segunda-feira, 11 de julho de 2011

Algumas palavras sobre a RPGCon 2011

Salvem, salvem...

De volta de viagem e de mais um encontro de RPG na capital paulista. Enfrentei um frio danado, alguns atrasos, filas demoradas e uma viagem que a cada ano parece mais longa, mas que sempre acaba valendo a pena.

A terceira edição do RPGCon aconteceu nesse fim de semana, nos dias 9 e 10 de Julho e contou com a presença de editoras, autores, fãs e do o pessoal que ajuda a divulgar o nosso amado hobby.

Sinceramente me diverti muito nesses dois dias, como sempre é uma uma grande oportunidade de reencontrar amigos, colegas e companheiros de jogo com quem a gente normalmente consegue trocar idéias apenas pela tela do computador.

Com certeza foi um bom ano para Rastro de Cthulhu e para o pessoal da Retropunk Game Designs que merecidamente recebeu o Prêmio Metagamers como Destaque de 2010. Parabéns pessoal!

Foi muito bom poder encontrar com o pessoal da Retropunk, Guilherme e Max Moraes e adquirir a minha edição do cenário purista "A Agonia de St. Margaret" (que pretendo mestrar em breve!) e do novo e divertido lançamento o RPG "Fiasco".

No sábado enfrentei a tradicional fila de lamentos e ranger de dentes para entrar no Leilão de Jogos Antigos e sai de mãos abanando pois o único livro que me interessou não constava no sistema e portanto não podia ser vendido... é pessoal, essas coisas acontecem (mas por alguma razão acontecem mais comigo do que deveria).

Mas ao menos no sábado consegui jogar um pouco de tabuleiro, assistir parte da palestra sobre RPG de Horror e participar da mesa do mestre Jefferson Donizetti que narrou "Agonia" na parte da tarde. Embora não tenhamos conseguido concluir o cenário, em virtude do pessoal que começou a varrer o pátio (e jogadores faltando uns 10 minutos para o encerramento do evento), foi muito legal. Uma chance rara de ser jogador, ainda mais de Rastro de Cthulhu.

Deu para sentir o gostinho (amargo) de como funciona um cenário purista. A aventura é bem estruturada, mas depois de ler no ônibus decidi que vou fazer algumas modificações visando esconder um pouco mais a identidade do monstro e suas ações para que meu grupo não mate a charada a respeito do horror que paira sobre St. Margaret.

Digna de nota foi a quantidade de mesas de Rastro de Cthulhu nos dois dias. Eu contei pelo menos seis mesas no sábado e pelo menos umas cinco no domingo. O pessoal parecia bem interessado em conhecer o sistema e aprender a respeito dele. É ótimo perceber que a chegada de Rastro em português está ajudando a popularizar a temática do jogo de horror cósmico e atrair novos jogadores doidos para perder seus primeiros pontos de sanidade.

Foi uma pena que esse ano não conseguimos encaixar o Torneio Tentacular (por falta de tempo hábil), mas ano que vem se as estrelas não entrarem em conjunção e se Cthulhu permitir nada vai nos impedir de rolar mais uma edição.

No domingo consegui encontrar alguns livros no Leilão (o GURPS Horror 3a dição foi um bom achado!) e circulei pelo evento bem rapidamente pois minha mesa de Rastro estava marcada para as 10 da manhã.

Mestrei o cenário pulp "A Mortalha do Faraó Negro" uma aventura que escrevi para Call of Cthulhu faz alguns anos e que adaptei para o sistema Gunshoe. A aventura foi enviada para a segunda rodada do concurso promovido pela Retropunk envolvendo Nyarlathotep e o jogo foi uma espécie de playtest do cenário.

Eu gostei bastante do resultado e embora a aventura tenha sido meio longa (foi terminar apenas às 18 horas) foi muito divertida. Terminou com o saldo de três investigadores mortos, dois fugindo em desespero de um templo dedicado ao Caos Rastejante nas areias do deserto de Saquara e mais um esperto demais para descer esse lugar maldito.

Múmias, artefatos, horrores antigos, um valioso tesouro e uma viagem ao centro do universo... acho que foi um saldo final positivo para um dia de jogo. Aliás, tenho que agradecer aos jogadores que participaram da aventura, foi especialmente bacana poder contar com a ilustre presença de três mestres de edições passadas do Torneio Tentacular.

Bom, é isso...

Terminado o evento e de volta para casa, fica a saudade e a ansiedade para o encontro do ano que vem. Que venha logo!

A seguir algumas fotos da RPGCon:













sexta-feira, 8 de julho de 2011

Animação de "Nas Montanhas da Loucura" - Produção italiana bem fiel

Infelizmente a produção de "Nas Montanhas da Loucura" dirigida por Guillermo del Toro parece ter sido realmente arquivada.

Mas outras produções baseadas nos Mythos continuam surgindo por aí.

A Cthulhu Films colocou na internet essa animação que é bem legal.

Os diálogos são em italiano, mas é possível colocar legendas em inglês.

Aproveitem:


quarta-feira, 6 de julho de 2011

H. P. Lovecraft: The Complete Fiction - Obra completa de Lovecraft pela Barnes & Noble

Todo ano são lançadas novas compilações da obra de H.P. Lovecraft nos mais diversos formatos.

A pergunta sempre é a mesma: Vale a pena adquirir mais uma versão da obra de Lovecraft?

Bom, confesso que depois de ter comprado um exemplar de Necronomicon - The Best Weird Tales of H.P. Lovecraft editado pela Gollancz achei que mais nenhum livro seria necessário. (A resenha desse livro está no link no final do texto). Quer dizer, Necronomicon é uma verdadeira obra de arte, belíssimo acabamento reunindo o que há de melhor na carreira de Lovecraft com um excelente material de referência na forma de um ensaio sobre a vida e obra do Estranho Cavalheiro de Providence.

No entanto, concordo com os críticos que apontam para a ausência de alguns contos nessa edição. Tudo bem, Necronomicon não se propunha a trazer a Obra Completa de Lovecraft, contudo a ausência de "The Other Gods", "The Quest for Iranon", "The Festival" e de alguns outros contos menores (mas ainda assim importantes!) deixava uma sensação de que algo estava faltando. Mais grave era a ausência de Supernatural Horror in the Literature o ensaio de Lovecraft a respeito dos grandes mestres que o influenciaram.

Entra em cena a Barnes and Noble, uma das mais conhecidas editoras americanas. A B&N edita uma coleção de luxo, a LeatherBound Essential Collection, que se dedica a trazer as obras completas dos mais importantes escritores de todos os tempos. Nomes como Mark Twain, Shakespeare, Charles Dickens e Julio Verne já tiveram suas obras publicadas nessa belíssima coleção.

Chegou a vez de H.P. Lovecraft figurar nessa ilustre lista: H.P. Lovecraft - The Complete Fiction é uma antologia que reúne todos os seus contos, novelas, poesias e ensaios em um único livro. E quando eu digo todos eu quero realmente dizer TODOS!

Estão lá textos que eu sequer conhecia como "Old Bugs", "Memory" e "A Reminiscence of Dr. Samuel Johnson", apêndices de contos incompletos, versões revisadas e textos escritos na sua juventude. Ou seja, mais completo impossível.

O livro é absurdamente lindo. Faz a alegria de qualquer bibliófilo! Capa dura de couro, páginas com borda dourada, impressão de alta qualidade... não há adjetivos suficientes para descrever o acabamento e aparência geral desse verdadeiro tomo.

Para quem domina o inglês e quer ter a obra completa de H.P. Lovecraft em sua prateleira é um livro essencial e por um preço incrivelmente acessível. Ele pode ser comprado na página da Barnes & Noble por US$ 18,00 mais o frete.

Ao meu ver essa é realmente a coleção definitiva.

http://mundotentacular.blogspot.com/2009/03/resenha-de-necronomicon-best-weird_5105.html

A seguir algumas fotos:






segunda-feira, 4 de julho de 2011

A Atlântida do Mythos de Cthulhu - Segredos sepultados nas profundezas do Atlântico

É claro, o lendário continente de Atlântida não poderia ficar de fora da mitologia de Cthulhu.

Lovecraft e seus companheiros assimilaram teorias retiradas da Teosofia, doutrina que estava em voga desde o fim do século XIX e que encontrou novo fôlego no decorrer das décadas de 20 e 30. O mais famoso tratado sobre o assunto, The Story of Atlantis and the Lost Lemuria foi escrito no ano de 1925 por W. Scott-Elliot e causou controvérsia ao tratar as lendas à cerca de Atlântida como um fato.

Lovecraft também bebeu da fonte de H.P. Blavatsky e usou seus trabalhos mais famosos a Doutrina Secreta e o Livro de Dzyan (que é tratado como um tomo ligado aos Mythos!) como inspiração.

Finalmente, Atlântida era parte central da mitologia idealizada por Robert E. Howard para explicar o passado de sua Era Hiboriana onde ocorriam as aventuras de dois de seus personagens mais famosos Conan, o Bárbaro e o Rei Kull de Valúsia. Muitos dos conceitos criados por Howard se tornaram a base para a Atlântida do Mythos.

A Atlântida segundo o Mythos de Cthulhu:

O Continente Perdido ao longo de sua existência teve uma forte ligação com entidades e seres do Mythos de Cthulhu e foi o berço de feiticeiros poderosos, cultos devotados aos Grandes Antigos e guerreiros lendários.

A maior parte da história de Atlântida permanece oculta por um manto quase intransponível de mistério e segredos. Não se sabe ao certo quando ou como a civilização atlante se formou, mas é sabido que o Primeiro Reinado de Atlântida foi estabelecido por Valthoth, o Príncipe dos Últimos Dias. Milênios mais tarde ele seria adorado no Egito como o Deus Thoth. Valthoth estabeleceu o domínio sobre a magia e foi o responsável pela construção da cidade capital de Atlântida. Sua dinastia governou por muitos anos, mas eventualmente, foi derrubada por seres das profundezas marinhas (possivelmente Abissais ou mesmo as Crias Estelares de Cthulhu). É possível que Valthoth tenha ascendido e se tornado um dos Elder Gods, embora existam boatos que Nyarlathotep, o Caos Rastejante possa ter tomado sua forma para ser venerado como um Deus milênios mais tarde no Antigo Egito.


O Segundo Reinado se estabeleceu séculos mais tarde a partir da cidadela de Cleito nos limites do continente. Ela lançou uma dinastia de monarcas que combateram as criaturas marinhas empregando aço e magia. O Continente foi totalmente reconquistado e se converteu em um Império quando terras distantes foram exploradas pelas embarcações douradas atlanteanas. Nessa época, o lendário Rei bárbaro Kull partiu de Atlântida para conquistar o Reino de Valúsia um antro de feiticeiros construído na aurora da Terra pela Raça dos Homens Serpente.

Os Atlantes eram magníficos construtores e dominavam técnicas avançadas de metalurgia e engenharia. Poseidonis a Capital do Império era a mais bela das cidades com enormes templos com pilares de mármore, torres que riscavam os céus, canais navegáveis e muralhas fortificadas. O povo de Atlântida também combinava ciência e magia e detinha conhecimentos avançados mesmo para os dias atuais. O panteão de divindades reverenciadas pelos atlantes incluía Divindades do Mythos como Daoloth, Gloon e Bast. Em menor grau o povo de Atlãntida também reverenciava deuses negros como Ghatanathoa.

Com o passar dos séculos, Atlântida foi se tornando decadente e as forças do caos ganharam influência. Cultos devotados a Cthulhu e Dagon se fortaleceram e o sangue de abissais se misturou ao dos atlanteanos gerando híbridos.

Vinte mil anos atrás, no início da Era Hiboriana, uma grande porção de Atlântida afundou sob as ondas. As causas dessa tragédia são desconhecidas, teóricos acreditam que um grande terremoto ou a explosão de um vulcão pode ter sido responsável, mas alguns preferem apontar dedos acusadores para experimentos arcanos que saíram terrivelmente errado ou mesmo para a fúria de deuses negros.

Há rumores de que um documento muito antigo, o Illarnek Papyri, um dia repousou na lendária Biblioteca de Alexandria. Este documento escrito nos últimos dias de Atlântida era um testamento sobre a queda do Império após uma sangrenta Guerra Civil. Uma das facções envolvidas seria liderada por híbridos com sangue abissal que tentaram conquistar o trono. Para não permitir a vitória iminente dessa raça, os magos de Atlântida teriam deliberadamente destruído o continente empregando uma fontes desconhecida de energia destrutiva que varreu toda a ilha e causou sua imersão. Infelizmente o Illarnek desapareceu no incêndio da Biblioteca e os poucos trechos restantes parecem ter sido transcritos de modo incompleto.

No misticismo hiboriano, Atlântida era tratada como a terra natal dos primeiros magos que exportou para os reinos primitivos à sua sombra a semente da feitiçaria. Mesmo o Reino de Acheron (que mais tarde se tornaria a lendária Stygia e milênios depois o Egito) deve seu conhecimento místico aos sobreviventes de Atlântida que se estabeleceram naquelas terras após o ocaso do Império. Parte de seu conhecimento teria sido preservado por grupos como os druidas de Averoigne e o povo altivo de cabelos claros que fundou a Civilização Hiperbórea. Em pleno século XX, Sociedades Secretas que acreditam serem herdeiros de Atlântida continuam buscando artefatos e as poucas pistas que podem reunir sobre o Continente.
Com o fim da Era Hiboriana e um segundo cataclismo, o mega continente se dividiu em blocos de terra que foram gradualmente se afastando formando o mapa mundi que conhecemos atualmente. Ilhas também emergiram do leito submarino trazendo à tona fragmentos da Atlântida. A oeste do Mediterrâneo surgiram ilhas que se estendem do Estreito de Gibraltar até a Costa do Caribe que guardam resquícios do antigo império atlante. Exploradores teriam encontrado indícios de construções incrivelmente antigas nessas ilhas e artefatos que dão crédito a história do Continente Perdido.

Uma importante descoberta ocorreu em 1895, quando pescadores jogando suas redes na costa de Açores resgataram uma placa de pedra recoberto com inscrições no idioma Naacal, a língua falada na Atlântida. A placa mencionava divindades ancestrais e tinha ligação com Cthulhu, Dagon, os Abissais e Ghatanathoa, relatava o surgimento destes cultos no seio da população atlante. Infelizmente o conteúdo desse artefato jamais foi totalmente decifrado e ele permanece como um mistério até os dias atuais.

Outro indício, uma peça do vasto quebra-cabeças, foi descoberta em 1933 por uma Expedição Arqueológica conduzida por britânicos que realizavam escavações na Ilha de Cnossos na Grécia. O artefato em questão, uma pedra em forma de pilar contendo palavras esculpidas em Naacal e grego antigo supostamente fazia parte do tesouro real. Ela falava a respeito de um grandioso império que governou o mundo conhecido e que espalhou sua influência e conhecimento depois de enfrentar a destruição. O texto apenas preliminarmente decifrado mencionava deuses negros e entidades nefastas como as responsáveis diretas pelo fim de seu domínio. A pedra estava sendo transportada para a Inglaterra à bordo de um cargueiro, o Reilly. Uma violenta tempestade afundou o navio no Mar Egeu.

Em 1996 uma expedição submarina conseguiu localizar os restos do Reilly no fundo do mar e esperava-se resgatar sua preciosa carga, infelizmente a pedra não foi encontrada no compartimento de carga da embarcação, deixando uma incômoda questão: como ele teria desaparecido do leito marinho?

Sem dúvida Atlântida oferece um painel bastante amplo de possibilidades para aventuras ou até uma campanha inteira envolvendo a busca pelo Continente Perdido e seus mistérios.

domingo, 3 de julho de 2011

Atlântida - Mitos e lendas sobre o Continente Perdido


A lenda de Atlântida é ao que tudo indica, a mais persistente e misteriosa entre os povos do mundo, já há muitos séculos.

Milhares de obras já foram apresentadas a respeito do estudo de Atlântida, cuja existência, hoje em dia, nem sempre é considerada apenas uma lenda. Os vestígios e relatos sobre um continente ou ilha gigantesca, situada em algum lugar do oceano, e que desapareceu numa catástrofe, são encontrados em povos do mundo inteiro, sob diferentes versões que mantém entre si semelhanças assombrosas.

O relato mais conhecido sobre Atlântida, e que surgiu pela primeira vez na literatura apareceu no Timeu e no Critias, obras de Platão, aproximadamente em 380 a.C, no qual a sociedade atlante é relatada em detalhes tanto quanto à localização, quanto a forma de governo e sociedade, situando-a a cerca de 9 mil anos antes da época do filósofo grego. Via-se a Atlântida como uma civilização poderosa e com imensos conhecimentos científicos que beiravam o sobrenatural. Tratava-se de um império que estendia sua influência a todo o planeta e cujo fim trágico teria causado um grande choque. Na concepção de Platão, Atlântida estaria situada no Oceano Atlântico, entre o que hoje é a América do Norte e a Europa, a nordeste da América do Sul e noroeste da África.

James Churchward, um pesquisador que durante 50 anos perseguiu as provas da existência do continente da Lemúria, fala da existência de Atlântida como sendo muito mais antiga do que Platão contava. Diz-se que o célebre arqueólogo Henry Schiliemann, o descobridor de Tróia, teria descoberto um dos papiros mais antigos do mundo, onde está escrito que o Faraó Sent enviou uma expedição à procura de vestígios de Atlântida, de onde seus ancestrais teriam vindo, trazendo seus conhecimentos.

Essa informação foi dada por Paul Schiliemann, em 1912, quando teve acesso a uma série de trabalhos inacabados do avô. Ele não apenas havia descoberto peças onde se lia, em hieróglifos fenícios, uma inscrição referindo-se a Atlântida, como estabeleceu uma relação entre essas peças e fragmentos encontrados em sítios arqueológicos distantes como em Tiahuanaco, na América do Sul.


Os objetos foram analisados e sua composição mostrou que vinham do mesmo lugar. Shiliemann teria encontrado o papiro no Museu de São Petersburgo, o mesmo local onde teria encontrado outro papiro do historiador egípcio Maneton, que situava o reino de Atlântida num período aproximado de 16 mil a.C. Muitos historiadores parecem concordar com a idéia de que Atlântida seria um grande centro, do qual emergiram povos que se espalharam pelo mundo. As semelhanças encontradas entre as civilizações dos egípcios e dos maias, em lados opostos do oceano, são impressionantes, chegando a ponto de possuírem diversas palavras em comum tanto na pronúncia quanto no significado. Possuem ainda uma arquitetura muito próxima, especialmente no que se refere a construção de pirâmides. É comum também referir-se a escolha de Platão pelo nome Atlantis, que não é grego. Por outro lado a palavra tolteca (idioma maia) "atlan" significa "no meio da água". As lendas maias e incas referem-se a uma grande nação ou império que desapareceu no fundo do mar quando o mundo era jovem.

Celtas também possuem lendas nesse mesmo sentido. Seu folclore alude a povos avançados que teriam se espalhadopelo mundo depois de uma terrível catástrofe que destruiu sua capital forçando os sobreviventes a procurar outras terras. Os índios americanos, em especial os apaches acreditam que seus antepassados vieram de terras distantes além de um grande mar escapando de uma tragédia sem precedentes. A lenda é compartilhada por povos que habitam os Mares do Sul e a India Meridional. Seria possível que as similaridades entre a mitologia desses povos se traduza em uma origem comum?

Muitos pesquisadores defendiam no início do seculo XX a teoria que uma única civilização teria sido a raiz dos povos mais avançados do passado da Terra. Um mesmo povo mais avançado teria se espalhado pelo mundo após a destruição de sua cidade capital, conservando alguns aspectos essenciais que foram transmitidos para os povos com os quais eles passaram a se relacionar.

Exageradamente ou não, estudiosos situam o auge da civilização atlante há um milhão de anos, quando o império se estenderia da Islândia até a América do Sul. Segundo teóricos da Atlântida, esse imenso império teria se dividido devido a cataclismos vulcânicos, entre 800 mil a.C. e 200 mil a.C, separando Atlântida em duas ilhas centrais: Ruta e Dayta. Um terceiro cataclismo, possivelmente um tsunami, teria submergido parte de Ruta, deixando apenas a cidade de Poseidonia (ou Poseidonis) à salvo. Poseidonis teria sido o último baluarte de Atlântida a desaparecer e sua existência seria conhecida por egípcios e fenícios que resgataram de lá alguns de seus tesouros e conhecimento. As ilhas de Açores e Canárias são consideradas como parte do arquipélago restante de Poseidonis.

Há muitas teorias à respeito da ciência detida pelos atlantes. Platão se referia a utilização de cristais como fonte de energia capazes de alimentar as necessidades de cidades inteiras. Alguns acreditam que seja essa a explicação para o mistério do Triângulo das Bermudas. Um dos misteriosos cristais ainda estaria operando no fundo do mar, causando a quem se aproximasse do local um efeito de distorção dimensional. Esse tipo de teoria parece ter se ampliado após a descoberta das ruínas submersas na região de Bimini, nas Bahamas, dentro da região do Triângulo das Bermudas.

Além dos relatos de Platão, mais recentemente - sobretudo nos anos 20 e 30, surgiram visionários que buscavam desvendar os segredos de Atlântida. O médium americano Edgar Cayce acreditava receber emanações psíquicas que vinham de Atlântida e que revelavam a ele a localização secreta do Continente. Ele escreveu uma detalhada coleção com mais de 2500 narrativas psicografadas a respeito dos costumes e cotidiano do povo que habitou a mítica ilha. A riqueza de detalhes descritos por Cayce é tamanha que ele era capaz de descrever as roupas, os costumes, partes do idioma e até personalidades que teriam vivido no Continente Perdido. Cayce defendia que qando entrava em transe sua mente era enviada para o passado e ele podia viver como um dos Atlantes que era sua encarnação distante.

Outro nome associado a Atlântida é o de Helena Petrovna Blavatsky, a grande dama da teosofia se aprofundou no assunto ao revelar detalhes da história secreta de Atlântida que por sua vez lhe teriam sido entregues por monges no Tibet. Blavatsky falava de doutrinas ocultas, de grandes conhecimentos psíquicos e do domínio sobre uma avançada ciência que os atlantes possuiriam.

Influenciados pelas teorias de Cayce, Blavatsky e outros estudiosos várias Sociedades Ocultistas se formaram com o intuito de buscar esse saber milenar. Os sacerdotes de Atlântida praticariam o psiquismo, aperfeiçoando-o como ciência, sendo capazes de prever o futuro e realizar milagres de cura. O domínio sobre tais conhecimentos era extremamente ambicionado.

Em 1928, o alemão Jurgen Spanuth, propôs que antigas bases pertencentes a Atlântida teriam sobrevivido no Norte da Europa, mais especificamente nos países nórdicos. Esses sobreviventes teriam originado os povos arianos tratado como a raça superior segundo a doutrina nazista. Não por acaso, membros do Partido Nacional-Socialista alemão tinham ligação bastante estreita com ocultistas e defensores de teorias como as de Spanuth.

Atlântida continua desafiando nossa imaginação, um mistério que provavelmente continuará a nos fascinar para sempre.

A seguir: A Atlântida e os Mythos.