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terça-feira, 28 de dezembro de 2021

Punt Gun - Espingardas gigantes com incrível poder de fogo


Se há uma verdade à respeito de armas de fogo é que não importa o quão mortais e destrutivas elas possam ser, sempre haverá alguém interessado em torná-las ainda mais mortais, ainda mais destrutivas.

Ao longo da historia humana existiu um desejo contínuo de criar armas maiores e com maior poder de fogo. Ocasionalmente o resultado eram armas comicamente grandes e tão difíceis de serem manipuladas que os atiradores que ousavam usá-las se arriscavam demasiadamente. Elas falhavam, não tinham qualquer precisão ou simplesmente explodiam ao serem disparadas.

Entretanto, houve inesperados sucessos nessa busca incessante pela arma mais letal. Entra em cena então a Punt Gun. No caso dessa lendária arma de fogo, o problema era outro: ela funcionava bem até demais! E sua existência colocava em risco a ecologia, constituindo um enorme perigo para o meio ambiente. 

Mas para entender essa história é preciso voltarmos no tempo. No início dos anos 1800, a caça era uma prática bastante difundida. As pessoas que viviam no campo possuíam armas de fogo, em especial rifles e espingardas, usadas exclusivamente para atividade de caça. Se quisessem ter carne na mesa, uma maneira bastante comum de consegui-la era ir ao campo, se embrenhar na mata e atirar com espingardas nos animais que se desejava comer. Caçar era uma necessidade para a sobrevivência! 


Na América do Norte e Europa, os patos selvagens estavam entre as aves mais desejadas para caça. Eles eram muito numerosos e relativamente fáceis de se abater. Mas quando as cidades começaram a crescer, surgiu um mercado para a venda da carne desses animais. Além da carne de pato, que era muito apreciada, a indústria da moda usava as penas na confecção de chapéus femininos. De fato, viver da caça ao pato se tornou o ganha pão de muitas pessoas que habitavam as zonas rurais. 

Com o aumento da demanda, os caçadores começaram a desenvolver maneiras de facilitar seu trabalho. Patos não ficavam parados quando alguém disparava contra eles, os pássaros simplesmente voavam apavorados para longe quando ouviam o barulho de caçadores ou o disparo de uma espingarda. Era necessário então achar uma forma de abater o maior número possível de presas, de preferência com um único disparo. 

Foi isso que impulsionou a criação dos primeiros modelos de Punt Guns, armas gigantescas que serviam para matar centenas de patos com um único tiro.

As armas eram basicamente versões imensas dos rifles de caça, geralmente com um único cano ao invés do tradicional cano duplo. As primeiras Punt Guns eram duas, por vezes, até três vezes maiores que um rifle normal, com um mecanismo de disparo igualmente grande que recebia uma generosa quantidade de pólvora e muita munição. O grande problema é que embora pudessem ser disparadas por um único atirador, a arma tinha uma enorme probabilidade de arremessa-lo longe com a potência do coice, quebrar sua clavícula ou até o braço. Além disso, a precisão era prejudicada pela sua tremenda potência. A solução engenhosa para a questão foi montar as enormes armas em botes à remo (os punt que deram nome à elas) que poderiam servir como apoio para o disparo. As armas eram tão poderosas que quando disparadas empurravam o bote vários metros para trás, mas sem causar danos ao atirador.


Os caçadores de patos usavam a Punt Gun de maneira devastadora. 

Um único disparo propelia uma chuva mortal de projéteis de chumbo arredondados que se espalhavam por uma área de até 20 metros. Tudo o que estivesse nesse espaço era alvejado, morto ou gravemente ferido. Ao disparar uma Punt Gun contra um bando de patos nadando em uma lagoa, o resultado era impressionante. Após o tiro, bastava ao caçador se aproximar e recolher os animais abatidos boiando na água.

As Punt Gun continuaram a ser aprimoradas e por volta de 1900 havia armas capazes de disparar quase meio quilo de chumbo de cada vez. Para se ter uma ideia, uma espingarda calibre 12 lança aproximadamente 32 gramas de chumbo por disparo e seus efeitos são devastadores à curta distância. A Punt era portanto 15 vezes mais potente. Nos Estados Unidos, caçadores trabalhavam com grupos operando de cinco a oito armas simultaneamente. Os botes com os enormes rifles eram distribuídos na beirada do rio ou lago e aguardavam até a chegada de uma revoada de patos, quando a quantidade desejada de animais se reunia, eles combinavam um único disparo coordenado. Essas ações eliminavam até 500 patos de uma só vez.

Ray Todd, um famoso caçador de Baltimore, se gabava de ter matado 419 patos de uma só vez, trabalhando com outros dois atiradores armados com Punt Guns. Com essa arma aterrorizante, um grupo de caçadores podia fazer fortuna em pouco tempo.


Mas apesar da inquestionável eficácia das Punt Guns, elas acabaram eventualmente sendo proibidas em todos os países onde eram fabricadas originalmente. Isso se deu por que a população de patos selvagens começou a diminuir sensivelmente em pouco tempo. Um estudo realizado pelo governo americano atestou que se a caça ao pato continuasse acontecendo com o emprego das Punt Gun, em 15 anos os animais seriam totalmente extintos. Um impacto irremediável para a natureza. Em 1918, leis federais foram aprovadas banindo de uma vez por todas as Punt e estabelecendo temporadas de caça. Antes disso, as armas já haviam sido proibidas na Inglaterra, França e na maioria dos países da Europa como uma grave ameaça ecológica. As multas para quem possui e usa uma dessas armas são extremamente pesadas, o que ajudou a inibir sua utilização, ainda que várias continuem por aí.

Apesar de terem sido banidas como armas de caça, as Punt Gun que já existiam eventualmente encontraram seu caminho até os campos de batalha. Na Grande Guerra, elas se transformaram nas primeiras armas antiaéreas usadas para abater aviões em pleno voo. Os biplanos usados na Grande Guerra eram bastante frágeis, tendo por vezes armação de madeira e partes cobertas com tecido. Um disparo certeiro era o suficiente para derrubá-lo ou atingir mortalmente o piloto. Entretanto, apesar de terem sido usadas com aplicação militar as Punt Gun eram pouco confiáveis e menos ainda precisas. Atingir um avião com uma dessas armas era algo extremamente difícil e restrito a um único disparo já que o tempo de recarga era longo. 

Curiosamente as Punt Gun jamais foram usadas na guerra de trincheira, embora elas pudessem ser realmente muito úteis para conter um avanço de infantaria. Um acordo entre os países regulamentou que tais armas não deveriam ser empregadas no campo de batalha, o que sem dúvida evitou uma carnificina considerável. De fato, os alemães chegaram a pedir que todas espingardas fossem removidas dos campos de batalha da Grande Guerra por temer o dano que elas causavam. Os americanos, que eram os principais utilizadores de espingardas (12 gauge shotguns), não aceitaram e continuaram a fazer uso extensivo delas - a Remington .12 até ganhou o apelido Trench Gun (Arma de Trincheira).

Algumas Punt Gun foram usadas no final da guerra na função de armas antitanques. Apesar de não conseguirem romper a couraça reforçada dos tanques, um disparo certeiro podia danificar as lagartas e tirar um tanque de ação. Os britânicos e americanos chegaram a usar as armas, dessa maneira. Uma equipe especial levava a Punt Gun o mais perto possível do Tanque para fazer um único disparo que danificasse o mecanismo de deslocamento do veículo. Imóvel, o tanque se tornava uma presa mais fácil. Algumas tropas alemãs nos dias finais do conflito também importaram para o front as Punt Guns que até então tinham apenas uso civil.


Na Segunda Guerra, as Punt Gun ainda em operação foram consideravelmente menos usadas. Na invasão da França, elas chegaram a ser empregadas para conter o avanço da Blitzkrieg, mas seus resultados foram modestos. A essa altura, já eram tidas como relíquias e gradualmente acabaram substituídas por armamento mais compacto, preciso e com um poder de fogo comparável.

Um levantamento no Reino Unido mostrou que ainda existem pelo menos 50 Punt Guns registradas no país. O Ato de Vida Selvagem e Campo de 1981 limitou o uso de espingardas na Inglaterra, no País de Gales, e na Escócia, a um diâmetro interno de 1,75 polegadas (44 mm). Desde então as armas são usadas apenas em ocasiões especiais, como no Jubileu de Diamante da Rainha Vitória em 1897, quando dispará-las se tornou uma tradição. Durante Coroações e no Jubileu dos governantes reais, 21 Punt Guns são disparadas separadamente e numa salva conjunta como parte das festividades. Nos Estads Unidos, ainda existem Punt Guns, mas elas são mais uma curiosidade que qualquer outra coisa, fazendo parte de shows de tiro e demonstrações. Caçadores com Punt Guns são raros, ainda que de tempos em tempos as autoridades da ATF façam apreensões.

As Punt Guns foram um marco das armas de caça e demonstraram que com o devido poder de fogo em suas mãos, o homem é capaz de operar drásticas mudanças no ambiente em que vive. Felizmente o bom senso falou mais alto nesse caso.


quarta-feira, 10 de abril de 2019

O Arsenal da Quadrilha Barrow - As armas de Bonnie e Clyde


Era um tempo em que criminosos eram glorificados e a população torcia por eles. Assassinos, ladrões e sociopatas violentos eram os heróis do público. Escapar da lei e da ordem era uma façanha que apenas os rebeldes e loucos conseguiam. Suas histórias e feitos se tornaram lendários, mas não resistiam a uma análise criteriosa que os identificava como bandidos sanguinários.

Ainda assim, bandidos se tornaram parte importante da história americana. Frank e Jesse James são um bom exemplo da devoção dos americanos pelos bandidos. A dupla de criminosos que aterrorizou o Missouri após a Guerra Civil se tornou famosa mundialmente. A Gangue do Colt, chefiada pelos irmãos James deixou um rastro de sangue, mortes e vingança, mas também fascinação e interesse duradouros. Há outros como Machine Gun Kelly, Frank Dillinger, a Quadrilha Dalton...

Mas talvez, os mais célebres sejam Bonnie Parker e Clyde Barrow, os míticos amantes nascidos na época mais injusta e dura da história americana. Os dois acumularam uma legião de fãs que torcia por eles e que mal conseguia acreditar quando eles foram abatidos em 1934. Os bancos que a dupla assaltava eram a representação daquilo que o povo mais pobre detestava - os grandes vilões da história. Quando alguém se ergueu contra essas instituições, as pessoas imediatamente se identificaram com eles.

As fotografias, poesias e as manchetes sensacionalistas ajudaram a catapultar o nome dos dois para a história, transformando-os do dia para a noite em celebridades. Havia mulheres cortando os cabelos na moda Bonnie Parker, homens vestindo roupas e chapéu no estilo Clyde e as vendas do Ford V8 duplicaram depois dos elogios feitos à Henry Ford, projetista da máquina. Mais do que os indivíduos, suas armas se tornaram um sinônimo de rebeldia. A Metralhadora BAR (Browning Auto-Gun) e a espingarda Remington se tornaram as armas favoritas dos fãs de Bonnie e Clyde e passaram a ser identificadas com eles.


A Quadrilha Barrow se envolveu em pelo menos cinco grandes tiroteios com as forças da lei e da ordem, estando sempre em menor número. Mas eles compensavam isso com muitos disparos. Em um dos cercos dos quais eles conseguiram escapar, um jornal estampou na manchete "Mais de mil disparos feitos", o que era verdade. Bonnie e Clyde podiam não ser grandes atiradores, mas sabiam que disparando centenas de tiros, alguns deles encontrariam o endereço certo.

Na ocasião de sua morte, o casal transportava dentro de seu automóvel a seguinte lista de armamento:

• Três .30-06 Browning Automatic Rifles (BARs)

• Uma espingarda Winchester de Cano curto 10 gauge com alavanca de recarga

• Uma espingarda de cano curto 10 gauge Remington Modelo 11

• Sete pistolas automáticas calibre .45 Colt 1911

• Uma pistola automática calibre .32 Colt

• Uma pistola automática calibre .380 Colt

• Um revólver Double Action Colt

Eles tinham ainda 3000 balas de vários calibres, além de 100 pentes completos de munição para a BAR cada um com 20 projéteis.

A maioria das armas de Parker e Barrow, e aquelas usadas pelos agentes da lei e da ordem que os capturaram, ainda existem e permanecem em exposição no Texas Ranger Hall of Fame e no Museu de Waco, Texas - uma exposição interessante para os fãs de História americana, ou qualquer um que ame história ou tenha interesse em armas de fogo.

O que se segue é um olhar mais próximo dessas armas.

BAR M 1918 .30-06 Browning Automatic Rifle



Clyde Barrow chamava esse rifle automático (o seu favorito) de "arma de espalhar". Em geral o termo scattergun se refere a espingardas que disparam cartuchos de chumbo em uma nuvem mortal que se "espalha", mas Clyde se referia ao fato de que quando atirava com a BAR, as pessoas se espalhavam e corriam em todas as direções. Não é para menos! O BAR é uma arma assustadora e uma rajada dela é suficiente para fazer qualquer um se atirar o chão. Perfeito para alguém que quer manter civis afastados e homens da lei acuados. 

Uma das ações mais ousadas da Barrow Gang foi atacar a prisão agrícola de Eastham, onde Clyde ficou preso. A peça chave do plano era o poder de fogo da BAR, que os criminosos haviam obtido assaltando um quartel da Guarda Nacional em Enid, Oklahoma. Para dar cobertura aos seus comparsas e permitir a fuga de prisioneiros, eles dispararam contra a copa de árvores criando uma distração perfeita.

Clyde aprendeu a remover o supressor de ruído de seu BAR e assim fazia ele rugir como um trompete. O som era seco e muito alto, realmente assustador.

Em 13 de abril de 1933, um grupo de cinco homens da polícia de Joplin, Missouri, cercou a cabana em que a Barrow Gang estava reunida. Eles acreditavam que se tratava de uma quadrilha de contrabandistas de bebida e não faziam ideia que haviam descoberto o covil dos ladrões mais famosos da época. Ao se aproximar da janela, acabaram sendo vistos e Clyde rapidamente disparou uma rajada de sua BAR. A arma automática cuspiu mais de 200 projéteis fazendo buracos na parede e acertando os agentes em cheio. Dois deles morreram na hora.

Três meses depois, em 18 de julho, um bando de 13 oficiais de polícia armados com metralhadoras Thompson e viajando em um carro reforçado com placas de metal, cercaram a quadrilha no hotel Red Crown Tourist, próximo de Kansas City, Missouri. Apesar de contar com armas automáticas, eles se viram em desvantagem contra o poder de fogo superior dos criminosos. Clyde mantinha pelo menos três metralhadoras limpas e carregadas, prontas para disparar. E não poupava munição quando pressionava o gatilho!

O tiroteio em Kansas City entrou para a história como um dos mais violentos da época. As Thompson disparavam projéteis calibre .45, enquanto a BAR lançava uma barragem de munição .30-06 capaz de atravessar madeira, paredes e até metal a uma distância de 100 jardas. A quantidade de disparos foi tão grande que três dias depois, os jornalistas enviados para cobrir a cena ainda sentiam cheiro de pólvora no ar. Nenhuma janela foi poupada e as paredes da cabana tinham tantos buracos que o dono da pensão preferiu colocar a cabana abaixo ao invés de remendar os danos.


Quatro dias depois, Bonnie, Clyde e W.D. Jones conseguiram, ainda que feridos afugentar 50 homens armados que tentavam capturá-los perto de Dexter, Iowa. Novamente, o que falou mais alto foi o poder de fogo das BAR que impediram o avanço da polícia. Clyde distribuiu suas armas para os comparsas e com os três fazendo uma barragem de tiros foi impossível se aproximar. Logo depois desse tiroteio, eles perderam duas BAR, mas Clyde foi rápido em roubar uma loja de munições e outras três armas para repor o arsenal perdido.

Quando o casal enfim foi morto em uma emboscada, as autoridades encontraram dentro do automóvel três BAR prontas para a ação. Os pentes de munição estavam colocados em uma maleta especial de transporte de munição e deixadas à mão para recarregar e disparar. Estima-se que um atirador treinado consiga descarregar um pente com 20 disparos em 6 segundos e recarregar outro em mais 6 segundos. Clyde se orgulhava de fazer tudo em 7 segundos. 

Carregada com o poderoso cartucho de rifle .30-06, a BAR foi criada pelo projetista de armamento John Browning em 1917 e usada pela Força Expedicionária Americana na Grande Guerra Mundial. O conceito da BAR era simples: permitir ao soldado distribuir uma barragem de projéteis enquanto se movimentava. Até então, as metralhadoras necessitavam ser instaladas em tripés. Com a BAR, um soldado podia atirar e empreender perseguição contra seus alvos e atirar na direção que quisesse. Ela valia por uma coluna inteira de atiradores.

A chave de seleção permitia fogo simples ou automático, disparos para cada ocasião. Alguns soldados se empolgavam tanto com o uso da BAR que afirmavam ser um enfeite a tal "chave seletora", mantendo ela sempre no modo de full auto fire. A BAR rapidamente substituiu as enormes metralhadoras Lewis e Chauchat, que além de pesadas ainda tinham uma manutenção complicada e engasgavam. A BAR pesava aproximadamente 7 quilos e podia ser municiada com um pente de 20 projéteis ou um de 40. Clyde adaptou novamente a sua arma para que ela pudesse comportar um carregador de 60 projéteis. Com isso, ele poderia sustentar uma cadência de tiro de 550 a 600 disparos por minuto.  

A BAR viu pouca ação nos campos de batalha da Europa já que o primeiro carregamento delas foi entregue nos dias finais da Guerra em 1918. Ainda assim, ela foi incorporada ao exército e se tornou uma peça chave de infantaria nas décadas seguintes, usada até meados dos anos 1950. Eventualmente ela foi substituída pela metralhadora M 60 que usava uma cinta de munição e tinha manutenção mais fácil. 

.38 Colt Army “Fitz Special”


O .38 Colt Army Special nessas fotos foi achado no automóvel dirigido por Bonnie e Clyde na emboscada em que eles morreram. O revólver foi fabricado em 1924, e tem uma história curiosa - alguém o roubou de um Texas Ranger chamado M.T. "Lone Wolf" Gonzaullas enquanto ele estava trabalhando na limpeza das cidades durante a criação dos oleodutos no Leste do Texas nos anos 1920. Gonzaullas modificou seu revólver em um modelo que era conhecido na época como Fitzgerald Special, ou "Fitz Specials". A modificação consistia em reduzir  o tamanho do tambor em duas polegadas, removendo a frente do gatilho e sua guarda. A arma podia então ser pega com uma luva grossa e se ajustava melhor à empunhadura de pessoas com as mãos grandes.

Não se sabe como ou quando a arma entrou para o arsenal da Barrow Gang, mas é no mínimo curioso que ela estivesse em poder deles. Mais ainda se consideramos que foram os próprios Texas Rangers os responsáveis pela emboscada que os matou. O revólver estava guardado no porta luvas do V-8 e foi reconhecido semanas mais tarde pelo próprio Gonzaullas que afirmou ser o trabalho de modificação obra sua. 

O Colt Army Special foi produzido pela primeira vez em 1908. Nessa época, polícia e exército estavam trocando seu equipamento do anêmico calibre .32 para o mais robusto .38. O Colt Army se tornou a arma de confiança dos militares e passou a ser usado em um coldre ajustado na cintura e coxa. Contudo, logo depois, a própria Colt lançou em 1911 a pistola semi-automática .45 que se tornaria a arma mais desejada pelos militares e que até hoje é usada. Com isso, os Colt Army já comprados pelo exército, foram cedidos para as forças policiais em quase todo o país sendo renomeados Colt Official Police em 1927. Eles se tornaram a arma básica dos agentes da lei e da ordem na América. Cerca de 400,000 deles estavam em circulação até 1969, quando a Colt decidiu parar de fabricá-los.

.30-06 Colt Monitor Machine Gun


O Colt Monitor mostrado acima foi usado na emboscada fatal de Bonnie e Clyde pelos Texas Ranger. Ele está em exposição no Museu dos Rangers e pertenceu ao policial Joaquin Jackson, cujo livro "One Ranger" dá uma ideia honesta do trabalho e das dificuldades desses policiais. 

Ela não era portanto uma arma que compunha o arsenal de Bonnie e Clyde, mas foi usada para abatê-los. O agente dos Texas Ranger Frank Hamer se armou com uma dessas metralhadoras sabendo que precisaria de poder de fogo para competir com os BAR da Barrow Gang. Alguns policiais temiam que o uso da Monitor em uma área urbana poderia ser desastroso já que a arma tinha uma cadência de tiro semelhante a do BAR e poderia facilmente acertar civis já que os seus projéteis atravessavam paredes. Hamer defendia que a polícia precisava de armas potentes e quando seu pedido por elas não foi aceito, ele próprio foi até uma loja de armas e comprou dois Colt Monitor e munição. 

A arma não havia sido adotada ainda pelo exército americano e provavelmente por essa razão, a Gang Barrow não conseguiu colocar as suas mãos em uma delas. Ao comparar o BAR com a Monitor, Hamer concluiu que a segunda levava vantagem e pediu que outras quatro fossem providenciadas para a emboscada. O Monitor usava cartuchos .30-06 e ao contrário da munição .45 das Thompson conseguia varar a lataria de um automóvel Ford V8. 

O Colt Monitor ganhou enorme fama como a arma que matou Bonnie e Clyde e depois disso foi adotado por forças policiais como uma versão civil do BAR. Ele foi usado por esquadrões especialmente criados para perseguir os gangsters dos anos 1930. O então diretor do FBI, J. Edgar Hoover a apelidou de "arma portátil de destruição em massa". O Monitor tinha o cano mais curto que o BAR e não se valia de um tripé, sendo usado com duas mãos. O pente de munição comportava entre 20 e 30 projéteis e podia manter uma cadência de tiro de 550 projéteis por minuto. 

O famoso Cutts Compensator na ponta da arma era vital para seu funcionamento, ele evitava que durante uma rajada prolongada a arma voasse das mãos do atirador. Alguns gangsters que usaram o Monitor removiam o compensador para que a arma fizesse um ruído assustador. Sem o apetrecho ela também produzia uma labareda amarela ao disparar.

.32 Colt Pocket Hammerless Model M Pistol


O Colt Hammerless Model M era, junto com a Metralhadora Thompson, uma das armas favoritas de Hollywood durante a Era da Depressão. Praticamente todos os filmes de gangsters do período, ou que tivessem detetives ou femme fatale, mostravam personagens equipados com uma delas. As linhas dessa pistola eram tão modernas e icônicas que ela passou a ser chamada de "Pistola Art Deco". Dessa vez, Hollywood estava refletindo a realidade: O Colt Hammerless, Model M, era uma das armas mais usadas pelos bandidos do período que caíram de amores por ela, assim como alguns agentes da lei que a consideravam especial.

Entre 1903 e 1945, cerca de meio milhão dessas pistolas semi-automáticas foram produzidas e vendidas, encontrando um público fiel entre militares e agentes da lei. Ela também se tornou uma favorita de vendedores e pessoas que tinham que viajar frequentemente pelas estradas do interior da América. Fácil de guardar e transportar, podia ser facilmente colocada no porta luvas do carro ou no bolso do casaco. 

O Colt Hammerless, na verdade tinha um cão (a peça que deflagra o disparo), mas este ficava escondido e protegido na lateral da arma o que evitava dele ficar preso em tecido ou no coldre ionde a arma era transportada. O design foi criado por John Browning e ele desenhou um pente de munição pequeno no calibre .32. O pente tinha carga para 8 projéteis, oferecendo um impressionante e rápido poder de fogo para uma pistola tão compacta.

Alem disso, era uma arma discreta que caiu no gosto também de donas de casa como Gladys Hamer, esposa do Texas Ranger Frank Hamer, que em 1934 se tornou o homem que terminou com o reinado de crime e assassinato de Bonnie e Clyde. Bonnie por sinal tinha uma dessas e a usou em pelo menos meia dúzia de assaltos. A arma acabou se perdendo em algum momento da jornada deles pelas estradas. 

12-Gauge Stevens Sawed-Off Double Barrel Shotgun


A Companhia S J. Stevens de armas e ferramentas lançou uma versão da espingarda 12 com o cano curto copiando algo que já se fazia há anos, serrar o cano das armas para deixá-las mais manuais e compactas. A ideia de Stevens era facilitar a portabilidade da .12, mas isso é claro acabou atraindo algumas críticas, afinal encurtar o cano de uma espingarda era algo típico de bandidos e foras da lei.

Não por acaso, essa espingarda ganhou o apelido de "robber's shotgun" (Espingarda de ladrão). Apesar disso e da má fama que a acompanhava, ela vendeu bem se convertendo em um dos principais produtos da Stevens Arms até seu fechamento em 1965.  

Chama a atenção o fato de que a espingarda possui uma coronha de pistola e tambor de uma calibre 12 modificado. A munição era colocada "quebrando" o cano e encaixando o projétil em seu interior. A Shotgun Stevens era barata, forte e com um poder de fogo impressionante para uma arma tão pequena. Ela ganhou reconhecimento entre vigias, leões de chácara e motoristas de carros forte, por ser fácil de esconder. Alguns a usavam em um coldre adaptado, como se fosse uma pistola. Também ficou famosa como a espingarda ideal para se ter em baixo do balcão de um bar. 

A arma na fotografia foi encontrada no carro de Bonnie e Clyde abandonado após uma tentativa de roubo à banco em Hillsboro, Texas em 1932. A arma parece ter sido usada também em uma série de assaltos a postos de gasolina e lojas de conveniência. 

Remington Model 11 20-Gauge Semiautomatic Shotgun



A arma favorita da senhorita Bonnie Parker, exatamente a mesma que ela usou nas famosas fotografias em que "ameaça" seu amante (a foto no alto desse artigo). 

Clyde serrou o cano da espingarda, deixando-a mais compacta para alguém da estatura de Bonnie, que não media mais do que 1,50 m. Com a espingarda mais curta ela podia segurar com as duas mãos e minimizar o coice violento da Remington. Clyde apelidou essa arma de "chicote" pois o recuo dela era tão forte que podia voar longe se não estivesse sendo segura corretamente. Não devia ser fácil para uma moça franzina como Bonnie manejá-la, mas ela o fazia bem o bastante.

A Remington modelo 11 foi a primeira espingarda americana com carregamento automático. Seu mecanismo interno permitia que seis cartuchos fossem municiados pela culatra, após cada acionamento um cartucho novo era empurrado para a câmara e ela ficava pronta para disparar. O mecanismo patenteado por John Browning foi oferecido para a Winchester que não se interessou por ele, aparentemente acreditando que os usuários não abririam mão do mecanismo clássico de alavanca (pump). A arma começou a ser vendida em 1905 e continuou até 1947.

A arma na foto acima estava em poder de Bonnie e Clyde no dia em que eles foram mortos. Um dos Texas Rangers que participou da emboscada disse que a mão de Bonnie chegou a se mover para a esquerda procurando a arma quando ela percebeu a armadilha. De fato, a arma era mantida ao alcance das mãos em uma correia presa na porta do automóvel.

Winchester Model 1901 10-Gauge Lever-Action with Shortened Barrel


A Winchester Modelo 1901 .10 com alavanca, era a espingarda de estimação de Clyde Barrow e foi recuperada no carro da morte no dia da emboscada fatal. Após o ataque, ela foi entregue a Frank Hamer como uma espécie de prêmio por ter matado os foras da lei.

Desenhada por John Browning a arma representava um avanço em poder de fogo e intimidação. A companhia Winchester contratou o famoso armeiro para desenvolver uma espingarda para a companhia que já dominava o ramo de rifles. Browning incluiu no desenho um tubo que acondicionava até cinco cartuchos de munição e uma alavanca que impulsionava uma nova munição após cada disparo. Na prática era uma fusão entre o rifle Winchester de repetição e a espingarda convencional.

Apesar de seu design inovador a arma não teve grande apelo ao público já que foi vendida apenas na versão .10 que não era tão potente quanto a .12. A espingarda ganhou fama como a arma favorita de fazendeiros, mineradores e homens do campo - e o apelido "Elmer Gun" (por conta do inimigo mortal do coelho Pernalonga, que usava um modelo parecido).

É possível que muitos gostassem da arma pelo fato de seus disparos serem barulhentos e capazes de afugentar ladrões. Muitas pessoas defendiam que um disparo da Winchester .10 para o alto era suficiente para fazer qualquer bandido correr sem olhar para trás.  Exemplares dela podem ser vistos em filmes como Roy Bean e Terminator 2.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Lista de Equipamentos para Agentes - Alguns truques do mundo da espionagem


Durante uma aventura envolvendo Espionagem e Intriga, os personagens estarão em busca de informações, terão de transmitir dados, obter planos secretos e decifrar códigos sigilosos. Um cenário de espionagem permite várias possibilidades para os jogadores e a chance de mergulhar em um mundo de intrigas, complôs e mistérios guardados à sete chaves. Adicionar os Mythos a esse caldeirão só aumenta o desafio e a sensação de perigo espreitando nas sombras.  

Em geral, agências governamentais de espionagem possuem os seus próprios equipamentos e fornecem esses items para serem utilizados como ferramentas pelos seus agentes em campo. Além das óbvias armas de fogo e automóveis, espiões podem se valer de vários outros itens específicos para seu perigosos ramo de atividade.

Na sua próxima aventura, procure seu Quartermaster (Q) - o responsável pelo equipamento dos agentes de campo, e pergunte a respeito de itens que podem garantir não apenas o sucesso de sua missão, mas a chave para a sobrevivência de seu agente. 

Objetos para Ocultação


No mundo da espionagem, quase tão importante quanto obter uma determinada informação é preservar essa informação em um lugar seguro e longe das mãos do inimigo. 

Desde que os primeiros agentes secretos entraram em ação, uma das preocupações centrais das agências de espionagem era conceber uma maneira deles esconderem as informações obtidas em algum lugar seguro que não fosse encontrado caso eles fossem capturados pelos inimigos e submetidos a uma revista. Dispor de um esconderijo seguro para ocultar documentos, microfilmes, filmes fotográficos ou planos roubados era essencial quando o agente precisava cruzar uma fronteira ou posto de vigilância.

Ao longo da história inúmeros objetos foram usados por espiões para facilitar a ocultação. Alguns destes itens eram absolutamente inocentes e dificilmente levantavam suspeita. Apenas os investigadores mais experientes e sagazes conseguiam encontrá-los durante uma revista.

Entre os itens de ocultação em exposição no Museu da Espionagem, existem roupas com bolsos secretos, barras de costura falsa, chapéus com compartimento oculto e sapatos com salto deslizante, passando por valises com alça oca, canetas, cachimbos e isqueiros zippos onde era possível esconder um microfilme ou micro-ponto em segurança. Mas havia outros objetos ainda mais incomuns usados para ocultação: latas de espuma para barbear, tubos de pasta de dente, cabides, garrafas de vinho e até moedas falsas (como essa no alto do tópico) ofereciam compartimentos secretos acessados apenas mediante uma determinada pressão em pontos específicos ou rotação em algum lugar.


Marcador Químico

A arte de seguir um alvo de forma discreta é algo que espiões precisam dominar.

Em certos casos no entanto, seguir um alvo pode ser algo extremamente complicado, sobretudo se a pessoa em questão estiver transitando em um lugar movimentado. Para auxiliar em missões dessa natureza, espiões utilizam meios para distinguir o alvo das outras pessoas. Ao longo da história da espionagem, sabe-se de agentes que usavam simples poeira de giz para marcar as costas de seu alvo até uma pequena quantidade de tinta fosforescente. Nos dia atuais, tinta invisível ou compostos químicos, detectáveis apenas com o uso de óculos especiais são o padrão empregado por várias agências de espionagem.

Marcadores químicos no início do século XX incluíam sprays que serviam para marcar o alvo visualmente ou com algum odor distinto que permitia ao espião especialmente treinado, rastreá-lo, mesmo em uma avenida movimentada.

Supressor de Arma (Silenciador)



Outro clássico da Guerra Fria, os Supressores para Armas de Fogo, ou como ficaram mais conhecidos Silenciadores, foram desenvolvidos bem no início do século. A primeira patente de que se tem notícia de um silenciador data de 1909 e foi desenvolvida por Hiram Maxim, um dos criadores da famosa metralhadora Maxim.

Em termos de praticidade armas de fogo não são muito úteis para agentes que primam pela discrição. Um único disparo pode colocar toda uma missão a perder e atrair seguranças ou guardas que o espião deseja evitar a todo custo. Ainda assim, espiões precisam se defender de seus inimigos, por isso não podem abrir mão de tais ferramentas. Assim sendo, um supressor para arma de fogo torna-se um item quase essencial.

Supressores são implementos cilíndricos de metal, fixados no cano da arma de fogo. O objetivo deles é capturar os gases que viajam a velocidade supersônica quando a bala é disparada. O supressor age como uma espécie de filtro, captando os gases e distribuindo em seu interior através de um sistema de deflexão sonora montada no interior. Quanto maior a quantidade de defletores, mais eficiente será o abafamento do som, em compensação o supressor pode diminuir a eficiência do disparo e retardar a velocidade da bala. Os supressores tem uma vida útil curta, após cerca de dez disparos, eles são danificados e deixam de funcionar satisfatoriamente. Armas de fogo automáticas de qualquer calibre aceitam supressores, desde pistolas calibre 22 até rifles .50, mas em algumas armas como espingardas e revólveres eles não são muito úteis pois a redução sonora é mínima.

De um modo geral, armas de menor calibre, como pistolas .32 se comportam melhor com supressores simples que não influem diretamente na eficiência do disparo. Armas desse calibre, em condições ideais produzem um ruído que atinge 140 decibéis, um supressor pode reduzir esse som a aceitáveis 14,5 decibéis uma melhoria considerável.

Um conhecedor de armas de fogo (ou um espião treinado) é plenamente capaz de improvisar um supressor usando para isso meios simples, como por exemplo atirar através de uma garrafa de plástico ou de um pano encharcado com leite comum. Esse tipo de "silenciador sujo" reduz o estampido do disparo a metade de seu ruído, mas afeta a trajetória e potência do disparo.     

Nas primeiras décadas do século XX, supressores são proibidos na maioria dos países, embora nos Estados Unidos, silenciadores fossem comercializados em lojas de material esportivo, principalmente para serem acoplados a rifles de caça. Se existe alguma verdade em filmes da franquia James Bond, é que agências de espionagem ofereciam como arma principal para seus agentes pistolas Walter PPK idênticas ao do espião com "licença para matar". A razão de ser é simples, a arma aceitava muito bem o acréscimo de supressores e tornava a vida dos espiões bem mais segura.

Mini-Câmera Fotográfica

Usadas para capturar imagens em detalhes, máquinas fotográficas sempre foram utilizadas por espiões com o objetivo de reunir evidências e pistas. E o velho ditado: "Uma imagem vale mais do que mil palavras", muitas vezes se provava correto.

Um dos requisitos para a utilização de máquinas fotográficas por espiões era que elas fossem pequenas, discretas e não fizessem barulho. O filme dessas máquinas também deveria ser pequeno, mas capaz de resultar em imagens suficientemente nítidas quando reveladas. As primeiras câmeras usadas por agências de espionagem empregavam os menores aparelhos disponíveis, mas mesmo estes eram grandes demais e acabavam chamando a atenção.

Câmeras de 35 mm se tornaram as máquinas padrão usadas pelas agências de espionagem mundiais. Seus componentes eram tão pequenos e sensíveis que em alguns casos eles eram montados por mestres relojoeiros. Apesar do tamanho, vários acessórios ampliavam a capacidade destas pequenas câmeras permitindo a inserção de lentes, flashes e dispositivos de controle remoto. Além disso, as pequenas câmeras de espionagem vinham disfarçadas em formatos inesperados, podendo ser colocadas dentro da manga de casacos ou sacolas (sendo um botão uma lente oculta), no interior de livros (bíblias mais volumosas eram perfeitas para esse fim) ou até em maços de cigarros.

O filme produzido por essas câmeras também era pequeno e podia ser facilmente escondido. Modelos construídos  na década de 1930 produziam microfilmes que além de serem flexíveis, tinham a largura de um palito de fósforo. A criação dos micro-pontos permitiu que fotogramas fossem miniaturizados até ficarem do tamanho da unha do dedo mínimo.

Uma típica máquina fotográfica usada pelos serviços de espionagem nos anos 1920-1930 tinha capacidade para no máximo 6 fotografias. A qualidade das fotos era baixa e em geral, uma vez que as câmeras eram disfarçadas em algum lugar, a qualidade de enquadramento também era sofrível. Máquinas pequenas no entanto, usadas para fotografar documentos se saiam muito bem, mesmo com iluminação comprometida.

Uma das máquinas mais famosas da Guerra Fria, a soviética Minox Riga (na foto ao lado) desenvolvida em 1932, era tão pequena que era considerada como uma subminiatura. No período ela era 3 vezes menor do que qualquer máquina usada pelas agências ocidentais. Suas dimensões eram de 8 cm x 2,7 cm x 1,6 cm, e pesava apenas 110 gramas. Seu filme flexível tinha apenas 9,2 cm de comprimento. A máquina era tão eficiente que ela foi cobiçada até por agentes inimigos.

Guarda Chuvas de Espião

Por estranho que possa parecer, guarda-chuvas são objetos intimamente relacionados ao mundo da espionagem.

Em primeiro lugar, um guarda chuvas funciona como uma maneira perfeita de sinalizar algo para um contato. Um guarda chuvas pode ser marcado com uma fita para que o agente saiba com quem deve se comunicar, pode ser usado como sinalizador para uma ação (o ato de abrir um guarda-chuvas no meio de uma multidão pode representar o sinal verde para um ataque) ou o guarda chuvas pode ser usado para ocultar uma ação (simplesmente abrindo o dispositivo no momento de passar por uma câmera).



Guarda Chuvas também são ótimos objetos para ocultação, um cabo oco pode ser perfeito para esconder um rolo de filme ou algumas páginas devidamente enroladas. Além disso, um guarda-chuvas pode se converter em uma arma de defesa e ataque. O cabo de um guarda-chuvas pode ser desprendido revelando uma lâmina oculta (estilo sword cane) ou quem sabe até o cano de uma arma de pequeno calibre acionada por um mecanismo ou gatilho oculto. Armas como essa foram usadas por agentes durante a Guerra Fria e eram capazes de um único e mortal disparo à queima roupa.

O mais famoso guarda chuvas usado durante o período da Guerra Fria foi empregado por espiões soviéticos para eliminar o dissidente búlgaro Georgi Markov em Londres. Um agente usando um guarda-chuvas com uma ponta afiada, conseguiu se aproximar de seu alvo e provocar um pequeno arranhão. Na ponta do guarda-chuvas havia uma quantidade microscópica de ricina, uma toxina letal que causou a morte do dissidente em três dias. O caso do assassino do guarda-chuvas se tornou um dos mais famosos da Guerra Fria.

Kit de Disfarce

Muito utilizado sobretudo por espiões utilizando identidades falsas ou que tem sua identidade conhecida pelos seus oponentes.

Um Kit de Disfarce consiste de perucas, grampos, apliques, cola usada em teatro, bigodes e barbas falsas, óculos, tinturas, próteses nasais, cicatrizes plásticas, marcas de idade em forma de decalque e até dentaduras falsas. Em kits mais completos havia ainda lentes de contato em cores diferentes que ajudavam a disfarçar o indivíduo.

Além de mudar a aparência, alguns kits incluíam também roupas e trajes que podiam ser empregados para que o indivíduo assumisse uma identidade ou ocupação totalmente distinta. Durante a Segunda Guerra, espiões aliados estudavam o básico de latim e dos costumes religiosos cristãos para assumir a identidade de padres.

Pílulas de Cianureto


A clássica última opção.

Vista em vários romances e filmes a respeito do lado menos romântico (e mais realista) da espionagem, as notórias pílulas de cianureto eram uma dura realidade. As primeiras pílulas venenosas (também chamadas de L-Pills ou Kill-Pills) eram feitas com uma dosagem microscópica, mas suficiente para causar a morte de um homem adulto em apenas 10-15 segundos. Uma dose maior poderia resultar em uma dor lancinante e prolongada, uma menor em coma ou danos nervosos severos, por esse motivo químicos desenvolviam dosagens específicas para cada espião, baseadas em seu peso. 

As primeiras pílulas foram criadas no início do século XX na Alemanha e foram distribuídas a espiões durante a Grande Guerra, cerca de 28 destes utilizaram suas pílulas. Elas eram guardadas em estojos de metal (semelhantes a uma bala de pequeno calibre) que podiam ser facilmente ocultados. As pílulas eram usadas por agentes capturados que preferiam uma "morte limpa" ou "honrada" ao invés de sofrerem tortura ou coação nas mãos de seus inimigos.

As pílulas de cianureto ficaram famosas durante a Segunda Guerra, sendo distribuídas aos montes no final da guerra para oficiais do alto escalão que buscavam uma morte rápida. Líderes nazistas como Herman Goering e Heinrich Himler usaram pílulas desse tipo para cometer suicídio. No período da Guerra Fria, alguns espiões mantinham escondidas pílulas venenosas, bem como astronautas que estiveram nas missões de longa duração da NASA.

Ao contrário do que se pode supor, as pílulas não eram engolidas. Para liberar a substância em seu interior, era necessário morder a pílula com os dentes. Inalando o vapor liberado causava a morte imediata.

Escuta Portátil


Um dos itens mais identificados com o trabalho de espionagem, a escuta telefônica portátil presente nas primeiras décadas do século XX era um dispositivo diretamente instalado no aparelho que o conectava a centrais móveis responsáveis por compartilhar a linha.

Em geral, esses aparelhos tinham de ser conectados a postes telefônicos através de fiação e eram difíceis de serem disfarçados. A eficácia deles também era discutível, já que espiões experientes eram capazes de perceber a existência de uma escuta abrindo um telefone ou meramente ouvindo estalos na ligação. Aparelhos de escuta mais modernos, as chamadas Caixas Bege, começaram a ser desenvolvidos em 1940. esta eram acopladas a gravadores automáticos que eram ligados assim que a ligação se completava. Contudo, foi na década de 50 que se deu o auge desse tipo de espionagem que revolucionou o trabalho de espião.

Na era de ouro da Guerra Fria, centrais de telefonia móvel eram montadas e usadas especialmente para interceptar ligações telefônicas analógicas. Estima-se que em Berlim existissem mais de 70 mil escutas ativas, isso em uma cidade que possuía cerca de 78 mil linhas. Um espião era capaz de instalar um grampo em pouco menos de 2 minutos. As centrais clandestinas também se devotavam a captar emissões de rádio e transmissão em ondas curtas. 

Para competir com as centrais de escuta, as principais nações emitiam sinais que visavam embaralhar suas transmissões e dificultar a captação. Centrais de contra-espionagem modificavam seus aparelhos a cada semana para atualizar sistemas e se precaver da ação de espiões e grupos de técnicos rastreavam as linhas em busca de grampos. Um único telefone público em um café de Berlim chegou a ter mais de 25 grampos. 

Na década de 1950, escutas instaladas em centrais eram uma enorme preocupação dos governos mundiais. Em 1955 durante a Caça às Bruxas do Macartismo, várias centrais telefônicas norte-americanas foram interditadas para que buscas por escutas fossem conduzidas por agentes do FBI. Supostamente após realizar as buscas, inúmeras linhas foram grampeadas para que os agentes do governo pudessem espionar civis (sem autorização, é claro). 

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domingo, 20 de maio de 2012

Capturando Imagens - Filmadoras nos anos 20 e 30


Depois de assistir essa tal Filmagem Bitterroot fiquei curioso à respeito de câmeras de filmagem antigas e resolvi fazer uma pesquisa à respeito do que existia nos anos 20-30. Descobri que é um assunto bem interessante e acabei escrevendo esse artigo. Estou longe de ser um especialista (muito pelo contrário!), por isso espero não escrever nenhuma bobagem muito grande. Se alguém entender desse tema, por favor releve qualquer deslize e fique à vontade para me corrigir.

Como ocorre com todas as invenções no início, as câmeras eram aperelhos quase artesanais construídas por entusiastas que ainda tentavam aprender os truques de filmagem, edição e continuidade.

As primeiras câmeras de filmagem comercializadas, chegaram ao mercado em meados de 1910 e eram grandes e pesadas exigindo um certo conhecimento técnico por parte do operador. Esses aparelhos eram usados profissionalmente para criação de filmes, documentários e notícias (os newsreels) projetados em salas de cinematographo, o equivalente aos cinemas atuais. As câmeras eram bastante caras e por isso destinadas aos estúdios ou produtores que podiam bancar seu custo, dificilmente uma pessoa poderia adquirir uma câmera para fazer suas próprias filmagens, a não ser que tivesse muito dinheiro e tempo livre para aprender o manuseio do equipamento.
 
Uma câmera francesa da Pathé modelo de 1913
Além disso havia outro empecílio: os primeiros rolos de filmes produzidos em formato 35mm tinham como componentes básicos o nitrato de prata e extratos petroquímicos dispendiosos. Mas a questão de preço era apenas parte do problema; havia o risco que qualquer fagulha transformasse o filme em uma bomba incendiária (quem viu Bastardos Inglórios sabe do que estou falando!). O perigo era tamanho que chegou a vigorar em vários lugares um código de segurança que impedia o transporte de rolos de filme e armazenamento sem os devidos cuidados. Latas de alumínio hermeticamente fechadas concediam alguma proteção, mas ninguém estava livre de acidentes. Hollywood que teve o primeiro pólo de produção cinematográfica contava com uma brigada de incêndio especialmente treinada para conter o fogo resultante da queima de nitrocelulose.
   
Projetores de cinema, eram consideravelmente mais acessíveis e podiam ser adquiridos por pessoas interessadas em apresentar filmes em casa. Um aparelho projetor não era barato podendo custar até 300 dólares, mas aqueles que adquiriam o equipamento podiam se filiar a clubes que disponibilizavam filmes para seus sócios. Funcionava mais ou menos como as video-locadoras, na qual as pessoas pagavam uma anuidade de 15 dólares e podiam alugavam os títulos em um catálogo -- cuja espera podia ser de 1 mês para recebimento. Rolos de vários gêneros desde documentários a docudramas podiam ser alugadas. Como não poderia deixar de ser, um mercado clandestino de produções eróticas e pornográficas se iniciou quase que instantaneamente entre os afixionados por projeções. Essas produções baratas se popularizaram de tal forma que o equipamento de projeção ficou associado com libertinagem em vários lugares dos Estados Unidos.

Birt Acres foi o primeiro a tentar estabelecer um formato amador para as câmeras ainda em 1898. Ele defendia que o potencial era enorme e previu que um dia qualquer pessoa poderia fazer seus próprios filmes e guardá-los para assitir quando bem entendesse. Birt tentou introduzir filmes de 17,5 mm, o Birtac, enquanto outros cinegrafistas testavam rolos com largura variada adaptando projetores para receber seus filmes.

Em janeiro de 1923, a companhia Eastman Kodak anunciou que lançaria no mercado o Kodascope, um sistema amador que permitiria criar filmes em formato 16 mm.

As alegrias de filmar o que estiver à sua volta

A proposta era notável. Filmes já haviam conquistado o público e a idéia de qualquer um poder filmar e exibir seus filmes despertou enorme interesse. Para lidar com a questão do risco de incêndio, foi desenvolvido um filme mais seguro à base de diacetato (e depois triacetato) que não se incendiava com a mesma facilidade. Por lei esse passou a ser o único filme aceito para venda e distribuição ao público, enquanto o filme de 35 mm tornou-se exclusivo para cinegrafistas profissionais, uma divisão que continua até hoje.
Propagandas anunciando o Kodascope começaram a aparecer nos jornais em maio de 1923 com o texto "Cine-Kodak permite a qualquer um fazer seus próprios filmes". A procura foi tão grande que se formou uma fila de espera pelo equipamento. Muitas das pessoas que compraram a câmera através do Catálogo Sears só a receberam 6 meses depois.

A popularidade dos filmes em 16 mm foi imediata resultando na abertura de uma cadeia de laboratórios de processamento da Kodak em todo mundo para produção de filmes em acetato. Um rolo com 100 pés de filme custava $ 7.50 e um com 400 pés saia por $ 30.00 nas lojas autorizadas da Kodak em 1923.

Uma vantagem do equipamento vendido pela Kodak é que o projetor era vendido junto com a câmera. O pacote contendo câmera, projetor, estojo, tela de 1,40 m por 90 cm, tripé e 400 pés de filme podia ser adquirido por US$ 335. Ainda era muito caro, considerando que em 1923 o modelo básico de automóvel vendido pela Ford Motors Co custava US $ 550.

Uma das jogadas de mestre da Eastman Kodak foi permitir que seu "filme seguro" de 16 mm fosse compatível com qualquer outra câmera, mesmo as concorrentes. Desse modo a Kodak assegurou seu lugar como principal forncedor mundial de filme vendendo 3/5 de todo o filme produzido no mundo.

As principais concorrentes da Kodak entraram no mercado a partr de 1924. A Bell & Howell, uma companhia formada em 1907 que se dedicava exclusivamente a equipamento cinematográfico de 35mm, apresentou a "Filmo 57" uma câmera de 16 mm mais simples e leve que a Kodascope a um custo bem mais acessível.  Por algum tempo a Bell & Howell foi a líder em equipamento de filmagem.

Victor Animatograph Company, introduziu a partir de 1918 a Animatograph uma opção ao modelo cinematográfico que empregava filme de 28 mm. Em 1925 a companhia se tornou a terceira a entrar no ramo de "Home Movie" utilizando filme no modelo 16mm, para o modelo batizado "Victor".

Propaganda da Cine Kodak Eight em 1932 para vendas de natal.
 Filme em cores se tornaram uma realidade para cinegrafistas amadores a partir de 1928 com a introdução do Kodacolor. O processo, no entanto, ainda era falho e os filmes muitas vezes acabavam se estragando ou tendo resultado aquém do esperado (com filmagem desbotada). Dessa forma os filmes coloridos não se popularizaram por pelo menos mais 15 anos até eles serem aos poucos reintroduzidos.

Som foi apresentado a partir de 1930 pela Victor através de um sistema adaptado do Vitaphone (o sistema que levou som ao cinema). Ele empregava um disco de gravação que era simultaneamente com a filmadora. O aparelho era enorme e acabou sendo um fracasso comercial retumbante. Os laboratórios Kodak, após três anos de experimentação conseguiram desenvolver um filme especial que registrava o som.
Em meados de 1932, a Grande Depressão atingiu o mundo com força e as pessoas não podiam se dar ao luxo de comprar o caro equipamento em 16 mm. A Kodak vinha pesquisando um modelo mais barato há pelo menos cinco anos e finalmente obteve sucesso com o Cine Kodak Eight. Esse tipo de câmera utilizava um filme de 8 mm que se tornou o grande sucesso de vendas desbancando todos os modelos anteriores.

A câmera permitia filmagens curtas com um filme pequeno de no máximo 50 pés a 16 frames por segundo totalizando filmagens com autonomia de 4-5 minutos no máximo. A principal vantagem dessas máquinas é que por serem menores podiam ser manuseadas com maior facilidade como dispositivos portáteis dispensando o uso do tripé. Os aparelhos também não tinham manivela funcionando com uma bateria interna. O grande atrativo dessas máquinas era o preço acessível em torno de $ 50.

A Bell and Howell começou a produzir câmeras de 8 mm em 1934 para acompanhar a tendência do mercado consumidor, mas a principal companhia a explorar esse novo modelo foi a suiça Bolex que começou a produzir câmeras voltadas para o mercado amador a partir de 1938. O modelo permaneceu dominando o mercad até 1965 quando foi lançado o formato Super 8 que utilizava um cartucho de melhor qualidade de imagem com o dobro da duração.

Aqui estão algumas câmeras usadas no período:

Bell and Howell model 2709 (1920)

À despeito do alto custo (chegaram a custavam mais de US$ 1000 dólares) e sua relativa complexidade operacional, a Bell and Howell colocou no mercado o Modelo 2709 que foi usada pelos estúdios ao longo dos anos 1920-30. Era essa a câmera utilizada pelos grandes estúdios para produzir filmes no período. Charlie Chaplin usou um desses modelos para produzir clássicos como "A Corrida do Ouro", "Tempos Modernos" e "Luzes da Cidade". D.W. Griffith e Cecil B. DeMille usavam esse mesmo equipamento.

No filme King Kong, tanto na versão da década de 30 quanto na mais recente, é uma Bell and Howell que vemos em cena.

Esse modelo apresentava um corpo todo de metal, um eficiente sistema de foco e uma manivela sem fricção. A câmera produzia filmes em 35 mm e podia estocar até 400 pés de filme, o bastante para 10 takes de 12 minutos cada ou duas horas de filmagem.

Acoplada a um cavalete ou tripé, a câmera móvel ela podia ser levada para qualquer lugar pelo operador e equipe, resistindo bem a solavanco e exposição aos elementos.

Mitchell Standard (1921)

Introduzida no mercado em 1921, a Mitchell Standart tinha um design inovador e operação fácil carecendo apenas de um operador para manejá-la. Seu criador se orgulhava do fato desta ser uma das câmeras mais simples existentes sem comprometer em absoluto a qualidade da filmagem.

Outra vantagem era o sistema de rotação que permitia utilizar quatro modelos diferentes de lentes para filmagem e filtros para compensar luminosidade.

Essa cãmera de 35mm podia estocar até 600 pés de filme em sua lata de alumínio. A Mitchell jamais foi tão popular quanto a Bell & Howell nos Estados Unidos mas foi muito usada na Europa sendo o equipamento utilizado por Luis Buñuel, Jean Renoir e Murnau.


Kodascope 16 mm (1923)

A primeira câmera de cinema produzida para o público em geral e vendida a 330 dólares. A máquina pesava 3,300 kg (4 kg com o filme) e era bastante móvel em comparação às outras.
Para ser operada ela carecia de um ponto de apoio por isso vinha com um tripé a fim de facilitar a movimentação da manivela na lateral. Em seu interior era possível colocar até 400 pés de filme de 16 mm em sua caixa quadrada de metal preto.

O aparelho era inovador e bastante fácil de operar, dotada de uma lente Anastigmat que permitia filmagens de qualidade a até 15 metros de distância. O grande problema desse modelo era o peso desconfortável e a manivela que precisava ser rodada em um determinado ritmo para não danificar o filme.

Bell & Howell Filmo 70 "Eyemo" (1926)

Considerada a melhor máquina em 16 mm dos anos 1920, a Filmo 70 se manteve no mercado por mais de 50 anos.

A Bell and Howell de Chicago produziu a Filmo 70 com o objetivo de ser a câmera mais fácil de operar disponível no mercado. A grande inovação era o mecanismo automático que dispensava a manivela e que processava o filme na velocidade correta permitindo ao operador mais liberdade para se concentrar exclusivamente no foco.

O aparelho também tinha um design inovador em oposição ao visual "quadrado" da Kodak. O compartimento de filme ficava ao lado protegido por uma placa aberta por um botão de mola.

Além de tudo a Eyemo (nome pelo qual essa câmera se popularizou) era mais barata. Essa máquina só perdeu a sua hegemonia com o advento das 8 mm.

Cine Kodak Eight (1932)

A primeira câmera de 8 mm foi a primeira filmadora realmente portátil. Ela podia ser operada facilmente embora tivesse grandes limitações quanto a duração e qualidade da filmagem.

O preço mais em conta, no entanto, conquistou o grande público e a Cine Kodak caiu nas graças de toda uma nova geração de entusiastas de filmagens caseiras.

O fato de ser uma máquina portátil e resistente (com um estojo de metal que garantia a integridade do filme) permitiu que câmeras portáteis desse tipo fossem levadas a lugares antes difíceis. O modelo 8 mm se tornou uma febre entre turistas e viajantes que desejavam registrar suas viagens e mostrar aos seus amigos onde haviam estado. Modelos em 8 mm foram usadas para documentar momentos marcantes da história como a Guerra Civil na Espanha e os primeiros anos da Segunda Grande Guerra. Máquinas em 8 mm permitiram a criação dos primeiros filmes jornalísticos produzidos por cinegrafistas amadores.

Aqui está uma típica filmagem amadora feita no Egito em meados de 1920:

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Armas, muitas armas - Cartões para facilitar o controle em sua mesa de jogo

Nosso colega do Blog, Fernando Pinheiro, aperfeiçoou (e muito) a idéia de fazer cartões para controle de Armas de Fogo (e de algumas armas brancas).

Com esses cartões é possível determinar qual jogador está com determinada arma, ter à mão suas estatísticas e ainda acompahar o gasto de munição.

Os cartões servem tanto para Call of Cthulhu quanto para Rastro de Cthulhu e facilitam a vida do Guardião.

O funcionamento não poderia ser mais simples: o jogador que estiver de posse de um dos cartões, está com a arma em questão. No verso do cartão podem ser anotadas as estatísticas da arma para facilitar a consulta. Já o gasto de munição pode ser controlado colocando sobre a carta um token (uma peça de War, uma ficha de poker, um grão de feijão etc) marcando assim quantos cartuchos foram usados e quando é preciso recarregar.

O arquivo com os cartões tem seis páginas, cada uma com quatro armas diferentes (ou seja 24 cartões no total). São as armas que mais aparecem em jogos com temática lovecraftiana. Eu recomendo imprimir e plastificar, depois de acrescentar as informações no verso.

Quem quiser receber o arquivo é só mandar o endereço para que eu o envie por e-mail.

Aqui estão duas fotos dos cartões de armas: