Press release da Editora Retropunk para o lançamento do Weird War II.
Desde 2012 o sistema Savage Worlds vem fazendo sucesso no Brasil pela Retropunk. O livro básico já teve duas tiragens, lançamos os 4 compêndios (Horror, Fantasia, Superpoderes e Ficção científica), os cenários Deadlands e Accursed (com suplementos), além de várias aventuras em pdf.
Agora temos uma nova meta, que é colocar o Savage Worlds num outro patamar, jamais atendido por qualquer outro sistema de RPG no Brasil, com a entrada de novos e variados cenários, suplementos e aventuras.
A trilha para esse novo patamar começa aqui, com esse Financiamento Coletivo.
Sempre foi nossa intenção trazer cenários que atendessem a demanda de um estilo ou que não haviam no Brasil ou que não fossem tão explorados, por isso os primeiros cenários que trouxemos para cá foram um de faroeste sobrenatural e um de fantasia sombria (que apesar de ter cenários neste estilo no Brasil, este apresenta particularidades que o tornam único).
Vamos manter essa ideia e trazer cenários bem diferenciados, sendo o primeiro deles o Weird Wars II, um cenário, como já devem ter percebido, ambientado na Segunda Guerra Mundial.
A Retropunk está no mercado desde 2010 com o anúncio do Rastro de Cthulhu (que graças a um financiamento coletivo acabou de ganhar uma reimpressão) e de lá para cá já lançou vários jogos, como o próprio Rastro de Cthulhu, Fiasco, Este Corpo Mortal, Savage Worlds, Terra Devastada, entre outros.
Sempre prezando pelo respeito aos nossos consumidores e transparência, nós da Retropunk também tentamos sempre inovar quando trazemos um novo financiamento.
Fomos a primeira editora a liberar o pdf de seu produto durante o financiamento e também a primeira a entregar os produtos bem antes do prazo estabelecido. No financiamento dos Compêndios, os livros, como não se bateu a meta para tal, deveriam ter saído com miolo preto e branco, mas a Retropunk surpreendeu mais uma vez e completou o dinheiro para que saíssem coloridos.
Então, pela primeira vez no Brasil, vamos fazer um Financiamento Coletivo que pode liberar vários cenários diferentes para Savage Worlds!
Além disso, vamos estipular apenas o cenário que vai sair na meta principal e na primeira meta extra, os demais cenários serão escolhidos através de votação por vocês, financiadores. Nossa intenção é que todos saiam, mas a ordem em que eles vão aparecer será escolhida pela maioria.
omo já dito acima, a ideia é liberar vários cenários, então vamos apresentar cada um dos que pretendemos lançar para ajudá-los a decidir a ordem em que vão sair.
Lembrando que os dois primeiros serão fixos, já determinados por nós, os demais serão escolhidos através de enquete.
Weird War II
Teaser do Jogo:
No horror da Guerra, coisas sombrias surgem e a Segunda Guerra Mundial é o maior conflito da história. Os Japoneses espreitam nas selvas do Sudeste Asiático. Batalhas de porta-aviões no Pacífico Sul. Tanques deslizam pelo Norte da África. Aviões duelam sobre a Inglaterra. A blitzkrieg Nazista conquista grande parte da Europa com um genocida maluco no comando.
Prepare-se para lutar com as malignas forças do Eixo e com as terríveis coisas que se erguem com o horror da guerra. Não é apenas guerra é Guerra Estranha!
Weird War II contêm tudo que precisa para conduzir aventuras de horror na Segunda Guerra Mundial com o sistema Savage Worlds: novos poderes, Vantagens, Complicações, armas, veículos para as principais forças, um gerador de aventuras, dezenas de Contos Selvagens, novos monstros e uma Campanha de Pontos Chaves de escala operacional que conecta todos os pontos.
A edição brasileira do Weird War II terá aproximadamente 250 páginas em formato 15x22cm (o mesmo de toda a linha Savage Worlds da Retropunk), com capa dura, miolo colorido em papel couchê fosco.
Além disso há o suplemento original “A Cobra Vai Fumar” que apresenta a possibilidade de se jogar com a FEB (Força Expedicionária Brasileira).
Para visitar a página do Catarse e do Financiamento Coletivo:
Para celebrar essa grande notícia, o Mundo Tentacular se junta a Guerra em uma série de artigos a respeito de acontecimentos estranhos durante a Segunda Guerra Mundial.
Também pretendemos colocar no ar uma resenha completa dessa fantástica ambientação e vídeos com mesas de jogo.
De fato, o pessoal do Velho Crânio fez um stream ao vivo via Facebook de uma sessão curta de Weird War com o mestre Jonata Rubio Sodre comandando. Você pode assistir esse vídeo aqui em baixo:
Os aventureiros colhidos por uma noite das mais lúgubres exploram o interior da Mansão e seus muitos mistérios. Cada aposento revela uma pequena peça de um medonho quebra cabeça.
A Mansão um dia foi o antro de uma decadente congregação chamada Die Hand Die Verletz (A Mão que Machuca). Essa cabala formada por indivíduos ricos e de ascendência aristocrática glorificava algo que chamavam de Poderes Negros, uma maldade primordial em estado puro. Acreditavam ainda que essa força havia gerado uma espécie de Messias das Trevas que os guiaria em direção da imortalidade, concedendo-lhes poder além de suas ambições.
"A loucura permeava cada aspecto desse covil de iniquidade. As visões que experimentamos eram absurdas e extremamente perversas. Espetáculos de maldade e decadência encenados por monstros mascarados como pessoas".
Diário de Braguir, Sacerdote de Lathander
"Não eram apenas os perigos apresentados por essa Casa Vil que nos ameaçavam - não eram somente as armaduras animadas, as armas flutuantes, os espectros e seres de além túmulo, mas havia um mal invisível e persistente. Algo que estava em todo canto, podíamos sentir, mas que permanecia a espreita, observando e nos estudando. Logo soube que aquele lugar precisar ser purificado."
Das memórias de Rün Havenhide, Guerreiro do Halo Solar
Os líderes da cabala profana eram dois aristocratas, um casal chamado Gustaff e Elizabeta Durst. A Casa pertenceu a eles, e os dois abriram suas portas para que o local fosse palco para os mais desprezíveis atos de iniquidade: necrofilia, canibalismo, profanação, perversidades e rituais negros. Se essas paredes malditas falassem, relatariam uma história de decadência e pavor sem igual.
Mas mesmo em meio de todo esse horror, existe um pequeno resquício de pureza na Casa dos Lamentos. As crianças, os filhos dos demônios Durst ainda residem no local como fantasmas ignorando sua condição. Os heróis encontram as crianças Rosalva (Rose) e Thornvald (Thorne) em um quarto trancado, local onde foram esquecidas quando a Casa foi invadida pelo tal Messias das Trevas.
"As pobre crianças ainda habitavam aquele lugar embora já não estivessem vivas a sabe lá quanto tempo. Havia uma tristeza profunda no ar, e meus companheiros pareciam claramente perturbados pela descoberta funesta. Após conversar com os espíritos, eles asseguraram que a única maneira de escapar das agruras da Mansão, e também libertá-los, seria destruir o Coração que residia nos porões da propriedade. Resignados demos início a busca"
Do Diário de Adrie
Os heróis conseguem reunir as cinco peças metálicas que compõem o brasão da Casa Rose & Thorne. Dispostos sobre o local correto, eles funcionam como uma chave garantindo acesso a uma escada em espiral que desce a caminho dos subterrâneos.
Nas escadas de pedra que conduzem às entranhas da propriedade, o som ritmado de um enorme coração pode ser ouvido.
"Não há como dizer o que os aguarda nas profundezas desse lugar. Mas ao que parece, é o único caminho que nos resta. Libertar os espíritos dessas crianças tornou-se uma missão pela qual vale a pena se arriscar. Se isso servir para por um fim a essa maldade, terá valido a pena"
Das anotações de Gareth II sob o título "antes da descida".
Nas profundezas a companhia de investigadores é confrontada com terrores ainda maiores. O que restou dos cultistas do Die Hand Die Verletz, ainda vagam pelos corredores tortuosos da masmorra de pedra. Famintos pelo cheiro de sangue e pela proximidade de carne humana para saciar seus apetites medonhos. Nas câmaras mais profundas, os heróis combatem hordas de carniçais que avançam sem temor, encontrando como resposta aço e magia, fogo e coragem.
"Numa câmara finamente decorada, diferente de todas as outras que compõem essa masmorra decrépita, encontramos Gustaff e Elizabeta. Ou ao menos, aquilo que eles se tornaram... A batalha contra os dois foi árdua e sangrenta, não cabem detalhes da barbárie e da ferocidade. Tudo que posso dizer é que demos cabo de todos os carniçais e mortos vivos que protegiam o lugar. O fedor nauseante da morte insepulta recobre cada canto... Tudo que eu almejo é sair dessa tumba e ver o dia novamente, respirar ar puro. Mas é preciso descansar, pois sinto que há ainda mais nos aguardando...".
Do diário de Simone de Beaumont
Recobrando as forças após o terrível embate, o grupo segue para a câmara final de onde ecoam os sons ritmados de um gigantesco coração preso a correntes no alto. A coisa abominável fornece vida a toda a casa, como se fosse um enorme organismo. Antes que os heróis possam atacar a coisa, eles experimentam uma visão:
"A visão que nos arrebatou foi de um pavor ocorrido naquele aposento esquecido pela luz solar. Nos deparamos com a cena de um massacre. Aquele que o culto acreditava ser um Messias das Trevas, furioso com alguma transgressão cometida, desceu sobre a congregação matando todos os presentes com requintes de crueldade. Em seguida, tomando o coração de uma vítima recém sacrificada o alçou em uma corrente para que ele se torna-se o Coração da Casa. A casa não era portanto uma obra do Culto, mas da vontade desse ser monstruoso. E a cada batida, o Coração profano reverberava sua vontade".
Diário de Braguir, Sacerdote da Luz Solar.
E logo depois da visão, uma criatura vil de composição lodosa se ergueu de uma fossa atacando aqueles que estavam se recuperando da revelação atroz. A coisa feita de lodo negro um dia foi usada pelo Culto na nauseante tarefa de digerir os restos de seus sacrifícios. Abandonada e faminta, a aberração se ergueu de seu covil para atacar os heróis.
"Tivemos de enfrentar aquela abominação antes de dar cabo no Coração! Eu já havia ouvido falar de criaturas gosmentas como aquela, mas nunca esperei encontrar uma. E espero jamais encontrar outra! Ao fim do combate, minha armadura e espada haviam sido parcialmente corroídas pela bile ácida da criatura que escorreu também sobre minha pele deixando bolhas. Por Lathander, as surpresas dessa casa amaldiçoada parecem não ter fim!"
Das memórias de Rûn Havenhide.
Após destruir o Pudim Negro, os heróis se apressam para deixar a Masmorra dos Lamentos, pois a casa parece ser consumida logo depois do Coração receber o golpe derradeiro. Assim que o órgão cessa de bater, a casa inteira começa a ruir. No fim, os heróis conseguem deixar o lugar, que é sugado por inteiro colapsando sobre si mesmo.
Edição 2017, no momento apenas em .pdf, 202 páginas (192 de texto, restante de índices e capas), miolo p&b, com títulos em bordô, ilustrações coloridas intermeadas.
Disponível em pdf por U$ 19,95
O BOM
O "Grand Gromoire of Cthulhu Mythos Magic" (GGCMM) apresenta uma coletânea atualizada e ampliada em termos de descrições de mais de 550 feitiços que existem no CoC, desde seus 30 anos de existência. Mesmo considerando que existe uma boa parcela de Call e Contact entities, não é pouca coisa: são maldições, rituais, criação de objetos, cânticos e centenas de feitiços enlouquecedores e terríveis. Além disso, apresenta dois capítulos iniciais explicando como funciona a magia dos Mythos, como se dividem os feitiços e as leis da magia.
Um trabalho desta monta poderia resultar em uma bela porcaria, tanto visual como textual. Mas NÃO! A diagramação é enxuta (duas colunas simples), o texto cristalino e direto, com poucas ilustrações p&b no texto e grandes ilustrações coloridas entremeadas no livro. O efeito é agradável, a leitura rápida e algumas ilustrações já servem como handouts para os jogadores.
Após a Introdução, os dois capítulos seguintes (Sobre Mágica e Sobre Feitiços) explicam ao Keeper como a magia funciona no universo do mythos. O sistema do CoC mostra porque continua fenomenal: O texto todo é direcionado para o jogo, sem rapapés ou firulas como em outros sistemas.
SOBRE MÁGICA traça as regras, ou melhor, considerações básicas de como as leis da magia funcionam no CoC. Com a costumeira pitada de realidade, detalha como funciona o estado mental do mago, o que é um sacrifício e quais alinhamentos astronômicos observar. Mais do que mecânicas, apresenta tabelas de exemplos de alinhamentos ou sacrifícios, além do calendário pagão e curiosidades astronômicas (como a Lua Azul). As informações podem ser utilizadas em qualquer jogo, além de providenciarem o tempero adequado para descrever a atmosfera mágica dos Mythos.
SOBRE FEITIÇOS detalha as mecânicas dos feitiços em CoC. Todo o texto é simples e direto, fácil do leitor compreender e utilizar o sistema e suas opções (como disse, a beleza do sistema de regras do CoC permite este tipo de texto). Existem grandes pérolas para o keeper utilizar: como Feitiços mal escritos (que tal uma versão incompleta dos sais elementais para seus jogadores?) e o que eles acarretam, ou a Magia Profunda (deep magic) que permite a um feiticeiro com SAN 0 acessar os segredos mágicos de vários feitiços (nas descrições, quando existente, o efeito deste conhecimento é formatado para o jogo), ou como aumentar sua reserva mágica (ou ser atormentado por ela) usando Linhas de Ley (Ley Lines) ou locais de poder. Do ponto de vista de sistema básico, esclarece como se comportam os feitiços, como funcionam nas dreamlands, além de descrever uma categoria de feitiços populares (folk), ideais para aqueles personagens folclóricos, como shamans, bruxos ou milagreiros. Sobram idéias para sessões e aventuras só com estas descrições.
Após isto, vem a categorização dos feitiços (ofensivos, invocações etc.), com uma explicação sobre cada ela e uma lista com os nomes de cada feitiço em cada categoria.
Por fim vem a lista de feitiços por ordem alfabética, no formato de nome, custo, casting time, sua descrição completa, Magia Profunda (quando existente), nomes alternativos.
Simplesmente todos os feitiços do Call of Cthulhu estão descritos no GGCMM, inclusive coisas do Dreamlands (geralmente ignoradas) e magia popular (folk), algo muito legal para ser considerado no jogo. Entre as páginas estão listados três npcs feiticeiros para uso do keeper. De tempos em tempos, quadros explicam um ou outro detalhe do feitiço, ou descrevem uma criatura invocada ou efeito especial. No meio do livro, uma página dupla com quase um pôster para os fãs do sistema. Por fim, índice alfabético das magias (que no pdf permite ser direcionado diretamente para o tópico). De tempos em tempos, uma página inteira de ilustração, seja de um grimório, seja de uma página do Necronomicon. Tudo muito bem estruturado.
O MAL
Existe pouca coisa para se encontrar em um livro que lista magias, mas existe. Uma das coisas que provavelmente vão atrapalhar é a falta de uma listagem de resumo do que os feitiços fazem. São 550, eu sei, mas enquanto o pdf permite clicar no nome da magia e ser direcionado para a página, a versão impressa não tem isto, e não ter um resumo do que cada magia faz pode ser complicado (o keepers screen vinha com uma lista bem legal neste sentido)
Outra coisa: a beleza dos feitiços em CoC é sua descrição simples, então não espere coisas como o que se encontra em d&d ou d20, com descrições sobre mecânica de sistema ou efeitos mirabolantes. Este livro não é para advogado de regras. Não é para CoCd20 (apesar da capa) e talvez seja difícil de converter para Rastro. É para CoC BRP, em toda sua glória. Este livro não foi feito para ser usado como um rpg genérico, embora você possa, com algum esforço, adaptá-lo.
O FEIO
Duas coisas realmente me desagradaram no GGCMM. Os NPCs e as imagens do necronomicom de goomi.
Os NPCs ao meu ver são inúteis. Suas ilustrações simplórias e desinteressantes. É quase broxante você estar lendo as listas de feitiços e deparar com uma imagem bobinha como aquelas.
Qualquer keeper de CoC consegue criar meia dúzia de npcs mais interessantes que eles (uma feiticeira imortal, um necromante que fala com ps mortos e um curioso por conhecimento, dãh!). Tirando o necromante, os outros dois têm uma lista de feitiços com a entrada "keeper's desire". Ou seja, nem isso eles têm!
Melhor não estarem lá, ou terem sido deixados no fim do livro com imagens melhores. Ou takvez, uma coisa legal, teria sido apresentar ou icônicos magos da mitologia de Lovecraft e um resumo de suas conquistas e destinos...
O desagrado com as imagens do Necronomicon é algo mais discreto. Durante a leitura, você se depara com imagens que praticamente são handouts por si só. Apesar de cativantes, as imagens do Necronomicom de Goomi não se sustentam como handouts sólidos. São bonitas e famosas, mas você percebe que são apenas ilustrações. Para mim seria mais interessante imagens como manuscritos de iluminuras ou outros fac-símiles do Necronomicom. Ou maior diversidade. No prop up the mythos você encontra dezenas de exemplos. Por quê ficar só em um ilustrador?
O ESTRANHO
O mais esquisito do livro é a categoria dos feitiços: A cada um foi dedicado um símbolo, de forma que fica mais exótico você ler cada título.
Um cata piolho: o símbolo de magia folk é o mesmo de magia de Travel and Time. Santa tipografia, batman!
E VALE?
Sim. Vale a pena.
Primeiro porque é uma homenagem aos 30 anos de CoC
Segundo porque é uma listagem de TODOS os feitiços do CoC
Terceiro porque as descrições são deliciosas
E finalmente porque apresenta mecânicas (na verdade idéias) muito boas para magia
Uma das coisas que me atraiu no CoC foi seu elegante sistema de magia, que emulei e adaptei para meus jogos, tanto em AD&D como posteriormente em d20. Os feitiços presentes em toda a linha do CoC são inspiradores em suas descrições e efeitos, e poder tê-los reunidos e atualizados em uma edição única é ótimo. Se você gosta do sistema de pontos de magias e feitiços aterrorizantes, este livro é seu sonho molhado de grimório.
A essa altura, todos que não se encontravam aprisionados nas últimas semanas num bloco de gelo, devem estar sabendo do misterioso caso do estudante Bruno de Melo Silva Borges que desapareceu sem deixar vestígio de sua casa na cidade de Rio Branco, no dia 27 de março. As redes sociais mencionam o caso de modo recorrente e todos se perguntam o que teria acontecido.
O rapaz de 24 anos, filho de uma família de boa condição econômica, residente da Capital do Estado do Acre, sumiu de sua casa e até o momento não há sinal de seu paradeiro. O caso poderia ser apenas mais um dentre muitos desaparecimentos ocorridos no Brasil e no mundo, a não ser por algumas circunstâncias estranhas que o tornam único. Não apenas pela identidade do rapaz, descrito como um jovem inteligente mas de espírito inquieto, de boa índole, porém de comportamento fora do comum, mas pelo que ele deixou para trás. O quarto de Bruno ficou trancado após seu desaparecimento e o que a polícia - chamada para iniciar as investigações, encontrou em seu interior tornam o caso algo cada vez mais misterioso, enveredando para campos do oculto.
Para escrever esse artigo, fizemos uma pesquisa e reunimos as informações disponíveis sobre o caso para tentar lançar uma luz sobre o incidente. Quais os interesses do rapaz e no que ele poderia estar envolvido? Buscamos também informações a respeito da família e do comportamento de Bruno Borges no dias antes de seu sumiço. Quais teriam sido os motivos para ele fugir? No que ele acreditava? Seria tudo resultado de um surto esquizofrênico ou de algo maior e mais estranho?
Vamos começar falando do que sabemos a respeito de Bruno Borges através do que a família, as pessoas mais próximas a ele declararam. Isso talvez conceda um retrato do personagem desse incidente peculiar.
A Família Borges vive em uma região de classe média alta de Rio Branco. O pai, Athos Borges, é um empresário bastante conhecido em Rio Branco. Por conta do trabalho, ele costuma se ausentar de casa por muitos dias em meio aos negócios. A mãe, Denise Borges é psicóloga e fala do filho com carinho, sem esconder orgulho e admiração. Descreve o rapaz como uma pessoa muito focada e inteligente:
"Na escola, sempre foi diferenciado, um líder nato, com um alto poder de persuasão. É um menino de coração tão bom que dava as coisas de casa e dele, aos outros, como camisetas e calças. Não é por que é meu filho, estou falando do Bruno amoroso, que enxerga a alma das pessoas", contou Denise em entrevista.
Em outra entrevista contou que seu filho possui um alto poder de empatia, capaz de "sentir o que as pessoas sentem" e de "intuir sobre o estado emocional de cada indivíduo" oferecendo a ele apoio quando necessário.
A mãe insiste que o filho não tinha problemas psicológicos, e que ela, enquanto profissional da área, poderia diagnosticar a existência de sintomas de esquizofrenia ou distúrbios semelhantes observando seu comportamento diário. Bruno jamais tomou medicamentos controlados e nunca fez consultas com médicos da área psiquiátrica. Sintomas de esquizofrenia com certeza não surgem de uma hora para outra, sendo perceptíveis em mera observação. Bruno jamais foi violento ou agressivo, de fato havia um certo grau de passividade em seu comportamento, visto que as pessoas o descrevem como alguém observador e tranquilo.
A família Silva Borges é completada por mais dois irmãos, Gabriela quatro anos mais velha que Bruno e Rodrigo seu gêmeo não idêntico. Os irmãos e os poucos amigos dizem que o rapaz desaparecido é introvertido e quieto. Quase todos citam como qualidade sua a tranquilidade. Em geral, ele mantém certo distanciamento, sem demonstrar interesse pelos assuntos corriqueiros, mas quando atraído para uma conversa interessante não se poupa de dar sua opinião de maneira clara e lúcida.
Após completar o segundo grau, Bruno tentou carreira em três cursos, estudou Administração, passou para Direito e finalmente Psicologia. Não se interessou por nenhum deles. Perdia muitas aulas e acabava se desinteressando pelos temas tratados. Parece o típico comportamento de alguém que não encontrou sua vocação e que ainda busca seu lugar no mundo. Há três anos ele teria se interessado por Filosofia. Passou então a estudar por conta própria obras clássicas e livros de pensadores conceituados. Colecionava dizeres e citações, muitos das quais, transferiu posteriormente para um dos vários murais simétricos que recobriam as paredes de seu quarto.
É seguro dizer que ninguém sabia ao certo quais os verdadeiros interesses de Bruno. Sua vida era um segredo que ele raramente compartilhava com as pessoas. Não tinha namorada e seu interesse principal era ler. Sua família parecia ignorar sumariamente no que ele estava envolvido, provavelmente por acreditar que o rapaz não poderia fazer nenhum mal a ninguém ou a si mesmo. Preferiam deixá-lo viver sua vida em paz. Os estudos dominavam seu tempo livre e ele passava os dias lendo e pensando.
Dentre os mestres filosóficos que Bruno admirava, um tinha importância quintessencial em seus estudos: Giordano Bruno (1548-1600).
Nascido na Itália Renascentista o filósofo foi teólogo, frade da Ordem Dominicana e autor de destaque em sua época. Foi um questionador e suas idéias muito avançadas foram tratadas primeiro com desdém, depois como provocação e finalmente como blasfêmia pela Igreja Católica. Dentre as suas teses estava a crença na infinitude do universo, a crença de que além dos limites da Terra haveriam estrelas, planetas e outros mundos. E que estes seriam igualmente habitados por seres inteligentes com os quais um dia faríamos contato. Para Giordano, em um Universo sem fim, seria de se supor que existiriam outros povos, raças e seres inteligentes compartilhando da criação de Deus. Ele sempre defendeu a existência de uma Divindade Superior, o arquiteto que deu coesão e sentido ao Cosmos, e que teria idealizado um universo extremamente vasto no qual a humanidade não era única. Além disso, Giordano defendia a existência de alma em animais, lugares e objetos, idealizou uma Geometria Sagrada e criticou duramente as instituições da Igreja Romana. Juntou-se a movimentos reformistas como os calvinistas e luteranos, mas não se adaptou a nenhum deles, rompendo relações e sendo denunciado por todos.
Em determinado momento, abandonou o hábito e deu início a uma peregrinação que o levou a Paris e Londres. Nessas capitais gozava de maior liberdade para difundir suas ideias através de mecenas e protetores. De volta a Itália, peregrinou por Gênova e Florença onde obteve recursos para publicar seus livros. Em Veneza acabou sendo perseguido pela Inquisição, denunciado como herege e capturado pelo Santo Ofício que já o tinha na lista negra há anos. O julgamento de Giordano Bruno foi longo, durando oito anos, período em que ele ficou preso e inacessível. As acusações eram graves, incluído além da heresia, o crime de difamar, questionar e contrariar os ensinamentos da Santa Madre Igreja. Até de praticar feitiçaria, adivinhação e alquimia ele foi acusado. Por fim, deram a Giordano Bruno a chance de se arrepender, mas ele não se retratou. Foi então condenado a dolorosa morte na fogueira. Impossibilitado de concluir seus livros, ele foi censurado até no caminho da pira, com uma mordaça sobre a boca para que não pudesse discursar.
A Obra Filosófica de Giordano Bruno parecia ter uma grande influência sobre o jovem Bruno Borges e é provável que boa parte de seus estudos se concentrassem em seus ensinamentos.
Mais inquietante do que essa indisfarçável admiração, talvez seja o fato de Bruno guardar enorme semelhança física com as imagens existentes de Giordano Bruno. O porte físico franzino, o corte de cabelo e até a compleição de pele se assemelham às imagens conhecidas do filósofo. O rapaz parecia ressaltar essa semelhança física de maneira direta. Em páginas sociais, ele postava fotografias suas e os amigos não deixavam de compará-las a imagens do filósofo que também apareciam com frequência nos seus perfis.
Em 2016, Bruno pediu dinheiro à mãe para a realização de um projeto no campo de seus estudos de Filosofia. Quando questionado do que se tratava, o rapaz explicou que não poderia revelar naquele momento o teor de suas pesquisas, mas que elas causariam uma mudança nas relações humanas. Nas teorias de Bruno, ele repetia que todas as coisas estariam interligadas e pelo sistema definido em seus estudos, mostraria um mecanismo para melhorar a humanidade como um todo.
Denise pediu mais detalhes e quando Bruno se negou a atender sua condição, ela não concedeu o dinheiro pedido. Parece claro que Bruno não desejava revelar no que vinha trabalhando para não preocupar os pais que poderiam imaginar que ele estivesse "louco". A própria mãe disse: "se ele (Bruno) abrisse a porta e me mostrasse o quarto, eu choraria até morrer. Chamaria uma ambulância e mandaria internar."
Apesar da negativa de fornecer dinheiro, Bruno prosseguiu com seus planos obtendo um aporte de investimento com um primo oftalmologista que leu a sinopse de um dos seus livros e achou o conteúdo interessante.
Em algum momento, Bruno encomendou um quadro para adornar a parede de seu quarto. O quadro de tema no mínimo incomum foi encontrado no aposento em um local de destaque. Na tela, Bruno aparece ao lado de um ser extraterrestre em uma paisagem extraplanetária. Os dois personagens vestem um manto branco imaculado que remete a indumentária de alquimistas. Os dois parecem contemplar um horizonte com uma expressão de serenidade que é difícil de ser traduzida. O ser alienígena tem uma mão pousada no ombro do rapaz, em uma clara insinuação de que ele faz o papel de tutor enquanto Bruno é seu aprendiz.
Não se sabe se Bruno tinha interesse em Ufologia, mas dada a profunda devoção manifestada pela filosofia de Giordano Bruno, é de se assumir que a ufologia forneceria um perfeito complemento ao que ele professava. Giordano Bruno é tratado por certos estudiosos de ufologia como um personagem que "sabia muito" a respeito da existência de raças alienígenas e vida fora da Terra. Um precursor, muito adiante de seu tempo no que diz respeito a concepção de um universo infinito. Alguns ufólogos sustentam que as teorias do filósofo tinham fundamentação em contatos estabelecidos entre ele e essas mesmas raças inteligentes, ou seja, ele teria recebido informações de outros planetas para formular suas teorias.
Seja como for, não há dados a respeito de quando o quadro foi entregue e quem é o seu autor.
De certa forma, a descoberta da pintura ficou ofuscada diante de uma segunda obra de arte, ainda mais emblemática e impressionante, encontrada no quarto de Bruno. Trata-se de uma estátua de bronze com mais de dois metros de altura de ninguém menos do que o filósofo Giordano Bruno.
Diferentemente do quadro, a identidade do artista responsável por esculpir a estátua, uma réplica da que existe no Campo di Fiori em Roma, é conhecida. Trata-se do escultor Jorge Rivasplata de 83 anos de idade. A obra foi entregue no dia 16 de março e concluída no próprio quarto do rapaz pelo artista que fez visitas regulares a casa da Família Borges para dar os arremates finais.
Rivasplata conta que a estátua de bronze foi preenchida com cimento e cascalho para que ficasse pesada e não pudesse ser movida do lugar. Ela foi colocada sobre o que parece ser um círculo alquímico desenhado no chão.
O artista conheceu Bruno Borges em um curso de desenho e pintura e foi procurado pelo rapaz que encomendou a criação da estátua. Ela demandou dois meses para ser concluída. Avaliada em pelo menos 20 mil reais, o artista responsável revelou que cobrou 7 mil reais, fazendo esse desconto por acreditar nas ideias do rapaz que revelou algumas de suas teorias.
"Ele se destacou. É muito inteligente, superdotado. Ele viu meu trabalho, gostou e me deu um livro sobre o Giordano. A estátua ficou no fundo da minha casa, Bruno veio buscar em uma caminhonete. Depois fui chamado para terminar, para fixar onde deveria ficar", contou.
Uma das últimas pessoas a conversar com Bruno, pouco antes de seu sumiço, Rivasplata afirma ter entrado em contato com o rapaz para saber o que ele havia achado do resultado. A última vez em que se falaram foi por meio de mensagens de celular. "Ele respondeu: a estátua está perfeita, melhor impossível. Estou extremamente satisfeito, mestre Rivas. Logo a apresentaremos ao mundo. Esse trabalho o Acre vai conhecer, o Brasil e o mundo", disse.
Rivasplata acredita que Bruno é a encarnação de Giordano Bruno, uma teoria que encontrou eco na internet. Para o artista, o rapaz acreano teria a missão de escrever os livros que sua encarnação italiana se viu incapacitado de redigir após a prisão e execução.
"A maioria não entende, mas eu o conheço há muito tempo. Dá para acreditar que foi reencarnado Giordano Bruno nele. Não posso contar mais, a única coisa que posso dizer é que já terminou os livros que ele [Giordano] deixou inconcluso. Queria falar ao seu pai e mãe que não se preocupem, ele está bem e vem apresentar ao mundo esse projeto lindo, fantástico", comentou o escultor - que negou saber o paradeiro de Bruno.
O desaparecimento propriamente dito foi noticiado no dia 21, quando a polícia foi chamada para dar início às buscas que até o momento se provaram infrutíferas. A cronologia dos dias que antecederam ao desaparecimento é bem conhecida e já foi estabelecida pela polícia:
Os pais de Bruno haviam planejado uma viagem de férias com certa antecedência. Bruno e os irmãos ficariam na casa. Nesse período, o rapaz se tornou ainda mais introvertido, convertendo-se numa presença cada vez menos frequente no dia a dia dos irmãos. Segundo Gabriela, o rapaz permanecia dias a fio no quarto, saindo apenas para fazer suas refeições. Nessas breves aparições não falava muito, respondia as perguntas com um simples "sim" ou "não".
Foi então que Bruno começou a trancar a porta do quarto, impedindo que ele fosse arrumado e que atraísse a atenção de curiosos: "Ele falava que estava trabalhando no projeto do livro e disse que só poderia contar a respeito dali a duas semanas. As pessoas perguntam porque eu não ia até o quarto e abria a porta. Mas é preciso entender que não se tratava de uma criança. Ele é um adulto e tem direito a sua privacidade. Me incomodava, mas eu não podia arrombar a porta", contou a irmã mais velha.
As modificações no quarto tiveram início assim Athos e Denise saíram para sua viagem de férias. Ao longo de 22 dias, período em que estariam fora, o rapaz começou a trabalhar freneticamente, redecorando todo o ambiente e fazendo alterações impressionantes que incluíam recobrir as paredes e até o chão com uma escrita perfeitamente simétrica. Até mesmo os armários brancos foram desmontados para que o interior servisse de tela para as palavras, gráficos, símbolos e esquemas. É possível imaginar a dedicação de Bruno e sua determinação para nesse período cobrir laboriosamente cada canto de suas paredes com linhas e nestas distribuir palavras e mais palavras.
Muitos dos desenhos cuidadosamente reproduzidos, segundo alguns, tratam de noções de cabala, símbolos gnósticos e de tradições herméticas, além de alquimia medieval. Podem ser vistos círculos de proteção, triângulos, pirâmides e gráficos complexos cujo significado desafia a interpretação. As palavras escritas com uma métrica caprichada em linhas equidistantes utilizavam um alfabeto cifrado com caracteres retilíneos perfeitamente simétricos. Não se trata de alguma língua conhecida ou idioma estrangeiro, parece óbvio era um tipo de alfabeto criptográfico.
Além das paredes recobertas por essas cifras, Bruno deixou catorze manuscritos encadernados em espiral e identificados com grandes números em algarismos romanos na cor vermelha na capa. Os livros foram manuscritos com os mesmos caracteres dispostos pelo quarto e são na opinião da maioria das pessoas a conclusão de seu Projeto Secreto.
Os livros foram colocados em uma escrivaninha lado a lado, sem uma ordem aparente: I, V, VII, IX, X, XI, XIII, XIV sendo que a sequência dos números está nas paredes. A razão para alguns deles terem sido redigidos em livro e outros nas paredes é desconhecida.
Além dos livros e das paredes, Bruno deixou para trás uma decoração com estatuetas, porta retratos com imagens de santos misturados a membros da família, alguns poucos quadros como o do já citado extraterrestre e arte sacra. A enorme estátua de Giordano Bruno foi colocada no centro do quarto em posição de destaque. Bruno desmontou a cama e durante os dias em que trabalhou na redecoração dormiu em um colchão no chão.
Apenas uma das paredes apresenta palavras com caracteres em português. São citações conhecidas de filósofos, pensadores e trechos extraídos da Bíblia. No canto oposto há uma frase que acredita-se seja de autoria do próprio Bruno:
"Leia-me ó Leitor se em minhas palavras encontrar deleite. Pois raramente no mundo alguém como eu nascerá novamente"
Os pais de Bruno retornaram de viagem e sequer suspeitaram do que estava acontecendo. De fato, até esse momento, ninguém sabia das mudanças realizadas no interior do quarto que ficava sempre trancado. Estranhavam sim as mudanças de comportamento do filho, mas ele sempre dizia que aquilo era por conta do Projeto Secreto que demandava cada vez mais sua atenção.
No dia 27 de março, Bruno estava normal. Almoçou com a família e parecia se comportar como sempre. Após o almoço Athos Borges concordou em dar uma carona para o filho enquanto voltava ao escritório. O rapaz vestia uma camiseta, bermuda e tênis quando foi visto pela última vez. Ele se despediu de maneira casual "até mais, pai" e bateu a porta do carro, sem dizer para onde estava indo.
Foi a última vez que foi visto.
A noite chegou e ninguém na casa sabia do paradeiro de Bruno que raramente se ausentava à noite. Decidiram então bater a porta do quarto, sem obter resposta. Preocupado, o pai resolveu finalmente derrubar a porta. Foi então que a família teve um choque ao se deparar com todas as mudanças que haviam sido feitas no aposento.
"Entrei no quarto e não vi a cama, não vi nada, só vi aquilo tudo. Naquele momento, percebi que ele tinha ido embora", contou Athos que ainda se emociona ao falar da descoberta.
Imediatamente os pais ligaram para a Polícia preocupados de que Bruno pudesse estar passando por algum tipo de surto psicológico. A polícia enviou investigadores que também se mostraram estupefatos com a descoberta e fizeram uma primeira filmagem do quarto que acabou caindo na internet e viralizando em poucas horas. No dia seguinte, as redes sociais tratavam do caso com grande interesse e as pessoas se perguntavam o que teria acontecido.
Aqui estão dois vídeos onde o conteúdo do quarto de Bruno Borges pode ser visto em detalhes:
O primeiro é o vídeo original no momento em que ele foi apresentado na internet.
O segundo é um vídeo com melhor definição e com mais detalhes.
O Delegado Fabrizzio Sobreira da Delegacia de Investigação Criminal liberou algumas imagens na internet com a permissão dos pais para que pessoas tentassem decifrar a criptografia usada por Bruno. Não demorou muito até que ela fosse descriptografada por Igor Rincon e Renoir dos Reis que montaram um site chamado "Decifre o Livro".
O trabalho de decifração se apoiou na busca de padrões de associação, letras dobradas, letras que terminam palavras, que aparecem sozinhas e assim por diante. Os símbolos foram sendo traduzidos com base na associação de letras no idioma português. Cada símbolo do alfabeto se referindo a uma letra do alfabeto misterioso foi sendo encaixada. Encontrando alguns padrões não foi difícil deduzir as palavras mais comuns e montar uma relação.
O primeiro texto descriptografado por Igor e Renoir foi o de uma página fotografada. Ele tinha por título "Caminho Difícil" e se mostrou uma perfeita tradução dos símbolos.
Abaixo a tradução na íntegra do texto:
Caminho difícil
"Por milhares de anos o ser humano vem tentando encontrar respostas para perguntas como 'qual o sentido da vida'? A filosofia que, ao que tudo indica, parece ter se iniciado com Tales de Mileto em meados de 700 a.C. visa encontrar vestígios de perguntas sem respostas. A pesquisa profunda pela verdade absoluta advém da filosofia, e quando falamos a respeito de caminhos fáceis ou difíceis estamos nos referindo a esse tipo de teorema.
É fácil aceitar o que desde criança te ensinaram que é errado. Difícil é, quando adulto, entender que te ensinaram errado o que desde criança você suspeitou que fosse correto. Em outras palavras, se você se enquadra em algum cujos estímulos do meio lhe determinaram certo comportamento, fazendo com que estivesse à mercê de crenças já providas e bem estabelecidas em dogmas e rituais, com uma massa concentrada de pessoas nela; ou permitindo-o ficar no conformismo, aceitando o conceito de felicidade e de sentido da vida embutido pela mídia e pela sociedade, então claramente você faz parte do caminho fácil para a busca da verdade absoluta.
Acaso se enquadre na segunda opção, ou seja, aquele que suspeitava de todo conjunto de crenças que lhe foi enraizado, então este tem tudo para ser um investigador da veracidade nas coisas ao seu redor, entrando em um caminho mais complicado, no qual uma minoria se arrisca ou enfrenta com bravura."
Pouco depois do alfabeto ter sido quebrado, a família localizou uma "chave" que permitia realizar a tradução das cifras.
A "chave" estava no interior de um canudo de veludo azul (do tipo usado para guardar diplomas) e deixado em uma armário. A Chave possui uma relação direta entre cada letra e seu símbolo correspondente em uma espécie de Pedra de Roseta. Alguns mencionaram que o alfabeto havia sido extraído de uma publicação infanto-juvenil, o "Manual do Escoteiro Mirim", lançado pela Editora Abril na década de 1970 e recentemente republicado de modo saudosista. Os caracteres do chamado "Alfabeto Marciano" são bastante semelhantes, mas não são inteiramente compatíveis. Ainda assim a escolha para essa cifra denota que Bruno não planejava sustentar por muito tempo o mistério de seus textos. É provável que ele esperasse que estes fossem decifrados. No campo da Criptografia a associação de letras por símbolos é a modalidade mais simples de ocultação de texto. Qualquer pessoa com mínima dedicação seria capaz de quebrar esse código no qual cada letra corresponde a um símbolo.
Mesmo com a chave – que “traduz” o código de Bruno – a família declarou estar tendo dificuldades para fazer a tradução de todo material para o português. Não pela complexidade, mas pelo tamanho do material, que nas palavras da irmã, Gabriela "é imenso". Segundo ela, a ajuda de um especialista será importante para agilizar o processo e traduzir o material o quanto antes. O título de um dos livros segundo Gabriela é "A Teoria da Absorção do Conhecimento" e os textos são coerentes, não uma mera colcha de retalhos de textos sem sentido.
Estes são os fatos, mas com tudo isso, a que conclusões podemos chegar? Na realidade, poucas...
É perfeitamente possível que Bruno Borges tenha sofrido algum tipo de episódio psicológico. A forma como ele cobriu as paredes com símbolos, pode apontar para um transtorno obsessivo compulsivo. O comportamento maníaco de preencher todas as paredes, como numa tarefa a ser concluída antes do retorno dos pais, revela grande foco num determinado objetivo, elemento típico do obsessivo. Ao terminar a tarefa ele pode ter abandonado o surto e experimentado um certo grau de depressão pela conclusão da tarefa. Nesse estado, não é incomum que a pessoa busque se afastar de sua rotina e ficar introvertida, ao menos até reencontrar o foco.
Se esse for o caso, Bruno pode ter se refugiado na casa de um amigo ou ter usado seu dinheiro para viajar e se estabelecer em outro lugar. Ele tinha recursos suficientes para sacar dinheiro em espécie. A polícia não divulgou se tal saque ocorreu, pois estas são informações sigilosas da investigação.
É bem pouco provável que ele esteja circulando às claras ou usando sua identidade verdadeira. Seu rosto e nome tem aparecido frequentemente na televisão e na internet e à essa altura ele já teria sido reconhecido por alguém. Tudo leva a crer que ele esteja escondido.
Alguns suspeitam que Bruno Borges possa ter deixado o material para trás como um ato final de suicídio. Alguns deixam cartas, outros deixam quartos inteiros com teses filosóficas. A possibilidade infelizmente existe, sobretudo se a teoria do transtorno psicológico se confirmar. Contudo, passadas quase duas semanas do desaparecimento, nada foi encontrado que aponte para um suicídio. Raramente suicidas procuram desaparecer por completo, dificilmente almejam que seu corpo não seja encontrado, sobretudo quando querem dar um "sentido" para a morte. Rio Branco não é uma cidade tão grande; a essa altura se suicídio fosse uma opção, ele já teria se confirmado.
Existe outra possibilidade avençada por alguns.
Bruno pode ter sumido deliberadamente e deixado os objetos em seu quarto ciente de que a descoberta deles desencadearia enorme repercussão. O trabalho simétrico nas paredes, a impressionante estátua de Giordano Bruno, o quadro com o ET, os objetos místicos, os livros redigidos, a cifra... tudo é material explosivo para a internet e redes sociais. E de fato, quando essa história chegou à internet o efeito foi impressionante. Curiosos de todos os tipos falaram a respeito do incidente, fornecendo suas próprias teorias e dando suas sugestões... e ainda falam!
Mas o que Bruno ganharia com essa exposição? Em um primeiro momento: Atenção.
Reportagem do Jornal Hoje exibida dia 5 de abril.
O que não falta, são pessoas que se dizem curiosas para saber a respeito do que são os tais livros e se eles seriam o complemento da Obra Filosófica de Giordano Bruno. No dia em que a conexão entre o rapaz e Giordano Bruno foi estabelecida, o nome do filósofo foi procurado como nunca na Wikipedia. De um momento para outro, o perfil de Bruno Borges no Facebook se tornou um dos mais requisitados nas ferramentas de busca pelos internautas brasileiros. O caso do rapaz ganhou repercussão em cadeia nacional. Todos os grandes programas de televisão noticiaram o ocorrido em horário nobre. A mídia escrita dedicou grande espaço ao caso, com jornais de norte a sul falando a respeito. O sumiço de Bruno foi notícia em outros países. Uma breve busca encontra a notícia em jornais da Argentina, Inglaterra, França, Alemanha, Japão. Nada se espalha mais rápido pela internet do que um mistério.
Se um dos objetivos do rapaz era chamar a atenção para seu trabalho, talvez essa tenha sido essa a maneira de atingir o maior número possível de pessoas. As palavras do escultor Jorge Rivasplata: "ele está bem e vem apresentar ao mundo esse projeto lindo, fantástico" e do próprio Brunode maneira profética: "Esse trabalho o Acre vai conhecer, o Brasil e o mundo", parecem corroborar o interesse dele (e de sua obra) se tornarem conhecidos. O trecho em português na parede ""Leia-me ó Leitor se em minhas palavras encontrar deleite. Pois raramente no mundo alguém como eu nascerá novamente" também apontam para alguém que tem uma mensagem e que DESEJA compartilhá-la com o maior número possível de pessoas.
Mas será que é apenas isso? Um tipo de golpe publicitário bizarro?
Se você não gosta dessa possibilidade, sempre é possível recorrer à explicações metafísicas: Bruno é a reencarnação do filósofo Giordano Bruno. Ele está numa missão para escrever os textos ausentes do autor renascentista. Ele é o Arauto de Seres Extraterrestres e de sua mensagem. Ele escreveu um tratado para Harmonizar as Relações Humanas. Na ausência de respostas, todas as teorias, até mesmo as menos prováveis, são passíveis de interpretações pessoais, acreditar ou não nelas é prerrogativa de cada um.
Não duvido que o caso tenha uma resolução em breve e que venhamos a saber qual foi o destino do jovem Filósofo de Rio Branco. Esperamos que as coisas se resolvam o mais rápido possível e da maneira menos traumática para todos os envolvidos diretos - Bruno e sua família. Enquanto isso não acontece, resta esperar e imaginar qual será solução desse mistério que capturou a atenção das pessoas.
"O início é um momento muito delicado pois muitas das coisas que ocorrem aqui definem nossa jornada".
Saibam todos os que lerem essas linhas, que esta é a verdade dos fatos conforme ocorreram e conforme foram descritos. E por fantástica que seja a narrativa, por inacreditável que sejam os incidentes, foi assim que os envolvidos os descreveram.
INTRODUÇÃO
Na Próspera Metrópole Mercantil de Baldur´s Gate, na Costa da Espada, um grupo de aventureiros é reunido a pedido da poderosa Guilda dos Mercadores da cidade. O grupo formado pela investigadora Simone Beaumont, pelo guerreiro Gareth, o clérigo Braguir, o paladino Rün Havenhide, ambos seguidores de Lathander e pela feiticeira Adrie é chamado para uma reunião na Sede da Guilda.
[Para conhecer os personagens da Campanha mais a fundo leia o perfil deles no LINK]
O propósito é oferecer a Companhia uma missão a ser cumprida o mais rápido possível.
Eles devem seguir até um pequeno povoado chamado Liam's Hold próximo a Floresta das Brumas. O vilarejo em si não oferece nada de muito importante, contudo é lá que se encontram acampados um grupo de viajantes que chamou a atenção da Guilda. Esse bando de forasteiros vindos de terras distantes se identificam como mercadores itinerantes. Eles viajam em grandes carroças e acampam nas estradas realizando negócios com quem tiver interesse em suas mercadorias. Há boatos de que eles estariam negociando itens de natureza mágica. Outros rumores afirmam que esses objetos teriam procedência duvidosa, podendo ter sido roubados.
A grande preocupação da Guilda é que objetos mágicos podem ser potencialmente perigosos, sobretudo se caírem em mãos erradas. O objetivo da missão seria verificar a natureza desses itens, a procedência e em havendo indícios de crime, a apreensão dos objetos e de qualquer pessoa que estivesse de posse deles.
A Companhia é integrada a uma Caravana com a Bandeira da Guilda de Baldur´s Gate e parte na manhã seguinte. Os heróis tem pouco tempo de se familiarizar uns com os outros, mas durante o percurso de três dias eles encontram tempo o bastante para se conhecer melhor.
Uma vez que as estradas são seguras e contam com patrulhas, o grupo não encontra obstáculos para chegar a Liam´s Hold.
"É uma cidade pequena, como tantas outras no caminho da Costa da Espada. Um lugarejo tímido e simplório, com pessoas comuns e trabalhadoras. Que as bençãos do Senhor da Aurora recaia sobre eles!"
- Do diário de Braguir, Sacerdote de Lathander.
Liam-s Hold sobrevive da passagem de Caravanas oferecendo estadia para aqueles viajantes interessados em pernoitar sob um teto, ao invés de ficar ao relento. Na Taverna local, ficam, eles coletam algumas informações a respeito dos forasteiros que estão acampados a aproximadamente três quilômetros na entrada para um Bosque.
"Os moradores do vilarejo foram unânimes em afirmar que os forasteiros de pele bronzeada e cabelos negros como a noite sem lua, não são bem vindos entre eles. Dizem que chamam a si mesmos por vários nomes: "Gitanos", "Ciganos", "Aperusa", "Calusai", "Vistani" (...) A verdade é que ninguém sabe muitos detalhes a respeito: de onde vieram, qual a sua terra de origem, o que querem e nem para onde vão. São de toda forma andarilhos. Os aldeões foram categóricos ao afirmar que eles não são de confiança. Mas como aceitar a opinião dessa gente ignorante? Para eles, tudo que é estranho é imediatamente ruim... melhor averiguar por conta própria"
- Do diário de Simone Beaumont - Investigadora Excepcional.
Pouco depois de proceder em entrevistas com os habitantes locais, três dos forasteiros entram na Taverna interessados em comprar bebidas suprimentos. Os heróis aproveitam a oportunidade para conversar com os estranhos e assim fazer um primeiro contato.
"Os Vistani foram bastante amistosos. Tivemos uma breve conversa com eles e nos convidaram para conhecer seu acampamento. De certa forma eu preferia saber um pouco mais a respeito deles antes de fazer uma aparição direta, contudo não parecia haver nada que sinalizasse com perigo. Bem, às vezes aparências enganam."
Das anotações de Adrie
O grupo concorda em seguir até o acampamento e já de longe podem ver que há algum tipo de celebração com uma grande fogueira acesa em torno da qual dançam mulheres de beleza exótica ao som de instrumentos igualmente incomuns. Cerca de dez grandes carroças de viagem (que eles chamam Vardos) estão dispostos em um círculo. Crianças e velhos ficam perto desses carroções que servem como transporte e lar para os viajantes.
Os heróis são apresentados ao Chefe da Caravana, um velho chamado Stamir. Ele dá as boas vindas em nome de seu povo e diz que os recém chegados são bem vindos. Em meio a canto e dança e da calorosa recepção oferecida, os heróis ficam tranquilos. Seu objetivo era falar em particular com Stamir assim que possível, questioná-lo discretamente a respeito das acusações e das suspeitas da Guilda dos Mercadores.
"A verdade é que o vinho e a companhia daquelas pessoas serviram para que baixássemos nossa guarda. Não é sempre que estranhos são tão bem recebidos e é possível contar nos dedos quantos povos são tão anfitriões."
Das Anotações de Gareth II
Após receber os afagos do Povo Itinerante, os heróis são convidados para sentar com eles ao redor da fogueira para o que parece ser algum tipo de costume local - compartilhar histórias.
Stamir assume um semblante mais sombrio a medida que começa a narrar a triste história de seu povo e de como eles adotaram as estradas como seu lar. A seguir, ele começa a contar uma segunda narrativa, dessa vez envolvendo um misterioso soldado encontrado pelos Vistani quando eles passavam por uma terra assolada pela guerra. Segundo Stamir, o tal soldado foi ferido e abandonado atrás das linhas de seus inimigos mortais. Os Vistani o encontraram, trataram de suas feridas e o esconderam em seus vardos - mesmo quando os soldados que o procuravam ofereceram uma recompensa, eles disseram que não o haviam visto. Tornaram-o parte de sua caravana e o abraçaram como um deles. Meses depois, quando já haviam passado pela região e adentravam um reino vizinho, o soldado revelou que na verdade era o Príncipe daquele Domínio. Como agradecimento por terem salvo sua vida, o Príncipe prometeu aos Vistani que não importa o que acontecesse, sua Terra estaria sempre aberta para a passagem deles.
Mas então, muito tempo depois, os Vistani souberam que uma terrível maldição se abateu sobre o nobre Príncipe e sobre a sua bela terra. O mal que maculou a sua alma o transformou. Ele não era mais um homem justo, e sim, um terrível déspota que passou a governar seu Reino como um Domínio. Não obstante tornou-se "Senhor e Prisioneiro de suas próprias terras".
Apesar disso, os Vistani ainda eram ligados por laços de amizade ao Príncipe e deviam a ele eterna obediência.
"Ao fim da narrativa Stamir, o velho contador de histórias, nos pediu desculpas. E percebi que meus sentidos estavam embotados por algo que privava minha atenção. Senti a cabeça pesada e um torpor dominar meu corpo... estaria no vinho? Algum narcótico? Mas como era possível se eu não bebi? O velho então sorriu ao se debruçar sobre mim, "é a fumaça da fogueira". E foi a última coisa que vi antes de perder os sentidos."
- Do diário de Rün Havenhide - Servo de Lathander
CAPÍTULO PRIMEIRO -
ROSA & ESPINHO (Rose & Thorne)
"Ao despertar, em uma clareira, em meio a uma densa e fria floresta de pinheiros, não conseguia disfarçar meu descontentamento. Eu sabia que alguma coisa estava errada, mesmo assim, me deixei ser capturada de modo infantil. Se eu não voltar para casa, a culpa será minha, só minha!"
Do diário pessoal de Simone Beaumont
Logo após despertar, Braguir e Adrie se recordam de palavras sussurradas em seus ouvidos pelo Chefe dos Vistani. Palavras que parecem muito claras em sua mente:
"Procurem por Madame Eva, uma mulher com capacidades premonitórias Ela poderá falar a respeito de seu destino e será sua chance de voltar para casa".
Os heróis se encontram em uma floresta erma da qual nada sabem. Há somente uma trilha adiante, com rastros pronunciados dos pesados vardos na lama. O grupo decide seguir esse rastro, preocupado com o que quer que habite essa floresta.
"Existe algo de perturbador nessa mata. Já viajei por muitos lugares na Costa da Espada e não me recordo de ter encontrado um bosque tão fechado e silencioso. Não há sequer pássaros e animais silvestres. Não há nada a não ser silêncio e apreensão que poderiam enlouquecer um druida. Onde é que estamos?
- das anotações de Adrie
A Companhia segue a trilha, mas em determinado momento as marcas dos vardos simplesmente desaparecerem como por magia. Não há mais nenhum pista. E em meio a floresta a neblina começa a se transformar em um espesso nevoeiro. Acima das copas fechadas, há apenas um céu cinzento e indiferente.
Depois de seguir por horas à fio pela trilha, a vegetação vai se tornando mais esparsa até que surge adiante uma planície e ao longe, a névoa indevassável se abre o suficiente para oferecer uma inesperada visão:
"Diante de nós erguia-se uma muralha de proporções colossais que me fez perguntar a mim mesmo se as pedras teriam sido empilhadas por Gigantes. O paredão tinha mais de 20 metros de altura, com ameias e postos de guarda de onde tinha a impressão, poderia vir uma seta a qualquer momento. Meus companheiros também ficaram intrigados, pois, a despeito de tão magnífica obra de engenharia, estava claro que o lugar estava abandonado há tempos. Trechos haviam desmoronado e precisavam de reparos imediatos. Até mesmo as estátuas que ladeavam o massivo portão de entrada estavam dilapidadas, tendo a cabeça de uma delas tombado do alto, afundando em meio ao mato que crescia selvagem. Não era possível ver detalhes de quem seriam as pessoas retratadas ali, mas é claro, se tratavam de guerreiros pois traziam espadas em suas mãos e vestiam armaduras pesadas. O portão era por si só impressionante, com grades de ferro escuro batido. No alto da passagem uma placa de mármore talhada trazia o nome do rincão onde estávamos adentrando: "A todos os viajantes que vem em paz, sejam bem vindos ao orgulhoso Domínio de Baróvia". Tive um arrepio imediato quando a porta abriu com um rangido. O vento... provavelmente!"
- Do diário de Gareth II
A Companhia decide atravessar o portão e avançam pelo desconhecido, uma vez que o nome "BAROVIA" não lhes soa familiar. Pior de tudo, talvez seja o rangido seco da grade se fechando ao longe, logo depois de atravessar a arcada.
"Ao atravessar os limites dessa fronteira, andamos por horas por uma planície tristonha e erma. Nossa companhia constante era um nevoeiro denso e cinzento que se erguia e avolumava de quando em quando. Por vezes, ao mirar nessa parede revolta, posso jurar, embora não o deseje fazer que formas espectrais surgiam e desapareciam, rodopiando e girando, formando-se e desaparecendo. E vozes... quando ouvimos as vozes, era como o som de lamúrias chamando do além. Nos entreolhamos por um instante sem saber o que fazer,, mas então..."
Do diário de Braguir, sacerdote de Lathander
Antes de seja lá o que surgir das brumas, estas se partem, revelando de súbito uma enorme propriedade que se materializa em pleno ar. Uma mansão de aspecto nobre e bem cuidado com velas acesas luzindo na treva. Um porto seguro na noite escura?
Não há resposta às insistentes batidas nestes sinistros umbrais, apenas o eco seco reverberando pelos aposentos e câmaras. Só as batidas... e nada mais!
"O nome de tal sinistra propriedade eivado de maus agouros resplandece numa placa de pedra talhada onde lê-se: Rose and Thorne Manor. A despeito da desconfiança e receio, uma casa é apenas uma casa e se esta oferece um alento diante da noite e dos elementos, que assim seja. A porta principal se abriu, à guisa de servo ou senhor à atendê-la. No interior decorado com ares aristocráticos, fomos saudados por mobília suntuosa digna de um palacete, brilhando sob a luz de velas e candelabros de cristal. Luxo e opulência em cada canto, riqueza digna das casas de ricos mercadores e dos palácios de rica estirpe de minha distante Calishan."
Das memórias de Rûn Havenhide
A despeito da aparente desolação, a habitação obviamente estava preparada para a chegada de visitantes pois lareiras acesas e mesas postas saúdam os exaustos viajantes. Estes contudo se perguntam: "Esse fogo caloroso e essa ceia suntuosa são para nós ou para outros que também viajam na noite escura?".
"Não há resposta, mas se algo ficou evidente, é que nessa casa existe uma força desejosa de disputar algum tipo de jogo doentio e letal. Com portas e janelas trancafiadas, nada resta além de adentrar as salas e buscar uma saída para fora deste lugar assombrado. Uma verdadeira Casa dos Lamentos"...