terça-feira, 24 de julho de 2012

Mythic Iceland - Suplemento para Cthulhu Dark Ages escrito por Pedro Ziviani

Um texto enviado pelo nosso colaborador e colega Pedro Ziviani, cujo livro "Mythic Iceland" recentemente foi publicado pela Editora Chaosium.


Abaixo, o Pedro fala um pouco sobre a proposta do seu livro, sobre o conteúdo e informações pertinentes para aqueles que desejam lançar seus jogadores em aventuras na misteriosa Islândia da Idade das Trevas.


Mythic Iceland é um suplemento publicado pela editora Chaosium para o sistema de regras Basic Roleplaying (o mesmo sistema usado em Call of Cthulhu), lançado nesse Junho passado, e que traz para a mesa de jogo o mundo das Sagas Vikings e dos contos de fadas da Islândia.

RPGs com uma temática Viking não são nenhuma novidade. Qual seria então o diferencial de Mythic Iceland? Enquanto outros RPGs sobre Vikings dão ênfase no aspecto do guerreiro sanguinário, em detrimento de aspectos culturais interessantes, e tentam cobrir uma área geográfica muito extensa e um período histórico amplo demais, Mythic Iceland tem foco nas Sagas Islandesas, as grandes obras de literatura medieval cobrindo as intrigas das famílias e as aventuras dos grandes heróis e anti-heróis Vikings, e na mitologia e folclore como o povo daquela época realmente acreditava.

Por que um foco na Islândia, e não em outro país nórdico? São vários os motivos, dentro eles o fato de que quase tudo que sabemos hoje sobre mitologia nórdica vem de livros escritos na Islândia, dentre estes as Sagas e as Eddas. Ainda, a Islândia tem uma história extremamente interessante, sendo o único país europeu nesse período a ser governado não por um rei, mas sim por uma assembleia de homens livres, e com cultura, tradições e folclore únicos.

Mythic Iceland se concentra nos anos da chamada República Pagã Independente, do ano 930 ao 1050. Esse período cobre o estabelecimento da Assembleia Nacional e vai até a consagração do primeiro bispo cristão do país. Para quem se interessa em um período histórico diferente dentro dessa mesma ambientação, o livro também traz informações sobre a era grega e romana, sobre a colonização do país no século IX, os primeiros séculos de cultura cristã, e sobre a guerra civil no século XIII.

Mythic Iceland foi escrito de maneira a possibilitar tanto campanhas cheias de magia e criaturas fantásticas, quanto também campanhas puramente históricas. O livro discute a vida na Islândia do período Viking, o funcionamento das assembleias, aspectos culturais, traz mais de trinta novas criaturas do folclore nórdico, e muito mais. As colônias na Groenlândia e América também são amplamente discutidas em Mythic Iceland, junto com as populações locais e criaturas exclusivas dessas novas terras. Na parte de regras, Mythic Iceland traz sistemas para: resolução de conflitos legais em assembleias, duelos na tradição Viking, competições de consumo de álcool, maldições e profecias, saque de vilas e mosteiros, e um sistema inovador de magia rúnica. Um belo mapa colorido acompanha o livro.

Agora, você deve estar se perguntando o por que desse artigo sobre um cenário histórico e de fantasia num blog sobre Lovecraft e os Mythos de Cthulhu. Boa pergunta! Permita-me explicar. Na verdade, Mythic Iceland nasceu como uma proposta para se escrever um "Secrets of Iceland" para Call of Cthulhu. Como sugestão dos Grandes Antigos da editora Chaosium, o projeto cresceu e se transformou num cenário medieval completo para o sistema Basic Roleplaying, mas ainda com bastante material para Call of Cthulhu.

Falando do conteúdo para Call of Cthulhu em Mythic Iceland, o livro traz um apêndice de vinte páginas sobre como usar as informações do livro numa campanha de Cthulhu Dark Ages, e mais várias criaturas, livros e magias dos contos de fadas mais sombrios e perturbadores, e ainda uma aventura completa para Cthulhu Dark Ages ambientada na Islândia do período Viking. Um dos pontos explorados nesse apêndice liga o passado distante da Islândia com a civilização de Hyperborea, dos contos do autor Clark Ashton Smith, que foi contemporâneo de Lovecraft e que contribuiu para o Mythos. Sob a lente do Cthulhu Mythos, os trolls e elfos da cultura nórdica seriam raças sobreviventes de Hyperborea, com motivações muito além do que os habitantes da ilha podem imaginar, e conexões com divindades sombrias do Mythos.

Se você tem interesse em trazer a mitologia nórdica e a cultura Viking para a sua mesa de jogo, seja para uma campanha de Basic Roleplaying ou de Call of Cthulhu, você vai encontrar em Mythic Iceland tudo que precisa!

LISTA DE CAPÍTULOS: Introduction • History of Mythic Iceland • Character Creation • Life in Saga-Age Iceland • Law and Government • Norse Religion • Magic in Mythic Iceland • A Traveler’s Guide to Mythic Iceland • Elves and the Hidden People • Álfheimur • The Lands to the West • The Wide World • Going Viking • Running a Game of Mythic Iceland • Creatures of Mythic Iceland • The Trouble with Neighbors • Cthulhu Dark Ages Iceland • Cthulhu Dark Ages Scenario • Bibliography • Fold-Out Map.

Algumas imagens das páginas:



Recursos:

Link para download da ficha de personagem para Mythic Iceland:

Link para download da aventura gratuita Night of the Yule Cat para Mythic Iceland:

Grupo no Facebook sobre Mythic Iceland:

domingo, 22 de julho de 2012

"A Bíblia do Diabo" - O lendário Codex Giga

O que leva alguém a negociar com o diabo? E mais importante qual o valor de uma alma e o que poderia ser recebido em troca dela? 

Na literatura, Fausto vende sua alma em troca da vida eterna, mas aprende da maneira mais difícil que a eternidade pode ser um pesadelo, ele vive para lamentar a barganha. O músico norte-americano Robert Johnson supostamente vendeu sua alma para se tornar o maior de todos os guitarristas de blues, mas foi amaldiçoado para sempre.

Para um monge da Bohêmia que redigiu as linhas do lendário Codex Gigas (pronuncia-se GUI-gas), obra também conhecida como "Bíblia do Diabo", a barganha envolveu trocar sua alma pela oportunidade de escrever o maior livro do Mundo Medieval.

A aura de mistério que envolve esta incrível artefato apenas se aprofundou nos últimos séculos, quando o imponente tomo, cujo nome se traduz literalmente como "Livro Gigante", continuou atraindo o interesse e despertando a curiosidade de todos que lançaram os olhos sobre ele. E não é de se admirar que o livro chame tanta atenção.

O Codex Gigas é o maior documento medieval conhecido. As páginas de velino grosso e amarelado foram supostamente confeccionadas com a pele esfolada de 160 burros que deram origem a um livro com notáveis 92 cm de altura, 50 cm de largura e 22 cm de espessura. As 310 páginas que o compõem são encerradas em uma volumosa encadernação com capa de madeira, couro reforçado e detalhes metálicos. O volume é tão pesado que são necessários dois bibliotecários para manuseá-lo.

O  manuscrito teria sido escrito no século XIII por um monge beneditino que vivia num isolado mosteiro em Podlažice na região da Bohêmia, que hoje corresponde a República Tcheca. Não se sabe quem foi seu autor e esse aliás é um dos grandes mistérios que cerca a obra.


Existe uma lenda muito antiga sobre a criação do Codex Giga. Segundo essa lenda, o responsável pelo trabalho foi um monge rebelde que rompeu com o rigoroso códigos de sua ordem. Por suas atitudes ele foi condenado a ser emparedado vivo em uma cela. Para evitar a agonia de morrer de fome e sede, o monge se comprometeu com seus superiores a escrever um tratado que glorificaria o nome da ordem para sempre. Esse maravilhoso livro deveria reunir todo o conhecimento humano em suas páginas e ser uma obra definitiva de erudição e sabedoria. Havia, no entanto, uma condição bastante específica: o monge teria apenas vinte e quatro horas para completar a tarefa.



Imediatamente ele se pôs a compor uma vasta bíblia com uma caligrafia rebuscada e firme. Cada página de velino deveria ser decorada com belíssimas iluminuras feitas com uma tinta vibrante nas cores vermelha, azul, amarela, verde e dourado com um grau de detalhismo surpreendente. O religioso pensou que fazendo um trabalho extraordinário poderia convencer seus colegas a lhe poupar.

Diz a lenda que próximo da meia-noite o monge concluiu que não poderia completar sozinho a tarefa hercúlea. Desesperado, ele invocou o diabo implorando que este o ajudasse a terminar o trabalho no prazo estipulado. O demônio teria surgido no interior da cela e concordou em cumprir sua parte em troca da alma do monge. Sussurrando no ouvido do pobre coitado as palavras que deveriam ser escritas, o trabalho se intensificou: textos inteiros começaram a surgir nas páginas antes vazias, imagens detalhadas abrilhantavam cada folha, trechos de poesia se escreviam sozinhos e passagens das sagradas escrituras se multiplicavam. O diabo, além do preço pactuado, exigiu mais uma condição, uma grotesca imagem deveria ser incluída na obra. Na página 290 do tratado há uma ilustração de página inteira com uma figura sinistra identificada como um retrato do próprio demônio. Ironicamente, na página ao lado encontra-se uma ilustração do Paraíso criando uma contradição. Para alguns esse elemento alude ao fato de que Paraíso e Inferno co-existem lado a lado em uma espécie de equilíbrio perene. 

Com a ajuda do demônio, o monge conseguiu completar a obra e antes do surgimento dos primeiros raios de sol, o manuscrito estava pronto. Maravilhados com o resultado, e considerando que aquilo so podia ser uma inspiração divina, os monges libertaram seu colega. Imediatamente ele deixou o lugar sem olhar para traz. Algumas lendas afirmam, que quando já estava longe, ouviu-se os gritos aterrorizados dos monges ao de deparar com a ilustração da página 290 onde contemplaram a imagem do diabo.

A lenda é claro, não responde muitas questões sobre o Codex.

A primeira e mais importante pergunta envolve a identidade de quem o escreveu. O que se sabe com certeza é que o modesto monastério de Podlažice não se notabilizou por produzir qualquer outra obra dessa grandeza. A própria biblioteca do monastério não era grande ou especialmente equipada. Muitos historiadores chegam a levantar suspeitas de que o tratado não tivesse sido redigido nesse lugar, ainda que em uma das primeiras páginas do Codex se confirme textualmente essa informação. 

Alguns estudiosos supõem que o livro poderia ter sido adquirido de outro monastério por um abade interessado em dizer que o livro fora criado em  Podlažice e assim receber algum tipo de benefício da diocese. Mas essa hipótese encontra fortes objeções já que não havia muitos outros monastérios na região e transportar uma obra desse tamanho poderia ser não apenas trabalhoso, mas arriscado dado seu valor. Além disso, como os monges fariam para pagar um volume tão caro?

Supondo-se que o Codex Giga foi criado atrás dos muros de Podlažice é preciso imaginar como o trabalho foi realizado. Produzir uma manuscritos envolve um trabalho grandioso que podia demorar anos para ser concluído - isso excluindo a ajuda providencial do diabo.

Para alguns, a criação do Codex pode ter sido uma empreitada que envolveu todos os monges do monastério o que consumiu vários anos de trabalho concentrado. O objetivo poderia ter sido atrair o interesse da diocese através da obra e receber assim mais fundos. Isso talvez explique porque o monastério não produziu outras obras ao longo de sua existência, já que todos estariam envolvidos no mesmo projeto.

Mas se o livro decorre de um esforço comum deveria constar alguma menção a isso o que não é o caso.

Outra dúvida é que se o livro foi concebido para ganhar o favor das autoridades eclesiásticas, porque acrescentar uma imagem medonha do grande adversário de Deus em uma das páginas? Não poderia essa imagem colocar tudo à perder? Curiosamente ao longo de sua estória, o Codex Giga atraiu muitos interessados em estudar seu conteúdo, mas felizmente a Inquisição jamais cogitou destruir o volume, apesar do conteúdo polêmico de alguns capítulos.

Finalmente, há algo ainda mais curioso à respeito do Codex Gigas e que envolve a autoria do volume. Grafologistas concluíram que todas as 310 páginas foram escritas pela mesma pessoa, ou seja, o trabalho laborioso de copiar cada trecho foi pacientemente realizado por uma única mão. Sabendo que cada página de um livro desta natureza pode demorar muito tempo para ser concluída é surpreendente que o trabalho decorra de um mesmo indivíduo. Os especialistas atestaram que a caligrafia apresenta mudanças perceptíveis ao longo das páginas, apontando para a possibilidade do escriba ter envelhecido e perdido um pouco da firmeza com que copiava as palavras com o passar do tempo. Para os especialistas a obra deve ter demorado algo entre 25-30 anos para ser terminada.

Outra descoberta que reforça a hipótese de um indivíduo solitário é que a tinta utilizada no tratado é basicamente a mesma do início ao fim. Nessa época, os próprios monges produziam a tinta que utilizavam em seu ofício e cada um tinha uma preferência. Estudiosos foram capazes de descobrir o responsável por um mesmo trabalho examinando a tinta usada por ele, quase como se cada monge tivesse uma assinatura própria de acordo com os ingredientes usados na mistura. No caso do Codex Gigas, a tinta foi produzida a base de ninhos de inseto triturados com betume, uma fórmula bastante específica e incomum.

As primeiras menções ao Codex Gigas datam de meados do século XIII, quando o monastério de Podlažice enfrentava sérias dificuldades financeiras. Para levantar dinheiro e continuar existindo, em 1477 os monges negociaram a venda do manuscrito para outro monastério mais rico próximo da capital, Praga. Infelizmente, Podlažice acabaria sendo destruído por doença e peste que varreu a Europa Oriental nessa mesma época. Dizem que nenhum dos monges do local sobreviveu a terrível epidemia. Logo que o documento foi transportado e acomodado na biblioteca da ordem que o adquiriu, esta também começou a perder recursos e enfrentar dificuldades. Esses dois acontecimentos juntos acrescentaram mais um detalhe a lenda do Codex Gigas, uma suposta maldição que recaía sobre todos que adquiriam o livro.

Incapaz de manter o tomo - e segundo alguns temendo as estórias que o cercavam, o monastério acabou doando o volume em 1594 ao Imperador Rudolfo II do Sacro Império Romano. Acredita-se que o erudito governante tinha um profundo interesse em alquimia e ocultismo e que desejava o livro desde que ouvira boatos sobre sua existência. Um cronista da época relatou que ao se deparar com a imagem do demônio, Rudolfo II sorriu enigmaticamente e comentou que o livro doravante seria seu tesouro mais valioso. Mas o livro não traria bons frutos ao imperador. Poucos anos depois seu comportamento sofreu uma drástica transformação, ele se tornou errático e paranoico vendo conspirações em todo canto. Declarado incapaz de governar acabou banido pela sua própria família.

O livro permaneceu na Biblioteca Real de Praga até que no século XVII, em meio a Guerra dos Trinta Anos a cidade foi invadida por tropas suecas. Em meio ao caos e destruição que se seguiu o acervo real foi saqueado e entre os itens removidos estava o Codex Gigas. O tomo foi levado para Estocolmo onde permaneceu desde então na Biblioteca Nacional daquele país.

Ao longo dos anos, o manuscrito recebeu uma enorme variedade de nomes que fazem alusão ao seu tamanho e ao famoso retrato do Diabo. Além da Bíblia do Diabo e Codex Gigas foi também chamado Codex Giganteus (Livro Gigantesco), Gigas Librorum (O Livro Grandioso), Fans Bibel (Bíblia do Demônio), Hin Hales Bibel ("Old Nick Bíblia") e Svartboken (o Livro Negro).


O Codex Gigas é a única bíblia medieval conhecida onde existe uma imagem demoníaca, ao menos um demônio que não está sendo submetido pelo Anjo Gabriel. A figura é retratada semi-vestida com a tradicional pele de arminho real, uma óbvia conotação ao papel do diabo como monarca do inferno. Ele é  metade homem, metade animal, com garras, patas de falcão, e uma enorme língua vermelha. Os chifres são longos, brotando na cabeça bulbosa e desproporcional. O desenho mostra a figura diante de uma parede murada sem seus súditos ou escravos infernais. Muitos supõem que a imagem pode ser uma alusão a condição de aprisionamento do demônio no inferno e a impossibilidade dele ascender.  


Qualquer pessoa folheando o tomo acaba sendo eventualmente atraído para o enorme retrato do diabo na página 290, o que criou a impressão de que este é um dos pontos focais do livro. Ao longo da história, muitas pessoas também chamaram a atenção para o fato da página ser mais escura em comparação a todas as demais do livro. E que esta seria uma manifestação sobrenatural ocasionada pela representação diabólica ali retratada. Mas a explicação mais aceitável para esse fenômeno reside no fato de que a luz incidindo sobre a página em especial acabou por escurecer o velino.


O conteúdo do Codex Gigas inclui uma versão da Vulgata Latina, a tradução da Bíblia em grego para o idioma latim realizada no século IV. Além das passagens bíblicas completas, o Codex possui cinco grandes textos de cunho histórico e científico. Dois trabalhos do filósofo Flavius Josephus que viveu no século primeiro, as antologias Antiquities e Guerras Judáicas. Além disso, ele também apresenta uma versão da  Etymologiae, uma enciclopédia escrita por Isidoro de Sevilha e o tratado histórico "Chronica Boemorum" (Crônicas da Boémia) que relata a formação política daquela região. Ainda mais interessante é a existência de uma miscelânea de textos exclusivos versando sobre medicina, uso de ervas, tratamentos para doenças perigosas, realização de magias, rituais de purificação, penitências, exorcismos e outras noções práticas para eruditos. 

Como não poderia deixar de ser, um livro conhecido como "A Bíblia do Diabo" naturalmente se torna uma espécie de para-raios de superstições e narrativas bizarras. Uma das mais conhecidas lendas diz que quando o livro é deixado fechado por muito tempo, acaba se abrindo por conta própria, sempre na mesma página... a do retrato do diabo.

Outra lenda ligada ao livro diz que alguns trechos escondem encantamentos diabólicos e rituais de magia negra que podem ser decifrados a partir do estudo de alguns trechos. Ler o livro em algumas noites pré-determinadas também seria nocivo, pois nessas datas específicas alguns trechos mudavam e incluíam louvores satânicos. Finalmente, a imagem diabólica teria a propriedade de permitir que o leitor se comunicasse com o próprio demônio ao encarar seus olhos por tempo suficiente e pedir uma audiência com ele.   

Passados tantos anos, a "Bíblia do Diabo" ainda mantém a sua aura mística. Prova disso é o sucesso de uma exposição organizada em 2007 que trouxe o Codex Gigas de volta a Praga, 357 anos depois dele ter sido removido.

Na ocasião, filas de curiosos se formaram na Biblioteca Nacional, todos ansiosos para ter um vislumbre do misterioso livro. E com certeza, muitos esperavam pela oportunidade de olhar nos olhos da misteriosa imagem e saber se as lendas podem ser verdadeiras...

Achou Interessante? Leia também:

O Manuscrito Voynich - Um dos livros mais enigmáticos de todos os tempos

http://mundotentacular.blogspot.com.br/2011/04/o-manuscrito-voynich-lendas-rumores-e.html

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Jogo de Bar inspirado em Lovecraft - "Dessa vez o verme devora você".

Sexta-feira chegando, o pessoal se aquecendo para o final de semana.

Aqui tem um jogo temático de bar, um tradicional "jogo da birita" para quem gosta de Lovecraft, da sua obra e que aprecia acima de tudo prazeres etílicos.

Publicado na página do "Morte Súbita", descoberto pelo meu colega Rodrigo González.
http://www.mortesubita.org

Tendo sido um abstêmio, Howard Phillips Lovecraft, está provavelmente se debatendo no caixão; mas não pudemos evitar. O jogo é bastante simples e pode ser jogado por qualquer entusiasta dos Mythos de Cthulhu que aprecie encher a cara de forma ciclópica, ancestral e medonhamente imemorial.

Basicamente tudo o que você precisa é um livro de Lovecraft e quantidades hediondas de bebida. Você pode jogar sozinho ou com alguns amigos, neste caso apenas um dos presentes deve fazer a leitura. Escolha um dos muitos contos curtos de Lovecraft, para começar sugerimos "Dagon" se desejar um jogo rápido e "Nas Montanhas da Loucura" para quem quiser pegar pesado. O jogo segue com as regras abaixo enumeradas e termina quando você ou demais participantes atingirem o desejável estado alcóolico de [in]consciência.

Um dos pontos fortes do jogo é que quem quer que esteja lendo, deve também beber. O vocabulário desafiador de Lovecraft aumentará gradualmente a dificuldade e graça do jogo.

As Regras

1 - Beba um gole a cada vez que Lovecraft:
  • Usar mais de um adjetivo na mesma frase: ex: "Moldado pela morte cerebral de um pesadelo híbrido, não poderia tal vaporoso terror ser em toda sua desprezível e requintada verdade, o gritante inominável"?
  • Usar uma descrição propositalmente vaga: ex: "terror indizível", "impronunciável", etc.
  • Referir-se a algum local misterioso: ex: "Sarnath", "Kadath", etc... "À Procura De Kadath" vai te colocar debaixo da mesa fácil, fácil.
  • Referir-se a uma entidade pelo nome próprio. (Dica, Cthulhu e Nyarlathotep são nomes próprios, mas Mi-Go e Shoggoth não são; são tipos de entidades.)
  • Fizer qualquer declaração racistam sexista, facista ou politicamente incorreta. Esta regra faz de 'Horror em Red Hook' um desafio dificil de superar. Não perca tempo debatendo o que é ou não racista ou sexista... quando em dúvida, beba.
  • Colocar um personagem dentro de um templo ou igreja
  • Mencionar um livro 'proibido' na história. Isso inclui o De Vermis Mysteris, o Unaussprechlichen Kulten, e, é claro, O Necronomicon, entre outros.
2 - Beba dois goles sempre que alguma desta palavras aparecer (incluindo suas variações):
  • Sobrenatural
  • Ciclópico
  • Balbuciar
  • Escamoso
3 - Vire o copo sempre que uma destas situações ocorrer:
  • Aparecerem pinguins albinos subterraneos gigantes na história, ou qualuqer animal albino. ("Nas Montanhas da Loucura")
  • O protagonista perceber que não pode piscar. ("A Sombra sobre Innsmouth")
  • Canibalismo ("Ratos nas Paredes" e "A Estampa da Cada Maldita")
  • A história se repetir de forma resumida. ("Re-animator", que foi lançada originalmente em partes e precisava lembrar o leitor o que já tinha acontecido.)
  • Gatos gordos aparecerem após algum ser humano sumir. ("Os Gatos de Ulthar")
  • Algum personagem percebe que foi catapultado milhares de ano para o futuro ou passado. (as crônicas de Randolph Carter)

Bônus de Encerramento

Depois de terminar uma história, confira se alguém na mesa ainda consegue citar o parágrafo inicial de "O Chamado de Cthulhu" sem consultar o livro. Cada vez que alguém citar uma frase corretamente, os demais devem beber um copo. Cada vez que errar a frase é a pessoa que bebe. Para referência, esta é a citação, embora idealmente ninguém deverá ser capaz de recitar nada de memória a esta altura do jogo:

“A coisa mais misericordiosa no mundo, eu acho, é a inabilidade da mente humana em correlacionar todos seus conteúdos. Nós vivemos em uma plácida ilha de ignorância no meio de um oceano negro infinito, e não era para que pudéssemos navegar para longe. As ciências, cada um esticando a corda em sua própria direção, têm nos causado pouco mal até agora; mas algum dia esse mosaico de conhecimento dissociado nos legará um terrível panorama da realidade e de nossa amedrontadora posição neste lugar, tão terrível, que ou bem nós ficaremos loucos diante da revelação ou fugiremos covardemente da luz mortal para a paz e a segurança de uma nova Idade Negra”.

Caso ninguém conseguir acertar nenhuma parte da citação. O próximo e ultimo passo é verificar quem consegue repetir os famosos versos do Necronomicon: "Não está morto o que pode eterno jazer, e em era estranhas até a morte pode morrer." Cada vez que alguém acertar, todos os demais bebem mais um copo.

Termina quanto ninguém conseguir falar ou ler mais.


Boa sorte para quem se meter nessa louc... quer dizer brincadeira.

Esse jogo aliás me recorda da camisa que comprei anos atrás da Cthulhu Tequila:


"Desta vez o Verme devora você!" Acreditem ou não, encontrei alguns jogadores de Cthulhu andando por aí com essa camisa.

Para os que forem jogar, lembrem apenas de ter um pouco de bom senso (hahaha!), depois do jogo não tentem invocar entidades perigosas, não passem cantada em fêmeas híbridas de Profundos (você vai se arrepender no dia seguinte!) e por favor não voe em seu Byakhee!

Saúde! À Nossa!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Ainda há esperança para "At the Mountains of Madness?


O cineasta Guillermo del Toro ganhou o carinho eterno de fanboys cinéfilos com filmes como Hellboy e o premiado Labirinto de Pan, mas ele ainda é assombrado pela perda de seu projeto de estimação, a adaptação de "Nas Montanhas da Loucura".

Inspirado pela novela do escritor H.P. Lovecraft, "At The Mountains Of Madness" conta a estória de uma Expedição que encontra as ruínas de uma cidade perdida nas profundezas da Antártida. Mas uma vez que fazem sua descoberta são hostilizados por criaturas bizarras e terrores desconhecidos. Dedicado a trazer esta história para a tela grande, del Toro vinha desenvolvendo o roteiro desde 2002, mas não conseguia encontrar um estúdio disposto a fornecer o orçamento substancial que ele julgava necessário. Então a Universal surgiu para salvar o dia, juntando no projeto nomes de peso como James Cameron na qualidade de produtor e Tom Cruise como estrela. Nada poderia dar errado... ou não?

"At The Mountains Of Madness" tinha recebido luz verde para entrar em produção ano passado e rumores já circulavam pela internet sobre elenco e roteiro. Mas então veio a desilusão. 

A Universal desistiu do projeto por considerá-lo arriscado demais, uma vez que envolveria um orçamento gigantesco cujo retorno não era garantido, visto que o filme, segundo o diretor, provavelmente receberia classificação de faixa etária "R" (restricted). Del Toro insistiu que a queda de braço entre ele e a Universal, não era tanto sobre o orçamento, mas pelo estúdio defender que o sucesso comercial do filme dependia de uma classificação mais branda. O diretor argumentava não ser possível permanecer fiel à sua visão do roteiro dentro das limitações de PG-13 (filmes para maiores de 13 anos). E assim, Nas Montanhas da Loucura parecia uma causa perdida.

Pouco antes do lançamento de Prometheus, a ficção de Ridley Scott, DelToro concluiu que o projeto estava "morto" uma vez que o tema entre os dois filmes era muito semelhante.

Na semana passada, Del Toro compareceu a Comic-Con com o objetivo de falar de seu novo filme, o longa de ficção Pacific Rim que deve ser lançado ano que vem. Durante a concorrida entrevista, Lovecraft e Montanhas da Loucura foram um tema recorrente. Os fãs se mostraram esperançosos quando o diretor comentou sobre a possibilidade de ressuscitar o projeto "At The Mountains Of Madness". 

Falando para o site Empire, ele primeiro descreveu sua angústia sobre o cancelamento da produção, afirmou ainda estar de "coração partido" com o ocorrido. 

Del Toro também detalhou como seriam as criaturas no filme, trechos do roteiro já desenvolvidos e as locações onde tencionavam filmar na Groenlândia. Possivelmente veríamos cenas da "guerra" entre Cthulhu e os Seres Anciões na aurora dos tempos. 

Então, o cineasta deu um sinal de esperança aos fãs, confessando que ainda não havia assistido Prometheus e que em breve o faria a fim de avaliar se as similaridades do roteiro tornariam inviável rodar "Nas Montanhas da Loucura".


Enquanto del Toro teme que Prometeus pode ter tornado a proposta de "Nas Montanhas da Loucura" redundante, a Universal deve estar chutando o próprio traseiro por não ter acreditado no potencial de um filme épico de ficção com classificação R. Prometeus alcançou um sucesso considerável já na semana de estréia, acumulando US$ 51 milhões e largando em segundo lugar nas bilheterias atrás apenas de Madagasar 3, filme familiar que atrai multidões.

Agora, poucas semanas depois, Prometheus  atingiu a marca de 298 milhões mundo afora, provando ser rentável. Talvez a bilheteria de Prometheus possa se traduzir em incentivo para algum estúdio tirar "Nas Montanhas da Loucura" do limbo em que se encontra.


Sinceramente, na minha opinião que se dane que os dois filmes tenham uma proposta similar. Não será a primeira e nem a última vez que projetos parecidos são lançados pelos estúdios.

O grande porém é que os filmes de Del Toro, embora façam sucesso entre fãs e até mesmo com a crítica, nem sempre conseguem um retorno financeiro satisfatório. E o que os estúdios querem obviamente é ter lucro. Se a coisa for duvidosa eles não embarcam, e um filme desse porte poderia se traduzir em um risco considerável se ficasse restrito a uma faixa etária. Acho que dependeria muito da maneira como o filme seria vendido.

Prometheus fez sucesso porque o filme foi atrelado a franchising Alien. Dizem que, se não fosse assim, o (cof, cof...) "épico" de Ridley Scott não conseguiria atingir esse público.

Eu ainda espero que um acordo possa ser feito... talvez Del Toro tenha de ceder em algumas coisas. Vamos torcer para que a coisa saia de uma forma que agrade aos fãs e aos estúdios.

Algo me diz que essa não é a última vez que falamos desse filme...

Fonte: Blender e Empire