terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Os Verdadeiros Caçadores da Arca (de Noé) - Em busca do artefato antediluviano


Artigo originalmente publicado em 06 de janeiro de 2011

Desde a antiguidade até os dias atuais a busca pelos restos físicos da Arca de Noé desperta a fascinação das pessoas.

A arca, um imenso barco de madeira, supostamente foi construída pelo Patriarca Noé segundo as especificações de Deus para que ele, sua família e amigos, além de um determinado número de animais sobrevivesse ao Dilúvio é um dos momentos mais conhecidos do Velho Testamento. Alguns o encaram como um símbolo da necessidade de preservação de todas as coisas vivas, outros como um momento fundamental na história da humanidade, narrado em várias culturas do planeta.

Mas a arca em si, a embarcação colossal construída por Noé e sua família, jamais foi encontrada. E sem a prova cabal, seja ela parte da embarcação ou algum artefato relacioado a ela, não se pode dizer com certeza que ela de fato tenha existido. A despeito dos rumores, lendas, indícios e das expedições enviadas em busca de provas materiais a arca permanece um mistério.


A imagem é de uma das regiões do Monte Ararat apontadas como local onde a arca teria encalhado quando o nível da água finalmente baixou.

O que poucas pessoas sabem é que ao longo da história muitas expedições de busca foram realizadas nas perigosas escarpas do Monte Ararat, na Turquia, local onde a embarcação teria encalhado quando a enchente diminuiu. Essas expedições foram muito mais comuns do que se pode imaginar, comprovando o fascínio que esta fábula exerce sobre a humanidade.

Lendas muito antigas relatam que o material da arca teria sido usado na construção da primeira cidade, erguida após o Dilúvio. E que por isso, nenhuma parte da embarcação teria sido encontrada.

O estudioso Beroso, escreveu no século III a.C., que a população que vivia nos arredores do Agri Dagi (um dos nomes do Monte Ararat, que em turco significa "Montanha da Dor") costumava subir o monte para apanhar pedaços de madeira para fazer amuletos. Ele afirmava que aquela madeira fazia parte da embarcação original que sobrevivera ao Dilúvio. Esses pedaços de madeira, na crença local, protegiam quem os usasse contra acidentes, sobretudo relacionados a chuvas, enxentes e contra o mar revolto.

À despeito disso, exploradores tentaram encontrar algum resquício que pudesse comprovar a Lenda. Marco Polo, o famoso viajante veneziano passou pela região no século XIII e relatou ter visto no topo de um monte inacessível restos de madeira trabalhada. Ele escreveu em seu diário de viagem que aqueles fragmentos de madeira em tamanha quantidade, espalhados por um platô só poderiam pertencer a algo grande, possivelmente uma embarcação. Segundo ele, os guias de sua caravana falavam daquele local, no alto de uma cordilheira como um lugar sagrado, onde Deus falava com os homens.



A Arca é desmontada após o fim do Cataclisma que varreu a Terra. Os pedaços de madeira são usados para a construção das cidades e para a recriação da civilização.

O primeiro registro de uma Expedição Científica ao local, data de 1829, dirigida pelo professor alemão Friedrich Parrot, que encontrou apenas uma cruz que teria sido construída com a madeira da arca. A cruz foi embarcada para a Europa, mas o navio em que ela era transportada naufragou no Mediterrâneo alimentando rumores de que a arca deveria ser deixada em seu lugar de descanso. Parrot voltou para a Turquia em 1833, sem encontrar coisa alguma. Ele escreveu, no entanto, que os habitantes da região afirmavam que os restos de Noé descansavam nas montanhas e que eles não deveriam ser perturbados. Dissuadido de prosseguir na exploração ele partiu logo depois.


Em 1876, o professor James Tackery de Oxford conseguiu chegar ao topo do Ararat. No ponto acima da linha das árvores, ele encontrou um pedaço de madeira talhado por ferramentas que presumiu se tratar de uma relíquia da arca. O pedaço de madeira, uma prancha lisa foi enviado para a Inglaterra e por algum tempo atraiu a atenção de curiosos, sendo exposta na Catedral de Saint Paul. Em 1889, o pedaço de madeira foi roubado e jamais foi visto novamente.  

Uma expedição otomana organizada em 1886 afirmou ter visto os restos da arca pouco antes de uma avalanche destruir o ponto em que ela estava localizada. A expedição de mapeamento teria consgeuido escavar a área e recuperar alguns artefatos ligados a mítica embarcação, entre os quais uma suposta âncora de pedra, semelhante a usada no período. O objeto jamais foi apresnetado, levantando suspeitas a cerca de sua veracidade.

Em 1892, o clérigo Dr. Nouri afirmou ter feito uma notável descoberta em uma caverna na região . Ele disse ter descoberto os restos preservados de uma embarcação presa no gelo. A história do sacerdote foi altamente contestada pois ele afirmava ter recebido uma ordem direta de Deus para não revelar a localização da Arca. Nouri afirmava que a Arca teria importância crucial em eventos que se desenrolariam na metade do século XX e queela novamente serviria ao propósito de preservar a humanidade de sua aniquilação.


Uma das poucas fotografias sobreviventes da alegada expedição russa ao Monte Ararat em 1916. O que eles teriam encontrado e o que teria sobrevivido? 

A mais fascinante narrativa a respeito de Expedições enviadas para o Monte Ararat ocorreu no ano de 1916. Segundo consta, um piloto da Força Aérea Imperial Russa sobrevoando as montanhas turcas teria avistado um estranho objeto no cume. O Czar Nicolau II, um religioso devoto, teria ouvido a estória e ordenou que o piloto fosse levado diante dele para relatar o que havia visto. Impressionado pela descrição, o monarca despachou para a região um efetivo de 150 homens para empreender a busca pelo artefato bíblico. Segundo alguns estudiosos, o czar acreditava que a descoberta de um artefato dessa natureza poderia mudar o panorama de crise na Rússia à beira da Revolução.

A expedição teria viajado em segredo e depois de semanas enfrentando a resistência tribal de armênios, logrou êxito ao chegar ao cume do Ararat. Lá, ainda segundo os rumores encontraram vestígios de uma embarcação "tão grande quanto um quarteirão". Amostras de madeira foram recolhidas e fotografias foram tiradas no local. A equipe retornou para São Petersburgo às vésperas da Revolução com os fabulosos tesouros do passado bíblico.

Durante a sangrenta Revolução Russa, esse material, que era mantido em um quartel teria sido destruídos pelos bolcheviques. A crença na Arca era intolerável para os revolucionários que desejavam eliminar qualquer crença religiosa. Algumas fotografias, no entanto, teriam sobrevivido e ficado em poder dos soviéticos por várias décadas. Rumores persistem que uma expedição soviética possa ter seguido os passos da original na década de 50, mas é difícil atestar qualquer coisa sem cair no reino da especulação.


Em 1978 arqueólogos turcos apresentaram uma pedra trabalhada, encontrada na região do Monte Ararat. A pedra além de estar polida em uma de suas extremidades se assemelhava bastante com as âncoras primitivas utilizadas pelos primeiros navegadores mediterrâneos. O artefato foi apontado como uma descoberta importante e alguns pesquisadores acreditam que esta poderia ser a âncora da Arca.

Em 1910, uma expedição britânica liderada pela arqueóloga Gertrude Bell se concentrou no Monte Djudi, a 300 quilômetros ao sul do Ararat. O monte é citado no Corão como tendo sido o lugar correto onde a arca encalhou. Pouco antes de concluir sua exploração, as relações entre Grã-Bretanha e o Império Turco se agravaram e a expedição foi convidada a se retirar. O governo da Turquia declarou a área como de interesse arqueológico e proibiu a realização de expedições estrangeiras.

Apenas em 1995, a área foi reaberta para expedições estrangeiras apesar dos levantes de separatistas curdos. Uma equipe americana nesse mesmo ano utilizando aparelhagem moderna de radar que permitia ver através das camadas do gelo descobriu o que parecia ser uma vasta caverna onde poderia estar escondida a arca.

A expedição segundo boatos contava com informações colhidas por satélites espiões da CIA que fizeram o mapeamento prévio da região. A agência americana obviamente não confirmou ou negou a possibilidade, ainda que ela não seja totalmente absurda visto que o Iraque fica a poucos quilômetros dali. Infelizmente as fotografias do satélite jamais foram divulgadas publicamente levando a crer que a estória não foi bem contada. Apesar dos recursos empreendidos na busca, a caverna se mostrou inacessível exceto através de uma longa e dispendiosa escavação que jamais foi levada adiante.

Novas expedições foram organizadas pelo governo turco, sendo que em 2004 uma enorme expedição seguiu para a região com o objetivo de encontrar indícios de uma vez por todas. Infelizmente a arca escapou uma vez mas do alcance dos arqueólogos e aparentemente ela continuará sendo um mistério para as próximas gerações.

domingo, 17 de janeiro de 2016

"E Deus lançou sua fúria sobre a Terra" - Uma nova visão universal do Dilúvio Bíblico


Postado originalmente em 5 maio de 2011

Alusões ao Dilúvio são recorrentes em praticamente todas as religiões e livros sagrados do planeta, geralmente encarada como uma lenda, mas que nos últimos anos vem ganhando força entre os pesquisadores como um acontecimento com bases reais, ocorrido em época não determinada.

O Dilúvio teria sido uma inundação sem precedentes, que varreu todo o planeta, ou uma parte considerável dele, após um período de chuvas intensas.

A Bíblia continua sendo a principal fonte a respeito desse acontecimento. A veracidade sobre o dilúvio não foi contestada até meados do século XVIII quando iluministas começaram a levantar questionamentos a respeito das sagradas escrituras.

Mas atualmente tem havido muitas discussões a respeito desse mito.

Alguns pesquisadores acreditam que um fenômeno de proporções jamais vistas na Terra e de caráter universal, possa ter ocorrido em algum momento da antiguidade, impressionando civilizações distantes umas das outras da mesma forma. Estas teriam registrado em seus mitos e em seus documentos sagrados o incidente. Em mais de uma narrativa ouvimos falar da construção de uma imensa embarcação, semelhante a arca de madeira descrita pela Bíblia.

Civilizações sem contato umas com as outras, como os chibchas, incas e maias da América do Sul e Central, a civilização egípcia, os nativos da América do Norte e os habitantes da Micronésia se referem ao Dilúvio em termos tão semelhantes que é difícil desconsiderar a possibilidade de que um grande cataclismo tenha ocorrido, afetando o planeta por inteiro, marcando profundamente as culturas que o testemunharam.


Em alguns casos, a semelhança entre relatos - inclusive com a presença de uma embarcação e de um homem que guiou os sobreviventes - é desconcertante. Para alguns, uma prova a favor da teoria de que a catástrofe ocorreu numa civilização ancestral, de idade indefinida, da qual se originou toda a humanidade.

Com a dispersão dos povos a partir dessa civilização inicial, que para alguns seria a lendária Atlântida, a narrativa da catástrofe se espalhou pelo planeta, modificando-se ligeiramente de acordo com o desenvolvimento de cada civilização. Na narrativa bíblica, o Dilúvio se iniciou na época em que gigantes viviam na Terra, quando os filhos de Deus começaram a se unir aos filhos dos homens. Deus teria decidido então exterminar a humanidade com exceção de alguns poucos escolhidos que deveriam repovoar a Terra após a catástrofe.

Curiosamente mesmo antes da estória ser inserida na Bíblia, ela já fazia parte dos mitos da Mesopotâmia e, como em outras partes do planeta, essa também fala de um homem, Umnapishtim, a quem foi ordenado construir uma embarcação para escapar da inundação. Esse nome parece uma variação de Uta-Napistim, que surge na epopéia de Gilgamesh como aquele que construiu uma arca para escapar do Dilúvio, também causado pela fúria dos deuses como uma forma de punição aos homens, e que durou seis dias e seis noites.


No Rig Veda, escrito na India, é Manu quem constrói a arca, escapa do Dilúvio e faz com que a nau se assente no topo de uma montanha, como Noé teria feito no Monte Ararat. Na Grécia, Zeus destruiu o mundo com um Dilúvio, pois o homem se tornara corrupto, Deucalião teria sido o homem escolhido para salvar a humanidade da extinção. Na Polinésia a lenda fala de uma luta entre os irmãos Rangi e Papa - os pais dos homens - que deu origem a nuvens pesadas e furacões que arrasaram a Terra. Entre as nações sioux da América do Norte também se fala de um velho chamado de Coiote, que foi avisado da inundação e construiu um grande barco para escapar. Ele também ficou encalhado no alto de uma montanha. Os maias possuíam relatos sobre a destruição do mundo pelo fogo e pela água, e os incas não ficavam atrás afirmando que após um Dilúvio causado pela fúria dos Deuses, a própria Terra teria mudado de forma e muitas nações teriam submergido.

Entre os incas e outros povos da América do Sul, o Dilúvio ficou conhecido como Uno Pachacuti, e era tido como um castigo que assolou o mundo contra as maldades que estavam sendo praticadas pelos homens. Algumas versões da lenda afirmam que, após as águas terem baixado, Viracocha retornou a Terra para começar uma nova humanidade. Geralmente, a versão mais aceita para essa lenda inclui um possível degelo ocorrido na região do Lago Titicaca, onde floresceu a civilização que construiu Tiahuanaco. Novamente na lenda inca, um pastor e sua família também conseguiram sobreviver à inundação subindo no alto da montanha Ancasmara onde permaneceram escondidos por sessenta dias.

Um texto atribuído a um escriba egípcio, que teria examinado documentos antigos do Egito narrando a história até cerca de 10 mil anos, afirmava que não apenas um, mas vários dilúvios universais varreram o planeta e que em cada um deles uma civilização quase foi destruída.

Muitos pesquisadores aceitam a possibilidade de que o relato da Bíblia não seja o original, tendo sido inspirado por relatos bem mais antigos colhidos na região do Oriente Médio e Ásia, mas isso não explica a coincidência com o relato de outros povos com os quais não havia o menor contato.


A teoria de Hans Horbinger a respeito da Cosmogonia Glacial também tenta explicar cientificamente o Dilúvio, com a aproximação da lua aprisionada pelo campo gravitacional da Terra. A data mais citada como aquela em que ocorreu o Dilúvio se concentra entre 10,000 e 12,000 a.C.

Muitos arqueólogos compartilham a idéia de que o dilúvio teria sido um fenômeno restrito a Mesopotâmia idéia que começou a ganhar forma com as descobertas de Sir Charles Leonard Wooley, entre 1926 e 1929, quando este escavou as ruínas da cidade suméria de Ur. Estudando as camadas de limo e marcas deixadas nos sedimentos rochosos, ele descobriu que uma inundação teria coberto uma vasta região. Estudos mais recentes afirmam que uma inundação de grandes proporções também teria atingido a região do Mar Negro e que esse provavelmente se deveu a um terremoto que mudou a forma do mar interno movimentando um enorme volume de água.

A maioria dos cientistas, no entanto, tende a desconsiderar a narrativa da Bíblia que afirma ter a arca de Noé encalhado no alto do Monte Ararat uma elevação com 5 mil metros de altura.

Mas aí vem a pergunta que muitos podem estar se fazendo depois de ler esse texto: "O que isso tem a ver com o Mythos"?


Em essência? Nada.

Mas a destruição do mundo é um tema recorrente na mitologia do Mythos de Cthulhu e uma visão "conservadora" de como poderia ter se dado a destruição em uma ocasião, fornece subsídios para uma nova análise.


Ademais, embora H.P. Lovecraft raramente tenha se envolvido em discussões filosóficas a respeito da Bíblia, isso não significa que não se possa fazê-lo. Talvez nos anos 20, o máximo que ele chegasse do tema fosse constestar os dogmas judaico-cristãos de forma bem discreta, amparado no avanço científico.

Alguns autores atuais, em especial Donald Tyson, exploraram o tema relacionando eventos bíblicos com a manifestação de forças dos Mythos. Assim foi, por exemplo, quando ele relacionou a destruição da Torre de Babel com uma experiência conduzida pelos Yithians e a devastação de Sodoma e Gomorra ocasionada pela corrupção implantada por Insetos de Shagghai. Outros autores já levantaram questionamentos a respeito da identidade do Demônio Bíblico, relacionando-o a Nyarlathotep.

Seguindo esse princípio, conceituar o grande catoclismo que teria sido o Dilúvio dentro de um contexto Lovecraftiano não parece de todo absurdo.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Top 5: Os Maiores Heróis Lovecraftianos - Uma lista de personagens que enfrentaram os Mitos


Originalmente publicado em 28 de maio de 2010

Anteriormente enumerei em um Top 5 os principais Vilões da Literatura de H.P. Lovecraft.

Convenhamos, quando se fala de Lovecraft e de seus contos é mais fácil citar os "caras maus" do que dos mocinhos.

De certa forma os heróis de Lovecraft seguem um mesmo arquétipo que inclui entre as características marcantes o senso de dever, o conhecimento acadêmico e o comprometimento com a causa da humanidade.

Poucos são os heróis de Lovecraft que se destacam pelo senso de aventura e bravura, apenas Randolph Carter parece incluído nesse grupo. Os protagonistas em geral são estudiosos, profissionais comprometidos com suas obrigações, pesquisadores ou indivíduos arrastados pelas circunstâncias para uma investigação inexplicável cujas consequências não raramente são dramáticas para sua própria existência.

Heróis Lovecraftianos na maioria das vezes tem um profundo senso de certo e errado e não fogem ao chamado para enfrentar as criaturas dos Mitos mesmo sabendo dos riscos inerentes para sua integridade física e mental.

Talvez sejam esses indivíduos aqueles que mais verdadeiramente devam ser chamados de heróis, pois munidos apenas com sua coragem enfrentam forças de poder incalculável.

Vejamos então a lista:

Quinto Lugar: 

Albert Wilmarth
Acadêmico e folclorista envolvido com um estranho correspondente.

Conto: "Um Sussurro nas Trevas" (Whisperer in the Dark"- 1930)

Descrito como um notável folclorista e professor de inglês na Universidade Miskatonic, Wilmarth é o típico herói lovecraftiano: um acadêmico interessado em explorar os campos da ciência além do que é considerado convencional. É ele quem narra a estória em primeira pessoa, descrevendo os incríveis eventos envolvendo a atividade de criaturas vindas das estrelas.

Em Sussurro nas Trevas, Wilmarth se envolve em um controverso debate a respeito de formas de vida alienígenas que teriam sido avistadas após as enchentes que varreram o estado de Vermont em 1927. O professor reluta em aceitar tais teorias acreditando que elas não passam de meras superstições. Ele conduz um estudo sobre o folclore da região rico em lendas sobre monstros e criaturas bizarras.

A tese de Wilmarth atrai a atenção de Henry Akeley, um homem que reside nas Florestas de Vermont e que afirma saber a origem de certas lendas. Os dois se tornam companheiros de correspondência e aos poucos a narrativa de Akeley, relatando as atividades de seres bizarros e de seus agentes, começa a convencer o professor de que algo sinistro está realmente ocorrendo.

Wimarth acaba aceitando o convite para viajar até Vermont onde faz uma descoberta chocante que o obriga a fugir através da floresta em desespero.

O professor é mencionado brevemente em "Nas Montanhas da Loucura", quando o narrador comenta que "preferia não ter conversado tanto com o desagradável folclorista Wilmarth na Universidade Miskatonic". Mais adiante na mesma estória, ele se refere às "loucas estórias a respeito de coisas do espaço contadas por um colega do departamento de língua inglesa".

Assim como ocorre com muitos protagonistas de Lovecraft, Wilmarth inicia o conto como um cético, um homem de ciência que luta contra sua própria razão para distinguir o real do imaginário.

Após os eventos em Vermont, Wilmarth continuou investigando os Mitos ancestrais, empreendendo longas viagens para visitar lugares e conversar com testemunhas em potencial. Horrorizado pelas suas descobertas e experiências no campo dos estudos dos Mitos, Wilmarth adoeceu e veio a falecer em 1937. Sua vasta coleção sobre folclore foi doada após sua morte para o acervo da Biblioteca da Universidade Miskatonic.

Quarto Lugar: 

Thomas F. Malone 
Detetive da Polícia de Nova York


Conto: "O Horror em Red Hook" (The Horror in Red Hook - 1927)

Malone é o narrador de "Horror at Red Hook" um dos mais polêmicos contos de Lovecraft.

Red Hook é considerado uma estória menor, com elementos explícitos de racismo e intolerância que renderam a Lovecraft uma desagradável fama. Mesmo assim eu considero Red Hook um ótimo conto, um dos únicos que se passa totalmente em ambiente urbano, cheio de claustrofobia e paranóia.

Malone é um imigrante que deixou sua pátria natal, a Irlanda, em busca de uma vida melhor no Novo Mundo. Ele se torna um detetive de polícia no perigoso distrito de Red Hook, um caldeirão étnico em Nova York infestado por crime e violência.

Lovecraft insiste que todos os seus heróis sejam homens de letras, por isso, mesmo o detetive de polícia possui formação superior pela Universidade de Dublin. O autor vai mais além, não apenas Malone é um homem culto e versado nos clássicos, como também possui um legítimo interesse no mundo oculto. Lovecraft o descreve como um cético, mas com um olho clínico para as coisas estranhas do mundo, característica que torna Malone apto a investigar os misteriosos eventos em Red Hook.

Na época do conto, Malone tem 42 anos e passa a comandar uma força tarefa que busca desvendar desaparecimento na calada da noite. Durante uma de suas ações, Malone é soterrado em um desmoronamento e por pouco não termina morto como muitos de seus colegas. Após os terríveis acontecimentos ele recebe uma dispensa, mas como o próprio Malone comenta, "Red Hook jamais muda" deixando claro que o horror no perigoso distrito não havia sido vencido.

Infelizmente Thomas Malone não é citado em nenhum outro conto, supostamente ele teria se aposentado e retornado a sua pátria natal.

Terceiro Lugar:

Inspetor John Raymond Legrasse
Detetive da polícia de Nova Orleans

Conto: "O Chamado de Cthulhu" (The Call of Cthulhu - 1928)

Legrasse era Inspetor Chefe do Departamento de Polícia de Nova Orleans em 1907, ano em que um culto de natureza aterradora instaurou um regime de horror nas profundezas dos pântanos da Louisiana.

Descrito por Lovecraft como "um homem de meia-idade que não chamava a atenção", Legrasse descobriu muito pouco a respeito do culto. No comando de uma diligência armada ele conseguiu capturar uma multidão de cultistas dementes que realizavam uma algazarra regada a sacrifícios no bayou. Inadvertidamente, Legrasse havia descoberto um enorme culto devotado ao Grande Cthulhu, uma das mais terríveis entidades dos Mitos Ancestrais.

Em 1909 Legrasse compareceu a uma reunião da Sociedade Americana de Arqueologia levando consigo um pequeno ídolo obtido durante a batida policial dois anos antes. A estatueta ajudou a provar a existência de um culto devotado a Cthulhu ativo em vários lugares do mundo.

Lovecraft não descreveu o passado de Legrasse, de modo que coube a outros escritores preencher as lacunas e descrever as investigações subsequentes do inspetor. C.J. Henderson escreveu vários contos tendo Legrasse como protagonista. Nessa série intitulada "The Tales of Inspector Legrasse", o detetive continuou se dedicando a confrontar o culto de Cthulhu na Louisiana. Apavorado após uma experiência mística, Legrasse teria se afastado da sociedade vivendo em isolamento por quinze anos período em que estudou antigos tomos com conhecimento dos Mitos. Ressurgindo para enfrentar uma infestação de Deep Ones em sua amada Nova Orleans, ele teria depois partido para o coração da Ásia a fim de enfrentar cultistas de Cthulhu no Nepal.

Embora ele tenha retornado e vivido por muitos anos, o inspetor nunca mais foi o mesmo.

Segundo Lugar:

Henry Armitage
Reitor da Universidade e Homem de Letras


Conto: "O Horror de Dunwich" (The Dunwich Horror - 1928)

Encarregado da Biblioteca da Universidade Miskatonic, Armitage é considerado um dos grandes acadêmicos da Nova Inglaterra, um homem brilhante no campo das letras admirado pela sua ética e erudição.

Armitage estudou na Miskatonic University formando-se na classe de 1881. Ele obteve seu doutorado em Princeton e seu PhD na renomada Universidade de Cambridge. Desde jovem Armitage demonstrava interesse por acontecimentos incomuns e pelo estudo do mundo oculto. Sabe-se que ele estudou a queda de um misterioso meteoro nos arredores da cidade em 1882 (A Cor que Caiu do Céu) e que demonstrou interesse sobre a singular lenda da Casa da Bruxa (Sonhos na Casa da Bruxa) uma das mais antigas construções de Arkham.

Foi Armitage quem obteve a cópia do raríssimo Necronomicon, livro que ainda se encontra no acervo da biblioteca.

Após a bizarra morte de Wilbur Whateley, um habitante do isolado povoado de Dunwich, com quem Armitage vinha se correspondendo, o velho acadêmico passou a temer o conteúdo blasfemo do Necronomicon. Ele teve de recorrer às estranhas fórmulas e rituais descritos nesse tomo amaldiçoado para colocar um fim a um Horror à solta em Dunwich. Sua saúde debilitada o forçou a se aposentar em 1936.

Armitage, no entanto, continuou trabalhando catalogando o vasto acervo da biblioteca. Ele ajudou na criação da Seção de Obras Raras, que reúne a maior parte dos livros dedicados aos Mitos de Cthulhu. Foi Armitage quem escreveu regras que impedem a consulta desses tomos considerados perigosos para os olhos do público em geral.

As circunstâncias da morte de Armitage não são claras. Algumas fontes mencionam que ele teria morrido tentando salvar alguns livros durante o trágico incêndio de 1939 que destruiu parte da biblioteca. Alguns, no entanto, afirmam que Armitage ofereceu seus talentos em criptografia para ajudar a inteligência americana durante a Segunda Guerra Mundial. Na ocasião Armitage teria decifrado curiosos trechos codificados do Alto-Comando Nazista envolvendo a busca por livros raros na França ocupada. Essa fonte afirma que Armitage teria morrido no interior da Biblioteca vítima de um ataque cardíaco fulminante no ano de 1946.

Primeiro Lugar:

Randolph Carter
Aventureiro e investigador dos Mitos por excelência


Contos: em "O Testemunho de Randolph Carter", "A Chave de Prata", "Através dos Portais da Chave de Prata", "The Unnamable" e "À Procura de Kadath"

Considerado por muitos o alter-ego literário de H.P. Lovecraft, Randolph Carter é um de seus poucos personagens recorrentes em sua obra.

Carter e Lovecraft tinham muito em comum: os dois são autores de pouca fama, cujos trabalhos raramente eram lembrados, ambos são figuras melancólicas e contemplativas, habituados a sonhar acordados e bastante sensíveis. Os dois compartilham também seu amor por antiguidades, pela Nova Inglaterra e por gatos.

Em uma ocasião Lovecraft disse que não se sentia à vontade em matar Randolph Carter pois ele era um personagem muito querido. Lovecraft teria afirmado jocosamente não ter coragem para matar Carter sem temer pela sua própria vida. Para alguns biógrafos Carter simboliza como Lovecraft gostaria de ter sido.

Nascido em Boston, Carter fazia parte de uma família com uma longa e distinta história. Seu ancestral Geoffrey Carter, um cruzado, foi aprisionado por 11 anos na Montanha de Alamut onde tomou conhecimento de práticas místicas dos mouros. Seu antepassado Edmund Carter, por pouco não foi enforcado durante a Caça às Bruxas de Salem.

A partir dos dez anos de idade, Randolph Carter começou a demonstrar um talento inerente para profetizar o futuro. Na sua juventude, ele ele se tornou um dos maiores exploradores das Dreamlands. O povo dessa terra ainda se recorda de sua magnífica jornada para Kadath no vazio gélido em busca da cidade de seus sonhos. Muitos consideram essa a mais incrível façanha empreendida por um sonhador. A medida que o tempo passava, as viagens oníricas de Carter se tornavam menos frequentes até que aos 30 anos elas se encerraram. Foi nessa época que Carter começou a busca por um significado em sua existência.

Durante a Grande Guerra, Carter serviu na Legião Estrangeira da França. Foi servindo na Arábia que ele conheceu Etiènne-Laurent de Marigny, um colega sonhador que o acompanhou em explorações. Os dois investigaram o complexo de criptas sob o cemitério de Bayonne e forjaram uma longa amizade. Carter retornou a Nova Inglaterra após ser gravemente ferido em Belloy-en-Santerre.

Inquieto com o fim da guerra ele passou a estudar o mundo do ocultismo e se tornou pupilo de Harley Warren, um estudioso devotado a desvendar segredos ancestrais. Certa noite, Warren desapareceu enquanto explorava um complexo subterrâneo em um cemitério na Flórida. A polícia questionou Carter, que deu uma explicação bizarra sobre o que havia acontecido. Ele foi liberado uma vez que não haviam evidências que comprovassem crime de sua parte.

Randolph Carter era um talentoso escritor. Seu livro mais conhecido "A Guerra que se aproxima", foi publicado em 1919 e detalhava suas experiências nos tempos da guerra. O conto de terror "A Janela do Sótão" publicado em 1922 foi considerado tão aterrador que o editor da Revista Whisper decidiu recolher as edições antes delas chegarem às prateleiras. Carter ficou conhecido pelas suas estórias de fantasia que lhe renderam alguma fama, porém pouco antes de seu desaparecimento ele queimou todos os manuscritos em que vinha trabalhando por considerar seu trabalho pouco satisfatório.

Em 7 de Outubro de 1928, Randolph Carter desapareceu enquanto visitava as ruínas da ancestral casa de sua família próxima de Arkham. Grupos de busca encontravam seu carro e um lenço, mas nenhum outro traço do escritor. Alguns de seus poucos amigos afirmaram que Carter havia enfim conseguido retornar a sa amada Terra dos Sonhos. Muitos especularam que ele teria se tornado o monarca de Ilek-Vad, mas estas especulações jamais foram levadas à sério.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Harbinger - Horror em primeira pessoa baseado em Lovecraft


Curtas metragem são algo complicado de fazer...

Você tem poucos minutos para transmitir a sua ideia, contar uma estória e de alguma forma fazer sentido. Não deve ser nada fácil acomodar tudo em um espaço tão pequeno de tempo. Eu sinceramente, não saberia como fazer...

Mas felizmente existem aqueles que sabem. E como sabem!

Esse é o caso de Harbinger (Mensageiro), um curta metragem produzido pela Gearmark e diretamente inspirado no horror cósmico de H.P. Lovecraft. Dirigido por Alexander Crews, este curta metragem oferece uma perspectiva única, colocando o espectador no papel do protagonista, como se fosse um video-game em primeira pessoa. Isso significa que o espectador se sente como parte da ação. Utilizando um cenário extremamente caprichado e um sistema de áudio irretocável, o resultado é fantástico!

Os planos do diretor são de fazer com que esse curta seja transposto para o 3D afim de ser assistido pelo Oculus Rift. Isso vai aumentar ainda mais a sensação de imersão e tornar as imagens assustadoras. 

Mas não vou falar muito para não estragar a experiência.

Recomendo apenas que façam o seguinte:

1) Apague as luzes e feche as portas.
2) Amplie a imagem para ocupar todo monitor.
3) Fique bem próximo da tela (não se preocupe, não é uma pegadinha idiota para te assustar!)
4) Coloque os fones de ouvido para captar os sons com maior clareza.
5) Divirta-se!

Abaixo o curta metragem:


Top 5 - Os Mais Terríveis Vilões de Lovecraft


Quais são os mais terríveis vilões dos contos de H.P. Lovecraft?

Antes de tudo é bom fazer uma distinção. Nessa lista estou me referindo aos vilões humanos (ou quase) e não às aberrações vindas das estrelas, divindades ou criaturas dos Mythos de Cthulhu.

O critério desse TOP 5 é apresentar aqueles personagens que se destacam quando falamos de perversidade, crueldade, loucura, maldade, ambição e comprometimento com as forças obscuras.

Então vamos a eles:

Quinto Lugar:

Capitão Richard Holt
O Velho Terrível de Kingsport


Conto: O Terrível Homem Velho ("The Terrible Old Man" - 1920) e brevemente em A Estranha Casa nas Névoas ("The Strange High House in the Mist" - 1926)

Um amargo e solitário ancião que habita uma antiga mansão na enevoada cidade costeira de Kingsport. À primeira vista ele não seria um grande obstáculo para um bando de determinados ladrões que ouviram rumores sobre um fantástico tesouro guardado na casa do lobo do mar. Mas ao invadir o lugar, os pobres gatunos descobrem que as lendas sobre o ancião são verdadeiras e que o Velho Terrível de Kingsport esconde aterradoras surpresas.

Potencial Maligno - Incrivelmente velho, ninguém se recorda da juventude de Holt e como ele chegou a Kingsport. É bem possível que ele seja imortal e que o tempo não represente nada. Ele detém terríveis capacidades místicas que lhe permitem aprisionar as almas de seus desafetos em garrafas de cristal e invocá-las para servi-lo quando preciso. Holt costuma conversar com estas garrafas como se estivesse se referindo a velhos amigos. As pessoas em Kingsport aprenderam a temê-lo e a respeitá-lo com toda razão.

Quarto Lugar:

Asenath Waite
A alma e a mente de Ephraim Waite


Conto: A Coisa na Soleira da Porta ("The Thing in the Doorstep") (1933)

A esposa de Edward Derby e filha única de Ephraim Waite. Ela é descrita como "uma jovem de cabelos escuros, pequena e muito atraente, exceto pelos olhos estranhamente grandes" - uma aparência comum para os habitantes da cidade natal de Asenath, Innsmouth. A mãe de Asenath andava sempre com um pesado véu negro escondendo suas feições, o que sugere que ela fosse um abissal ou um híbrido parcialmente transformado. A jovem usa sua beleza e poder de sedução para casar com o instável poeta de Arkham, Edward Derby e conquistar uma posição confortável na sociedade local.

Asenath, é uma bruxa experiente, que foi guiada pelo pai, um poderoso feiticeiro, pelos caminhos da adoração aos Mitos Ancestrais. Ela domina magias e é capaz de conduzir os mais terríveis rituais. A relação de Asenath e seu pai, é aliás o fio condutor dos fantásticos eventos descritos no conto.

A tradução mais aproximada do nome Asenath é "aquela que pertence ao pai" e é o que literalmente ocorre no conto de Lovecraft. O pai de Asenath transfere a sua mente para o corpo da filha com o intuito de escapar da morte. Seria Asenath uma vítima nessa situação? Tudo leva a crer que ela aceitou de bom grado desempenhar seu papel nesse plano por ser absolutamente fiel ao pai.

Potencial Maligno - Asenath é uma manipuladora cruel e sedutora, uma viúva negra que envolve o próprio marido em uma trama nefasta. Além de ser uma bruxa determinada a servir o pai até as últimas consequências ela é uma devota das forças dos Mitos de Cthulhu.

Terceiro Lugar:

Wilbur Whateley 
cria de Yog-Sothoth, pupilo das trevas


Conto: O Horror em Dunwich ("The Dunwich Horror" - 1928)

Nascido em circunstâncias estranhas (e bizarras), o jovem Wilbur Whateley nunca pôde ser considerado normal. Sua grotesca aparência física e a disposição para acumular conhecimento sempre foram chocantes para aqueles que o conheciam. Ele cresceu na companhia dos membros degenerados de sua família, os Whateleys, nas profundezas da Floresta de Dunwich, uma terra cheia de lendas e superstições, muitas das quais verdadeiras.

Wilbur e seu irmão gêmeo ainda menos humano, planejavam abrir um portal para que seu pai, Yog-Sothoth, pudesse adentrar a nossa realidade. Seus planos falharam quando o diretor da Miskatonic University negou a ele o acesso ao abominável Necronomicom. Furioso, Wilbur tentou roubar o livro, mas foi despedaçado pelo cão de guarda da instituição. Os restos recuperados pareciam bem pouco humanos.

Potencial Maligno - Wilbur é filho de uma entidade dimensional de poder imensurável. Seu irmão é uma aberração tenebrosa que se alimenta de carne. Sua mãe e avô são cultistas degenerados que há gerações planejam o retorno dos Antigos. Com uma família dessas o rapaz não poderia ser muito normal, afinal o fruto não cai muito longe da árvore.


Se isso não fosse o bastante, Wilbur é absolutamente insano e perigoso. Sua ambição por obter o Necronomicom e usar as magias e rituais ali contidos não conhecia limite. Se dependesse dele, o mundo seria escravizado pelos antigos e a humanidade seria submetida à sua vontade. Felizmente para nós, ele se tornou comida de cachorro.

Segundo Lugar:

Keziah Mason
Bruxa Imortal, Consorte das Trevas, a residente da lendária Casa da Bruxa de Arkham


Conto: Sonhos na Casa da Bruxa ("Dreams in the Witch House" - 1932)

Uma mulher que ajudou a forjar a má fama das bruxas na Nova Inglaterra do século XVII. Keziah viveu em Salem em 1692, durante a época mais conturbada da chamada Caça às Bruxas empreendida pelos puritanos. Sua feitiçaria demoníaca era usada para encantar, contatar, invocar e adorar as entidades mais tenebrosas dos Mitos. Ela era discípula do chamado Homem Negro (Black Man), uma das manifestações mais malignas de Nyarlathotep.

Os caçadores de bruxas conseguiram capturá-la. Durante seu interrogatório ela confessou seu conluio com as forças das trevas e reconheceu sua devoção aos antigos. A punição, no entanto, não a alcançou, ela conseguiu escapar das chamas da fogueira usando sua magia para fugir de sua cela. Keziah reapareceu séculos mais tarde na Arkham dos anos 20, onde passou a atormentar um jovem estudante de matemática que estudava sua influência.

Potencial Maligno - Não bastasse ser uma das mais terríveis bruxas de todos os tempos, Keziah estava envolvida com sacrifícios. Ao longo de sua carreira como cultista ela conduziu horríveis rituais que demandavam o sangue de inocentes. Sob o assoalho de sua casa foram encontradas inúmeras ossadas de crianças e até de recém nascidos.

Em sua busca por poder e servitude a Nyarlathotep, Keziah não poupava ninguém. Sua tortura psicológica através de pesadelos impostos a Walter Gilman, o inquilino de sua casa no século XX, figuram na lista de grandes maldades na literatura lovecraftiana.

Primeiro Lugar

Joseph Curwen
Senhor de Terras, Monstro Renascido e Cruel Feiticeiro de Providence


Conto: O Caso de Charles Dexter Ward ("The Case of Charles Dexter Ward" - 1927)

Em matéria de maldade muitos tentam, mas ninguém consegue se aproximar do Cavalheiro de Pawtuxet, Joseph Curwen. Morto pela primeira vez nas mãos de camponeses revoltados no Século XVIII, o feiticeiro consegue tapear a morte usando seu descendente o curioso Charles Dexter Ward para ressuscitar no século XX.

Antes contudo, a lista de atrocidades de Curwen como feiticeiro incluía um inominável pacto com Yog-Sothoth, a utilização de rituais horríveis, roubo de cadáveres, tráfico de restos mortais, conluio com feiticeiros ao redor do mundo, ressurreição dos mortos, cruéis sessões de tortura com seus prisioneiros, assassinato, sacrifícios e outras perfídias.

Curwen se valia de todos os meios para obter poder, riqueza, conhecimento e vida eterna. Em certos momentos, fica claro que Curwen não serve aos Mitos, mas os vê como uma ferramenta para conquistar e triunfar. Poucos inimigos podem ser mais frios e calculistas, poucos vilões podem ser mais detestáveis e implacáveis. Curwen consegue se sobressair em uma lista de indivíduos cuja crueldade atinge proporções épicas.

Potencial Maligno - Curwen trama a própria morte e ressurreição, esperando que o tempo lhe conceda os mecanismos para retornar. Uma vez de volta das cinzas ele se livra de seu descendente de forma impiedosa e assume a sua identidade. Ninguém que se coloca diante de Curwen sobrevive por muito tempo, sua mente privilegiada consegue se adaptar a uma nova era e traça planos de assumir um lugar de destaque na sociedade.

Curwen age de forma meticulosa e pragmática. Não fosse o envolvimento de amigos do pobre Sr. Ward, ele teria sucesso em seus planos macabros.

Menção Honrosa

Brown Jenkin
Familiar e Servo de Keziah Mason


Conto: Os Sonhos na Casa da Bruxa ("Dreams in the Witch House" - 1932)

Essa lista de vilania não poderia deixar de incluir o terrível familiar de Keziah Mason. Brown Jenkin é por si só uma aberração grotesca, um grande rato com a face transfigurada de um homem. Uma criatura suja e mesquinha, ele vive para servir sua senhora.

Potencial Maligno - No final do conto, quando tudo parece encaminhado para um incomum final feliz, Brown Jenkin reestabelece a ordem provando que a vingança pode viajar através das eras para ser praticada com requintes de crueldade.