quinta-feira, 11 de abril de 2019

Desencaixotamento da Monte Cook Games - Abrimos uma caixa com 15 Kg de material de Numenera e The Strange

Olá cultistas,

Vocês sabem o que é um unbox, né?

Pois é, aqueles vídeos de gente abrindo pacotes e mostrando o que tem dentro de uma caixa?


Pois é... aqui no blog a gente chama de DESENCAIXOTAMENTO mesmo. Porque aqui é Brasil, e Brasil não é para principiantes.

Agora, MEGA-DESENCAIXOTAMENTO vocês já ouviram falar?

Se querem saber o que é, assistam a esse vídeo em que os investigadores do Mundo Tentacular, Luciano Giehl e Thiago Queiroz, exploram os tesouros contidos em uma caixa reforçada, super, mega, ubber recheada com livros, suplementos, mapas e material de Numenera e The Strange.


E acreditem, é MUITA COISA!

Sem brincadeira, a caixa devia ter mais de quinze quilos. Ela foi enviada pela Monte Cook Games contendo os últimos lançamentos de suas duas maiores ambientações. Só coisa de primeira, material incrível de dois RPGs que são TOP e que podem ser encontrados em terras brasileiras através da New Order.

Assistam o vídeo abaixo e participem do Canal do Mundo Tentacular Streaming.

Assistam aqui!



#MundoTentacular #MonteCookGames #Desencaixotamento #RPGdemesa #RPG #Numenera #MundoTentacularStreaming

quarta-feira, 10 de abril de 2019

O Arsenal da Quadrilha Barrow - As armas de Bonnie e Clyde


Era um tempo em que criminosos eram glorificados e a população torcia por eles. Assassinos, ladrões e sociopatas violentos eram os heróis do público. Escapar da lei e da ordem era uma façanha que apenas os rebeldes e loucos conseguiam. Suas histórias e feitos se tornaram lendários, mas não resistiam a uma análise criteriosa que os identificava como bandidos sanguinários.

Ainda assim, bandidos se tornaram parte importante da história americana. Frank e Jesse James são um bom exemplo da devoção dos americanos pelos bandidos. A dupla de criminosos que aterrorizou o Missouri após a Guerra Civil se tornou famosa mundialmente. A Gangue do Colt, chefiada pelos irmãos James deixou um rastro de sangue, mortes e vingança, mas também fascinação e interesse duradouros. Há outros como Machine Gun Kelly, Frank Dillinger, a Quadrilha Dalton...

Mas talvez, os mais célebres sejam Bonnie Parker e Clyde Barrow, os míticos amantes nascidos na época mais injusta e dura da história americana. Os dois acumularam uma legião de fãs que torcia por eles e que mal conseguia acreditar quando eles foram abatidos em 1934. Os bancos que a dupla assaltava eram a representação daquilo que o povo mais pobre detestava - os grandes vilões da história. Quando alguém se ergueu contra essas instituições, as pessoas imediatamente se identificaram com eles.

As fotografias, poesias e as manchetes sensacionalistas ajudaram a catapultar o nome dos dois para a história, transformando-os do dia para a noite em celebridades. Havia mulheres cortando os cabelos na moda Bonnie Parker, homens vestindo roupas e chapéu no estilo Clyde e as vendas do Ford V8 duplicaram depois dos elogios feitos à Henry Ford, projetista da máquina. Mais do que os indivíduos, suas armas se tornaram um sinônimo de rebeldia. A Metralhadora BAR (Browning Auto-Gun) e a espingarda Remington se tornaram as armas favoritas dos fãs de Bonnie e Clyde e passaram a ser identificadas com eles.


A Quadrilha Barrow se envolveu em pelo menos cinco grandes tiroteios com as forças da lei e da ordem, estando sempre em menor número. Mas eles compensavam isso com muitos disparos. Em um dos cercos dos quais eles conseguiram escapar, um jornal estampou na manchete "Mais de mil disparos feitos", o que era verdade. Bonnie e Clyde podiam não ser grandes atiradores, mas sabiam que disparando centenas de tiros, alguns deles encontrariam o endereço certo.

Na ocasião de sua morte, o casal transportava dentro de seu automóvel a seguinte lista de armamento:

• Três .30-06 Browning Automatic Rifles (BARs)

• Uma espingarda Winchester de Cano curto 10 gauge com alavanca de recarga

• Uma espingarda de cano curto 10 gauge Remington Modelo 11

• Sete pistolas automáticas calibre .45 Colt 1911

• Uma pistola automática calibre .32 Colt

• Uma pistola automática calibre .380 Colt

• Um revólver Double Action Colt

Eles tinham ainda 3000 balas de vários calibres, além de 100 pentes completos de munição para a BAR cada um com 20 projéteis.

A maioria das armas de Parker e Barrow, e aquelas usadas pelos agentes da lei e da ordem que os capturaram, ainda existem e permanecem em exposição no Texas Ranger Hall of Fame e no Museu de Waco, Texas - uma exposição interessante para os fãs de História americana, ou qualquer um que ame história ou tenha interesse em armas de fogo.

O que se segue é um olhar mais próximo dessas armas.

BAR M 1918 .30-06 Browning Automatic Rifle



Clyde Barrow chamava esse rifle automático (o seu favorito) de "arma de espalhar". Em geral o termo scattergun se refere a espingardas que disparam cartuchos de chumbo em uma nuvem mortal que se "espalha", mas Clyde se referia ao fato de que quando atirava com a BAR, as pessoas se espalhavam e corriam em todas as direções. Não é para menos! O BAR é uma arma assustadora e uma rajada dela é suficiente para fazer qualquer um se atirar o chão. Perfeito para alguém que quer manter civis afastados e homens da lei acuados. 

Uma das ações mais ousadas da Barrow Gang foi atacar a prisão agrícola de Eastham, onde Clyde ficou preso. A peça chave do plano era o poder de fogo da BAR, que os criminosos haviam obtido assaltando um quartel da Guarda Nacional em Enid, Oklahoma. Para dar cobertura aos seus comparsas e permitir a fuga de prisioneiros, eles dispararam contra a copa de árvores criando uma distração perfeita.

Clyde aprendeu a remover o supressor de ruído de seu BAR e assim fazia ele rugir como um trompete. O som era seco e muito alto, realmente assustador.

Em 13 de abril de 1933, um grupo de cinco homens da polícia de Joplin, Missouri, cercou a cabana em que a Barrow Gang estava reunida. Eles acreditavam que se tratava de uma quadrilha de contrabandistas de bebida e não faziam ideia que haviam descoberto o covil dos ladrões mais famosos da época. Ao se aproximar da janela, acabaram sendo vistos e Clyde rapidamente disparou uma rajada de sua BAR. A arma automática cuspiu mais de 200 projéteis fazendo buracos na parede e acertando os agentes em cheio. Dois deles morreram na hora.

Três meses depois, em 18 de julho, um bando de 13 oficiais de polícia armados com metralhadoras Thompson e viajando em um carro reforçado com placas de metal, cercaram a quadrilha no hotel Red Crown Tourist, próximo de Kansas City, Missouri. Apesar de contar com armas automáticas, eles se viram em desvantagem contra o poder de fogo superior dos criminosos. Clyde mantinha pelo menos três metralhadoras limpas e carregadas, prontas para disparar. E não poupava munição quando pressionava o gatilho!

O tiroteio em Kansas City entrou para a história como um dos mais violentos da época. As Thompson disparavam projéteis calibre .45, enquanto a BAR lançava uma barragem de munição .30-06 capaz de atravessar madeira, paredes e até metal a uma distância de 100 jardas. A quantidade de disparos foi tão grande que três dias depois, os jornalistas enviados para cobrir a cena ainda sentiam cheiro de pólvora no ar. Nenhuma janela foi poupada e as paredes da cabana tinham tantos buracos que o dono da pensão preferiu colocar a cabana abaixo ao invés de remendar os danos.


Quatro dias depois, Bonnie, Clyde e W.D. Jones conseguiram, ainda que feridos afugentar 50 homens armados que tentavam capturá-los perto de Dexter, Iowa. Novamente, o que falou mais alto foi o poder de fogo das BAR que impediram o avanço da polícia. Clyde distribuiu suas armas para os comparsas e com os três fazendo uma barragem de tiros foi impossível se aproximar. Logo depois desse tiroteio, eles perderam duas BAR, mas Clyde foi rápido em roubar uma loja de munições e outras três armas para repor o arsenal perdido.

Quando o casal enfim foi morto em uma emboscada, as autoridades encontraram dentro do automóvel três BAR prontas para a ação. Os pentes de munição estavam colocados em uma maleta especial de transporte de munição e deixadas à mão para recarregar e disparar. Estima-se que um atirador treinado consiga descarregar um pente com 20 disparos em 6 segundos e recarregar outro em mais 6 segundos. Clyde se orgulhava de fazer tudo em 7 segundos. 

Carregada com o poderoso cartucho de rifle .30-06, a BAR foi criada pelo projetista de armamento John Browning em 1917 e usada pela Força Expedicionária Americana na Grande Guerra Mundial. O conceito da BAR era simples: permitir ao soldado distribuir uma barragem de projéteis enquanto se movimentava. Até então, as metralhadoras necessitavam ser instaladas em tripés. Com a BAR, um soldado podia atirar e empreender perseguição contra seus alvos e atirar na direção que quisesse. Ela valia por uma coluna inteira de atiradores.

A chave de seleção permitia fogo simples ou automático, disparos para cada ocasião. Alguns soldados se empolgavam tanto com o uso da BAR que afirmavam ser um enfeite a tal "chave seletora", mantendo ela sempre no modo de full auto fire. A BAR rapidamente substituiu as enormes metralhadoras Lewis e Chauchat, que além de pesadas ainda tinham uma manutenção complicada e engasgavam. A BAR pesava aproximadamente 7 quilos e podia ser municiada com um pente de 20 projéteis ou um de 40. Clyde adaptou novamente a sua arma para que ela pudesse comportar um carregador de 60 projéteis. Com isso, ele poderia sustentar uma cadência de tiro de 550 a 600 disparos por minuto.  

A BAR viu pouca ação nos campos de batalha da Europa já que o primeiro carregamento delas foi entregue nos dias finais da Guerra em 1918. Ainda assim, ela foi incorporada ao exército e se tornou uma peça chave de infantaria nas décadas seguintes, usada até meados dos anos 1950. Eventualmente ela foi substituída pela metralhadora M 60 que usava uma cinta de munição e tinha manutenção mais fácil. 

.38 Colt Army “Fitz Special”


O .38 Colt Army Special nessas fotos foi achado no automóvel dirigido por Bonnie e Clyde na emboscada em que eles morreram. O revólver foi fabricado em 1924, e tem uma história curiosa - alguém o roubou de um Texas Ranger chamado M.T. "Lone Wolf" Gonzaullas enquanto ele estava trabalhando na limpeza das cidades durante a criação dos oleodutos no Leste do Texas nos anos 1920. Gonzaullas modificou seu revólver em um modelo que era conhecido na época como Fitzgerald Special, ou "Fitz Specials". A modificação consistia em reduzir  o tamanho do tambor em duas polegadas, removendo a frente do gatilho e sua guarda. A arma podia então ser pega com uma luva grossa e se ajustava melhor à empunhadura de pessoas com as mãos grandes.

Não se sabe como ou quando a arma entrou para o arsenal da Barrow Gang, mas é no mínimo curioso que ela estivesse em poder deles. Mais ainda se consideramos que foram os próprios Texas Rangers os responsáveis pela emboscada que os matou. O revólver estava guardado no porta luvas do V-8 e foi reconhecido semanas mais tarde pelo próprio Gonzaullas que afirmou ser o trabalho de modificação obra sua. 

O Colt Army Special foi produzido pela primeira vez em 1908. Nessa época, polícia e exército estavam trocando seu equipamento do anêmico calibre .32 para o mais robusto .38. O Colt Army se tornou a arma de confiança dos militares e passou a ser usado em um coldre ajustado na cintura e coxa. Contudo, logo depois, a própria Colt lançou em 1911 a pistola semi-automática .45 que se tornaria a arma mais desejada pelos militares e que até hoje é usada. Com isso, os Colt Army já comprados pelo exército, foram cedidos para as forças policiais em quase todo o país sendo renomeados Colt Official Police em 1927. Eles se tornaram a arma básica dos agentes da lei e da ordem na América. Cerca de 400,000 deles estavam em circulação até 1969, quando a Colt decidiu parar de fabricá-los.

.30-06 Colt Monitor Machine Gun


O Colt Monitor mostrado acima foi usado na emboscada fatal de Bonnie e Clyde pelos Texas Ranger. Ele está em exposição no Museu dos Rangers e pertenceu ao policial Joaquin Jackson, cujo livro "One Ranger" dá uma ideia honesta do trabalho e das dificuldades desses policiais. 

Ela não era portanto uma arma que compunha o arsenal de Bonnie e Clyde, mas foi usada para abatê-los. O agente dos Texas Ranger Frank Hamer se armou com uma dessas metralhadoras sabendo que precisaria de poder de fogo para competir com os BAR da Barrow Gang. Alguns policiais temiam que o uso da Monitor em uma área urbana poderia ser desastroso já que a arma tinha uma cadência de tiro semelhante a do BAR e poderia facilmente acertar civis já que os seus projéteis atravessavam paredes. Hamer defendia que a polícia precisava de armas potentes e quando seu pedido por elas não foi aceito, ele próprio foi até uma loja de armas e comprou dois Colt Monitor e munição. 

A arma não havia sido adotada ainda pelo exército americano e provavelmente por essa razão, a Gang Barrow não conseguiu colocar as suas mãos em uma delas. Ao comparar o BAR com a Monitor, Hamer concluiu que a segunda levava vantagem e pediu que outras quatro fossem providenciadas para a emboscada. O Monitor usava cartuchos .30-06 e ao contrário da munição .45 das Thompson conseguia varar a lataria de um automóvel Ford V8. 

O Colt Monitor ganhou enorme fama como a arma que matou Bonnie e Clyde e depois disso foi adotado por forças policiais como uma versão civil do BAR. Ele foi usado por esquadrões especialmente criados para perseguir os gangsters dos anos 1930. O então diretor do FBI, J. Edgar Hoover a apelidou de "arma portátil de destruição em massa". O Monitor tinha o cano mais curto que o BAR e não se valia de um tripé, sendo usado com duas mãos. O pente de munição comportava entre 20 e 30 projéteis e podia manter uma cadência de tiro de 550 projéteis por minuto. 

O famoso Cutts Compensator na ponta da arma era vital para seu funcionamento, ele evitava que durante uma rajada prolongada a arma voasse das mãos do atirador. Alguns gangsters que usaram o Monitor removiam o compensador para que a arma fizesse um ruído assustador. Sem o apetrecho ela também produzia uma labareda amarela ao disparar.

.32 Colt Pocket Hammerless Model M Pistol


O Colt Hammerless Model M era, junto com a Metralhadora Thompson, uma das armas favoritas de Hollywood durante a Era da Depressão. Praticamente todos os filmes de gangsters do período, ou que tivessem detetives ou femme fatale, mostravam personagens equipados com uma delas. As linhas dessa pistola eram tão modernas e icônicas que ela passou a ser chamada de "Pistola Art Deco". Dessa vez, Hollywood estava refletindo a realidade: O Colt Hammerless, Model M, era uma das armas mais usadas pelos bandidos do período que caíram de amores por ela, assim como alguns agentes da lei que a consideravam especial.

Entre 1903 e 1945, cerca de meio milhão dessas pistolas semi-automáticas foram produzidas e vendidas, encontrando um público fiel entre militares e agentes da lei. Ela também se tornou uma favorita de vendedores e pessoas que tinham que viajar frequentemente pelas estradas do interior da América. Fácil de guardar e transportar, podia ser facilmente colocada no porta luvas do carro ou no bolso do casaco. 

O Colt Hammerless, na verdade tinha um cão (a peça que deflagra o disparo), mas este ficava escondido e protegido na lateral da arma o que evitava dele ficar preso em tecido ou no coldre ionde a arma era transportada. O design foi criado por John Browning e ele desenhou um pente de munição pequeno no calibre .32. O pente tinha carga para 8 projéteis, oferecendo um impressionante e rápido poder de fogo para uma pistola tão compacta.

Alem disso, era uma arma discreta que caiu no gosto também de donas de casa como Gladys Hamer, esposa do Texas Ranger Frank Hamer, que em 1934 se tornou o homem que terminou com o reinado de crime e assassinato de Bonnie e Clyde. Bonnie por sinal tinha uma dessas e a usou em pelo menos meia dúzia de assaltos. A arma acabou se perdendo em algum momento da jornada deles pelas estradas. 

12-Gauge Stevens Sawed-Off Double Barrel Shotgun


A Companhia S J. Stevens de armas e ferramentas lançou uma versão da espingarda 12 com o cano curto copiando algo que já se fazia há anos, serrar o cano das armas para deixá-las mais manuais e compactas. A ideia de Stevens era facilitar a portabilidade da .12, mas isso é claro acabou atraindo algumas críticas, afinal encurtar o cano de uma espingarda era algo típico de bandidos e foras da lei.

Não por acaso, essa espingarda ganhou o apelido de "robber's shotgun" (Espingarda de ladrão). Apesar disso e da má fama que a acompanhava, ela vendeu bem se convertendo em um dos principais produtos da Stevens Arms até seu fechamento em 1965.  

Chama a atenção o fato de que a espingarda possui uma coronha de pistola e tambor de uma calibre 12 modificado. A munição era colocada "quebrando" o cano e encaixando o projétil em seu interior. A Shotgun Stevens era barata, forte e com um poder de fogo impressionante para uma arma tão pequena. Ela ganhou reconhecimento entre vigias, leões de chácara e motoristas de carros forte, por ser fácil de esconder. Alguns a usavam em um coldre adaptado, como se fosse uma pistola. Também ficou famosa como a espingarda ideal para se ter em baixo do balcão de um bar. 

A arma na fotografia foi encontrada no carro de Bonnie e Clyde abandonado após uma tentativa de roubo à banco em Hillsboro, Texas em 1932. A arma parece ter sido usada também em uma série de assaltos a postos de gasolina e lojas de conveniência. 

Remington Model 11 20-Gauge Semiautomatic Shotgun



A arma favorita da senhorita Bonnie Parker, exatamente a mesma que ela usou nas famosas fotografias em que "ameaça" seu amante (a foto no alto desse artigo). 

Clyde serrou o cano da espingarda, deixando-a mais compacta para alguém da estatura de Bonnie, que não media mais do que 1,50 m. Com a espingarda mais curta ela podia segurar com as duas mãos e minimizar o coice violento da Remington. Clyde apelidou essa arma de "chicote" pois o recuo dela era tão forte que podia voar longe se não estivesse sendo segura corretamente. Não devia ser fácil para uma moça franzina como Bonnie manejá-la, mas ela o fazia bem o bastante.

A Remington modelo 11 foi a primeira espingarda americana com carregamento automático. Seu mecanismo interno permitia que seis cartuchos fossem municiados pela culatra, após cada acionamento um cartucho novo era empurrado para a câmara e ela ficava pronta para disparar. O mecanismo patenteado por John Browning foi oferecido para a Winchester que não se interessou por ele, aparentemente acreditando que os usuários não abririam mão do mecanismo clássico de alavanca (pump). A arma começou a ser vendida em 1905 e continuou até 1947.

A arma na foto acima estava em poder de Bonnie e Clyde no dia em que eles foram mortos. Um dos Texas Rangers que participou da emboscada disse que a mão de Bonnie chegou a se mover para a esquerda procurando a arma quando ela percebeu a armadilha. De fato, a arma era mantida ao alcance das mãos em uma correia presa na porta do automóvel.

Winchester Model 1901 10-Gauge Lever-Action with Shortened Barrel


A Winchester Modelo 1901 .10 com alavanca, era a espingarda de estimação de Clyde Barrow e foi recuperada no carro da morte no dia da emboscada fatal. Após o ataque, ela foi entregue a Frank Hamer como uma espécie de prêmio por ter matado os foras da lei.

Desenhada por John Browning a arma representava um avanço em poder de fogo e intimidação. A companhia Winchester contratou o famoso armeiro para desenvolver uma espingarda para a companhia que já dominava o ramo de rifles. Browning incluiu no desenho um tubo que acondicionava até cinco cartuchos de munição e uma alavanca que impulsionava uma nova munição após cada disparo. Na prática era uma fusão entre o rifle Winchester de repetição e a espingarda convencional.

Apesar de seu design inovador a arma não teve grande apelo ao público já que foi vendida apenas na versão .10 que não era tão potente quanto a .12. A espingarda ganhou fama como a arma favorita de fazendeiros, mineradores e homens do campo - e o apelido "Elmer Gun" (por conta do inimigo mortal do coelho Pernalonga, que usava um modelo parecido).

É possível que muitos gostassem da arma pelo fato de seus disparos serem barulhentos e capazes de afugentar ladrões. Muitas pessoas defendiam que um disparo da Winchester .10 para o alto era suficiente para fazer qualquer bandido correr sem olhar para trás.  Exemplares dela podem ser vistos em filmes como Roy Bean e Terminator 2.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

Criaturas Terríveis - Financiamento da Retropunk já está no ar!


Pessoal, para quem não sabe a Retropunk acaba de dar o ponta-pé inicial na Campanha de Financiamento Coletivo do Livro "Criaturas Terríveis" para Rastro de Cthulhu.

Mas o que é esse livro?

Ele é um compêndio com a descrição completa de 31 criaturas dos Mythos de Cthulhu com detalhes que concedem a eles uma maior profundidade e ajudam a criar uma atmosfera de terror mais profunda. São 350 páginas de Monstros para todos os gostos e tome sanidade na veia!

A lista de criaturas abomináveis e terrores absurdos inclui:
  • As anteriormente já lançadas em formato em PDF no Brasil: Byakhee; Crias Negras de Shub-Niggurath; Abissais; Carniçais; Grande Raça de Yith; Cão de Tindalos; Horror Caçador; Lloigor; Mi-Go; Coisa-rato; Povo Serpente; Shoggoths; Vampiros Espaciais; Tcho-Tchos; e Wendigo.
  • Sete novas criaturas: Bholes; Cor Vinda do Espaço; Seres Ancestrais; Pólipos Voadores; Feras da Lua; Espreitador Noturno; e Filho de Yog-Sothoth.
  • E mais nove que nunca tiveram suas estatísticas apresentadas em nenhum rpg que aborde o Mythos de Cthulhu: Coisa-Morcego; Escuridão Alada; Espectro Gasoso; Devorador Ultravioleta; Medusa; Raktajihva; Vapor Vampírico; Verme-Cultista; e Y’m-bhi.
Para os fãs e admiradores da mitologia lovecraftiana, para aqueles interessados em apimentar a sua campanha ou apenas para os curiosos que adoram saber mais a respeito do perigoso mundo dos Mythos ancestrais, esse livro é um verdadeiro tesouro.

Sem falar que ele dá prosseguimento a linha Rastro de Cthulhu, em comemoração aos seus 10 anos no Brasil.

Um excelente lançamento com a qualidade da Editora Retropunk.

Mas não é só isso!


O Financiamento trás ainda Dulce et Decorum Est, um compêndio de Rastro de Cthulhu a respeito da Grande Guerra, suas implicações, seus detalhes, dramas e, como não poderia deixar de ser, seus horrores.

Esse é um suplemento com tudo o que o Guardião precisa saber a respeito da "Guerra para acabar com todas as Guerras", relatando a vida nas trincheiras, as condições, os principais enfrentamentos e a relação desse conflito épico com os Mythos ancestrais. 

 O livro de 112 páginas ainda vem com cenários prontos para lançar seus jogadores no pesadelo real da vida nas trincheiras. Em breve teremos a resenha desse material aqui no Mundo Tentacular, portanto, fiquem conosco para mais notícias.

Outro excelente lançamento!


Para quem achou interessante, mas quer esperar, aqui vai uma dica valiosa:

O Financiamento começou HOJE (08 de Abril) e vai durar um mês mais ou menos. MAS aqueles que apoiarem Campanha no primeiro dia garantem um desconto especial e levam pra casa esse material de primeira por um preço mais camarada.

Portanto, fiquem atentos e não deixem passar esse lançamento incrível!

No link abaixo, você encontra todos os detalhes desse financiamento, as opções, custos e tudo mais.

domingo, 7 de abril de 2019

Uma Rajada de Balas - A vida sangrenta de Bonnie e Clyde


Foi durante a Grande Depressão, um período de caos na economia, que a atenção da América se viu direcionada para um casal de criminosos. Os dois eram jovens, eram impulsivos, nada parecia detê-los e as pessoas torciam por eles - a despeito deles matarem e roubarem.

Tratados como uma dupla de modernos Robin Hoods, "roubando dos bancos e nunca das pessoas", Bonnie Parker e Clyde Barrow protagonizaram uma onda de crimes que durou dois anos (de 1932 a 1934), na qual despistaram todas as tentativas de captura, dirigindo em alta velocidade e quando necessário, abrido caminho a bala. A atitude geral das pessoas no período era contrária ao governo. A vida era dura e as dificuldades se multiplicavam, nesse panorama, não era totalmente estranho que aqueles que desafiavam as autoridades fossem vistos como heróis populares. Se Bonnie  e Clyde estavam contra os bancos, eles deveriam estar à favor das pessoas mais simples. E os dois bandidos usaram isso à seu favor. Com a imagem de rebeldes, ao invés de assassinos, o casal capturou a imaginação da nação e tornou seus nomes conhecidos mundialmente.

 Mas quem foram Bonnie e Clyde?

Onde começa a história e onde termina a lenda? Como essa dupla de ladrões se tornou em um momento mais famosa do que astros de cinema, esportistas e políticos? E por que eles foram tão importantes para o período em que viveram?

De certa maneira, é fácil romantizar Bonnie e Clyde. Eles eram jovens apaixonados que ganharam as estradas americanas, fugindo dos homens da lei que haviam sido enviados para capturá-los "vivos ou mortos". A notável capacidade de Clyde de escapar de perseguições e emboscadas chegou a lhe valer o apelido de "super-homem", dotado de um sexto-sentido capaz de avisá-lo da presença de agentes da lei. Enquanto isso, Bonnie era retratada pela mídia como uma mulher moderna: inteligente, não se contentava em ficar no segundo plano. Ela decidia os alvos a serem atacados, planejava as ações e empunhava uma metralhadora tão bem quanto seu amante. Os dois eram uma novidade no marasmo de conformismo. Aos olhos do povo, constituíam uma força que se erguia contra a situação vigente. "Se a população tivesse a coragem de ser como Bonnie e Clyde, as coisas não chegariam ao ponto que chegaram", diziam alguns. Por tudo isso, a dupla não ganhou apenas a admiração, mas o coração das pessoas.

Os dois gostavam de tirar fotos com seu arsenal e ao lado dos carros.
Embora Bonnie e Clyde tivessem matado policiais, eles eram igualmente famosos por sequestrar homens da lei, mantê-los como reféns e depois, libertá-los sãos e salvos, centenas de milhas de distância. As declarações de policiais liberados dessa forma serviram para construir a imagem de que eles se divertiam à valer e que pareciam estar vivendo um tipo de aventura. Eram bandidos simpáticos.

Mas como acontece na maioria das vezes, a  verdade a respeito de Bonnie e Clyde era bem diferente da que as pessoas idealizaram e que os jornais ajudaram a perpetuar. O casal foi responsável por nada menos do que 13 assassinatos, algumas vezes de inocentes, alvejados durante os assaltos planejados por Clyde. A dupla também costumava roubar automóveis - Clyde amava carros velozes e chegou a enviar uma carta a Henry Ford elogiando seu modelo v8. Trocavam constantemente de veículo e roubavam de pessoas comuns que tinham o azar de cruzar com eles. Também atacaram muitas lojas de conveniência, armazéns e postos de gasolina, e não apenas bancos como muitos acreditavam.

Embora a história lembre deles como "ladrões de bancos", a dupla jamais conseguiu realizar um grande assalto. Os bancos sabiam do risco que corriam e por isso, evitavam deixar nas agências grande quantidade de dinheiro. Quando o faziam, costumavam usar cofres fortes e contratar seguranças armados. Em determinado momento, roubar bancos se tornou arriscado demais e a dupla abandonou esses planos, dedicando-se a atacar lugares menos protegidos. Além disso, os trabalhos em bancos obtinham dinheiro apenas suficiente para promover suas escapadas, mas nunca para garantir a eles um padrão de vida acima da média. A maioria das coisas que eles possuíam provinha de roubos menores ou da boa vontade de seus fãs que ofereciam presentes.

É fato que o casal despertava a curiosidade e atraia os olhares de todos.

Fotos como essa ajudaram a criar o mito do Casal apaixonado
Bonnie Parker nasceu em outubro de 1910, em Rowena, Texas. A família vivia confortavelmente com o salário de pedreiro do pai, até este morrer inesperadamente em 1914. A mãe de Bonnie, Emma teve então que se mudar com os filhos para uma pequena cidade nos arrebaldes do Texas, chamada Cement City (que agora faz parte de Dallas).

De acordo com a maioria das pessoas, Bonnie era uma jovem cativante. Apesar de pequena, medindo menos de um metro e meio e pesando 45 quilos, ela era esperta e atenta a tudo. Ela havia se saído bem na escola, escrevia poemas e ganhava prêmios. Todos a consideravam amável e gentil. Ela se casou aos 16 anos com Roy Thorton, um bandido de quinta categoria. A união não foi feliz, o casal vivia às turras e quando Roy foi preso em 1927, ela decidiu voltar para a casa da mãe.

Foi o tédio que a catapultou para a vida de crime. Bonnie trabalhou como garçonete e atendente de posto, a Grande Depressão em 1929 atingiu a todos e a família Parker não foi exceção. Bonnie sonhava em ser famosa, ter coisas bonitas e conhecer o mundo. Foi graças a Clyde Barrow que ela conseguiu cumprir, ao menos em parte, algumas dessas ambições.

Clyde nasceu em Telico, Texas em 1909, o sexto filho de uma família de oito. Seus pais eram fazendeiros que perderam suas terras e tinham de trabalhar como contratados na lavoura alheia. Bem jovem, Clyde teve que pegar na enxada e suar nos campos, lado a lado com seus irmãos. Sonhava em ser músico, mas não tinha tempo para praticar.

Quando tinha 12 anos, a família se mudou para o oeste de Dallas, onde o pai, Henry abriu um posto de gasolina. Lá Clyde aprendeu a respeito de automóveis e aos 15 já entendia de motores e reparos automotivos, conhecimento que seria muito útil nos anos por vir. Ele e seu irmão mais velho, Marvin "Buck" Barrow, estavam sempre metidos em confusão e haviam sido presos por roubar carros e por delitos menores. Assim como Bonnie, ele vivia em meio a poucas perspectivas e desejava mais para sua vida do que aquilo.

O Casal Bonnie & Clyde em um momento de tranquilidade
Em janeiro de 1930, Bonnie e Clyde se conheceram na casa de um amigo em comum. A atração entre os dois foi imediata e eles começaram a namorar. Poucas semanas depois, Clyde foi preso e sentenciado a dois anos de prisão por roubo. Bonnie ficou devastada. Em março do mesmo ano, Clyde conseguiu escapar da cadeia, usando um revólver entregue por sua namorada em uma visita. Uma semana depois, ele foi capturado novamente e sentenciado a mais 14 anos de cadeia na brutal Prisão Agrícola de Weldon, no Texas.

A vida em Weldon era difícil e o trabalho duro o mantinha ocupado. Desesperado, ele decidiu fingir um acidente no qual cortou dois dedos com uma machadinha para assim receber transferência. Ao invés disso, acabou recebendo um benefício inesperado e sendo liberado mais cedo, no início de 1932. Clyde disse que jamais voltaria à prisão e que preferia morrer a passar um dia que fosse naquele inferno.      

A maneira mais fácil de se manter fora da cadeia era procurar um emprego e se manter "honesto". Ele também descobriu que Bonnie havia esperado por ele, e que estava ansiosa para encontrá-lo. Infelizmente, a Grande Depressão, tornava quase impossível a tarefa de se manter na linha e Clyde não se contentava em lavar pratos ou limpar quintais, ele queria mais. Não demorou para que ele voltasse a roubar e furtar. 

Um de seus primeiros assaltos foi a um mercado local. Bonnie participou da ação, ela deveria dirigir o carro de fuga, mas acabou sendo capturada por um transeunte que percebeu o roubo. Ela foi mandada para a prisão de Kaufman de onde foi liberada mais tarde por não existir provas que comprovassem sua participação no assalto. Enquanto Bonnie estava na prisão, Clyde e Raymond Hamilton realizaram outro assalto em abril. Era para ser um ataque rápido a uma loja de conveniência, mas algo deu errado e eles acabaram baleando mortalmente o gerente.

Bonnie acabara de deixar a prisão quando Clyde a procurou em um automóvel que acabara de roubar. Ele a convidou para fugirem juntos e começar a vida em outro lugar, onde ele não era procurado por homicídio. Clyde não prometeu que abandonaria a vida de crimes, pelo contrário, disse que tinha grandes planos e que precisava dela ao seu lado para realizá-los. Ela não precisou pensar muito... Bonnie subiu no carro e Clyde acelerou estrada à fora.

O armamento de Clyde que gostava da BAR
Os dois anos que se seguiram foram de ação e excitação, e claro, crime. Bonnie e Clyde dirigiram seus carros pelas estradas e cometeram assaltos em cinco estados: Texas, Oklahoma, Missouri, Louisiana, e Novo Mexico. Eles costumavam ficar próximos das fronteiras estaduais para conseguir escapar de seus perseguidores, usando o fato de que a polícia não tinha jurisdição além de seus limites territoriais. Para ajudá-los a evitar a captura, Clyde trocava frequentemente de automóveis ou alterava as placas quase que diariamente. Clyde também estudava os mapas e conhecia com a palma da mão cada estrada, sabendo ainda a localização de atalhos e esconderijos onde poderiam ficar ocultos. Isso ajudou a quadrilha a se esvair rapidamente a maioria das vezes em que cruzavam com a lei. 


O que a polícia ainda não havia percebido é que Bonnie e Clyde costumavam fazer sempre o memso trajeto, o que os levava frequentemente de volta ao Texas, onde eles visitavam seus parentes. Bonnie tinha um relacionamento muito próximo com a mãe, que insistia que a filha passasse ao menos alguns meses na companhia dela, não importando o quanto isso poderia ser perigoso. Clyde também aproveitava para visitar a mãe e sua irmã favorita. Essas visitas por pouco não custarama  vida deles em mais de uma ocasião.

 Bonnie e Clyde já estavam na estrada há pelo menos um ano quando o irmão mais velho dele, Buck foi solto da prisão de Huntsville em março de 1933. Embora o casal estivesse sendo caçado por várias agências do governo (uma vez que seus crimes incluíam assassinatos, assalto a bancos, roubo de carros, lojas e postos de gasolina), eles decidiram alugar um apartamento em Joplin, Missouri para ter uma reunião com Buck e sua esposa, Blanche. Lá eles decidiram formar uma quadrilha, chamada Barrow Gang, na companhia de W.D. Jones, outro notório assaltante de bancos.

Após duas semanas tranquilas, Clyde percebeu carros de polícia vigiando a área. Ele foi investigar e acabou sendo reconhecido pelos patrulheiros que lhe deram voz de prisão. Um tiroteio então teve início. Tendo matado um policial e ferido outro, Clyde conseguiu chegar até a garagem onde subiu no carro. Ele resgatou os demais na casa e escapou para a estrada sendo perseguido, mas seu talento na direção continuava inigualável e ele se desgarrou dos policiais. 

Embora não tenham conseguido capturar Bonnie e Clyde naquele dia, a polícia encontrou vários objetos pessoais e informações a respeito da quadrilha. O mais notório dos prêmios foi um filme de fotografias não reveladas que mostravam o casal em várias poses portando suas armas. Também no apartamento encontraram um caderno de poesias escritas por Bonnie. Esses objetos acabaram sendo divulgados para jornalistas que publicaram o material nos principais jornais do país. Esse foi o passaporte para que o casal ganhasse fama e se tornasse extremamente popular.

Cartaz de "Procurados"
Bonnie e Clyde continuaram dirigindo, trocando de carros e tentando se manter um passo à frente da polícia que já os havia declarado procurados vivos ou mortos. A Gangue Barrow realizou um ousado assalto a um depósito do exército e conseguiu um verdadeiro arsenal na forma de metralhadoras Thompson e BAR (Browning Auto-Rifle), escopetas e pistolas, além de muita munição e explosivos. 

Mas nem tudo era festa e em junho de 1933, a quadrilha se envolveu em um acidente próximo de Wellington, Texas. Enquanto dirigiam do Texas para Oklahoma, Clyde percebeu que a ponte que eles estavam cruzando estava passando por reparos. Ele tentou frear, mas o automóvel despencou do alto da ponte e mergulhou no rio. Embora Clyde e W.D. Jones tenham conseguido saltar do automóvel, Bonnie acabou ficando presa no veículo. Os comparsas não conseguiram ajudar Bonnie, ela escapou graças à ajuda de dois fazendeiros que pararam para ajudá-la. Bonnie sofreu ferimentos em decorrência do acidente que machucou a sua perna e a fez mancar dali em diante.

Na estrada, Bonnie não podia se dar ao luxo de procurar um hospital, por isso Clyde fez o possível para tratar do machucado. Ele chegou a sequestrar uma enfermeira para que fizesse curativos e pagou a ela 100 dólares como recompensa. Embora Bonnie tenha melhorado do ferimento, ela era obrigada a ingerir Láudano e outras substâncias para diminuir o desconforto.

Cerca de um mês após o acidente, o casal, além de Buck, Blanche e W.D. Jones se hospedaram em duas cabanas no Hotel Red Crown Tavern em Platte City, Missouri. Na noite de 19 de julho, a polícia foi avisada por locais e cercou a área para tentar uma captura. Dessa vez as autoridades estavam melhor preparadas, contando com armas automáticas e agentes federais. Por volta das 23 horas, policiais bateram a porta de uma das cabanas, e Blanche pediu um instante para atender a porta. Isso deu tempo para Clyde apanhar seu rifle automático BAR e começar a atirar. O tiroteio que se seguiu foi feroz, com mais de 500 balas disparadas em um minuto. Buck foi atingido de raspão na cabeça, mas a gangue conseguiu abrir caminho com uma barragem de disparos de metralhadora que obrigou os policiais a se proteger. Com a cobertura, os bandidos chegaram ao automóvel, mas antes Bonnie tratou de descarregar um tambor inteiro de sua Thompson nos carros oficiais, furando pneus e destruindo o motor deles, impossibilitando assim a perseguição.

Clyde dirigiu até o amanhecer e o grupo conseguiu chegar a Dexter, Iowa em uma jornada longa e cansativa. Eles pararam para descansar em uma área de recreação do Parque Dexfield. Sem que eles soubessem, a polícia seguia seu rastro e foi novamente avisada da presença da gangue por um fazendeiro que encontrou ataduras ensanguentadas.

A última emboscada
A polícia local entrou em contato com a Guarda Nacional, patrulheiros e cidadãos, totalizando um contingente de mais de uma centena de pessoas para tentar capturar o bando. Na manhã de 24 de julho de 1933, Bonnie percebeu movimentação na estrada e alertou seus companheiros de uma emboscada. O grupo abriu fogo com as metralhadoras mais uma vez e seu poder de fogo conseguiu repelir os policiais. Buck acabou sendo atingido várias vezes e dessa vez não conseguiu acompanhar os membros da Quadrilha. Clyde bateu em uma árvore e o grupo escapou a nado depois de pular num rio. 

Com a captura de Blanche e Buck, que morreu alguns dias depois em decorrência dos ferimentos, a gangue se dividiu. Clyde também havia sido ferido por pelo menos dois disparos e Bonnie recebeu alguns ferimentos de fragmentos de espingarda. O ataque por pouco não custou a vida dos criminosos e depois dele, era preciso arranjar um esconderijo para que pudessem se recuperar.

Mas em novembro de 1933, após passar cinco meses escondidos, a dupla voltou a assaltar. Eles estavam mais cuidadosos e temiam ser reconhecidos, por isso Clyde começou a usar uma peruca e Bonnie pintava ou amarrava os cabelos. Eles também evitavam dirigir durante o dia, mas ainda assim, acabavam reconhecidos e atraiam uma multidão de admiradores. No mesmo mês, W.D. Jones foi capturado e revelou à polícia a localização de esconderijos da gangue. Ele contou ainda que o casal mantinha contato regular com suas famílias e que combinavam encontros. Os federais usaram uma nova tecnologia que permitia ouvir e gravar as ligações telefônicas. 

Quando uma nova emboscada colocou a vida da mãe de Bonnie em risco, Clyde ficou furioso e jurou retaliar contra os homens da lei. Em janeiro de 1934, o casal atacou a Prisão Agrícola de Eastham, onde Clyde havia sido preso. Eles coordenaram uma fuga na qual um guarda foi morto e vários prisioneiros escaparam pulando no automóvel dos dois. Um destes prisioneiros era Henry Methvin que se juntou ao bando. A notícia da fuga ganhou manchetes sensacionalistas, assim como o assassinato de dois patrulheiros rodoviários que foram alvejados depois de perseguir o carro dirigido pela gangue.

Os homens que mataram os criminosos
A situação chegou a um ponto em que as autoridades concordaram que o reinado de Bonnie e Clyde deveria chegar ao fim. A Governadora do Texas, reincorporou os Texas Rangers, grupo que havia sido aposentado, para rastrear e matar o casal à qualquer custo. A missão dada era simples: Encontrar e matar, a captura, não era mais uma prioridade.

Os Rangers, chefiados por Frank Hamer, um famoso oficial da lei, reintegrado ao serviço, começaram a perseguir a quadrilha e por pouco não os apanharam em duas ocasiões. Eventualmente os homens da lei ficaram sabendo que o pai de Methvin vivia perto de uma área onde o casal havia sido visto. Eles entraram em contato com o sujeito e confirmaram que Bonnie e Clyde estavam na região e planejavam se esconder com ele nos próximos dias. Com isso prepararam uma armadilha para quando eles passassem pela estrada 154 entre Sailes e Gibsland na Louisiana. Os policiais confiscaram o caminhão de Methvin e fingiram que ele estava com problemas no pneu. O caminhão foi estrategicamente posicionado na estrada na expectativa de que Clyde encostasse para prestar ajuda. Um grupo de seis policiais se colocou atrás de uma barreira de vegetação com armamento pesado aguardando a chegada do casal.

Aproximadamente às 9 da manhã de 23 de maio de 1934, um Ford V-8 bege surgiu na estrada e se aproximou. Quando ele diminuiu a velocidade para ver o que acontecia, os policiais baixaram a barreira e abriram fogo sem aviso. Bonnie e Clyde não tiveram tempo de reagir! A polícia disparou mais de 130 projéteis no casal, matando os dois imediatamente. Quando os policiais se aproximaram para verificar, descobriram os cadáveres massacrados, cada um crivado por mais de 50 disparos.

O Ford V8 crivado de balas que pertenceu ao Casal de criminosos
O automóvel com os corpos de Bonnie Parker e Clyde Barrow foi rebocado de volta a Dallas onde ficou em exposição para o público. Os cadáveres foram levados para o necrotério local que atestou a identidade dos dois. Centenas de pessoas cercaram o carro, muitas delas incrédulas com a morte do casal que havia cativado a imaginação do público. Embora Bonnie tenha deixado uma carta pedindo para ser enterrada junto com seu amante, os dois acabaram sendo sepultados em cemitérios diferentes. Os enterros foram acompanhados por milhares de pessoas, em sua maioria fãs, que seguiram de perto a carreira dos bandidos do início ao fim. 

O fenômeno de Bonnie e Clyde foi um acontecimento curioso que viria a se repetir em outras ocasiões, com bandidos glamourizados e alçados a condição de celebridades pela mídia. Entretanto, nenhuma dupla de foras da lei conseguiu tanta repercussão e despertou tanto interesse do público. Ainda hoje, os dois inspiram filmes, séries de televisão e livros a respeito de suas façanhas.

"Clyde e Bonnie massacrados por balas de metralhadoras"

sexta-feira, 5 de abril de 2019

Tecedor de Ilusões - Adaptando a criatura para outras ambientações


O Tecedor de Ilusões para três sistemas diferentes de RPG.

Eu usei o mesmo princípio do histórico da criatura na postagem anterior. Trata-se de uma criatura alienígena que sempre age de maneira semelhante. Instala-se em um ambiente isolado onde constrói seu covil repleto de teias e fica aguardando a passagem de alguma presa que possa capturar e envolver em um casulo.

O Tecedor não é inerentemente maligno, mas ele não abre mão de sua dieta de emoções, agindo em seu próprio interesse para coletar as vítimas e extrair delas aquilo que anseia. Eu mantive a noção de que eles raramente se envolvem em um combate físico, são criaturas que usam suas habilidades mentais para envolver as presas e assim mantê-las sob seu controle. Se obrigadas a se defender, elas o fazem recorrendo a uma mordida (que não é nada formidável) ou a uma rajada psíquica, que tende a ser bem mais efetiva. Ainda assim, vale lembrar que o propósito dela é se manter afastada de confrontação, o que pode ser impossível quando suas presas despertam da Experiência Ilusória.

Aventuras criadas tendo Tecedores de Ilusões como criatura principal são ótimas para criar realidades surreais e inserir elementos estranhos, o que requer conhecer bem os personagens para empregar elementos de seu histórico. No final, invariavelmente, a revelação deve ser devastadora para os personagens.

RASTRO DE CTHULHU                                                                

O Tecedor de Ilusões não é natural da Terra. Ele pode surgir em nosso planeta através de portais dimensionais, feitiços de livros arcanos ou se precipitando dos céus através de asteroides e meteoritos. Em termos de jogo ele seria uma Raça Independente.

A criatura é capaz de manipular memórias e acessar lembranças profundas para assim construir uma ilusão perfeita que se enquadre em seus desejos. A presa capturada em uma ilusão passa a vivenciar esses acontecimentos, sem imaginar que está presa em um casulo tendo suas emoções drenadas pela criatura. 

Estatísticas de Jogo

Habilidades: Atletismo 6, Briga 9, Vitalidade 8

Limiar de Acerto: 3

Modificador de Alerta: +1

Modificador de Furtividade: +1

Arma: +0 (mordida), +1 Ataque Psíquico

Armadura: 0

Perda de Estabilidade: Em geral nenhum, mas tão logo a natureza das ilusões ficam evidentes e a forma do Tecedor é revelada +1

Rajada Psíquica: A Rajada Psíquica pode ser projetada a uma longa distância, contra inimigos que o Tecedor de Ilusões pode perceber. A vítima do ataque testa sua Vitalidade contra dificuldade 5. Se falhar, é atingido pela rajada e sofre um colapso mental, perdendo os sentidos por 1d6 +6 horas.

Investigação:

Biologia: O filamento que se espalha pelas paredes e pende do teto em quantidade considerável tem uma cor branca levemente prateada. Uma análise preliminar sugere que sua origem é orgânica e remete a uma teia. Uma análise mais profunda determina que ele tem propriedades neuro-condutoras.  
Ciência Forense: O corpo foi encontrado em uma espécie de casulo. O cadáver estava seco, quase mumificado, uma análise rápida deixa claro que ele não possui qualquer ferimento e que parece ter morrido tranquilamente, possivelmente sem ar. Dado o estado de emaciamento, é difícil dizer com certeza, mas há a sugestão de que ele também estivesse severamente subnutrido. O mais estranho é que apesar de tudo, seus lábios estão estranhamente contorcidos em uma espécie de esgar que estranhamente lembra um sorriso.

Pesquisar Biblioteca: O arquivo do jornal local está um tanto bagunçado, mas verificando as edições de décadas atrás é possível perceber que uma quantidade assombrosa de pessoa tende a desaparecer nessa região. Quase duas por ano! São pessoas que estavam de passagem e que sumiram sem deixar vestígios. Foram dados como desaparecidas e depois de algum tempo declarados legalmente mortas. Mas seus corpos jamais foram encontrados...

Sentir Perigo: Parece o seu filho! Mas como é possível? O que ele está fazendo aqui? Você olha para ele com dúvida, embora tudo que queira é abraçá-lo. Apesar das emoções conflitantes, algo dentro de você se questiona como ele pode ter a mesma aparência, já que desapareceu dez anos atrás. 

NUMENERA/ THE STRANGE                                                      

TECEDOR DE ILUSÕES             6 (18)    

Formas de vida alienígenas, a raça dos Tecedores de Ilusões surge raramente no Nono Mundo, habitando lugares isolados transformados em covis. Extremamente inteligentes e sensíveis eles constroem uma Experiência Ilusória na qual mergulham suas presas, lentamente drenando as emoções que afloram dessa interação.

Motivação: Desejo de Proximidade/ Fome de emoções humanas
Ambiente: Lugares isolados ou no espaço, dentro de estações e naves à deriva
Saúde: 20
Dano Infligido: 2 pontos
Armadura: 3 pontos
Movimento: Médio

Combate: A Aranha Tecedora de Ilusões raramente enfrenta inimigos em combate corpo a corpo, embora possa fazê-lo. Ela possui uma boca dotada de dentes pequenos porém afiados, perfeitamente capaz de morder e lacerar um oponente.

Entretanto, a Aranha não se interessa por disputas físicas, valendo-se de suas capacidades mentais. Ela é capaz de projetar uma poderosa rajada psíquica de longo alcance, que causa 5 pontos de dano no INTELECTO. Um alvo reduzido a Intelecto zero perde a consciência e é incapaz de agir a despeito de ter os demais atributos.

Interação: Os Tecedores de Ilusões são parasitas psíquicos que se alimentam das emoções alheias. Eles desejam envolver suas presas em ilusões criadas pelos seus poderes mentais. Algumas vezes, a aranha é capaz de desenvolver uma relação de comensalismo com suas presas passando a se importar com elas e tentando preservá-las à todo custo. Tecedoras são inteligentes e podem oferecer ajuda a exploradores em troca de acesso às suas memórias e construção de ilusões para desfrutar das suas emoções como pagamento.

Uso: Tecedores de Ilusões podem sequestrar aventureiros que estejam explorando uma ruína ancestral ou uma estação orbital, e prendê-los em uma ilusão enquanto drenam suas emoções. Os aventureiros passariam toda aventura num casulo, vivendo uma ilusão absolutamente realista.

Pilhagem: Sendo criaturas inteligentes e astutas, Tecedores de Ilusões obviamente possuem uma compreensão do funcionamento de Cifras e curiosas a respeito de seus efeitos. No ninho das aranhas da Fenda podem ser encontrados objetos de Numenera guardados em casulos fiados especialmente com esse propósito. Em geral, há 1d6 cifras nesses compartimentos, por vezes algumas bugigangas ou até mesmo um artefato.

Intrusão do GM: O Tecedor usa de seus poderes para criar um efeito de ilusão em seu adversário. Este vê a criatura como uma pessoa de seu passado, possivelmente alguém que ele gosta, confia ou que jamais iria atacar. Essa ilusão é tão desconcertante e real que o indivíduo perde a sua ação.

SHADOW OF DEMON LORD                                                         

Aranha Tecedora de Ilusões                                   Dificuldade 10
Tamanho 1, monstro aterrorizante

Os Tecedores de Ilusões não pertencem a esse mundo. São formas de vida desconhecidas que entram acidentalmente em nossa realidade através de portais dimensionais.  Em geral se estabelecem em lugares isolados e ocupam alguma estrutura fora de uso como uma torre em ruínas, poço seco ou forte abandonado que preenchem com teias.

O Tecedor captura suas presas, seres conscientes, as deixa inconscientes, para então, as envolver em um casulo. Neste, filamentos neurais são responsáveis por criar um contato psíquico e implantar ilusões baseadas em suas memórias. Um indivíduo capturado dessa forma tem uma Experiência Ilusória criada pelo Tecedor que é absolutamente real. Discrepâncias, por vezes, podem levar a revelação da ilusão e da real aparência da Aranha Tecedora.

Percepção: 15 (em seu ambiente)
Defesa: 14            Saúde: 10
Força: 11 (+1)    Agilidade: 13 (+3)     Intelecto: 15 (+5)     Vontade: 12 (+2)
Velocidade: 10, nas teias 15
Imunidade: Insanidade, sono, encantamento, compulsão e medo

Opções de Ataque: Mordida (corpo a corpo) +1 com 1 boon (1d6)

Ataques Especiais:

Rajada Mental - alcance longo, +5 com 2 boons

A Rajada Mental faz o alvo ficar Entorpecido (Dazed), por 1 minuto. Durante esse entorpecimento, a criatura pode estabelecer o contato mental necessário para iniciar uma Experiência Ilusória. 

Ações Especiais: Uma vez instalada uma experiência Ilusória, o personagem tem o encontro com o Tecedor de Ilusões apagado de sua mente e desperta em uma ilusão perfeita construída pelo Tecedor com base nas suas memórias e lembranças. Discrepâncias e dúvidas na narrativa ilusória permitem ao personagem testar seu Intelecto para obter vislumbres de que há algo errado na realidade experimentada.