segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Transmissões Misteriosas - UVB-76 a rádio mais misteriosa do mundo


O estranho som foi ouvido pela última vez em 24 de janeiro de 2013.

Uma legião de fãs e entusiastas de rádio amador conseguiram ajustar seus aparelhos e captar a transmissão. Quando os ruídos começaram a ser ouvidos eles sabiam que algo grande estava para acontecer. De repente, entre o som de um alarme ou sirene uma voz monocórdia foi ouvida:  

"OBYaVLENIYA KOMANDA 135"

Mais uma vez, ao longo de seus quase quarenta anos de existência, o misterioso sinal de rádio estava emitindo algo além do som de sirene. A UVB-76, uma suposta rádio dos tempos da União Soviética, havia lançado uma ordem: 

"Iniciando o Comando 135"

O sinal de rádio que ocupa a frequência 4625 kHz está ativamente transmitindo desde meados de 1970. A transmissão gravada mais antiga data de 1982. Desde então, operadores de rádios de ondas curtas que descobriram o sinal, tem visitado a frequência para ouvir o som de sirene na expectativa de captar alguma de suas raras interrupções. De tempos em tempos, geralmente após anos de silêncio, o ruído para e uma voz em russo repete uma série de nomes e números sem aparente sentido.

Uma típica mensagem foi transmitida nas primeiras horas do Natal de 1997:

"Ya UVB-76, Ya UVB-76. 180 08 BROMAL 74 27 99 14. Boris, Roman, Olga, Mikhail, Anna, Larisa. 7 4 2 7 9 9 1 4"

Ao invés de ser desligada com a queda do comunismo, a UVB-76 se tornou ainda mais ativa. Como se alguém estivesse desesperadamente tentando manter suas ordens. Desde a virada do milênio, enigmáticas mensagens de voz se tornaram cada vez mais frequentes. Mas o que justificaria o uso continuado dessa transmissão? Um serviço arcaico e extremamente caro, que já foi abandonado pela maioria das nações.


É fácil desconsiderar os sinais como gravações em um looping permanente. Mas os ouvintes mais atentos perceberam que a UVB-76 não repete suas mensagens. As mensagens parecem ser geradas manualmente. Os sons de microfonia, ecos e batidas parecem ser produzidos por uma pessoa lendo as mensagens próximo demais de um microfone, dando a impressão fantasmagórica de que o locutor, seja ele quem for, está transmitindo do fundo de uma caverna. A voz é monocórdia, quase destituída de emoção, mas há sem dúvida uma variação em seu tom, algo que evidencia não se tratar de uma gravação recorrente. Para todos os efeitos, trata-se de uma pessoa. Mas quem é e onde ela estaria? Mais importante, por que ele estaria realizando essas transmissões e qual o seu significado? 

Algumas pessoas supõem que a UVB-76 poderia ser uma estação perdida em algum lugar inóspito, numa ilha ou no coração de algum deserto isolado de onde seus ocupantes continuariam cumprindo a mesma missão. De tempos em tempos, eles transmitiriam algum sinal codificado cujo propósito se perdeu há anos. Seriam fiéis agentes comunistas que ignoram o fim do Império Soviético? Ou eles ainda estariam ativos, fazendo contato com operadores ocultos agindo nas sombras? 

A moderna popularização da UVB-76 pode ser medida através da quantidade de mensagens e rumores em fóruns de discussão devotadas a temas como atividade paranormal, conspirações e mistérios inexplicáveis. O tema, UVB-76 fascina os investigadores enigmas modernos e faz com que uma legião de pessoas busque explicações para um mistério que perdura há décadas.

Discussões online a respeito do sinal de rádio aumentaram muito em 2010, quando transmissões bizarras foram feitas quase que mensalmente, algo até então sem precedente. Trechos do Lago dos Cisnes foram executados, uma voz feminina surgiu repentinamente contando de nove a zero, um sinal de interrogação foi transmitido em código morse e estranhas conversas telefônicas puderam ser ouvidas no fundo. A rádios estava mais ativa do que nunca, e cada pequeno trecho atraía a atenção e inflamava a curiosidade dos ouvintes.

Então, em outubro de 2010, a estação mudou sua localização no espectro de frequência. A atividade das transmissões e mensagens de voz aumentou e pareciam ter recebido um novo ânimo, nunca antes visto. Algo estava acontecendo na estação, como se a mudança para a nova designação MDZhB, simbolizasse a necessidade de transmissões frequentes - estariam avisando seus ouvintes da mudança realizada? Alguns acreditam que essas transmissões cifradas eram protocolos para assegurar aos ouvintes que eles continuavam sendo a mesma estação, um procedimento usado por espiões na época da Guerra Fria para provar sua autenticidade.


Triangulações feitas por especialistas em ondas curtas, determinaram que a UVB-76 teria se estabelecido nos arredores de Povaroco, uma pequena cidade a 44 quilômetros de Moscou. Logo falaram a respeito da existência de uma antiga Base da Aeronáutica que remontava a URSS, construída nas proximidades.

Dois grupos de exploradores urbanos e seguidores da UVB-76 viajaram para Povaroco em uma tentativa de visitar a base e encontrar a fonte das transmissões. Encontraram a Base aérea completamente abandonada: enormes hangares e depósitos repousavam na escuridão, esqueletos de bombardeiros enferrujavam na pista de pouso e decolagem, alojamentos desertos com janelas quebradas eram tudo o que restava. Havia sinais de incêndio e explosão em alguns lugares.

Enquanto investigavam as instalações, o grupo foi interpelado por um morador da região que lhes contou a respeito de um estranho incidente ocorrido em 2010. Certa noite, uma densa neblina seguida de uma tempestade desceu sobre o posto militar e este foi evacuado às pressas. O homem não soube explicar o que aconteceu, disse apenas que todos os soldados foram retirados das instalações em menos de noventa minutos. A movimentação de caminhões e veículos militares foi frenética. Explosões foram ouvidas à distância nas fazendas vizinhas, como se alguém estivesse detonando cargas de termite e granadas.   

O homem contou que os civis que moravam nos arredores também foram evacuados às pressas. Veículos militares chegaram na madrugada e ordenaram que as famílias residentes entrassem nos caminhões sem fazer perguntas. Eles seguiram para um acampamento improvisado cercado de arame farpado e tiveram de ficar lá por duas semanas. Ninguém explicou o que estava acontecendo e qual era a razão daquele transporte misterioso. Algumas pessoas contaram que os militares realizaram exames físicos nos dias seguintes, exames que incluíram até avaliação de possível contaminação radioativa.  


O morador que preferiu não se identificar, contou que nenhuma autoridade militar deu qualquer satisfação a respeito do ocorrido. Quando os civis foram enfim liberados e puderam retornar às suas casas, encontraram várias delas reviradas. Quanto a base, ninguém mais retornou. Rumores a respeito de vazamento radioativo ou de substâncias biológicas se espalharam, mas ninguém jamais soube ao certo. Os moradores mais temerosos preferiram deixar suas propriedades temendo que algo nocivo pudesse ter sido liberado no ar. Por fim, a testemunha revelou que havia outra instalação militar próxima que também havia sido abandonada mais recentemente. 

O grupo seguiu para o lugar e conseguindo evitar a presença de patrulhas com cães de guarda se aproximaram da instalação. Encontraram prédios militares montados em concreto armado em estado de abandono, equipamento antiquado e o que parecia ser um túnel que levava para um bunker subterrâneo. O único acesso a esse bunker estava bloqueado, alagado por água gelada. Alguns dos membros da expedição chegaram a mergulhar em busca de um corredor, mas não conseguiram achar nenhuma entrada e temeram se afogar na escuridão.

Entretanto, a visita não foi inteiramente uma frustração. Um caderno de anotações foi encontrado em um dos prédios abandonados: uma velha estação de radio-transmissão. Ele continha uma série de mensagens cifradas, nada menos do que sinais enviados pela UVB-76. O sinal etéreo que havia fascinado o mundo por anos finalmente tinha uma evidência física, além da confirmação de que ele se originava de uma Instalação Militar Russa (não apenas isso, uma base dos tempos da União Soviética).

O grupo conseguiu deixar as Instalações, mas tentativas posteriores de invadir o lugar resultaram em captura, apreensão e processos. As forças armadas reforçaram a segurança e o número de soldados que patrulham as bases desativadas. Ninguém mais pode se aproximar delas sem a devida autorização e escolta militar. 

O mistério continua até hoje. Vozes esporádicas quebram o som do alarme. Ouvintes continuam sintonizando o sinal, ouvindo os ruídos e aguardando qualquer sinal de vida. É possível baixar no link a seguir a faixa que permite ouvir a UVB-76 no iTunes.


Além do enorme interesse em estudar e compreender a transmissão da UVB-76, várias outras triangulações foram realizadas o que levou a uma nova e surpreendente descoberta. Diferente do que acontecia antes, o sinal da UVB-76 agora está sendo retransmitido por múltiplas estações em uma tentativa clara de ocultar sua origem. Ainda assim, especialistas na análise de transmissões de rádio determinaram que há três possíveis localizações de origem:

- A pequena vila de Kirsino que tem uma população de 39 habitantes. 

- Uma pequena cidade chamada Pskov Oblast, na fronteira com a Estonia.

- Um vilarejo chamado Odorinka na Sibéria.

Os três lugares tem em comum o fato de serem extremamente isolados e próximos de bases militares em atividade.

Uma nova teoria tem sido motivo de muita discussão e debate entre os seguidores da UVB-76. O sinal poderia ter relação com o Governo Russo, sendo emitido pelo canal estatal Voz da Russia. Um dos lugares que apareceram na triangulação é bem próximo de um sistema de antes de transmissão no sudoeste de Kolpino, usado pelo governo para transmitir o sinal da rádio oficial do governo. Alguns chamaram a atenção para o fato de que a única música executada pela UVB-76, a Dança do Pequeno Cisne, um trecho do Lago dos Cisnes é a vinheta de abertura das operações da Voz da Rússia. 


Enquanto os seguidores tentam determinar o que é verdade e o que é mentira, o propósito da UVB-76 continua gerando controvérsia. Como na maioria dos mistérios, teorias conspiratórias abundam, algumas com mais ou menos credibilidade fala-se de sinais em loop realizados por estações mandando mensagens cifradas, fala-se de uma estação operacional de agentes abandonados e até de um sinal destinado a se comunicar com civilizações no espaço. Alguns comentam que a transmissão seria um tipo de código usado para atravessar dimensões e estabelecer contato com outras realidades e exploradores que lá se perderam. Uma outra teoria, afirma que a UVB-72 é uma Estação Fantasma, e insiste que ela estabeleceu contato com o mundo espiritual. 

A coisa mais próxima de uma explicação oficial a respeito do propósito da transmissão veio de um trabalho acadêmico publicado pelo Observatório Geofísico de Borok. Esta organização financiada pelo governo russo que descreve a si mesma como "uma instituição federal científica" explica que o sinal se origina de um observatório usando a frequência 4625 kHz que mede as mudanças na ionosfera. 

Isso não explica a existência do bunker militar e das mensagens de voz. A monografia também não detalha se a pesquisa ainda está ativa ou seus resultados. Para especialistas, um sinal na frequência 4625 kHz poderia registrar alterações quando usado para medir a ionosfera, e que não seria o melhor método para efetuar tais leituras.

Uma das teorias favoritas dos teóricos da conspiração a respeito da UVB-76 supõe que as transmissões seriam a versão soviética da "Alavanca da morte" (ou Gatilho do Homem Morto). Através desse macabro mecanismo, no caso de um ataque nuclear surpresa que destruísse o Comando Militar russo, um sistema automático seria responsável por implementar um contra-ataque contra o oponente. Mesmo que a Rússia não tenha um sistema semelhante, é divertido imaginar que um humilde zumbido transmitido por ondas curtas são a única coisa que impede uma resposta nuclear e o apocalipse.   

A explicação mais aceitável para o propósito da UVB-76 é que se trata de um sistema de comunicação militar operando na Rússia Ocidental. As mensagens codificadas são anúncios aos vários distritos militares, com ordens simples que envolvem deslocamento de unidades e alocação de recursos. Os ruídos nesse caso seriam marcas de reconhecimento para desencorajar outras pessoas de utilizar a mesma frequência.

Uma imagem postada na Wikipedia Russa parece confirmar a teoria da comunicação militar. Uma fotografia de uma estação de rádio militar russa mostra uma série de estações de transmissão entre as quais uma com o código UVB-76. Já que ela figura dessa maneira tão clara, parece aceitável que não se trata de algo secreto, muito menos uma "Alavanca da Morte".


Há décadas, a internet está ouvindo a comunicação da UVB-76, imaginando o que pode ser e se alguém além dos curiosos estão escutando. Mesmo que o mistério da transmissão fantasma um dia seja esclarecido, e se prove que não é nada sinistro ou conspiratório, com certeza muitos continuarão defendendo que há algo mais oculto. Milhares de pessoas mundo afora ainda sintonizam na frequência, esperando ansiosamente captar alguma voz ou mensagem.

Para estes, o que vale é ouvir pacientemente.

Acreditando ou não nas teorias, não há como negar o arrepio que surge quando ouvimos uma das mensagens distorcidas da UVB-76.

Quer ouvir com o que parece a UVB-76? Então assista os vídeos:


E aqui algumas gravações que surgiam durante a transmissão, as imagens são da Base Russa em Povaroco.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

O Exorcista está morto - Padre Amorth e sua luta contra o Mal


"Eu, medo de Satanás?
Não me faça rir!
É ele que deve ter medo de mim.".


Padre Gabriele Amorth

O mais conhecido Exorcista do mundo, responsável pela frase acima, está morto!

Se algo estranho estivesse acontecendo em uma casa na sua vizinhança, se alguma criança repentinamente começasse a falar uma língua morta ou se coisas voassem pelo ar, quem você chamaria? Mais de 70 mil pessoas, entre parentes e amigos preocupados chamaram nos últimos 50 anos o Padre Gabriele Amorth, Exorcista Chefe da Diocese de Roma, fundador e presidente da Associação Internacional dos Exorcistas.

Padre Amorth sempre foi uma pessoa polêmica.

Nascido em Modena em 1925, antes de se sagrar sacerdote, ele foi membro da Ação Católica e combatente dos Partisan durante a Segunda Guerra Mundial. Recebeu uma comenda por bravura depois de empreender um arriscado resgate de feridos no campo de batalha. Teria levantado uma bíblia e conseguido um cessar fogo com os alemães para que feridos fossem removidos, garantindo assim a sobrevivência deles. Licenciado em Direito, foi membro da Sociedade de São Paulo e ordenado monge em 1954.

Após escrever vários trabalhos a respeito de exorcismo e da Natureza do Mal, Padre Amorth foi nomeado Secretário da Diocese de Roma e responsável pela pesquisa e análise de casos supostamente envolvendo possessão demoníaca. Entre 1955 e 1961, ele esteve na África estudando casos de feitiçaria e possessão, além de aprendendo técnicas de exorcismo. Segundo rumores, nesse período ele presenciou mais de uma centena de rituais de exorcismo, tomando parte em vários deles.

Chamado de volta à Itália, Padre Amorth realizou palestras e seminários a respeito de suas técnicas de Exorcismo e Purificação Divina. Em um de seus livros, ele afirmou que viajava regularmente através da Europa, à serviço do Vaticano, verificando casos de Possessão. Pelas suas contas, ele deve ter testemunhado e realizado mais de 300 exorcismos.


Padre Amorth amava o filme "O Exorcista" (a produção original de 1973) que ele afirmava ser um retrato fiel (ainda que exagerado) da batalha espiritual entre o Exorcista e o Demônio que habita o corpo da pessoa afligida. Um de seus livros mais conhecidos e polêmicos "Revelações de um Exorcista" se dedicava a descrever três experiências do sacerdote, na África, na Itália e nos Países Baixos. Nessas ocasiões ele teria pessoalmente removido demônios, espíritos malignos e entidades de pessoas que manifestavam sinais claros de possessão.

O religioso foi consultor técnico para filmes de sucesso como "A Profecia", as sequências de "O Exorcista" e "O Ritual", ele jamais se negou a falar abertamente de sua carreira como "Caçador de Demônios" título que usava com orgulho.

"Falar abertamente dessas coisas, remove poder do Demônio! Tira dele a vantagem de nos chocar e nos aterrorizar com seu espetáculo maligno", dizia, e salientava que as pessoas deveriam se conscientizar de que o mal está sempre em ação, ele nunca descansa, se uma porta for aberta para essas entidades elas irão se aproveitar da oportunidade. "Quanto mais a pessoa se nega a ver essas coisas, maior o dano causado. Filmes tem o poder de mostrar o que nós fazemos, qual o papel de um Exorcista".

Padre Amorth acreditava que demônios podiam usar pessoas influentes e aproveitar de indivíduos com grande poder e influência para causar destruição. Em um de seus trabalhos mais controversos, ele supunha que todo Alto Comando Nazista estava, durante a Segunda Guerra, possuído por demônios.

"Se você pensar em tudo que Hitler, Stalin e outros foram capazes de fazer durante a Guerra... da quantidade de pessoas que eles seduziram e manipularam. Eu afirmo que eles tinham algum tipo de proteção demoníaca e mais, é provável que eles próprios fossem possuídos por demônios". 


De acordo com o Padre Amorth em outro de seus livros intitulado "Memórias de um Exorcista - Minha Luta contra o Demônio" o Vaticano tinha plena ciência da possessão demoníaca existente sobre Hitler. Ele aponta para documentos secretos nos quais o Papa Pio XII teria concordado com a realização de um Exorcismo à distância visando remover a influência maligna sobre Adolf Hitler. A cerimônia teria acontecido em 1944, em Roma, envolvendo importantes chefes religiosos convencidos que o Füeher estava tomado por um Poderoso Demônio devotado a levar a humanidade à beira da extinção.

Além de Hitler e Stalin, Padre Amorth afirmava categoricamente que várias pessoas, sobretudo chefes de estado como Muamar Kadafi e Sadan Hussein e assassinos em série, como Charles Manson, agiam sob os auspícios demoníacos, cumprindo interesses de entidades diabólicas. 

"Um demônio pode até corromper uma pessoa comum, um pobre coitado, mas é claro, eles preferem corromper pessoas influentes e poderosas, aqueles que tem grande potencial para desencadear o mal em grande escala".

A luta entre o Demônio e a Santa Sé chegou ao ápice quando o Turco Ali Agca tentou assassinar o Papa João Paulo II, que havia reconhecido o papel dos Exorcistas. Segundo o Padre, o demônio tentou ativamente eliminar um Papa disposto a enfrentar casos de possessão. Agca estava possuído e por pouco não conseguiu eliminar o Pontífice Máximo.

Em 2010 ele deu entrevistas dizendo que mesmo dentro do Vaticano haviam Padres e Cardeais disfarçados que na verdade eram membros de "Seitas Satânicas" que ele chamava de "Lobos em Pele de Cordeiro". Revelava também que o número de exorcismos havia aumentado nos últimos anos, sinal de que o demônio estava mais ativo do que nunca - o Padre contabilizou mais de 200 casos de possessão que haviam ocorrido nos Estados Unidos.

Sua busca implacável por sinais demoníacos fez com que ele declarasse que o cinema e a literatura estavam se deixando contaminar por elementos satânicos. Padre Amorth era um crítico contumaz da série de livros e filmes Harry Potter. Na sua opinião, o personagem servia ao propósito de popularizar a feitiçaria e fazer com que uma nova geração visse a feitiçaria como algo benigno. "Vejo a assinatura do demônio em todos esses livros, filmes e propagandas de Harry Potter".


Em 2015, em uma entrevista para a RAI foi a vez dele dizer que o maior risco para a humanidade era o ISIS, segundo ele, controlada secretamente por Satanistas interessados em disseminar a mácula do demônio na Terra.

"ISIS é Satã!" disse em sua última entrevista oficial em 2015.

Padre Amorth morreu dia 16 de setembro, em Roma, aos 91 anos. 

Sua saúde havia se deteriorado muito nos últimos meses em decorrência de problemas pulmonares, mesmo assim ele continuava trabalhando como Presidente de sua Associação, ainda que licenciado.

Para os que diziam não acreditar em Possessão, demônios ou exorcismos, ele tinha uma mensagem clara:

"O demônio conta com sua descrença! Mas quando acontece com você, ou com alguém próximo, bem, a maioria das pessoas muda de opinião. É claro, existem aqueles que sofrem de doenças mentais e precisam de um psiquiatra e não de um exorcista. Mas você se surpreenderia ao saber quantos casos são fruto do sobrenatural e não de insanidade."

Só o tempo dirá se nós estamos mais enfraquecidos agora que o mais famoso Exorcista do mundo deixou seu posto. 

A Guerra, é claro, continua.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Famintos - As Macabras Lendas de Canibalismo na Escócia


Entre os temas mais recorrentes na ficção de horror, narrativas que envolvem a ideia de canibalismo tem um lugar de destaque entre as mais aterrorizantes. A despeito da carnificina, do tabu, da reprovação que o ato em si encerra, o tema tende a ser tratado com um misto de repulsa e fascínio. Quando se fala de canibalismo, uma figura que se tornou pop nas últimas décadas vem à mente, a do genial médico Hannibal Lecter, personagem de vários romances de Thomas Harris. Lecter, ainda que seja um serial killer monstruoso consegue atrair a atenção a tal ponto que muitos acabam torcendo por ele.

No horror moderno persiste a premissa de que o canibal age a despeito da necessidade, ele mata e se alimenta de suas vítimas movido pela sua mente degenerada, pela loucura, pelo desejo proibido de satisfazer uma sede nada metafórica de sangue. 

Embora Lecter permaneça como o mais popular canibal do cinema e literatura, outros estão presentes no gênero em várias formas. Um dos maiores nomes entre os aficionados pelo horror é o recentemente falecido diretor Wes Craven, que trabalhou o conceito de uma família de canibais vivendo no deserto de Nevada. O filme era "Quadrilha de Sádicos" (The Hills Have Eyes de 1977). Nele uma família em viagem é cercada e atormentada por canibais implacáveis que atacam todos aqueles que passam pelo seu território. 

O que poucas pessoas sabem é que a premissa de Quadrilha de Sádicos, a de canibais vivendo em túneis subterrâneos, ideia que é repetida em "Mortos de Fome" (Ravenous - 1998) e "Abismo do Medo" (The Descent - 2005) é baseada em uma lenda muito antiga. Trata-se de um dos mitos mais antigos sobre o canibalismo, devidamente entranhado no folclore das Ilhas Britânicas.

Ao sul da pequena cidade de Giran, na Escócia, fala-se de um curioso surto de desaparecimentos que teve início nos primeiros meses de 1500. Aldeões lá, assim como em localidades próximas como Ballantrae, começaram a perceber que pessoas sumiam na calada da noite. Amigos, vizinhos, familiares... Todos pareciam conhecer alguém que simplesmente havia sumido sem deixar vestígio. Grupos se reuniam para procurar aqueles que sumiam, mas as buscas não resultavam em nada. Sendo uma região escura e isolada, com profundas ravinas e grutas inexploradas, muitos culpavam a geografia pelos acontecimentos. No entanto, era difícil conceber que mesmo em um lugar tão ermo tantas pessoas poderiam desaparecer da face da terra sem deixar qualquer pista.

Durante uma busca, um grupo encontrou a abertura para uma caverna subterrânea que à noite era encoberta pela maré. O lugar chamado Bannane Head, era tido como assombrado, embora muitos presumissem que os incômodos ruídos, semelhantes a murmúrios e gemidos eram causados pela água invadindo as cavernas mais fundas. Com certeza, ninguém poderia viver naquele lugar, quanto mais um ser humano. Ainda assim, parecia haver algo errado naquela caverna, algo que causava arrepios e fazia as pessoas olhar com uma expressão de medo para aquela escuridão profunda.


Algum tempo depois, um grupo de pessoas que retornavam de um festival após o anoitecer se depararam com uma horrenda cena em uma trilha rural que levava ao seu povoado: um casal havia acabado de ser atacado, o marido estava morto e a esposa lutava para sobreviver. Os agressores ainda estavam no local: pessoas vestindo trapos, roupas imundas que ocultavam seus corpos cobertos de feridas e pústulas. Carregavam facas que haviam usado para ferir suas vítimas, enquanto outros traziam machadinhas que eram empregadas na horrível tarefa de destrinchar, esquartejar e separar pedaços de carne dos ossos. As testemunhas ficaram apavoradas. Era uma visão absurda que remetia às descrições do próprio inferno.

Quando descobertos, os canibais correram em disparada carregando sacos pingando sangue, contendo grotescos nacos de carne humana recém cortada. Tamanho foi o choque que a maioria se viu incapaz de empreender uma perseguição. Um dos homens, no entanto, foi mais rápido e enquanto os maltrapilhos fugiam, ele conseguiu arremessar uma pedra que acertou um deles em cheio. O sujeito caiu desmaiado com o impacto.

Levado para a aldeia de Giran, o prisioneiro que a princípio não parecia compreender o idioma inglês se mostrou perfeitamente cooperativo tão logo o ameaçaram com ferros quentes e lâminas afiadas. Ele revelou que seu nome era Canen e que fazia parte de um clã que escolheu viver isolado nas cavernas naturais que pontilhavam o litoral. O bando tinha seus próprios costumes, sua própria crença religiosa e seus próprios hábitos que incluíam matar e devorar os cadáveres das pessoas que conseguiam capturar. O clã era composto de uma dúzia de homens, mulheres e crianças que só saíam à noite para caçar. Eram todos parentes de sangue, casavam entre si o que havia gerado gerações de pessoas com deformidades gritantes. Não obstante, tinham seu próprio dialeto e seguiam o mais velho dentre eles. Os canibais haviam se adaptado bem à vida nas cavernas e viam a antropofagia como algo perfeitamente natural. 

Quando perguntado a respeito de seus motivos, Canen simplesmente sorriu e disse que era assim que ele e seus antepassados viviam desde o princípio. A carne dos mais fracos, sustentava os demais. Eles podiam até comer peixe ou a carne de algum animal, quando não encontravam uma "presa humana", mas nada era mais saboroso do que a carne fresca de humanos.     

Canen relatou que se tivesse tempo, ele e seus familiares teriam carregado os dois corpos de suas vítimas e desaparecido com os cadáveres, arrancando o que precisavam dele e lançando os restos em alguma ravina. Já haviam, salientou sem demonstrar qualquer arrependimento, que haviam feito o mesmo inúmeras vezes.   


A notícia do que havia acontecido se espalhou rapidamente por toda região. Canibais, um clã inteiro deles eram os responsáveis pelos trágicos desaparecimentos. Diz a lenda que o Rei Jaime I da Inglaterra se sentiu pessoalmente ultrajado pela notícia e que ordenou que os culpados pelo horror fossem encontrados e eliminados. Um destacamento inteiro foi enviado para a região com ordens de revistar cada caverna, cada despenhadeiro até que o esconderijo dos amaldiçoados canibais fosse encontrado. O prisioneiro, Canen, acabou morrendo poucos dias depois de sua captura, garantindo que o covil dos canibais mudava constantemente e que eles poderiam estar em qualquer lugar.

Dias se passaram e tudo o que o destacamento real encontrou foram os restos de uma dúzia de pessoas desaparecidas nos últimos anos. Muitos dos cadáveres apresentavam claros sinais de terem sido esquartejados e deliberadamente descarnados. O macabro serviço dos canibais açougueiros.

Finalmente, alguém se lembrou da caverna de Bennane Head e suspeitou que o lugar poderia esconder o Clã degenerado. A caverna, acessível apenas por uma acidentada trilha que margeava o rochedo tinha mais de 60 metros de profundidade.  O grupo encontrou logo na boca da caverna rastros e alguns restos de ossos que haviam sido lançados no mar, mas que a maré trouxe de volta. Avançando pelos corredores subterrâneos, dezenas de ossadas humanas começaram a surgir descartadas no chão rochoso.

Eventualmente, o objeto da caçada foi encontrado: nas profundezas da caverna, ficava o covil do Clã Beane, liderado por um repulsivo ancião que um dia atendeu pelo nome de Alexander "Sawney" Beane. Na companhia de seus parentes (a maioria gerado através do incesto), ele havia regredido a um estado semi-primitivo que contemplava o canibalismo como um meio de vida. O chefe foi descrito como um homem já velho, de pele branca macilenta e longos cabelos brancos como giz, com uma expressão selvagem oculta sob o azul pálido dos seus olhos. Ele e os demais vestiam apenas trapos sujos que lhes faziam parecer leprosos, e por isso eram evitados por todos que os encontravam.

Disseram mais tarde que Beane havia sido um marinheiro, um viajante, um soldado e que a loucura era parte de sua herança ancestral. Todos em sua família haviam em algum momento enlouquecido. Ninguém tinha notícia do sujeito há mais de duas décadas, tempo que utilizou para se estabelecer, junto de sua família, nas cavernas.  Beane era um monstro, um tirano que brutalizava os demais e cuja autoridade jamais era contestada. 


Três dos canibais foram mortos com disparos de mosquete ou golpes de espada quando investiram contra os agentes reais. Outros tentaram resistir ao avanço dos soldados, mas quando ficou claro que estavam em minoria e que não havia escapatória, se renderam.    

Diz a lenda que Alexander e os membros do seu clã foram sumariamente executados sem que fossem a julgamento. Um representante da Coroa teria afirmado que as leis permitiam que ele assim procedesse uma vez que o crime cometido podia ser enquadrado como alta traição. A crônica da época é sucinta em descrever como ocorreu a execução, um único documento sobrevivente afirma que a mulher de Beane e suas filhas foram incendiadas como tochas vivas. Piche foi espalhado em seus corpos e em seguido elas foram consumidas por um inferno de chamas. Os homens Beane foram decapitados depois de serem envenenados. Os corpos então passaram por um cuidadoso esquartejamento, sendo a seguir atirados no mar. 

A cabeça de Alexander Beane foi colocada em um barril de carvalho e enviada para Londres. Preservada com dentes de alho em sua boca e uma solução de cânfora, ela chegou em perfeito estado até Jaime I. Dizem que quando se deparou com o troféu arrancado do canibal, o Rei por pouco não desmaiou. Alguns acreditam no rumor de que a boca de Beane se moveu minimamente em um sinistro sorriso enquanto o monarca o estudava. Verdade ou mentira, o Rei ordenou que a cabeça fosse destruída ao invés de enviá-la para a apreciação pública na ponta de uma lança.     

Historiadores e folcloristas nos dias atuais enxergam elementos similares entre as lendas sobre o Clã Beane e um açougueiro chamado Andrew Christie que viveu alguns anos antes. Esta história, datando de meados de 1300, ocorreu durante os anos da Grande carestia de 1350-56. Christie era o líder de um bando de catadores e carniceiros que viviam na região das Montanhas Grampian. Em dado momento, a falta de alimentos os forçou ao canibalismo, consumindo aldeões para sobreviver.

Um trecho presente num livro escocês de Provérbios do século XVII, menciona a lenda de Christie da seguinte forma:

"Diziam que o monstro Christie aguardava pela passagem de pessoas, em estradas isoladas. Ele e seu bando de desesperados derrubavam homens e mulheres, não se importavam com que quer que fosse, todos podiam ser vítimas. Os corpos eram arrastados para lugares ermos onde eram destrinchados para o preparo de cozidos que os alimentassem. Dizem que Christie morreu muitos anos mais tarde, como um homem casado e próspero mercador em Dumfries. Por séculos, a mera menção de Christie era o suficiente para silenciar a mais barulhenta criança".


Pouco mais se sabe a respeito das lendas de canibalismo na Escócia, mas é provável que em períodos históricos de fome, indivíduos desesperados tenham se entregue a tais práticas, consideradas odiosas pela maioria das civilizações humanas. Durante a Grande Fome que varreu a Irlanda no século XVIII, casos isolados de canibalismo foram relatados, o mesmo tendo ocorrido na Ucrânia durante o horrível Holodomor promovido pelos Soviéticos no século XX. Mas diferente dos pobres infelizes nesses tristes casos historicamente comprovados, os Beane e Christie pareciam se deliciar com carne humana, nem um pouco constrangidos de ingressar nessa prática medonha.

Mas até que ponto as lendas de canibais contadas na Escócia há séculos são verdadeiras? 

Embora centenas de pessoas tenham sido supostamente vítimas do Clã Beane, existem poucas informações e documentação corroborando os acontecimentos. Por um lado, não é estranho haver poucos registros do ocorrido, afinal o incidente envolvendo os Beane ocorreu no início do século XVI. Mesmo assim, deveria haver menções sobre as mortes em algum registro civil, não há, contudo, praticamente nada. O que se sabe e presume-se como verdadeiro sobre o incidente vem de rumores e da tradição oral responsável por disseminar a narrativa com pequenas variações.

No caso das histórias não serem inteiramente verdadeiras, existe a possibilidade de que as macabras lendas de canibais tenham sido construídas sobre tradições culturais e narrativas colhidas de diferentes fontes sobre esses tempos difíceis. Nesse contexto podem ter ocorrido apenas casos isolados de canibalismo. Mas como saber ao certo?

A despeito da origem e veracidade dos incidentes Beane e Christie, tais histórias serviram para alimentar lendas que inspiraram filmes como "Quadrilha de Sádicos" séculos mais tarde. Talvez o terror a respeito de canibais tenha sido inclusive difundido por essas lendas em especial que ganharam notoriedade a partir do século XVIII sendo incluídas em vários compêndios a respeito do folclore das highlands.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Algo Lovecraftiano em Oklahoma, EUA - Um Monumento dedicado a Azathoth

Resultado de imagem para Azathoth lawn of a Paseo Grill in Oklahoma City

A respeito da postagem sobre Azathoth, aqui está uma postagem que demonstra a importância desse Deus Exterior na Cultura Geral (e como temos todo tipo de maluco nesse mundo!)

Em 2012 um estranho bloco de concreto foi deixado em uma área movimentada da cidade de Oklahoma, nos Estados Unidos. O bloco consagrava o local em nome de Azathoth.

Essa é a reportagem da época, publicada na página do IO9:  

Cara Cidade de Oklahoma, 

É possível que entre vocês exista um Culto extremamente perigoso, ou alguém por aí tem um senso de humor bastante peculiar. De qualquer forma, se vocês não tiverem preparado as suas almas para serem devoradas por um horror Lovecraftiano de além das esferas do tempo e espaço, talvez seja melhor evitar o Restaurante Paseo Grill

O restaurante, bastante tradicional na cidade, descobriu um bloco de concreto de um metro e cinquenta de altura em frente ao seu acesso nesse começo de semana. O grande bloco possui uma placa de bronze com a seguinte inscrição:

 “No ano de nosso Senhor de 2012, Creer Pipi tomou essa terra em nome de Azathoth.”

O New York Daily News descreve Azathoth da seguinte forma: "Azathoth é uma criatura fictícia, mencionada pelo escritos de ficção científica H.P. Lovecraft em suas estórias. Dotado de um poder primordial ele é visto como um Deus do Caos.

Uma vez que o restaurante está localizado no histórico Paseo Arts District, as autoridades julgam que o bloco é obra de um artista ou estudante de arte local que deixou a obra como um tipo de brincadeira. Uma brincadeira que nem mesmo três homens fortes foram capazes de mover um mísero centímetro. 

Até o presente momento, foi descartada a possibilidade de se tratar de um aviso dado por um Culto determinado a despertar horrores cósmicos que se encontram hibernando no centro do universo.

O tempo dirá quem tem razão a respeito...

Posteriormente, foi descoberto quem eram os responsáveis pela obra e jornalistas entrevistaram os dois.


Eric Piper e J. David Osbourne não são cultistas (ao menos dizem não ser), mas foram eles os responsáveis por construir um monumento de concreto pesando 180 quilos, dedicado ao terrível Deus Lovecraftiano, Azathoth. Foram eles quem transportaram a curiosa homenagem ao pátio do Restaurante Paseo Grill na Cidade de Oklahoma duas semanas atrás. Curiosos para saber se é algum tipo de projeto artístico ou um sinal do Fim dos Tempos no qual a humanidade será consumida pela loucura, nós decidimos buscar as respostas diretamente da fonte, entrevistando Piper e Osbourne em pessoa. 

Foram vocês os responsáveis pelo bloco de concreto deixado no Paseo Grill?

J. David Osbourne: Você nos pegou!

Eric Piper: Espero que não tenha vindo nos prender, mas sim, fomos nós.

Fiquem tranqiolos, mas que tal dizer quem diabos são vocês? 

David: Eu sou escritor profissional, escrevi "By the Time We Leave Here We'll Be Friends", "Low Down Death Right Easy", e "God$ Fare No Better". Eu gosto de escrever ficção científica, sobre parasitas alienígenas se agarrando ao pescoço das pessoas e horríveis monstros espaciais que podem engolir pessoas. Eu também sou o editor da Broken River Books. 

Vocês são fãs de Lovecraft?

David: Não há nada mais assustador do que grandes monstros gosmentos que não se importam com a humanidade. Além disso, eu realmente tenho medo de tentáculos. Há muitas estórias a serem contadas a respeito dos Mitos de Cthulhu: Cody Goodfellow, Laird Barron, Thomas Ligotti, esses caras elevaram a mitologia a um novo nível. Lovecraft é um gênio, e tem seguidores à altura de sua obra.


Por que, em nome dos Antigos vocês fizeram isso?

Eric: Trata-se de um aviso! Nós estamos devolvendo aos Deuses Ancestrais aquilo que é Deles de direito. E Azathoth é o mais Poderoso!

David: Nós tomamos aquele trecho de terra em nome de Azathoth. Ele é o senhor de direito de tudo que existe no universo, então a gente nem precisava ter se preocupado... mesmo assim, achamos que era preciso lembrar as pessoas de quem é o verdadeiro dono de tudo. As pessoas fincam bandeiras e flexionam seus músculos e demandam a posse das coisas. Não é bem assim! Nada é nosso!

Por que vocês escolheram Azathoth e não algum outro dos Deuses Antigos? Cthulhu por exemplo, é bem mais popular!

Eric: Azathoth é o maior dos Deuses. Ele é um Deus de Caos, isso nos interessava. Cthulhu não é nada perto de Azathoth.

David: O Caos que invocamos ao criar o monumento nos ajuda a ter ideias. Não tenho dúvida nenhuma de que essa obra nos ajudou a desafiar nossos conceitos como artistas. Através dela, as ideias floresceram. Tudo isso é uma marca do Caos de Azathoth.  

Azathoth deu a vocês algum tipo de comentário sobre o que vocês fizeram? Isso significa que vocês serão os últimos a morrer caso ele decida voltar e destruir a humanidade?
Eric: Bem, não tenho ouvido o som de flautas, o que é um bom sinal. Mas sinto que a qualquer momento, meu cérebro pode derreter e escorrer pelas minhas orelhas. Quem sabe... ele é um Deus, ele decide essas coisas. 

David: É realmente muito estranho. Coisas estranhas aconteceram, coisas muito estranhas. Depois de construir e deixar o monolito as coisas começaram a ficar esquisitas ao nosso redor. Um sujeito que eu nunca vi, vestindo uma blusa vermelha me parou na rua para me dizer que ele era a encarnação de Jesus e que eu era o Diabo. Ele disse que eu precisava crucifica-lo novamente. Quando pedi que ele marcasse uma data, ele riu e disse que me procuraria até o Natal. No trabalho, uma mulher virou uma centena de moedas na minha mesa e disse que eu poderia ficar com tudo se concordasse em devolver seu filho. A mesma mulher, uma senhora de idade, foi vista esses dias andando com a camisa por cima da cabeça e o peito nu. Ela andou pelo campus da escola e acenou para os alunos. Eu juro! Coisas estranhas começaram a acontecer depois de deixar o monumento no lugar. Talvez eu não reparasse nessas coisas antes, quem sabe... Um homem de calças laranja veio me procurar no ateliê da Escola de Arte ontem. Ele não disse nada, apenas sentou em uma mesa e assoviou algumas músicas. Depois levantou, sorriu na minha direção e foi embora. Não sei quem era, ou de onde me conhecia. Simplesmente aconteceu! O monumento é a respeito disso: Caos! Não sei se existe uma conexão, mas sem dúvida é estranho! 

Muito bem. Fale um pouco a respeito do monumento?

Eric: Eu acordei um dia, cerca de um ano atrás, e concluí que algo deveria ser feito. Após ter alguns sonhos aterradores me convenci que deveria construir um monumento. E quando terminei, os pesadelos pararam!

David: Os pesadelos eram realmente terríveis. Eu sentei ao lado desse pobre diabo, segurei sua mão enquanto ele sofria. Esperei ao lado dele até que estivesse recuperado. Então, quando ele se sentiu melhor, falou a respeito de seu plano: construir uma pirâmide de concreto dedicada aos Antigos.

Você disse que construiu o monumento de concreto ano passado. Por que demoraram tanto a revelar sua existência?

Eric: Não podemos forçar as coisas. Era preciso esperar o momento certo de revelar sua existência para o mundo.


Como vocês fizeram para mover essa coisa para o local escolhido?
David: Nós usamos uma empilhadeira. Ela estava disponível na escola de arte. Deu um trabalho dos diabos levantar o bloco e colocá-la na van de Eric. Então, dirigimos pela cidade procurando o lugar ideal, sentindo o ambiente. Quando vimos aquele lugar, sabíamos que tinha de ser lá! Nós paramos a van, abrimos as portas e desembarcamos o bloco. Ele ficou perfeito naquele ponto!

Por que vocês escolheram essa localização em especial? 

Eric: Essa área da cidade é especial. Um lugar de artistas, de arte criativa e caótica, infelizmente uma boa parte dessa vizinhança foi estragada. Nós queríamos trazer um pouco de Caos de volta ao ambiente. Que melhor maneira do que invocando o Caos Primordial?

Vocês conhecem o (restaurante) Passeo Grill?

David: Eu nunca comi lá. Nunca tinha ouvido falar dele. Parece um belo lugar para visitar. Eu olhei o cardápio, mas achei os preços um pouco altos. Eu tenho certeza que tudo deve ser delicioso, e aconselho todos a comerem lá.

Vocês conversaram com os proprietários do Paseo Grill desde que deixaram o presente lá? O que eles acharam? 

Eric: Haha, não. Nós não falamos com eles ainda. 

David: Eu espero que eles não nos odeiem. Minha opinião, após ler os artigos e entrevistas feitas com eles, é que os proprietários não ficaram furiosos, apenas acharam tudo muito estranho. Passada a surpresa, talvez eles tenham até aprendido a gostar da peça. Ela não causou nenhum dano. Ela apenas fica ali, atrai os olhares, atrai a atenção e garante alguma publicidade. Além disso, eles estão estabelecidos em uma vizinhança ocupada por artistas. Você precisa amar as artes para se estabelecer nessa vizinhança, sobretudo, por que seus clientes são, na grande maioria, artistas.

Ouvi falar que algumas pessoas queriam comprar a peça. Não sei se é verdade, mas isso é interessante. Gente veio de longe para ver o monumento que nós criamos, dirigiram quilômetros para estar diante dele. Muita gente tirou foto! Uma pessoa se ofereceu para quebrá-lo com uma marreta, mas quem estava ao redor não permitiu. 

Vocês imaginam se eles vão manter o monumento lá?

Eric: Parece que eles já se livraram dele ou ele foi roubado. Não sei ao certo...

David: Parece que eles pagaram alguém para levá-lo embora. O que é uma pena. Como eu disse, eles poderiam ao menos ter vendido para ganhar algum dinheiro. Isso é o que eu faria ao menos. 


E qual o próximo passo? O que pretendem fazer a seguir? 

Eric: Eu estou de mudança, mas pretendo continuar a trabalhar em minhas peças.

David: Continuarei fazendo minhas obras. Eu tenho muitas ideias para minhas estórias.

O que vocês pensam a respeito dessa estória toda?

Eric: Eu gostei de ler a respeito da opinião das pessoas sobre o monumento. Muitas pessoas acharam ele provocativo, um artista gosta de ler esse tipo de comentário.

David: Foi muito divertido. Assistir a matéria no jornal local foi muito legal! Mas depois a coisa toda simplesmente explodiu! Falaram a respeito de aliens, de cultistas, satanistas e até de demônios responsáveis por deixar o monumento no lugar. Tudo isso foi muito divertido. Mas não demorou até descobrirem que fomos nós. Uns caras na Escola de Arte acabaram nos entregando, eles viram que estávamos trabalhando em algo semelhante e juntaram as peças. Eric recebeu vários emails bizarros de fãs de Lovecraft. Tudo muito divertido!

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Azathoth - The Blind Idiotic God of Entropy


In the merciless Universe of the Cthulhu Mythos there are forces and entities capable to unbalance the equilibrium of the cosmic powers to a dangerous level. They are entities so incredibly powerful and so inconceivably influential that a mere movement could annihilate realities, break dimensions, and destroy existence as we know it.

They are beings of so much power and capacity that their existence brings together principles of Nature itself. They are what we have learned to accept as guiding notions of what actually exists - Life, Time, Space, Gravity...

But even above them, above these incomprehensible Entities, there is something else ... there is Azathoth.

To call Azathoth a Outer God is oversimplify the concept.

He is greater than any other Outer Gods, perhaps he is greater than the sum of all the other Gods gathered together.For some philosophers who dare to discuss the role of Azathoth in the cosmic context, he is the Beginning, the Middle, and the End of everything in the Universe. Everything that existed was already part of Azathoth, everything that exists is a fragment of it, everything that will exist will be generated by it. And one day, the Primordial Chaos will consume everything in a conflagration of annihilation that will end up with the Universe as we know it. For Azathoth is the end of all things, just as it was the beginning.

It is not by chance that the Mythos theorists call him, in absolute awe, "The Daemon Sultan", and in striking fear "The Primordial Chaos" . The term Sultan, was probably used for the first time by the celebrated mad Arab Abdul Al Hazred. It comes from his transcendental compendium, the Al Azif, later called the Necronomicom the first mention of It. In his tome, Hazred highlights the preponderance of Azathoth as the Sovereign of All Cosmic Forces. He occupies the Throne, in what is conventionally called the Cosmic Court, a place in the Center of the Universe. Anointed, Glorious and Imposing, the Outer Gods revolves around Azathoth in a kind of planetary orbit. They never get close enough that Ultimate Chaos does not reach them with their tentacles. The touch of Azathoth is the eradication of all that exists, and not even the Gods can afford to approach it. Immaculate in the center of the court, the sultan presides over his infinite host, with his entourage of deities evolving, spinning, approaching and retreating into an endless dance. Yog-Sothoth, Shub-Nigurath, Nyarlathotep and all the other cosmic gods pay homage to him in this Cosmic Ballet. Neither of them equals Azathoth.

A procession of laborious satraps, tentacular batrachian beings known only as Servants of the Outer Gods are the only ones allowed to approach. They carry large metal flutes blown in monotonous notes that make up the Song of the Spheres - the "lullabies" of the Gods. Its monochordic sound can not be recorded by human perception without causing madness and damnation. Maybe it will calm Him down and contain Him. Sound propagates through the Court, even through the space vacuum. Conventional laws of time and space mean nothing there. Nature is just a raw material to be perverted by these beings.

Azathoth rarely abandons his Throne, except on the few occasions when it is invoked by complex rituals that open dimensional portals linking the Center of the Universe to some other point. The temples of the Insects of Shagghai allow such evocation, as well as the rites of some beings prone to venerate the ultimate Entropic Priciple. But even in such a vast universe, there are few species willing to worship this entity. Azathoth is too powerful, too unpredictable... there are rumors that entire planets have been incinerated by his intentional or accidental invocation. In the blink of an eye, whole Planetary Systems were fulminated by the mere presence of Azathoth. 

For this reason, the higher, more enlightened races of the cosmos avoid any contact with the Primordial Chaos, such practice being blasphemous. The Mi-Go, the Great Race, the Elder Things, all know Him and fear, no one feel compelled to venerate it, for nothing good can come from Him. The reason for this widespread fear among the preponderant species, is that Azathoth is unaware of his real power. Not by chance is he called the Blind and Stupid God, since he is unable to interact with anything intelligently. Azathoth is only reaction, there is not even instinct guiding his actions. The notion of a being so powerful, incapable of the most modest thought is terrifyingly frightening, a proof of the indifferent nature of the universe in the face of the forms of life that inhabit it. The cosmic irony that the most powerful entity in the cosmos possesses an empty mind has led more than one civilization to complete ruin through hopelessness.

Unable to do anything on his own, Azathoth uses his entourage of flautists servants for the pedestrial duties and the One who performs both functions of Herald and Messenger, none other than Nyarlathotep, the Crawling Chaos. He who is called the Heart and Soul of the Outer Gods, is charged with performing missions in the name of the Sultan, fulfilling his needs and executing his lesser purposes. It is said that only Nyarlathotep is able to interpret the obtuse wills of Azathoth and act immediately, thus preventing the Demonic Sultan's cholera. If Nyarlathotep did not fulfill this important role, some believe, the universe would have already been annihilated by the maddened agitation of Azathoth displeased at the slightest situation.

Legends say, it was Azathoth who gave birth to the Universe. In his nuclear spasms, he would have been the one who set off the spark of the Beginning of Time, the detonating force that physicists call the Big Bang whose deafening din can be heard to this day. How and why Azathoth would have done this, nobody knows. Thinkers and philosophers relate Myths of some civilizations with the notion that Creation had started with the will of Azathoth. The Greeks and the Norse believed that the universe was created from Primordial Chaos. The Hindus also have an understanding of the role of Azathoth and relate it to Shiva the destroyer. It is paralleled in the Judeo-Christian belief that says that at the beginning there was nothing but the Darkness and that these were banished by the phrase "Let there be light" spoken by God. To Calling Azathoth "God" can be feasible? Many people see the creation as a immense explosion and the brilliance of a purifying light in the beginning of time, and they may well be right.

Some academics drew a connection between Azathoth and the Gnostic God Achamoth, the mother of the Demiurge who spawned the Universe. Similarly, the Egyptian Cult of Aten that reveres the Disc of Light may be a representation of Azathoth. However, worship to the God are practically incipient on Earth and have always been like that. Raging madmen and hermits seem to be the only ones who turn to Azathoth as their redeemer. This is due to the fact that Azathoth does not guarantee any benefit or protection to any cultists. It is a mystery what could led the Insects of Shaggai to praise Him in their pyramidal temples where He takes the form of a bivalve avatar called Xada-Hgla. The rites devoted to Azathoth presided over by the Insects are regarded as abominable.


Some apocryphal texts state that Azathoth was not always a mentally incapable God. He would have lost his consciousness the moment the Universe was born. Contemplating the extent of his Creation, the Primordial Chaos would have been obliterated. This interpretation is found in a few books, but the repercussion of it is terrifying. The texts state that when Azathoth regain a fraction of his consciousness, which can happen at any moment, he will put an end to his creation by throwing it back into a wave of annihilation, sweeping the cosmos from corner to corner. If such thing implicates in the rise a new universe, and what form will have, no one is able to say. Such precept seems to find echo in innumerable metaphysical works that affirm categorically that the End of the Times will be triggered by Azathoth.

During human history it is presumed that Azathoth has been dangerously invoked on some occasions. For some scholars, this invocation would have been the cause of great disasters recorded as mysterious occurrences in our mythical past - the Great Biblical Flood and the destruction of the cities of Sodom and Gomorrah, for example. The Cataclysm that ended the Hyborian Era may also have been caused by the summoning of Azathoth. In recent times the mysterious Tunguska Explosion, which occurred in Russia in 1908 may have been the effect of a brief appearance of Azathoth, although many scientists reckon this destructive event to the impact of an asteroid. Some Seers and Prophets who foretold the destruction of the Earth may have actually had a glimpse of Azathoth.

The emergence of the Outer God, even though for a few seconds, is enough to trigger all kinds of side effects. Large areas are devastated from the epicenter where it touches the ground.

Azathoth represents the embodiment of Entropy and his visit leaves deep scars on nature revolted by his touch. Mountains are cracked and pulverized, earthquakes are felt, rivers change course, entire forests are transformed into clearings with dead branches, shattered and calcined, ponds are reduced to pools of alkaline water.

The Daemon Sultan is related to radioactivity and mere exposure to its dread light is sufficient to cause poisoning in biological tissues, blindness and an endless variety of cancers in living beings. In addition, the heat of Azathoth's body is comparable to a nuclear furnace, capable of melting rocks and turning sand into glass. The nuclear breath radiated by the form of Azathoth ignites and melts everything that comes in contact with it.


It is reasonable to suppose that the mere aparition of Him, for just seconds, represents a concrete threat of ecological annihilation in a considerable area. Prolonged exposure can result in a hecatomb: with the destruction of the Ozone Layer, melting of the ice poles and other planetary consequences. There is a theory that the Asteroid Belt between Mars and Jupiter was formed when Azathoth destroyed the planet that previously existed in this orbit.

When the Primordial Chaos manifests itself through an invocation, it emerges accompanied by a legion of its servants who surround it by playing its music and evolving like a living cloud. Minor Outer Gods can also be dragged through the dimensional portals responsible for the materialization of Azathoth.

The Sultan reacts irritatedly when transported from his Throne in the Center of the Universe. Its size varies at the moment of its arrival, in general it is a few meters in diameter, but every second the mass expands geometrically, being able to reach incredible dimensions in a few instants. With enough time, especially if he is furious, the Sultan can grow without stopping, to the point of swallowing a whole planet and more. It is not known what the rate of progression and the limit of its growth, and even if such limitation applies to an entity like this. In any case, in the opportunities in which it was invoked, it continued to grow until it was dispersed and returned to its original place.


It is not easy to perceive Azathoth amid the conflagration of radiation and heat emanating from his body. Those who try to do so usually die or become permanently blind. Many who have a glimpse of it, mentions the so-called Eye of Azathoth a huge floating disk of white light. This is perhaps their most benign and comparatively less lethal form of God. It is after all just a way for him to observe our reality, without being here in person.

On occasions when the Demon Sultan manifests himself in all his profane glory, the vision is simply indescribable, something that causes madness in the most rational minds. Azathoth is an amorphous entity, a chaotic mass of nuclear fury in eternal fission. It expands immense tentacles made of pulsating plasma and heat that melts and reforms your own body at all times. These pseudopods are always stretching, increasing in size and reach, reached several yards in moments. Their touch is lethal to all that exists in the universe, living beings disintegrate with their atoms dispersed by entropic corrosion. Nothing is safe from them.

The main mass that makes up its "body" has an immaculate white coloration and is in constant transformation, irradiating myriads of light and blinding radiation that ripple like mirages or burst like bubbles. There is no flesh, bones, fluids or matter to focus on, it is just light and nothing more. The inability to conceive the form of Azathoth makes his vision even more shocking. Contemplating it is like contemplating the face of the Sun, of God, of Creation and Destruction. All this in a same way crackling with a vortex of cosmic savagery.

Great in all, imponderable in every detail, there is no way to explain what Azathoth is, no matter how many adjectives are used and how many sentences are uttered. It would be necessary to invent words to describe something like Primordial Chaos. There is nothing remotely similar in human experience to establish a comparative basis.

In the Center of the Universe, impassive, contemplating the cosmic dance of His court, Azathoth waits, and the cosmos holds his breath each time he adjusts.