quinta-feira, 20 de março de 2014

Lista de Equipamentos para Agentes - Alguns truques do mundo da espionagem


Durante uma aventura envolvendo Espionagem e Intriga, os personagens estarão em busca de informações, terão de transmitir dados, obter planos secretos e decifrar códigos sigilosos. Um cenário de espionagem permite várias possibilidades para os jogadores e a chance de mergulhar em um mundo de intrigas, complôs e mistérios guardados à sete chaves. Adicionar os Mythos a esse caldeirão só aumenta o desafio e a sensação de perigo espreitando nas sombras.  

Em geral, agências governamentais de espionagem possuem os seus próprios equipamentos e fornecem esses items para serem utilizados como ferramentas pelos seus agentes em campo. Além das óbvias armas de fogo e automóveis, espiões podem se valer de vários outros itens específicos para seu perigosos ramo de atividade.

Na sua próxima aventura, procure seu Quartermaster (Q) - o responsável pelo equipamento dos agentes de campo, e pergunte a respeito de itens que podem garantir não apenas o sucesso de sua missão, mas a chave para a sobrevivência de seu agente. 

Objetos para Ocultação


No mundo da espionagem, quase tão importante quanto obter uma determinada informação é preservar essa informação em um lugar seguro e longe das mãos do inimigo. 

Desde que os primeiros agentes secretos entraram em ação, uma das preocupações centrais das agências de espionagem era conceber uma maneira deles esconderem as informações obtidas em algum lugar seguro que não fosse encontrado caso eles fossem capturados pelos inimigos e submetidos a uma revista. Dispor de um esconderijo seguro para ocultar documentos, microfilmes, filmes fotográficos ou planos roubados era essencial quando o agente precisava cruzar uma fronteira ou posto de vigilância.

Ao longo da história inúmeros objetos foram usados por espiões para facilitar a ocultação. Alguns destes itens eram absolutamente inocentes e dificilmente levantavam suspeita. Apenas os investigadores mais experientes e sagazes conseguiam encontrá-los durante uma revista.

Entre os itens de ocultação em exposição no Museu da Espionagem, existem roupas com bolsos secretos, barras de costura falsa, chapéus com compartimento oculto e sapatos com salto deslizante, passando por valises com alça oca, canetas, cachimbos e isqueiros zippos onde era possível esconder um microfilme ou micro-ponto em segurança. Mas havia outros objetos ainda mais incomuns usados para ocultação: latas de espuma para barbear, tubos de pasta de dente, cabides, garrafas de vinho e até moedas falsas (como essa no alto do tópico) ofereciam compartimentos secretos acessados apenas mediante uma determinada pressão em pontos específicos ou rotação em algum lugar.


Marcador Químico

A arte de seguir um alvo de forma discreta é algo que espiões precisam dominar.

Em certos casos no entanto, seguir um alvo pode ser algo extremamente complicado, sobretudo se a pessoa em questão estiver transitando em um lugar movimentado. Para auxiliar em missões dessa natureza, espiões utilizam meios para distinguir o alvo das outras pessoas. Ao longo da história da espionagem, sabe-se de agentes que usavam simples poeira de giz para marcar as costas de seu alvo até uma pequena quantidade de tinta fosforescente. Nos dia atuais, tinta invisível ou compostos químicos, detectáveis apenas com o uso de óculos especiais são o padrão empregado por várias agências de espionagem.

Marcadores químicos no início do século XX incluíam sprays que serviam para marcar o alvo visualmente ou com algum odor distinto que permitia ao espião especialmente treinado, rastreá-lo, mesmo em uma avenida movimentada.

Supressor de Arma (Silenciador)



Outro clássico da Guerra Fria, os Supressores para Armas de Fogo, ou como ficaram mais conhecidos Silenciadores, foram desenvolvidos bem no início do século. A primeira patente de que se tem notícia de um silenciador data de 1909 e foi desenvolvida por Hiram Maxim, um dos criadores da famosa metralhadora Maxim.

Em termos de praticidade armas de fogo não são muito úteis para agentes que primam pela discrição. Um único disparo pode colocar toda uma missão a perder e atrair seguranças ou guardas que o espião deseja evitar a todo custo. Ainda assim, espiões precisam se defender de seus inimigos, por isso não podem abrir mão de tais ferramentas. Assim sendo, um supressor para arma de fogo torna-se um item quase essencial.

Supressores são implementos cilíndricos de metal, fixados no cano da arma de fogo. O objetivo deles é capturar os gases que viajam a velocidade supersônica quando a bala é disparada. O supressor age como uma espécie de filtro, captando os gases e distribuindo em seu interior através de um sistema de deflexão sonora montada no interior. Quanto maior a quantidade de defletores, mais eficiente será o abafamento do som, em compensação o supressor pode diminuir a eficiência do disparo e retardar a velocidade da bala. Os supressores tem uma vida útil curta, após cerca de dez disparos, eles são danificados e deixam de funcionar satisfatoriamente. Armas de fogo automáticas de qualquer calibre aceitam supressores, desde pistolas calibre 22 até rifles .50, mas em algumas armas como espingardas e revólveres eles não são muito úteis pois a redução sonora é mínima.

De um modo geral, armas de menor calibre, como pistolas .32 se comportam melhor com supressores simples que não influem diretamente na eficiência do disparo. Armas desse calibre, em condições ideais produzem um ruído que atinge 140 decibéis, um supressor pode reduzir esse som a aceitáveis 14,5 decibéis uma melhoria considerável.

Um conhecedor de armas de fogo (ou um espião treinado) é plenamente capaz de improvisar um supressor usando para isso meios simples, como por exemplo atirar através de uma garrafa de plástico ou de um pano encharcado com leite comum. Esse tipo de "silenciador sujo" reduz o estampido do disparo a metade de seu ruído, mas afeta a trajetória e potência do disparo.     

Nas primeiras décadas do século XX, supressores são proibidos na maioria dos países, embora nos Estados Unidos, silenciadores fossem comercializados em lojas de material esportivo, principalmente para serem acoplados a rifles de caça. Se existe alguma verdade em filmes da franquia James Bond, é que agências de espionagem ofereciam como arma principal para seus agentes pistolas Walter PPK idênticas ao do espião com "licença para matar". A razão de ser é simples, a arma aceitava muito bem o acréscimo de supressores e tornava a vida dos espiões bem mais segura.

Mini-Câmera Fotográfica

Usadas para capturar imagens em detalhes, máquinas fotográficas sempre foram utilizadas por espiões com o objetivo de reunir evidências e pistas. E o velho ditado: "Uma imagem vale mais do que mil palavras", muitas vezes se provava correto.

Um dos requisitos para a utilização de máquinas fotográficas por espiões era que elas fossem pequenas, discretas e não fizessem barulho. O filme dessas máquinas também deveria ser pequeno, mas capaz de resultar em imagens suficientemente nítidas quando reveladas. As primeiras câmeras usadas por agências de espionagem empregavam os menores aparelhos disponíveis, mas mesmo estes eram grandes demais e acabavam chamando a atenção.

Câmeras de 35 mm se tornaram as máquinas padrão usadas pelas agências de espionagem mundiais. Seus componentes eram tão pequenos e sensíveis que em alguns casos eles eram montados por mestres relojoeiros. Apesar do tamanho, vários acessórios ampliavam a capacidade destas pequenas câmeras permitindo a inserção de lentes, flashes e dispositivos de controle remoto. Além disso, as pequenas câmeras de espionagem vinham disfarçadas em formatos inesperados, podendo ser colocadas dentro da manga de casacos ou sacolas (sendo um botão uma lente oculta), no interior de livros (bíblias mais volumosas eram perfeitas para esse fim) ou até em maços de cigarros.

O filme produzido por essas câmeras também era pequeno e podia ser facilmente escondido. Modelos construídos  na década de 1930 produziam microfilmes que além de serem flexíveis, tinham a largura de um palito de fósforo. A criação dos micro-pontos permitiu que fotogramas fossem miniaturizados até ficarem do tamanho da unha do dedo mínimo.

Uma típica máquina fotográfica usada pelos serviços de espionagem nos anos 1920-1930 tinha capacidade para no máximo 6 fotografias. A qualidade das fotos era baixa e em geral, uma vez que as câmeras eram disfarçadas em algum lugar, a qualidade de enquadramento também era sofrível. Máquinas pequenas no entanto, usadas para fotografar documentos se saiam muito bem, mesmo com iluminação comprometida.

Uma das máquinas mais famosas da Guerra Fria, a soviética Minox Riga (na foto ao lado) desenvolvida em 1932, era tão pequena que era considerada como uma subminiatura. No período ela era 3 vezes menor do que qualquer máquina usada pelas agências ocidentais. Suas dimensões eram de 8 cm x 2,7 cm x 1,6 cm, e pesava apenas 110 gramas. Seu filme flexível tinha apenas 9,2 cm de comprimento. A máquina era tão eficiente que ela foi cobiçada até por agentes inimigos.

Guarda Chuvas de Espião

Por estranho que possa parecer, guarda-chuvas são objetos intimamente relacionados ao mundo da espionagem.

Em primeiro lugar, um guarda chuvas funciona como uma maneira perfeita de sinalizar algo para um contato. Um guarda chuvas pode ser marcado com uma fita para que o agente saiba com quem deve se comunicar, pode ser usado como sinalizador para uma ação (o ato de abrir um guarda-chuvas no meio de uma multidão pode representar o sinal verde para um ataque) ou o guarda chuvas pode ser usado para ocultar uma ação (simplesmente abrindo o dispositivo no momento de passar por uma câmera).



Guarda Chuvas também são ótimos objetos para ocultação, um cabo oco pode ser perfeito para esconder um rolo de filme ou algumas páginas devidamente enroladas. Além disso, um guarda-chuvas pode se converter em uma arma de defesa e ataque. O cabo de um guarda-chuvas pode ser desprendido revelando uma lâmina oculta (estilo sword cane) ou quem sabe até o cano de uma arma de pequeno calibre acionada por um mecanismo ou gatilho oculto. Armas como essa foram usadas por agentes durante a Guerra Fria e eram capazes de um único e mortal disparo à queima roupa.

O mais famoso guarda chuvas usado durante o período da Guerra Fria foi empregado por espiões soviéticos para eliminar o dissidente búlgaro Georgi Markov em Londres. Um agente usando um guarda-chuvas com uma ponta afiada, conseguiu se aproximar de seu alvo e provocar um pequeno arranhão. Na ponta do guarda-chuvas havia uma quantidade microscópica de ricina, uma toxina letal que causou a morte do dissidente em três dias. O caso do assassino do guarda-chuvas se tornou um dos mais famosos da Guerra Fria.

Kit de Disfarce

Muito utilizado sobretudo por espiões utilizando identidades falsas ou que tem sua identidade conhecida pelos seus oponentes.

Um Kit de Disfarce consiste de perucas, grampos, apliques, cola usada em teatro, bigodes e barbas falsas, óculos, tinturas, próteses nasais, cicatrizes plásticas, marcas de idade em forma de decalque e até dentaduras falsas. Em kits mais completos havia ainda lentes de contato em cores diferentes que ajudavam a disfarçar o indivíduo.

Além de mudar a aparência, alguns kits incluíam também roupas e trajes que podiam ser empregados para que o indivíduo assumisse uma identidade ou ocupação totalmente distinta. Durante a Segunda Guerra, espiões aliados estudavam o básico de latim e dos costumes religiosos cristãos para assumir a identidade de padres.

Pílulas de Cianureto


A clássica última opção.

Vista em vários romances e filmes a respeito do lado menos romântico (e mais realista) da espionagem, as notórias pílulas de cianureto eram uma dura realidade. As primeiras pílulas venenosas (também chamadas de L-Pills ou Kill-Pills) eram feitas com uma dosagem microscópica, mas suficiente para causar a morte de um homem adulto em apenas 10-15 segundos. Uma dose maior poderia resultar em uma dor lancinante e prolongada, uma menor em coma ou danos nervosos severos, por esse motivo químicos desenvolviam dosagens específicas para cada espião, baseadas em seu peso. 

As primeiras pílulas foram criadas no início do século XX na Alemanha e foram distribuídas a espiões durante a Grande Guerra, cerca de 28 destes utilizaram suas pílulas. Elas eram guardadas em estojos de metal (semelhantes a uma bala de pequeno calibre) que podiam ser facilmente ocultados. As pílulas eram usadas por agentes capturados que preferiam uma "morte limpa" ou "honrada" ao invés de sofrerem tortura ou coação nas mãos de seus inimigos.

As pílulas de cianureto ficaram famosas durante a Segunda Guerra, sendo distribuídas aos montes no final da guerra para oficiais do alto escalão que buscavam uma morte rápida. Líderes nazistas como Herman Goering e Heinrich Himler usaram pílulas desse tipo para cometer suicídio. No período da Guerra Fria, alguns espiões mantinham escondidas pílulas venenosas, bem como astronautas que estiveram nas missões de longa duração da NASA.

Ao contrário do que se pode supor, as pílulas não eram engolidas. Para liberar a substância em seu interior, era necessário morder a pílula com os dentes. Inalando o vapor liberado causava a morte imediata.

Escuta Portátil


Um dos itens mais identificados com o trabalho de espionagem, a escuta telefônica portátil presente nas primeiras décadas do século XX era um dispositivo diretamente instalado no aparelho que o conectava a centrais móveis responsáveis por compartilhar a linha.

Em geral, esses aparelhos tinham de ser conectados a postes telefônicos através de fiação e eram difíceis de serem disfarçados. A eficácia deles também era discutível, já que espiões experientes eram capazes de perceber a existência de uma escuta abrindo um telefone ou meramente ouvindo estalos na ligação. Aparelhos de escuta mais modernos, as chamadas Caixas Bege, começaram a ser desenvolvidos em 1940. esta eram acopladas a gravadores automáticos que eram ligados assim que a ligação se completava. Contudo, foi na década de 50 que se deu o auge desse tipo de espionagem que revolucionou o trabalho de espião.

Na era de ouro da Guerra Fria, centrais de telefonia móvel eram montadas e usadas especialmente para interceptar ligações telefônicas analógicas. Estima-se que em Berlim existissem mais de 70 mil escutas ativas, isso em uma cidade que possuía cerca de 78 mil linhas. Um espião era capaz de instalar um grampo em pouco menos de 2 minutos. As centrais clandestinas também se devotavam a captar emissões de rádio e transmissão em ondas curtas. 

Para competir com as centrais de escuta, as principais nações emitiam sinais que visavam embaralhar suas transmissões e dificultar a captação. Centrais de contra-espionagem modificavam seus aparelhos a cada semana para atualizar sistemas e se precaver da ação de espiões e grupos de técnicos rastreavam as linhas em busca de grampos. Um único telefone público em um café de Berlim chegou a ter mais de 25 grampos. 

Na década de 1950, escutas instaladas em centrais eram uma enorme preocupação dos governos mundiais. Em 1955 durante a Caça às Bruxas do Macartismo, várias centrais telefônicas norte-americanas foram interditadas para que buscas por escutas fossem conduzidas por agentes do FBI. Supostamente após realizar as buscas, inúmeras linhas foram grampeadas para que os agentes do governo pudessem espionar civis (sem autorização, é claro). 

Achou interessante? Leia também:

Lista de Equipamento Pulp

Equipamentos para o Montanhista

Uma Lista de Itens do Dia a Dia úteis numa Investigação

Filmadoras no Início do Século XX

Telefones no Início do Século XX

Máquinas Fotográficas no Início do Século XX

Lanternas no Início do Século XX

Automóveis no Início do Século XX

Bengala Espada - A arma do Gentleman


terça-feira, 18 de março de 2014

Os Garotos da "Casa Branca" - Descoberta macabra em antigo reformatório expõe horror


Quase um século de horror está vindo à tona no Sul dos Estados Unidos

Uma escavação na Escola Arthur G. Dozier para Menores Infratores no estado da Flórida resultou na descoberta de 55 corpos depositados em covas não identificadas em vários pontos do terreno. A instituição que funcionava como reformatório para rapazes hospedou cerca de 1,400 internos no seu período mais ativo. A investigação inicial, conduzida pelo Departamento de Justiça do estado da Flórida buscava originalmente determinar se no cemitério haviam cadáveres não identificados.

Os esforços na recuperação dos cadáveres vem sendo conduzidos pela Dra. Erin Kimmerle, professora do Departamento de Antropologia Forense na Universidade do Sul da Flórida, e envolve atualmente mais de cinquenta pesquisadores de nove diferentes agências. O objetivo deles é identificar crianças desaparecidas, determinar a causa da morte e proporcionar a elas um enterro decente.

Durante a coletiva de imprensa, a Dra. Kimmerle expressou a motivação de todos os envolvidos nessa missão: “Nós pretendemos conceder às famílias uma solução, uma espécie de fechamento para que os pais finalmente saibam o que aconteceu aos filhos. Com isso eles poderão saber em que circunstâncias seus filhos morreram e providenciar o descanso que merecem”.

O cemitério da escola, ironicamente registrava apenas 13 sepulturas assinaladas por cruzes feitas de canos de PVC. Nem todas estavam marcadas, o que levou as autoridades a pedirem o auxílio dos técnicos. A equipe enviada para o local, utilizou um radar de penetração no solo e as primeiras sondagens evidenciaram leituras de que haviam outros cadáveres sepultados fora do cemitério. "Descobrimos que estávamos diante de algo muito maior e assustador. Havia covas improvisadas em todo terreno".   

Além das ossadas, a equipe encontrou milhares de artefatos, que irão ajudar a datar mais acuradamente quando cada criança morreu e com um pouco de sorte, a sua identidade. Alguns dos artefatos incluem restos de roupas, fivelas de cintos, botões, restos de caixões e em alguns casos brinquedos, como bolas de gude que ainda estavam no bolso de um dos garotos.

Também chamada de Florida School for Boys (Escola da Flórida para Garotos) e Florida State Reform School (Escola do Reformatório do Estado da Flórida), o centro de detenção juvenil foi fundado na virada do século XX, e esteve em funcionamento de 1900 a 2011. Muito antes das escavações se iniciarem, a escola já tinha notoriedade pelas dezenas de acusações de agressão física e de natureza sexual perpetrada contra os internos ali encarcerados. Por volta de 1903 - uma época em que o sistema penal era no mínimo brutal - inspetores já recebiam denúncias chocantes de maus tratos. "Internos" eram despidos de seus nomes e identidade, passando a ser tratados apenas como números. Punição física era algo trivial, e até 1930 vigorou um conjunto de regras internas que incluía chibatadas.

Vários Estudantes, como estes vistos acima, que morreram na Escola Dozier para Garotos em Mariana, FL, foram assassinados à tiros.
Um garoto sentenciado a Escola Dozier não podia esperar tratamento decente. A comida era pouca e de procedência ignorada, muitas vezes chegava aos pratos deteriorada. Os alojamentos não tinham vasos sanitários - que só foram instalados em 1955, e até então os internos usavam potes e bacias para suas necessidades. No verão, o calor e umidade eram insuportáveis.

Um dos internos, chamado Richard Newest, que viveu na Escola quando tinha 12 anos escreveu um testemunho de sua estadia e chegou a publicar a matéria em um jornal no ano de 1964:

“Logo que cheguei a Escola, eles tiraram de mim o meu nome e eu me tornei apenas um número. Eu fui o interno R 297 por oito longos meses. No primeiro dia fui levado para um prédio, mandaram que eu vestisse um uniforme cinza, me deram um cobertor, um copo e um prato de alumínio. Eu fiquei em um alojamento com outros 40 meninos, sem separação nenhuma de idade. Os mais jovens choravam de medo durante o dia e a noite tentavam ficar em completo silêncio. Todos queriam ser invisíveis e não atrair a atenção de veteranos ou de um guarda.  Todos sabiam o que podia acontecer se um deles o pegasse sozinho. Eu comia uma vez ao dia e recebia uma ração que não passava de uma sopa rala de cascas de batata e um pedaço de pão seco. Comíamos com as mãos, rápido para que ninguém tomasse nossa comida. Mesmo hoje, passados tantos anos, por vezes ainda acordo sem ar, achando que estou na Escola Dozier".

Embora as punições físicas tenham sido abolidas nas escolas em 1968, até os anos 1980 inspeções revelaram que estudantes da Escola Dozier eram disciplinados com palmatórias, cordas molhadas e porretes. Uma investigação conduzida pelo Departamento de Justiça, com base nas acusações, levaram ao fechamento da instituição em maio de 2011. Apesar das investigações, a razão oficial para o fechamento do reformatório foi a falta de fundos para mantê-lo em funcionamento.
A escola foi criada para alojar crianças e adolescentes que cometeram crimes como roubo e assassinato. Uma alteração na legislação estadual, incluiu crimes de menor potencial ofensivo, baixando os requerimentos para internação. Isso levou a um considerável aumento da quantidade de detentos e uma mistura de elementos violentos, com várias passagens por reformatórios, com indivíduos sem histórico de violência.

Rapazes que eram enviados para a escola, se referiam a si mesmos como "The White House Boys" (Garotos da Casa Branca). O apelido se refere ao prédio principal da escola, pintado com uma cor branca imaculada. Crianças com idade variando entre cinco e dezoito anos eram enviados para a escola. Muitos deles eram submetidos a agressão, humilhações, surras e estupro, praticada por internos mais velhos ou pelos próprios funcionários. Quando foi fundada a "Casa Branca" também ganhou fama por utilizar correntes com bolas de ferro presas ao calcanhar dos jovens e por confiná-los em cubículos subterrâneos escavados no próprio pátio. Internos eram mantidos por períodos de até dois meses em isolamento nessas celas. 


Com a rotina de maus tratos sendo a regra e não a exceção, muitos internos morriam em decorrência de ferimentos ou de doenças agravadas pelas condições deploráveis. Os mortos eram enterrados clandestinamente em diferentes lugares da escola, no pátio, nos jardins ou em valas. Desde a fundação da Instituição os registros definiam a maioria dos óbitos como "causa desconhecida", isso quando as mortes não eram sequer comunicadas. Funcionários em várias ocasiões sequer informavam as famílias dos internos, e não forneciam certidão de óbito ou conduziam procedimento administrativo para identificar a causa. Há suspeitas de que muitos cadáveres tenham sido queimados no incinerador da escola, tornando impossível a identificação dessas vítimas.

Como resultado da extensiva pesquisa conduzida pela equipe da Dra. Kimmerle, já foram encontrados 98 rapazes que morreram no reformatório entre os anos de 1914 e 1973. A maioria dessas vítimas são jovens negros, com idades que variam entre 6 e 18 anos. Durante as exumações, o time de antropólogos descobriu que pelo menos sete deles morreram violentamente na mesma época. Há indícios de que eles tenham sido mortos em uma tentativa de fuga ocorrida nos anos 1960. Quatro deles tinham ferimentos a bala e marcas condizentes com uma agressão brutal. Os sete haviam sido enterrados em uma mesma vala, próxima ao portão principal.

Outro grupo composto por cerca de 25 internos também foram sepultados em uma vala comunitária em meados de 1914 quando um incêndio destruiu um dos alojamentos. Na ocasião, as portas trancadas impediram a fuga dos internos que morreram queimados. Uma epidemia de gripe também foi responsável por 13 mortes nos primeiros anos da década de 1920.

Não é exagero, dada a quantidade de cadáveres descobertos e as inúmeras estórias contadas por indivíduos que habitaram a "Casa Branca" e sobreviveram à experiência, assumir que a grande maioria das mortes não sejam resultado de causas naturais. De fato, os antropólogos determinaram que inúmeras ossadas apresentam sinais de violência e outros atos bárbaros. Mais de 25% dos internos identificados morreram nos primeiros três meses de cumprimento de pena, o que demonstra claramente o grau de mortalidade das instalações.


Pesquisadores sugerem que muitas das crianças e adolescentes enterrados podem ter sido assassinados. Apenas o exame detalhado de cada um pode estabelecer a causa de suas mortes. Cinco conjuntos de mostras de DNA foram enviadas para a Universidade do Norte do Texas e para o Centro de Ciências para identificação dos corpos. Antropólogos também utilizarão programas de computador para reconstrução facial a fim de aumentar as chances de reconhecimento. 

A Universidade do Sul da Florida começou a efetuar as escavações no terreno da Escola em Agosto de 2013. A Secretaria do Estado tentou impedir o início dos trabalhos, inclusive recusando a autoridade dos envolvidos na investigação. A equipe foi forçada a recorrer a várias entidades e até ao Governador da Florida Rick Scott, que finalmente permitiu o início dos trabalhos. 

As primeiras semanas de trabalho expuseram a horrível verdade a respeito da Escola Dozier, quando os pátios começaram a ser sistematicamente escavados após denúncias de ex-internos que apontavam onde corpos poderiam estar enterrados. Desde 2008, quando as autoridades deram início às investigações, mais de 500 pessoas se apresentaram voluntariamente para dar seu testemunho sobre a horrível rotina de morte na "Casa Branca".

Em 2009, uma comissão que acompanhou os procedimentos levou as autoridades a expedir mandatos de prisão para funcionários que trabalharam na Escola Dozier entre 1950 e 2010, inclusive três ex-diretores. Segundo os investigadores, ex-funcionários confessaram que o regime de horror imposto para os internos incluía agressões e intimidação constante. A ausência de registros se mostrou uma dificuldade adicional em determinar o grau de envolvimento de cada funcionário. Acusações de que muitos rapazes sofreram abusos físicos e sexuais também vem sendo examinadas, mas essas alegações são muito difíceis de corroborar mediante análise dos restos humanos. Até o momento, não foram oferecidas acusações para essas denúncias, mas a quantidade de testemunhos pode enfim ajudar a condenar guardas e funcionários envolvidos em tais crimes, alguns praticados há mais de 40 anos.

O Departamento de Justiça decretou o fechamento da Escola Dozier em dezembro de 2011, mediante pressão da população e de entidades de direitos humanos. O decreto assinado pelo governador da Florida atestou que a Escola falhava em oferecer proteção e dignidade aos internos, em fornecer reabilitação, que violava direitos básicos do processo legal, além de implementar métodos disciplinares e de confinamento inconstitucionais.


Enquanto o processo segue em frente, a Dra Kimmerle planeja a abertura de uma nova frente de escavação com o apoio de mais 30 pesquisadores. A área a ser escavada corresponde a um terreno junto de dois alojamentos que foram desativados na metade da década de 70 e que muitos ex-internos apontam como uma área onde aconteceram muitos enterros. Ela espera localizar um cemitério clandestino dessa vez de internos em sua maioria de ascendência caucasianaSegundo a Dra. Kimmerle, até a década de 1960, haviam cemitérios separados para internos de diferentes grupos étnicos. "Não sabemos o que vamos encontrar, mas com certeza, ainda há muitos corpos esperando serem encontrados".

Os horrores que estão sendo resgatados do solo escuro da Escola Dozier cobrem quase um século de injustiça e vergonha na História americana, incluindo a tentativa das autoridades de esconder os fatos. Ela mostra que mesmo na mais poderosa e rica nação do planeta, crianças e adolescentes estão sujeitas a condições aterradoras e ao descaso da sociedade.

sábado, 15 de março de 2014

Luz e Trevas, Forma e Conteúdo - Recap do Episódio Final de True Detective


No fim, há apenas Luz e Trevas

Não há Rust Cohle, não há Martin Hart. Não há Reggie Ledoux e não há Errol William Childress. Não há Maggie, nem Lisa, nem Beth ou Audrey. Não há Rei Amarelo e tampouco Monstro Spaghetti. Todos eles são parte de uma entidade ou de outra, Luz ou Trevas, que lutam uma contra a outra pelo Supremacia do Universo. Por vezes a luz não parece nada além de um brilho fugaz riscando o céu escuro. Em outros momentos, ela pode se apresentar como uma infinidade de estrelas pontuando o céu noturno. Um lado nunca consegue superar o outro, ao menos, não por muito tempo. 

Essa introdução para falar a respeito do último episódio de True Detective, uma série que desde já deixa saudade e joga uma enorme responsabilidade para a segunda temporada, que terá a dura tarefa de ser tão envolvente quanto esta. 

Na semana passada o episódio sete, “After You’ve Gone” serviu um aperitivo do que o episódio final reservava para os que seguiram desde o início a investigação dos horríveis crimes na Louisiana em três diferentes épocas. 

Nem preciso dizer que há inúmeros SPOILERS daqui para frente a respeito de “Form and Void”, o episódio final de temporada. Recomendo que antes de ler esse texto, corram para assistir o episódio final a fim de não estragar nenhuma surpresa.

O formato desse episódio já se inicia de uma maneira diferente dos demais. Pela primeira vez temos uma perspectiva de acontecimentos que não pertence a nenhum dos dois detetives protagonistas. A cena inicial que se passa em uma casa em ruínas, afastada, na beira de um pântano escuro e ermo, envolve duas pessoas. O primeiro é o homem do cortador de grama, Errol Childress, o suspeito maior de ser o responsável pelos horríveis crimes cometidos contra mulheres e crianças. Quando vemos o sujeito pela primeira vez, ele está diante de alguém acorrentado em uma cama de molas. Errol fala com uma voz arrastada e monótona do sul dos Estados Unidos, aquele sotaque típico dos red necks (caipiras) da Louisiana.



Quando deixa a cabana, repleta de frases e palavras rabiscadas nas paredes dedicadas ao Rei Amarelo, o sujeito entra em outra casa imunda e se posta diante de uma televisão onde passa o clássico "North by Nortwest" de Alfred Hitchcock, estrelado por Cary Grant. Quando uma voz de mulher chama lá de dentro, ele responde copiando o sotaque britânico com exatidão, como se de uma hora para outra tivesse se tornado uma pessoa diferente, deixando claro que ele pode ser mais do que um caipira vivendo num fim de mundo. Ele é capaz de vestir "máscaras" que o transformam em pessoas muito diferente.

A mulher que fala com ele se aproxima e ele a chama "carinhosamente" de retardada e lenta. Errol diz que está na hora de deixar a sua marca novamente e ela reclama que faz algumas semanas desde que eles "fizeram flores pela última vez". Enquanto Childress afaga a mulher grotescamente, e ela estremece diante de seu toque, ela murmura como o avô dos dois (o que os torna ao menos, meio-irmãos!) a encontrou certa vez em uma plantação, quando ela não passava de uma criança, e a jogou de costas no solo quente para violentá-la.

Essa primeira sequência marca a jornada na escuridão que será esse episódio. 

A viagem sem escalas rumo a um centro pulsante de horror, loucura e perversidade que brotou no pântano da Louisiana e que foi lentamente cultivado por um assassino absolutamente repugnante. Nós já havíamos visto esse monstro no episódio anterior, comentando como sua família sempre viveu naquele lugar, lançando suas raízes profundamente nesse solo negro e fértil. Apenas não sabíamos o tamanho de sua devassidão e a amplitude da sua corrupção.


True Detective já havia chamado a atenção com um excelente piloto e um arco de cinco episódios consecutivos cujo ponto alto foi The Secret Fate of All Life”, um capítulo que beirou a perfeição. A série que pode ser vista como um drama policial (embora não seja sobre procedimento), vai ficar marcada por ter trazido algo diferente: a história dos personagens se sobrepondo ao próprio crime por eles investigado. Form and Void”, o capítulo derradeiro dessa tour de force, é inquestionavelmente frustrante por não ser reveladora, mas ao mesmo tempo ela consegue oferecer uma resolução que acaba se mostrando suficiente, mesmo para os fãs (eu inclusive) que ansiavam por uma reviravolta arrebatadora no último minuto.

Mas vamos com calma...

Logo após a introdução em que quase podemos sentir o gosto de alumínio e cinzas na boca, somos levados de volta ao último paradeiro de Marty e Rust que haviam sequestrado o Xerife Distrital e estavam dispostos a dar a ele um tratamento de tortura para que ele confessasse sua participação na ocultação de um dos crimes. Mas basta ele ver a medonha fita que estava em poder do Reverendo Tuttle para o próprio xerife desmoronar.

Eu adoro o fato de como essa fita parece amaldiçoada... aqueles que assistem sentem o frio da escuridão tocando suas almas. E o Xerife não é diferente! Rust percebe isso e imediatamente sabe que o Xerife embora seja um canalha disposto a olhar para o lado e obedecer a "Cadeia de Comando", não faz parte desse horror. Ao menos não conscientemente. Ao menos desse crime ele é inocente.

Mas justo quando pensamos que a possibilidade dos dois detetives realmente torturarem outra pessoa não passava de um blefe, descobrimos que eles não estão para brincadeira. Basta o xerife jurar vingança para que Cohle acene e balas voem pelo ar, legitimando a sua ameaça de que um franco atirador já havia sido pago para eliminar o xerife caso ele tentasse algo.


"L'Achaim, fat ass"! diz Marty ao entrar no carro. Os dois não estão brincando, esse é o último round e as apostas estão altas. Os dois precisam jogar pesado se quiserem ir até o fim dessa jornada que durou 17 anos.

De volta ao Escritório de Marty, os dois continuam se esforçando para ver o que ainda não conseguiram enxergar em meio às pistas. Quando a solução surge, ela é incrivelmente simples... a pista que eles precisavam, quem diria, viria do pequeno detalhe do "Monstro Spaghetti" ter orelhas verdes.

Quando assisti pela primeira vez, achei a resolução um tanto simplista, mas depois lembrei do Manual de Procedimento Criminal de De Burger (um dos papas da criminologia), que cita que pequenos detalhes, que geralmente passam desapercebidos se você não olhar cuidadosamente, são responsáveis por resolver 90% dos crimes. E aqui não é diferente: motivados pela pista eles descobrem quem é o responsável por ter pintado a casa da menina e com base nessa informação mundana conseguem relacionar as informações e chegam a Errol Childress. No fim das contas, Marty estava certo o tempo todo a respeito da maldição do detetive: "A solução está bem de baixo do nariz do investigador, o tempo todo".

Mas ainda há uma escala nos preparativos para o showdown no pântano...


Marty procura o detetive Papania e marca com ele um encontro num restaurante. Muita gente se perguntou porque ele convidou apenas Papania e não o parceiro deste, Gilbough que se mostrou muito mais comedido e menos direto nas suas suspeitas sobre o envolvimento de Cohle. Acho que tem a ver com o fato de Marty ter conseguido ler nas ações de Papania uma indignação real, um comprometimento verdadeiro em fazer justiça, coisa que ele não conseguiu captar em Gilbough. Em resumo Papania parecia legitimamente querer pegar o criminoso, não por ser um policial, mas porque era a coisa certa a fazer.

Na reunião, Marty quer saber se Papania estará disposto a ajudá-lo caso seja necessário. É quase como um pressentimento de que em breve, as coisas vão sair de controle. Quase um sexto sentido a respeito da letalidade daquilo que eles estão prestes a enfrentar.

Enquanto isso, Errol também antecipa o que está prestes a acontecer. No seu trabalho, como faz tudo para escolas e grupos religiosos comunitários, nós o encontramos pintando uma cerca de colégio com tinta amarela. É como se ele estivesse marcando seu território de caça. No dia a dia, Errol veste a máscara do inofensivo e amável zelador de fala mansa que agradece educadamente a professora que pergunta se quer que traga algo da cafeteria. Mas quando ela se afasta, seus olhos cheios de cobiça investigam as crianças no playground e se derramam sobre um garotinho que se aproxima curioso. Quantas crianças como essa, Errol perseguiu, arrastou para seu covil e sacrificou? Em um único olhar é possível perceber o desejo doentio e monstruoso e que ele se contenta em refrear porque precisa estar preparado para o que está vindo. A luta entre luz e trevas que será travada na sua casa.


De volta para sua casa repleta de tranqueiras, Errol e sua irmã "colhem flores", quase como se fosse um ritual de preparação. O círculo está prestes a se fechar e o mesmo sexto sentido de Marty parece contagiar seu adversário.

Quando finalmente os detetives se dirigem para os recessos do pântano, Rust sente a presença das trevas que eles vem espreitando há 17 anos. A caçada está perto do fim. Ao descer do carro, eles sabem que estão no lugar certo. Marty conversa com a parceira de Errol, a loucura da mulher está a flor da pele, transbordando em suas palavras sem sentido em que ela alude ao irmão/amante como sendo "o pior de todos" que "está em todo canto".

A minha teoria para isso é simples: Errol é o herdeiro do Culto, o último membro da antiga família que cultua o Rei Amarelo; ele caça, captura, mata e sacrifica em seu nome agora que todos os outros morreram ou se foram. Errol é tudo o que restou do cabal de cultistas degenerados. Em sua loucura, ele mantém viva a tradição do clã e imita os rituais que viu os outros membros do culto (os Tuttle e seu próprio pai) executarem nas cerimônias. Mas sua presença é tão avassaladora e onipresente que se sobrepõe aos demais. Errol acredita estar se tornando algo mais, está ascendendo a uma condição divina, ele se tornará o próprio Rei Amarelo. As trevas preencheram totalmente a sua alma, permitiram que ele se tornasse algo poderoso, quase indestrutível, alguém capaz de moldar o mundo à sua volta a partir de suas fantasias perversas. Essa é versão de Errol para o "lugar com as pedras antigas na floresta", mencionado por outros cultistas e pessoas que ouviram falar do local onde "gente rica se reúne para venerar o diabo" - Carcosa!

O que Errol Childress, o herdeiro do Culto construiu por conta própria é sua própria versão de Carcosa, um labirinto de horror em nome da divindade que ele decidiu venerar a seu modo. Não há nenhuma menção a isso, mas na minha opinião é uma explicação perfeitamente razoável; assumir que Errol tomou para si o direito de se auto-proclamar sacerdote do Rei Amarelo, ousando acreditar ser capaz de se tornar o próprio.


Enquanto Marty se ocupa com a irmã, Rust (possivelmente farejando o assassino, como se fosse um perdigueiro) se afasta e acaba se deparando com Errol. Ao dar ordem de prisão, este simplesmente responde "NÃO" com um tom gutural assustador e corre. Ele tirou definitivamente a máscara de caipira gentil e vestiu a de Rei Amarelo.

E é então que seguindo o assassino através de um túnel, que os detetives (primeiro Cohle, depois Hart) adentram os domínios de Carcosa. (NOTA: A legenda em português da HBO em certo ponto dá a entender que "Carcosa" é uma pessoa, mas na verdade é um lugar).

A Carcosa criada por Robert Chambers no conto "The King in Yellow" é uma cidade atemporal, maldita e ancestral. Ele se localiza em outro planeta, possivelmente em outra realidade ou universo. A versão de Carcosa construída por Childress é um labirinto onde despontam os sempre presentes devil catchers, cadáveres de vítimas mumificadas, símbolos desenhados nas paredes e troféus extraídos de sacrifícios. O lugar escolhido para a filmagem foi um velho forte da Guerra Civil que foi praticamente engolido pelo pântano. Uma ótima escolha da produção que se esmerou em tornar o ambiente absolutamente claustrofóbico e aterrador. Desde o clássico filme "O Silêncio dos Inocentes", quando a personagem de Jodie Foster penetra na masmorra do assassino na conclusão, não se via um ambiente tão ameaçador, a materialização das fantasias que permeiam a mente de um serial killer.


Marty ainda explora o galpão onde Errol mantém seu velho pai, o Xerife Childress acorrentado a uma cama de molas. Não que ele vá fugir, é claro. O cadáver putrefato, "que vem atraindo moscas cada vez maiores" alude a Psicose, mas na minha opinião é o último vínculo de Errol com o Culto original. O pai que participava dos rituais, foi substituído pelo filho. Ele é mantido ali para que presencie em primeira mão a transformação de Errol (a criança que ele próprio marcou na face com cicatrizes, segundo soubemos através da criada dos Tuttle). Errol etá prestes a virar o Rei Amarelo e ele deseja que seu pai assista essa transição, mesmo que seja através das órbitas vazias de sua caveira. Eu imagino que ele poderia até estar imaginando que "a morte não é o fim" (como disse a velha criada) e que através da sua transição, talvez o velho Childress pudesse ser trazido de volta. A cenografia novamente se esmera nessa cena, as paredes grafitadas com nomes de personagens extraídos do conto de Robert Chambers são um detalhe à parte.

Mas de volta ao labirinto, onde Cohle já bem adiante, persegue Errol com a voz gutural reverberando em todo canto, guiando seus passos como um Minotauro: "Come on inside little priest... to the right little priest, take the brides path... This is Carcosa." ("Venha para dentro pequeno pastorzinho... pela direita, pequeno pastorzinho, pelo caminho das noivas... Esta é Carcosa").

Enquanto caminha pelos corredores cheios de sombras e recessos escuros, Cohle finalmente adentra o salão principal de Carcosa onde se encontra um enorme altar. Essa é na minha opinião a maior referência ao Rei Amarelo contida na série. O altar/trono do Rei é uma coisa simplesmente hedionda, uma espécie de totem profano, com crânios no topo, ossos humanos misturados a galhos onde pendem pedaços de tecido amarelo como um manto de retalhos puídos.


Para os que não conhecem a mitologia do Rei Amarelo ele é uma espécie de Avatar de uma entidade entrópica. Quando o Rei Amarelo decide assumir uma forma para conversar com humanos, ele costuma optar pela imagem de um homem coroado, trajando um manto amarelo (daí o seu nome). Esse manto é retalhado e em farrapos, daí o outro nome pelo qual ele é conhecido "The Tattered King" (O Rei em Farrapos). Em alguns contos que decorrem da história principal, o Rei Amarelo assume também a forma de um magnífico trono que adorna a mais importante Câmara de Carcosa. E creio que essa é exatamente a função desse aposento, o mais importante de Carcosa. Trata-se da Sala do Trono onde o Rei Amarelo reina absoluto e onde ele pretende assistir a luta.


E diante desse trono que vai se dar o embate final entre Luz e Trevas, representados pelos detetives e pelo assassino. Rust por um instante capta a grandiosidade dos domínios do Rei Amarelo e consegue vislumbrar, ainda que rapidamente, a presença divina do Rei. Talvez a visão cósmica tenha sido apenas uma alucinação, já que Rust comentou várias vezes experimentar visões decorrentes do abuso de drogas, mas quem pode saber ao certo? Talvez as drogas que ele usou tenham aberto as portas de sua percepção a esse tipo de revelação. Fato é que ele viu algo que desviou sua atenção o suficiente para que Childress surgisse das sombras e o pegasse de surpresa. Ferido mortalmente com uma lâmina enfiada na barriga, Rust acaba se desvencilhando quando Marty irrompe na Sala do Trono atirando. Mas o Rei Amarelo (ou a loucura) concede a Errol uma força nada menos que sobrenatural, e ele reage lançando uma machadinha que atinge o segundo detetive e o derruba no chão. Parece que tudo está perdido. O Minotauro se ergue sobre Marty, arranca a machadinha e a ergue no ar, mas antes que possa baixá-la, Cohle o liquida com um disparo certeiro na cabeça.


Após o horrível desfecho, a polícia cerca a área. final de contas, Marty aparentemente conseguiu contatar o Detetive Papania e este respondeu imediatamente. Enquanto os ex-parceiros se esvaem em sangue na Sala do Trono de Carcosa, eles vêem a luz de uma pistola sinalizadora cruzar os céus iluminando a escuridão. É uma metáfora perfeita para o fim da carreira sangrenta de Errol Childress e para o epílogo que se segue.

Tudo levava a crer que um ou quem sabe até os dois personagens morreriam no final. De fato, muita gente parecia estar contando como certa a morte de Rusty, já que desde o início o personagem dava mostras de que mais cedo ou mais tarde acabaria "se cansando de desempenhar sua programação como ser humano". Uma das surpresas do último episódio, foi justamente o fato de nenhum dos dois morrer no final. Eu li em algum lugar, que um dos desfechos possíveis mencionava que Rusty desapareceria após a luta contra Childress. Marty seria o único ferido, e ele simplesmente deixaria o local antes da chegada da polícia. O paredeiro de Rusty seria um mistério, como se, após concluir o caso que consumiu 17 anos de sua vida, ele não tivesse mais nenhuma razão para continuar ali e preferisse sumir de circulação. Mas no fim, o roteiro preferiu outra solução.

Enquanto os dois passam por cirurgias delicadas, ficamos sabendo alguns pequenos detalhes sobre o desfecho do caso. Uma repórter narra brevemente que cadáveres estão sendo desenterrados ao redor da propriedade de Childress e que "um rumor" envolvendo o nome do Senador Edwin Tuttle e o assassino não foi comprovado, ou seja o envolvimento dos Tuttle provavelmente não será trazido à tona.


Marty quando sai da cirurgia recebe a visita de Papania e Gilbough em seu quarto. Os dois detetives até começam a detalhar o que aconteceu, mas Marty os corta bruscamente: "Sério, eu não quero ouvir mais nada sobre isso!".

Para muitos, essa conclusão pode parecer insatisfatória ou até frustrante. Maggie estaria ou não envolvida no caso?  E quanto a Audrey e os indícios de que ela teria sofrido abusos quando criança? Qual seria o grau de envolvimento dos Tuttle no caso? Quem eram os homens na fita? Seriam eles os "homens ricos e influentes" que realizavam sacrifícios no pântano? De onde surgiu o mito do Rei Amarelo e o que ele representa?

O roteiro deixou essas questões em aberto e passou ao espectador a faculdade de preencher as lacunas vazias com suas próprias suposições, sem concordar ou discordar em momento algum. Eu imagino que daqui a alguns anos ainda vão haver teorias a respeito do caso e pessoas inconformadas com a conclusão que não respondeu 100% das perguntas formuladas ao longo dos oito episódios. Eu mesmo gostaria de saber um pouco mais, contudo, depois de assistir o capítulo final mais duas vezes, compreendi que deixar o mistério no ar é uma maneira muito eficiente de perpetuar True Detective. 

Em última análise, mantendo a verdade na penumbra, distante e inacessível o que temos é uma conclusão realista, com a noção de que nada no mundo pode ser totalmente compreendido. E que em alguns casos, uma conclusão ainda que incompleta, é melhor do que conclusão nenhuma.     

O tema principal da série, é que existem pessoas más, com "M" maiúsculo capazes de cometer atos de crueldade inenarrável. Mas também existem pessoas que, apesar de suas falhas e defeitos, estão dispostos a serem essencialmente Boas e lutar pelo que é certo. Este é o ponto central do epílogo, com os dois detetives falando não a respeito da investigação de que tomaram parte, mas sobre o sentido de tudo aquilo: luz lutando com as trevas. A confissão de Rust de que quando estava prestes a morrer sentiu a presença da filha, as observações de Marty a respeito de que as trevas parecem ganhar um grande território e a eventual resposta de seu parceiro de que ele está vendo as coisas de forma errada, e que do seu ponto de vista, a luz, no final das contas está ganhando, são assertivas de que a série é a respeito dos detetives e que o caso é apenas o pano de fundo.  Nesse contexto a resolução acaba realmente ficando em segundo plano. 

"Tuttle. Os homens no video. Nós não pegamos todos eles." diz Rust claramente constrangido por ter sobrevivido.

"E nós não vamos conseguir pegar todos eles. Não é assim que acontece, mas nós pegamos um deles." responde Marty com sabedoria.

E é isso que importa, nem todos os caras maus podem ser vencidos, o mundo não pode ser consertado, mas eles fizeram o melhor podiam. No fim eles tiveram sua justa recompensa, redenção para Rust, aceitação para Marty e agora podem descansar.  


Eu entendo, francamente compreendo que muitas pessoas vão criticar o final da série. Eu mesmo, em um primeiro momento fiquei um tanto incomodado pela ausência de um desfecho, ainda mais depois de ter traçado tantas hipóteses e conjecturas sobre o season finale. Mas analisando friamente o episódio, ele pode não ter sido conclusivo, mas foi satisfatório.

True Detective estabeleceu um novo patamar de qualidade de séries televisivas e, é claro, deixou a sua marca de maneira indelével. Poucas séries conseguiram esse tipo de mobilização, despertaram tanto interesse e fizeram fãs assistir repetidamente os episódios como se eles próprios fizessem parte da investigação a procura d epistas. Prova do sucesso da série é o crash do HBO Go (serviço de retransmissão dos programas do canal HBO) que simplesmente não aguentou a quantidade de acessos logo depois da exibição normal. O DVD/Blu-Ray da série já está na lista de muita gente.

É uma pena que não veremos mais Rust Cohle e Marty Hart, já que a premissa de True Detective envolve reciclar o elenco e o tema a cada temporada. Tudo o que resta é torcer para que a segunda consiga manter esse padrão.

Sentiremos sua falta!


Nota: Para quem gostou da música de entrada, ela se chama "Far from any Road" e é interpretada por The Handsome Family. Por sinal, vale a pena conhecer outras músicas desse grupo.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Jogos de Intriga - Usando Espionagem em Chamado de Cthulhu


Espionagem envolve a ação de um governo ou de um indivíduo à serviço de alguma agência de investigação em geral governamental tentando obter informações secretas ou confidenciais sem a permissão de quem detém essa informação. Espionagem é em geral uma ação clandestina, uma vez que os segredos são cuidadosamente mantidos e conhecidos apenas por membros de primeiro escalão de uma nação.  Por essa razão, espionagem é considerada ilegal e punida com força de lei na maioria dos países.

Um dos métodos mais eficientes de obter informações confidenciais sobre um inimigo (ou inimigo em potencial) é infiltrar agentes em postos de confiança. Este é o trabalho principal do espião (agente de espionagem). Espiões podem obter todo tipo de informação a respeito do tamanho e força militar de um oponente. A localização de recursos militares e distribuição de tropas. Eles também podem determinar a existência de um dissidente dentro das forças inimigas e exercer sobre ele pressão forçando-o a desertar (carregando segredos ainda mais profundos). Em tempos de crise, espiões podem ser utilizados para roubar tecnologia e sabotar o inimigo de várias maneiras.

Agentes de contra-inteligência agem fornecendo informações falsas para que os espiões encontrem e enviem dados incorretos para seus superiores. Em geral, as agências de contra-espionagem também são importantes para proteger recursos e descobrir a presença de espiões pertencentes a nações inimigas dentro de suas fileiras.

A maioria das nações são signatárias de dispositivos internacionais que regulam e condenam a espionagem intergovernamental. Entretanto, os benefícios que podem ser obtidos através da espionagem justificam a existência de agências de espionagem em praticamente todas as nações.

Alvos de Espionagem

Agentes de Espionagem são treinados em várias formas de infiltração e coleta de dados. Eles são experts em recuperar informações, coagir ou convencer terceiros, analisar os dados separando informações vitais e enviá-las para seu operador. Tudo isso, camuflando suas ações de modo que jamais sejam descobertos. O bom espião é capaz de obter todos os segredos do seu alvo, sem alertar ninguém da sua presença ou de sua passagem.

Existem várias áreas de atuação de espionagem e alvos comuns de um espião podem ser:
  • Recursos Naturais: produção estratégica, identificação e meios de extração (alimentos, recursos minerais, fontes energéticas). Agentes se infiltram entre burocratas que administram esses recursos essenciais ou entre elementos políticos que possuem acesso a relatórios completos sobre esses assuntos. 
  • Recursos Populares: O alvo dos espiões nesse caso é a opinião pública e privada no que tange a política nacional ou internacional de uma nação. Os agentes tendem a ser recrutados entre jornalistas, ativistas, estudantes e pesquisadores ligados a carreira de sociologia. Esse agentes tentam definir qual a postura política e econômica, influenciar grupos dissidentes, insuflar mobilizações e distribuir recursos (armas ou dinheiro) para armar grupos extremistas. 
  • Recursos Econômicos: O objetivo do espião é determinar a produção econômica industrial de um país, suas fontes de abastecimento, as principais empresas e suas condições, a infraestrutura e o material presente. Os agentes possuem conhecimento técnico e acadêmico, possuem contatos em empresas multinacionais privadas e públicas. O alvo dos espiões são os diretores, os conselheiros, grupos de assessores, cientistas e analistas financeiros.   
  • Recursos Militares: O espião busca informações a respeito dos recursos ofensivos e defensivos, a respeito de armamento estratégico, de alvos principais e de distribuição ou mobilização de tropas. Agentes nesse caso possuem treinamento militar e conhecem a mentalidade hierárquica militar. Esses agentes são infiltrados em quartéis, academias e bases militares e se especializam em obter planos secretos ou convencer membros das forças armadas a cooperar cedendo documentos secretos. 
  • Contra-Inteligência: Operações que visam a defesa contra agências de espionagem inimigas, visando identificar agentes infiltrados, localizar fontes de vazamento de informações e estabelecer meios de coibir espiões. Agentes especializados em contraespionagem também lidam como tráfico de informações produzidas para alimentar o inimigo com dados falsos.

O Espião

O espião é a pessoa responsável por obter as informações sigilosas. Dentro das várias agências de informação, o termo "agente" é mais utilizado atualmente. Os agentes trabalham prestando contas exclusivamente a oficiais de operação, também conhecidos como operadores. Agentes em campo (ou seja, em missão secreta) são muitas vezes auxiliados por oficiais de embaixada que possuem status e imunidade diplomática. 

Na terminologia da espionagem, cut-outs são mensageiros especializados em transferir ou disseminar mensagens. Uma Casa Segura (Safe House) é um refúgio para os espiões em missão. O Pacote (Package) pode ser qualquer coisa que constitui o alvo principal do agente, desde uma pessoa até uma maleta, passando por um aparelho ou pasta com informações. Os termos "Operação" ou "Trabalho" se refere a ação de espionagem que será realizada.

Em grandes redes de espionagem, a organização possui vários métodos para evitar detecção, além de agir clandestinamente forjando documentos e identidade falsas, fornecendo recursos financeiros e suprindo equipamento tecnológico para vigilância ou defesa.

Há diferentes tipos de espiões: 
  • Agente de Inteligência são espiões cuja função é se infiltrar no território inimigo, descobrir aliados e estabelecer bases para a extração de informação. Em geral esses agentes são essenciais para a espionagem e são exatamente o que se imagina quando se fala em espiões.
  • Agente de Acesso é o agente que prepara o caminho para os demais agentes de campo, em especial os Agentes de Inteligência. Em geral, são os primeiros agentes a serem plantados num território inimigo, muito tempo antes de uma operação. Também chamado de "Pioneiro" ou "Cabeça de Ponte", a função desse agente é preparar o terreno para facilitar a operação, organizando o material, adquirindo os recursos e o equipamento, além de criar safe houses e estabelecer aliados. O agente de acesso também relaciona contatos ou pessoas que podem ajudar o agente dentro do território inimigo: médicos, falsários, motoristas, contrabandistas; toda e qualquer ocupação que possa vir a ser útil no correr de uma missão. 
  • Toupeiras (Moles) são funcionários de agências especialmente recrutados para desempenhar trabalhos de espionagem, em geral são funcionários convencidos a ajudar na espionagem mediante pagamento ou vantagens específicas.
  • Defletores são agentes infiltrados cuja função é proteger outros agentes essenciais que precisam realizar um trabalho. Os defletores fornecem meios para entrar e sair de uma nação, vigiam as safe-houses e se necessário eliminam os inimigos. No jargão da espionagem, os defletores por vezes são chamados de Dedos (fingers) ou Wet Boys (Garotos Molhados). A maioria deles possuem treinamento em militar, de invasão e assassinato.
  • Blue Ships são agentes de operação, que controlam e distribuem funções em campo. Em geral eles chefiam uma operação e são os únicos que conhecem todos os agentes e objetivos de uma operação. Blue Ships por vezes operam de dentro de embaixadas e raramente saem em campo por serem considerados muito importantes. Entre os espiões eles podem ser chamados de "Observadores" ou "Controle".
  • Agente de Influência é alguém plantado entre indivíduos que possuem influência no governo local ou que podem manipular favoravelmente recursos ou instituições. Esse tipo de espião se especializa em utilizar a burocracia local, a mídia e serviços essenciais para facilitar a ação dos outros agentes. Eles também podem operar junto de entidades financeiras garantindo recursos financeiros para realizar uma operação. Importantes para os aspectos mais burocráticos de uma operação, os agentes de influência também atendem pelo apelido de "Caras de Pau" ou "Front Faces".
  • Agente Provocador é um agente instalado para criar problemas, causar confusão ou instituir meios para uma fuga. O Agente Provocador possui vários contatos, principalmente entre dissidentes, rebeldes ou grupos de guerrilheiros que lutam contra o governo que se deseja espionar. Ele estabelece as bases de confiança ou simplesmente recruta mercenários dispostos a agir no momento certo para permitir a extração de um agente ou a sua infiltração. No jargão da espionagem, eles atendem por nomes como "Incendiários" ou "Bagunceiros".
As principais Agências de Espionagem no mundo na primeira metade do Séculos XX:

França - Deuxième Bureau de l'État-major Général (Segundo Bureau do Estado Maior) era uma agência de formação militar. Ela foi substituída pela DCRI submetido ao Ministério do Interior.

Alemanha - A Abwehr, uma agência militar criada para defesa estratégica funcionou até 1935, ela foi substituída pela Gestapo (1938) empossada na forma de uma Polícia Política durante o Regime Nazista. Após a Segunda Guerra Sicherheitsdienst (Serviço de Segurança).

Alemanha Oriental - Após a separação, a temida Stasi se tornou o serviço secreto da Alemanha Oriental, notória durante a Guerra Fria agindo atrás da Cortina de Ferro.

Estados Unidos - Escritório de Serviço Estratégico (OSS) foi por muito tempo a mais importante agência de espionagem norte-americana ligada a Inteligência do Exército. A CIA foi fundada apenas em 1947 logo após a Segunda Guerra como uma agência de espionagem que visava proteger os interesses americanos ao redor do mundo. A CIA foi durante a Guerra Fria uma das agências de espionagem mais atuantes. Memso no período pós Guerra-Fria ela continua atuante. 

Itália - Organizzazione per la Vigilanza e la Repressione (OVRA) era a agência de regulação durante o Regime Fascista. Após a Segunda Guerra foi substituída pelo Gabinet 33.

Japão - A Polícia Secreta japonesa no Período Imperial era chamada Kempeitai e agia em toda a Asia como uma força tão temida quanto a Gestapo alemã. Após a Guerra, a agência oficial de espionagem japonesa é a Tokko.

Reino Unido (Grã-Bretanha) - MI 6 (Ministry of Information) é a mais importante agência de Espionagem britânica, uma das mais antigas do mundo. A Divisãod e Inteligência Naval também opera, sobretudo em tempos de guerra e é auxiliada pela Special Operations Executive (SOE) que lida com operações de sabotagem e assassinato ao redor do mundo. 

Rússia - Durante o Período Czarista (1866-1917), a Okhrana era a temida polícia imperial, responsável pelas operações de espionagem e contra-espionagem.

União Soviética - A Okhrana foi substituída por várias agências de informação e espionagem ao longo do regime comunista. A Cheka (1917-1922) foi a primeira agência com uma estrutura semelhante a sua predecessora. Ela foi substituída pelo GPU (Diretório Político Estatal) entre 1923-1934. Um expurgo fez com que a agência fosse transformada na temida NKVD responsável por muitas ações de espionagem, sabotagem e assassinato em outras nações. A famosa KGB foi fundada apenas em 1954 como um Comitê para Segurança Estatal. Ela é uma das mais famosas agências de espionagem do período da Guerra Fria.
 

ESPIÕES EM CHAMADO DE CTHULHU

Em cenários de Espionagem os jogadores podem desempenhar diferentes funções e cada um ter uma especialidade.

Muitos espiões são embaixadores ou funcionários consulares, mas uma boa parte se disfarçam como membros da comunidade tendo trabalhos comuns, até mesmo casando e constituindo família. Para criar um personagem que seja um espião, é interessante antes definir uma ocupação de fachada desempenhada normalmente.

Espiões podem ser enviados para as mais variadas missões, e porque não, serem usados para obter informações secretas a respeito da existência do Mythos de Cthulhu e de como um determinado país trata dessa questão. É possível que uma nação tenha conhecimento de cultos, da existência de antigas ruínas ou artefatos ou que tenha estabelecido relações amistosas com alguma raça não humana. Há rumores que durante a Segunda Guerra Mundial, Nações do Eixo tentaram estabelecer alianças com criaturas e civilizações que fazem parte do Mythos. Um espião poderia ser enviado para averiguar esses rumores ou quem sabe até poderia descobrir indícios, durante uma operação convencional.

Nova Ocupação: Espião

Rendimentos: Embora a ficção possa dizer o contrário e sugerir um padrão de vida luxuoso, agentes ligados ao ramo da espionagem na vida real ganham salários fixos que os colocam na classe média até Classe média alta (para diretores e membros mais proeminentes). Em alguns casos, espiões possuem um trabalho de fachada arranjado pela agência e recebem rendimentos de acordo com a ocupação escolhida.

Contatos e Conexões: Geralmente um pequeno número de pessoas conhece a identidade e a atividade do espião, amigos e mesmo familiares muitas vezes não sabem exatamente qual o trabalho do agente. A maioria das conexões são desenvolvidas para facilitar o serviço e garantir um trunfo se necessário. Um bom espião desenvolve uma rede de aliados e contatos no local em que é designado para atuar. Essa rede inclui autoridades do governo, membros do submundo e funcionários de sua embaixada. Espiões também conhecem a localização de pelo menos uma safe house.  

Habilidades: Barganha (Bargain), Ocultar (Conceal), Lábia (Fast Talk), Ouvir (Listen), Idioma (Other Language), Persuasão (Persuade), Psicologia (Psychology), Localizar (Spot Hidden) e duas habilidades adicionais entre Armas de Fogo (Firearms), Dirigir Automóvel (Drive Auto), Esconder (Hide), Furtividade (Sneak) e Disfarce (Disguise).