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segunda-feira, 18 de maio de 2026

Na Calada da Noite - Encontros apavorantes com o misterioso Rastejante Cinzento


Entre os muitos encontros estranhos no mundo do paranormal, existem aqueles que se destacam por sua singularidade. São casos que pairam além da nossa capacidade de classificá-los ou nomeá-los. Seriam fantasmas, animais misteriosos, extraterrestres ou o quê? Não há respostas claras nesses relatos, que permanecem à margem do paranormal. Entre esses relatos bizarros, encontramos histórias de seres magros e pálidos, frequentemente curvados, andando agachados ou rastejando como se saíssem de um pesadelo. Essas coisas medonhas ficaram conhecidas coletivamente como "Rastejantes Cinzentos" e são tão assustadores quanto se pode imaginar. Aqui, analisaremos uma seleção de relatos dessas entidades enigmáticas e insondáveis.

Começaremos com uma seleção de encontros dos arquivos do pesquisador paranormal Albert S. Rosales que dedicou boa parte de sua carreira como investigador a buscar relatos sobre a coisa que ele passou a chamar de Rastejador Cinzento. Rosales, um repórter investigativo com trinta anos de serviço e um currículo invejável possui um extenso arquivo com mais de 100 relatos de pessoas que tiveram experiências com essa entidade. Segundo ele, essas criaturas pertencem a uma espécie de criptídeo desconhecida, vista com mais frequência no norte dos Estados Unidos perto da fronteira com o Canadá. Os casos foram registrados desde os anos 1970, mas tudo indica que avistamentos são reportados muito antes disso.

Vamos começar com um caso especialmente estranho ocorrido no outono de 1978. Uma testemunha chamada Tim McConnaugh estava em um evento da igreja com seus pais em Clearville, Pensilvânia, quando se afastou para perto do cemitério da igreja à noite. Enquanto estava naquele lugar escuro e sepulcral, ouviu alguns ruídos vindos de um dos antigos pinheiros que circundavam a área arborizada e, ao olhar para cima, viu olhos demoníacos brilhando para ele na escuridão. Enquanto observava, chocado, uma criatura saltou do alto da árvore e caiu no chão, olhando para ele por uma fração de segundo antes de fugir em disparada pelo campo. Tim conseguia vê-la claramente naquele momento, descrevendo-a como tendo cerca de 2,1 metros de altura, extremamente magra, com uma cabeça grande e bulbosa. Os olhos enormes brilhavam refletindo como os de gatos e suas pernas estavam dobradas para trás em um "ângulo acentuado em relação ao corpo". Tim ficou paralisado de medo diante daquela monstruosidade sobrenatural, mas em um instante a criatura desapareceu e o pavor se dissipou. Ele contaria para sua família, mas ninguém acreditaria nele. O que ele teria visto, afinal de contas?
 
Na primavera de 1983, um estudante do último ano do ensino médio chamado Robert Bruster voltava do trabalho para casa em Piton, Maine, quando fez uma curva na estrada e viu algo magro e cinza sob os faróis andando no acostamento. A pele da criatura era aparentemente lisa e brilhante, sem pelos visíveis e sem roupas, e seus olhos eram de um amarelo intenso. A testemunha a descreveria como "branca e reluzente". Ela teria olhado para ele por um instante antes de pular para um barranco do outro lado. A testemunha disse que era algo que nunca tinha visto antes. 


Em maio de 1986, uma testemunha não identificada estava passeando com seu cachorro em Sorrento, Colúmbia Britânica, Canadá, quando notou um "brilho laranja/vermelho" à frente, no final da estrada. Ao se aproximar, conseguiu ver uma clareira banhada por uma luz que não parecia vir de lugar algum. Em seguida afirmou ter visto uma figura pálida que parecia estar rastejando sob essa luz. A criatura parecia não ter cabelos, sua pele possuía coloração cinza e ela era muito magra, quase esquelética. Disse ainda que ela "parecia estar de joelhos e cotovelos no chão, movendo-se como se arrastando. A cabeça estava abaixo dos braços dobrados, o que era muito estranho".
 
Em 1992, Rosales também relatou um caso interessante e bizarro na região de Troy, Pensilvânia. Um homem chamado Victor Sayles e sua namorada, Amanda Bayers estavam dirigindo por uma estrada rural quando viram um movimento próximo à beira da estrada. Inicialmente, pensaram que a figura fosse um homem nu rastejando pelo chão, o que já era bastante estranho, mas, à medida que se aproximavam, perceberam que era algo ainda mais bizarro. O relatório de Rosales diz:

"O motorista parou a cerca de 9 metros de distância com as luzes concentradas diretamente sobre a figura incomum. Logo perceberam que não se tratava de uma pessoa, mas sim de uma criatura que rastejava rente ao chão. Enquanto observavam, a criatura assumiu uma posição de agachamento, com as costas completamente retas, algo semelhante à postura de um canguru. Os braços da criatura estavam firmemente presos ao corpo e eram longos e finos. Eles pareciam terminar em longas garras, semelhantes às de uma águia. Estimou-se que as garras tivessem entre 20 e 25 centímetros de comprimento. A criatura tinha um corpo delgado. A cabeça da besta tinha uma forma oval, sem orelhas ou nariz, limitando-se estes a buracos escuros. Os olhos também eram pequenos e pretos, brilhando de forma tênue refletindo a luz do farol. Sua boca no entanto era longa e rasgada de uma ponta a outra doa face. Segundo as testemunhas, a criatura inteira era cinza, enrugada e destituída de pelos."

Eles conseguiram ver a criatura claramente o que lhe permitiu verificar esses detalhes. Ela ficou agachada pelo tempo todo, deveria ter cerca de 1,20 metro de altura. Enquanto o casal observava, perplexo, a criatura começou a se esticar. O homem disse que, nesse instante, ela se levantou sobre as patas traseiras, ao mesmo tempo em que se apoiava nos braços. O motorista disse ainda que, nessa posição semiereta, a criatura parecia ter entre 1,8 e 2,1 metros de altura.  Ela então virou a cabeça para a direita e olhou na direção do veículo. O motorista disse que ela olhou diretamente para eles e a viu respirar fundo. Ele teve a sensação de que a criatura estava perdida ou confusa e que, quando percebeu a presença deles ali, reagiu com preocupação. Inclinou-se então para trás e estendeu as garras para a frente. A criatura então deu um salto tremendo, ultrapassou um barranco de dois metros e desapareceu de vista em uma área arborizada. Os dois estimaram que o salto teve cerca de doze metros de comprimento. Enquanto saltava, estava perfeitamente reta e mantinha os braços dianteiros estendidas para a frente.

O motorista salientou: "Sua forma era completamente diferente de quando estava agachada". A mulher afirmou que ela "assumiu outra forma". Ela achou que era marrom-escura e que poderia ser algo alienígena. Ela estimou que, quando saltou para a mata, a criatura tinha cerca de 2 metros de altura. Após a experiência, o homem pesquisou na internet para tentar descobrir o que tinha visto e disse ao investigador que a descrição mais próxima que conseguia encontrar seria a de uma gárgula sem asas. O homem comentou em seu depoimento a Rosales: "Nunca me esquecerei do que vimos naquela noite, foi apavorante."


Mas estes não são os únicos testemunhos à respeito dessa coisa estranha.

Em 1996, Jansen Willard dirigia para a casa de seu pai por uma estrada deserta na Pensilvânia cercada por bosques densos e escuros, pontilhados por casas abandonadas e campos agrícolas sem uso. Em determinado momento, a testemunha parou para urinar, e foi aí que as coisas ficaram estranhas. Enquanto fazia suas necessidades, Willard foi repentinamente tomado por uma sensação de pavor. O restante do relato diz:

"Ele terminou rapidamente e, impulsionado pela súbita sensação de pânico, correu de volta para sua caminhonete, entrou e trancou as portas. Acendeu os faróis e deu partida no motor com tanta força que era possível ouvir as engrenagens rangendo. Assim que começou a voltar para a estrada, saindo do acostamento, seus faróis iluminaram a vala e captaram algo do outro lado da estrada, a cerca de trinta centímetros do asfalto. Seu estômago revirou imediatamente.

Havia algo rastejando para fora da vala, de quatro. Estava agachado como um animal, mas seu corpo parecia quase humano, embora não fosse exatamente humano. Não tinha cabelos e sua cor era uniforme, um tom cinza amarelado. Sua cabeça grande tinha formato oval, mas não possuía orelhas ou nariz visíveis. A boca era muito, muito larga e parecia uma linha fina e reta que se estendia por todo o rosto da criatura. Era ligeiramente curvada para cima nas bordas, como um leve sorriso. Os olhos eram muito pequenos e brilhantes. 

Como estava a cerca de dois metros de distância, tinha certeza de que não era apenas uma pessoa usando uma máscara. O corpo nu e enrugado parecia um tanto "estranho", mas ele não conseguia identificar o porquê. Não conseguia ver pés nem mãos, pois havia cerca de trinta centímetros de grama na beira da estrada. Seja lá o que fosse, tinha o tamanho de um adolescente. Assim que os faróis o iluminaram, ele percebeu, pelos movimentos, que a criatura estava subindo lentamente a vala em direção à estrada e, quando a luz a atingiu, ela recuou um pouco, como se tivesse se surpreendido ao ser descoberta. A testemunha então pisou fundo no acelerador e correu para a casa do pai, onde passou a noite em claro.

A parte da experiência que mais a assustava era que a coisa estava definitivamente subindo aquela vala para alcançá-lo enquanto ele estava de costas. "Se eu não tivesse sido alertado por aquela sensação estranha de pânico, ela iria me pegar pelas costas".


Outro relato vem de uma testemunha do Canadá chamado Charles Oder, que em 1999 descreveu para Rosales uma experiência semelhante. A testemunha diz que estava voltando para casa quando ouviu os cachorros da vizinhança latindo loucamente. Oder achou estranho, mas continuou caminhando normalmente até que as coisas ficaram bizarras. Ele contou o seguinte:

"O que eu vi quando virei a esquina fez meu coração parar. Congelei por um segundo ao ver algo se arrastando pela rua muito rápido. Havia apenas um poste de luz que iluminava sua figura. Era cinza e muito magro, seu corpo era esguio como o de um cadáver e desproporcional. Muito alto. Ele se arrastava rente ao chão, a barriga para cima e as pernas em um ângulo que não fazia sentido com joelhos dobrados e apoiado nas mãos. Estava se aproximando e foi quando gritei e corri o mais rápido que pude, quase escorregando. Quando cheguei em casa e senti que havia escapado a descarga de adrenalina foi tamanha que comecei a chorar sem parar.

Na minha cabeça, pensei que aquela coisa queria me pegar. Moro perto da mata, então provavelmente foi dali que ela veio. Não saí à noite por um tempo e ficava assustado quando passava naquele trecho pois foi uma experiência traumatizante. Não sou de inventar coisas desse tipo, meus amigos ficaram surpresos com meu ataque de histeria. Espero nunca mais ver aquela coisa." 

Há muitas histórias de avistamentos dessas criaturas em reservas indígenas ao longo dos anos. De fato, os mitos indígenas mencionam uma criatura semelhante ao Rastejante Cinzento em suas tradições milenares. Conforme o folclore dos povos Objwa e Metis que habitam a região compreendendo os Grandes Lagos e a Colúmbia Britânica, esses seres fazem parte de uma raça de habitantes primordiais que antecedem as tribos locais. Embora haja pequenas diferenças culturais eles sempre são retratados como seres desprezíveis e cruéis.

Os Algonquin chamam essas entidades de Pukwudgies e os descrevem como criaturas maiores que um homem que se movem furtivamente, arrastando-se pelo chão com as grandes pernas dobradas e os braços compridos sendo usados como apoio. Os Pukwudgies são maliciosos e perversos, gostando de capturar crianças que são então transformadas em seus servos ou escravos. A criatura tende a criar seu cativo tratando-o com crueldade, impondo castigos severos e ameaçando de que qualquer tentativa de fuga será punida com surras, tortura e até, em alguns casos, a amputação de um membro. Quando a criança cresce e se torna adolescente, o monstro a liberta uma vez que prefere criados que possa controlar. Em alguns casos, se ele captar um desejo de vingança, ele pode matar seu servo e substituí-lo por outro mais fácil de amedrontar.

Uma lenda similar existe entre os povos da Tribo Wabanaki que conhecem o Rastejante Cinzento como Skadegamutc um tipo de espírito que possui seu escolhido e a transforma em uma criatura magra e enrugada que anda rastejando pelo chão, acocorada e com as mãos servindo de apoio quando corre. Segundo a lenda essa criatura era um xamã que realizou algum tipo de feitiçaria proibida e que acabou sendo punida pelos seus atos reprováveis. O Skadegamutc vive apenas para espalhar o caos, recorrendo a truques e dissimulação para atrair as pessoas e capturá-las. 

Finalmente os Metis que habitam vastas áreas do Canadá Meridional conhecem o Rastejante Cinzento como o Stikini, o homem cinzento que tem olhos pretos cheios de maldade, uma boca repleta de dentes afiados e disposição para o canibalismo. O Stikini vive em túneis estreitos e de difícil acesso que apenas eles com seu corpo maleável conseguem adentrar. Seus ossos são flexíveis e podem se curvar e dobrar de uma maneira não natural permitindo que se escondam em lugares apertados como troncos de árvores e espaços sob pedras. Essa abominação adora devorar mulheres e crianças que eles conseguem agarrar e levar até seus esconderijos afastados. O covil desse monstro está sempre repleto de ossadas roídas e de cabelos que ele regurgita por não conseguir digerir.   


As antigas lendas de nativos americanos parecem se encaixar perfeitamente nos relatos bizarros sobre criaturas cinzentas e esqueléticas, criando um dos criptídeos mais populares da região fronteiriça entre os Estados Unidos e Canadá. De fato, o Rastejante Cinzento é uma lenda local que só perde em popularidade para a do Pé Grande ou Sasquatch. Soma-se a isso o número considerável de desaparecimentos aleatórios de pessoas ao longo dos anos nas florestas e bosques canadenses e temos uma lenda constantemente renovada através de relatos bizarros e assustadores.

Em 2005, uma câmera automática instalada por guardas florestais na Floresta de Alberta Falls no Canadá registro algo estranho e que causou sensação nas redes sociais. A fotografia de uma criatura magra e estranha, claramente não humana dividiu a opinião pública com muitos afirmando se tratar de uma montagem muito bem feita ou de alguém usando uma fantasia convincente. A imagem foi bastante debatida e para alguns ela é a prova incontestável da existência do Rastejante Cinzento. A imagem em questão está no alto dessa postagem, julgue por você mesmo.  

Mas no final das contas, o que estaria por trás dessas narrativas terríveis sobre um monstro sobrenatural espreitando nas matas de coníferas? 

Esses relatos parecem estar além de qualquer classificação. As teorias variam enormemente aceitando diferentes hipóteses  desde algum tipo de criptídeo, passando por fantasmas, intrusos interdimensionais e é claro, seres alienígenas. Mas o que seriam essas coisas se é que elas realmente existem? Obviamente, os casos parecem ir muito além dos relatos incomuns, deixando-nos com a reflexão sobre o que poderia estar acontecendo nessa região. Sejam quais forem as respostas, os Rastejantes Cinzentos são algo que ninguém gostaria de encontrar numa estrada escura à noite cruzando o caminho dos faróis de seu carro.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

E ainda Mais Lugares Malditos e Malignos na Austrália - A Lenda da Piscina do Diabo e seu Fantasma Assassino

 

Seguindo adiante pela Bruce Highway, 60 km ao sul de Cairns, no norte de Queensland, três riachos descem do topo do Monte Bartle Frere, serpenteiam por uma floresta tropical intocada e convergem entre grandes rochas perto de uma cidadezinha discreta chamada Babinda. O que ficou conhecido como Rochas de Babinda é famoso pelas águas cristalinas e convidativas dos riachos e pela beleza natural idílica e pitoresca que o cerca, o que atrai multidões de turistas todos os anos. Mas nem tudo é o que parece... 

O que muitos fotógrafos, campistas e viajantes que frequentam este local tranquilo, assim como os nadadores que se aventuram nas partes mais calmas da piscina natural, não sabem é que o lugar também é conhecido por outro apelido, muito mais sinistro: "Piscina do Diabo". Temido pelos aborígenes da região há séculos, talvez com razão, este é um lugar há muito tempo associado à morte, presságios e uma reputação sombria.

Os povos nativos da região evitam o lago de aparência enganosamente tranquila, por conta de uma lenda aborígine particularmente trágica. Segundo a sombria história, havia uma jovem e bela mulher da tribo Yidinji chamada Oolana, que se casou com um respeitado ancião tribal chamado Waroonoo. Quando conheceu um jovem bonito de outra tribo, ela iniciou um caso tórrido, fugindo para o deserto com seu novo amante. Infelizmente para ela, o marido traído era um homem poderoso dentro de sua tribo e enviou grupos de busca para caçar o casal e pôr fim ao seu caso extraconjugal. Quando finalmente foram cercados e separados nas Rochas de Babinda, diz-se que Oolana se jogou na água e se afogou em vez de enfrentar uma vida triste sem seu verdadeiro amor. De acordo com os contos aborígenes, ela nunca realmente partiu e ainda ronda essas águas, buscando atrair jovens para seu túmulo aquático.


Essa lenda tornou-se notória porque, ao longo dos anos, um grande número de jovens encontrou a morte misteriosamente neste local. Desde 1959, pelo menos 17 pessoas, e ainda mais em antigos recortes de jornais, se afogaram ali em circunstâncias decididamente estranhas. Em muitos casos, as vítimas são puxadas e submersas com força, como que por mãos invisíveis. Diz-se que o local é particularmente agressivo com homens e com aqueles que desrespeitam a piscina de alguma forma. 

Em uma história, um jovem que visitava a área escorregou, caiu em uma piscina profunda e se afogou em poucos minutos. Outras mortes misteriosas aqui não são tão claras, como a de Peter McGann, de 24 anos, que em 1979 estava escalando uma rocha, pulou um pequeno vão e escorregou, caindo na água abaixo e simplesmente desaparecendo sem deixar vestígios. Foram necessárias mais de cinco semanas de equipes de mergulhadores para finalmente encontrar seu corpo submerso na escuridão do fundo da piscina. Um dos socorristas que ajudou nas buscas, o mergulhador da polícia Peter Tibbs, descreveu a cena da seguinte forma:

“Fui chamado quatro vezes para tentar encontrar corpos lá embaixo, mas um dos casos mais interessantes foi o de um jovem chamado Patrick McGann. Sabíamos que ele estava lá, mas não conseguíamos chegar até o corpo porque a água era muito fria, muito profunda e a correnteza muito forte. Então, descemos oito ou dez vezes e, finalmente, conseguimos cortar os troncos que bloqueavam o caminho debaixo d'água. No último dia, depois de quase termos desistido, cortamos o último tronco que estava na calha e o corpo flutuou livremente. Isso aconteceu cinco semanas e cinco dias depois do seu desaparecimento, então não foi uma cena bonita, mas foi um grande alívio retirar o corpo e tranquilizar a família.”

Houve também o caso de um jovem casal que foi arrastado por uma enchente repentina no local enquanto admiravam a vista. Os dois foram lançados por uma enxurrada repentina na piscina e imediatamente afundaram em suas águas, como se uma força exercesse pressão sobre ambos. A mulher sobreviveu, mas o homem nunca mais foi visto. 


Talvez o relato mais recente e dramático de uma morte misteriosa na Piscina do Diabo seja o de James Bennett, um marinheiro da Tasmânia de 23 anos, que estava explorando a área com alguns amigos em 2010. O grupo pulou uma grade de segurança para sentar em uma piscina natural de água, conhecida localmente como "Máquina de Lavar". Segundo um dos amigos de James, ele estava nadando em uma área calma próxima quando foi violentamente puxado para trás, como se por "uma mão invisível", que parecia arrastá-lo de volta para uma seção de água agitada no fundo da piscina. James então teria tentado agarrar um galho, que se partiu, fazendo com que sua cabeça submergisse. Ele ficou ali, suspenso na água, sem motivo aparente, com apenas as pontas dos dedos para fora da superfície, lutando para respirar.

Ele permaneceu assim enquanto seus amigos tentavam alcançá-lo, estendendo as pernas, antes de afundar novamente. O corpo de James Bennett só foi encontrado três dias depois, boiando em um trecho mais calmo do riacho. A maior parte da área agora está interditada, embora o local convidativo continue atraindo visitantes. Uma placa foi erguida em sua homenagem, com a sinistra inscrição: 

"Ele veio para uma visita e ficou para sempre". 

Incidentes trágicos como esse são tão frequentes que, ao longo dos anos, foram instaladas diversas grades e placas de advertência para indicar os locais seguros para nadar. O motivo pelo qual tantas pessoas se afogam repentinamente nas piscinas naturais, em sua maioria calmas, varia bastante de pessoa para pessoa. As autoridades dirão que tudo se deve à correnteza forte, enchentes repentinas ou correntes descontroladas provocadas pelo curso natural do riacho e pelas pedras que o pontilham. Isso, por sua vez, pode puxar as pessoas para baixo e prendê-las contra as rochas ou sob troncos submersos, afogando-as de uma forma que poderia muito bem ser testemunhada como uma espécie de força misteriosa e invisível. A alta oxigenação da água também não favorece os nadadores, e tudo isso torna as condições nas áreas interditadas difíceis de navegar até mesmo para os nadadores mais experientes. De fato, até mesmo os mergulhadores que entraram na piscina para procurar corpos se depararam com condições aquáticas assustadoras em alguns momentos, apesar de geralmente estarem firmemente presos à margem por cordas. Um funcionário local comentou sobre os perigos da piscina:

É um lugar estranho. As águas são calmas, mas de repente começam a se agitar e girar sem parar. É toda cheia de bolhas, então não há flutuabilidade. É uma água perigosa. Ela te suga para baixo. Sempre se vê gente nadando nos buracos perigosos. O mais estranho é que a água fica gelada de repente... num instante ela tem uma temperatura normal, mas no seguinte fica congelante.


No entanto, muitos apontam para o fato de que nem todas essas mortes foram resultado de natação, com algumas pessoas escorregando e caindo na água sem motivo aparente, e quase todas eram homens, 16 de 17 no total, para ser exato. Indivíduos que sofreram acidentes não fatais contaram que sentiram uma força que os empurrou na água e em seguida tentou avidamente puxá-los para baixo. Essa força não pode ser descrita como nada a não ser sobrenatural em essência. 

Alguns consideram essa uma evidência de que talvez as lendas aborígenes sobre a piscina sejam verdadeiras, pelo menos em parte, e o mistério só aumenta com os diversos relatos de uma voz feminina incorpórea ecoando na noite e até mesmo fotos que supostamente mostram olhos fantasmagóricos, rostos e outras imagens inexplicáveis ​​espreitando sob a água. Muitos dos indivíduos que conseguiram sobreviver à traumática experiência descreveram uma forma feminina na água enquanto eles se afogavam: uma forma que os forçava a afundar e que desejava matá-los. Jeriome Boldricce, de 23 anos sofreu um acidente quase fatal na piscina em 2016 e descreveu o acontecimento da seguinte maneira:

"Eu sei o que muitas pessoas vão dizer: "foi tudo imaginação" ou "ele estava lutando pela vida, deve ter se confundido", mas eu sei o que aconteceu. Eu não cai na água, eu fui empurrado! Senti mãos humanas me empurrando e quando caí na água, sabia que não estava sozinho. Havia algo comigo, algo responsável pela minha queda e que queria me matar. Eu senti os dedos frios me puxando e um peso forçando para baixo. Senti que uma forma invisível fez de tudo para que eu não conseguisse sair daquela piscina natural. Tive sorte pois meus colegas atiraram uma corda e me puxaram para fora. Quando me retiraram da água eu estava quase congelado e haviam marcar arroxeadas nas minhas costas, nos ombros e nos calcanhares, exatamente onde senti estar sendo puxado. Tive hipotermia e cãimbras que me acompanham até hoje e sonho recorrentemente com aquilo. Nunca mais fui capaz de entrar em uma piscina sem sentir pânico. Eu sei o que aconteceu, sei que não estava sozinho e que aquilo queria que eu morresse". 

A lenda do Fantasma de Oolana, um espectro vingativo que tenta matar as pessoas ganhou força ao longo dos anos tornando-se muito famosa. Sensitivos e parapsicólogos em visita a Piscina do Diabo concordaram que a área inteira possui uma fortíssima energia negativa e uma aura de tristeza e ressentimento latentes. Trata-se, afinal de contas, de um lugar onde pessoas perderam suas vidas de maneira repentina e violenta, mas parece haver algo mais. Uma presença que alguns são capazes de sentir claramente. A Oolana, ou Dama das Águas, é tratada como uma assombração bastante conhecida, possivelmente a manifestação fantasmagórica mais famosa de toda Austrália.

*     *     *

Ao longo destes artigos acompanhamos estranhos relatos e lendas de uma terra exótica e repleta de perigos. São mitos entrelaçados com histórias modernas de fantasmas e respaldados por mortes estranhas, criaturas bizarras e animais desconhecidos. Essas narrativas tornam difícil distinguir o que é real do que é pura lenda. Independentemente de se acreditar ou não, é difícil não se perguntar se este não seria um daqueles lugares impregnados por algum tipo de energia maligna. Seria tudo resultado de fenômenos naturais ou algo mais? O mistério dessa terra permanece.

Há alguma verdade nos casos que relatamos nessa série? Ou todos esses relatos são fruto de exagero e imaginação por parte das testemunhas e noticiários sensacionalistas? É interessante pensar na ideia de que um lugar possa ser permeado por forças além da nossa compreensão, ou que eventos trágicos possam, de alguma forma, se fixar em um local como uma voz numa gravação. Independentemente de ser real ou imaginário, alguns lugares da Austrália nos fazem questionar se forças misteriosas e perigosas estão agindo. 

quinta-feira, 24 de abril de 2025

No Coração da Montanha - Os muitos mistérios do enigmático Monte Shasta


Desde tempos imemoriais, ao longo da história e das culturas, sempre existiram contos de lugares místicos e mágicos perdidos além do horizonte. A humanidade parece amar intensamente a mitologia que descreve uma civilização esquecida ou cidades perdidas escondidas de nós, além das fronteiras do que conhecemos, além do plausível, além do razoável. 

Tais histórias surgem em lendas de culturas que transcendem limites geográficos. A ideia de que algum lugar maravilhoso possa estar oculto atrai exploradores e aventureiros há séculos e inspira a imaginação dos sonhadores. Uma dessas histórias, que persiste há bastante tempo, é a de uma cidade fantástica escondida nas profundezas do Monte Shasta, na Califórnia, um lugar que se diz ser habitado por uma raça de seres misteriosos com fantástico conhecimento e tecnologia.

Não há dúvida de que o Monte Shasta projeta uma presença formidável para aqueles que o avistam pela primeira vez. Situado no extremo sul da Cordilheira Cascade, no Condado de Siskiyou, Califórnia, o Monte Shasta é um vulcão hoje em dia adormecido que se eleva a 4.322 m sobre o vale florestal circundante, tornando-se o segundo pico mais alto da Cordilheira Cascade e a quinta montanha mais alta de toda a Califórnia. Como o Monte Shasta não está conectado a nenhuma outra montanha próxima, ele se ergue sozinho, irrompendo abruptamente do solo como um gigante solitário místico que se levanta sobre os majestosos vales verdes ao seu redor e domina completamente a paisagem do norte da Califórnia. Diz-se que a enorme e intimidante montanha solitária pode ser vista a até 230 km de distância em um dia claro, tornando-se um impressionante monólito natural que captura a admiração e a imaginação da humanidade há séculos. 

Talvez não seja surpresa que a montanha tenha atraído todo tipo de lendas e histórias estranhas, com os nativos da região tecendo mitos a seu respeito. Uma das histórias mais conhecidas e, de fato, mais bizarras sobre o Monte Shasta é que a montanha abriga uma antiga e secreta cidade perdida, habitada pelos descendentes dos chamados Lemurianos, um povo altamente avançado que se acredita terem sido os primeiros humanos na Terra. Eles viveram em um continente perdido conhecido como Lemúria que teria submergido após uma catástrofe. O nome Lemúria foi cunhado em meados do século XIX para denotar um hipotético continente submerso que outrora conectava o Oceano Índico, e recebeu esse nome porque se especulava que foi por meio desse misterioso continente que os animais chamados lêmures migraram de Madagascar para a Índia. A famosa Madame Helena Blavatsky, uma das teosofistas mais famosas do século XIX escreveu extensivamente sobre os lemurianos e suas façanhas.

A história conta que o continente afundou devido a um evento apocalíptico não especificado de forma semelhante ao que teria acontecido com a mítica Atlântida. À medida que a civilização se desfez, vários lemurianos conseguiram escapar pelo mar encontrando um lugar seguro nos arredores do Monte Shasta. Lá estabeleceram a Cidade de Telos em algum ponto sob a montanha, onde recriaram sua outrora grandiosa sociedade e supostamente continuam a viver até hoje.


Os lemurianos são tipicamente descritos como indivíduos altos, graciosos e magros, que chegam a medir dois metros de altura, com pele alva, quase luminescente, longos cabelos brancos e pescoços anormalmente compridos, adornados com colares feitos de contas, ouro ou pedras preciosas. Os estranhos seres geralmente vestem túnicas esvoaçantes e sandálias amarradas aos tornozelos, embora às vezes se diga que usam túnicas simples ou até que andam nus. 

Diz-se que eles dominavam várias tecnologias avançadas, como energia atômica, magnetismo, eletrônica e, alguns supõem, até mesmo a capacidade de alterar o espaço-tempo há milhares de anos. Seus conhecimentos permitiam a construção de grandes máquinas e engenhos como dirigíveis capazes de levitar e que eram usados para transporte. Algumas lendas dão conta de que eles iluminam seu reino subterrâneo com uma espécie de sol artificial, feito de cristal, alimentado por alguma fonte de energia poderosa e desconhecida, muito além de tudo o que conhecemos. Finalmente, há a crença de que os lemurianos possuem um órgão do tamanho de uma noz que se projeta de suas testas e supostamente os dota de vastos poderes psíquicos, como percepção extra-sensorial, telecinese, telepatia, a capacidade de aparecer e desaparecer à vontade e o poder de influenciar a mente dos outros.

A teoria de que lemurianos vivem no Monte Shasta tem uma história quase tão estranha quanto a dos próprios seres. Tudo remonta a um livro chamado "Morador de Dois Planetas" (Dweller of Two Planets), escrito por Frederick S. Oliver em 1899. No verão de 1883, Oliver, ainda adolescente, ajudava sua família a demarcar os limites de sua área de mineração, o que envolvia cravar estacas de madeira no solo e, em seguida, marcar a localização em um caderno. Em algum momento durante essa árdua tarefa, a mão de Oliver supostamente começou a tremer incontrolavelmente, e ele começou a escrever coisas sem controle. O menino correu para casa em pânico, com a mão continuando a agir por conta própria, escrevendo febrilmente durante todo o caminho como se tivesse vontade própria. Assim que chegou, sua mãe lhe deu mais papel. Ele continuou a escrever, escrever e escrever, rabiscando páginas e mais páginas com palavras, símbolos e desenhos. Essa misteriosa convulsão inicial cessaria revelando o início de um texto. Ao longo dos três anos seguintes, a mão de Oliver seria ocasionalmente dominada por essa força misteriosa, escrevendo várias páginas aqui e ali, até que finalmente, em 1895, ele completou um livro inteiro que narrava e descrevia a existência de uma cidade lemuriana secreta no Monte Shasta bem como sua história. 

Oliver continuaria afirmando que havia sido escolhido pelos lemurianos como uma espécie de porta voz deles, e que todo o livro havia sido canalizado telepaticamente através dele por intermédio de escrita automática através do tempo e espaço.

O rapaz chegou a afirmar ter sido levado astralmente à cidade secreta onde viu com os próprios olhos, descrevendo-a como um lugar maravilhoso nas profundezas da montanha, composta por vastos labirintos de túneis iluminados com portas automáticas, arquitetura elegante e apartamentos banhados a ouro e acarpetados com uma luxuosa substância felpuda. De fato, Oliver disse que toda a cidade era generosamente adornada com cristais brilhantes, metais preciosos e pedras preciosas, alimentada pela energia desses cristais e inacessível a estranhos sem o convite expresso dos próprios Lemurianos. Seus escritos afirmam que alta tecnologia abundava nesta cidade fantástica, com inúmeras menções a vários dispositivos e veículos incríveis empregados pelos moradores da cidade, incluindo grandes naves flutuantes que pairavam sobre suas cabeças. O livro foi bastante inovador e à frente de seu tempo quando foi lançado, fazendo menção detalhada a noções conceituais tão elevadas como mecânica quântica, antigravitacional, trânsito de massa e energia do Ponto Zero, chamada de "energia do lado escuro", conceitos extremamente singulares na época. Mais notável, Oliver não tinha como conhecer a a maioria dessas coisas, sendo um rapaz simples do interior.


Embora tenha morrido em 1899, aos 33 anos, seu livro foi publicado em 1905 por sua mãe, Mary Elizabeth Manley-Oliver. Na época da publicação o livro tornou-se um clássico ocultista instantâneo e uma fonte abertamente reconhecida para muitos sistemas de crenças, seitas e cultos da Nova Era. Ele até geraria uma sequência intitulada "O Retorno de um Morador da Terra", supostamente psicografado do além por um médium teosofista incorporando o relato de Oliver. 

Mas esta seria apenas a primeira menção literária à estranha cidade perdida dos Lemurianos no Monte Shasta. Em 1931, Harvey Spencer Lewis, usando o pseudônimo de Wisar Spenle Cerve, escreveu um livro inteiro sobre a Civilização Perdida, o que impulsionou ainda mais a popularidade de cidades e sociedades perdidas espreitando nas profundezas daquela montanha. A partir daí, os relatos sobre a estranha raça de seres avançados e a sofisticada cidade de Telos ganharam fama.

Muitos outros relatos sobre a suposta civilização lemuriana do Monte Shasta viriam à tona ao longo dos anos, e um deles se destaca por ser particularmente bizarro. A testemunha anônima, conhecida apenas como "M", afirma que sua experiência fantástica começou com a mudança de sua família do deserto de Nebraska para o Monte Shasta, onde passaram muito tempo acampando e se hospedando em um hotel enquanto procuravam um lugar para ficar. Ao longo dos meses, eles frequentemente se hospedavam em um acampamento chamado Panther Meadows, fazendo inúmeras viagens e explorando a área. Ficaram tão apaixonados pelo lugar que continuaram acampando regularmente lá mesmo depois de se instalarem em uma nova casa. Seis meses depois de chegarem a Shasta, estavam novamente em Panther Meadows acampando quando a bizarra odisseia de M teve início. 

Naquela manhã, seu marido e dois filhos tinham saído para explorar enquanto ela limpava a casa depois do café da manhã. Foi quando ela notou um jovem alto e esguio caminhando pelo prado em direção ao acampamento deles. A princípio, M presumiu que fosse apenas mais um campista de um acampamento próximo, já que ele não tinha mochila nem equipamento de caminhada. À medida que se aproximava, acenou e, ao chegar ao acampamento brincou educadamente sobre tomar uma xícara do café pois sentira o cheiro a manhã toda. M não hesitou em lhe dar uma xícara, e ela achou estranho o quão totalmente confortável se sentia em sua presença, conversando como se se conhecessem há anos. Em algum momento, a conversa girou em torno das lendas do Monte Shasta e de como algumas pessoas alegavam ter estado na cidade perdida de Telos. Foi então que o jovem perguntou se ela gostaria de ver tudo isso pessoalmente. A princípio, ela pensou que ele estivesse brincando, mas ele acenou para que ela o seguisse na direção de onde viera. M não esperava muito, mas o seguiu mesmo assim. Era ali que o próximo capítulo de sua estranha aventura se desenrolaria. Ela explica:

"Senti-me estranhamente atraída pelo jovem e perfeitamente segura com ele. Parecia que compartilhávamos interesses e crenças em comum. Ele disse que a entrada para Telos era próxima e que levaria apenas alguns minutos para chegar lá. Ele estava certo. Atravessamos os prados em direção às árvores e em poucos minutos estávamos em uma rocha alta e de formato estranho. Eu diria que tinha provavelmente 3 metros de altura e 1,5 metro de largura. A frente da rocha era plana e os galhos das árvores próximas a escondiam parcialmente. O topo da rocha inclinava-se em direção ao chão na parte de trás, de modo que parecia um triângulo assimétrico. Uma vista lateral era algo como esta frente de rocha. Lembro-me de que o chão ao redor era muito duro em comparação com o chão mais macio sobre o qual havíamos caminhado para chegar lá. Ele caminhou até essa rocha lisa e a tocou revelando uma porta secreta. Ela se abriu e ele fez um gesto para que eu o seguisse, o que fiz. Agora me maravilho por não ter o menor medo de ir com ele, nem sequer me ocorreu não ir."

A narrativa prossegue:

"Ao passar pela porta aberta, vi um conjunto de degraus que desciam até um pequeno patamar e continuavam descendo muito além. Havia um cheiro levemente úmido de mofo indicando que havíamos entrado em uma área que não era frequentemente agraciada com a presença de ar fresco. Era óbvio que estávamos dentro da montanha, pois as paredes eram de rocha. Chegamos a um patamar onde parei para olhar ao redor. Vi que estávamos em uma sala ampla banhada por uma luz suave vinda de uma fonte que eu não conseguia identificar. Não havia sinais de lâmpadas, abajures ou iluminação indireta. Descemos mais alguns níveis e o jovem caminhou até a parede mais distante, tocou-a e uma porta se abriu. A porta se misturava à parede de tal forma que, se você não soubesse exatamente onde ficava, nem imaginaria que havia uma passagem. Segui-o pela porta e me vi em uma sala de pedra muito grande, com teto alto. Essa sala também era bem iluminada por uma luz de fonte indeterminada."


Apesar da perspectiva assustadora de entrar em uma passagem secreta e sombria em uma montanha na presença de um completo estranho, a testemunha afirma repetidamente que não sentiu medo e que até se sentiu calma e confortável com tudo aquilo. Depois de passar por várias passagens mais adentro da montanha, transitando por salas com mobília estranha e "grandes caixas de vidro", eles chegaram a algumas pedras grandes e planas. Em uma das pedras haviam símbolos estranhos que ela não conseguia reconhecer e que não se parecia com nada que ela já tivesse visto antes. Quando ela perguntou ao seu companheiro o que eram, a história ficou ainda mais estranha do que já estava.

"À medida que me aproximava das caixas, vi que havia algum tipo de impressão na superfície. Eu não conseguia reconhecer a língua. Virei-me para perguntar o que as pedras representavam e, antes que eu pudesse perguntar, ele sorriu e disse: "Você não se lembra agora, mas estas são tábuas sagradas que você e seus colegas trouxeram da Lemúria quando as águas subiram para destruir nossa pátria."

Ele continuou explicando que nós (não tinha certeza de quem ele se referia como "nós" na época) tínhamos levado as tábuas para uma caverna e as tínhamos preservado lá. Enquanto ele contava a história, eu podia visualizar mentalmente várias embarcações que se moviam muito rápido em águas profundas. Elas diminuíram gradualmente a velocidade à medida que se aproximavam de uma caverna e, ao entrarem na caverna, eu as vi subindo à superfície. A caverna era muito grande. Quando os ocupantes abriram os veículos para emergir, foram recebidos por outros que rapidamente tomaram posse das tábuas de pedra e desapareceram pelas entradas da caverna. Quando as tábuas foram removidas, os ocupantes retornaram às pequenas embarcações e deixaram a caverna como haviam entrado. Nesse ponto, minha visão terminou... Tive a sensação de ter estado lá. Levei alguns minutos para me recuperar da ansiedade e, ao mesmo tempo, da excitação que experimentei ao observar aquele acontecimento. Senti um grande alívio e realização quando as tábuas foram entregues e pude ouvir agradecimento sendo oferecido.

A narrativa é bem estranha, mas ela é apenas o começo. Finalmente, ocorreu à testemunha, naquele momento, que ela não sabia sequer o nome do jovem e, quando perguntou a ele ouviu um som estranho diferente de tudo que já escutou. M se recorda de ter prosseguido na longa caminhada, algo que parece ter demorado horas. Ela se recorda de estar com seu companheiro em alguns momentos, em outros sozinha. Mesmo assim, apesar de estar num lugar estranho, não sentiu medo ou receio.

Ela tem lembranças vívidas de um grande salão de pedra fria onde haviam outras pessoas trabalhando, indivíduos que não deram a ela atenção e aos quais ela não conseguiu se referir pois pareciam ignorá-la. Nessa sala estavam estocados grandes cilindros verticais, cada um com aproximadamente 3 metros de altura e 1,2 metro de largura feitos de um material que parecia cristal. Em cada um desses cilindros, havia uma substância líquida gelatinosa. As pessoas na sala pareciam ocupadas manipulando aquela substância em um tipo de trabalho que pela concentração deles parecia importante.

M tem uma vaga lembrança do que acontecia ali. "Eles estavam extraindo ou canalizando energia de algum tipo. Algo que era de suma importância para a cidade deles. Era como se aqueles cilindros estivessem gerando uma quantidade absurda de energia. Mas era algo diferente de energia como conhecemos, essa era usada não só para alimentar máquinas e a cidade de Telos, mas tudo e todos. Até os habitantes da cidade recebiam essa energia".

M observou o trabalho por algum tempo até que seu companheiro disse que já era hora dela retornar para casa. Estranhamente M não se recorda de ter feito o caminho de volta, mas de simplesmente acordar em sua casa, como se tivesse sido levada para lá imediatamente.


De volta ao acampamento, a família de M a encontrou levemente confusa, como se tivesse acordado de um sonho desperto. Ela não mencionou sua estranha experiência na montanha achando que realmente tudo aquilo poderia ter sido um sonho. Na semana seguinte, a família fez outra viagem ao mesmo acampamento e, assim como antes naquela manhã, seu marido saiu com as crianças deixando M sozinha com as tarefas domésticas. Ela sentiu uma estranha sensação como se estivesse sendo chamada e se deixou levar por ela, refazendo o caminho que havia tomado anteriormente, mas dessa vez sozinha. Ela se sentia guiada e encontrou todas as portas e passagens como se estivesse familiarizada com tudo aquilo.

M seguiu através das cavernas e passagens conhecendo áreas diferentes da Cidade e do complexo de pedra que existia abaixo da Montanha. Era muito maior do que ela imaginava:

"Nessa segunda visita eu não vi ninguém, embora tenha sentido que uma presença invisível estivesse me guiando pelo caminho todo. Também havia algo diferente no lugar. O complexo além de deserto, parecia ter sido evacuado, tornando-se uma ruína. Haviam restos de mobília e objetos, mas tudo estava coberto de poeira. Eu me recordo de ter visto máquinas estranhas e aquelas estruturas de vidro e cristal, mas tudo parecia abandonado. É estranho mas eu tinha a sensação de um a grande familiaridade com tudo aquilo."

M disse que seguiu pelos corredores pelo que pareceram horas, embora o sentido de tempo no interior do complexo fosse diferente. Eventualmente ela chegou até aquele mesmo salão imenso onde ainda haviam os estranhos cilindros de vidro, mas nem todos eles estavam inteiros ou com aquela substância no interior. Uma voz a compeliu então a mexer naquelas máquinas, como ela havia visto as pessoas fazerem anteriormente. Sem entender exatamente o que fazia, ela percebeu mudanças de cor e sons enquanto operava o complexo maquinário que estava muito além de sua compreensão.

"Eu não posso ousar dizer o que estava fazendo ou qual o significado daquilo, mas em meu íntimo compreendi que de alguma maneira aquela tarefa era extremamente importante e que a primeira visita serviu para que eu me familiarizasse com o básico da operação. Talvez eu tenha sido uma daquelas pessoas no salão na primeira visita, talvez eu tenha realizado esse mesmo trabalho eras atrás... não sei dizer!"

M manteve em segredo essa segunda visita e todas as outras que ela faria posteriormente, sempre que era "convocada" para realizar aquela tarefa misteriosa, mas de suma importância. Ela acredita que de alguma maneira os habitantes da cidadela queriam que ela continuasse fazendo aquilo para ajudá-los. Ela não se recorda quantas outras vezes visitou a cidadela oculta, mas ela acredita tê-lo feito em pelo menos outras três ocasiões. Depois disso, M sentiu que seu trabalho não era mais necessário e que sua tarefa estava concluída.


Mais de dois anos se passaram, até que ela resolveu revelar para sua família e amigos o que havia acontecido. Surpreendentemente M descobriu que não estava sozinha e que outras pessoas ao longo dos anos haviam relatado histórias semelhantes em que se sentiam atraídos pelo Monte Shasta e exploravam seu interior através de portais e passagens que ficavam ocultos para todos os outros. As pessoas contavam histórias parecidas, envolvendo uma exploração do interior labiríntico da montanha que às vezes estava abandonada, mas em outras vezes parecia fervilhar com vida e atividade.

Estudiosos e pesquisadores, entusiastas das teorias sobre a antiga Lemúria acreditam que os habitantes da Montanha dominavam o tempo e o espaço, e que os visitantes escolhidos para conhecer Telos eram descendentes ou a reencarnação de indivíduos que haviam habitado o Monte milênios atrás. Estes eram chamados para executar tarefas que já haviam desempenhado com algum intuito secreto. Além disso, as visitas não seriam físicas, mas viagens astrais nas quais o "eu espiritual" das pessoas escolhidas era lançado no tempo, no passado, presente ou futuro para desempenhar uma função necessária.

Mas que tarefa tão importante seria essa e porque os habitantes do Monte Shasta não estavam mais presentes no lugar que um dia chamaram de Lar?

Há diferentes teorias quanto a isso. Talvez eles tenham desaparecido em algum tipo de catástrofe que os varreu da existência. Algum tipo de acidente, doença ou ainda um evento inesperado decretou o fim da sua civilização. Talvez eles possam ter desaparecido por vontade própria, quem sabe tenham avançado tanto em sua tecnologia e saber que a forma humana não era mais compatível e eles precisavam de pessoas para realizar as tarefas simples que um dia realizavam.

Mas há uma outra hipótese, muito mais incrível e fantástica. Seria possível que os habitantes do Monte Shasta ainda estivessem vivos, preservados em algum tipo de animação suspensa pelas eras? Eles precisariam ainda sobreviver no interior da Montanha que ainda necessitaria produzir energia para manter o lugar funcionando minimamente e é claro, oculto dos olhos curiosos de outras pessoas que poderiam fazer-lhes algum mal.

Nessa hipótese sensacional, os lemurianos estariam apenas esperando o momento de seu despertar, uma promessa feita a muitas pessoas que afirmaram ter recebido o convite para explorar as passagens secretas que conectam o Monte Shasta e supostamente fluem através do tempo de uma maneira diferente de tudo que podemos imaginar.


M não se ressente de não ter sido mais chamada pelos seus amigos no interior do Monte Shasta. Ela acredita que seu trabalho tenha se encerrado, e que por isso, ela não foi mais contatada. Mas mesmo assim ela tem uma sensação de completude: "É claro, eu gostaria de ser chamada novamente e de conhecer a cidadela em detalhes, mas acredito que fiz o que fui designada a fazer e isso encerrou meu trabalho. Talvez um dia eles voltem a falar comigo e me chamem para uma nova visita".

Ela, costuma fazer visitas ao Parque Nacional que cerca o Monte Shasta ao menos uma vez por ano. M afirma que muitas outras pessoas fazem o mesmo, mas que nem todas se recordam inteiramente de sua experiência, tendo uma espécie de deja vu à respeito do local e de seus segredos. Não é raro que turistas venham de longe para conhecer o Monte Shasta afirmando sentir uma enorme conexão com o local, mesmo conhecendo muito pouco à respeito de sua história. "Há pessoas que vem da Austrália, da Europa, da China... pessoas que visitam o lugar e sentem uma estranha conexão com o local. Como se sentissem já ter estado aqui antes em circunstâncias enigmáticas."

Não por acaso o Monte Shasta atrai milhares de visitantes anualmente se convertendo numa espécie de Meca para místicos, esotéricos e alegados magos interessados em desvendar seus segredos milenares. 

Existe a crença de que o Monte Shasta está em um ponto de contato entre poderosas Linhas de Ley - fluxos de energia primordial que correm através do planeta e que se espalham por todo o mundo. Essas áreas, em que as linhas se tocam favorecem a realização de rituais e de prodígios místicos. Para alguns as energias contidas nesses eixos pode ser canalizada para a realização de todo tipo de efeito mágico. Não é algo incomum testemunhar a presença de místicos em peregrinação solitária e de grupos acampando e realizando rituais nos arredores do Parque Nacional.

O Monte Shasta também se tornou famoso nas últimas décadas como um dos pontos de maior atividade de OVNIs na Costa Oeste dos Estados Unidos. Ufólogos relacionam a tecnologia avançada e o saber dos Lemurianos com um contato prolongado com seres alienígenas benevolentes que compartilharam parte de seus segredos - a Teoria dos Deuses Alienígenas. Para os humanos primitivos, os Deuses teriam descido das Estrelas e os abençoado com presentes incríveis. Para alguns, os próprios Lemurianos seriam membros de uma colônia que no passado remoto foi criada pelo cruzamento de humanos e alienígenas avançados, gerando uma raça não inteiramente humana que se perpetua pelo tempo.

As estranhas formações de nuvens que costumam ocorrer no pico nevado do Monte Shasta. em geral com aros nebulosos que parecem envolver o topo chamam a atenção dos observadores. Alguns acreditam que esses eventos ocorrem com o intuito de ocultar a vinda de veículos espaciais que entram e saem da montanha através de portas ocultas. 

Com tantas histórias sensacionais, o Monte Shasta preserva seus mistérios e provavelmente continuará a ser um enigma considerável para as gerações presentes e futuras.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Vampirismo 101 - Os Mitos e Lendas sobre os mortos vivos

Estudiosos há muitos séculos discutem o mito e o conhecimento que se tem a respeito do vampirismo. Em alguns momentos o propósito é explorar as raízes de nossos medos e de nossas crenças, em outros observar sem preconceito as crenças da antiguidade. Há muitos fatos a respeito do vampirismo.

Por definição o vampiro é um morto-vivo que sobrevive drenando o sangue, a juventude ou a força vital de suas vítimas. O mito do vampirismo pode ser encontrado em inúmeras culturas ao redor do mundo. Para os leigos, o vampiro do Leste Europeu é os mais familiar, em virtude do enorme sucesso do romance Drácula, escrito pelo irlandês Bram Stoker em 1897.

Os vampiros da história e do folclore, se diferem bastante entre si e muitas vezes não se encaixam no estereótipo consagrado pela ficção de romances e filmes. O Drácula de Stoker é um exemplo bem modelado do mito romeno, trazido para os dias atuais. Contudo de modo algum esse modelo se refere a todos os vampiros. Há vampiros bem diferentes ao redor do mundo e os documentos sobre eles são bastante fartos.

Na Europa, o mito é estudado há séculos, e comumente associado a bruxaria e adoração ao diabo. Segundo essas lendas há várias maneiras de um indivíduo morrer e retornar como um vampiro. Exemplos incluem ter sido escomungado, ter sofrido uma morte violenta e inexplicável, ser assassinado em noite de lua cheia, ser um praticante de feitiçaria, adorar o demônio, ser enterrado em local não consagrado, ter sido um lobisomem em vida ou - o mais conhecido - ter sido mordido por um vampiro. Se esses meios de se tornar um vampiro fossem levados em consideração, o mundo estaria superpovoado dessas criaturas.


Para evitar que um indivíduo retorne como vampiro, algumas medidas podiam ser tomadas. De acordo com algumas crenças enterrar o suposto vampiro de bruços no caixão faria com que ele cavasse na direção contrária à superfície, assim evitando dele escapar da sepultura. Da mesma forma, algumas crenças levavam os supersticiosos a amarrar os cadáveres ou depositá-los em caixões de metal, tudo com o objetivo de impedir o vampiro de voltar. Alguns rumores no passado afirmavam que vampiros eram compelidos a desatar nós, por isso cadáveres suspeitos eram enterrados com intermináveis tramas repletas de laços.

Uma imagem bastante conhecida e evocada é a de um crânio com um bloco de pedra enfiado boca, uma forma de exorcizar um vampiro após ser enterrado. Em toda Europa foram descobertos restos humanos sepultados em cemitérios que receberam esse tratamento, o que confirma ser a crença em vampiros mais difundida entre os antigos do que se imaginava.
 
A maneira mais drástica, e segundo alguns, eficaz de eliminar o perigo do vampirismo era decapitar ou desmembrar o cadáver. Afinal como um vampiro andaria por aí em pedaços? Remover cabeças era uma das atribuições de coveiros em áreas rurais da França na Idade Média. Outra forma de se livrar do problema era queimar o cadáver até restar apenas cinzas. Finalmente um suposto vampiro poderia ser eliminado com uma afiada estaca de madeira trespassando seu coração.

Esses métodos não eram de modo algum incomuns na Europa medieval. O temor do sobrenatural por vezes superava a tristeza dos amigos e dos próprios parentes do falecido. Garantir a segurança e o descanso eterno era preferível à ter de lidar com uma visita noturna indesejável.

Encontrar um vampiro não era nada fácil. O primeiro sinal da ação de vampiros segundo o senso comum medieval eram epidemias misteriosas que matavam pessoas da noite para o dia. Em tais casos a culpa era reputada a um vampiro, jamais a micro-organismos nocivos ou a condições de vida insalubres.


Na eminência de uma praga de vampirismo cemitérios eram vasculhados em busca de evidências. Lápides viradas, buracos escavados ou solo remexido eram sinais clássicos da presença de mortos vivos. Por vezes esses indícios eram suficientes para fazer com que parte da população deixasse suas casas e fugisse assustada, carregando consigo boatos sobre a existência de mortos vivos.

Destruir um vampiro era um desafio que apenas os mais intrépidos indivíduos eram capazes de realizar. Alguns heróis dotados de notáveis habilidades ganhavam a vida, durante a Idade Média até a Renascença, viajando de cidade em cidade lidando com vampiros. Alguns eram responsáveis por plantar os indícios que encontravam, mas haviam aqueles que se dedicavam realmente a esse serviço.

O método para despachar vampiros dependia muito da região em que se vivia. Em algumas áreas da Europa Oriental o vampiro podia ser morto com um tiro certeiro no coração. Alguns faziam a ressalva de que a bala deveria ser de prata. Muitas lendas afirmavam que uma estaca afiada no coração podia destruir o morto-vivo de uma vez por todas. Logo surgiram variantes dessa crença, algumas afirmando que apenas alguns tipos de madeira eram verdadeiramente eficazes e que um vampiro assim ferido não morria, apenas ficava paralizado. Para completar o serviço, o vampiro estacado tinha de ser decapitado. Para alguns ele então se transformava em cinzas. Logo falou-se a respeito da maneira mais correta de se livrar dessas cinzas e então nasceu a crença de que as cinzas tinham de ser dispersas na água de um rio, desde que é claro fosse um rio de água corrente.

Matar vampiros como se pode ver era algo complicado e não é à toa que a presença de um exterminador especializado se fazia necessária.


O fogo sempre foi uma arma importante contra os mortos-vivos, uma forma de queimar etapas (desculpe o trocadilho!) e transformar a criatura direto em cinzas. Na Idade Média, cremar cadáveres era visto com maus olhos pela Igreja Católica, tratava-se de um costume pagão afinal de contas, mas algumas autoridades faziam vista grossa para a prática, desde que o vampiro fosse eliminado e todos ficassem felizes.

Objetos sagrados (água benta, crucifixos, rosários e hóstias consagradas) também passaram a fazer parte do arsenal dos caçadores de vampiros medievais. O toque do vampiro em um objeto consagrado tinha um efeito fulminante: cruzes deixavam cicatrizes e água benta queimava como ácido. Talvez essa tenha sido uma contribuição da Igreja interessada em participar da erradicação desse mau. Regalia consagrada podia afinal de contas ser vendida para os supersticiosos.

A crença de que alho poderia afugentar vampiros é comum no mito grego do vampirismo. O alho sempre teve qualidades terapeuticas purificadoras. No mito grego, vampirismo é uma doença, portanto um remédio natural poderia eliminá-la. Rosas também seriam capazes de eliminar vampiros ou ao menos detectá-los pois na sua presença as flores perdem o viço e murcham rapidamente.

A luz do sol foi um acréscimo victoriano ao mito. Vampiros até então podiam andar incólumes à luz do sol, embora estivessem no pico de suas capacidades apenas à noite. O dia exauria suas capacidades sobrenaturais deixando-os enfraquecidos. O sol se converteu numa arma apenas a partir de Drácula.

Vampiros segundo o mito consagrado possuem uma vasta gama de poderes. Além da óbvia vantagem da imortalidade, muitos vampiros eram capazes de alterar sua aparência física transformando-se em animais. Cães, gatos, lobos, morcegos e ratos são os exemplos mais comuns, mas há lendas de vampiros adotando a forma de aves de rapina, tigres e até mesmo ursos. Vampiros também seriam capazes de controlar animais despertando neles selvageria e devoção. No mito corrente, vampiros possuem legiões de animais selvagens ao seu dispor, como "as crianças da noite" de Drácula.


A transformação em outros objetos e em névoa também faz parte do mito. Vampiros que se tornam árvores são comuns no mito nos países baixos. A transformação em névoa está presente na Europa Central.

Assim como alguns vampiros exercem controle sobre animais, há lendas que descrevem mortos vivos capazes de impor sua vontade à seres humanos. Eles podiam assim influenciar o comportamento das pessoas forçando-as a atos contra sua natureza, o que vinha a calhar como desculpa diante de flagrantes de lascívia. "O Vampiro me obrigou a fazer!" poderia ser uma boa desculpa para eximir uma dama de uma conduta imprópria.

Vampiros com força e rapidez sobre-humana são incrivelmente comuns no folclore mundial. Essas criaturas teriam capacidades físicas ampliadas pelo dom sobrenatural. Vampiros seriam capazes de enfrentar vários homens ao mesmo tempo com as mãos nuas. Ferir um vampiro, segundo o mito, sempre foi complicado, esses seres não podiam ser machucados visto que já estavam mortos, assim como seus órgãos, carne e sangue, portanto nada disso parecia fazer falta com exceção do coração e da cabeça. O mito na Pérsia fala de mortos vivos trespassados por espadas e com ferimentos mortais em todo o copo, não obstante, lutando e matando movidos pela sede de sangue.

Ao contrário dos vampiros atuais que são vistos como criaturas charmosas e fascinantes, os vampiros do passado eram terríveis e assustadores. Não havia nada de atraente em mortos vivos muito mais próximos de bestas sanguinárias do que de nobres vindos de terras exóticas. Vampiros eram retratados como seres imundos, cruéis e imorais. Desejar ser mordido por um deles é algo muito recente em nossa sociedade.


Estudiosos tem uma série de explicações a respeito da histeria que varreu a Europa durante a Idade Média até o Renascimento. Alguns afirmam que o crescimento de casos de vampirismo nessa época está ligado diretamente a epidemias de doenças como a tuberculose e cólera. Essas doenças além de agir rapidamente faziam com que as vítimas parecessem ter a vida drenada de seus corpos.

Para alguns pesquisadores, a falta de conhecimento médico também levava a conclusões erradas e a enterros prematuros. Alguns desses indivíduos, enterrados enquanto em choque ou em coma, acabavam se recuperando e escapando de suas sepulturas, apenas para serem vistos vagando uma vez mais. O resultado direto disso poderia ser uma turba supersticiosa disposta a linchar o "morto vivo".

Vampiros povoam o inconsciente coletivo há séculos e continuam fascinando e aterrorizando. O mito se reinventa de tempos em tempos, ganhando fôlego e mostrando uma vitalidade que o torna virtualmente imortal.