policiais providenciaram para que um antropólogo especializado em ocultismo fosse chamado e examinasse o local. Na época, havia muitos rumores a respeito de seitas satânicas e cultos, e o medo dessas coisas era palpável na sociedade norte-americana. De fato, alguns jornais sensacionalistas afirmavam categoricamente que cultos satânicos agiam livremente nas cidades e realizavam horríveis rituais de sangue e sacrifício. As autoridades não queriam aumentar ainda mais esse temor, portanto, decidiram manter a investigação em sigilo.

O estudioso pediu que os policiais fizessem uma busca pelos arredores e que escavassem ao redor do altar improvisado. Enquanto isso, ele se dedicou a verificar estranhos entalhes feitos nas árvores que compunham a clareira. Nos troncos haviam vários símbolos arranhados, a maioria destes semelhantes a flechas ou setas apontando para a direção da clareira em que o corpo havia sido achado. A escavação dos policiais revelou ossadas de animais enterrados perto do altar e na base de várias árvores. Encontraram ossos de gatos e pássaros, alguns deles com sinais de terem sido mutilados. A descoberta aumentou ainda mais a suspeita de que um cabal de feiticeiros havia capturado a garota e a assassinado em um ritual sangrento.               


Apesar do caráter sigiloso da investigação, não demorou muito até que a imprensa tomasse conhecimento das circunstâncias aviltantes do crime e fizessem a inevitável conexão do caso com elementos clássicos de bruxaria. Equipes de jornalistas seguiram para o local e a imprensa deu enorme destaque para o caso, rapidamente catapultado os acontecimentos para os principais programas de televisão do país. Na cidade não se falava de outra coisa e vizinhos se entreolhavam com uma expressão de suspeita, imaginando quem poderia estar envolvido com seitas diabólicas.

Feitiçaria não era exatamente algo estranho na área de Springfield, que possuía uma longa e fartamente documentada história de incidentes estranhos, muitos dos quais remontando ao período colonial. Entrevistas conduzidas com moradores revelaram que era fato conhecido que algumas pessoas na cidade tinham ligação com ocultismo, adoração ao diabo e que praticavam diferentes modalidades de feitiçaria. Uma cabala de bruxas teria se instalado lá e era sabido que seus membros se encontravam na Reserva Florestal de Watchung onde dançavam nuas ao redor de fogueiras e homenageavam entidades da natureza. Algumas pessoas comentaram que meses antes do assassinato de DePalma ter ocorrido, vários animais mortos foram achados na reserva.

As lendas locais da região incluem várias fábulas sobre bruxas e magia negra. Sendo uma área antiga remontando aos tempos da colônia, Springfield possuía sua parcela de histórias estranhas nascidas num período de enorme superstição. Ainda que as infames caças às bruxas tenham se concentrado na região da Nova Inglaterra, rumores a respeito de congregações de feiticeiras sempre estiveram presentes na história local. Considerada mais tolerante que as colônias de seus vizinhos puritanos, Nova Jersey teria atraído bruxas verdadeiras para seus limites.

Há inclusive uma antiga lenda local que menciona um incidente no qual 13 bruxas teriam sido mortas e enterradas após uma histeria motivada pelo desaparecimento de crianças no final século XVI. O local escolhido para o sepultamento das acusadas teria sido Johnston Drive, uma isolada trilha que antigamente ligava os povoados de Watchung e Scotch Plains. Não há elementos históricos comprovando esse acontecimento, que sem dúvida, dada a sua natureza, deveria ter sido documentado. Muitos historiadores consideram o incidente um boato que ao longo dos séculos se tornou real aos olhos de muitas pessoas.


Ainda assim, rumores como esse ajudaram a sedimentar a crença de que essa região de Nova Jersey, seria o berço de várias tradições de feitiçaria que remontam ao período colonial e que estas teriam ligação com as conhecidas cabalas da Nova Inglaterra que ensejaram a caça às bruxas. 

De fato, feitiçaria sempre esteve intimamente ligada ao povo dessa região em particular. Algumas testemunhas alegavam que rituais de magia negra eram conduzidos nas florestas há séculos e tinham entre seus praticantes pessoas importantes na sociedade local. Por essa razão, as autoridades faziam vista grossa para o que acontecia. Curiosamente, alguns meses antes do crime, um estranho acontecimento teria ocorrido em Springfield, quando vários roubos de livros pertencentes ao acervo da Biblioteca Municipal foram notificados. Dentre as obras que desapareceram das prateleiras estavam vários títulos ligados ao ocultismo, inclusive um raro volume da Enciclopédia do Ocultismo editada no século XVIII.

Uma vez que as investigações avançavam sob segredo de justiça, o público criava suas próprias teorias sobre o que teria acontecido com a garota. Uma das teorias mais populares é que Jeanette DePalma teria se metido com um dos grupos de feiticeiras ativo na região, mas que se arrependeu desse envolvimento e que cogitou abandonar a sociedade após sua iniciação, algo que teria sido visto como um tipo de traição. Desse modo, ela teria sido morta como punição e para prevenir que revelasse segredos ou a identidade dos demais membros da cabala. Para apoiar essa tese, alguns afirmavam que a garota teria manifestado interesse em assuntos relacionados a bruxaria, o que era confirmado por alguns de seus amigos de colégio. 

Outros, no entanto, defendiam que Jeanette simplesmente estava no momento errado no local errado, ou que teria atraído a atenção da cabala que a usou como sacrifício em um dos seus rituais. Embora a garota fosse descrita pelos pais e pelos amigos como dona de um gênio difícil, as pessoas mais próximas afirmavam que ela nunca iria se envolver com o estudo do sobrenatural. Por muitos anos a garota foi uma cristã evangélica devota, presente nos cultos e participativa em várias ações de apoio a drogados e alcóolatras. Os pais diziam que a própria Jeanette havia superado um problema com drogas e que sua recuperação se devia a sua crença no poder divino. Não faria portanto sentido que ela estivesse andando na companhia de bruxos ou satanistas, o que levou outras pessoas a ponderar se ela não estaria tentando regenerar essas pessoas e que elas teriam se voltado contra ela.


Infelizmente, uma série de contratempos, pistas falsas e até mesmo estranhos incidentes se mostraram um forte obstáculo para a descoberta da verdade. Havia muito poucos indícios para a polícia se concentrar e para piorar várias pessoas na cidade pareciam dispostas a dar sua opinião e oferecer sugestões sobre o que poderia ter acontecido. Após algumas semanas a investigação não havia avançado nenhum centímetro na direção da solução. As melhores pistas envolviam informações anônimas obtidas através de telefonemas ou cartas, mas mesmo estas não pareciam ceder informações sólidas para elucidar o caso. 

O único indivíduo a ser conduzido para interrogatório e que por algum tempo foi considerado suspeito foi um vagabundo local chamado Red Kierra. Algumas pessoas já haviam apontado o sujeito como alguém suspeito visto vagando sem destino pela pedreira e que não parecia mentalmente estável. Mas no fim, Kierra tinha um álibi para a época em que o crime havia ocorrido: ele estava preso em outra cidade por vadiagem. Estranhamente, mesmo inocentado da acusação, o vagabundo sumiu sem deixar vestígio. Alguns acreditam que ele possa ter sido vítima de algum grupo de justiceiros.

Sem nenhuma pista na qual pudessem se concentrar ou suspeitos, o caso inevitavelmente começou a esfriar. Quando o assassinato completou 30 anos, a revista Weird NJ lançou uma ampla investigação sobre o caso, tendo contratado detetives e investigadores particulares para avaliar o crime. Mas mesmo esta tentativa esbarrou em obstáculos de todo tipo. Por exemplo, descobriram que em 1990 todos os documentos oficiais e registros sobre o caso se perderam em uma inundação causada pelo Furacão Floyd. Antes porém, documentos importantes, inclusive o laudo da autópsia da vítima havia desaparecido de sua pasta. Na época, algumas pessoas levantaram suspeitas sobre o ocorrido, uma vez que vários arquivos do mesmo período e que eram mantidos no local, sobreviveram sem qualquer dano. Outro rumor bastante bizarro veio à luz quando se soube que os peritos da polícia não haviam feito nenhuma fotografia da cena do crime, um procedimento básico em qualquer investigação de homicídio. Esse rumor não foi confirmado, contudo, nenhuma foto da cena do crime jamais foi divulgada para o público.

Tentativas de entrevistar testemunhas e pessoas consultadas na época da investigação encontraram problemas similares. Décadas antes as pessoas pareciam interessadas em falar, de fato, era difícil controlar o fluxo de informações contraditórias dispensadas. Agora, as mesmas pessoas se negavam a comentar e preferiam se omitir sobre o caso, diziam não lembrar ou afirmavam ter mentido na época. O jornalista responsável pela matéria chegou a cogitar que algumas pessoas estavam temerosas de tocar no assunto, como se nesse período algo tivesse se sobressaído, criando uma sensação perceptível de temor à respeito do caso.  Praticamente todos procurados para falar a respeito demonstraram aquele mesmo desinteresse em cooperar. Aqueles que aceitaram falar a respeito do crime, se limitaram a repetir os mesmos detalhes encontrados nos jornais e pediram para que seus nomes fossem omitidos. O Departamento de Polícia de Springfield por sua vez, foi extremamente frio quanto a fornecer qualquer ajuda para os investigadores que afirmaram ter estranhado a pouca disposição dos policiais em auxiliá-los nos pedidos mais básicos.

A maior parte das novas informações coletadas veio de fontes anônimas enviadas por pessoas que supostamente viviam em Nova Jersey na época dos fatos, mas que haviam se mudado. A maior parte destas informações, no entanto, eram dúbias, vagas e absurdas servindo apenas para expandir ainda mais a aura de estranheza e mistério cercando o crime. Uma das coisas que ficaram claras é que a  maioria das pessoas ainda acreditava que a morte havia sido causada por um culto e que a polícia havia realizado uma investigação desleixada com o intuito de encobrir o nome dos envolvidos. Por isso a quantidade de pistas era tão pequena e por isso evidências haviam sido deliberadamente destruídas. Além disso, o caso parecia ter se tornado um tabu na cidade e na região como um todo.  


O que teria acontecido? Por que toda uma cidade parecia aterrorizada a respeito de falar sobre um crime com mais de 30 anos? Quem poderia ter interesse em ocultar a verdade? E mais importante de tudo, quem teria matado Jeanette DePalma? 

Os fatos bizarros a respeito do crime foram a fonte para incontáveis especulações. A maioria das pessoas acredita que há elementos claros de ocultismo permeando todo o incidente e que o responsável direto pela morte deve ter algum envolvimento com o paranormal. Não faltam teorias, algumas estapafúrdias sobre o culpado: cogita-se que pessoas importantes teriam se envolvido na morte, incuindo figuras nas finanças e na política da cidade. O acobertamento teria sido realizado para preservar o "bom nome" dessas pessoas e livrá-las da punição que deveriam receber. 

Nas últimas décadas, pessoas ligadas a Wicca e outras crenças neo-pagãs vieram à público para negar qualquer envolvimento com aspectos destrutivos ou criminosos, deixando claro que não apenas condenam qualquer tipo de violência como jamais realizariam algo semelhante a rituais de sacrifício humano.

A grande maioria das pessoas ainda acredita que adoradores do demônio podem ter sido os causadores da tragédia e que essa antiga cabala continua agindo nas sombras. Para reforçar ainda mais esse temor, muito se fala a respeito do alto índice de adolescentes e crianças desaparecidas no estado de Nova Jersey, um dos mais altos dos Estados Unidos. Os mais crentes acreditam que uma vasta conspiração de acobertamento se encarrega em desaparecer com pistas e manter as autoridades afastadas. Apenas o acaso revelou a morte de Jeanette DePalma, algo que não aconteceu em dezenas, talvez centenas de outros casos.

Seja qual for a explicação, o assassinato de Jeanette DePalma continua sem solução e tudo indica continuará dessa forma. Não existem documentos, perícias e arquivos e as informações sobre o caso se resumem a material da imprensa e os resultados obtidos pela revista Weird NJ. Os detalhes ao longo dos anos se distorceram de tal maneira que não é mais possível distinguir fatos de rumores, lenda urbana de sensacionalismo. Não há novos indícios que possam ser seguidos, nenhuma evidência, suspeitos, nada... 

Esse bizarro crime com o possível envolvimento de satanismo, feitiçaria e rituais bizarros, permanece tão difícil de ser solucionado quanto no momento em que ele veio à tona mais de 40 anos atrás. Aos poucos parece que a própria lembrança da vítima vai se apagando e se dissipando como se jamais tivesse existido. Se a verdade existe preservada em algum lugar, o tempo para ela aparecer parece estar chegando ao fim.

terça-feira, 28 de abril de 2026

Maldições Japonesas - Sobre Espadas Mortais e Pilares Malditos no Japão


Continuando o artigo sobre coisas malditas e amaldiçoadas no Japão.

As maldições no Japão vão muito além dos jogos, quadros e brinquedos amaldiçoados. E quando se fala nesse tema, um tipo de objeto em particular merece seu próprio capítulo, eu me refiro, obviamente, às famosas espadas amaldiçoadas do folclore japonês. 

Com sua longa história de guerras feudais e guerreiros samurais, a espada, geralmente chamada de katana em japonês, era muito mais do que apenas uma arma; era um objeto sagrado e reverenciado, quase uma ferramenta que permitia um modo de vida. Para os samurais que as empunhavam, suas katanas eram uma extensão de si mesmos, resultado do trabalho meticuloso de mestres ferreiros que elevaram sua arte a tal ponto que a katana japonesa se tornou mundialmente renomada por sua qualidade superior, beleza e letalidade. Considerando essa longa tradição de qualidade suprema, reverência e o quão intrinsecamente ligada à cultura estão, as katanas se tornaram, sem motivos para surpresa a fonte de inúmeros mitos e lendas. Não faltam histórias sobre os acirrados duelos de espadas entre samurais e sobre os ferreiros que trabalhavam arduamente para forjar suas lâminas mortais. Ao buscar no folclore nipônico encontramos relatos de katanas que se tornaram tão conhecidas por seus misteriosos poderes quanto pela maestria de quem as empunhava. 

Entre os maiores e mais lendários ferreiros do Japão, destaca-se Muramasa Sengo, que viveu e exerceu sua arte durante o período Muromachi (séculos XIV e XV d.C.). Tanto Muramasa quanto sua escola de fabricação de espadas eram renomados pela extraordinária qualidade e pelas lâminas afiadas, o que tornava as armas altamente valorizadas e cobiçadas por guerreiros. De fato, Muramasa tornou-se não apenas um dos melhores ferreiros de todos os tempos, mas também ficou famoso por seu temperamento instável e por uma suposta maldição que pairava sobre suas espadas.

Muitos desses rumores tiveram origem na personalidade abrasiva e venenosa do próprio Muramasa. Além de ser obviamente um brilhante ferreiro, também se dizia que ele era insano e propenso a acessos repentinos de fúria violenta, durante os quais atacava qualquer um que tivesse o azar de estar por perto. Essa mente desequilibrada, que oscilava à beira da loucura, combinada com seu perfeccionismo implacável e paixão desenfreada por forjar espadas letais, resultava em uma mistura instável de genialidade, sede de sangue, foco intenso e insanidade, qualidades que, dizia-se, eram transmitidas às katanas que ele forjava. Soma-se a isso o suposto hábito de Muramasa de rezar fervorosamente para quem quisesse ouvir, pedindo que suas espadas se tornassem "grandes destruidoras". Não é por acaso, portanto, que suas armas ganharam uma reputação bastante sinistra, apesar de sua popularidade e alta demanda.

Inúmeras qualidades sombrias e sinistras foram atribuídas à suposta maldição das espadas de Muramasa. Talvez a crença mais persistente fosse a de que as espadas tinham uma certa tendência a possuir seus portadores, levando-os a um estado de fúria e, em algumas versões, concedendo-lhes uma habilidade superior, além de força sobre-humana e resistência à dor e ferimentos. Dizia-se também que as espadas Muramasa tinham sede de sangue e que, se não fossem saciadas pelo sangue derramado do inimigo, se voltariam contra seus donos, forçando-os ao suicídio para aplacá-las. De fato, era comum dizer que, assim que uma lâmina Muramasa era desembainhada, ela exigia sangue antes de ser guardada na bainha, o que significava morte quase certa para o portador se não houvesse ninguém por perto para descarregar a sede de sangue da espada. Mesmo quando não desembainhadas, as espadas às vezes clamavam por libertação ou tentavam compelir seus donos a sair à caça de alguma alma infeliz para assassinar.

Embora inegavelmente poderosas e formidáveis ​​em batalha, essa maldição sombria supostamente tornava as espadas e seus portadores perigosos para todos ao redor. Muitas histórias surgiram sobre espadas Muramasa se voltando contra seus donos, atacando e bebendo o sangue de qualquer um ao seu alcance, incluindo não apenas inimigos, mas também aliados e até mesmo familiares, algo que o portador nada podia fazer para impedir enquanto subjugado pela fúria maligna da espada. Inúmeras histórias descreviam samurais armados com espadas Muramasa atacando amigos queridos, aliados e familiares enquanto assistiam impotentes à sua própria morte. Dizia-se que, em seu estado mais sanguinário e furioso, as espadas mal discriminavam entre amigos e inimigos, usando seus donos meramente como instrumentos para matar. Não era incomum ouvir falar de donos de espadas Muramasa enlouquecendo lentamente à medida que eram corrompidos e subjugados pela vontade demoníaca de suas armas, às vezes cometendo suicídio para escapar da prisão sombria e insana.

Essa sinistra reputação acabou sendo ainda mais difundida quando o Xogunato Tokugawa, o último governo feudal do Japão, foi estabelecido em 1603 pelo xogum Tokugawa Ieyasu, que acreditava firmemente que as espadas Muramasa eram amaldiçoadas e as culpava pela morte de muitos de seus amigos, aliados e parentes. De fato, aparentemente o pai do xogum, Matsudaira Hirotada, e seu avô, Matsudaira Kiyoyasu, foram mortos quando seus vassalos foram tomados por um transe assassino enquanto empunhavam tais espadas. Tokugawa chegou a afirmar que havia sido gravemente ferido por uma katana Muramasa que estava sendo carregada por um de seus guardas samurais enquanto inspecionava suas fileiras. Mais tarde, sua própria esposa e filho adotivo teriam sido executados com uma espada Muramasa. Tudo isso alimentou rumores de que as espadas Muramasa tinham uma espécie de vingança contra a família Tokugawa e que possuíam uma afinidade especial por matar membros de seu clã.

Essa noção tornou-se tão difundida que Ieyasu Tokugawa acabou por banir as katanas Muramasa de seus domínios. Muitas delas foram posteriormente derretidas ou destruídas, mas, como eram tão reverenciadas por sua qualidade excepcional, outras foram escondidas ou tiveram suas características distintivas alteradas ou removidas, mesmo sob severas punições para quem as possuísse, geralmente o suicídio ritual, ou seppuku. Apesar disso, as katanas Muramasa continuaram sua trajetória rumo ao status lendário. Considerando que se acreditava que essas katanas eram capazes de encontrar e matar o xogum e sua família, houve também uma demanda renovada por elas entre os inimigos de Tokugawa, o que levou alguns ferreiros menos habilidosos a forjar réplicas falsificadas para obter lucro. De fato, devido ao número de falsificações produzidas durante essa época, é até hoje difícil determinar com certeza se uma suposta katana Muramasa é autêntica ou não.


Outra espada japonesa supostamente mágica e amaldiçoada é a conhecida como Kusanagi, também chamada de Kusanagi-no-Tsurugi, ou "Espada Cortadora de Grama", ou ainda pelo seu nome original, Ame-no-Murakumo-no-Tsurugi, que significa "Espada das Nuvens que se Reúnem no Céu". Segundo a lenda, um deus das tempestades chamado Susanoo travou uma batalha contra uma serpente maligna de oito cabeças chamada Yamata-no-Orochi, a qual ele acabou derrotando e então começou a cortar cada uma de suas cabeças e caudas. Dentro de uma das caudas da temível besta foi encontrada uma espada fabulosa, que ele chamou de Ame-no-Murakumo-no-Tsurugi e presenteou à deusa do sol Amaterasu. Séculos depois, essa espada passou para as mãos de um guerreiro chamado Yamato Takeru, que a levou para a batalha e descobriu que possuía poderes extraordinários.

Em um episódio, conta-se que Yamato foi emboscado durante uma caçada por um grupo de guerreiros que mataram seu cavalo e incendiaram o campo de capim alto com flechas flamejantes. Pensando que estava condenado a uma morte ardente ele começou a cortar freneticamente o capim em chamas para conter o avanço do fogo. Yamato se surpreendeu ao descobrir que sua espada, a Ame-no-Murakumo-no-Tsurugi, tinha o poder de controlar o vento, direcionando rajadas poderosas para onde quer que ele a golpeasse. Isso lhe permitiu empurrar o fogo na direção de seus inimigos e escapar daquela provação, após o que ele rebatizou sua espada mágica de Kusanagi-no-Tsurugi.

Essa história é muito difundida no folclore japonês e aparece no antigo texto do século VIII, o Kojiki, ou "Registros de Assuntos Antigos", um tomo de mitos históricos, bem como no Nihon Shoki, também chamado de "Crônicas do Japão", um texto do século VIII com registros históricos mais factuais. Embora a Kusanagi-no-Tsurugi, com sua história de origem bizarra e supostos poderes eólicos, pareça ser uma construção puramente mítica, ela é considerada há muito tempo uma espada real. De acordo com o Nihon Shoki, um registro amplamente confiável, essa espada realmente existiu e foi transferida do Palácio Imperial para o Santuário Atsuta em Nagoya, província de Aichi, em 688, porque acreditava-se que ela estivesse amaldiçoada e era culpada pela saúde debilitada do Imperador Tenmu. Apesar dessa nova e sinistra reputação de portadora de doenças, a Kusanagi-no-Tsurugi era considerada um precioso tesouro nacional, uma das Insígnias Imperiais do Japão, e foi guardada em segurança dentro do santuário.

Após a espada chegar ao Santuário Atsuta, ela foi escondida do público, supostamente envolta em uma caixa de madeira com uma pedra incrustada. Supostamente, ela só é exibida em ocasiões muito especiais, como cerimônias de coroação imperial, e mesmo assim permanece protegida por várias camadas de tecido e dentro de sua caixa. A espada é mantida em tanto segredo que pouquíssimas pessoas a viram, e de fato, não se sabe ao certo se ela realmente existe no santuário. Os sacerdotes xintoístas do santuário se recusam a exibi-la, e a maioria deles nunca viu a espada em si, apenas sua caixa.


Diz-se que aqueles que contemplaram a espada sofreram grande infortúnio, como foi o caso do sacerdote xintoísta Matsuoka Masanao e alguns companheiros, que afirmaram tê-la visto furtivamente enquanto recolocavam a caixa da espada durante o período Edo. Embora tenham conseguido descrever que a caixa de madeira continha outra caixa de pedra revestida de ouro, bem como a aparência da própria espada, com uma lâmina em forma de folha de cálamo com cor branca metálica, todos que a viram supostamente adoeceram violentamente e morreram, sendo Matsuoka o único sobrevivente. Esta é a última vez que se tem notícia de que a espada foi vista fora de sua caixa, e mesmo dentro dela raramente é avistada. Aparentemente, a última vez que esta caixa foi vista por alguém foi durante a cerimônia em que o Imperador Akihito ascendeu ao trono imperial em 1989.

Embora o santuário de Atsuta seja o local de repouso mais aceito atualmente para a Kusanagi-no-Tsurugi, sua existência ainda é questionada e existem outras histórias que falam de destinos diferentes para a espada lendária. De acordo com alguns relatos, como um de uma coleção de histórias históricas chamada "O Conto de Heike", a espada se perdeu no mar quando o Imperador cometeu suicídio, atirando-se ao mar com ela nos braços após uma derrota em uma batalha naval em 1185, durante a Batalha de Dan-no-ura. Outra história conta sobre um monge visitante traiçoeiro que roubou a espada e, em seguida, deixou seu navio afundar durante a fuga. Nessa versão dos eventos, a Kusanagi-no-Tsurugi teria sido encontrada em uma praia em Ise, onde foi acolhida por sacerdotes locais e depois desapareceu no desconhecido. Por sua vez, o governo japonês nunca confirmou nem negou nenhuma dessas histórias, nem mesmo se a misteriosa espada realmente existe.

É difícil dizer se alguma dessas espadas realmente possuía os supostos poderes ou maldições que lhes foram atribuídos. Muitas dessas histórias têm um fundo de verdade que se entrelaçou tanto com a lenda e o mito que é difícil separar os dois, e mesmo relatos históricos relativamente confiáveis ​​da época nem sempre são claros sobre o quanto foram influenciados pelo folclore. Ainda assim, esses contos e relatos oferecem um olhar fascinante sobre o mundo das supostas espadas mágicas e a história desses objetos dentro do folclore japonês. Se seus poderes eram reais ou não, nossa fascinação por essas histórias e por sua natureza intrigante e misteriosa certamente existe.

Mas há mais maldições, além das espadas na cultura do Japão. Além de objetos como caixas de quebra-cabeça, pinturas, brinquedos e espadas, algumas coisas amaldiçoadas no Japão estão ligadas a um lugar específico. Localizado nos jardins do Castelo de Himeji, na província de Hyogo, encontra-se um poço octogonal peculiar, cercado por 32 pilares de pedra dispostos em um padrão. Além de sua aparência única, o poço é envolto em lendas assustadoras. 


Diz-se que o poço é a prisão de uma mulher espectral conhecida apenas como "Okiku", presa a ele por uma maldição, e que ela sai do poço todas as noites para vagar pelos jardins do castelo. Existem diferentes histórias sobre como ela chegou lá, mas talvez a mais popular seja a de que ela era uma criada na propriedade de um samurai e que rejeitou suas investidas frequentes. Depois disso, o samurai alegou que lhe faltava um dos 10 valiosos pratos decorativos, e que ela o havia roubado, sendo a pena a morte. A jovem procurou por toda parte o décimo prato, mas não o encontrou. Enquanto isso, o samurai lhe disse que a pouparia se ela se tornasse sua amante. Okiku recusou, e, enfurecido, o samurai a atirou no poço do Castelo de Himeji, matando-a. A maioria das versões diz que o prato foi intencionalmente escondido ou quebrado pelo próprio samurai para manipulá-la, ou pela esposa dele em busca de vingança. De qualquer forma, a alma de Okiku ficou presa ao poço após a morte, buscando para sempre o décimo prato perdido.

Diz-se que Okiku é geralmente inofensiva, mas, em algumas ocasiões, ela se torna sinistra. A versão principal da história conta que, se alguém desagradar Okiku, ou se essa pessoa se parecer com o samurai que a matou ou com sua esposa, ela começará a contar até chegar a nove (o número de pratos), após o que gritará, saltará do poço e aterrorizará a vítima. Se a vítima não deixar o local imediatamente, supostamente sofrerá alguma grande desgraça, acidente ou morte. A única maneira de combater essa versão desequilibrada de Okiku é gritar "Dez!" (referindo-se ao prato que falta e que a colocou nessa situação) no momento exato em que ela estiver contando. Se isso for feito no momento certo, ela a deixará em paz. Além da aparição de Okiku, o poço também supostamente evoca sentimentos de desânimo, pavor e até mesmo terror absoluto em quem se aproxima. Até hoje, o poço está aberto a visitantes, então talvez valha a pena uma visita para conferir pessoalmente e tirar suas próprias conclusões.

Além do poço amaldiçoado, o Japão também possui pilares malditos. Diz-se que, antigamente, uma prática conhecida como hitobashira, literalmente "pilares humanos", era por vezes utilizada na construção de muros, castelos, túneis e pilares. Humanos eram enterrados vivos dentro das estruturas, acreditando-se que isso as tornaria mais resistentes e duráveis, além de criar uma ligação entre humanos e deuses, já que se dizia que divindades podiam ser consagradas dentro de pilares e postes. Outra crença persistente era a de que as almas daqueles que se sacrificavam para serem sepultadas nessas estruturas poderiam servir como espíritos guardiões contra forças sobrenaturais malignas.

Existem inúmeros relatos dessa prática ao longo da história japonesa, e muitas escavações nesses locais revelaram ossos e crânios humanos nas ruínas, frequentemente em pé, o que alimenta ainda mais as lendas. Em Hokkaido, existe o Túnel Jomon, construído em 1914, que passou por reparos após um grande terremoto. Para surpresa das equipes de construção, eles teriam encontrado inúmeros esqueletos em pé dentro das estruturas de concreto. Há muitas histórias semelhantes por todo o Japão, com um grande número de construções que supostamente utilizam esses pilares humanos, e alguns afirmam que, às vezes, os nomes daqueles ali enterrados estão gravados nas construções macabras.

As lendas que cercam esses pilares sempre envolvem sons, ruídos e sussurros que são ouvidos em determinadas noites. Supostamente, são as almas, aprisionadas nos pilares de sustentação chamando e relatando a tragédia de suas existências. Há inúmeras lendas relatando experiências desagradáveis de pessoas entrando em um lugar com tais colunas e sentindo a presença sobrenatural. Em alguns relatos esses espíritos desejam apenas partilhar suas histórias e infortúnios, mas em certas narrativas, as almas aprisionadas podem ser muito mais cruéis, sendo capazes de agarrar e encantar suas vítimas, fazendo com que percam a razão e se tornem obcecadas pelas construções. Em alguns casos, as histórias terminam com o suicídio da pessoa encantada, sempre diante de um desses pilares malditos. 


Algumas dessas histórias assustadoras têm um toque inegavelmente paranormal, como o caso do Castelo de Matsue, do século XVII, na província de Shimane. Segundo a lenda, as estruturas de pedra do castelo eram propensas a desabar, o que levou os construtores a encontrarem uma bela jovem, que eles então atraíram e selaram dentro das muralhas. Infelizmente para eles, diz-se que o espírito vingativo da mulher passou a assombrar o local desde então. O espírito atormentado por essa injustiça seria tão forte que era capaz de causar terremotos e fazer toda estrutura vibrar.

Em outra história semelhante, uma velha foi enganada e transformada em um pilar humano com a promessa de que seu filho se tornaria um samurai em troca. Eles cumpriram o acordo e ela se tornou um pilar do Castelo de Maruoka, na província de Fukui, mas os construtores renegaram a promessa. Isso aparentemente enfureceu o espírito da velha, pois ela supostamente foi responsável por causar inundações frequentes no fosso ao redor do castelo. Embora a existência desses pilares humanos seja tratada principalmente como um mito, a história, sem dúvida é muito curiosa.

Casos como esses mostram que o Japão é realmente um lugar misterioso, com coisas estranhas à espreita na periferia de nosso conhecimento. Coisas sobre as quais podemos apenas especular. Alguma dessas histórias são verdadeiras outras são passam de lendas elaboradas criadas com o propósito de assustar e maravilhar os ouvintes. Seja como for, todas essas lendas contribuem para criar uma bizarra tapeçaria sobre a Terra do Sol Nascente.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Onde o Mal está confinado - Cidades perversas marcadas por uma maldade que não descansa


"Existem recessos escuros em nossa realidade. Fossos negros no espírito humano.
Lugares malditos onde, devido à densidade, à miséria ou à pura perversidade humana, 
o tecido das coisas se desfaz e esse núcleo engole todo o resto."

*     *     *

Há lugares no mundo que se assemelham a buracos negros de negatividade. 

Eles são como fossos profundos que devoram a luz e se alimentam da esperança dos seus habitantes. Eles afetam diretamente todos os que escolhem viver em seus limites provocando uma sucessão de acontecimentos terríveis que não parecem ser obra do acaso.

O conceito não é exatamente novo e a Parapsicologia o reconhece como parte de seu estudo. 

A teoria do Lair of Evil (Covil do Mal em uma tradução livre) tenta explicar o mal que parece permear certos lugares. Para os estudiosos, um Covil do Mal é como um repositório de energia negativa, uma espécie de represa que não deixa essa energia, caracterizada pela dor, depressão, sentimentos violentos, desânimo se dissipar naturalmente. Sentimentos e emoções fortes ficam contidas ali. O pressuposto é que toda essa energia causa uma reação no ambiente, uma repercussão (ou eco) que fica impresso no local. 

A analogia mais corriqueira para explicar a natureza desses lugares é a de uma fatia de pão deixada tempo demais em uma torradeira. A torrada queimada irá criar um cheiro forte e desagradável que se espalha pelo ambiente. Mesmo limpando e arejando o local, o cheiro levará algum tempo para ser eliminado e ficará perceptível para qualquer um que entre posteriormente. Via de regra, o cheiro acaba diminuindo e se dissipando. Mas agora imagine um ambiente totalmente lacrado, sem ventilação e vedado. O odor de queimado não tem para onde ir e permanece suspenso.

Um Covil do Mal na sua definição corrente é uma área delimitada em que episódios traumáticos deixaram uma marca indelével que se mantém ali, confinada. Um covil é como um câncer espiritual elevando a ebulição de quaisquer paixões e sentimentos naquela área. Mais do que sintoma de um mal, ele é uma doença que catalisa energia negativa e a expande.

A maioria das pessoas dirá que já teve a experiência de entrar em um lugar e sentir "um peso". Como se um determinado aposento ou casa tivesse algo que causa uma sensação desagradável. Seja um pressentimento, um arrepio ou um frio repentino. Em maior ou menor escala, esse efeito é percebido por indivíduos com sensibilidade, contudo qualquer um pode ser afetado ao adentrar um lugar onde está represada uma carga negativa latente. Chamamos esses lugares de "carregados", mas termos como "assombrados" e "malignos" também são utilizados para descrevê-los.

Um Covil se desenvolve quando os eventos acumulam suficiente energia negativa para gerar essa ressonância que perdura indefinidamente. A vibração pode ser sentida muito tempo depois das emoções terem desaparecido. Colocado de forma simples, um Covil é o legado daquelas emoções e sentimentos que seguem reverberando.

É claro, nem todos os lugares acometidos pela tragédia humana geram Covis do Mal. Cemitérios, hospitais, asilos, campos de batalha são típicos candidatos, pois evocam sentimentos latentes de medo e sofrimento, mas nem todos eles tem o potencial para se transformar em um Covil. Mesmo um lugar em que gerações de indivíduos sofrem, pode não resultar no surgimento de tal anátema. Nem toda morte brutal ou ato hediondo é forte o bastante para afetar o ambiente, mas sem dúvida esses componentes emocionais estarão presentes quando um Covil se formar. Via de regra, quanto mais potente a emoção negativa, mais poderosa a Erupção que gera o Covil.

Os estudiosos da Parapsicologia postulam que um Covil do Mal geralmente ocupa uma área circunscrita onde geralmente o mal ocorreu. Mas em raros casos, quando os atos são muito poderosos e a repercussão é duradoura, o Covil pode se espalhar por uma área bem mais extensa.   

O Escoadouro do Mal (Sinkhole of Evil) é uma extrapolação do conceito de Covil para espaços muito maiores. Ele não se refere a uma sala ou a uma casa, mas a uma área muito mais ampla. Ele pode ser uma rua, um bairro ou em alguns casos, uma cidade inteira.

O Escoadouro é como uma bacia para onde escorre toda energia negativa e onde esta fica depositada. A reverberação é muito forte e as pessoas sensíveis tendem a senti-la em toda parte. Uma característica dos Escoadouros do Mal é que eles transbordam: se alastram, lançam tentáculos se espalham e crescem. Reclamam novas áreas e se tornam cada vez maiores e mais potentes. Dentro dos seus limites, incidentes de violência, maldade e perversidade tendem a se tornar corriqueiros, multiplicam-se como uma doença, uma epidemia que afeta o ambiente sufocando-o num caos palpável.

Os estudiosos afirmam que o aparecimento de um Escoadouro geralmente está ligado à ocorrência de incidentes traumáticos isolados ou a um único episódio de enorme repercussão. O fato gerador é como um tsunami emocional que varre o lugar mudando sua paisagem. Traumas em grande escala, que afetam muitas pessoas simultaneamente, podem dar causa a sua gênese. O palco de enormes injustiças, misérias, perseguições, massacres e horrores são candidatos ideais ao surgimento de um Escoadouro do Mal. 

Certos incidentes históricos bem documentados como a Revolução Francesa, a Revolução Russa, o Holocausto Nazista, o Levante Kmer e outros episódios marcados pelo medo, violência e insegurança podem gerar Escoadouros, alguns deles registrados por pesquisadores. 

Alguns se dissipam com o tempo, outros não.

Em Nanquim, na porção meridional da China, os estudiosos encontraram um grande Escoadouro do Mal formado por um episódio conhecido como Massacre de Nanquim. Essa tragédia ocorreu entre dezembro de 1937 e janeiro de 1938 e marcou a cidade para sempre. Durante seis semanas a população foi submetida a todo tipo de atrocidade nas mãos do Exército Imperial do JapãoO número total de mortos não pode ser estimado com precisão porque a maioria dos registros militares foram deliberadamente destruídos ou mantidos em segredo, contudo o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente estimou as vítimas em pelo menos 250 mil. Não foram apenas assassinatos que ocorreram em Nanquim: saques, estupros e incêndios foram praticados pelos soldados em uma campanha de terror inenarrável.

Todo esse horror teria gerado reverberações sentidas até os dias atuais. 

Certas áreas de Nanquim são reputadas como assombradas com reverberações ao longo das décadas e com milhares de pessoas afirmando poder sentir e em muitos casos testemunhar cenas de horror se desenrolando diante de seus olhos. Um dos lugares mais notórios é a ponte sobre o rio Taikang que segundo relatos em 1938 foi represado por incontáveis cadáveres arremessados em suas águas. A torrente correu vermelha por vários dias após a atrocidade. Pessoas sensíveis afirmam ouvir o som de gemidos e murmúrios, enquanto outros alegam ver a água do rio correndo vermelha. Não por acaso, a ponte é um ponto habitual de suicídio.

Outro local, o distrito de Pinghu foi onde soldados chineses feitos prisioneiros foram reunidos e executados pelos japoneses. Ele também tem fama de ser maldito. O som de gritos de horror é ouvido frequentemente, um eco impresso no tecido do tempo. Dizem que os japoneses mataram milhares de prisioneiros com espadas e facas nesse local ermo e que o cheiro de morte ainda pode ser sentido. A área foi o epicentro de vários atos de violência nas décadas seguintes, inclusive um tiroteio em 1978 que deixou sete mortos.

[Não vou colocar imagens aqui no artigo, mas há fotografias realmente chocantes que registram o que aconteceu em Nanquin. Um horror que jamais deve ser esquecido!]

Nanquin foi por muitos anos uma das províncias mais violentas da China, até que na década de 1990 a cidade passou por uma reestruturação. Acredita-se que essa mudança teria apaziguado as reverberações reduzindo o poder do Escoadouro ali existente. Ainda assim Nanquim é tida como uma das cidades mais assombradas da China.

Outro lugar que os parapsicólogos acreditam ser uma represa de energias negativas fica no norte do México, em Ciudad Juarez um dos lugares mais violentos do mundo. 

A história de Ciudad Juarez foi manchada de sangue muito antes dela receber seu nome, mesmo antes de se tornar uma cidade. No passado remoto a região já era habitada por tribos que ocupavam a Serra de Samalayuca, tribos estas que viviam em guerra umas contra as outras, atacando-se mutuamente. Arqueólogos encontraram vestígios desses conflitos na forma de restos humanos - homens, mulheres e crianças, mutilados e lançados em valas escavadas. Posteriormente a região se tornou importante para os espanhóis que a colonizaram e a transformaram em um posto avançado para a exploração do território, já que o rio que passa por ali é navegável. Várias expedições de conquistadores partiram de lá voltando carregadas com ouro, prata, pedras preciosas e escravos.

A cidade moldada sobre um forte chamado inicialmente de Passo del Rio do Norte prosperou como um dos assentamentos mais ao norte da colônia hispânica. Eventualmente as injustiças e perseguições aos nativos deram vazão a uma rebelião, a Revolta dos Pueblos que destruiu quase por completo o lugar. Os historiadores afirmam que o levante deixou um saldo de milhares de mortos entre colonos brancos e rebeldes nativos que se massacraram mutualmente. Os colonos foram expulsos, mas não demorou até eles se reorganizarem e voltarem em maior número, mais bem equipados e armados. O retorno atendia a todos requisitos de uma vingança, mas o que se seguiu foi genocídio puro e simples. Os registros históricos mencionam montanhas de corpos decapitados, enterrados nos arredores da cidade. As cabeças foram jogadas no rio, cumprindo um insulto final já que os nativos acreditavam que na cabeça repousava a alma imortal.

Passo del Norte viu ainda mais violência durante a Guerra de Independência que varreu o país como uma tempestade de sangue, morte e  extermínio no ano de 1830. Antes do país se recuperar desse trauma, dissidências internas descambaram para a Guerra contra os Estados Unidos (1846), outro conflito devastador que custou ao México boa parte de suas terras na Alta Califórnia, Texas e Novo México. Batalhas como a de Tesmacalitos ficaram notórias pelo número de vítimas principalmente no lado mexicano. Passo del Norte se tornou uma das cidades mais próximas da Fronteira norte-americana, ganhando fama como refúgio de criminosos e mal feitores que cometiam crimes ao norte e se bandeavam para o sul da fronteira. O lugar era um verdadeiro antro de corrupção, crime desenfreado, miséria, violência gratuita e injustiças que fizeram de Passo del Norte um dos buracos mais temidos do século XIX.

Mas a história de violência ainda não estava terminada. Ainda haveria sangue suficiente para alagar toda região, dessa vez por conta da Guerra Civil Mexicana um conflito cuja carnagem empalideceria todos os anteriores. Passo del Norte se tornou base para o Exército de Porfírio Diaz apoiado pelos Estados Unidos. Lá mercenários treinavam as tropas e ensinavam os princípios da guerra moderna visando esmagar seus opositores. Os instrutores não deixavam nada fora do treinamento, usavam prisioneiros capturados como alvo de tiro, os explodiam com dinamite ou simplesmente ensinavam como matá-los com armas brancas. Foi nessa época que o lugar mudou seu nome para Ciudad Juarez, uma cidade que testemunhou atrocidades e uma infinidade de crimes hediondos. Há décadas Juarez é o lugar mais violento do México. 

A violência é claro, se intensificou com o Narcotráfico que passou a controlar áreas inteiras do país. Ironicamente Ciudad Juarez nunca teve um cartel dominante, mas vários, envolvidos numa guerra permanente. A principal tática usada pelos cartéis é a intimidação. Quando um grupo quer aterrorizar seus rivais a mensagem é tudo menos sutil. Cadáveres aparecem horrivelmente mutilados, torturados e degolados. O choque é uma arma poderosa. Em 1993, os Federales do México encontraram uma casa nos subúrbios com os restos de 22 cadáveres esquartejados com serra elétrica. Em 1996, Juarez assistiu chocada uma disputa territorial que se arrastou por três semanas deixando um saldo de 54 mortos. No meio do fogo cruzado inocentes são feridos e mortos. O medo impera. 

Pode-se imaginar que a violência seja proveniente apenas das disputas entre cartéis, entretanto a coisa é pior. Uma força invisível parece fomentar a violência entre os habitantes comuns. Ciudad Juarez acumula o primeiro lugar na lista das cidades com mais agressão, estupros e homicídios do México. O lugar é tão perigoso que o gabinete de segurança pública já tentou de tudo: de toques de recolher a vigilância do exército. Nada funcionou! A miséria e a falta de perspectiva em Juarez é palpável, e a população se vê sufocada por um ciclo de violência sem fim. 

Assim como Nanquim e outras cidades que foram palco de eventos hediondos, Ciudad Juarez possui uma vasta tradição de relatos sobre fantasmas, espectros e atividade paranormal. Certas áreas de Juarez são tão temidas que caíram no abandono; construções dilapidadas, prédios e depósitos se converteram em ruínas evitadas pela população residente que as trata como assombradas. Nesses lugares as reverberações são quase insuportáveis gerando sons descarnados, áreas de frio extremo, exalando odores de putrefação e até mesmo visões medonhas. A citada casa do massacre foi por muitos anos um dos lugares mais temidos de Juarez, atraindo todo tipo de lenda urbana. Vizinhos partiram, pessoas desistiram de viver ali perto, tudo por conta dos gritos de gelar o sangue ouvidos em plena madrugada.

Que conclusão tiramos de tudo disso?

Será possível que a energia negativa acumulada ao longo da tumultuada história de algumas cidades é capaz de fomentar ainda mais violência? O que seria necessário para acabar com esse círculo vicioso que se retroalimenta indefinidamente com mais e mais terror?

Estudiosos acreditam que eventualmente as energias negativas contidas num Covil ou mesmo em um Escoadouro acabam se dissipando se este parar de ser alimentado. Mesmo lugares que viram as maiores atrocidades imagináveis pelo homem podem ser expurgados com o passar do tempo, mas que esperança existe para aqueles que estão imersos no que parece ser um ciclo interminável de violência e miséria, de dor e tristeza? 

Na continuação deste artigo conheceremos aquele que os estudiosos consideram o maior Escoadouro do Mal do mundo.

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

Medo de Palhaços - O Infame Pânico que varreu a América em 2016


O chamado Pânico de Palhaços de 2016 pode ser rastreado até um bizarro incidente em agosto daquele ano. Palhaços sinistros supostamente foram vistos andando pelos arredores de Greenville, na Carolina do Sul, supostamente atraindo crianças para áreas desertas atrás de blocos de apartamentos. Era  assustador e alarmante  - não importa se era verdade ou mero rumor.

A maioria desses relatos vinham de crianças. Ninguém foi de fato ferido por esses palhaços ameaçadores que segundo algumas crianças viviam em uma casa próxima de um lago no final de uma trilha na floresta próxima. A polícia que investigou essa historia estranha a lá João e Maria não encontrou indícios de atividade criminosa, menos ainda, qualquer suspeito vestido de Palhaço. 

De acordo com uma fonte da emissora NBC na época, "um morador disse que estava na frente do prédio uma tarde quando um de seus filhos foi até ele apavorado, afirmando ter visto palhaços na floresta sussurrando e fazendo sons esquisitos".

O morador acrescentou que dado o estado de nervos da criança, ele achou melhor verificar o que estava acontecendo. Ao entrar na mata se deparou com três ou quatro indivíduos vestindo fantasias de palhaço apontando luzes esverdeadas de laser na sua direção. Quando ele tentou se aproximar o bando fugiu. Se esse relato deve ser levado em conta, sugere que brincalhões seriam os responsáveis- talvez adolescentes usando máscaras para pregar uma peça nos meses anteriores ao Halloween. Seja lá o que fosse, esse foi apenas um dos acontecimentos bizarros envolvendo palhaços sinistros. Logo dezenas de outros relatos surgiam ao redor do pais.

Palhaços começaram a ser visto com frequência cada vez maior: espiando, espreitando, invadindo... o sentimento de Courofobia (o medo crônico de palhaços) foi às alturas. 


A maioria das histórias sobre palhaços malignos não passam de ficção, mas alguns poucos, como o caso do infame assassino em série John Wayne Gacy são horrivelmente reais. Gacy, um cidadão acima de qualquer suspeita de Chicago, se vestia como Pogo uma figura que ganhou notoriedade pela sua imagem aterrorizante. Pogo, um palhaço diabólico, foi a inspiração para o palhaço Pennywise do romance IT de Stephen King.

Mas alguns acreditavam que haviam outros palhaços perversos vagando pelas ruas e parques, perseguindo crianças inocentes e tentando raptá-las - ainda que ninguém tenha sido preso ou processado. Alguns dizem que esses palhaços eram reais, enquanto outros afirmam que eles não passavam de imaginação. Essas figuras ficaram conhecidas como Palhaços Fantasma, uma expressão criada pelo autor Loren Coleman em seu livro "América Misteriosa".

Segundo Coleman, os primeiros relatos de Palhaços Fantasmas remontam a meados de maio de 1981, quando várias crianças da vizinhança de Brookline, Massachusetts, relataram ter encontrado homens vestidos como palhaços que tentaram atrai-los com a promessa de doces. A polícia vasculhou a área mas não encontrou nada. No dia seguinte, pais preocupados de Boston demonstraram preocupação quando seus filhos comentaram a respeito de adultos vestidos de palhaço. Outros relatos vieram à tona em cidades vizinhas nos meses seguintes, sempre com o mesmo padrão. Pais demonstravam preocupação, crianças eram avisadas para não falar com estranhos e policiais ficavam em estado de alerta. Mas a despeito de todo cuidado, nenhuma evidencia foi obtidas.

Apesar disso as pessoas continuavam receosas sem saber o que pensar, sobretudo porque muitas crianças continuavam falando sobre palhaços assediando e observando. Os casos continuaram esporadicamente, sendo que o auge dos relatos ocorreu em 2016, quando uma verdadeira febre de avistamentos varreu os EUA. 

Sociólogos e psicólogos estudaram o fenômeno por anos, tentando compreender o que ele significava. A folclorista Sandy Hobbs e o historiador David Cornwell, escreveram um livro com o título "Inimigos Sobrenaturais - A Presença do Estranho e Inesperado nos quintais da América". O livro dedicava um longo capítulo aos Palhaços Fantasmas e analisava as raízes desse mito, como ele se espalhava e a justificativa para o pânico existente.


Para começar descobriram que o temor e a desconfiança quanto a palhaços era mais antigo do que se podia imaginar. Uma origem possível seriam os Espetáculos Itinerantes (Carnivals ou Carnivales) uma prática bastante comum na América do século XIX e inicio do século XX. Os Carnivales eram companhias de artistas que viajavam pelo país, visitando cidades pequenas no interior, oferecendo diversão e atrações circenses. Dentre as atrações haviam artistas com maquiagem espalhafatosa, que remetiam a vagabundos clássicos da Comedia de l'Arte. Esses personagens, que muitas vezes faziam alusão a ciganos e outras minorias estigmatizadas, ficaram associados a prática de sequestrar crianças e levá-las consigo quando o bando partia.

Esse temor parece ter se cristalizado no imaginário coletivo em várias cidades do interior, com pais e responsáveis incutindo nas crianças a noção equivocada de que palhaços eram estranhos e potencialmente perigosos. Soma-se a isso as famílias que ameaçavam seus filhos dizendo que se eles não se comportassem, os palhaços as levariam embora. Os espetáculos itinerantes tiveram seu auge na década de 1930 durante a Grande Depressão e sem dúvida contribuíram para o medo dos palhaços vagabundos que foi passado de geração em geração. 

A pesquisa concluiu que o ressurgimento do Pânico dos Palhaços se deu por uma combinação da ação dos pais, da polícia e da mídia, cada qual ajudando a legitimizar rumores absurdos e infundados. Crianças mais velhas ouviam essas histórias e as repassavam aos mais jovens. Lendas Urbanas vinham à superfície depois de ficarem adormecidas por décadas. Dentro das narrativas surgiam o nome de crianças sequestradas e detalhes sobre casos ocorridos no passado: todos "ouviam falar e acrescentavam mais um pequeno fragmentos à narrativa, fazendo com que ela crescesse. Quando professores, autoridades, pais e os jornais compartilhavam alerta sobre uma ameaça, os relatos acabavam ganhavam legitimidade.

Em seu livro "Terrores Inesperados", lançado em 2024, Robert Bartholomew e Paul Weatherhead também examinam essa Lenda Urbana. Os casos geralmente estão associados com uma epidemia de rumores sensacionalistas e o relato de avistamento de figuras elusivas vestidas como palhaços. Além de causar estranheza, esses personagens pareciam surgir e desaparecer sem deixar vestígios, criando uma sensação de grande estranheza.


O Pânico de Palhaços se encaixa perfeitamente na categoria dos temores diante do desconhecido. As pessoas não sabem o que significa o aparecimento de pessoas vestidas de palhaço. Diante do inusitado, concluem que é algo perigoso e maligno. Afinal, a pergunta: "O que eles querem"? não tinha resposta fácil.  

Ao longo do último Pânico dos Palhaços não houve qualquer caso confirmado de criança subtraída por alguém vestido dessa forma. No entanto, se for perguntado, muitas pessoas dirão conhecer casos e irão confirmar incidentes. Isso sugere um tipo de construção social ou mesmo histeria coletiva. Se os casos aconteceram como muitos acreditam, como nenhum deles chegou à polícia? Como explicar que nenhum suspeito foi preso e praticamente nenhum caso resultou em confirmação de ocorrência?

Observado de forma objetiva é difícil acreditar que uma pessoa vestida de palhaço poderia invadir uma casa para cometer um sequestro sem que ninguém percebesse. Palhaços com suas roupas espalhafatosas e maquiagem gritante são qualquer coisa, menos discretos. 

Buscando um pouco mais fundo nos relatórios feitos pela policia de Greenville, é possível encontrar relatórios curiosos; um deles, preenchido em 21 de agosto menciona que "várias crianças da comunidade viram palhaços perambulando pela área florestal próxima do prédio D, e que estes palhaços tentaram persuadir menores a adentrar na floresta, oferecendo em troca brinquedos, doces e até dinheiro".

Este é um detalhe insidioso. Palhaços usando de métodos maliciosos para atrair crianças, oferecendo doces ou sorvetes. Essa narrativa parece um típico exemplo de lenda urbana e moral moderna, aquela mesma que adverte crianças a jamais aceitar doces de estranhos. 


Os relatos sobre palhaços em Greenville provavelmente não passaram de brincadeira, equívocos, lenda urbana ou uma combinação dessas três coisas. As chances de uma ou mais pessoas vestidas de palhaço estarem realmente tentando sequestrar crianças são remotas. Muitas pessoas perceberam isso, mas pais e policiais, compreensivelmente manifestaram seus temores. Com efeito, vídeos se tornaram virais, muitos deles originados (ou compartilhados) nas redes sociais, resultaram no aumento de patrulhas policiais e, em alguns casos, lockdowns completos. 

Em setembro de 2016, a polícia de Flomaton, Alabama, investigou o que foram consideradas ameaças críveis aos alunos da escola local. Mensagens ameaçadoras apareceram nos muros da cidade: "Vai acontecer hoje à noite", prometia uma delas. Cerca de 700 alunos da Flomaton High School e da vizinha Flomaton Elementary School foram instruídos a se abrigarem enquanto as escolas, seguindo o protocolo, foram colocadas em lockdown durante grande parte do dia. Dezenas de policiais e outros agentes da lei vasculharam o local em busca de ameaças. As investigações atraíram até mesmo o FBI que encontrou os responsáveis pela ameaça: um adulto e dois adolescentes foram presos e condenados pela brincadeira sem graça. 

Esses incidentes deixaram pais e professores se perguntando se os "Lockdowns de Palhaços" seriam o novo normal ou se aquilo não passava de exagero? Em outra ameaça escolar também no Alabama, duas pessoas vestidas de palhaço apareceram em um vídeo no Facebook brandindo facas e gritando: "Vamos atrás de você em Troy". A polícia identificou os dois indivíduos no vídeo, que já havia sido visto mais de 50.000 vezes. Eles eram estudantes locais de uma Escola na cidade de Troy. A polícia não indiciou os dois meninos, mas alertou outros potenciais imitadores de que tais brincadeiras não seriam toleradas.

Os boatos podem, é claro, ter consequências graves.

Embora as crianças tenham pouco a temer de palhaços, a lenda urbana pode representar um perigo real. Nos relatórios de Greenville, cidadãos alarmados dispararam armas de fogo na esperança de matar os palhaços à espreita na floresta. Felizmente, ninguém se feriu, mas a situação poderia ter se tornado fatal. Em meio aos boatos e sustos, uma menina de onze anos na Geórgia levou uma faca para a escola por ter medo dos palhaços. Outra criança, um menino de 11 anos, foi detido em Athens, após uma revista descobrir uma pistola 45 em sua mochila. Ele disse que pegou a arma do pai para se defender dos palhaços. 


Em meados de outubro, o Pânico dos Palhaços assustadores se espalhou por todo o país, chegando a dezenas de estados. O incidente tornou-se tão sério que foi abordado em um briefing na Casa Branca em 4 de outubro. O secretário de imprensa Josh Earnest disse: "Não sei se o presidente foi informado sobre esta situação específica... Obviamente, esta é uma situação que as autoridades policiais locais levam muito a sério, e elas devem analisar minuciosamente as ameaças à segurança da comunidade, e agir da maneira mais adequada."

Além dos vídeos, muitos dos relatos foram reconhecidos como invenção. Um homem na Carolina do Norte alegou falsamente que um palhaço havia batido em sua janela à noite, ele foi preso por forjar o incidente. Já uma mulher de Ohio alegou que um palhaço com uma faca a atacou a caminho do trabalho e cortou sua mão, mas depois admitiu que inventou a história.

Também havia pessoas se fantasiando de palhaços para assustar os outros. Dois adolescentes canadenses vestidos de palhaços se divertiram em um parque assustando crianças. Em Wisconsin, um homem vestido de palhaço foi visto repetidas vezes. Posteriormente se descobriu que ele era parte de uma campanha de marketing para um filme de terror. Um ano antes, um palhaço assustador foi avistado do lado de fora de um cemitério de Chicago.

Em qualquer outro momento da história, relatos de palhaços ameaçadores provavelmente teriam sido ignorados, mas esses incidentes ocorreram em um momento em que ameaças terroristas e tiroteios em escolas estavam nos noticiários. O medo se molda e se transforma para admitir novas faces.
 
Pânicos sociais infelizmente são algo comum no mundo moderno. O Pânico dos Palhaços de 2016 não foi o primeiro desse tipo e certamente não será o último. Quando o próximo evento acontecer — e acontecerá — é importante ter em mente que a melhor defesa contra o temor diante do desconhecido é o ceticismo e o pensamento crítico.