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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Cinema Tentacular: Backrooms - O Horror de um universo que não deveria existir

Poucos fenômenos do horror moderno nasceram de maneira tão característica da era digital quanto Backrooms. O conceito surgiu como uma imagem perturbadora compartilhada na internet: um espaço vazio composto por corredores amarelados, carpetes úmidos e iluminação fluorescente constante, um lugar que parecia familiar e, ao mesmo tempo, profundamente errado. A ideia de uma dimensão escondida atrás da realidade rapidamente ganhou força entre comunidades de terror online, tornando-se uma das creepypastas mais influentes dos últimos anos.

O responsável por transformar esse conceito em algo muito maior foi Kane Parsons, conhecido na internet como Kane Pixels. Ainda adolescente, Parsons criou uma série de vídeos em estilo found footage que imaginavam os Backrooms como uma dimensão desconhecida investigada por uma organização científica. A força desses vídeos estava menos em mostrar uma ameaça explícita e mais em criar uma sensação de desconforto: a impressão de que existia um lugar além das fronteiras normais da realidade. O sucesso da série chamou a atenção da indústria cinematográfica e acabou levando à produção do longa-metragem distribuído pela A24.

A chegada de Backrooms aos cinemas é, por si só, uma história curiosa. Kane Parsons assumiu a direção do longa, trabalhando a partir de um roteiro desenvolvido com Will Soodik. O elenco inclui nomes como Chiwetel Ejiofor, Renate Reinsve, Mark Duplass, Finn Bennett e Lukita Maxwell, enquanto a produção reúne nomes importantes da indústria, incluindo James Wan, Shawn Levy e equipes ligadas à A24 e à Chernin Entertainment.

O mais impressionante nesse processo é perceber que Parsons não abandonou a essência experimental que tornou os Backrooms famosos. Muitos conceitos nascidos na internet perdem sua força quando transformados em grandes produções, pois acabam recebendo uma estrutura tradicional demais. Backrooms, porém, preserva a principal característica de sua origem: o medo de estar diante de algo que não conseguimos compreender.

A premissa do filme parte de uma situação aparentemente simples: uma passagem estranha surge no porão de uma loja de móveis, revelando uma abertura para um espaço impossível. A partir desse ponto, a narrativa abandona gradualmente a lógica do mundo cotidiano e mergulha em uma realidade onde arquitetura, memória e percepção deixam de funcionar como deveriam.

Esse é justamente o aspecto que aproxima Backrooms do horror cósmico de H. P. Lovecraft. Apesar de muitas pessoas associarem Lovecraft apenas a criaturas gigantescas ou cultos secretos, o elemento central de sua obra sempre foi a descoberta de que o universo é muito maior e mais estranho do que a mente humana consegue compreender. O horror nasce quando a realidade deixa de ser confiável.

Nesse sentido, os Backrooms funcionam quase como uma localização dos Mythos de Cthulhu. Não são simplesmente um lugar perigoso, mas uma violação das regras fundamentais do universo. Corredores se prolongam além do possível, espaços parecem copiar ambientes conhecidos sem realmente compreendê-los e a própria ideia de distância perde significado. Para jogadores de Call of Cthulhu, é difícil não lembrar de histórias envolvendo dimensões alienígenas, realidades paralelas e locais onde as leis naturais funcionam de maneira completamente diferente.


O filme também acerta ao compreender que o vazio pode ser mais assustador do que a presença de um monstro. Durante grande parte da experiência, o espectador é confrontado não com ataques constantes, mas com silêncio, repetição e isolamento. Os corredores infinitos tornam-se uma espécie de entidade por si mesmos. A arquitetura deixa de ser cenário e passa a ser o próprio antagonista.

Visualmente, essa é uma das maiores forças do filme. A direção de arte transforma espaços comuns — escritórios, depósitos, corredores comerciais e ambientes industriais — em algo alienígena. A escolha por ambientes iluminados, em vez da tradicional escuridão dos filmes de terror, é particularmente eficiente. O espectador consegue ver tudo, mas justamente por isso percebe que não há nada familiar naquele lugar.

A fotografia e o desenho de som desempenham papel fundamental nessa construção. O zumbido constante das lâmpadas fluorescentes, a repetição dos ambientes e a ausência de referências externas criam uma sensação de desorientação semelhante à que os personagens experimentam. É um horror baseado menos no choque e mais na permanência da inquietação.

A atuação também segue essa proposta mais contida. Chiwetel Ejiofor traz ao filme uma presença dramática forte, enquanto Renate Reinsve ajuda a equilibrar o aspecto emocional da narrativa. Em vez de personagens simplesmente fugindo de um monstro, eles representam pessoas tentando compreender uma situação que desafia qualquer explicação racional.

A escolha de Kane Parsons como diretor talvez seja o elemento mais curioso da produção. Sua trajetória representa uma mudança importante na maneira como novos cineastas podem surgir. Antes de dirigir um longa de uma grande distribuidora, Parsons construiu sua linguagem através de vídeos independentes publicados online. Essa experiência fica evidente na maneira como ele utiliza câmera, ritmo e atmosfera. Ele demonstra uma confiança incomum para um diretor estreante, especialmente na capacidade de sustentar tensão sem depender de recursos tradicionais do gênero.

A recepção crítica ao filme foi bastante positiva, principalmente em relação à direção, à atmosfera e ao design visual. Muitos críticos destacaram a habilidade de Parsons em transformar um conceito originado na internet em uma experiência cinematográfica própria. Também houve elogios à ambição do projeto e à maneira como o filme utiliza os Backrooms como uma metáfora para memória, isolamento e a fragilidade da percepção humana.

As principais críticas, porém, apontam uma questão recorrente: a força conceitual do filme às vezes supera o desenvolvimento emocional dos personagens. Alguns espectadores podem sentir que o mistério e a atmosfera recebem mais atenção do que os conflitos pessoais. Para quem procura um horror mais tradicional, com uma narrativa mais direta e respostas claras, Backrooms pode parecer deliberadamente distante.

Mas talvez essa seja justamente sua maior qualidade. O filme não está interessado em explicar completamente seu universo. Assim como os melhores trabalhos de horror cósmico, ele entende que algumas perguntas são mais assustadoras quando permanecem sem resposta. O desconhecido perde sua força quando é completamente revelado.

Para fãs de Call of Cthulhu, essa característica torna Backrooms especialmente interessante. O filme apresenta uma situação que poderia facilmente servir como inspiração para uma campanha: investigadores descobrindo uma falha na realidade, uma organização tentando estudar um fenômeno impossível e personagens lentamente percebendo que a humanidade não é a medida de todas as coisas.

No fim das contas, Backrooms é menos um filme sobre monstros e mais um filme sobre a descoberta de que existem lugares onde o universo simplesmente não funciona como deveria. Ele transforma um conceito nascido na cultura da internet em uma reflexão sobre espaço, memória e a fragilidade da percepção humana. Para quem aprecia horror cósmico, é uma obra que demonstra que os maiores pesadelos talvez não estejam escondidos nas sombras, mas em algum lugar logo atrás da realidade que acreditamos conhecer.

Trailer:


Poster:

domingo, 4 de janeiro de 2026

Cinema Tentacular: Colheita Estranha - Mr. Shiny retornou para matar

Como qualquer fã do gênero terror pode atestar, encontrar um filme que realmente assuste é como procurar uma agulha num palheiro. Acho que, com o tempo, ficamos "curtidos" e o terror deixa de nos afetar, como um dia afetou. Nós acabamos gravitando em direção ao que nos assustou na juventude, buscando aquela sensação quase esquecida, esperando que algum filme de terror devolva os arrepios que um dia sentimos. 

Colheita Estranha (Strange Harvest/ 2025), um pequeno filme independente que assisti semana passada, atendeu às minhas expectativas tão frustradas. Com imagens chocantes e uma abordagem de realismo quase documental, ele conseguiu o que muitos não passaram nem perto: foi assustador. 

Agora, é importante dizer que esse hiper-realismo pode não agradar a todos, principalmente àqueles que preferem um terror mais estruturado e convencional. Colheita é um derivado do manjado found footage (aqueles filmes onde a ação se sustenta em imagens captadas por câmeras), mas ele consegue a proeza de renovar esse estilo. Escrito e dirigido por Stuart Ortiz, cocriador do competente Grave Encounters, ele tem um toque atemporal em sua abordagem. Feito sob medida para os entusiastas de true crime, Strange Harvest funciona como um conto arrepiante sobre um serial killer que soa real demais para nos deixar à vontade.

Narrada através de uma mistura de entrevistas, testemunhos, trechos de câmeras de segurança, imagens granuladas de cenas de crime e cartas, Strange Harvest constrói uma experiência imersiva e inquietante. O texto de abertura informa que "O caso à seguir é considerado um dos mais subnotificados na história do sul da Califórnia" — embora, se tivesse realmente acontecido, certamente seria um dos mais notórios da história dos EUA, dada suas reviravoltas. Óbvio que é tudo ficção, mas com uma construção tão competente que você sente um verniz de realidade.  

Os fãs de documentários sobre crimes, um público crescente, vão sentir familiaridade com o modelo do filme. Os pormenores do caso são dissecados cuidadosamente por especialistas, detetives e testemunhas que passam uma sensação de estarrecimento diante dos crimes cometidos. As atuações são contidas e naturais, o que torna o horror que se desenrola ainda mais verossímil. Os "detetives" Joe Kirby (Peter Zizzo) e Lexi Taylor (Terri Apple) nos levam a uma odisseia de duas décadas de assassinatos ritualísticos medonhos. As atuações são bastante sólidas; tanto Zizzo quanto Apple convencem em seus respectivos papéis, e o ator que interpreta o assassino, se deleita como vilão.

Os elementos de found footage são usados ​​de forma eficaz, sem se tornarem artificiais ou repetitivos. As sequências são tão bem enquadradas que às vezes a coisa soa genuína demais. Cada detalhe é tratado sob a ótica de um realismo brutal, sustentando o clima de suspense.


A história começa em 2010, quando uma verificação policial de rotina se transforma em uma macabra descoberta numa casa insuspeita de subúrbio. Uma família de três pessoas é encontrada massacrada. Eles foram amarrados ao redor de uma mesa e sangraram até a morte. Acima deles, no teto, há um desenho sinistro: o símbolo usado por um assassino em série que esteve sumido por anos. As mortes não são são apenas terríveis, elas acenam com o retorno de Mr. Shiny

Somos informados então que entre 1993 e 1995, uma série de assassinatos ritualístico ocorreram na Califórnia. Eles estão conectados por uma carta sinistra enviada aos detetives. Nela, o assassino que se apresenta como Mr. Shiny, afirma que ainda restam "10 trânsitos" (a maneira como ele se refere a suas mortes) e que seu trabalho continuará até ser concluído. A polícia inicia uma caçada ao maníaco, busca pistas e indícios, mas não consegue chegar nem perto de capturá-lo...

Mas misteriosamente, tão súbito quanto aparece, Mr. Shiny some sem concretizar suas ameaças. 

O crime quinze anos depois é como o retorno de um pesadelo!

À medida que os detetives relatam os detalhes sobre os novos assassinatos, estes se tornam cada vez mais perturbadores. Por que Mr. Shiny está fazendo essas coisas? Qual é a sua verdadeira identidade? Pode haver um padrão nessas mortes aparentemente sem relação? Embora o filme responda essas perguntas, ele inteligentemente evita mostrar demais. Em vez disso, o roteiro sugere apenas o suficiente para deixar a imaginação correr solta com as inquietantes possibilidades. E o exercício de preencher as lacunas talvez seja o mais assustador, já que as mortes parecem atender os delírios de um louco e sua fixação com entidades obscuras, deuses esquecidos e alinhamentos planetários. Isso concede uma nova camada ao true crime, acrescentando um componente sobrenatural e uma pitada inesperada de Horror Cósmico. 

Há alguns efeitos práticos memoráveis e um notável trabalho principalmente no design nos cadáveres que geram imagens grotescas. A produção dá atenção impressionante aos detalhes, mesmo nas fotos e imagens borradas de cenas de crime. Mas muito além dos efeitos é revigorante encontrar uma trama que estimula o espectador a participar da investigação - quase como se estivesse lá. Mr. Shiny permanece profundamente bizarro mesmo enquanto descobrimos detalhes sobre sua figura misteriosa. Os assassinatos que à princípio soam plausíveis, sofrem uma reviravolta sombria com a inserção do elemento sobrenatural. Em outros filmes isso poderia atrapalhar, mas aqui, esse fator inesperado parece apenas um novo desenvolvimento no caso. Mr. Shiny assume a forma de uma ameaça incontrolável, uma presença quase surreal.

Extremamente bem feito, Colheita Estranha não é para os fracos de coração. 

É um filme que permanece na memória não só pelas cenas sanguinolentas, mas pelo contexto no qual elas estão inseridas. O ritmo segue frenético, martelando imagens cruas e costurando uma longa sequência de crimes hediondos. Fãs de filmes como Lake Mungo, The Poughkeepsie Tapes ou V/H/S provavelmente vão aprovar o estilo, ainda que ele tenha uma identidade exclusiva. 

Com tudo isso dito, não posso indicar mais Colheita Estranha e colocá-lo entre os melhores filmes de terror do ano.

Trailer:



quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

A lista do ano - Os 10 Melhores Filmes de Terror de 2025

E 2025 está acabando e a safra de Horror nos cinemas foi grande e significativa. 

Aqui estão os meus 10 filmes de horror favoritos, com direito a uma pequena sinopse e comentário. 

Tenham em mente que essa lista não é de forma alguma impositiva. de maneira nenhuma, estou dizendo que estes filmes são os melhores e ponto final. É uma opinião pessoal de fã e gosto, sabem como é... cada um tem o seu. O artigo está obviamente aberto a comentários, questionamentos e críticas, que eu ficarei feliz em ler e debater, mas vamos tentar conter nossas paixões.

Meu critério para essa lista foi muito mais, "filmes que eu gostei e que de alguma forma me impressionaram" do que qualquer outra coisa. Não tentei fazer concessões e incluir produções conhecidas, apenas fui fiel aos títulos que mais me chamaram a atenção no ano.

Então, vamos lá?

10) ASH: PLANETA PARASITA (Ash)


Sinopse: Uma astronauta acorda sozinha em uma estação espacial na órbita de um planeta distante. Sem memória do que aconteceu, ela encontra o restante de sua tripulação brutalmente assassinada. Ela precisa juntar as peças do mistério e entender o que aconteceu.

Ash: Planeta Parasita constrói um horror menos influenciado pela ameaça explícita e mais pela fragmentação da percepção e da identidade dos personagens. A perda de memória da protagonista funciona como eixo narrativo e metáfora: o desconhecimento do que ocorreu é tão aterrador quanto o parasita que assombra o planeta. 

O filme aposta fortemente na atmosfera — iluminação agressiva, cores artificiais e uma montagem que privilegia a desorientação — em detrimento de uma progressão narrativa tradicional. Essa escolha aproxima a obra do Horror Cósmico e psicológico, mas também expõe suas limitações: ao priorizar sensação e estética, o roteiro sacrifica desenvolvimento dramático e clareza temática. O resultado é uma experiência sensorial intensa, que provoca mais pelo desconforto do que pela construção da trama.

Ash não tenta ser mais do que é: uma ficção científica com bons momentos, uma aura densa e um final horripilante que funciona bem. O ritmo pode ser um pouco lento, mas para quem tiver paciência e conseguir relevar alguns clichês encontrará um bom misto de Horror e Sci-Fi.  

9) JUNTOS (Together)


Sinopse: A mudança de um casal para o interior desencadeia um incidente sobrenatural que altera drasticamente seu relacionamento, suas existência e sua forma físicas.

Juntos é um daqueles filmes de horror que te atrai... e depois te tortura aos poucos. O que começa como um drama de casal vira um pesadelo visceral quando Tim e Millie, se envolvem com uma força sobrenatural que literalmente ameaça seus corpos e mentes. O clima é claustrofóbico, as transformações são grotescas na medida certa — nada de gore gratuito, mas aquele horror corporal que fica na pele e na cabeça — e a sensação de desconforto cresce como um nó sufocante bem mais eficiente do que "A Substância" por exemplo.

O terror aqui não está só nos corpos se fundindo, torcendo e mesclando com efeitos bizarros (que, honestamente, te fazem olhar de lado e depois olhar de novo) — mas na maneira como o filme transforma ansiedade de relacionamento em algo quase palpável. Cada discussão íntima vira campo de batalha, cada abraço parece um aviso de perigo, e a floresta ao redor se torna parte dessa espiral bizarra. Juntos acerta em misturar horror físico e emocional, fazendo você sentir tanto a estranheza dos eventos quanto a tensão que existe entre duas pessoas que não sabem se soltam ou se agarram ainda mais firme.

8) A MEIA IRMÃ-FEIA (The Ugly Stepsister)


Sinopse: Elvira luta contra sua linda meia-irmã em um reino onde a beleza reina suprema. Ela recorre a medidas extremas para cativar o príncipe, em meio a uma competição implacável pela perfeição física.

The Ugly Stepsister começa como uma história que você acha que conhece… até ela resolver te apresentar algo dark e horrível como só um conto de fadas conseguiria. Tudo diante de um espelho grotesco que finge beleza mas que é simplesmente aterrador. A história pega o universo de Cinderela e vira do avesso, acompanhando Elvira, a "meia-irmã feia", em uma corrida insana por perfeição num reino onde ser bonita é literalmente uma questão de sobrevivência. Mais um filme que parece ter sido inspirado por "A Substância", tratando de beleza e até onde as pessoas estão dispostas a ir para garantir uma bela aparência, não importando a bizarrice dos métodos empregados.  

E haja bizarrice! O terror aqui não é para principiantes, é horror corporal hardcore que te faz sentir coceira embaixo da pele. As cenas de transformação e os procedimentos incrivelmente dolorosos são de causar pesadelo ao expectador mais insensível (sério, tem coisa ali muito doentia!). O humor negro afiado permite alguns momentos que te fazem rir de nervoso… e logo em seguida te arrepiar. Você sente o desconforto como se estivesse lá, observando cada incisão e cada deformação num misto de repulsa e fascínio. 

A estética de conto de fadas sujo de sangue, competição brutal e a pressão por se encaixar num ideal de beleza inatingível criam um terror que não te abandona mesmo depois dos créditos subirem. 

7) FRANKENSTEIN DE GUILHERMO DEL TORO (Frankenstein)


Sinopse: Um cientista brilhante, mas egocêntrico, dá vida a uma criatura em um experimento monstruoso que acaba levando à destruição do criador e de sua trágica criação.

Esse talvez fosse o filme que eu estava aguardando com mais ansiedade esse ano e talvez por isso, a expectativa tenha causado alguns danos ao resultado final. Isso explica porque ele está em sua posição.

Frankenstein de Guillermo del Toro, não é um filme interessado em sustos fáceis ou horror contemporâneo. Aqui, o terror é "old school" nascendo da melancolia, da rejeição e da obsessão humana em brincar de Deus. Del Toro trata a história como uma tragédia gótica desde o primeiro momento, envolvendo tudo numa estética cuidadosamente decadente: laboratórios cheios de sombras, corpos imperfeitos, maquinário antigo e uma sensação constante de que algo profundamente errado está sendo feito em nome do progresso. É um filme que respira tristeza e inspira beleza, como se cada quadro fosse uma pintura cuidadosamente executada.

O horror propriamente dito surge menos na criatura e mais no criador. O Frankenstein de del Toro entende que o verdadeiro monstro não é feito de carne costurada, mas de orgulho, medo e incapacidade de amar aquilo que não corresponde às expectativas. Quando a violência acontece, ela não é espetacular — é pesada, inevitável e profundamente humana. O diretor usa o horror corporal com parcimônia, mas impacto: cada marca no corpo da criatura carrega um significado de dor e abandono. É o tipo de terror que aperta o peito, não o que faz pular da cadeira.

No fim, Frankenstein se firma como um filme sobre solidão e reprovação, usando o horror como condutor emocional. Del Toro não quer reinventar o mito, mas reafirmar por que ele ainda é relevante: porque fala sobre criação sem cuidado, sobre amar apenas o belo, e sobre o medo do diferente. É um terror triste, compassivo e cruel.

O grande senão é a forma como Del Toro optou narrar sua história, com recursos técnicos impressionantes (que devem ser premiados), mas com demasiada simpatia pela criatura e ódio declarado pelo criador. Talvez ele tenha deixado extravasar para a tela seus próprios sentimentos, esquecendo que o importante devia ser manter-se fiel à história original.   

6) TERROR EM SHELBY OAKS (The Curse of Shelby Oaks)


Sinopse: A busca desesperada de uma mulher por sua irmã há muito tempo perdida torna-se uma obsessão ao perceber que o demônio imaginário de sua infância pode ser real.

Terror em Shelby Oaks aposta no já batido subgênero do found footage, mas faz isso com consciência do peso — e do desgaste — do formato. A história acompanha uma investigação sobre um desaparecimento ligado a uma pequena cidade cercada por lendas sinistras. O filme vai construindo o medo de forma gradual, usando gravações fragmentadas, silêncios longos e aquela sensação constante de que algo está sempre fora do quadro. O terror é paciente: nada explode logo de cara, e a tensão cresce justamente pela expectativa, pelo medo do que não está sendo mostrado.

O que realmente sustenta o filme é sua atmosfera. 

Shelby Oaks parece um lugar amaldiçoado pela própria memória, onde cada imagem gravada carrega a ideia de que há algo errado e perigoso prestes a acontecer. Quando o horror finalmente se revela, ele não vem como espetáculo, mas como uma quebra brutal de confiança: nas imagens, nos relatos e até na lógica do que está sendo investigado. Terror em Shelby Oaks não reinventa o found footage, mas entende bem por que esse tipo de terror ainda funciona: ele coloca o espectador na posição de testemunha, preso entre a curiosidade e a incerteza de continuar assistindo.

5) EXTERMÍNIO: A EVOLUÇÃO (28 Years Later)

Sinopse: Um grupo de sobreviventes do vírus da raiva vive em uma ilha. Quando um do grupo deixa o refúgio em uma missão no continente, ele descobre segredos, maravilhas e horrores que transformaram não apenas os infectados, mas outros sobreviventes. 

Extermínio: A Evolução é um retorno ao universo de apocalipse zumbi com uma sensação incômoda de familiaridade, o que por si só, é um elogio. Filmes sobre Apocalipse Zumbi podem ter se tornado lugar comum, mas este consegue de alguma forma se reinventar e acenar com uma nova trilogia. Passando-se 28 anos após a queda da Inglaterra, o filme entende que o verdadeiro terror da franquia nunca esteve nos infectados correndo e gritando, mas no colapso lento da sociedade. O mundo já teve tempo de se adaptar ao vírus, e é justamente essa adaptação que assusta: comunidades fechadas, regras brutais e uma normalização da violência que transforma sobrevivência em algo quase mecânico. O clima é seco, pessimista e constantemente tenso.

O horror funciona em duas frentes bem claras. De um lado, a ameaça física na forma dos zumbis rápidos, caóticos e implacáveis, assegurando a sensação de perigo que marcou a franquia Extermínio. Do outro, o filme investe pesado no terror humano: decisões morais duvidosas, paranoia coletiva e a linha cada vez mais borrada entre proteção e crueldade. Não há espaço para conforto aqui; cada escolha parece dúbia e o medo vem tanto do que está fora dos muros quanto do que cresce dentro deles.

No fim das contas, Extermínio: A Evolução aprofunda o pessimismo da série. É um filme sobre o que sobra depois do apocalipse — não só em termos de mundo, mas de humanidade. O terror não está apenas na possibilidade de infecção, mas na constatação de que talvez não haja mais nada a "salvar" além de sobreviver por mais um dia. É brutal, desconfortável e coerente com a proposta original.

4) PECADORES (Sinners)

Sinopse: Dispostos a deixar suas vidas conturbadas para trás, irmãos gêmeos retornam à sua cidade natal na época da Lei Seca para recomeçar suas vidas do zero. Lá descobrem que um mal está à espera deles.

Pecadores é aquele tipo de terror que te deixa desconfortável antes mesmo de algo acontecer. A história gira em torno de personagens cheios de culpa, jogados num ambiente onde religião, moral e julgamento andam de mãos dadas — e isso já cria um clima esquisito por si só. Desde o começo dá pra sentir que ninguém ali está em paz, e o filme se diverte esticando esse mal-estar até um limite quando tudo vai pelos ares. 

O terror aqui não vem dos monstros escancarados, mas da pressão psicológica. Pecadores brinca com símbolos religiosos, ideias de castigo e aquela sensação incômoda de estar sendo observado ou julgado o tempo todo. Quando a violência irrompe, ela é direta, sem glamour, quase como uma punição inevitável. Não é um filme interessado em te fazer o público pular da cadeira, mas te deixar pensando: "ok… isso aqui está indo pra um lugar bem ruim".

No fim das contas, Pecadores funciona melhor quando você entra no clima e aceita esse terror mais moral e psicológico. Sim, tem vampiros, mas eles são uma alegoria. É um filme que provoca mais desconforto do que medo, mais reflexões do que sustos.

Eu sei que é o favorito de muitos, achei um bom filme, mas pra ser sincero, também achei um tanto pretensioso.

3) COLHEITA ESTRANHA (Strange Harvest)


Sinopse: Um documentário sobre os crimes e a perseguição de dois detetives por um assassino em série chamado Mr. Shiny, que aterrorizou o sul da Califórnia por quase duas décadas.

Este pequeno filme independente é para mim, a maior surpresa do ano. Ele mistura documentário de true crime, com horror sobrenatural e notas dissonantes de Horror Cósmico. 

Strange Harvest se apresenta como um falso documentário sobre a ascensão e o legado de um serial killer diabólico conhecido como Mr. Shiny. Misturando entrevistas, imagens de arquivo e reconstruções que borram a linha entre investigação criminal e espetáculo macabro. Desde o início, o filme cria uma sensação incômoda ao tratar a violência com uma frieza quase burocrática, como se o horror já tivesse sido absorvido pela mídia e transformado em conteúdo. O tom é perturbador, e a estrutura documental ajuda a vender a ideia de que aquilo poderia muito bem ser real.

O terror não vem de perseguições ou sustos típicos de filmes sobre maníacos mascarados, mas da forma como os crimes são narrados, analisados e, aos poucos, normalizados. Mr. Shiny funciona menos como um monstro e mais como uma presença constante, quase mítica, construída pelo inconsciente coletivo, pelas especulações e pela obsessão do público. O filme explora bem esse desconforto ao mostrar como investigadores, jornalistas, familiares e curiosos acabam orbitando o assassino, transformando sua violência em narrativa — e, sem perceber, alimentando o próprio mito que dizem querer desmontar.

No fim, Strange Harvest é um terror seco e inquietante, mais interessado em provocar mal-estar do que em chocar visualmente. O mockumentary funciona como crítica ao fascínio por serial killers e à maneira como o horror real é consumido como entretenimento. Não é um filme que te deixa tenso pelo que aparece na tela, mas pelo que é sugerido o tempo todo: a ideia de que, em meio a tanta exposição e curiosidade mórbida, o verdadeiro horror talvez seja o quanto nos acostumamos a olhar para esse tipo de violência até ela parar de incomodar.

2) FAÇA ELA VOLTAR (Bring Her Back)


Sinopse: Um irmão e uma irmã descobrem que não estão seguros na casa isolada de sua nova mãe adotiva. Um estranho ritual está em curso e algo aterrorizante os aguarda.

Faça Ela Voltar é daqueles filmes de terror que já começam devastadores emocionalmente. A trama trata de luto e culpa e vai construindo uma narrativa sufocante em que a ideia de "trazer alguém de volta" soa como uma amarga esperança. O filme trabalha bem o silêncio, os espaços vazios e a sensação constante de perda, criando um clima pesado que antecede qualquer evento sobrenatural.

O terror se manifesta de forma gradual e violenta. O grande objetivo é corroer os nervos do público aos poucos, usando para isso rituais, símbolos e pequenas quebras da realidade para indicar a perversidade nas entrelinhas. Quando o horror finalmente se revela de maneira mais explícita, ele vem carregado de dor e desconforto. Aqui, o sobrenatural não é um espetáculo, mas uma consequência direta da incapacidade das pessoas em aceitar a morte.

A grande questão é até onde alguém iria para desfazer uma perda e o filme faz questão de mostrar que algumas portas nunca deveriam ser abertas. É um horror perturbador, com um ator mirim que realmente me deixou apavorado, não só pela interpretação, mas pela forma como as coisas avançam. O medo de Faça Ela Voltar está naquilo que é sugerido e não o que se vê. É um ótimo filme, mas o melhor do ano é...

1) A HORA DO MAL (Weapons)


Sinopse: Várias histórias de Horror interrelacionadas ao desaparecimento de estudantes do ensino médio em uma pequena cidade acabam conduzindo a uma revelação devastadora.

A Hora do Mal começa como um mistério inquietante e rapidamente se transforma em algo muito maior — e mais perturbador. O desaparecimento simultâneo de várias crianças, todas na mesma hora exata da madrugada, cria um vazio impossível de ignorar. O filme entende que o terror mais eficaz nasce da ausência: quartos vazios, camas intactas, relógios marcando o momento em que tudo deu errado. Não há explicações razoáveis, só a sensação crescente de que algo antigo, deliberado e cruel está em movimento.

O horror é construído com paciência e inteligência através de histórias separadas que se cruzam e se complementam. Weapons aposta num clima de paranoia coletiva, onde adultos entram em colapso enquanto tentam dar sentido ao impossível. O medo não vem apenas do que pode ter levado as crianças, mas da forma como a comunidade reage — suspeitas, culpa, histeria e a necessidade desesperada de encontrar um culpado. Quando o terror finalmente se manifesta de maneira mais direta, ele vem carregado de estranheza e brutalidade, como se a lógica do mundo tivesse sido substituída por outra coisa, muito mais hostil.

No fim, A Hora do Mal se firma como um terror sobre perda, impotência e o medo de não conseguir proteger quem se ama. É um filme que assusta não por monstros claramente definidos, mas pela ideia de que o mal pode agir de forma coordenada, silenciosa e inevitável nas mãos de pessoas dispostas a manipulá-lo. O resultado é o melhor e mais efetivo horror do ano, um filme que reverbera e se mantém na cabeça por muito tempo. 

*     *     *

E é isso!

Um bom ano de Horror e Fantasia, e que 2026 traga muitos outros tão bons ou ainda melhores...  

quarta-feira, 9 de julho de 2025

Cinema Tentacular: "Faça Ela Voltar" um filme angustiante sobre perda e tragédia


Em 2022, Danny e Michael Philippou se tornaram nomes conhecidos entre os fãs do Terror com o sucesso inesperado de Fale Comigo, um filme assombroso sobre luto que acabou se tornando a produção de maior bilheteria da produtora A24 até então. Em Fale Comigo, o longa-metragem de estreia dos irmãos, a dupla ofereceu uma combinação impressionante de imagens bizarras ​​e momentos chocantes, tudo enquanto contava uma história sobre tragédia e luto. Foi assustador com certeza, mas o que realmente tocou o espectador foi a maneira como o filme lidou com o trauma de perder alguém tão próximo que não haveria limites para tentar tê-lo de volta, nem que por alguns instantes.

Em seu aguardado segundo filme, "Faça Ela Voltar" (Bring Her Back, 1925), os irmãos Philippou abordam novamente o trauma da perda. No entanto, enquanto Fale Comigo se concentrava nesse sentimento em um mundo de festas adolescentes e brincadeiras divertidas, Faça Ela Voltar é muito mais sério e perturbador. Em vez de adolescentes em busca de emoções fortes, a dor da perda se torna o cerne do segundo filme, deixando a dor se infiltrar em cada cena. Do início perturbador, com imagens caseiras granuladas, até a conclusão de tirar o fôlego, o filme tem o efeito de um soco na boca do estômago. 

Embora ambos os filmes explorem a natureza da perda, Faça Ela Voltar adota uma abordagem muito mais crua, que se deleita com a escuridão de maneira ainda mais assombrosa do que Fale Comigo. Juntos, esses dois filmes criam uma mistura fascinante de tristeza e terror que consegue ser enervante e trágica na medida certa.

Mas do que trata Faça Ela Voltar?

Podem ficar tranquilos, nada do que vou escrever aqui contém SPOILERS e não vai estragar sua (bem, digamos), diversão. 


(Aqui é interessante abrir um parênteses e falar sobre as situações perturbadoras que esse filme vai oferecer ao público. Não se trata de um filme palatável e imagino que muita gente vai ficar legitimamente incomodada com ele. Não me entendam mal, esse é em excelente filme, mas também é uma experiência indigesta e agonizante, para dizer o mínimo, portanto, estejam avisados).

Na trama, o adolescente Andy (Billy Barratt) e sua meio-irmã Piper (Sora Wong) voltam da escola um dia e descobrem que seu pai morreu no chuveiro. Em três meses, Andy terá idade suficiente para se tornar tutor legal de Piper, mas até lá, os dois serão enviados para morar com uma mãe adotiva, Laura (Sally Hawkins), e seu filho, Oliver (Johan Wren Phillips) que os recebem. Laura age de forma excêntrica, também está de luto pela morte acidental da filha, mas se apega a Piper imediatamente. As duas meninas tem em comum a deficiência visual e ela parece ver em Piper o reflexo de sua falecida filha.

Andy sente que há alguma coisa estranha com sua nova guardiã, para dizer o mínimo. Laura tem pensamentos estranhos sobre a morte e frequentemente se refugia em seu quarto onde assiste a vídeos perturbadores de um ritual aterrorizante. O pequeno Oliver também é muito estranho, ele anda por aí ou fica trancado em seu quarto por horas a fio, sem falar e aparentemente sem comer. Enquanto Piper se adapta ao novo arranjo, Andy percebe que algo estranho está acontecendo, ou será que o trauma da perda do pai o está fazendo ver coisas que não existem?

Aos poucos a aura de estranheza vai se intensificando a medida que segredos aterradores vem à tona.


Danny e Michael Philippou mostram que o talento apresentado no primeiro filme não é obra do acaso. A atmosfera lúgubre ajuda a criar um ar incômodo, mantendo certos detalhes ocultos do público para maximizar o terror de cada descoberta. Em "Faça Ela Voltar", o expectador é compelido a juntar as peças do quebra-cabeça para entender o que exatamente Laura está planejando. As pistas são oferecidas através de imagens borradas das fitas VHS, onde algo monstruoso e difícil de entender acontece. Fica claro que é algum tipo de cerimônia, mas o verdadeiro teor horrendo só irá se revelar no desfecho, e acredite, não será nada bonito.

O tema central do filme, a PERDA é mesclada com um terror, profundo, físico e por fim, corporal. Desde Hereditário eu não tinha uma reação tão visceral a um filme de terror. 

Laura, Andy e Piper são personagens muito bem construídos. Os três estão intimamente unidos pela tragédia e isso impacta em suas vidas cotidianas todo dia, toda hora, a cada segundo. O peso da perda de Laura é uma luta constante, fica claro que ela nunca a deixou ir. Já Andy se esforça ao máximo para preservar Piper e fazê-la superar, a um elevado custo emocional. O drama do trio protagonista vai se desenvolvendo em cenas que alternam estranheza e crueldade num ritmo vertiginoso. 

Faça Ela Voltar é realmente arrepiante, repleto de momentos surpreendentes que ficarão na sua memória coçando por baixo da pele. A dupla de diretores consegue manter o espectador na beira da poltrona com trechos inesperados e sombrios. Assustadora também é a maneira como eles manipulam o público com o mínimo de informação para que não possam fazer suposições razoáveis sobre o que está acontecendo. 

Não é exagero dizer que esse filme contém algumas das cenas mais surpreendentes que você verá em um filme de horror neste ano, contudo não é no susto e no choque que reside seu maior mérito. É a sensação tangível de desconforto, que faz nossa mente vagar para lugares escuros, que torna o filme uma experiência angustiante.


Sally Hawkins está fantástica como a mãe adotiva, Laura, que parece estar presa numa cápsula temporal: isso se reflete nas roupas que ela veste, nos vídeos que assiste em seus momentos de privacidade e por sua incapacidade geral de superar a morte da filha. Hawkins interpreta Laura com um nível compreensível de tristeza, uma mulher que faria de tudo para reaver a pessoa que mais ama. Sua vida foi arruinada e ela está desesperada para voltar a ser feliz. Isso não a impede de ser um monstro. É o tipo de atuação que só uma indicada duas vezes ao Oscar poderia retratar, e ela equilibra com perfeição tudo o que a personagem precisa ser.

Traga Ela de Volta também apresenta uma das melhores atuações de ator infantil dos últimos anos, com Jonah Wren Phillips como Oliver. Em um papel predominantemente silencioso, Phillips faz de seu personagem uma presença assombrosa, pairando como uma sombra excruciante sempre que está presente. Sem dizer nada, ele torna as coisas especialmente desconfortáveis com seu olhar vazio.

Em meio a tudo isso, Billy Barratt e Sora Wong, são o coração dessa fábula distorcida, conduzindo através de sua tortuosa jornada os acontecimentos mais infames. O roteiro nos faz torcer para que eles sobrevivam e que possam começar uma nova vida juntos e longe de seu passado. Os dois formam uma dupla adorável pela qual torcemos. Os papéis de Barratt e Wong são muito mais contidos, mas eles são a essência que faz o filme funcionar.

Filmes de terror sobre tragédia familiar e perda parecem estar em alta, mas inegavelmente coube a Danny e Michael Philippou dirigir os dois melhores exemplares sobre o tema. Assista a esse filme e prepare-se para ver algo que vai ficar com você por uns bons dias.

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sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Cinema Tentacular: Long Legs - Resenha do bizarro filme com Nicholas Cage

Uma jovem e brilhante agente do FBI é recrutada por seu mentor, um agente sênior para auxiliar a investigar uma série de brutais assassinatos não resolvidos. Assombrada por traumas familiares do passado, a agente mergulha em um horror que se desenrola em cantos cinzentos no interior dos Estados Unidos, aproximando-se cada vez mais de um assassino ao mesmo tempo horrível e fascinante.

Se isso soa familiar e parece a premissa de O Silêncio dos Inocentes, saiba que esta resenha vale também para outro filme lançado recentemente. No caso LONGLEGS, que segue mais ou menos a mesma premissa até que no ato final a história deixa o suspense criminal e se torna horror sobrenatural. LONGLEGS também encontra inspiração em Se7en, Hereditário, Colecionador de Ossos e outros filmes de terror e suspense que por sua vez devem muito a Hannibal Lecter e Clarice Starling. O filme é uma colcha de retalhos lindamente costurada de referências, bizarrice e estranheza.

Mas antes de começar a resenha, cabe aqui um conselho. Se você pretende assistir esse filme, talvez deva parar de ler nesse momento. Embora eu não pretenda incidir em Spoilers nessa resenha, LONGLEGS é um filme que se beneficia enormemente do desconhecimento do espectador à respeito do que vai assistir. 

Em bom português QUANTO MENOS SOUBER A RESPEITO DELE MELHOR.

A essa altura provavelmente já é difícil esconder fatos como a atuação de Nicholas Cage, as já mencionadas similaridades com Silêncio dos Inocentes e as muitas esquisitices do roteiro. Mas há muito mais sobre LONGLEGS do que isso.

Dirigido por Osgood Perkins, o filme se desenrola no início dos anos 1990, representado em gloriosa monotonia por imagens, cenários e figurino que deixam claro a época em que ele se passa. Num ambiente frio e estéril, da Costa Oeste dos Estados Unidos, sempre coberto de neve, o filme progride alternando momentos de lentidão glacial com outros de velocidade terminal, lançando a heroína, a Agente do FBI Lee Harker em um pesadelo macabro.

LONGLEGS já se inicia com uma sequência incrivelmente perturbadora com apenas um ou dois minutos de duração que prepara a plateia para o que está por vir uma mistura de elementos dissonantes que incluem crimes sanguinolentos, indícios de satanismo, humor negro, glam rock e um Nicholas Cage muito, muito, muitíssimo surtado.

De início o filme sugere ser um drama criminal no estilo procedimental em que a jovem mas promissora agente especial é escalada para capturar um assassino em série à solta. A agente, vivida por Maika Monroe demonstra possuir uma estranha sensibilidade que lhe permite compreender as motivações de criminosos violentos. Harker não é uma pessoa sociável, ainda que seja altamente intuitiva e perspicaz. Ela é recrutada pela Agente Especial Carter (Blair Underwood) precisamente por essas qualidades e se junta à investigação dos crimes envolvendo a chacina de famílias inteiras. O suspeito é alguém que se identifica apenas como Longlegs. Ele deixa na cena do crime cartas com estranhos símbolos codificados. Mais estranho ainda; as mortes ocorrem próximas do aniversário das crianças mortas causadas sempre pelo pai que é convencido a exterminar esposa e filhos em um frenesi homicida. Longlegs seria responsável por provocar a tragédia, convencendo o pai a fazer o trabalho sanguinolento, o que deixa o FBI perplexo.

Harker se envolve no caso e a medida que se aprofunda na investigação descobre possuir uma espécie de ligação direta com o assassino (o tal "vínculo mortal" sugerido no título brasileiro). Seria um elo psíquico, clarividência ou uma ligação mais íntima baseada em memórias reprimidas?

A primeira parte do filme sugere que vamos assistir um drama procedimental clássico no qual o espectador é convidado a participar da investigação e tentar determinar ele próprio quem é o assassino, qual a sua motivação e como ele age. Contudo, a medida que a coisa vai se desenrolando, a história vai ganhando nuances de sobrenatural e de ocultismo sugerindo um envolvimento diabólico na trama.

Valendo-se de um tom absurdamente sinistro e ameaçador, o filme prossegue cada vez mais sombrio acrescentando detalhes intrincados e revelando o modus operandi do maníaco. Em dado momento, o assassino parece tomar para si elementos de ocultismo, cifras misteriosas, religião e manipulação psicológica referindo a famosos homicidas que vão de Charles Manson, passando pelo Zodíaco e o Night Stalker. Mas quem seria o Longlegs e o que ele estaria tentando construir com seu rastro de mortes aparentemente sem sentido?

Maika Monroe se dedica de corpo e alma à sua personagem, deslocada e problemática caminhando na corda bamba da genialidade e desconforto. Ela fornece a Lee Harker credibilidade, sobretudo quando a história trás a tona sua conflituosa relação com a mãe que é tão (ou até mais) problemática que ela. A figura materna interpretada por Alicia Witt também acerta no tom contribuindo para o aprofundamento da história. Outra coadjuvante que também chama a atenção é Kiernan Shipka, que interpreta a única sobrevivente de um dos massacres de Longlegs e que está ali para transmitir pistas que podem revelar detalhes sobre o assassino. 

É inegável entretanto que quem rouba a cena é Nicholas Cage no papel do maníaco do título. Normalmente Cage se sente a vontade interpretando personagens esquisitos, mas aqui ele parece ligado no 220 o tempo todo, criando um maníaco absolutamente doentio. Para quem achou o Búfalo Bill de Silêncio dos Inocentes dançando Good Bye Horses vestindo uma roupa costurada com pele de mulheres a coisa mais doentia de todas, prepare-se para algo no mesmo nível. Sob maquiagem pesada que lhe concede uma aparência andrógina, o maníaco parece o resultado de dezenas de cirurgias plásticas mal executadas que tornaram sua face uma paródia de alguém que desejava ser único. E acabou se tornando único da pior maneira possível. Se por fora ele parece um retalho de ser humano, por dentro a ruína mental é ainda maior. Longlegs é total e inteiramente perturbado como fica claro em praticamente todas as cenas em que ele surge. Cage usa vozes esganiçadas e abusa de trejeitos desconexos para construir a imagem de um sujeito esquisito que fala através de metáfora e letras de músicas glam. Suas roupas e estilo também sinalizam que ele seria afeito dessa estética, bem como as fotos e pôsteres de astros do estilo como Lou Reed e T Rex nas paredes de seu esconderijo. Em retrospecto é difícil traçar quais foram as inspirações usadas pelo ator para dar vida a essa criatura, mas ele parece ter recebido total liberdade para criar essa imagem grotesca.

O diretor foi esperto em manter a aparência de Nicholas Cage em segredo, conservando a mística do monstro oculto. É inegável entretanto que quando Longlegs aparece, domina a cena e faz com que a plateia queira entender qual o problema daquele cara e o que o transformou naquilo. O fascínio pelo bizarro fica bem evidente aqui.

A explicação mais fácil para a origem de Longlegs é que ele é um desgraçado que se meteu com coisas muito perigosas e acabou consumido por elas. Ele é como um boneco nas mãos de forças demoníacas que o utilizam para espalhar o mal pelo mundo. Um mal que não precisa fazer sentido, ele é só isso: maligno. Nas mãos de qualquer outro ator, Longlegs soaria exagerado, até beirando o ridículo, mas ele caiu como uma luva para Nicholas Cage. 

Mas se é ao focar no personagem que a trama fica mais atraente é justamente quando se aproxima a conclusão que ela degringola. Ao se afastar da investigação criminal em que havia se estabelecido de maneira coerente e adentrar no terror sobrenatural a história perde um pouco seu foco. Ela puxa o tapete de baixo dos pés do espectador e a sensação é meio dúbia. A medida que fica claro que a agente está enfrentando algo obviamente sobrenatural o roteiro que vinha bem conduzido derrapa, exigindo certo grau de suspensão de crença sobre as explicações concedidas. E se estas, soam absurdas, a trama tenta corrigir simplesmente dizendo que é por conta de ser algo "sobrenatural" e portanto inexplicável.

E se você busca uma explicação razoável, isso é algo que você não vai ter aqui. Nesse quesito eu até entendo as pessoas que reclamaram do final e que enxergaram algo forçado ou até mesmo sem sentido. Talvez o fato do filme ter sido promovido como uma história mais convencional sobre a caçada a um serial killer, tenha minado a proposta original que é explorar a escuridão e a manipulação de pessoas por forças diabólicas.

A meu ver Longlegs é muito bem conduzido e acerta ao ser desconfortável em vários momentos, recorrendo mais a manipulação psicológica do que ao gore para incomodar o espectador. Amparado por uma direção eficiente e elenco afiado, em especial Nicholas Cage o filme funciona e nunca deixa de ser interessante.

Uma questão interessante é como encarar a hype sobre esse filme. Ao mesmo tempo que ajuda a vender um produto, a hype contribui para estragar a experiência quando ela termina. Nem sempre é aquilo que a gente espera,. Minha sugestão: não vá esperando "o filme mais assustadores da década" como alardeia exageradamente o cartaz. Ao invés disso espere um filme bem dirigido que entrega o que promete, uma experiência desconcertante de suspense que pode te incomodar mais ou menos dependendo da forma como você o encarar.

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terça-feira, 3 de setembro de 2024

Cinema Tentacular: ALIEN ROMULUS - Resenha do Filme de Fede Alvarez


Desde o distante ano de 1979, a franquia ALIEN tem aterrorizado e entretido o público em todo o mundo por intermédio de lendas do cinema como Ridley Scott e James Cameron. Embora a franquia nos últimos filmes não tenha atingido o alto nível estabelecido nos dois primeiros filmes, cada sequência apresentou uma nova ideia, tom ou filosofia que permitiu a ela se sustentar por conta própria. 

Claro, a criação mais famosa do suíço H.R. Giger, o Xenomorfo, se manteve como a face mais popular da franquia por décadas, fixando-se no imaginário coletivo como parte indissociável da ficção científica. A criatura permanece como um ícone bizarro tão evocativo quanto na época em que foi criada. A imagem do Alien se tornou referência de medo diante do desconhecido e do imponderável e de terror perante aquilo que perverte a própria essência de quem somos. Reflexões existenciais perfeitas para um filme de horror ontem, hoje e sempre...  

Quando a Disney adquiriu a 20th Century Fox em 2019, o destino do famoso Xenomorfo ficou totalmente em aberto. É claro, seria razoável assumir que mais cedo ou mais tarde o estúdio acabaria revisitando uma de suas franquias mais conhecidas, mas a desconfiança que repousava no peito de cada fã (como um parasita crescendo ali dentro) era como o estúdio do Mickey daria continuidade a série. Um receio perfeitamente justificado visto como a Disney tratou Star Wars nos últimos tempos. Também não ajudava o estrago provocado pelos últimos dois filmes da franquia. PROMETHEUS tentou ser inovador, soprando novos ares e contando a origem das criaturas pela perspectiva de uma expedição que desvendava o segredo dos Engenheiros uma raça que semeou a vida pela galáxia. Em algum momento os tais Engenheiros teriam criado os Aliens e estes acabaram por sobrepujá-los. Infelizmente a maneira como esse roteiro chegou ao cinema causou estranhamento e dividiu opiniões, sendo que a maioria simplesmente repudiou o filme (repudiar é pouco, eu acho o lixo do lixo, mas enfim). A continuação direta de Prometheus, COVENANT tentou corrigir algumas coisas e ser mais claro, mas acabou igualmente naufragando em uma história pouco interessante e sem grande atrativo.


Isso nos leva a ALIEN: ROMULUS, a mais recente sequência da franquia projetada como um interquel se passando entre o ALIEN (1979) original de Ridley Scott e o ALIENS (1986) de James Cameron. Dirigido pelo diretor de EVIL DEAD (2013) Fede Álvarez, ROMULUS investe em algo muito comum atualmente, fazer um filme que é uma espécie de releitura e que serve como homenagem aos demais que se tornaram clássicos.  

Não foi má ideia!

Com o destino da franquia num hiato, atolado em incertezas não é nenhuma surpresa que a 20th Century Studios e Fede Álvarez tenham optado por uma abordagem de volta ao básico. Ele acerta em cheio ao buscar nos dois primeiros filmes os elementos que garantiram sua longevidade. Se ALIEN ainda desejava ser relevante e minimamente interessante ele precisava voltar às suas raízes originais e o melhor lugar para encontrar isso seria nos filmes que os fãs conhecem quase de cor e continuam amando intensamente. Trazer de volta o suspense, pavor, asco, empolgação e entretenimento de qualidade era vital e ainda bem que Alvarez compreendeu isso. 

ALIEN: ROMULUS tem uma história relativamente simples, fácil de aceitar e de acompanhar. Na trama, jovens colonizadores espaciais anseiam deixar sua vida opressiva em uma colônia escura e medonha localizada nos cafundós da fronteira controlada pela Corporação Weyland-Yutani. A protagonista é Rain Carradine (Cailee Spaeny), uma operária órfã encarregada de cuidar de seu irmão sintético e imperfeito Andy (David Jonsson). Buscando escapar desse panorama pessimista, os dois aceitam participar de uma ação desesperada. Unem-se a uma equipe que descobriu uma estação espacial abandonada repleta de suprimentos e recursos necessários para a longa jornada a um mundo melhor. Tudo que precisam fazer é ir até lá e recuperar o equipamento de que tanto precisam. Embora os esforços de coleta pareçam promissores inicialmente, a tripulação rapidamente descobre que eles não são as únicas formas de vida na estação espacial. Há algo assustador espreitando no lugar que era usado secretamente para experimentos.


É inegável que o filme faça referência direta a ALIEN, mostrando a estação como uma gigantesca casa assombrada da qual não há escapatória pois há monstros vivendo lá e a ALIENS que puxa a luta pela sobrevivência a um nível visceral cheio de reviravoltas.  

 A decisão de manter o elenco pequeno e íntimo foi em última análise uma excelente medida, mantendo o roteiro mais focado nos personagens. Isso funciona porque os personagens são bem construídos e interessantes, o que faz sentido já que a história se desenvolve a partir de seus dramas, dúvidas e incertezas. Na vanguarda de ROMULUS está o relacionamento entre a protagonista Rain e Andy, cuja dinâmica de irmãos fornece um ângulo simpático e sincero que os torna fáceis de se conectar. Quando eventualmente o conflito entre eles aflora, na segunda parte da trama, há uma mudança interessante em como ela irá lidar dali em diante com seu irmão artificial. Rain e Andy são, sem dúvida uma grande adição para a galeria de heróis da franquia. A performance eficaz de Cailee Spaeny e especialmente do talentoso David Jonsson soa perfeitamente convincente e é possível se conectar com eles de uma maneira que era impossível em Prometheus, por exemplo. Ao longo dos filmes de Alien tivemos atores roubando a cena no papel de androides e aqui não é diferente. 

O restante do elenco ajuda a construir a tensão que vai se tornando mais e mais sombria e asfixiante. É claro, o elenco de apoio também serve como desculpa para aumentar a contagem de corpos. Entretanto eles não somem de cena simplesmente com mortes bobas como acontece com os coadjuvantes na maioria dos filmes do gênero. Fede Alvarez reserva para cada personagem uma maneira especial de sair de cena (leia-se morrer), da forma mais grotesca possível. Por sinal, em ROMULUS temos algumas excelentes cenas de gore e terror visceral.


A produção deu grande ênfase na criação de próteses e animatrônicos, em oposição ao cenário atual de blockbusters que abusam do CGI. O filme recorre a truques práticos e recursos mais simples para se manter fiel ao espírito dos filmes originais. Como resultado os Aliens ficaram mais aterrorizantes, preservando a aura deles como criaturas bizarras e incompreensíveis que apelam a nossa repugnância ao terror corporal. As aparições deles sempre são acompanhadas de significado e de uma alta carga de tensão. Também temos várias cenas dedicadas aos Facehuggers e Chestbusters, os estágios iniciais da mutação das criaturas. De forma muito competente Álvarez garantiu que ROMULUS fosse tão perturbador para a plateia atual quanto deve ter sido para o público do ALIEN original.

Visualmente o filme foi muito bem concebido contando com uma equipe técnica extremamente eficiente, ainda que não necessariamente inovadora. Os cenários grandiosos do espaço e da face do planeta e seus anéis, alternam para o interior claustrofóbico repleto de corredores e câmaras da estação espacial abandonada. A cenografia investe no visual consagrado pelo ALIEN original onde se destaca uma tecnologia retrô com computadores de tela verde, equipamento velho, naves que parecem velhos navios de carga enferrujados e compartimentos de carga repletos de sombras. O interior da Romulus remete em muitos momentos a Nostromo com seu labirinto de corredores e acessos. 

Se o objetivo da equipe de produção era salientar que o espaço é um lugar insalubre onde você jamais se sente à salvo, parabéns, conseguiram fazer isso com louvor. ALIEN sempre foi a respeito de exploradores desesperados, gente que precisa trabalhar e vai a lugares em que a humanidade não é bem vinda. Aqui não é diferente. A música de Romulus também se encaixa muito bem com a trama. Não é aquela composição típica de filmes de terror criada para causar surpresa ou jump scare. A cargo de Benjamin Wallfisch ela toma a liberdade de utilizar pequenos trechos dos demais filmes, com ênfase em um mood pessimista que permeia toda projeção e que funciona perfeitamente.


ROMULUS é uma experiência independente, mas imbuída de constantes referências e várias citações aos demais filmes. É possível pescar essas referências à todo momento com frases de efeito, aparição de equipamentos famosos, da semiótica e com imagens que remetem diretamente aos seus predecessores, sendo a mais notória a aparição de um androide clássico da franquia. Fan service, sem dúvida, mas que funciona muito bem para satisfazer a nostalgia do público.

Com tudo isso podemos dizer que ROMULUS está em pé de igualdade com os filmes que busca tão avidamente se aproximar? 

Há alguns problemas na trama, em especial uma coisa que me incomodou um bocado que é justamente a sensação de pressa na resolução de tudo. Na porção final esse senso de urgência acaba ficando um pouco cansativo. Se por um lado eu entendo que tal coisa é necessária para criar uma sensação vertiginosa, por outro eu vejo ali um problema decorrente. Para imprimir esse ritmo acelerado, foi necessário encaixar certos elementos na trama e fazer com que tudo acontecesse muito rápido. O que mais me incomodou foi como os Aliens tinham de crescer rapidamente para justificar que se tornassem uma ameaça logo. Há alguns momentos em que é necessário fazer uma suspensão de crença e simplesmente aceitar algumas coisas para a história seguir adiante. Não chega entretanto a ser um pecado que atrapalha o filme ou torna ele menos divertido. 

No geral, ROMULUS é uma contribuição valiosa para a mitologia provando que a marca ALIEN ainda tem muito a oferecer se entregue nas mãos de alguém com paixão e respeito pela franquia.

Trailer:


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