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segunda-feira, 7 de novembro de 2022

O Gabinete de Curiosidades de Guilhermo del Toro - Resenha da Antologia de Horror do Netflix


Não há nada de novo nas antologias de terror que se tornam séries de televisão, elas são populares desde os anos 50, com "Além da Imaginação" e "Além dos Limites", passando por clássicos como "Amazing Stories" "Tales from the Crypt" e títulos mais recentes como "Channel Zero" e "Mestres do Horror". 

As antologias estão fazendo um retorno de sucesso através de séries de sucesso mais recentes como "American Horror Stories", "Love, Death + Robots", "Creepshow" e muitas outras que estão no ar. O melhor das antologias é sua capacidade de oferecer um amplo espectro de talentos em histórias sem conexão. Há uma possibilidade de se reinventar a cada episódio e de oferecer algo novo e fresco aos mais variados tipos de público.

Entra em cena o diretor mexicano Guillermo Del Toro, um amante apaixonado pelo cinema e pelo Gênero do Terror. Ele emprestou suas habilidades a muitos grandes diretores e projetos ao longo de sua bem sucedida carreira. A grande quantidade de filmes que incluem seu nome nos "agradecimentos especiais" é prova disso, assim como os relatos de colegas diretores como James Cameron e Ana Lily Amirpour à respeito de sua bondade e disposição em ajudar. Pergunte a quem quiser, Del Toro é um cara legal!

Seu interesse em expandir os horizontes do Horror, seja no papel de diretor ou de produtor, é genuíno. Pensando nisso, o projeto para uma série antológica sempre esteve entre os seus planos: uma produção que reunisse episódios escritos e dirigidos por jovens talentos e nomes promissores. Ele trabalhou essa ideia por anos, amadurecendo a proposta até obter sinal verde. 

O resultado é "Guilhermo Del Toro Cabinet of Curiosities", uma antologia composta de oito episódios que está à disposição na plataforma do Netflix. A série é vagamente baseada na premissa de um Gabinete de Curiosidade, que historicamente eram salas onde se guardavam coleções de objetos bizarros, exóticos, perturbadores ou raros. Esses gabinetes eram uma maneira de preservar os enigmas do mundo numa época em que a ciência era incapaz de compreender tudo aquilo que nos cercava. A premissa encaixa muito bem na proposta da série, já que cada episódio, assim como os itens de uma coleção de Curiosidades, é único e extraordinário.     


Del Toro em pessoa surge como o apresentador das histórias, andando pelo seu gabinete barroco falando algumas breves palavras que nos preparam para a narrativa à seguir. Esse tipo de introdução se tornou popular em séries como Além da Imaginação, mas é em Galeria do Terror (série dos anos 1970) que reside a melhor comparação. Como o Curador de um Museu Fantástico, Del Toro fornece algumas pistas sobre o curta metragem à ser apresentado e seu Diretor. 

Sua presença é encantadora, mas apesar de seu nome estar no título, Del Toro não é o foco da série. Ele cede o palco quase que instantaneamente para o diretor convidado assumir o show e mostrar à que veio. Eu adoraria poder vê-lo um pouco mais, mas faz sentido ele ser apenas o Mestre de Cerimônias do Circo aterrorizante que está para vir em seguida. 

Conforme exposto, cada episódio é dirigido por alguns dos melhores nomes que trabalham no terror hoje em dia (juntamente com algumas ótimas surpresas). O repertório variado oferece atores conhecidos e uma produção de excelente qualidade. As histórias são muito diferentes, mas combinadas fornecem alguns insights sobre a natureza da posse, propriedade e coleta.

Alguns episódios são genuinamente assustadores, e quase todos fazem uso de terror atmosférico de bom gosto e qualidade. O apuro visual é notável e cada curta metragem, graças ao orçamento do Netflix, tem visual e acabamento de um longa metragem. Efeitos digitais, trilha sonora, cenografia, maquiagem... toda a parte técnica é muito bem feita e merece aplausos.

Mas e quanto aos episódios em si? Quais deles merecem maior atenção? Como ocorre em todas antologias, a qualidade varia, com alguns pontos altos e outros nem tanto. Vejamos à seguir, quais são as histórias que compõem o Gabinete de Curiosidades do Senhor Del Toro.

LOTE 36 

O Lote 36 abre o Gabinete de Curiosidades com um desempenho muito forte em um episódio infelizmente fraco. O excelente Tim Blake Nelson, está maravilhoso como um sujeito raivoso cujo desespero e misantropia estão sempre prestes a atingir fervura máxima. Com uma dívida vencida e o prazo final se aproximando, ele compra um depósito num leilão, na esperança de encontrar alguns itens caros que possa passar adiante. O que ele encontra, porém, pode ser perigosamente diabólico.

O roteiro assinado por Del Toro garante alguns bons momentos. Eu gostei especialmente dos acenos lovecraftianos na história, com direito a tomos malignos, além de personagens coadjuvantes sinistros dispostos a tudo para conseguir itens para suas coleções. E também há um monstro bastante bizarro e interessante! 

O responsável pelo episódio é Guillermo Navarro, um mestre na direção de fotografia, detentor de um Oscar por O Labirinto do Fauno. Ele sabe como ninguém filmar a escuridão, o que ajuda muito nos corredores claustrofóbicos do depósito e da unidade de armazenamento. No entanto, se visualmente o episódio é impecável, mas deixa a desejar no que diz respeito ao ritmo e conclusão um tanto óbvia.

RATOS DO CEMITÉRIO


Graveyard Rats é o primeiro vislumbre de quão incrivelmente divertido gabinete de Curiosidades pode ser quando tudo está funcionando bem. O episódio mais curto da série apresenta um pilantra  maravilhosamente desavergonhado que também tenta pagar uma dívida prestes a prescrever. Sua família possui uma casa funerária e cemitério há gerações, então ele rouba os túmulos para pagar o que deve. Seu cemitério parece ter um problema com ratos que insistem em levar seus cobiçosos tesouros antes que ele possa colocar suas mãos neles. Disposto a juntar a soma devida, ele se vê lutando contra roedores ferozes nos subterrâneos do cemitério, cercado de corpos, esqueletos e coisas mais estranhas.

O brilhante Vincenzo Natali (diretor de Cubo, Cypher, Splice) dirige Ratos de Cemitério com sua sutileza habitual e imaginação, escalando seu amigo de longa data e ator favorito David Hewlett no papel principal de Masson. O personagem é deliciosamente memorável, um homem de uma antiga família rica que fala docemente com todos, mas não consegue disfarçar o quão patético e corrupto se tornou. Assaltando túmulos e gritando com ratos, rezando por misericórdia sempre que está em apuros, ele é a personificação absoluta de um canalha.

Baseado no conto original de Henry Kuttner, além da divertida atuação, Ratos de Cemitério tem alguns momentos realmente assustadores entrelaçados com cenas mais cômicas. Os cenários, figurinos e efeitos são maravilhosos, resultando em uma pequena joia desagradável que explora a noção obsessiva de querer possuir algo para todo sempre.

A AUTÓPSIA


Sem dúvida um dos episódios mais revigorantes no Gabinete de Curiosidades, "The Autopsy" deixa claro em seu título o que os espectadores estão prestes a encontrar. O que seria de uma antologia de horror sem algumas imagens nauseantes, sanguinárias e gore? Afinal, tripas e sangue fazem parte do gênero e teriam que aparecer em algum momento. Não por acaso, esse é um dos segmentos mais angustiantes e interessantes da série, não perdendo tempo, colocando tudo no lugar para uma conclusão impressionante (e doentia). 

Inteligentemente dirigido por David Prior (de "O Homem Vazio"), ele foi escrito pelo brilhante roteirista David S. Goyer (de Dark City, Blade, The Dark Knight) com base num conto de John Shea.

Além de contar com uma ótima história, o episódio traz o lendário ator F. Murray Abraham que interpreta um legista recém chegado à uma pequena comunidade para investigar uma tragédia que vitimou vários operários de uma mina de carvão. Recebido pelo confuso chefe de polícia que tenta compreender o caráter bizarro do incidente, o personagem de Abraham é encarregado de abrir os corpos após a explosão e desabamento numa mina. Ele se aprofunda no mistério, ao mesmo tempo que revista as vísceras e entranhas humanas, sem imaginar o que o espera.

Algumas cenas surreais, uma conversa horripilante e uma autópsia bizarramente grotesca tornam essa um dos melhores segmentos da coleção. 

O EXTERIOR 


Dirigido por Ana Lily Amirpour (The Bad Batch, A Girl Walks Home Alone at Night) esse é sem dúvida um dos segmentos mais esquisitos de Cabinet of Curiosities. The Outside é até difícil de conceituar como terror, ainda que seja uma história incômoda que confronta questões sobre beleza, autoimagem e narcisismo. 

O episódio envolve uma funcionária de banco suburbana e feia, que tenta se encaixar entre outras colegas de trabalho. Para isso, ela utiliza um misterioso e revolucionário produto de beleza que promete fazer milagres não apenas para sua aparência, mas também personalidade. Kate Micucci é responsável por dar vida a personagem principal em busca da aceitação das colegas e de si própria, disposta a qualquer coisa para "se transformar em alguém diferente".

Filmado de forma incomum, com closes e cores berrantes, o visual chega a incomodar.  Alternando um estilo de humor ácido e pouco convencional, combinado a psicodrama, o episódio acompanha a deterioração da saúde mental de uma mulher que passa a sofrer alucinações com as promessas do hidratante mágico.

Não foi pra mim... Achei o resultado sofrível, se estendendo demais e terminando de forma abrupta, não que fosso melhor prolongar essa história.

O MODELO DE PICKMAN


Confesso que era esse o episódio que eu estava mais ansioso em assistir, mas o resultado é um tanto frustrante.

Trata-se de um drama de época elaborado pacientemente cujo horror vai crescendo até transbordar em um espetáculo de sangue e morte na reta final. Pickman's Model é uma das mais populares e horríveis histórias de H.P. Lovecraft, mesclando tabu e arte num mesmo caldeirão fervente de decadência e corrupção. O roteiro do episódio é um tanto quanto diferente, contemplando uma meditação sombria e melancólica à respeito da arte e do significado da beleza. Não é exatamente a proposta de Lovecraft que era bem mais direta em oferecer uma narrativa de horror gótico, quase homenageando Poe.

O Modelo de Pickman segue o premiado aluno de uma escola de arte (Ben Barnes) depois que ele encontra as horríveis pinturas de um misterioso colega de universidade, Richard Pickman. Interpretado por um Crispin Glover perfeitamente concentrado em uma daquelas performances que parecem estranhas demais para ser verdade, Pickman é um gênio artístico cujas pinturas mórbidas são capazes de levar as pessoas à loucura.

A interpretação afetada de Glover como um artista obsessivo, olhos semicerrados, comportamento nervoso e sabedoria sombria é a melhor coisa do episódio. Isso e as pinturas incrivelmente macabras e  belas que parecem causar um misto de fascínio e repulsa. Keith Thomas (diretor de The Vigil e Firestarter) faz um bom trabalho ao dar vida ao início do século XX e cria algumas cenas realmente tétricas, mas parece que falta alguma coisa na conclusão. Por pouco ele não sai da pista e capota ao insistir em mostrar aquilo que o conto original no qual ele se inspira, apenas sugere.

SONHOS NA CASA DA BRUXA


O ponto mais fora da curva infelizmente veio em uma das minhas histórias favoritas de H.P. Lovecraft, e também uma das mais aterrorizantes. Dreams in the Witch House já havia sido adaptado anteriormente em outra antologia chamada Mestres do Horror. O resultado naquela ocasião, se não era grande coisa, ao menos se aproximou muito mais do conteúdo original. Se essa versão tem um visual mais eficiente, o roteiro, por sua vez, deixa muito a desejar. 

Catherine Hardwicke (Treze, Crepúsculo, Chapeuzinho Vermelho) é conhecida por fundamentar histórias fantásticas e de terror juvenil de forma eficiente, mas aqui ela não foi feliz. Tudo soa familiar, sem graça e previsível. Os medonhos pesadelos vividos na Casa com ângulos não euclidianos se transformam em uma caça aos espíritos, focando no relacionamento de dois irmãos muito próximos, mas separados pela morte.
 
Rupert Grint, um tanto sumido desde o fim da franquia Harry Potter, faz o possível para transmitir alguma simpatia, mas esbarra novamente no roteiro frouxo que não lhe dá muito com que trabalhar. Ele interpreta um homem em busca de provas do sobrenatural para entrar em contato com sua irmã gêmea, cujo fantasma ele testemunhou ser sugado para alguma dimensão além. Através do uso de drogas e algumas investigações metafísicas, ele acaba encontrando uma casa decrépita que pode funcionar como portal para outra realidade. Infelizmente ele não percebe que forças malignas habitam essa morada e usarão seus planos em seu benefício.

Eu lamento que o episódio baseado em uma história verdadeiramente assustadora tenha se tornado um arremedo da ideia original. Todo o ar macabro e sinistro impresso no conto cede lugar a melodrama barato e uma correria sem sentido num tipo de floresta espiritual. Na minha opinião, é de longe o pior episódio da antologia.  

 A INSPEÇÃO


Panos Cosmatos (Beyond the Black Rainbow, Mandy) é considerado um dos diretores mais visionários da atualidade. Ele possui um estilo inigualável, então, é claro, seu episódio seria algo completamente diferente do restante dessa antologia de horror.

A Inspeção parece e soa deslocado em meio aos demais episódios que compõem o Gabinete, mas ironicamente ele talvez seja o mais fiel a proposta do tema que permeia toda série: obsessão para com objetos, colecionismo e desejo de possuir.

Panos conta uma história curiosa se passando em 1979, envolvendo um milionário que reúne quatro indivíduos, cada um deles brilhante dentro de sua área de atuação para participar de uma inspeção na qual um item único será apresentado. A ideia é que eles irão ajudar a interpretar o objeto em questão, cada um sob o ponto de vista de sua área. É claro, em se tratando de uma antologia de horror, a tal inspeção não irá ocorrer conforme eles esperam.

O episódio consegue segurar a atenção, atiçando a curiosidade do que vai acontecer a seguir, mesmo com um desenvolvimento lento. A Inspeção é muito bem feito, com visual retrô, sons, diálogos e atuações excelentes, sem mencionar os efeitos práticos que fazem o filme ter um a de produção dos anos 80.

Como quase tudo de Panos Cormatos (o roteiro também também dele), o importante é o visual e a essência. No fim o episódio termina sem explicar o que acabamos de ver o que pode ser frustrante, mas ao mesmo tempo convidativo ao espectador interpretar o que viu.

Estranho? Esquisito? Bizarro? Com certeza, mas mesmo assim, muito bom.
 
O MURMÚRIO


O episódio final da Antologia, Murmúrios, não fecha a série com uma explosão ou um cliffhanger, mas com um sussurro quase inaudível. De fato, é um dos capítulos mais tranquilos, ainda que haja algum espaço para jump scares razoáveis. A história também é mais tradicional, seguindo a premissa de uma história de fantasmas clássica, com direito a uma casa isolada, tragédias pessoais e assombrações tentando transmitir para os vivos as suas aflições. A grande sacada do roteiro é misturar a crença de que pássaros podem ser os condutores das mensagens do além.

O episódio segue um casal de ornitólogos (Essie Davis e David Lincoln) no início dos anos 50 que se dedicam a estudar os padrões comportamentais de uma espécie de pássaro. Eles se mudam para uma ilha deserta e passam a ocupar uma casa isolada à beira de um lago onde as aves costumam se reunir. Entre as gravações e filmagens dos animais, a personagem de Essie Davis começa a ouvir os pedidos de ajuda de uma criança e ter um vislumbre de algo sobrenatural. A dúvida principal é se ela está vendo algo realmente sobrenatural ou se está sofrendo alucinações agravadas por um trauma.

Dirigido por Jenifer Kent, a história se assemelha ao do seu filme mais conhecido, "O Babadook" no sentido de que também envolve uma mãe lidando com intensos horrores emocionais e tendo que superar tragédias pessoais. Para quem está interessado em horror, talvez a profundidade do drama seja um tanto incômoda, já que o terror é apenas um background para os acontecimentos mais importantes.

*     *     *

No geral, O Gabinete de Curiosidades de Del Toro oferece um leque de episódios que variam tanto na proposta quanto no interesse. É provável que a seleção de favoritos varie enormemente de pessoa para pessoa, já que cada episódio oferece uma abordagem diferente do gênero.

É inegável que tudo é muito bem feito, muito bem conduzido e muito bem executado. A competência com que cada episódio foi feito também não se discute, mas confesso que a minha expectativa estava muito alta. A alternância de bons episódios e episódios fracos, faz com que a série sofra de altos e baixos.

Se Gabinete de Curiosidades não é perfeita, não é um desapontamento ficando no meio do caminho. Veremos o que uma segunda temporada, mais coesa e quem sabe equilibrada terá à oferecer.


sábado, 20 de agosto de 2022

O Gabinete de Curiosidades de Guilhermo del Toro - Vem aí série de antologia de Horror (e sim, tem Lovecraft)

Guilhermo del Toro é fã de Terror. Todo mundo sabe disso!

Guilhermo del Toro é fã de H.P. Lovecraft. Todo mundo também sabe disso!

Não é surpreendente portanto, que a próxima série sob a batuta do talentoso diretor e produtor mexicano esteja inserida no gênero e traga duas histórias dedicadas ao Cavalheiro de Provindece.

A Netflix anunciou que GUILLERMO DEL TORO'S CABINET CURIOSITIES vai estrear com um evento de quatro dias de episódios duplos a partir de terça-feira, 25 de outubro, com dois episódios lançados todos os dias até sexta-feira, 28 de outubro. 

Tudo para comemorar o Halloween!

A série, que conta com um belo orçamento, vem cercada de grande expectativa e reúne um time de diretores consagrados no cinema de terror recente. 

“Com o CABINET OF CURIOSITIES, nos propusemos a mostrar as realidades existentes fora do nosso mundo normal: as anomalias e curiosidades”, diz del Toro, que também apresenta o show. “Nós escolhemos a dedo e selecionamos um grupo de histórias e contadores de histórias para entregar esses contos, sejam eles vindos do espaço sideral, conhecimento sobrenatural ou simplesmente dentro de nossas mentes. Bem a tempo do Halloween, cada um desses oito contos é uma espiada fantástica dentro do armário de delícias existente sob a realidade em que vivemos.”

Mas o que podemos esperar desse Gabinete de Curiosidades assustadoras?

Os episódios que compõem a antologia são:

SONHOS NA CASA DA BRUXA: Com Rupert Grint (de Harry Potter), Ismael Cruz Cordova (Anéis do Poder), DJ Qualls (Breaking Bad), Nia Vardalos (Casamento Grego) e Tenika Davis estrelam um episódio escrito por Mika Watkins (BLACK MIRROR), baseado no conto de H.P. Lovecraft, e dirigido por Catherine Hardwicke (TREZE). 

Sinopse: Uma das histórias clássicas mais sombrios de H.P. Lovecraft narra a história de um jovem estudante de matemática que descobre estranhos ângulos na casa em que vai morar e a relação destes com uma temida bruxa da época colonial. 


RATOS DE CEMITÉRIO: David Hewlett (Pin, Rise of the Planet of Apes) protagoniza um episódio escrito e dirigido por Vincenzo Natali (SPLICE, CUBE) com base na história original de Henry Kuttner.

Sinopse: Em Salem, o zelador de um cemitério deve lidar com uma colônia de ratos anormalmente grandes que estão atacando os túmulos. Descendo ao ninho dos roedores ele se vê envolvido numa luta desesperada para exterminar a praga, ou ser exterminado por eles. 


LOTE 36: Tim Blake Nelson (Watchmen), Elpidia Carrillo (O Predador), Demetrius Grosse (Heroes) e Sebastian Roché (Supernatural) estrelam um episódio escrito por Regina Corrado, baseado em uma história original de Guillermo del Toro e dirigido por Guillermo Navarro.

Sinopse: Um misterioso lote arrematado num leilão oferece uma oportunidade única para o terror.


O MODELO DE PICKMAN: Ben Barnes (Westworld, O Justiceiro) e Crispin Glover (De Volta para o Futuro)  protagonizam um episódio escrito por Lee Patterson, baseado em um conto de H.P. Lovecraft, e dirigido por Keith Thomas (A VIGIL)

Sinopse: O artista Richard Pickman é um pintor conhecido pela sua habilidade e pelas obras polêmicas, mas qual seria a origem de suas telas macabras? Em seu estúdio, na calada da noite, Pickman recebe estranhos visitantes dispostos a posar para suas telas macabras.


A AUTÓPSIA: F. Murray Abraham (Amadeus), Glynn Turman (Super 8) e Luke Roberts (Mile High) estrelam um episódio escrito por David S. Goyer (THE DARK KNIGHT, SANDMAN), baseado em um conto de Michael Shea, e dirigido por David Prior (THE EMPTY MAN)

Sinopse: Um médico idoso que trabalha no escritório do legista está na pior. Ele tem câncer e, para aumentar sua miséria, está em uma triste missão para realizar autópsias em dez mineiros mortos após a explosão na mina. Teria sido um acidente ou resultado de uma sabotagem? O que o médico encontra ao fazer as autópsias é de outro mundo. Literalmente.


O MURMÚRIO: Essie Davis (The Babadook) e Andrew Lincoln (The Walking Dead) estrelam o episódio escrito e dirigido por Jennifer Kent (THE BABADOOK), baseado em história original de Guillermo del Toro.

Sinopse:  Uma história de medo, terror e fantasmas que desejam se comunicar com os vivos e relatar suas experiências além túmulo.


O FORASTEIRO: Kate Micucci (Raising Hope) e Martin Starr (Spider Man) estrelam um episódio escrito por Haley Z. Boston (HORROR SABOR DE CEREJA), baseado em um conto da autora de quadrinhos Emily Carroll, e dirigido por Ana Lily Amirpour NOITE)

Sinopse: Horror Cósmico, pavor sobrenatural e mortos vivos reanimados. 


A INSPEÇÃO: Peter Weller (Robocop) e Sofia Boutella (Kingsman) estrelam um episódio dirigido por Panos Cosmatos (Mandy), que também roteirizou com Aaron Stewart-Ahn

Sinopse: Horror Corporal, bizarrice e muito gore em uma história dirigido pelo visionário diretor de Mandy. Espera-se muito desse episódio em particular cuja história está sendo mantida trancada à sete chaves.

Trailer:


sexta-feira, 12 de agosto de 2022

Resenha Tentacular: The Sandman - A aguardada série da Netflix inspirada nos quadrinhos


Foram necessários 30 anos para que uma adaptação de The Sandman (Netflix), a célebre série de quadrinhos de Neil Gaiman, chegasse às telas. Pouco para os Perpétuos que não estão sujeitos à passagem do tempo, mas uma existência para os fãs ansiosos por assistir a versão live action dessa saga tão querida.

Eu me recordo com carinho de quando comecei a ler Sandman, lá pelos idos da década de 1990. Eu vinha dos quadrinhos de super-heróis e estava querendo algo diferente. Esse algo mais veio através do Selo Vertigo, que trazia histórias mais adultas produzidas pela DC Comics. Eu já conhecia e amava o Monstro do Pântano que era o meu personagem favorito, adorava o bom e velho Hellblazer, mas quando li Sandman foi como experimentar pela primeira vez uma iguaria fina. Um verdadeiro prato exótico, diferente de tudo que eu já havia provado até então, algo tão estranho quanto fascinante.

As histórias eram grandiosas, ousadas, cheias de nuances e estranheza, com um toque de proibido e misterioso como bem convinha ao obscuro personagem título. Em que outra história em quadrinhos o protagonista fala através de balões negros e divaga sobre filosofia arcana, história, lendas e fantasia? Sandman é uma criação genial saída da mente de Neil Gaiman, gerado, eu suspeito em algum sonho - afinal, o que seria mais adequado?

A Saga de Sandman era povoada por Deuses e Demônios, seres mágicos e criaturas vis, pessoas normais e extraordinárias, reunidas para contar fábulas que podiam ser belas e líricas, medonhas e perturbadoras, fazendo o leitor pensar, ponderar e se emocionar. A HQ de Sandman trazia mensalmente algum delírio criativo destilado por Gaiman e transformado em imagem por intermédio de um dos talentosos artistas que trabalhavam com ele. O resultado era singular, algo que acontece uma vez a cada geração.

Criador e Criatura, Neil Gaiman e Sandman

Eu sempre me perguntei se Sandman um dia poderia se tornar um filme, mas supunha ser algo impossível de acontecer. Eu me conformava com a noção de que filmar algo desse tamanho, dessa importância, dessa complexidade, beirava o inviável... "melhor nem tentar, se for para fazer porcaria", lembro de ter dito repetidas vezes. Mesmo assim, eu sonhava (claro que sonhava!) com uma adaptação, e imaginava se seria possível transmutar arte em papel para arte em celuloide.

Nunca aconteceu.

O tempo passou e Sandman terminou sua longa jornada nos quadrinhos, Gaiman se dedicou a outros projetos e a ideia de que um dia seria possível ver Lorde Morpheus em carne e osso, ficou no esquecimento. Claro, eu continuava folheando habitualmente as páginas das edições originais e os "encadernados definitivos" que foram lançados ao longo dos anos. Acho justo dizer que nunca parei de ler Sandman.

Então, ano passado, entra na jogada a Netflix com a bombástica notícia de que a maior empresa de streaming do mundo estaria interessada em adaptar a obra de Gaiman no formato de uma série. 

Tom Sturridge vive o Perpétuo Lorde Morpheus

Ok, tempo para processar a notícia e pesar os prós e contras dessa iniciativa. Se por um lado o formato de série, com temporadas, era uma boa ideia (muito melhor do que a de um filme) e a Netflix tinha dinheiro para fazer algo grandioso, por outro, sabemos que nem sempre as adaptações deles são fiéis e que não são poucas as vezes em que o resultado foi de lascar.

Após o anúncio confirmando que a série seria realmente produzida, transcorreram longos meses entre escolha de elenco, locações e filmagens, nos quais fãs novos e antigos usaram as redes sociais como campo de batalha para testar suas teorias. De um lado os que apostavam que seria uma série sensacional e do outro os que diziam que seria nada menos do que o Fim dos Tempos. Tudo sobre Sandman foi debatido, esmiuçado, analisado, criticado, defendido e atacado por uma verdadeira horda de nerds desvairados que, convenhamos, tinham mais tempo do que argumentos. Um dos pontos mais delicados foi a escolha do elenco, pomo da discórdia que descambou para as mais venais discussões sobre fidelidade a obra original no que tange à aparência, raça, gênero e conceito dos personagens.

Alinhado com os produtores, Gaiman saiu em defesa da obra e assumiu o papel de relações públicas da série, garantindo que os fãs não precisavam se preocupar, ele não deixaria seu Sandman ser maculado. Garantia um tanto quanto questionável se considerarmos que ele também estava envolvido com American Gods, e deu no que deu. 

Para encurtar essa introdução e ir direto ao que importa; enfim, semana passada a série estreou com pompa e circunstância na grade de programação da Netflix e convém discutir qual o resultado. Sandman é tudo aquilo com o que sonhávamos ou é um pesadelo do qual não conseguimos despertar? (eu sei, infame, mas não dá para resistir aos trocadilhos oníricos).

A personificação dos Sonhos em carne e osso.

Sem querer fugir da questão, acho que o mais honesto é começar dizendo que é uma série interessante, muito bem produzida e agradável de assistir. Ela vai fazer os fãs sentirem uma ponta de nostalgia ao ver os personagens que amam e ouvir trechos que estão em perfeita sintonia com as histórias. Por outro lado, mesmo os fãs mais entusiasmados serão capazes de apontar elementos que ficaram aquém da expectativa.

Enfim, Sandman é uma boa série, mas está longe de ser perfeita.

É preciso dar um desconto, afinal, juntar em dez episódios uma trama tão rica e profunda não é nada fácil, mesmo quando se divide a temporada em dois arcos - à saber, Prelúdios e Noturnos e A Casa de Bonecas, exatamente as duas sagas iniciais dos quadrinhos.  

Com um orçamento considerável, elenco afinado, bons efeitos e ótima fotografia, Sandman pode se sentir orgulhoso de fazer o que parecia impossível: Dar credibilidade a um universo que muitos consideravam impossível filmar.

Para quem não conhece o quadrinho e não sabe nada à respeito do personagem, é bom fazer algumas apresentações básicas. Na trama, Sandman, mais conhecido como Sonho ou Morpheus, é uma entidade que integra os Perpétuos, uma família formada por seres de poder quase ilimitado que governam reinos ligados a diferentes aspectos da psique humana. Os Perpétuos são responsáveis por coordenar facetas bem particulares de nossa existência mortal - o Destino, a Morte, Desejo, Delírio etc. Sandman, no caso, é o Perpétuo incumbido de zelar pelos Sonhos. É para seu reino que nós vamos quando estamos dormindo e é lá onde nascem as aspirações, projetos e ambições, bem como é lá que surgem nossos medos e inseguranças. Morpheus é quem rege tudo isso e faz com que a humanidade encontre seu caminho entre acertos e erros moldados em seus domínios.

Muitas cenas parecem ter sido sacadas direto das páginas dos quadrinhos

A história começa em 1916, quando Sandman (Tom Sturridge) acaba sendo capturado por um cabal de feiticeiros liderados por um sinistro mago chamado Roderick Burgess (Charles Dance). O bando estava mirando em outro Perpétuo, a Morte e tencionavam capturá-la para seus fins mesquinhos. Ao invés disso, acabam prendendo o irmão desta, nosso protagonista, o Rei dos Sonhos. Uma vez capturado, Morpheus é destituído de suas ferramentas reais - um elmo, uma algibeira e um rubi, que são seus símbolos de poder. Em seguida, enfraquecido e nu, ele é trancafiado numa gaiola de vidro. Lá é coagido pelos seus captores a cooperar, mas se nega a fazê-lo, assistindo pacientemente a passagem das décadas, pois Morpheus ao contrário dos mortais, tem todo tempo do mundo. A prisão do Perpétuo responsável pelos Sonhos se mostra, contudo, devastadora para o mundo desperto, mergulhado em um século de guerra, horror e incerteza. 

Não é nenhum Spoiler revelar que Morpheus eventualmente consegue escapar e que ao fazê-lo retorna ao seu reino, o Sonhar, descobrindo que ele mudou muito. Sua fiel bibliotecária Lucienne (Vivienne Acheopong) cuidou do lugar, mas o Reino quase foi devastado no hiato criado por sua ausência. Ele precisa então reafirmar seu título como Senhor dos Sonhos e reaver seus poderes. 

O primeiro Arco da trama, chamado nas HQ de Prelúdios e Noturnos (correspondendo aos episódios 1 a 5) se concentra na busca de Morpheus pelos seus artefatos que nos anos de aprisionamento mudaram de mãos e se perderam na Londres contemporânea, nas profundezas do Inferno e nas garras de um demente muito perigoso. A jornada para reunir suas ferramentas perdidas se mostra uma tarefa bem mais complicada do que ele poderia imaginar e dá o pontapé inicial na saga de uma forma muito promissora.

O aprisionado Senhor dos Sonhos aguarda o momento de ser livre

A seguir, temos o segundo arco (os episódios 6 a 10) chamado de "A Casa de Bonecas" que lida com problemas surgidos enquanto Morpheus esteve incapacitado de cumprir suas obrigações. Três dos seus súditos: dois pesadelos e um sonho, desapareceram e se perderam no mundo desperto. Eles tem agido de forma renegada desde o sumiço de seu Mestre e é preciso trazê-los de volta. O mais perigoso desses rebeldes é o pesadelo que atende pela alcunha de Coríntio (Boyd Holbrook), um maníaco que inspira serial killers e que se torna um oponente de peso para Morpheus. A importância do Coríntio é ampliada na série, tornando-o o principal antagonista. Além disso, o Rei dos Sonhos tem que enfrentar a ameaça de um Vórtice de Sonhos, um mortal nascido com a singular capacidade de destruir o Sonhar. 

Casa de Bonecas é uma história difícil, com uma longa lista de coadjuvantes (longa demais, eu diria!) e situações bizarras, como uma Convenção de Assassinos em série e uma viagem vertiginosa pelos Reinos Oníricos. Em termos de roteiro o primeiro arco é muito superior ao segundo, que sofre de um excesso de informações que nem sempre são explicadas satisfatoriamente. A maior parte do arco trata de Sonho discutindo com Rose Walker (Vanesu Samunyai, o Vórtice) tentando decidir o que fazer à respeito dela. A outra parte envolve a busca de Rose pelo seu irmão extraviado. A impressão é que essa trama se estende demasiadamente e começa em certa altura, a se arrastar demais. Bem quando já se tornava repetitiva, a série termina com um gancho para a próxima temporada. Ela cria suspense sobre o que vai acontecer à seguir, algo bem dentro da cartilha das séries da Netflix.  

É curioso que o melhor episódio dessa primeira temporada (pergunte a qualquer um) seja aquele que divide os dois arcos e que apresenta a faceta mais humana de Sandman na forma de sua irmã, a Morte. Esse sexto episódio é nada menos do que sensacional ao condensar em pouco mais de 50 minutos duas das melhores histórias da Saga de Sandman, as icônicas "O Som das Asas Dela" e "Homem de Boa Fortuna". Mesmo que depois de ler essa resenha você conclua que essa série não é para você, eu indico assistir ao menos esse episódio, pois ele é uma aula de como contar uma boa história de fantasia.

Sandman encontra Lúcifer no Inferno

O grande elenco é em sua maior parte adequado, com uma capacidade notável de declamar trechos que poderiam soar excessivamente literários, complicados, ou as duas coisas, de forma não artificial. Tom Sturridge, oferece um Morpheus mais humano do que eu contemplava, mas mesmo assim se sai bem ao interpretar uma deidade cheia de nuances, nem bom e nem ruim, simplesmente inumano. Fisicamente sua aparência é bem condizente aos quadrinhos e ele soa como Morpheus, sobretudo quando está zangado. Eu gostei especialmente de Charles Dance e de David Thewlis (que faz o papel do instável John Dee). Os dois roubam o espetáculo sempre que estão em cena. Joely Richardson (Ethel Cripps) também tem uma interpretação sólida como a mãe de Dee. Infelizmente Gwendoline Christie (a regente do Inferno, Lúcifer Morningstar) e Stephen Fry (Gilbert) tem pouco tempo de cena para mostrar serviço. Um dos personagens mais debatidos pelos fãs, a Morte, interpretada por Kirby Howell-Baptiste entrega um excelente desempenho que justifica os produtores terem bancado sua escolha. A Morte é a mais humana das personagens e embora sua aparência inegavelmente difira do conceito original, e tenha causado um debate acalorado, se sai muito bem.

O ponto fora da curva é a versão feminina de John Constantine, no caso Johana, que assume o papel uma vez que a Warner Bros, detentora dos direitos sobre o personagem, não o liberou para a série. A solução foi usar uma personagem que de fato existe na saga, uma antepassada de Constantine, mas lançá-la na trama nos dias atuais, solução meio preguiçosa se me perguntarem. O problema, entretanto, não é a atriz Jenna Coleman, mas como sua Constantine é retratada. Assim como Keanu Reeves no filme de 2005, a personagem é mais uma exorcista do que uma maga, mais uma mercenária em busca de recompensa do que uma ocultista e mais uma pessoa problemática do que uma pilantra incorrigível. Fala-se de um spin-off a ser estrelado por ela, mas francamente eu preferia assistir uma série com um John Constantine que faça jus ao fumante calhorda dos quadrinhos.

Visualmente Sandman tem uma produção de qualidade com direito a paisagens oníricas deslumbrantes e panoramas infernais enfumaçados, além de saltos no tempo a diferentes períodos históricos. Eu penso que o Inferno e seus habitantes poderiam ter recebido um pouco mais de atenção, alguns deles ficaram demasiadamente humanos e com um visual um tanto ridículo (o demônio Corazon, por exemplo mais parece um funkeiro carioca). Toda parte técnica, entretanto, é realizada com cuidado e competência, o que inclui trilha sonora, fotografia e efeitos de CGI de primeira.

Os Irmãos Perpétuos, Morte e Sonho divagam sobre seu papel

Uma crítica que tenho diz respeito a certa diluição do terror e do clima dark que permeava boa parte do quadrinho. Trechos como o castigo de Alex Burgess com o Eterno Despertar, a presença de pesadelos se alimentando dos vivos na busca pela algibeira e alguns aspectos mais detestáveis dos demônios parecem ter sido diminuídos. Mesmo o polêmico episódio 5, o infame "Massacre no Dinner", batizado 24-7, perde um pouco o choque original, ainda que seja inquietante.    

Eu tenho algumas dúvidas sobre o que aqueles que estão conhecendo esse universo agora vão achar de Sandman e de sua trama. Um pouco estranha? Provavelmente. Um tanto confusa? Com certeza. Um bocado corrida com muita coisa acontecendo simultaneamente? Sem sombra de dúvida.  

Apesar de não ser perfeito, Sandman é uma série acima da média e deverá ser renovada para novas temporadas já que vem fazendo sucesso mundo à fora. Suponho que a medida que for avançando, o roteiro encontrará a chance de aprofundar os personagens e encontrar o ritmo ideal para a narrativa. De toda forma, Sandman finalmente chegou onde todos queriam, e isso não é pouca coisa.  

Trailer:


quarta-feira, 26 de janeiro de 2022

Arquivo 81 - Resenha (sem spoilers) da Série do Netflix


Com base no artigo do site The Vulture

Nos reinos do Horror Cósmico e Terror Gótico simplicidade é requisito essencial. 

Imagine uma visão tão impossível de compreender que enlouquece uma pessoa, como nas histórias de H.P. Lovecraft, ou um som tão perturbador que causa desespero e pavor, como em The Tell-Tale Heart, de Edgar Allan Poe. A natureza destituída de razão, enfatizada na obra desses gênios do horror, apresenta um universo de pesadelos, repleto de maldade contra o qual somos impotentes.

Ao trabalhar dentro desses subgêneros profundamente existenciais, a série do Netflix, Arquivo 81 (vagamente inspirada na primeira temporada do podcast de mesmo nome) é uma grande surpresa. Uma produção inteligente, instigante e extremamente atraente. A criadora do show Rebecca Sonnenshine faz o espectador questionar o que está vendo, incentiva a dúvida sobre o que estamos captando e bombardeia nossos sentidos com uma torrente de informações. Tudo isso no esforço de responder a duas perguntas perigosas: E se nosso desejo de ter um passado diferente não fosse apenas um olhar para trás, mas uma porta aberta? E mais importante, e se pudéssemos mudar o que passado? Mudar tudo!


Os oito episódios de Arquivo 81 preenchem o tempo vagando por corredores mal iluminados, escadas soturnas e a arquitetura de casa mal-assombrada de um prédio macabro no centro de Nova York. Complementado por diálogos afiados, narração ágil e muitas referências a clássicos do terror a série inclui acenos diretos ou evocações sutis a uma infinidade de obras. Estão lá trechos pinçados de clássicos como Bebê de Rosemary, Candyman, Além da Imaginação, Os Outros, O Iluminado, Solaris, A Casa Noturna, Hereditário e A Entidade, às jornadas surreais de Mike Flanagan e David Lynch, aos textos de Emily Dickinson, Shirley Jackson, Thomas Ligotti, além, é claro, aos já mencionados Lovecraft e Poe. Tudo isso (e provavelmente muitas outras referências) são juntadas em uma mistura incrivelmente competente. Arquivo 81 pode ser visto como uma carta de amor ao gênero horror, escrito, roteirizado e finalizado por quem conhece e entende do assunto. 

Como tantas outras séries recentes, Arquivo 81 usa e abusa de linhas de tempo divididas, flashbacks, sonhos e memórias represadas para contar sua história. O tempo é tão pouco confiável quanto as identidades dos personagens e tão instável quanto a compreensão de suas próprias motivações. Os arrependimentos e dúvidas que eles carregam são pesados, e atingem praticamente a todos. O resultado é uma série que mexe com percepções e atiça a curiosidade: não se trata de querer entender o que está acontecendo, você sente que PRECISA entender. E não se dá por satisfeito até chegar ao final.

A história, de forma muito resumida e sem spoilers, para não estragar o entretenimento alheio, é a seguinte:


Em 2019, o arquivista Dan Turner (Mamoudou Athie) passa seus dias explorando e preservando o passado. Ele compra fitas de vídeo e de áudio de vendedores de rua, explorando as recordações coletadas por outras pessoas. Cada fita é uma surpresa para ser dissecada e avaliada pelos seus olhos e ouvidos atentos. Trabalhando no Museu da Imagem e Movimento, ele restaura meticulosamente bobinas de filme e som que foram danificadas ou descartadas. Há uma conexão entre as trágicas mortes de sua família anos atrás e a carreira profissional de Dan, e vamos aos poucos fazendo essa ligação. 

Sua vida pessoal exibe rachaduras que são sugeridas pelas conversas de Dan com seu melhor amigo Mark Higgins (Matt McGorry), criador e apresentador de um podcast de terror, o Mystery Signals. Dan mantém uma postura cética sobre o mundo sobrenatural, mas ao longo de Arquivo 81 essa opinião será desafiada por acontecimentos bizarros. Tudo tem início quando ele recebe uma irrecusável oferta de trabalho vinda de Virgil Davenport (Martin Donovan), milionário dono de uma corporação sombria. Davenport contrata Dan para restaurar e digitalizar uma série de fitas de vídeo danificadas em um incêndio ocorrido em 1994. 

Enviado para um complexo remoto nas Montanhas de Catskills, ele passa a viver isolado do mundo exterior, sem internet e sem sinal de celular. O trabalho se torna sua obsessão e ele mergulha na restauração de uma coleção de fitas queimadas, sujas e molhadas. Assistindo ao conteúdo fragmentado, ele passa a conhecer Melody Pendras (Dina Shihabi), uma estudante que 25 anos atrás trabalhava em sua tese de doutorado em antropologia sociocultural. Seu projeto envolvia catalogar a história oral de um prédio de apartamentos sinistro, o Visser, em Nova York. A história do prédio é estranha: construído sobre as ruínas de uma mansão que também foi incendiada na década de 1920, o lugar fervilha com mistérios guardados à sete chaves. À medida que assiste aos registros feitos por Melody, Dan vai conhecendo os habitantes do prédio (uma fauna pra lá de estranha) que oculta segredos medonhos. 


Enquanto Dan examina os vídeos deixados por Melody, um estranho vínculo atemporal começa a se formar entre eles. A investigação de Mellody se mostra cada vez mais perigosa, não apenas colocando-a em situações de risco, mas desafiando sua própria sanidade. A amiga adolescente de Melody, Jess (Ariana Neal), ajuda a estabelecer sua conexão com os habitantes do Visser e, enquanto se aprofunda no material, a realidade de Dan também começa a ser afetada. 

Os oito episódios de Arquivo 81, todos lançados na Netflix em 14 de janeiro, foram conduzidos por jovens talentos da direção, cada um responsável por dois segmentos. A produção da série é de James Wan, nome conhecido entre os fãs, responsável por algumas das mais emblemáticas produções recentes no gênero. O visual da série se alterna entre imagens  limpas e estéreis nos eventos em 2019 e a filmagem saturada e granulada da narrativa de 1994. Essa diferença estética é importante, pois Arquivo 81 salta do presente para o passado sem cerimônia. O espectador terá de ter atenção aos detalhes se quiser acompanhar e entender o desenvolvimento da trama, e se fizer isso, será recompensado. 

Os intérpretes de Dan e Melody são excelentes e a estranha interação firmada entre eles garante alguns dos melhores momentos da série. Dan faz muito mais do que assistir os vídeos, ele participa ativamente dos acontecimentos, investigando-os com a ajuda de seu amigo, único contato restante no mundo exterior. Momentos de tensão e reviravoltas vão se alternando num ritmo de perder o fôlego. Arquivo 81 oferece várias suposições e suspeitas, mas elas só serão resolvidas no momento certo, quando o roteiro assim desejar.


As peças desse complicado quebra-cabeças vão se encaixando lentamente: temos um culto diabólico, rituais de sacrifício, artistas perturbados, ricaços entediados levados ao estudo do oculto, tomos esotéricos, um cometa rasgando o firmamento e entidades dimensionais, que fazem parte da colagem de enigmas sobrenaturais. A aberturas dá uma ideia dos elementos que compõem a trama intrincada. Acompanhado de uma trilha sonora cadenciada e enervante, que evoca o mesmo tipo de pressentimento e inquietação dos personagens, a série é absolutamente viciante.

Arquivo 81 não deixa de ser uma grande surpresa entre os lançamentos do Netflix, a série aparentemente despretensiosa conquistou seu lugar entre as mais assistidas nesse início de ano e já recebeu sinal verde para uma segunda temporada, embora não se saiba se a história a ser abordada será uma continuação ou algo totalmente diferente. 

Apenas um adendo, não se deixe enganar imaginando que essa é apenas mais uma série inspirada pela já batida premissa das fitas de vídeo encontradas (as video footstages). Arquivo 81 tem o mérito de construir um mistério sólido e criar uma atmosfera sinistra e ao mesmo tempo sutil, difícil de deixar de lado. 

Brilhante e praticamente obrigatório para fãs!

Trailer:


terça-feira, 10 de novembro de 2020

Cinema Tentacular: O que Ficou para Trás: Resenha do Filme da Netflix


O que fazer quando você acredita que deixou inferno para trás, mas ele insiste em acompanhá-lo? 
Esse é o drama dos protagonistas de "O que Ficou para Trás" (His House/ 2020), filme de horror britânico que acaba de estrear no Netflix e que vem chamando a atenção dos espectadores da plataforma de streaming.

Com uma direção segura e francamente bastante assustadora Remi Weekes construiu um filme que foge do lugar comum das casas assombradas e situações familiares que frequentam o gênero. De certa maneira, ele revitaliza esse subgênero do horror, investindo em um roteiro que combina elementos de drama familiar e denúncia a respeito da dramática situação dos refugiados das guerras genocidas da África.    

Nos primeiros 20 minutos, Aquilo que Ficou para Trás, parece mais um drama do que um horror sobrenatural. O pesadelo humanitário é apresentado de forma nua e crua, com a via crucis de um casal sudanês buscando asilo numa fria Grã-Bretanha. 


Bol (Sope Dirisu) e Rial (Wunmi Mosaku) arriscam tudo em uma perigosa travessia num barco superlotado tentando deixar seu país natal partido pela guerra e encontrar a segurança longe da área de conflito. Mas um trágico acidente em alto mar faz com que eles questionem seus motivos depois que a filha morre afogada na travessia. Após essa tragédia e um tempo de luto encontramos os dois vivendo num centro de detenção onde eles aguardam pela regularização de sua situação. Logo no início eles conseguem sua própria casa nos arrabaldes de Londres. O lugar, em terrível estado de conservação, com a parte elétrica caindo aos pedaços e com móveis desgrenhados, parece um barraco mal ajambrado, mas para quem perdeu tudo é um verdadeiro palácio.

O alívio inicial e o sentimento de felicidade, entretanto, são lentamente substituídos pelo medo a medida que eles percebem que não estão sozinhos na casa e uma força maligna está à espreita.


Tendo como cenário uma parte não especificada da Inglaterra, extremamente cinzenta e úmida, o roteiro segue os passos do casal lutando para se ajustar em uma terra cujo exterior é quase tão assustador quanto o interior de sua casa assombrada. Seus encontros com vizinhos e demais habitantes são ásperos e desagradáveis, o que demonstra claramente que ser tolerado, é algo muito diferente de ser bem vindo. Nesse panorama, adaptação parece difícil, para não dizer impossível.

Obrigados a seguir uma lista estrita de regulamentos comunicada por um aparentemente indiferente funcionário da imigração (Matt Smith), o casal precisa demonstrar que está se adaptando, sob o risco de ser mandado de volta para seu país natal. 

Aí é que começa o terror. 


De início as coisas parecem discretas, mas a escalada de horror é vertiginosa. Logo o casal passa a entender que trouxe consigo da África algo perverso e interessado em destruir sua chance de felicidade. O peso da culpa e o devastador efeito de uma existência vazia torna a narrativa ainda mais claustrofóbica. É claro, existe um terrível segredo compartilhado pelo casal, algo que eles preferiam esquecer, mas que é constantemente jogado em sua face pela força diabólica que os atormenta. Eles não são, no final das contas, vítimas do acaso, existe uma razão para um espírito maligno estar habitando atrás de suas paredes, explorando suas emoções e tentando levá-los a loucura. 

Enquanto Bol tenta se tornar parte da cultura que o recebeu, sua esposa, Rial, entende que de nada adianta fingir que tudo está bem. Ela é a primeira a compreender a natureza da coisa que está atrás deles e o que a entidade pretende.

Em meio a intimidação do ambiente e das pessoas, os dois acabam se fechando na casa que se torna uma espécie de prisão da qual não existe escapatória. A medida que a relação dos dois vai se deteriorando, a casa em que vivem também parece cada vez mais dilapidada. 


O casal de protagonistas Mosaku e Dirisu são perfeitos e concedem uma carga emocional devastadora que acompanha o ritmo do filme. Trilha sonora e efeitos simples, mas extremamente convincentes completam a produção extremamente bem cuidada. As cenas em que o espírito manipula a percepção dos personagens para atacá-los são nada menos do que sinistras, ainda mais quando intercalam flashbacks da fuga e imagens surreais do acidente em alto mar.

Ao longo de apenas 93 minutos de duração, O que Ficou para Trás consegue transmitir uma experiência de horror turbulento e incômodo que vale a pena ser conferida.

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Freud - Resenha da hipnótica Série do Netflix


É bom deixar claro logo na primeira frase dessa resenha: Não espere um retrato fiel à respeito do pai da psicanalise na nova série do Netflix, Freud.

Nela, o famoso psiquiatra de Viena, instrumental para que a sociedade moderna viesse a compreender as raízes de suas aflições, é apresentado de maneira bastante diferente. Estamos acostumados a associar a imagem do renomado Dr. Sigmund Freud a um senhor de terno e gravata, cabelos ralos e grisalhos e charuto na boca. Nem lembramos que como todas as pessoas, Freud também já foi jovem, inexperiente e cheio de dúvidas a respeito de seu trabalho. Como todo gênio prestes a dar um grande passo por intermédio de uma teoria inovadora, ele também estava sujeito a incertezas e estas são o pano de fundo para a série. Isso e, é claro, capturar um serial killer

A série austríaca Freud, produzida pelo canal Netflix, está longe de ser uma biografia a respeito do personagem título. Até onde se sabe, o bom Doutor jamais se envolveu em algo remotamente próximo de uma investigação criminal, quanto mais em conspirações palacianas, grupos extremistas separatistas e praticantes de magia negra. Mas é tudo isso que vemos nos oito episódios que compõem a primeira temporada da produção que está disponível para os assinantes.


O resultado poderia ser estranho, mas acaba sendo intrigante.

Nem sempre séries inspiradas por indivíduos ilustres do mundo real obedecem aos ditames da história, não é raro que eles acabem se tornando paródias de quem realmente foram. Algumas vezes o resultado dessa "adaptação" acaba sendo ridículo, como na versão de Abraham Lincoln caçador de vampiros, exagerada como a personificação incorruptível de Eliott Ness ou extravagante como a figura do grande Leonardo da Vinci, em Da Vinci Demons. É fácil deslizar na ficção e criar algo que não passa de uma alegoria da realidade.

O Freud da série é absolutamente fictício e vive situações absurdamente fantasiosas. Entretanto, se o espectador estiver preparado para aceitar isso, e disposto a encarar o bom doutor como um tipo de Sherlock Holmes, irá se divertir.


Na série, Freud (Robert Finster) é um jovem e idealista médico, cheio de planos e disposto a tudo para provar suas teorias. Como residente no principal hospital de Viena, capital do então poderoso Império Austro-Húngaro, Freud luta para ser levado à sério. Em pleno final do século XIX, os demais médicos o veem como uma espécie de charlatão que recorre à controversa prática da hipnose para tratar de seus pacientes. Incapaz de provar seu ponto de vista, sua carreira está na corda bamba, sendo ridicularizado pelas suas ideias e com os superiores prestes a dispensá-lo. Ele recorre a artimanhas, amigos boêmios e extrato de cocaína para suportar a pressão.

O destino resolve dar uma guinada nas coisas quando Freud, na qualidade de médico, acaba sendo convocado pelo rígido Inspetor de Polícia, Alfred Kiss (George Friedrich) para auxiliar na investigação de um violento assassinato. O caso se mostra apenas a ponta do iceberg. Eventualmente a parceria os levará a mergulhar em uma sequência de crimes brutais no coração de Viena, cometidos por pessoas importantes da sociedade local. Freud e Kiss acabam forjando uma inesperada aliança na qual médico e investigador terão de confiar um no outro e desafiar pessoas poderosas se quiserem revelar quem está causando a onda de crimes.

A dupla de protagonistas se complementa de forma magistral: enquanto Freud busca apreciar os crimes de um ponto de vista racional e compassivo, Kiss é pura obsessão e desejo de justiça. Os dois receberão ajuda de uma terceira personagem, a médium Fleur Salomé (Ella Rumpf), jovem recém chegada à cidade que demonstra notáveis habilidades psíquicas. Freud percebe que Fleur pode ser de grande ajuda na investigação e por tabela comprovar suas teorias sobre o poder da hipnose. Mas será que eles conseguirão expor os responsáveis pela grande conspiração e pelos macabros acontecimentos?


Freud é uma série investigativa na qual o mistério vai sendo revelado lentamente, em meio a reviravoltas e cenas de grande impacto. Em alguns momentos as sequências invocam uma aura delirante e decadente, com uma Viena ao mesmo tempo escura e assustadora. O glamour da bella epoque não resiste a imagens cruas que invocam doença, pobreza, brutalidade e a hipocrisia do período. Dos famosos cafés aos reluzentes palácios, dos casebres ordinários aos hospitais abarrotados, a Capital Imperial é reconstruída nos mínimos detalhes com todo seu esplendor gótico.

Com uma produção extremamente caprichada, Freud é um espetáculo visual. Figurino, direção de arte e iluminação funcionam perfeitamente, construindo o cenário no qual a trama se desenvolve. A escolha do elenco também é perfeita. Os personagens possuem rostos marcantes e os atores - todos eles austríacos, tem atuações na medida certa. Robert Finster defende bem seu papel como um Freud em certos momentos perdido em divagações e alucinado com cocaína. Contudo, são Ella Rumpf como a médium atormentada por um passado traumático e George Friedrich como um obstinado homem da lei quem brilham mais intensamente. O Inspetor Kiss é aliás um dos personagens mais intrigantes, com sua noção dúbia de honra e justiça e uma atuação poderosa.


O roteiro se vale de elementos interessantes do período histórico, uma época de grande intriga quando o Império Austro-Húngaro enfrentava a ameaça de dissidentes e rebeldes. O panorama político não poderia ser mais conturbado e no horizonte já podiam ser vistas as nuvens escuras que acabariam resultando na Grande Guerra. Outro assunto que ganha destaque é o início do movimento espiritualista, quando sessões de mediunidade atraíam a atenção da alta-sociedade. Além do espiritismo, o mundo do oculto também e retratado, com direito a lendas, folclore e bruxaria desempenhando um papel marcante na trama.

Mais do que um drama policial, Freud consegue construir uma atmosfera de suspense e, em certos momentos, do mais puro horror. Algumas cenas são bastante impactantes, com doses generosas de sangue, sexo e violência que jamais parecem gratuitas.

Cada episódio tem um título sugestivo: Dissociação, Regressão, Desejo, Catarse e assim por diante. Eles apresentam as ideias contidas na teoria de Freud levadas a prática por circunstâncias absurdas, no caso, uma série de crimes macabros. Aqueles que assistirem aos episódios esperando algo mais convencional, podem se desapontar, mas a série jamais deixa de ser interessante.


Para quem quer fugir da mesmice dos dramas policiais procedimentais, e ter acesso a algo diferente, Freud é uma boa pedida. E pede por uma maratona nesses dias de confinamento.

Com o interesse global que a série causou, tudo indica que em breve tenhamos uma segunda temporada. O episódio final deixa propositalmente algumas pontas soltas e nos faz imaginar como ela pode continuar. Se conseguir manter o nível, que venha logo.

Trailer: