segunda-feira, 16 de junho de 2014

Buscando Inspiração para seu RPG - O 13o Guerreiro (parte 1)


Estamos de volta com "Buscando Inspiração para seu RPG".

Para quem não sabe do que trata essa série de artigos, eu sugiro dar uma olhada nesse LINK onde você vai achar uma explicação. 

Mas se você não quiser ler, estiver com preguiça ou não lembra e não quer ter o trabalho de clicar o botão (!!!), o objetivo é o seguinte: pegar um filme dissecar ele e encontrar coisas bacanas que possam ser utilizadas em suas sessões de RPG. O objetivo não é se concentrar especificamente em um sistema ou ambientação, mas pegar elementos centrais que permitam costurar sequências e cenas onde quer que seja.

O segundo filme escolhido para esse exercício é O 13o GUERREIRO (The 13th Warrior/ 1999).

Esse filme é um daqueles casos de "ame ou odeie". Tenho amigos que adoram ele de paixão, consideram uma adaptação fora de série de um livro igualmente brilhante de Michael Crichton. Mas outros simplesmente o detestam absurdamente, acham a adaptação tão meia boca que assistem uma vez e depois preferem esquecer. Minha opinião? Bom, eu estava no segundo caso, sempre achei meia boca, mas depois de assistir num final de semana chuvoso acabei encontrando algumas coisas bastante interessantes que mudaram a minha opinião. Não que seja um baita filme, mas ele é bem melhor do que eu lembrava. Se você não assistiu, vale a pena dar uma conferida nos Netflix da vida.

Para quem não sabe nada a respeito do filme, aqui vai uma pequena sinopse do IMDB para situá-lo:

Em 922 d.C, um embaixador árabe é enviado para uma longa viagem rumo ao Norte onde ele entra em contato com um grupo de guerreiros nórdicos. Ele experimenta uma série de dificuldades culturais, mas aos poucos reconhece a valentia e coragem daqueles homens, sobretudo quando acaba se juntando a eles em uma perigosa missão para salvar um vilarejo da ação de estranhos saqueadores.

Para mais detalhes aqui está a página do IMDB.

Vejamos o que podemos "roubar" de O 13o Guerreiro para nossas mesas de RPG:

1 - Ninguém fala a sua Língua



Vocês já perceberam que não importa o quão longe seus heróis adentrem numa terra desconhecida, não importa quantos dias eles marchem rumo a uma região distante ou em que planeta inóspito eles decidam aterrizar, SEMPRE há alguém lá que fala o idioma deles.

É meio estranho... mesmo em culturas bizarras sempre há uma maneira de se fazer entender. Um grupo de viajantes chega a uma região florestal dominada por elfos selvagens que nunca viram um ser humano em suas longas existências, mas logo descobrem entre os elfos alguém que pode servir de intérprete. Mesmo quando os heróis viajam para outro planeta cujos habitantes nunca tiveram contato com a raça humana, descobre-se alguma máquina ou mecanismo capaz de superar os problemas do idioma.

No filme "O 13o Guerreiro", temos um árabe que de um momento para outro acaba se juntando a um grupo de nórdicos que não conseguem compreender absolutamente nada do que ele diz. Até mesmo ensinar o próprio nome é complicado, uma vez que seus novos amigos preferem nomes curtos sem muitos títulos ou cerimônia.

Enquanto fica na companhia de seus novos colegas, o árabe se dedica a ouvir o que eles conversam noite após noite, a tentar compreender as palavras mais simples e a entender as construções verbais. Demora algum tempo, mas ele eventualmente consegue entender e se comunicar. O filme tem inclusive uma maneira muito elegante de mostrar o processo de aprendizado, mostrando que ele vai lentamente compreendendo algumas palavras no meio das frases.

Mas nem sempre é tão fácil... por vezes, os personagens de uma ambientação se vêem diante de seres e criaturas cuja forma de falar é totalmente incompatível. Isso me lembra uma piada:

Cthulhu está diante de uma vítima e dá a ela o direito de fazer uma pergunta antes de devorá-lo. O sujeito pondera um pouco e pergunta qual a maneira correta de pronunciar o nome daquela criatura colossal. Cthulhu olha o sujeito dos pés à cabeça e pergunta: "Você tem uma boca com no mínimo 12 metros de largura? Tem 23 línguas bífidas? Possui tentáculos faciais?" o sujeito responde que obviamente não possui nenhuma dessas coisas. Cthulhu balança a cabeça negativamente: "Então nem tente filho, você não é anatomicamente capaz de dizer meu nome da maneira correta".

Com isso eu quero dizer que é natural que os personagens não falem um determinado idioma ou que sequer sejam capazes de fazê-lo. E se esse for o caso, não cabe ao narrador criar uma maneira mirabolante de permitir que eles interajam com outros povos. Quando os primeiros exploradores se lançaram rumo ao desconhecido eles não sabiam o que iam encontrar ou que tipo de língua os povos locais falariam. Se eles tiveram de se virar, porque não os jogadores?

Pense da seguinte maneira: se os personagens não falam o idioma local, eles terão de achar outras maneiras de se explicar e isso pode ser muito divertido. Eles terão de pensar um pouco: fazer mímica, mostrar coisas similares, desenhar... tudo aquilo que os gringos que vêem ao Brasil são forçados a fazer quando tentam negociar uma corrida de táxi ou a compra de um ingresso com pessoas que não entendem nada que eles dizem.

Claro, isso não precisa acontecer à toda hora, mas experimente uma ou duas vezes.

 2 - Choque Cultural


Em um dos trechos mais famosos desse filme a gente tem um claro exemplo de choque cultural:

Ao acordar cedo pela manhã, um dos Guerreiros Nórdicos recebe uma bacia diante de si e começa a fazer suas abluções, o que inclui lavar as mãos, soar o nariz, gargarejar e cuspir, limpar as orelhas e tudo mais que possa ser desagradável. Nem uma gota da água é perdida, tudo volta para dentro da bacia que segue para o colega que está ao lado fazer o mesmo e depois o próximo, o próximo e assim por diante.

O personagem de Antonio Banderas e o de Omar Shariff se entreolham chocados. O que significa esse costume? Com que intuito esses bárbaros utilizam a água suja uns dos outros? Será que não entendem como isso é nojento?

Aí está uma das boas sacadas do filme que pode ser perfeitamente aproveitada em nossas mesas de jogo. Aquilo que para uns pode parecer errado, ofensivo ou incompreensível, para outras culturas pode ser absolutamente natural e corriqueiro. Os costumes e tradições vigentes numa cultura podem ser algo extremamente curioso para outra, algo que concede a uma cena uma sensação muito bem vinda de estranheza.

Eu lembro do filme Ben-Hur, numa sequência o personagem título faz uma farta ceia ao lado de seu anfitrião árabe. Após o repasto, o anfitrião pergunta incomodado: "Como é? Não gostou?" e o sujeito sem conhecer as tradições se limita a elogiar a comida. Cabe a outro convidado explicar que um sinal de que a comida estava deliciosa envolve soltar um sonoro arroto. E quando ele o faz, o anfitrião abre um sorriso e agradece.

Eu usei isso muito tempo atrás em uma sessão de Al Qadim e foi muito legal.

É interessante inserir cenas de choque cultural, sobretudo quando os personagens estão visitando alguma cultura exótica, algum povo isolado com seu próprio conjunto de tradições ou (principalmente) um povo não-humano. Quais devem ser os costumes de orcs à mesa? Como um grupo de caçadores africanos decide quem vai falar primeiro? De que maneira um visitante deve elogiar uma obra de arte criada por elfos? Tudo isso permite que se crie um desconforto interessante, abre espaço para gafes memoráveis e momentos de diversão para os jogadores, ao custo de saias justas para as personagens.

Star Trek - Next Generation brincava muito com essa noção do choque cultural nas missões diplomáticas em outros planetas. O Capitão Picard, por vezes tinha de usar roupas estranhas, regalias bizarras, recitar trechos de uma saudação em idioma alienígena perfeito ou até ficar completamente nu diante de um povo que não valorizava o uso de vestimentas. É possível que um grupo exija que se beba uma bebida fermentada de gosto ofensivo, outra peça que apenas as fêmeas falem, enquanto uma terceira cultura censura qualquer demonstração afetiva.

A etiqueta de um povo não se aprende em poucos minutos. No século XVI, navegadores portugueses fizeram contato com a cultura japonesa e quando retornavam avisavam seus colegas o que seria encontrado no extremo oriente, mas ninguém pode estar preparado 100% para as surpresas proporcionadas pelo choque cultural. Use e abuse dele, seus jogadores vão adorar.

3 - A Glória é a Recompensa


No filme, há um momento em que um emissário de um vilarejo distante vem pedir ajuda para enfrentar uma terrível ameaça que desceu sobre eles. Os heróis estão reunidos em uma espécie de salão comunitário bebendo e se divertindo, e quando o homem conta o que está acontecendo eles ouvem atentamente a narrativa. Logo depois, um sábio se ergue e informa que essa será uma importante batalha e que os valorosos guerreiros que participarem dela serão recompensados com honrarias pela sua bravura. Um a um os guerreiros vão se oferecendo, jurando que a sua participação na senda será crucial para o sucesso da mesma.

E aí? Parece familiar?

Claro que é! Essa é aquela cena clássica em qualquer sessão de RPG, na qual os heróis são chamados para a aventura e respondem sabendo que são os únicos que podem enfrentar a ameaça (mesmo porque, se não forem eles, não tem aventura).

O grande diferencial é que muitas vezes nas nossas mesas, os jogadores estão tão condicionados a receber algo em troca pela sua "ajuda" que a primeira coisa que eles respondem é "o que ganhamos em troca"?

Tudo bem, eu sei que muitas aventuras se baseiam justamente nisso. Os personagens são contratados para a missão que lhes é dada, é justo que queiram ganhar algo em troca, mas será que essa contrapartida tem sempre que ser mensurada em tesouros e moedas?

O ponto é: a GLÓRIA deveria ter um peso maior do que realmente tem na maioria das mesas. Por glória eu me refiro a provar a bravura individual, testar os limites do treinamento, mostrar do que é capaz, fazer a diferença, ganhar fama e renome, livrar o mundo do que é mal e ajudar os mais fracos (essas duas se os personagens tiverem uma boa natureza). Infelizmente o que se vê normalmente é apenas uma transação monetária:

Vá até o lugar - Mate os monstros - Limpe o lugar - Volte para coletar a recompensa. 

Mesmo entre grupos majoritariamente "bons" é o que acontece. A glória, o triunfo, a vitória ficam em segundo plano, bem atrás dos benefícios de uma recompensa poupuda e de tesouros coletados. 

A melhor maneira de mudar isso é dando significado às realizações dos aventureiros. No filme, os guerreiros aceitam de bom grado ajudar o emissário, não porque ele ofereceu algo em troca, mas porque a glória de ajudar nessa missão garantirá a cada um deles uma lembrança permanente. O nome dos heróis vivos ou mortos viverá para sempre e isso é mais valioso do que ouro e riqueza.

*     *     *

Que tal fazer uma pequena pausa aqui para que o artigo não fique muito longo?

Já voltamos com a continuação onde falaremos sobre mais algumas ideias pinçadas desse filme.

sábado, 14 de junho de 2014

Enigma Arqueológico - Teria uma antiga civilização encontrado animais extintos há milênios




Há muitas descobertas ancestrais que acabam sendo deliberadamente omitidas dos livros de história. São descobertas que se apresentam como inexplicáveis a ponto de acadêmicos e pesquisadores, ditos sérios, preferirem se abster de comentar. 

Essa notícia sem dúvida, se qualifica como uma dessas descobertas enigmáticas.

Ta Prohm é um templo próximo a legendária cidade em ruínas de Angkor Vat, um dos maiores patrimônios arqueológicos da humanidade, localizado na atual República do Camboja. Angkor foi no passado o mais importante centro religioso do antigo Império Khmer e um dos maiores centros religiosos do mundo antigo. Quando o Império atingiu o seu auge, Angkor chegou a hospedar mais de meio milhão de habitantes, o que o tornaria o maior assentamento pré-industrial do mundo.

O povo Khmer ficou famoso pelas suas realizações no campo da engenharia e arquitetura, dominando conceitos modernos de construção que lhes permitia efetuar façanhas que a Europa seria capaz de igualar apenas muitos séculos depois.

O imenso complexo de Angkor Vat construído no século XII, se espalhava por uma área com mais de 400 quilômetros quadrados, com palácios, alamedas arborizadas, avenidas, promontórios e edificações. Dedicado inicialmente ao Deus Vixnu, arquitetonicamente o templo combinava a tipologia hinduísta com a tipologia de galerias próprias. Posteriormente o complexo se devotou ao budismo. O grande templo contava com três recintos retangulares de altura crescente, rodeados por um lago perimetral de 3,6 quilômetros de comprimento e de uma largura de 200 metros. No recinto interior erguiam-se cinco torres, atingindo a torre central uma altura de 42 metros sobre o santuário e 65 sobre o nível do solo.


Infelizmente, tropas Siamesas devastaram a Capital do Império Khmer em 1431, saqueando seus tesouros e massacrando a população. A capital foi esvaziada e nos séculos seguintes engolida quase que completamente pela selva tropical que recobre boa parte do Camboja.

Tudo isso é fascinante, mas voltemos ao belo Templo de Ta Prohm, pois é ele o foco de nosso enigma.

Depois de ser tomado pela vegetação, o templo só foi redescoberto no início do século XX por arqueólogos franceses. Nas paredes de Ta Prohm os antigos Khmer esculpiram baixo relevos com a representação de animais típicos da região. Ali podem ser vistos claramente macacos, veados campeiros, cisnes, papagaios e búfalos d'água. O propósito dessas representações é que pessoas poderiam reencarnar na forma de animais ao longo de sua existência, e por isso, tais animais mereciam respeito e devoção.

Recorrentemente, fieis acendiam velas e incenso aos pés dessas representações, afinal, seus parentes podiam ter reencarnado numa dessas formas. Até aí, nada de estranho, afinal reencarnação é um dos dogmas da filosofia hindu.

O que realmente chama a atenção é que em meio às representações de animais, há um que não deveria estar ali. Veja a imagem abaixo e julgue por si mesmo:


Se isso não é um estegossauro não sei o que mais poderia ser.

Eles pertencem a classe dos stegosaurideos, uma das espécies mais conhecidas de animal pré-histórico. O grande problema é que esses animais viveram no final do período Jurássico, entre 155 e 150 milhões de anos atrás, no que hoje seria a América do Norte. Essa é uma imagem de um deles:


Representações de dinossauros que viveram há milhões de anos nas paredes de uma antiga ruína confronta o ponto de vista de que esses animais viveram e desapareceram muito antes do primeiro hominídeo.

Se esse é o caso, como é possível que alguém tenha entalhado a imagem de um animal extinto? E com que intuito, já que naquela parede se encontram apenas animais comuns na região.

É preciso lembrar que a reconstituição paleontológica dos estegossauros só se deu muitos séculos mais tarde, em pleno século XX. Além disso, é pouco provável que os povos antigos do Camboja tenham se baseado em fósseis, já que não se tem notícia de descobertas de restos desses animais na região em questão.

Alguns céticos acreditam que o baixo relevo possa ser a representação de algum outro réptil, talvez um camaleão como muitos acreditam. Contudo, paleontólogos consultados, afirmaram que a semelhança no baixo relevo com o estegossauro é notável, sobretudo no que diz respeito às óbvias placas ósseas que compõem a sua espinha dorsal. Elas se destacam na parte posterior do pescoço e se estendem ao longo de suas costas até a cauda em número de seis, o que está correto.

De acordo com o autor e pesquisador americano Mike Hallowell que passou os últimos anos estudando a fauna do Camboja, a descoberta é fascinante:

"O animal em questão guarda inegável similaridade com o que sabemos a respeito dos estegossauros. De fato, ele está muito mais próximo desses animais pré-históricos do que de qualquer outro animal que já tenha habitado o território do Camboja. A teoria de que se trataria de um camaleão me parece remota, visto que os exemplares de lagartos cambojanos não apresentam vestígios de placas ósseas dorsais. O tamanho das patas traseiras e a musculatura também se encaixam no que se esperaria ver retratado a partir de um réptil de grande porte, não em um pequeno".


Como alguém poderia ter entalhado o baixo relevo de um animal pré-histórico apenas 800 anos atrás? 

A explicação mais desafiadora, ainda que fantástica, é que o antigo povo Khmer tenha em algum momento encontrado esses animais na natureza. Que eles tenham sido vistos em detalhes de tal forma que um artista foi capaz de retratá-lo perfeitamente. O grande problema é que; se tal coisa realmente for possível, tudo o que sabemos a respeito do desaparecimento dos grandes répteis pode estar dramaticamente errado.

Hallowell vai mais longe em suas suposições:

"Os antigos Khmer possuíam lendas que mencionavam animais gigantescos que eles identificavam como dragões. Para eles, estes animais não apenas existiam nos limites de sua pátria, como podiam ser encontrados no coração das selvas. Há documentos que falam de caçadas reais e do encontro com animais gigantescos.".

Será possível que as selvas do Camboja tenham escondido os últimos dinossauros de que se tem notícia? E mais importante, o que teria acontecido com eles?

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Cinema Tentacular: Sob a Pele - Scarlet Johanson em filme muito, muito, muito estranho.


Olá para todos, fazia um tempo que o Cinema Tentacular não dava as caras aqui no blog.

Francamente, em parte porque não têm entrado em cartaz muitos filmes de horror decentes ultimamente, ou pelo menos, produções que se enquadrem na proposta de poderem ser de alguma forma adaptadas para nossas mesas de jogo ou discutidas de um ponto de vista Lovecraftiano (sempre essa palavra!).

Recentemente, estreou nos cinemas um filme que aparentemente cumpriria essas duas condições e que me parece interessante debater.

O nome é "Sob a Pele" (Under the Skin/GB/2014).

O título não deve dizer muito para a maioria dos leitores, mas é provável que alguns tenham ouvido falar a respeito dessa pequena produção independente britânica. Afinal, é o tal filme estrelado pela super-linda-mega-maravilhosa atriz Scarlet Johanson, com cenas bastante generosas no que diz respeito a nudez. (Aqui eu abro um parenteses, essa mulher fica linda seja como for, loira, ruiva, morena, careca... MEU DEUS!)


Aham... Mas não se enganem por esses atrativos, Sob a Pele, é um filme de horror/ficção estranho, muito, muito, muito estranho...

É tão esquisito que eu realmente não consigo definir meu posicionamento a respeito dele. Não sei nem dizer ao certo se gostei ou achei uma tremenda bomba. É um daqueles filmes que você assiste, fica furioso, tenta entender, desiste, mas que não consegue tirar da cabeça por algum tempo. Ele fica martelando insistentemente, ainda que você queira simplesmente esquecer que o assistiu. Acredito que todos já viram um filme desse tipo. Bom, desculpem a analogia escatológica, mas Sob a Pele é como uma casca de ferida que você sabe não deve cutucar, mas que sem perceber acaba metendo a unha para arrancar.

É engraçado, porque muitos críticos respeitados consideraram esse filme complexo, curioso, genial e incomum.

Francamente eu concordo com o último adjetivo: ele é incomum. Mas na minha opinião é preciso muito mais do que estranheza para considerar um filme desses genial. Sob a Pele está longe de ser uma obra prima, como muitos querem fazer parecer, o diretor não é "um herdeiro de Stanley Kubrik" como li em uma resenha cujo autor se rasgava em elogios. Sob a Pele meramente bebe da fonte de produções intrincadas que eram mais frequentes nos cinemas há 15 ou 20 anos atrás. Filmes cujo roteiro se mostrava quase inacessível, mas que justamente por essa razão, se tornaram cultuados pelos fãs, produções como Eraserhead, Pi, Veludo Azul, Estrada Perdida, Donnie Darko, Cidade dos Sonhos...


Será que alguém ficou curioso? Acho que então está na hora de falar do maldito filme. Senão vejamos, sem entregar demais o roteiro.

Em Sob a Pele, Scarlet Johanson é uma criatura extraterrestre que assume uma aparência humana extremamente desejável para assim andar livremente pelas ruas da cidade de Glasgow, na Escócia. Seu objetivo é muito simples, ela se aproxima de espécimes humanos do sexo masculino e busca atraí-los com promessas implícitas de sexo, para seu esconderijo (coisa que não é muito difícil, haja vista). Uma vez que eles são convencidos a seguir com ela até um apartamento no centro da cidade as coisas começaram a ficar esquisitas. O apartamento em si é uma espécie de covil alienígena, com chão esponjoso e paredes cobertas de uma substância escura gotejante. Lá, a sedutora acaba fazendo com que sua vítima seja engolido por um inexplicável vórtex espacial e desapareça para sempre. Um sujeito em uma moto monitora as suas ações e limpa tudo depois que ela passa.

E é basicamente isso aí.

Isso acontece uma, duas, três, vezes... com poucas variações. Entre uma dessas caçadas e outra, a alienígena come um pedaço de torta e decide que não gosta do sabor. Ela vai até um shopping, olha as vitrines e lojas e não entende o que significa o consumismo. Ela parece interessada em assistir pequenos dramas do dia a dia, sem realmente demonstrar qualquer grau de empatia além de interesse momentâneo. 
Realmente tudo parece incrivelmente sem graça ou sem sentido. Em uma cena especialmente estranha, ela assiste impassível uma situação de risco envolvendo uma mulher, um bebê e um cachorro, e quando uma pessoa tenta interferir na situação para ajudar, ela simplesmente o impede, esmagando-o como uma barata. 


Se o espectador espera alguma motivação, algum sentido, alguma explicação detalhada, vá tirando o proverbial cavalinho da chuva. Não há nada disso. Sob a Pele é um filme de situações, filmado de uma maneira que criou controvérsia, já que os caras que "interpretam" os "sortudos" escolhidos pela bela alienígena são caras normais, e não atores. Eles eram filmados em segredo sendo abordados pela atraente alien em bares e boites da cidade. E só quando a acompanhavam até o apartamento, ficavam sabendo que estavam sendo filmados e que aquilo era uma simulação para um filme. A seguir, o diretor conversava a respeito da produção e perguntava se eles aceitavam fazer mais algumas cenas e permitiam o uso das imagens gravadas.

Sob a Pele é uma adaptação da novela de Michael Faber, uma sátira bem mais acessível a respeito de uma criatura alienígena chamada Isserley que procura humanos do sexo masculino porque sua carne é considerada deliciosa, sobretudo quando eles estão excitados. Enquanto busca vítimas, Isserley vai conhecendo alguns detalhes estranhos a respeito da humanidade e no fim assume que seus "assassinatos" não são "nada de mais".


O filme prefere esquecer esse roteiro e se concentrar nas abordagens da alienígena e nos seus resultados.

A única coisa que quebra um pouco o ritmo é quando a personagem encontra um homem com uma grave deformidade facial e por alguma razão decide poupá-lo. A partir desse ponto a personagem começa a agir de uma maneira diferente, como se tentasse com mais afinco compreender os meandros do comportamento humano.  

Digo novamente, "Sob a Pele" não é um filme para todos. O final abrupto e absolutamente inesperado sem dúvida vai deixar muitas pessoas furiosas e com aquela expressão desorientada de "que diabos foi isso que acabei de assistir"? Por essas e outras, eu não indico esse filme, mas se você não estiver fazendo nada melhor e tiver um gosto por coisas incomuns, talvez consiga absorver algo interessante. Em último caso, talvez valha a pena para confirmar que Scarlet Johanson é uma das mais lindas atrizes da atualidade (embora suas escolhas profissionais sejam pra lá de questionáveis).


Ah sim, não poderia deixar de mencionar... lá pelas tantas eu resolvi deixar de lado qualquer interesse pelo roteiro e passei a ver o filme como se o alienígena fosse um agente da Grande Raça de Yith habitando o corpo de Scarlet Johanson. Acreditem ou não, nesse contexto, as coisas funcionam incrivelmente melhor, embora eu tenha consciência de que essa não é a proposta do filme. 

Contudo, em se tratando de adaptação, ou nesse caso sobreposição, é possível encarar o roteiro perfeitamente sob essa ótica. Um agente da Grande Raça, ainda se adaptando ao corpo de seu hospedeiro, vaga por aí fazendo testes e explorando a sociedade humana, sem realmente ser capaz de compreender as coisas que está vendo ou entender o comportamento da simplória raça dominante nessa época em especial. Em se tratando de alienígenas sem qualquer fiapo de empatia, a personagem é um ótimo referencial.

Eu sei, pode ser meio demais sobrepor o clássico "Shadow out of Time" de H.P. Lovecraft (meu conto favorito em todos os tempos) a esse filme, mas de certa maneira para mim funcionou. Ao menos, deu algum sentido a uma trama que não faz muito sentido.

Cotação:

Trailer:



segunda-feira, 9 de junho de 2014

Mares Estranhos - Três ocorrências Misteriosas em alto mar


Escrito e publicado com a autorização de Tiago Cabral
Título Original: "Três Notícias que provam que Cthulhu está despertando"
Publicada no Blog: Thiago Cabral.net

Na mitologia criada por H.P Lovecraft existem criaturas mais antigas que o mundo que habitam nas sombras da realidade. Dentre elas, o mais famoso dos monstros lovecraftiano, Cthulhu: O morto que dorme. Mas isso qualquer leitor de Lovecraft já sabe.

No conto "O Chamado de Cthulhu", o monstrão com cabeça de polvo estaria dormindo numa ilha submersa no pacífico. E seu despertar traria horrores inimagináveis para a humanidade.

Bom, segue aí umas notícias pra te deixar preocupado.

Recentemente peixes abissais foram pescados em águas rasas numa abundante quantidade no Japão. Falamos de peixes que vivem a profundidades de 1km!


Catástrofe Chegando? Peixes Pescados no Japão podem revelar algo assustador
No dia 22, foram encontrados 105 peixes da espécie "Photonectes" que vivem normalmente em profundidades maiores de 1000 metros, somente um deles estava vivo, nas redes de um barco de pesca que estava em alto mar próximo a costa da província de Kochi. Um dia antes, 9 peixes da mesma espécie foram encontrados, e um especialista oceanógrafo disse à agência de notícias Kyodo que "alguma catástrofe está acontecendo nas profundezas do mar". De acordo com o NPO Nihon Umigame Kyogikai que investiga o estado da vida marinha nos mares do Japão, nas redes de um barco de pesca que estava em alto mar foi encontrado uma espécie de peixe que não tem muitas informações detalhadas pelos especialistas. 
As redes estavam a apenas 70 metros de profundidade. O tamanho do peixe varia de 10 cm. a 25 cm. O peixe que sobreviveu, morreu algumas horas depois. No mesmo dia, segundo relatos passados na prefeitura de Fukui , um tipo raro de baiacu “, mafugu “, foi encontrando em abundância , totalizando 46 toneladas. O número médio pescado por dia é de 200 quilos. Os pescadores estavam mais do que satisfeito, mas também estavam incomodados com a grande quantidade . “Eu sou pescador há mais de 50 anos, e eu nunca vi nada parecido com isso", disse um morador local. “A única maneira de saber o que realmente está acontecendo é perguntar para o peixe.
Alguns especulam que o aparecimento dos peixes raros no raso tem relação com as mudanças climáticas, alterações em correntes oceânicas, erupções vulcânicas em profundidade ou que seja até um aviso da própria natureza para alguma catástrofe que está por vir, como por exemplo, um grande terremoto e uma possível tsunami. Por enquanto, o assunto está sendo estudado pelos oceanógrafos e outras cientistas japoneses.
Aí depois foi a vez desse tubarão pré-histórico ir parar numa rede de pescadores japoneses. De onde saiu essa criatura cthulhesca?

Tubarão pré-histórico que vive no Mar do Japão é pescado no Golfo do México
Após os pescadores japoneses terem encontrado os peixes abissais no raso, pescadores de camarão, que trabalhavam no Golfo do México, acidentalmente pescaram um tubarão-duende pré-histórico, a espécie mais rara entre os tubarões. O tubarão-duende mede 5 metros de comprimento conhecido como tubarão duende, tem um focinho longo para esconder os dentes afiados, e possui cor rosa. Só para você ter ideia, ele é tão raro que só foi visto pela primeira vez há mais de 10 anos. É conhecido por viver em águas profundas japonesas e o que intrigou muito os pesquisadores a sua aparição tão longe de seu habitat natural. Esse animal vive em profundidades que variam de 1.000 a 3.000 metros, se alimenta de lulas e peixe abissais das fossas japonesas. Também foi intrigante o fato de ele ter sido pescado a uma profundidade de apenas 600 metros. 
Moore pesca no Golfo do México a mais de 50 anos, com exceção de uma pequena pausa para uma temporada na Força Aérea americana, ele disse que ultimamente está “apanhado coisas estranhíssimas para os locais onde trabalha: Peixes-serras, águas vivas das Bahamas, as tartarugas loggerback pesando entre 1.000 a 1.500 libras” Mas quando o tubarão-duende caiu na sua rede de arrasto cheia de camarões vermelhos da espécie royal, Moore ficou incrédulo do que via. O animal pré-histórico, às vezes é chamada de “fóssil vivo”. Quando colocaram ele no convés, perceberam que tinha dentes tão afiados que tiveram medo de puxar a fita métrica para medir a misteriosa criatura. “Eu nem sabia o que era”, disse o pescador Carl Moore. 
Mesmo que os pesquisadores estejam aliviados que o tubarão tenha sido posto em liberdade, estão infelizes por não terem sido capazes de examinar o espécime raro. Os cientistas sabem tão pouco sobre essa espécie que eles não podem determinar o quão velho ou o quão grande ela fica. No entanto, os cientistas sabem que, no fundo do mar, a sua cor rosa fica preta, o que faz o tubarão parecer quase invisível aos predadores e às presas. Os pesquisadores também acreditam que o longo focinho do tubarão está equipado com sensores elétricos para que ele possa encontrar presas, mesmo quando não pode ver ou ouvir nada nas profundezas da água. 
Talvez a característica mais assustadora do tubarão é sua mandíbula, que é uma armadilha para capturar peixes nas proximidades de sua dentição. Para Moore, o tubarão foi uma captura de uma vida e ele está feliz que tenha jogado o animal de volta na água. “Esse é o meu mar lá fora, e nada nele me preocupa… Eu sei o valor de tentar preservar as coisas”, disse ele. Não se sabe se esse evento tem ligação com os peixes abissais japoneses que foram estranhamente encontrados no raso. 
Em vez de manter o tubarão no barco para entregar ao centro de pesquisa, Moore decidiu tirar uma foto rápida do peixe com seu telefone celular, e em seguida, o devolveu para a água. O tubarão foi achado no dia 19 de abril, mas foi só agora que Moore relatou sua captura para a National Oceanic and Atmospheric Administration.
Se não bastassem estes sinais, misteriosamente um tubarão de nada menos que três metros de cumprimento foi devorado por uma criatura misteriosa!

O que teria devorado um Tubarão de 3 metros? 
Após uma série de incidentes ocorrerem nos oceanos, como os peixes japoneses abissais aparecerem na superfície sem motivo e o tubarão pré-histórico japonês ser achado no Golfo do México, eis agora um novo mistério no ar: Uma criatura colossal devorou completamente um tubarão de 3 metros de comprimento. Seria a prova mais certa de que a vida real está prestes a se transformar em um filme Godzilla? cientistas australianos dizem que uma fêmea tubarão branco de 3 metros de comprimento, que tinha sido marcada com um dispositivo de rastreamento, foi devorada por uma criatura misteriosa nas profundezas escuras do oceano . 
Só pra lembrar, o tubarão branco é um predador que tem sido considerado um dos animais mais ferozes no planeta Terra e gora foi transformado apenas em almoço por uma criatura ainda mais feroz não identificada à espreita em algum lugar na costa australiana. Mas o que será esse predador?

O aparelho registrou uma súbita elevação na temperatura, indicando que o animal foi tragado para dentro do estômago de seu predador gigantesco. Em seguida, o tubarão abatido foi arrastado para as profundezas do oceano, para mais de 580 metros de profundidade em relação à sua posição original. O rastreador ainda marcou outras mudanças de profundidade, variando entre o fundo do mar e sua superfície, até ser finalmente liberado. 
Eis a resposta dos cientistas: De acordo com os pesquisadores que investigaram o caso intrigante, o que devorou foi um “gigantesco tubarão branco colossal e canibal ”. Os cientistas afirmam que os novos dados de pesquisa acompanhado de todas as informações de rastreamento do tubarão desaparecido: A temperatura do corpo destes tubarões eram a mesma, e o tamanho do grande tubarão branco canibal pode ser de 16 metros de comprimento e ele talvez pese mais de 2 toneladas, isso poderia facilmente se comparar a mesma velocidade e trajetória que foram capturados no dispositivo de rastreamento.
Bom, Lovecraft deve estar se virando em sua tumba nesse momento. 

E que Cthulhu tenha piedade de nós!

*   *   *

Eu sempre digo: quer encontrar ideias para sua mesa de Call of Cthulhu, procure na internet, em jornais sensacionalistas ou simplesmente abra a janela e olhe para fora.

O mundo é um lugar muito estranho, onde coisas bizarras, esquisitas ou inexplicáveis acontecem toda hora... basta estar atento aos detalhes para perceber, mas cuidado para não olhar muito de perto e perder sua sanidade.

sábado, 7 de junho de 2014

Os Rapazes da Companhia - Personagens de Point of No Return




Opa pessoal,

Alguns colegas aqui do Blog perguntaram se seria possível disponibilizar a aventura, os handouts e as fichas dos personagens. No momento eu não tenho a aventura escrita detalhadamente no formato de texto, preferi escrever apenas alguns trechos e seguir uma cronologia ao invés de colocar tudo no papel.

O que posso fazer é colocar aqui um resumo da ficha dos personagens com as suas principais características e também um resumo da "Introdução à Ambientação" que adaptei do texto contido no suplemento Tour of Darkness, para Savage World.
Bem Vindos à Selva!

Um Breve Resumo do Conflito no Vietnã

Bem vindo a República do Vietnã, soldado. Como você deve provavelmente saber através de outras reuniões explicativas, nós estamos aqui para ajudar e fornecer apoio aos sul-vietnamitas contra guerrilheiros comunistas. Estes guerrilheiros são supridos pelos seus aliados do Norte e pelos chineses. Ao que parece os vermelhos aprenderam com seus erros após a derrota na Guerra da Coréia. Ao invés de declarar guerra a uma república vizinha, os comunistas estão agindo de maneira mais sutil. Basicamente o que temos são pequenos grupos de guerrilheiros que durante o dia cuidam de suas plantações de arroz, mas que à noite pegam em armas para brincar de soldados. Nós os chamamos de Viet Cong, ou VC para facilitar, mas você vai ouvir os soldados se referindo a eles como Victor Charlie, Charles ou Chuck. Não se engane com esses bastardos amarelos, eles podem parecer simples fazendeiros de chinelos e quimono, mas são bons de briga. Sem falar que estão bem equipados e sabem sobreviver nas piores condições possíveis só com uma tigela de arroz.

Nossa missão aqui evoluiu de proteger algumas bases, para ativamente “colocar a mão na massa”. Para isso temos que ir onde os VC estão escondidos, o que inclui se embrenhar na selva e detonar seus esconderijos. O General Westmoreland chama isso de “buscar e destruir” e é exatamente o que fazemos. Suas obrigações vão incluir muitas patrulhas e incursões na mata, e aqui no Vietnã você terá de entrar em aldeias, procurar por armas e suprimentos do inimigo e ir atrás dele onde quer que esteja.

As coisas não são tão fáceis quanto se pensa, e é bom não subestimar o inimigo. Vocês devem saber que os franceses foram expulsos daqui com o rabo entre as pernas logo após a Segunda Guerra. Mas nós temos algumas vantagens. Primeiro, nós não somos franceses e nunca perdemos uma guerra. Segundo, nós estamos mais bem equipados e com um equipamento muito mais moderno. E finalmente, nós temos uma arma secreta: Helicópteros! A maior parte de vocês, lá nos Estados Unidos não deve nunca ter voado em uma dessas coisas, mas aqui é bom ir se acostumando. A Primeira Cavalaria Aérea aperfeiçoou o uso dessas coisas e nós estamos usando esse meio de transporte desde o início. A coisa funciona assim: nós forçamos um combate contra eles e flanqueamos com apoio de helicópteros levando reforços para a zona de combate. Com isso temos uma bela vantagem mesmo em selva fechada. Onde nenhum veículo pode chegar, um helicóptero consegue. A ideia é justamente essa, bater neles sem parar até que eles percam o gosto pela luta e fujam.

Outra coisa importante, embora nós estejamos aqui ralando no front, essa não é nossa guerra. Estamos ajudando os sul-vietnamitas e quando eles estiverem prontos para lutar sozinhos nós deixamos as coisas com eles e voltamos para a civilização. Não se envolvam muito com os civis, eu sei o que vocês estão pensando, que a Guerra é a desculpa perfeita para fazer um Safari em Saigon e experimentar o exótico “buffet local”. Mas fiquem espertos, há muitos inimigos infiltrados na população civil e eles não morrem de amores por americanos. Estejam alerta para qualquer coisa estranha e pensem duas vezes antes de ficar à sós com esses chinas. Você tem 365 dias de serviço soldado, e espero que saia dessa encrenca inteiro mas nem por isso sua vida aqui vai ser moleza.

Agora pegue seu equipamento e vamos marchar, Nós temos alguns vilarejos para pacificar.
OS RAPAZES DA CAVALARIA AÉREA


Daniel “Top” Eckhard

Ocupação: Soldado (Rifleman)
Divisão/ Serviço: 34th Rangers/ Infantaria
Posto: Primeiro Sargento
Local de Nascimento: Cantora, Ney Jersey
Sexo: Masculino
Idade:27 anos

Background: Sua família sempre teve pelo menos um soldado envolvido nas principais guerras americanas. Com você não seria 
diferente, mas o maldito conflito do Vietnã não é como as outras guerras. Ela é mais suja, mais violenta e cheia de zonas cinzentas. Mas como você é acima de tudo um soldado, sua obrigação é seguir ordens sem questionar. Você chegou a esse lugar esquecido por Deus em 1965 como consultor das tropas Sul-Vietnamitas e assistiu a luta deles se tornar a luta dos americanos. Desde então você viu rapazes cada vez mais jovens serem massacrados pelos Charlie. Você jurou fazer o possível para ensinar aos seus soldados como sobreviver nesse inferno, mas sabe que nem todos tem a fibra necessária. Na selva, os sargentos são a alma da tropa, eles fazem a diferença, não as armas ou as estratégias.

FORça 15               DEStreza 11         INTeligência 13
CONstituição 15     APArência 11        PODer 14
TAManho 13                                       EDUcação 15

Habilidades Relevantes: Credito Social 52%, Escalada 59%, Esquiva 48%, Esconder-se 49%, Navegação 59%, Persuasão 68%, Furtividade 47%, Arremesso 49%, Rastrear 47%, Rifle 67%, Baioneta 57%, Desativar Minas 54%, Gritar Ordens 77%

Dennis (“Doc”) Russo 

Ocupação: Médico de Combate (Corpsman)
Divisão/ Serviço: 55th Mobile Medical Division
Posto: Cabo
Local de Nascimento: New York City, New York
Sexo: Masculino 
 Idade:22 anos

Background: Você sempre quis ajudar as pessoas e esse desejo influenciou na escolha de sua carreira como enfermeiro. Logo depois de se formar, você optou por trabalhar em um hospital militar para veterano. Você admirava (e até certo ponto invejava) aqueles homens e tentava oferecer a eles um tratamento correto, afinal eles são heróis lutando por uma causa justa. Após alguns meses no hospital, você concluiu que a melhor maneira de fazer a sua parte seria estar com eles na frente de batalha e ir onde fosse necessário para socorrê-los. Primeiro você foi designado para um Hospital de Campo em Saigon onde ficou por alguns meses, agora é sua chance de ver ação e quem sabe salvar vidas. A verdade é que você ainda procura seu lugar, quem sabe seja entre seus novos Irmãos de Armas da 34ª Infantaria. 
 
FORça 11               DEStreza 13         INTeligência 15
CONstituição 11     APArência 12       PODer 13
TAManho 12                                       EDUcação 15

Habilidades Relevantes: Barganha 40%, Credito Social 49%, Primeiros Socorros 68%, Medicina 48%, Persuasão 41%, Farmácia 41%, Psicologia 47%, Localizar 52%, Operação de Trauma 59%, Cirurgia 47%

Brian Carter “The Caveman” Harms

Ocupação: Artilheiro (Machine Gunner)
Divisão/ Serviço: 34th Rangers/ Infantaria
Posto: Soldado de Primeira Classe (PFC)
Local de Nascimento: Delarose, Indiana
Sexo: Masculino Idade:19 anos

Background: Estava tudo dando certo! Você iria para a Universidade jogar Futebol americano e quem sabe até assinar um contrato. Mas no último ano do colégio você estragou tudo! Suas notas não foram boas o bastante e para piorar você acabou sendo convocado para o Exército. Mas que se foda! Por um lado não foi tão ruim, você sempre sonhou em participar de uma guerra, atirar com uma arma grande e sentir a emoção de matar impunemente. E em parte você conseguiu isso. Eles deram a você uma Metralhadora M60 e você adora atirar com ela nesses malditos chinas! Você não tem muita paciência para obedecer ordens, mas quando está na selva o que conta é a Lei do mais forte e você é acima de tudo um guerreiro. De alguma forma você sabe que vai sentir falta disso quando voltar para a civilização. A Guerra pode ser um Inferno, mas você até leva jeito para a coisa. Isso aqui é como um piquenique de quatro de Julho, com direito a muitos fogos.

FORça 15               DEStreza 12         INTeligência 09
CONstituição 16     APArência 10       PODer 12
TAManho 15                                       EDUcação 11

Habilidades Relevantes: Escalar 55%, Bloquear 44%, Operar Maquinário Pesado 37%, Localizar 47%, Manutenção de M60 74%, Metralhadora 62%, Baioneta 45%

Oscar “Osk” Johnson

Ocupação: Operador de Rádio(RTO)
Divisão/ Serviço: 34th Rangers/ Divisão de Comunicações
Posto: Soldado de Primeira Classe (PFC)
Local de Nascimento: Carlton, Mississipi
Sexo: Masculino 
Idade:18 anos

Background: “Aliste-se no Exército e conheça o mundo”. Que piada sem graça. Você se alistou apenas porque não arranjava emprego e queria sair da casa dos seus pais. Qualquer lugar devia ser melhor do que o Mississipi para um irmão como você. Aqui pelo menos você veste a mesma roupa que os outros e tem a chance de mostrar serviço e ser valorizado. A única coisa positiva é que você aprendeu algo que pode ser útil quando voltar para a civilização: Operação de Rádio. Você descobriu que é bom mexendo nesses aparelhos eletrônicos. Quem sabe até pode conseguir uma bolsa de estudos quando der baixa. Mas por enquanto tudo o que importa é sair desse país de merda inteiro. Você não tem vocação para ser herói e não se interessa em política ou nas razões dessa guerra. Mantenha seu nariz limpo, fique quieto e com um pouco de sorte tudo vai dar certo.

FORça 13               DEStreza 13         INTeligência 11
CONstituição 15     APArência 09       PODer 15
TAManho 12                                       EDUcação 10

Habilidades Relevantes: Ocultar 47%, Reparos Elétricos 58%, Lábia 49%, Esconder 40%, Ouvir 62%, Operação de Rádio 66%, Localizar 38%, Rifle 40%

Jerome “Night Train” Turner

Ocupação: Granadeiro (Grenadier)
Divisão/ Serviço: 34th Rangers/ Infantaria
Posto: Soldado de Primeira Classe (PFC)
Local de Nascimento: Atlanta, Georgia
Sexo: Masculino 
Idade:20 anos

Background: Essa é a Guerra do Homem Branco. Você não queria se envolver, mas quando foi preso por roubo, o juiz deu duas opções: cadeia ou serviço militar. Inferno! Você optou pela segunda e achou que estava fazendo um bom negócio. Porra nenhuma, cara! As coisas aqui são tão ruins quanto no Velho Sul. A vida de um irmão vale menos do que a de um branco, do que a de qualquer branco por mais burro e caipira que ele seja. É o maldito sistema! Você ouviu alguns colegas discursando a respeito dessa injustiça e sacou exatamente a mensagem deles. Você até pode atirar nesses Charlies (afinal não morre de amores por eles!), mas você só faz isso porque tem que sair vivo desse buraco. Essa guerra não é sua, foda-se esse papo furado de “Deus salve a América”. Quando esse pesadelo acabar você vai voltar para casa, tomar um banho e nunca mais pensar nessa merda de lugar.

FORça 15               DEStreza 10         INTeligência 10
CONstituição 14     APArência 09       PODer 10
TAManho 15                                       EDUcação 11

Habilidades Relevantes: Escalar 65%, Demolição 52%, Reparo Elétrico 33%, Primeiros Socorros 41%, Saltar 42%, Navegar 34%, Arremessar 44%, Lança Granadas 58%, Espingarda 50%

Michael “Scholl Boy” Sammons

Ocupação: Rifleman/ Estudante (História - Incompleto)
Divisão/ Serviço: 21st Rangers/ Infantaria
Posto: Soldado de Primeira Classe (PFC)
Local de Nascimento: Oakland, California
Sexo: Masculino 
Idade:19 anos

Background: Todos devem achar você um otário. Mas o fato é que você se alistou porque acreditava nos motivos para essa guerra. Você era um Universitário e tinha uma carreira pela frente, mas seus questionamentos o levaram a largar tudo e procurar uma junta de alistamento. Todos queimando suas cartas de convocação e você que tinha dispensa, escolheu servir. Você é um maldito idealista! Sempre se perguntou o que poderia fazer para ajudar e porque apenas os pobres tinham de lutar. Mas a vida no exército não é o que você esperava. Há corrupção e injustiça em todo canto, algo que chega a dar nojo. Você adotou um discurso pacifista e aprendeu uma filosofia que repudia a guerra, mas na selva não há lugar para pacifismo. Você provavelmente terá de fazer o que for necessário para voltar para casa e contar suas experiências no Vietnã.

FORça 11              DEStreza 14          INTeligência 15
CONstituição 10     APArência 13       PODer 12
TAManho 12                                       EDUcação 16

Habilidades Relevantes: Reparos Elétricos 44%, Lábio 58%, Primeiros Socorros 46%, História 47%, Ouvir 44%, Psicologia 51%, Localizar 49%, Nadar 58%, Rifle 44%