domingo, 10 de abril de 2016

Demônios e Possessão: O Estranho Caso do Exorcismo de Michael Taylor


Desde o princípio dos tempos, existe uma tradição encontrada em todos os povos, todas culturas e todas religiões. A crença em Possessão e Exorcismo.

Embora os detalhes possam variar enormemente, parece haver uma aceitação universal, subconsciente, quase primal que transcende as fronteiras da distância, dos idiomas e costumes: a noção de que espíritos malignos podem habitar o corpo das pessoas. Talvez a origem disso, seja nossa necessidade de buscar uma explicação, nem que esta seja sobrenatural, para certos atos cometidos pelas pessoas. Para alguns, o ser humano não pode ser responsável por certas coisas... e se não residir nele a culpa, então esta recai sobre espíritos e demônios.

Seja qual for a verdade, episódios de possessão por entidades desconhecidas oferecem um fascinante vislumbre a respeito da loucura, sobre a escuridão da alma e sobre a possível existência de forças que se apoderam de nossa vontade. Que usam nossos corpos como ferramenta para os mais aterradores propósitos.

Um caso particularmente famoso ocorreu em 1974, envolvendo um até então, pacífico pai de família dominado por demônios internos ou literais, que o forçaram a cometer um assassinato que chocou toda uma nação.

A pacata Osset, próxima a Yorkshire na Inglaterra, não parece um lugar propenso a um crime violento ou discussões sobre exorcismo e espíritos malignos. Ainda assim, essa sonolenta cidadezinha de 17 mil habitantes é onde nossa estória tem início. Em 1974, Michael Taylor de 31 anos, sua esposa Christine, seus cinco filhos e seu poodle de estimação se mudaram para Osset. A família era considerada uma das mais alegres e amigáveis pelos vizinhos, com Michael sendo descrito como um sujeito gentil, de boa índole, amável pai e marido. Embora alguns dissessem que ele sofria de crises de melancolia e depressão, causadas por dores crônicas nas costas que lhe impediam de se firmar no trabalho. Não era, entretanto, nada sério. Não havia nenhuma indicação de que algo estivesse errado na Casa dos Taylor, e amigos próximos lembrariam, mais tarde, que sempre havia risadas e satisfação no ar. 

Embora Osset tivesse uma população majoritariamente religiosa, com muitos dos moradores atendendo a igreja semanalmente, os Taylor nunca foram devotos. Eles costumavam se ausentar dos serviços religiosos na paróquia próxima de onde viviam. Talvez tenha sido essa aparente falta de interesse religioso que levou um dos amigos mais próximos dos Taylor, Barbara Wardman, a apresentá-los a um grupo chamado Sociedade Cristã de Estudos. Liderado por uma jovem de 21 anos, Marie Robinson, a sociedade tinha uma proposta mais aberta de religiosidade e se identificava como um grupo de estudos bíblicos acima de tudo.


Michael ficou muito interessado pelas reuniões semanais e passou não apenas a frequentar o grupo, mas a estudar e debater filosofia. Muito impressionado com os discursos de Marie, ele também começou a dar seus testemunhos e conduzir palestras. Logo ficou claro que Michael estava apaixonado por Marie. Os demais membros perceberam o comportamento inapropriado e tentaram censurá-lo, mas Michael negou qualquer falta de decoro. Era fato que os dois passavam muito tempo juntos e que Michael se tornou o braço direito da Ministra Robinson. Os membros da Sociedade perceberam também uma súbita mudança na forma como Marie conduzia o grupo: ela utilizava algo que chamava de "Poder de Deus" para exorcizar pessoas que tivessem pecado e falava línguas misteriosas. Além disso, ela defendia que certas pessoas precisavam ser libertadas de manifestações diabólicas por intermédio de rituais que ela e Michael haviam desenvolvido. 

Marie afirmava categoricamente que era capaz de ver pequenos diabretes (ou imps), entrando e saindo das pessoas e que estes se escondiam na carne, tentando possuir os indivíduos e sujeitá-las ao mal. Marie e Michael acreditavam que certos rituais podiam expulsar os diabretes e fazer com que eles fossem banidos para o inferno.

Nos seus rituais, os dois empregavam uma série de artefatos e palavras de poder, muitos dos quais pinçados de tradições ocultistas. Havia Magia Ritual da Golden Dawn, noções de Teosofia e até mesmo ensinamentos de Aleister Crowley no método criado pela dupla. Um dos rituais precisava ser realizado na lua nova, com uma adaga de ferro frio e uma bacia na qual sangue era recolhido. Noutro, nomes de anjos eram invocados para que expurgassem os demônios e os pecados.

A mudança desagradou a maior parte dos membros da Sociedade que abandonaram o grupo, outros no entanto continuaram fiéis aos ensinamentos. Michael permaneceu na Sociedade que passou a ser algo cada vez mais nos moldes de um culto. Sua esposa e filhos não compareciam mais às reuniões que passaram a acontecer no porão de um dos membros e não mais na Casa cedida pela Diocese. A atitude de Michael para com sua família também havia mudado consideravelmente. Ele agia como outro homem: quieto, nervoso e agressivo. Passava cada vez menos tempo com sua esposa e filhos. A esposa de Michael, Christine, achava que o grupo estava exercendo algum tipo de influência negativa sobre o marido e nesse momento ela descobriu que Michael havia deixado o trabalho para se dedicar a um novo projeto: escrever um Evangelho junto com Marie. 

A coisa chegou a tal ponto que Michael deixou sua casa alegando que precisava fazer um retiro espiritual no qual jejuaria em busca de iluminação. Furiosa com o comportamento de seu marido ela o acusou de manter um caso com Marie e o chamou de hipócrita. Michael fugiu descontrolado, entrou no carro e desapareceu.


Nas semanas seguintes, Michael não deu nenhum sinal de vida. A polícia foi notificada e procurou por ele, mas ele simplesmente parecia ter desaparecido. Michael só retornou um mês depois, surgindo na Sede da Sociedade Cristã de Estudos afirmando que havia sentido uma presença demoníaca tentando se apoderar de seu corpo e forçando-o a cometer "atos terríveis". Marie aceitou cuidar dele, usando um de seus Rituais de Exorcismo. Durante o Ritual, Michael explodiu em uma fúria cega na qual teve de ser contido para não agredir fisicamente a Ministra. Testemunhas presentes ao exorcismo afirmam que Michael falou em idiomas estranhos, usou vozes diferentes e chegou a flutuar no ar.

Robinson, mais tarde, deu a sua versão do que aconteceu: 

"Eu chamei pelo "Poder de Deus", pedi a ele para interceder e libertar Michael de qualquer influência diabólica. Foi então que as feições dele mudaram. Ele parecia quase bestial. Ele continuava olhando na minha direção com aqueles olhos furiosos. Eu ordenei que o demônio deixasse seu corpo, mas ele começou a gritar e cuspir. Ele também falava em línguas estranhas... Eu fiquei petrificada! Consegui ver uma imagem se sobrepondo a ele, como se fosse uma presença imaterial: Um demônio, com asas e chifres se colocou sobre seu corpo como uma sombra. Senti um cheiro de enxofre nauseante. Eu clamei pela ajuda divina e implorei para que Jesus lançasse a besta no inferno. Só assim ele começou a desaparecer e Michael se acalmou".   

Michael diria mais tarde não lembrar de nada que aconteceu. As testemunhas corroboraram que ele estava alterado, claramente fora de si, mas não viram nenhuma presença diabólica ou sentiram qualquer cheiro de enxofre. A despeito de tudo que aconteceu, Michael recebeu perdão completo de Marie Robinson e foi levado para sua casa por amigos. A família o recebeu com alívio, prometendo que tudo ia ficar bem dali para frente. Ele passou por vários exames e parecia em perfeita saúde física. Três semanas se passaram sem maiores problemas, mas então ele começou a dar sinais de que havia algo errado novamente.

Michael acordava no meio da madrugada gritando, comia carne crua, quebrava móveis da casa, falava em um idioma desconhecido e gargalhava loucamente. A situação era tão grave que Christine mandou os filhos para a casa de amigos e pediu que alguns vizinhos ajudasse a amarrar seu marido à cama. Era consenso que a sanidade de Michael estava ruindo rapidamente e que ele poderia se tornar um perigo se ficasse livre. Marie entrou em contato com vários padres afirmando que forças demoníacas haviam se apoderado do corpo de Michael e que sua alma se encontrava em grave perigo.

O vigário local visitou a casa e ficou chocado com o que viu e ouviu. A casa estava gelada, a temperatura dentro, ao menos dez graus abaixo do lado de fora. Michael rangia os dentes, gritava e falava em línguas desconhecidas, aramaico segundo alguns. Babava, cuspia e tentava morder quem se aproximava. Ele permanecia amarrado na cama com cordas que feriam seus pulsos e tornozelos, mas ninguém ousava chegar perto.

O Vigário escreveu uma carta na qual recomendava a realização de um Exorcismo o quanto antes por ter reconhecido elementos inequívocos da ação de forças diabólicas. Em geral, um requerimento dessa natureza carece de um exame completo e de verificação psiquiátrica, mas surpreendentemente o vigário recebeu permissão do Bispo de Yorkshire para organizar o exorcismo. Dois ministros, o Ministro Peter Vance e o Reverendo Raymond Smith foram chamados para conduzir o Ritual. O Exorcismo teve início à meia noite do dia 5 de outubro de 1974 na Igreja de St. Thames para onde Michael foi levado após ser sedado. Naquela noite, os dois padres seriam testados incessantemente.


Assim que o exorcismo começou, Michael sofreu incontroláveis convulsões e ataques nos quais mordia, cuspia e se arranhava. Ele foi amarrado em um pesado banco de madeira e imobilizado com cordas. Ao longo de oito horas, Michael - ou a criatura que estava em seu corpo, recebeu bençãos, foi aspergido com água benta e compelido a renunciar a carne na qual se agarrava. O Monsenhor Smith afirmou que mais de 40 demônios estavam habitando simultaneamente o corpo de Michael, incluindo entidades que promoviam incesto, bestialidade, blasfêmia, lascívia, heresia, masoquismo e conhecimento carnal. Esses alegados demônios se gabavam de ter se instalado em Michael e de tê-lo obrigado a fazer coisas horríveis no período em que ele esteve desaparecido. Na manhã seguinte, os padres estavam exaustos e se retiraram para descansar, enquanto Michael permanecia amarrado.     

Decidiram que continuariam com o Ritual no começo da noite, já que alguns demônios permaneciam enterrados no corpo de Michael. Os sacerdotes acreditavam que o possesso havia se envolvido com rituais de ocultismo e que o estudo de bruxaria nos tempos da Sociedade abriu as portas para que o mal ganhasse espaço. Christine visitou a igreja durante o exorcismo e ficou chocada com o que viu e ouviu - não parecia seu marido. Durante o exorcismo, um dos demônios, falando através de Michael, contou que ele os havia invocado e que por isso teriam direito a ficar ali quanto quisessem. Ele proclamou ainda que antes de partirem iriam matar uma pessoa e carregá-la para o inferno.

Esgotados física e mentalmente, os padres se retiraram para a sacristia para descansar, enquanto uma enfermeira ministrou um tranquilizante para que Michael dormisse.

É nesse momento que a estória se torna ainda mais tenebrosa...

Seja lá o que afligia Michael Taylor, demônios ou loucura pura e simples, ele estava tomado por uma força de vontade indomável. Por volta das 10 horas da manhã, apenas duas horas depois dos padres terem se retirado para descansar, Michael conseguiu romper as cordas e fugiu da igreja sem que ninguém percebesse. Ele se esgueirou pela vizinhança e foi direto para sua casa onde encontrou a esposa adormecida no quarto do casal. Michael a atacou brutalmente, estrangulando-a até a morte com as próprias mãos, perfurando seus olhos com pontas de lápis, arrancando fora sua língua e mordendo a maior parte de seu rosto de forma selvagem. Quando terminou, Michael ainda agarrou o cão da família e o despedaçou arrancando membro por membro do pobre animal. Em seguida ele saiu da casa nu, coberto de sangue dos pés à cabeça, vagando sem destino e gritando como um maníaco frases como "Esse é o sangue de Satã". 

Vizinhos aterrorizados telefonaram para a polícia e um carro de patrulha chegou rapidamente. Três policiais armados com cassetetes conseguiram dominar Michael Taylor que ainda tentou resistir e escapar. Na casa da família, encontraram o corpo mutilado de Christine em uma poça de sangue. Apesar de todo horror desencadeado, a tragédia poderia ter sido ainda pior, já que os filhos de Michael iriam retornar naquela manhã e só não o fizeram porque uma das crianças estava muito gripada.

Um crime tão sangrento e uma estória tão bizarra envolvendo exorcismo, assassinato e loucura, obviamente tomaram de assalto a tranquila Osset e geraram um frenesi na imprensa britânica. Repórteres e jornalistas de todo país convergiram para a região a fim de registrar o caso que ganhou as manchetes dos principais diários e programas de televisão. Michael foi enviado para um manicômio e medicado com doses maciças de drogas pesadas. A diocese de Osset foi acusada de negligência ao não reportar a existência de uma pessoa com profunda perturbação mental. Michael foi diagnosticado com um quadro de esquizofrenia e psicose. Enquanto o país discutia o ocorrido, a opinião pública se dividia entre aqueles que acreditavam na possessão demoníaca e os que achavam que o problema era decorrente de insanidade mental.

O crime foi considerado tão estranho, brutal e assombroso que durante seu discurso de abertura, o Promotor Público Geoffrey Baker, advertiu ao juri que eles estavam prestes a testemunhar um procedimento "digno da Idade Média". 


Durante o julgamento, Michael Taylor tratado com drogas e por médicos, alegou não ter qualquer lembrança do que ocorreu no dia da morte de Christine. Ele sustentou que acreditava estar sob a influência e controle de forças sobrenaturais que o obrigaram a fazer coisas que ele "normalmente nunca faria". Durante os procedimentos, o promotor apontou para a Sociedade Cristã de Estudos como responsável direta por incutir na mente de um homem perturbado ideias e noções perigosas. Como uma legítima seita de fanáticos, os membros da Sociedade teriam manipulado e forçado Michael a acreditar que ele poderia aprisionar demônios em seu corpo para que a Ministra Robinson posteriormente os exorcizasse. 

Em determinado momento, a Seita foi descrita como "um bando de neuróticos alimentando a paranoia de um neurótico". No porão onde os rituais da Sociedade eram conduzidos, a polícia encontrou livros de ocultismo, velas negras, crânios, ossos, um cálice com resquícios de sangue e os restos de cabras e bodes sacrificados. Quando a natureza dos "estudos" da Sociedade vieram à público, a casa de Marie Robinson e de outros membros do grupo foi apedrejada e vandalizada. Chamada para testemunhar, Marie Robinson confessou que um dos objetivos da Sociedade Cristã era conhecer e estudar princípios de ocultismo como forma de assim combater o demônio. Ela negou que o grupo realizasse missas negras e sacrifícios no porão onde se reunia, mas seu testemunho entrou em contradição com outros membros que afirmaram que a Sociedade realizava rituais de invocação demoníaca.

Críticas também foram direcionadas para a Diocese de Osset e para os envolvidos diretos no Exorcismo inclusive o vigário e os sacerdotes. O Promotor utilizou psiquiatras que concordavam categoricamente que o ritual alimentou as fantasias e crenças deturpadas de Michael e repercutiu em seu fervor religioso de forma negativa fazendo com que sua mente convoluta criasse os alegados demônios e entidades sobrenaturais. Já profundamente perturbado, o exorcismo serviu como um catalizador para toda sua loucura. Nas palavras do promotor, "foi como tentar apagar um incêndio com gasolina".

Um dos advogados, fez um discurso durante o julgamento ilustrando seu sentimento geral sobre a responsabilidade da Seita e da própria Igreja no crime e nos acontecimentos como um todo:

"Eu estou ciente que um assistente da promotoria não deve expressar sua opinião pessoal ou seus sentimentos a respeito de um caso no qual está trabalhando. Mas temo que seja praticamente impossível observar esse princípio no caso de Michael Taylor. Façamos com que os reais responsáveis por essa tragédia sejam reconhecidos. É opinião da promotoria que Michael Taylor não passa de uma vítima nesse caso medonho. A culpa recai sobre pessoas que distorcem noções religiosas e sobre os próprios religiosos. Foram eles, tanto aqueles que participaram do culto, quanto os sacerdotes que presidiram o exorcismo, quem cometeram a transgressão. E eles são tão culpados quanto o próprio assassino por terem deixado cinco crianças sem a mãe".  

No fim, Michael foi considerado inocente por motivo de insanidade mental e declarado incapaz de cumprir pena em um presídio comum. Ele foi confinado no Broadmoor Secure Hospital para criminosos insanos. Ele ficou lá por dois anos e depois foi transferido para o Bradford Royal Infirmary uma instituição de segurança mínima onde permaneceu por mais dois anos. Após um período probatório no qual as drogas comportamentais se provaram eficazes, ele foi posto em liberdade. 

A conclusão do caso trouxe um grande clamor público contrário a realização de exorcismos pela Igreja, e de fato, este se tornou o último caso de exorcismo presidido pela Igreja Anglicana na Inglaterra. Apesar de toda repercussão negativa, um dos ministros que presidiu o exorcismo, Padre Peter Vance, continuou defendendo que Michael estava possuído por demônios e que o incidente era um autêntico caso de Possessão Demoníaca. Ele se afastou da Igreja anos depois e escreveu um livro a respeito do incidente no qual dizia textualmente:

"Eu estou perfeitamente convencido que Michael Taylor foi possuído por demônios. Embora trágico, o que aconteceu teve um significado e uma razão. É importante que as pessoas tirem suas próprias conclusões e entendam que o mal existe e que ele nos desafia diariamente. É preciso que cada um seja capaz de enfrentar essa ameaça e triunfar diante da imposição de tais testes".


Após o julgamento e sentença, Michael continuou sofrendo com o quadro de depressão. Ele não se conformava que seus filhos não quisessem vê-lo, o que o levou a quatro tentativas de suicídio. Em 2005, Michael Taylor, o homem que ganhou as manchetes da Grã-Bretanha no mais estranho caso de possessão da história, voltou a ser notícia. Ele foi preso por agressão sexual contra uma menor de idade. Durante a pronúncia criminal, os advogados tentaram desassociar qualquer ligação entre os crimes cometidos em 1974 e o de 2005, mas a mídia fez um verdadeiro circo com o acontecimento. Michael foi condenado a três anos de serviços comunitários e mais dois em um centro de tratamento psiquiátrico, desde então ele teria deixado a Inglaterra e seu paradeiro atual é desconhecido.

*     *     *   

Enfim, o que teria ocorrido com Michael Taylor, um homem tranquilo que de uma hora para outra se converteu em um assassino selvagem capaz de matar a própria esposa.

Será que foi apenas o caso de um homem muito doente incapaz de controlar seus atos ou haveria algo mais sinistro oculto em sua insanidade? O fato dele ter sido exposto a um culto e depois a um exorcismo teria alimentado sua loucura e deflagrado o surto psicótico? Ou isso, ou temos de acreditar que uma presença demoníaca realmente se apoderou de seu corpo e o compeliu a praticar um crime horripilante. Pode o mal ser o responsável por nos infectar e forçar a matar? Pode esse mesmo mal ser convidado a se aproximar e depois ser banido por intermédio de exorcistas? 

É provável que jamais consigamos responder satisfatoriamente essas questões e que o caso de Michael Taylor permaneça como um enigma sobre a verdadeira natureza do mal. Seja qual for a explicação, casos como esse fazem com que tenhamos medo da escuridão que reside dentro de nós mesmos.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Resenha de Caidos - Livro de M.R. Terci leva o Horror ao Brasil Colônia


Se eu recebesse uma moeda por cada vez que ouço alguém dizendo que no Brasil não existe espaço para Literatura de Horror, talvez ficasse rico.

Muitos afirmam categoricamente que nosso país não oferece as condições para ambientar estórias de legítimo horror. Na minha opinião não poderiam estar mais enganados... Não é de hoje, autores cada vez mais bem sucedidos despontam como expoentes do gênero. E o paulista Marco Terci (que assina M.R. Terci) está entre os mais talentosos a subverter essa noção errônea.

Terci é o autor de "O Bairro da Cripta", cujo Tomo I - As Elegias recebeu uma resenha aqui no Mundo Tentacular (vocês podem ler clicando AQUI). O Bairro da Cripta é uma coleção de estranhas estórias se passando em uma pequena e assombrada cidade chamada Tebraria nos confins do interior paulista às margens do caudaloso Rio Mogi. Em Tebraria coisas bizarras tendem a acontecer: os mortos parecem curiosamente à vontade no vasto cemitério que pontua a paisagem com lápides, monstros vagam sem destino dispostos a devorar inocentes e fantasmas se misturam aos vivos confundindo-se com a população local. Em "O Bairro da Cripta" (editado pela LP-Books) temos estórias curtas e contos narrados em um estilo rebuscado e ao mesmo tempo enervante, um trabalho quase artesanal na escolha perfeita de cada palavra e sentença. Em breve, teremos o lançamento do terceiro tomo, de cinco previstos.

Mas sem dúvida, o mais ambicioso projeto do autor é a Trilogia Caídos, cujo primeiro livro com o subtítulo "Abandonai toda Esperança" se encontra à venda, editado pela Desfecho Romances.

Caídos narra a épica existência de Emanuel, personagem fascinante, nascido em uma família de posses na bela cidade portuguesa de Coimbra nas primeiras décadas de 1500. Em uma época de exploração e aventura, na qual Portugal lançava-se ao mar em busca de um novo mundo, a saga de Emanuel se mistura com a da potência ultramarina. Viajando à bordo de caravelas ao redor do mundo, visitando colônias distantes Emanuel entra em contato com diferentes povos e costumes a medida que começa a percorrer o tortuoso caminho que o transformará em um poderoso bruxo, herdeiro de uma linhagem ancestral.

A narrativa começa em 1591 com Emanuel, já um homem de meia idade, calejado e alquebrado pelas suas aventuras e desventuras Prisioneiro em uma masmorra cheia de sal, mantida pelo Santo Ofício nas Terras de Santa Cruz ele espera pelo pior. Os Agentes da Inquisição no Brasil planejam torturar o sujeito de maneira implacável e extrair dele sua derradeira confissão. Descobrir até onde chega a perfídia do feiticeiro. 

Que fique claro uma coisa, o protagonista é exatamente aquilo que seus captores dizem! Essa não é a história redentora de um inocente acusado de bruxaria, sofrendo com as acusações de fanáticos supersticiosos e ignorantes. Não, mesmo! Todas acusações envolvendo bruxaria, assassinato, rituais de sacrifício (inclusive de crianças) e a mais negra magia são verdade incontestável. O próprio acusado é o primeiro a reconhecer tudo o que fez e se arrepende de bem pouco. E esse é um ponto importante na estória: o "herói" de Caídos é um verdadeiro monstro, mas mesmo assim, é difícil não torcer por ele.  

Diante de um jovem sacerdote, o feiticeiro começa a narrar os acontecimentos de sua vida sem poupar seu interlocutor (e menos ainda os leitores) dos detalhes mais escabrosos. E o que não faltam são detalhes terríveis que conjuram um manto de terror gótico, com doses maciças de Horror Cósmico e Malefício à estória. A prosa refinada de Terci se vale de termos e palavras arcaicas que se encaixam perfeitamente no panorama e época em que transcorre a trama. É notável a maneira como ele domina a linguagem, malhando as palavras como um dedicado ferreiro, até que elas tomem a forma desejada.

A primeira parte do livro é devotada a infância e adolescência de Emanuel que ainda criança empreende com o pai uma trágica jornada marítima até a colônia oriental de Goa. A viagem a bordo de um Galeão resulta em um dramático naufrágio e a primeira revelação das origens místicas do menino. Ele acaba adotado por um grupo de Carmins (ciganos) que erram pelas estradas do velho mundo e na companhia deles se torna um viajante. Com seus novos companheiros, Emanuel conhece seu grande amor Angelique e seu primeiro Mestre na instrução do mundo oculto, o Chefe da Caravana Castañeda. 

Durante seu aprendizado nada ortodoxo, Emanuel fica sabendo da existência de um Triunvirato Obscuro, o Triregno das Areias Eternas que congrega os Reinos de Carmin Somnium (o lar original dos Carmins), Hades Eterna (A Terra dos Mortos) e a temida Tebrarhuna (um reino de maldade e perversidade extremas). Cada reino possui uma tradição arcana distinta, os Magister governam Carmin Somnium, os Necromantes dominam Hades Eterna e os Feiticeiros regem Tebrarhuna com mão de ferro. Mais do que conhecimento, esses magos controlam forças poderosíssimas que lhes permitem moldar sombras, conjurar servos e canalizar energias destrutivas. Lembrou de Harry Potter? Esqueça, os magos em Caídos mexem com coisas que fariam os moleques de Hogswards correr com o rabo entre as pernas.

A medida que vai conhecendo detalhes sobre cada uma dessas tradições, fica claro que o destino de Emanuel está relacionado a uma terrível Guerra Mística que irá desestabilizar os Reinos e dar início a um Conflito sem precedente que afetará também nosso mundo. Deuses e Entidades místicas governam cada um dos Reinos e Emanuel tem a oportunidade de conhecer esses seres metafísicos, cair nas graças de alguns e desafiar a ira de outros.

Na metade do livro, o jovem Emanuel acaba se transformando em Emanuel do Túmulo, quando é enviado para a cinzenta cidadela dos Mortos de Hades Eterna. Seu destino é se tornar um Encantador de Cemitérios, um Sedutor de Túmulos, um Adorador de Sepulcros... em bom português, um Necromante! Após demonstrar um perturbador talento natural para controlar os mortos, ele acaba desafiando a autoridade da tenebrosa Emrev, a Rainha Demônio de Hades Eterna. Por sinal Enrev me lembrou em mais de um momento as Abominações blasfemas do Horror Cósmico.

Depois de uma pós-graduação hardcore na companhia de cadáveres e mortos vivos, Emanuel regressa a Portugal descobrindo que o velho mundo mudou muito desde sua partida. Mudou para pior! Sob os auspícios da Inquisição, a Igreja deu início a uma cruzada avassaladora de terror que varre a Europa em busca de pecados e principalmente pecadores. Não é preciso dizer que a vida dos utilizadores de magia se tornou muito perigosa.  

A partir desse ponto, a vida de Emanuel, agora transformado em um impiedoso necromante dá uma nova guinada e mergulha sem freio no Inferno. Lançando mão de maldições e de horrendos sortilégios, o bruxo comete alguns dos seus crimes mais terríveis, faz alianças espúrias e desvenda mais mistérios sobre sua origem profana. Para ter uma ideia, o livro sugere que o declínio de Portugal como potência mundial pode estar ligado às maldições intentadas pelo necromante que faz chover fogo e enxofre sobre a "velha terrinha".

Caçado pelos seus atos temerários, Emanuel acaba enfrentando a censura de ex-amigos, é cortejado por inimigos e caçado por servos da Inquisição, tanto os naturais quanto os sobrenaturais. E o que não faltam são personagens bizarros e cheios de más intenções a rechear as páginas.

A terceira e última porção do livro, na minha opinião, reserva os melhores momentos. O necromante sob implacável perseguição da Inquisição decide empreender uma nova e perigosa viagem rumo ao Novo Mundo. Nas Terras de Santa Cruz, nosso então jovem Brasil, Emanuel descobrirá horrores primitivos vagando em estado puro nas selvas fechadas, entidades do Triregno até então esquecidas, que são reverenciadas por tribos de nativos canibais, pajés e coisas piores que espreitam a colônia. A maneira como a religião indígena se mistura com a mitologia do Triregno é um verdadeiro achado.

Pintando um Brasil Colônia com tons escuros e sombras (tebras!) sempre presentes, a narrativa vai num crescendo alucinante até o episódio da captura e prisão do Necromante pelos seus algozes na Baía de Cabrália. A conclusão reserva um espetáculo apoteótico primando pelo sangue e descrições vívidas de tortura e vingança.

Mas essa é apenas a primeira parte da Trilogia e obviamente ainda há muito a acontecer na tumultuosa saga de Emanuel do Túmulo. Eu gostei muito de Caídos e espero ansioso pelas continuações.

Eu apenas adoraria que o livro trouxesse um Glossário de termos para que o leitor possa se guiar e compreender exatamente o que são alguns nomes usados pelos personagens (lugares, magias, pessoas importantes). Com um glossário ficaria bem mais fácil compreender a mitologia e assimilar os termos. Fica a sugestão! Outra diz respeito aos trechos em caixa alta (letras maiúsculas), reconheço que é meio que frescura da minha parte, mas o uso frequente de letras maiúsculas torna a leitura um pouco cansativa, mesmo que sirva para distinguir as palavras de um Deus ou ser poderoso. Não é nada demais!

Caras, para quem gosta de uma boa estória de horror e anseia por algo diferente situado no Brasil, em um período repleto de lendas, aventura e excitação, Caídos é uma excelente opção de leitura.

CAÍDOS - Abandonai toda Esperança
M.R. Terci
Editora Desfecho Romances
389 páginas

E quem gostou, indico dar uma olhada nesses links aqui:

M.R. Terci Página Oficial do Autor
Os Imperiais de Gran Abuelo


terça-feira, 5 de abril de 2016

Concurso Arquivo X e Mitos de Cthulhu - Participe do e concorra a livros de Arquivo X da New Order



SEDE DO FBI - QUANTICO VIRGÍNIA - 08:04 AM

Quando Scully chegou ao escritório que dividia com seu parceiro naquela segunda feira não poderia imaginar o que a aguardava.

Tudo estava escuro no porão que servia como base para o Arquivo X. Scully percebeu que a porta estava encostada e empurrou.

Mulder a recebeu com um olhar nervoso, levantando agitado da poltrona em que estava cochilando. Um livro em seu colo caiu no chão, tinha encadernação estranha, um couro que Scully não conseguiu identificar a procedência e um título estranho, aparentemente em grego. 

- "Você dormiu aqui de novo. Mulder"? perguntou de forma divertida, já estava acostumada aos longos serões do colega. Além do que Mulder às vezes dormia melhor no escritório do que em sua própria casa. Ao acender a luz e estender um copo de café, ela se deparou com a expressão de seu parceiro e exclamou preocupada: 

 - "Mulder, o que aconteceu? Você está horrível"! deixou escapar sem pesar nas palavras.

O rosto dele estava diferente: seus olhos vidrados, emoldurados por profundas olheiras evidenciando que ele não dormia há dias, sua face pálida, os lábios crispados e a testa suada. Scully teve a impressão de estar diante de um homem assombrado.

Mulder se limitou a olhar de um lado para o outro, um péssimo sinal. Quando ele não encontrava palavras para explicar algo, era como se a sua alma estivesse sendo torturada. Mulder amava seu trabalho; em circunstâncias normais, mesmo diante de algo incrível ou estarrecedor, haveria um sinal inequívoco de fascinação, de curiosidade, de paixão... mas ali não havia nada disso. Havia apenas choque e algo que Scully identificou como... medo. E isso fez Scully temer pelo seu parceiro.

- "Scully... você já ouviu falar dos Mitos de Cthulhu?" disse ele em voz vacilante, como se estivesse incerto a respeito de falar aquelas palavras estranhas. 

*          *          *



Olá pessoal,

É com grande satisfação que o MUNDO TENTACULAR anuncia uma parceria com nossos colegas da EDITORA NEW ORDER envolvendo um Concurso Cultural aberto a todos que desejarem participar.

E como bom Concurso, teremos uma premiação gentilmente oferecida pela New Order aos vencedores.

O CONCURSO

A ideia é criar um CROSSOVER entre Arquivo X e os Mitos de Cthulhu.

Os participantes devem escrever a Sinopse ou Roteiro de como seria uma típica investigação empreendida por Mulder e Scully, na qual as forças dos Mitos Ancestrais (deuses, monstros, entidades ou cultistas) figuram como a grande ameaça. 

O roteiro deve se conformar aos moldes de um típico episódio de Arquivo X, contendo os seguintes elementos:

1) Introdução - Nela um incidente é visto pelo público assim como ocorre no trecho que antecede aos créditos da série. É este incidente que irá desencadear todos os demais acontecimentos e guiar a trama.

2) Os Agentes - Ainda na Sede do FBI, Mulder e Scully tomam conhecimento do incidente ou de elementos que derivam dele (algo estranho, um crime, um assassinato, uma cena de ritual, círculos num milharal, etc.). Movidos pela necessidade de apurar a verdade, a dupla parte para a investigação.

3) A Investigação - Mulder e Scully chegam ao local e começam a fazer perguntas, entrevistam testemunhas e recolhem pistas. Eles começam a montar o quebra cabeça com base nas peças encontradas.

4) O Adversário - Nas sombras o antagonista da dupla de investigadores se move para atrapalhar a investigação ou dar sequência em seus planos pérfidos. O roteiro identifica o antagonista e quais as suas motivações.

5) Crise - Mulder e Scully estão perto de resolver o caso, descobrem um indício essencial ou tem uma pista que os coloca face a face com o responsável pelo caso. Eles correm perigo e são ameaçados (física, emocional ou mentalmente).

6) Conclusão - É o fechamento do Episódio. A forma como ele termina deixando pontas soltas, uma pergunta ou um cliffhanger.


REGRAS

- NÃO é necessário escrever um roteiro inteiro. Embora não exista um limite máximo ou mínimo, tenham em mente que não queremos um texto enorme e exaustivamente detalhado.

Ao invés disso, queremos um roteiro que atenda a estrutura definida acima: que seja coerente, bem escrito e com ideias originais que nos empolguem e façam com que pensemos: "nossa, isso daria um ótimo episódio de Arquivo X".

- Fiquem à vontade para escrever sobre o que quiserem, mas é OBRIGATÓRIO que haja envolvimento direto ou indireto dos Mitos Ancestrais. 

- Também é OBRIGATÓRIO que o Roteiro centralize em Mulder e Scully como os protagonistas da trama, muito embora possam (e devam) haver personagens coadjuvantes.

- Os participantes também devem seguir o grupo da New Order no Facebook (dano um like na página).

Clique NEW ORDER EDITORA NO FB

- Cada participante poderá enviar apenas UM roteiro (portanto, escolham bem!). Mais de um roteiro assinado pelo mesmo autor, será desconsiderado, valendo apenas o que chegar primeiro às nossas mãos.

PRAZOS E ENVIO

Os roteiros devem ser enviados para o seguinte e-mail - torneio.tentacular@gmail.com

No assunto deve ser colocado "CONCURSO ARQUIVO X E MITOS".

A mensagem deve vir acompanhada com o nome do participante.

Nós aceitaremos roteiros enviados até as 23:59 do dia 05 de Maio de 2016. Todos os e-mails que chegarem posteriormente não serão considerados.


AVALIAÇÃO

Os roteiros serão lidos e avaliados por uma comissão julgadora composta por membros e colaboradores do Blog. 

Os três roteiros/sinopses mais interessantes serão declarados os "Vencedores do Concurso" e seus autores avisados.

Os roteiros vencedores serão publicados aqui no Mundo Tentacular, na forma de artigo contendo o nome dos autores.

PREMIAÇÃO

A Editora New Order disponibilizou TRÊS exemplares do livro ARQUIVO X - CLÁSSICOS - VOLUME 1" para contemplar os vencedores do Concurso.

Os vencedores receberão também o icônico poster "I Want to Believe".

Aqui no LINK você pode ler a resenha do livro.

Os prêmios serão enviados pelo Serviço de Entrega pela New Order no endereço informado pelos participantes  contemplados com o prêmios, após contato.

Essa é uma promoção cultural, ela não objetiva qualquer ganho para os organizadores e não importa em qualquer pagamento por parte dos participantes.

Então é isso!

Mãos à obra e boa sorte a todos.


sexta-feira, 1 de abril de 2016

E vem aí, um novo e sensacional lançamento de RPG, breve em Financiamento Coletivo

Pessoal, é com grande satisfação que fazemos esse sensacional anúncio, um que tenho certeza irá abalar as próprias fundações do Mercado brasileiro de RPG.

Um anúncio que irá tornar tudo o que nós conhecemos sobre RPG diferente da noite para o dia. Esse será um verdadeiro divisor de águas e temos certeza de que todos ficarão igualmente excitados e maravilhados com a notícia.

Que rufem os tambores, pois temos o prazer de revelar que estamos trazendo para o Brasil uma das mais fantásticas, incomuns, e (por que não dizer) surpreendentes ambientações de RPG de todos os tempos.

Os jogadores veteranos já devem imaginar do que estamos falando, suponho que para muitos será a realização de um sonho, enquanto para outros tantos será a chance de conhecer um sistema consagrado e ambientação muito comentada ao longo dos anos, porém bem pouco jogada. 

Apertem os cintos, pois estou falando do lendário...

F.A.T.A.L.
From another Time, Another Land 


O Mundo Tentacular após uma complicada disputa com outras editoras nacionais conseguiu adquirir plenos direitos de comercialização e produção sobre esse fantástico jogo. Desculpe pessoal da New Order, Pensamento Coletivo e Retropunk... mais sorte da próxima vez. Sei que vocês queriam muito trazer esse livro, mas é a tal coisa... algumas vezes ganhamos, outras perdemos.

Longas negociações foram realizadas junto com o autor, o norte-americano B. Hall (escritor, filósofo, humanista e médico proctologista). Hall desenvolveu F.A.T.A.L. no início dos anos 1990, junto com um grupo de amigos e colegas do tempo da faculdade. O mais incrível à respeito, é que o modelo de F.A.T.A.L. foi idealizado pelo autor quando ele tinha apenas 13 anos (!!!). Quando conversei com o Sr. Hall (ou Monsenhor Hall, como ele prefere ser chamado) me certifiquei que estava falando com algo mais do que um simples game designer... ele é praticamente um pensador esclarecido.

Exaustivamente testado em mesas de jogo, o sistema é um dos mais inovadores e arrojados de todos os tempos. Eu francamente nunca vi nada parecido. Suas muitas tabelas e rolamentos, remetem ao clássico Rolemaster, oferecendo uma oportunidade de imersão total na qual o grau de detalhamento e realismo se mostram inigualáveis.

O sistema único de criação de personagens, com a ficha contendo onze páginas, permite explorar de forma profunda cada faceta dos heróis, conhecer a fundo suas habilidades, capacidades e testar seus limites. E testar os limites é algo que você irá desejar fazer em F.A.T.A.L, um jogo que por si só, abre um leque de opções narrativas que vai fazer os jogadores hardcore de Vampire se questionarem sobre qual é realmente o mais interpretativo RPG já lançado. 

Sem mencionar que F.A.T.A.L é também pura diversão!

A reveladora arte de F.A.T.A.L.
Ideal para um jogo amigável de domingo (e prático, podendo ser jogado tranquilamente no compartimento traseiro de sua van), F.A.T.A.L. é o jogo ideal para quem está em busca de algo novo. Reúna seus amigos e colegas e juntos explore masmorras escuras e úmidas, enfrente monstros cruéis e conquiste recompensas inesquecíveis. Excelente para eventos e para apresentar iniciantes ao Universo dos jogos de mesa, F.A.T.A.L. se mostrará uma experiência inesquecível. Chame suas amigas que sempre tiveram curiosidade a respeito de jogos, namoradas, esposas e a criançada da vizinhança. Com certeza, todos encontrarão nesse RPG algo capaz de surpreendê-los.

Mas sobre o que é F.A.T.A.L?

Esqueça tudo o que você pode ter ouvido por aí.

F.A.T.A.L se passa em um Mundo Medieval de Fantasia, descrito por alguns como uma mistura única de Terra Média, o Mundo de Battlefield Earth e a Era Hiboriana de Conan. Nele, temos valentes heróis e bravos aventureiros que vagam por terras desoladas à procura de desafios e desejando testar suas habilidades únicas. O Mundo de F.A.T.A.L. é um lugar de excitação, ação e violência. Populado por criaturas terríveis armadas com armas enormes capazes de produzir danos maciços, por seres gosmentos multi-tentaculares e criaturas aterrorizantes que vão fazer o bárbaro mais durão gritar como uma menininha perdida no escuro. 

Mas não há apenas perigos...


F.A.T.A.L. é um jogo onde princesas aguardam serem resgatadas de torres escuras, coalhado de guerreiras amazonas e repleto de paixão, emoção e (por que não dizer) uma boa dose de excitação. Os tesouros e artefatos se apresentam de inúmeras formas, tipos, cores e formatos diferentes.

Não vou falar muito mais para não estragar as surpresas e o prazer de descobrir cada detalhe contido nas 912 páginas desse notável TOMO (sim, você leu corretamente, F.A.T.A.L. possui 900+ páginas). 

Editado pela primeira vez no Brasil, no formato de um Financiamento Coletivo, F.A.T.A.L. contará com um campanha muito especial com diferentes níveis para os participantes, incríveis recompensas, strap-ons, digo, add-ons e brindes a medida que atingirmos as metas estabelecidas.

O livro será lançado na íntegra, com trechos inéditos escritos pelos próprios autores. Todas as 900 páginas internas terão papel gloss, extra-brilhante, gramatura 120, lustroso e com um acabamento que imita a delicada sensação de tocar a pele lisa de um octopus. A versão de luxo, contará com capa dura, encadernação de couro preto, cantoneiras em aço cirúrgico inoxidável e tratamento especial impermeável. A edição que posteriormente será vendida terá uma nova e exclusiva capa com arte deslumbrante no estilo inconfundível de Milo Manara. Por sinal, a arte interna foi totalmente refeita, oferecendo ilustrações especiais em estilo poster dobrável para deleite dos leitores que sem dúvida irão levar esse livro para todos os cantos de sua casa... se você achou, o Vampire V20 bonito, só digo uma coisa: "bitch please".

É claro, o livro teria um custo elevado, mas esperamos minimizar os valores já que estamos aproveitando fundos repassados pela Lei Rouanet.

E o que dizer dos itens adicionais?

Teremos várias aventuras prontas para lançar os jogadores direto na ação non stop de F.A.T.A.L. Escritas por um time de craques do RPG (cujos nomes não podem ser divulgados nesse momento) contamos com clássicos como "O Resgate dos Rangers Mirins", "Exploração da Garganta Profunda", "Murmúrios no Vale do Silêncio", "Possessão Escarlate/ Exorcismo Negro", "Em Busca do Unicórnio Perolado", "Sete Drows e a Dríade do Gelo", entre muitas outras.


Entre os itens exclusivos do Financiamento Coletivo teremos o Escudo de F.A.T.A.L. com uma deslumbrante e impressionante arte, disposta em 16 painéis dobráveis que trazem todas as 369 principais tabelas e diagramas do sistema.

E não é só isso... nos níveis mais altos, recomendados para aqueles fãs de verdade de F.A.T.A.L, você terá a chance de montar seu próprio personagem inspirando-se em si mesmo (ou não, caso sua auto-estima for baixa!). Além disso, um dos níveis irá garantir um jogo privado com um time selecionado de celebridades (entre as quais o já confirmados Mr. Catra e Alexandre Frota) que irão jogar com você e seus amigos uma aventura exclusiva de F.A.T.A.L intitulada "Adivinhe quem vem para o jantar".

Pessoal, eu não poderia indicar mais um jogo... contudo, F.A.T.A.L é ainda mais do que isso. 

É um pronunciamento, uma tendência, praticamente ele oferece um novo modo de vida. Você Não perde por esperar mais esse grande jogo!

Fiquem atentos para novas e chocantes notícias sobre este Financiamento Coletivo.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Sangue na Colônia - A Brutal Batalha de Cabo Frio


Essa é a segunda arte de um artigo que foi publicado semana passada a respeito de um sangrento episódio da Colonização brasileira, a Batalha entre Portugueses e a assim chamada "Confederação dos Tamoios". Indico aos interessados que leiam o artigo anterior antes desse, que pode ser acessado através do link a seguir:

Massacre dos Tamoios

Aqui, temos o que veio em seguida, mais um capítulo violento sobre o qual ouvimos muito pouco chamado a Guerra de Cabo Frio.

*          *          *

Cabo Frio, hoje famosa cidade turística do Rio de Janeiro, conforme se dizia na época, trinta léguas ao norte da Baía da Guanabara, tinha uma posição privilegiada para salvaguardar as rotas entre o Rio e as Capitanias do Norte. Além disso, ocupava a entrada da Lagoa de Araruama, outro acidente geográfico estratégico para quem quisesse proteger a cidade.

Com essas qualidades, era lá que os corsários franceses desembarcavam para negociar pau-brasil com a Tribo dos Tamoios. Eles haviam firmado aliança  com os nativos e conseguiram ajuda para construir uma pequena posição defensiva, a Feitoria Maison Pierre, que era guarnecida com canhões de pequeno porte. Era natural que os sobreviventes que haviam conseguido escapar da retumbante batalha contra as forças de Estácio de Sá, na notória "Pacificação dos Tamoios", para lá se dirigissem após a derrota sofrida.

Os portugueses entendiam, corretamente, que jamais dominariam a Baía de Guanabara enquanto os Corsários de Villegaignon tivessem livre trânsito naquela posição. Por ali, poderiam sempre escoar seu contrabando e trazer armas, munições e suprimentos. Além disso, poderiam sentir-se tentados a uma nova Invasão. Para acabar com essa ameaça, a única maneira para os Lusos era conquistar aquela região. Mem de Sá desejava atacar Cabo Frio, mas a Guerra havia consumido uma grande quantidade de recursos: material, dinheiro e homens.

Seus planos de erradicar a ameaça dos Tamoios permanentemente teria de aguardar. Muitos homens estavam cansados da matança, enjoados com o sangue e morte da qual eles haviam tomado parte. Exploradores da área, anos depois, ainda traziam relatos sobre a alarmante quantidade de ossos abandonados no campo de batalha. Algumas cruzes demarcavam o local e muitos temiam ir até lá, pois falavam de espíritos vagando entre as campinas.

Em 1571, quatro anos após a Guerra, a Capitania tinha sido autorizada a gastar uma boa soma com batedores e mateiros que trouxessem informações da região do Cabo Frio. Não haviam mapas confiáveis, de modo que as palavras dos exploradores que se embrenhavam naqueles ermos era tudo que se tinha. O trabalho era extremamente perigoso: o terreno era pontilhado por pântanos, charcos e alagados cobertos de ervas daninhas, cobras peçonhentas, insetos rasteiros e doenças tropicais. Além disso, os nativos, familiarizados com o difícil terreno se moviam através dele com relativa facilidade. Armavam emboscadas, surgindo do nada e disparando saraivadas de setas mortais embebidas em toxina de sapo. Alguns homens retornavam com a pele inchada, tomados de doenças e parasitas, feridos e alquebrados física e mentalmente. O horror estampado em seus olhos, alguns não falavam coisa com coisa.


Logo em seguida, o fidalgo Mem de Sá, já bastante velho e doente acabou sendo substituído por um desembargador de carreira chamado Antonio Salema nomeado como o novo Governador Geral.

Assim que se estabeleceu na cidade, Salema tomou conhecimento dos ataques cada vez mais frequentes de Tamoios a expedições que buscavam explorar Cabo Frio. Uma expedição, composta de 40 canoas havia sido massacrada e os cadáveres dos homens e destroços foram levados pela maré até a enseada da Baia de Guanabara. Pescadores retiraram das águas corpos horrivelmente mutilados, criando pânico na cidade. Os portugueses viram aquilo como um desafio, talvez o início de um novo levante Tamoio. Planos para uma nova guerra começaram a ser colocados em prática. 

Durante dois meses Salema inspecionou os preparativos para uma grande expedição, solicitando reforços das Sesmarias do Espírito Santo e de São Vicente. Finalmente, em 28 de agosto de 1575, uma força de 400 portugueses e 700 índios catequizados, a maioria de Temiminós, a tribo de Araribóia, ficou pronta para a missão. Eles contavam com o que na época era equipamento moderno: bússolas, mosquetões de cano longo e canoas com fundo abaulado. Trajavam loricas de couro batido, capacetes de metal e carregavam longas lanças com hastes semelhantes a piques e alabardas. Na frente da companhia seguiam os Padres Capelães Jesuítas, carregando uma cruz de ferro batido e a imagem beatificada de São Vicente padroeiro da Capitania. Depois de rezar e receber as bênçãos, partiram um grupo por terra e outro pelo mar, rumo à Região dos Lagos.

A marcha durou cerca de duas semanas por um terreno traiçoeiro, mas avançou inabalável. Em 12 de setembro as forças da Coroa alcançaram uma grande aldeia dos tamoios. Fortificada e cercada por um fosso triplo, sua tomada era pouco provável. A obra de engenharia tinha sido feita com a assessoria de dois franceses e um inglês, que viviam com os índios. Pensando no que fazer, Salema não atacou a posição de imediato, o que permitiu o reforço vindo de outras localidades, elevando o número de defensores para uma estimativa de 1.000 combatentes usando arcos, tacapes e bordunas, além de um sortimento de arcabuzes, pequenas peças de artilharia, espadas e adagas fornecidas pelos corsários.


Salema desistiu de vez do ataque e preferiu a velha Tática do Assédio: cercar e esperar. O povo nativo não tinha o hábito de estocar mantimentos, eles mal podiam compreender a acumulação de bens e portanto não estavam preparados para a carestia repentina. Resistir a um cerco não era tarefa das mais fáceis e, realmente, bastaram 10 dias para que a falta de água e víveres os deixasse dispostos a buscar uma surtida desesperada para vazar o cerco.

Ao redor da aldeia, Salema ordenou a construção de posições defensivas que se aproveitavam de uma elevação da qual podiam vigiar todo vale. Salema dispôs os homens e os instruiu a disparar contra qualquer um que tentasse deixar a aldeia, homens, mulheres ou crianças. Embora as armas não tivessem precisão, os portugueses conseguiam sucesso em disparos através da paliçada alvejando quem estivesse dentro da aldeia. Eventualmente, um grande grupo de guerreiros tentou romper o cerco, mas foi forçado a retroceder pelos artilheiros ocupando posições estratégicas.

Desconfiado de que os nativos estavam perto da rendição, Salema enviou o jesuíta Baltazar Álvares para negociar seus termos. Graças à boa fama de que a Companhia de Jesus gozava, Álvares foi recebido levando alimentos e água para os que estavam confinados. Inicialmente os portugueses exigiram a entrega do inglês e dos franceses ali refugiados em troca de víveres e do salvo conduto para a saída de mulheres e crianças. O chefe da aldeia, um velho chamado Japuguaçu concordou. Um Pajé acusou Japuguaçu de covardia, ressentido o chefe mandou o sacerdote junto com os brancos e este acabou enforcado.

Em seguida, Salema ordenou que parte da cerca fosse derrubada e uma vez mais foi atendido pelos nativos. Ato contínuo, os lusitanos exigiram que lhes fossem entregues 500 índios rebeldes que haviam vindo reforçar as defesas da aldeia e que não estavam dispostos a se entregar. Japuguaçu, em sua ânsia de evitar a batalha, ordenou que se renderem aos brancos, que os aprisionadas imediatamente. Em seguida os homens foram escoltados para a mata para uma posição onde seriam mantidos prisioneiros. Lá, segundo alguns relatos alguns tentaram reagir e tomar as armas dos que os mantinham cativos. A reação foi imediata e o resultado uma matança. Não há informações claras, mas os registros dos próprios portugueses atestam que os quinhentos foram mortos a golpes de porrete ou faca. Os corpos deixados para apodrecer no coração da selva.


Alheio à tudo e acreditando que estava negociando uma saída pacífica satisfazendo as exigências dos invasores, Japuguaçu finalmente requisitou que os portugueses deixassem a região.

Antônio Salema, tinha fama de odiar os nativos, um ressentimento surgido no campo de batalha e fomentado pela morte de amigos e comandados em outras incursões. A guerra o havia endurecido com o tornando um soldado calejado, disposto a usar os meios necessários pra derrotar seus oponentes  Conta-se que uma de suas táticas para derrotar os Tamoios que habitavam as Terras da Lagoa de Sacopenapan (atual Rodrigo de Freitas) foi espalhar propositalmente varíola entre os nativos que não possuíam imunidade a essa doença. Ao negociar com Japuguaçu, Salema concordou em conceder a ele e seus parentes salvo conduto, mas avisou que o restante da aldeia não teria o mesmo tratamento. Aos demais, restaria a escravidão. Se ele não achasse os termos razoáveis, poderia voltar para seu reduto e lutar.

Já cercado por todos os lados, com parte da fortificação voluntariamente arrasada, o chefe entregou sua gente aos invasores. Os portugueses entraram na aldeia, em 27 de setembro e após identificar os guerreiros remanescentes que permaneciam lá, mandaram enforca-los. Mulheres, velhos e crianças foram feitos prisioneiros e obrigados a marchar até onde ocorrera o massacre dos guerreiros dias antes. A visão daquela clareira maldita: repleta de corpos empilhados, mutilados e cobertos de moscas foi demais para muitos deles.  Algumas fontes dão conta que muitos se renderam a loucura arranhando os próprios olhos, lançando-se nos rios ou consumindo veneno mortal.

Conquistado o principal bastião dos nativos, a expedição começou a planejar como se daria o avanço pelos Sertões que se abriam mais adiante. Era uma terra pouco conhecida e um território traiçoeiro, enveredar através dele seria um grande risco. Alguns prisioneiros foram convencidos a fornecer a localização de aldeias e ajuntamentos na área, bem como a posição da Maison Pierre.

A Marcha prosseguiu sangrenta por caminhos abertos no terreno agreste. A expedição foi recebida por emboscadas que já os esperavam em vários pontos: setas voavam dos arbustos baixos e do alto das árvores, mas tendo perdido boa parte de seus guerreiros os nativos não tinham homens para fazer frente aos experientes soldados no combate corpo a corpo. Atacavam e fugiam, mesmo assim, alguns franceses, assomando aos Tamoios, tiveram êxito em derrotar uma coluna lusitana. Para intimidar os invasores deixaram uma trilha de sangue levando a uma clareira com corpos degolados e amarrados de ponta cabeça. A visão deveria apavorar os invasores, entretanto, serviu para impelir os homens de Salema.


O forte francês foi arrasado pelo fogo de canhões. Os defensores lutaram até o último homem, mas não conseguiram fazer frente ao armamento poderoso dos invasores. Parte da alvenaria do Forte foi desmantelada e utilizada na construção do Forte de Santo Inácio do Cabo Frio erguido em 1615. Dizem que os ossos dos defensores foi misturado ao cimento e argamassa e por isso o lugar seria assombrado.

Cálculos da época, feitos pelos portugueses dão conta de que teriam morrido mais de 5.000 indígenas e outros tantos foram escravizados na fase final da Batalha de Cabo Frio. Os números jamais foram corroborados, mas é fato que as Terras ficaram desertas após o conflito. Os nativos que sobreviveram não desejavam mais viver naquele lugar onde tantos haviam perdido suas vidas. Os Sertões foram então reivindicados pelos jesuítas que montaram lá um mosteiro.

A região ficaria tão abandonada que Tribos de Goitacazes teriam empreendido uma tímida ocupação, aventurando-se em expedições de caça e pesca. A ameaça dos corsários franceses foi afastada de vez quando os portugueses instalaram na embocadura do canal que levava à Lagoa de Araruama o Forte de Santo Inácio do qual podiam manter uma vigília estratégica. Porém a insatisfação com sua localização, pouco depois, motivou a construção do Forte de São Mateus. De pé até hoje a construção é uma das atrações turísticas do Balneário da Região dos Lagos.


A Batalha de Cabo Frio figura como um dos mais dramáticos enfrentamentos do período do Brasil Colônia.

Tão aterrorizante foi o resultado do conflito que sobreviventes dispersaram-se a tal ponto que, menos de 100 anos depois, foram encontrados descendentes dos Tamoios da região em plena Amazônia, juntamente com outros nativos da terra, os Tupinambás, fugitivos de campanha similar na Capitania da Bahia. O temor os impeliu cada vez mais para o interior em uma desabalada fuga.