terça-feira, 21 de junho de 2022

Anomalias Históricas - Objetos que desafiam nossa compreensão


A história está repleta de todos os tipos de mistérios que continuam a nos deixar perplexos. Muitos deles permanecem até os tempos modernos nos intrigando e desafiando a fornecer uma explicação para sua mera existência. De muitas maneiras, por vezes, parece que há tanto que não sabemos quanto o que sabemos. 

Dentre as maiores estranhezas que surgem das profundezas da história encontram-se os "artefatos fora do tempo", itens que desafiam uma classificação razoável pois não se enquadram no período histórico em que foram criados. Esses objetos misteriosos podem simplesmente nos causar confusão, mas outros ameaçam mudar a história como a conhecemos. São anomalias indescritíveis que custamos a compreender o propósito, como foram feitos e por quem. 

Há artefatos surpreendentes que simplesmente não deveriam existir, mas que continuam a aparecer em escavações arqueológicas, em tumbas ancestrais ou nos restos de naufrágios. Aqui está uma seleção de estranhas Anomalias Históricas que foram encontradas ao longo dos anos.

Muitas dessas descobertas assumem a forma de artefatos achados em lugares onde não deveriam estar. Em 1933, uma escavação arqueológica liderada pelo arqueólogo José García Payón no Vale de Toluca, a apenas 70 quilômetros da Cidade do México, encontrou algo bastante estranho entre os muitos artefatos pré e pós-colombianos desenterrados no local. A área foi reconhecida como sendo um túmulo e, como tal, continha muitas oferendas deixadas por visitantes há muito esquecidos. Vários objetos eram feitos com metais e pedras preciosas; de ouro, cobre, turquesa, cristal de rocha, azeviche, osso, concha e cerâmica, todos datados de entre 1476 e 1510 dC. Entretanto, em meio a estes tesouros mais mundanos, foi encontrada uma pequena cabeça de terracota que não se encaixava em nenhuma das representações familiares a pessoas daquela região. 


Quando a cabeça foi examinada, ficou imediatamente claro que ela era muito mais antiga que os demais objetos e que tinha um estilo distinto. De fato, era muito semelhante aos artefatos encontrados na Roma antiga, o que não parecia fazer nenhum sentido, pois foi achada num Túmulo pré-colombiano em pleno México. A datação posterior realizada por carbono colocou as origens da peça em algum lugar entre os séculos IX e XI dC, tornando-a consideravelmente mais antiga do que o local em que foi encontrada e gerando teorias de que seria evidência de algum tipo de contato entre os antigos romanos e os mesoamericanos. 

De sua parte, o próprio Payón varreu a estranha descoberta para debaixo do tapete, não publicando nada sobre a descoberta até 1960. Em anos posteriores, o que veio a ser conhecido como a cabeça Tecaxic-Calixtlahuaca foi mais discutido e analisado. Em 2001, ela foi examinado pelo arqueólogo Romeo H. Hristov, da Universidade do Novo México. Hristov chegou à conclusão de que na verdade datava do século II dC, e que devido à sua idade e ao penteado e barba característicos da figura representada, ela deve ter sido um artefato romano que foi trazido para a região em tempos pré-colombianos , afirmação que seria compartilhada por Bernard Andreae, diretor emérito do Instituto de Arqueologia em Roma, que escreveria:

"[a cabeça] é, sem dúvida, romana, e a análise de laboratório confirmou que é bastante antiga. O exame estilístico diz-nos mais precisamente que se trata de uma obra romana de por volta do século II d.C., e o penteado e a forma da barba apresentam os traços típicos do período dos imperadores severianos [193-235 d.C.], exatamente à 'moda ' da época. Não haveria como tal objeto ter surgido em uma cultura distinta, pois até memso o estilo de sua confecção se iguala ao usado na Roma Antiga no referido período".


As origens da misteriosa cabeça e como ela teria aparecido no México continuaram a ser discutidas e debatidas, e muitas outras ideias surgiram sobre o assunto. Para alguns, se tratava simplesmente de um artefato trazido pelos primeiros exploradores europeus ou mesmo pelos vikings nos tempos pré-colombianos, embora não esteja claro como ela acabou indo parar naquele túmulo. Ela também poderia ter sido trazida em algum momento por comerciantes da Ásia, como China ou Índia, onde de alguma forma chegou até aquele local. Poderia até mesmo ter, de alguma forma, se deslocado para o México a partir de algum naufrágio romano distante ou ainda, poderia ser tão somente uma farsa completa que foi plantada no local como uma brincadeira. O mistério persiste, mas uma coisa é certa, não existe uma explicação sobre como uma antiga cabeça romana de terracota teria surgido na Cidade do México.

Quase tão estranha foi uma descoberta feita em 1954, quando um arqueólogo amador chamado Guy Mellgren tropeçou em algo decididamente estranho enquanto explorava no estado de Maine, nos Estados Unidos. Mellgren estava vasculhando o local do que foi um assentamento de nativos americanos em Naskeag Point, quando encontrou um depósito de antigos artefatos nativos. Enquanto vasculhava sua descoberta, encontrou o que parecia ser uma antiga moeda de prata, terrivelmente deslocada ali entre as relíquias nativas. Sem saber o que havia encontrado, Mellgren levou a moeda a especialistas e então, as coisas ficariam ainda mais estranhas.


Especialistas que examinaram o objeto altamente corroído, a princípio pensaram que se tratava de uma moeda britânica do século XII. Ela foi posteriormente arquivada com outras relíquias como uma mera curiosidade. Contudo, em 1978 a moeda foi reexaminada e descobriu-se que era de fato uma moeda muito mais antiga. Era uma moeda norueguesa, que remonta ao reinado de Olaf Kyrre, que foi rei da Noruega entre os anos de 1067 a 1093 dC. Esse dado foi confirmado por outros especialistas e não está realmente em disputa, mas o que é menos claro é como ela acabou indo parar em um assentamento nativo americano que data de algo em torno de 1240? 

Embora saibamos que os navegadores nórdicos montaram assentamentos na Groenlândia e que de lá se lançaram na direção da Terra Nova, muito antes de Colombo, chegar até o litoral do Maine seria uma façanha pouco provável. As teorias variam desde que os vikings viajaram para o sul, onde fizeram contato com os nativos da região, o que reescreveria a história como a conhecemos, ou que os nativos do norte trocaram a moeda com outras tribos, após o que, ela fez o seu caminho para o Maine. 

O que torna tudo ainda mais desconcertante é que entre os 30.000 artefatos encontrados no local, esta moeda é a única coisa de origem nórdica descoberta. Um contato entre dois povos não deveria ter gerado algo mais além de uma simples moeda? É claro que também existe a ideia de que a moeda não passaria de uma fraude, mas no final a "Goddard Coin", também chamada de "Maine Penny", continua sendo um curioso mistério não resolvido.


Mas nem todos artefatos que podem ser chamados de Anomalias Históricas são pequenos e conseguiriam ser transportados facilmente de um canto para o outro do mundo. Um bom exemplo desse tipo de descoberta impressionante é um gigantesco pedregulho de 80 toneladas encontrado em uma encosta da Hidden Mountain, no estado do Novo México no ano de 1933. Ele foi achado por Frank Hibben, um arqueólogo da Universidade do Novo México e desde então tem causado grande alvoroço. 

Um guia local, alegou que ela havia sido encontrada pela primeira vez na década de 1880, e foi este guia quem levou Hibben até a notável pedra monolítica. Sobre uma enorme laje de rocha sólida havia uma área achatada sobre a qual foi inscrita cuidadosamente uma passagem no que parecia ser hebraico antigo. Tudo isso era muito estranho, considerando que a data da inscrição foi estimada entre 500 a 2.000 anos. Isso a coloca bem fora do período de tempo para os antigos habitantes da região e para qualquer presença de hebreus na América do Norte.

Especialistas que examinaram o que veio a ser conhecido como a Pedra do Decálogo de Las Lunas, acreditam que ela pode ter sido usada como uma antiga mezuzá samaritana, que eram pedras colocadas em sinagogas e outros lugares importantes e gravadas com passagens do Decálogo. Objetos similares foram encontrados no Oriente Médio e algumas partes do Norte da África, contudo, isso não explica como essa foi parar no Novo México 2 mil anos atrás. 


Embora algumas pessoas considerem que a pedra possa ser evidência de visitação pré-colombiana por exploradores semitas, também há muitas críticas que atestam ser ela provavelmente uma farsa engendrada por colonos no século XIX ou talvez até mesmo realizado pelo próprio Hibben. O arqueólogo Kenneth Feder está entre os céticos e negou a autenticidade da pedra, dizendo:

"Não há antigos assentamentos hebreus pré-colombianos, nem sítios contendo os detritos cotidianos de uma comunidade de antigos hebreus, nada que mesmo um conhecimento superficial de como as formas de registro arqueológico exigiriam que existisse. Do ponto de vista arqueológico, isso é claramente impossível."

No entanto, a pedra ainda é amplamente discutida e debatida, e seu mistério está longe de ser resolvido. É difícil estudá-la, pois seu tamanho imenso a torna incapaz de ser movida para um museu. Vândalos destruíram parte das inscrições e nunca houve um consenso sobre de onde veio essa pedra misteriosa ou por que ela contém trechos em hebraico antigo. Essa pedra monstruosa com suas marcas enigmáticas é evidência da presença pré-colombiana de colonos de língua hebraica no Novo Mundo, ou é tudo falso? 


Algumas anomalias históricas, não estão necessariamente fora de lugar, mas ainda assim conseguem permanecer enigmáticas. Em 1929, o teólogo alemão Gustav Adolf Deissmann estava catalogando itens na vasta biblioteca do Palácio Topkapi, em Istambul, na Turquia, quando se deparou com um maço velho e empoeirado de pergaminho de pele de gazela aparentemente descartado. Teria parecido basicamente lixo na época, mas quando o pergaminho foi desenrolado, viu-se que continha dentro de si uma descoberta surpreendente.

Ali sobre o pergaminho havia parte de um mapa intrincado, diferente de tudo que Deissmann já tinha visto, e quando foi analisado por especialistas, descobriu-se que foi feito pelo almirante e cartógrafo otomano Piri Reis no ano de 1513 dC. Embora apenas um terço do mapa estivesse intacto, faltando o restante, descobriu-se que este não era apenas um mapa antigo comum, pois parecia ser parte de um planisfério real. A carta era ainda mais chocante por ser incrivelmente precisa para a época em que foi confeccionada. Aquele era um mapa que delineava corretamente terras tão distantes como Europa, África, ilhas do Caribe e até América do Sul, ilhas como Açores e Ilhas Canárias e Japão, bem como áreas até então desconhecidas, como Nova Escócia, a costa da Antártida e a Cordilheira dos Andes. Tudo isso em uma época em que muitos desses lugares ainda não haviam sido descobertos.

O mais intrigante é que todos esses lugares eram descritos com uma precisão impressionante, virtualmente impossível para a época. De fato, alguns especialistas chegaram a afirmar que o mapa simplesmente não poderia ter sido feito sem contar com imagens de satélite, pois os recortes da costa e litoral, eram incrivelmente apurados. E tudo isso num mapa elaborado em 1513!



Ninguém conseguia explicar como tais informações poderiam estar presentes naquela carta náutica. Como Piri Reis poderia ter obtido aquelas informações? No entanto, havia indícios de que o mapa listava outras fontes, incluindo vários outros mapas árabes e indianos, e até mesmo mencionando um mapa mítico supostamente compilado por Cristóvão Colombo antes dele empreender sua viagem. Acredita-se que este mapa perdido pudesse ter sido o primeiro mapa do mundo e especula-se que ele foi feito no século XII. Este mapa nunca foi encontrado, mas supõe-se que Piri Reis o viu e o usou junto com cerca de vinte outros mapas na criação de sua própria carta geográfica.

Até hoje, a impressionante precisão do Mapa de Piri Reis persiste como uma anomalia desconcertante que deixa os historiadores sem palavras. Como ele conseguiu essas informações? Como foi capaz de mapear lugares que sequer haviam sido descobertos na época? O que as porções perdidas revelariam?

Algumas anomalias históricas são ainda mais intrigantes, pois ninguém sabe ao certo o que são e qual o seu propósito. Ao longo de muitas partes do que já foi o Império Romano, foram encontrados centenas de pequenos objetos de bronze medindo de 2 a 5 polegadas de diâmetro e com uma forma única de 12 faces pentagonais planas com buracos e botões sobre eles. Embora muitos exemplos desses artefatos tenham sido encontrados, e eles tenham certamente origem romana, ninguém tem a menor ideia de para que eles foram usados. Não há registros escritos ou planos de design conhecidos para eles, e esses "dodecaedros" foram considerados como ferramentas de navegação, instrumentos do zodíaco, ferramentas de astronomia, instrumentos de tricô, calendários, castiçais ou até brinquedos infantis. 



Seu palpite é tão bom quanto o de qualquer um e, embora existam muitos desses objetos e eles pareçam bastante comuns, provavelmente os dodecaedros romanos permanecerão um mistério impenetrável.

Nem todos os objetos históricos enigmáticos são tão antigos, e também houve algumas dessas estranhezas em tempos mais recentes. Em 1968, um prédio em Chicago, nos Estados Unidos, estava sendo reformado quando um muro foi derrubado para revelar que lá se escondia uma motocicleta novinha em folha da Primeira Guerra Mundial. Seu design contudo era o que a tornava única, era tão distinto que ninguém jamais havia visto tal coisa. Ela tinha um design de motor único, desconhecido nas motocicletas da época, um sistema de freio inovador, peças feitas especialmente para esse modelo e detalhes jamais vistos em outras motocicletas da época. 

No geral, ela era muito mais avançada do que qualquer outra coisa criada em sua época. Além disso, o veículo ainda funcionava sem problemas e não parecia ter se desgastado após décadas escondido atrás de uma parede. O mais estranho de tudo, a motocicleta tinha uma única palavra escrita nela, "Traub" cujo significado é quase tão enigmático quanto quem e como ela foi construída.


Quando os primeiros proprietários do prédio foram localizados, eles conseguiram esclarecer um pouco do mistério, dizendo que seu filho havia roubado a motocicleta e a escondido atrás do muro antes de partir para lutar no exterior durante a Grande Guerra. Contudo, isso de pouco adiantou. para explicar de onde veio ou quem a construiu. A misteriosa moto desde então passou a fazer parte da coleção do Museu Wheels Through Time, e até hoje não foi encontrado nenhum outro exemplar desta moto com seu design moderno. Não surgiu também quaisquer outras peças para ela, modelo, planta ou equipamento. Ninguém sabe quem a fez, e continua sendo um artefato impossível.

Ainda mais recentemente, em 2014, foi feito um achado incomum por guardas florestais no Great Basin National Park, em Nevada. Enquanto patrulhavam uma área bastante remota do parque, eles encontraram uma árvore no meio do nada que tinha encostado nela um rifle de aparência muito antiga, apenas cuidadosamente apoiado e abandonado naquele ermo. Logo se descobriu que o rifle era um antigo rifle Winchester Modelo 1873 que havia sido fabricado entre os anos de 1873 e 1919, e que teria sido considerado uma valiosa herança. 

A arma também estava em muito boas condições, e mesmo agora ninguém consegue descobrir por que alguém simplesmente deixaria essa arma antiga simplesmente encostada na árvore. Ela foi deixado lá por algum pioneiro, garimpeiro ou caçador do século XIX? Foi abandonada por um colecionador de armas por razões que nunca saberemos? Ou ainda, foi deixado para trás por um viajante do tempo? Quem sabe? A arma está em um museu sem dono conhecido.


Neste artigo vimos apenas algumas amostras de Anomalias Históricas que conseguiram escapar da compreensão por estarem fora do lugar, vindo do nada ou que são simplesmente muito estranhas. É interessante imaginar que, por mais que pensemos que conhecemos a história, ainda sabemos muito pouco sobre nosso passado. 

Esses artefatos que surgem de tempos em tempos desafiam nossas percepções e constituem enigmas que talvez jamais venhamos a resolver. Certamente parece que a história ainda está longe de ser inteiramente decifrada, uma vez que, escondida nos cantos, ainda existem sombras difíceis de iluminar.

segunda-feira, 20 de junho de 2022

O Fazedor de Bonecas - O sinistro caso do Profanador Russo



ATENÇÃO: O texto desse artigo é descreve situações perturbadoras de maneira crua, então aconselhamos discrição para aqueles que se impressionam com narrativas sobre crimes reais.

Com base no artigo da página "Strange Universe" e "All That's Interesting"

Existem crimes tão terríveis que são capazes de nos chocar além da conta.

São casos que servem para pavimentar uma nova e obscura estrada de depravação e perversidade e que nos levaram a um caminho sem volta nos desvios da mente humana. Algumas vezes não parece haver limites para as profundezas escuras da alma. O mal pode realmente ser aterrorizante, um abismo no qual a luz não penetra, e do qual não existe escapatória.

Recentemente um crime perturbador cometido por um russo, cruzou a fronteira da bizarrice quando ele começou a profanar sepulturas de jovens mulheres na tentativa de traze-las de volta a vida para popular sua própria visão distorcida da realidade.

A série de medonhos eventos teve início na cidade de Nizhny Novgorod, na Russia, a quinta maior cidade do pais, onde vivia um jornalista e historiador que atendia pelo nome de Anatoly Yurevych Moskvin. Moskvin era bastante respeitado nos círculos acadêmicos, como um especialista em cultura Celta, folclore e linguagem, sendo fluente em nada menos do que 13 idiomas. Apesar de sua inteligência, ele também era conhecido pelas suas manias e excentricidades. Moskvin era um recluso, vivendo num grande apartamento que pertencera aos seus pais. Jamais tendo casado, ele dizia se abster de beber, fumar, fazer sexo e da maioria das formas de interação social. Sua vida se resumia a estudar, escrever e consultar sua imensa coleção de livros, documentos e antiguidades. Em retrospecto, qualquer pessoa que prestasse atenção em seu comportamento poderia perceber que havia algo errado, contudo, não é raro que genialidade e loucura andem de mãos dadas. O que importava se o sujeito era um tanto peculiar, se sua acuidade a académica era notável? Por muito tempo ele foi considerado apenas como um acadêmico dado a excentricidades, ninguém poderia imaginar que ele possuía um lado negro que traía sua faceta tranquila.


Desde a infância, o estranho porém  pacato estudioso demonstrava um fascínio quase obsessivo pela morte. Passava horas em cemitérios, apreciando a arquitetura das tumbas, o trabalho artístico das estátuas e a forma dos jazigos. Comparecia a enterros e cortejos fúnebres sempre que possível, acompanhando os parentes chegando a chorar em algumas ocasiões. Por vezes, visitava esses lugares a noite, interessado em deitar sobre os túmulos de pedra. Na quietude da madrugada removida as próprias roupas e permanecia nu sob as estrelas, estirado sobre as tampas de mármore, na companhia da carne morta repousando abaixo dele.

Seu fascínio teria começado quando aos 11 anos ele foi levado pelos pais ao enterro de uma menina que vivia na vizinhança. Os pais o forçaram a beijar o cadáver na testa como uma forma de despedida. Algo naquele ato aparentemente inocente causou uma mudança em sua mente e despertou uma mórbida devoção por tudo relacionado à morte. A lembrança de seus lábios tocando a testa fria da menina o deixavam em um estado de excitação. Moskvin passou a estudar e ler vorazmente tudo que podia encontrar à respeito dos cemitérios em sua cidade natal. Logo ele se converteu em um tipo de autoridade no assunto, chegando ao ponto de conhecer cada rua e cada bloco dos principais cemitérios de sua cidade, bem como quem estava enterrado lá e em que local.

Os outros acadêmicos tinham-no como um sujeito peculiar, mas ainda assim um renomado conhecedor da história local, verdadeira autoridade no que dizia respeito às necrópoles russas. Forneceram a Moskvin uma relação com listas e mapas de mais de 700 cemitérios na região. Ele afirmava estar escrevendo uma tese sobre o assunto e chegou a receber uma bolsa com base em um rascunho.


Pode parecer esquisito que este homem estivesse vagando pelos cemitérios no meio da madrugada, espreitando nas sombras como se fosse um fantasma ou assombração, mas aquele era seu trabalho, e ninguém parecia realmente se importar com a sua presença. Tamanha era sua familiaridade com os cemitérios que lhe permitiram dormir lá dentro e ter chaves que abrissem portões.  

Tudo isso mudaria em meados de 2011, quando os vigias do maior cemitério da cidade fizeram uma horrível descoberta: alguns túmulos de crianças haviam sido profanados nos mesmos cemitérios em que Moskvin era visto frequentemente. Embora nessa época ninguém tenha feito qualquer conexão entre o estudioso e os incidentes, ele jamais foi considerado um suspeito. Afinal de contas era uma pessoa muito respeitada, um professor e acadêmico famoso que realizava um trabalho importante. Ninguém suspeitava dele e dado o seu conhecimento a respeito dos cemitérios, a polícia o procurou para saber na sua opinião que tipo de pessoa poderia ser responsável por aqueles incômodos acontecimentos.

No curso das entrevistas, os investigadores acabaram criando uma crescente suspeita de que Moskvin, sabia mais do que estava dizendo. Um dos detetives acabou fazendo amizade com o professor, ganhando sua confiança e então acesso ao apartamento em que ele residia em total reclusão. Lá descobriu além de livros, documentos e mapas algumas coisas muito estranhas, sobretudo uma vasta coleção de brinquedos novos e antigos, além de roupas para crianças espalhadas pelo quarto. Havia entretanto algo mais... um cheiro ocre dominando o apartamento, a despeito do morador tentar disfarça-lo com velas perfumadas e incenso. O detetive que se amigou de Moskvin passou a desconfiar de um aposento anexo que sempre era mantido trancado quando ele visitava o lugar.


Eventualmente as suspeitas resultaram em um mandato oficial para a revista completa do lugar. Nesta, a porta do aposento trancafiado foi enfim aberta. Lá dentro os policiais estarrecidos se depararam com uma coleção de estranhas bonecas em tamanho natural sentadas em poltronas ou deitadas em camas. Aquilo era muito estranho, e quando perguntado a respeito, o homem começou a balbuciar palavras sem sentido em vários idiomas, como se estivesse prestes a ter um colapso nervoso.

Os policiais só entenderam que estavam diante de um dos casos mais detestáveis da história criminal russa, quando resolveram investigar melhor as bonecas. Descobriram que elas eram na verdade corpos de crianças cuidadosamente mumificados e envolvidos com tiras de pano e gaze. Algumas foram engessadas para permanecer rígidas e não se desmanchar por inteiro. O rosto dos jovens cadáveres fora coberto por estranhas máscaras feitas de porcelana na qual foi desenhada uma face angelical. Eram os numerosos corpos das crianças sepultadas nos cemitérios da cidade, roubados pelo profanador cuja identidade agora se revelava.

No total foram descobertos 29 cadáveres no apartamento, perfeitamente vestidos com roupas e posicionadas como macabras bonecas em tamanho natural. No aposento acharam ainda manequins que serviam para expor as roupas, dois armários repletos de trajes para crianças e manuais sobre como construir bonecas. Na última gaveta de uma cômoda os investigadores acharam medonhos troféus que Moskvin havia subtraído em suas incursões noturnas aos cemitérios: joias, anéis, pedaços de roupa e uma miscelânea de outras coisas, como um ursinho de pelúcia e pequenos sapatinhos de bebê feitos de crochê. Acharam ainda um sortimento de dentes, dedos, orelhas e unhas humanas guardados em caixas e latas. 


Havia ainda muitos registros fotográficos em polaroide mostrando os cadáveres em diferentes momentos de sua preparação. O criminoso dava preferência aos corpos previamente embalsamados, mas aparentemente havia aprendido a extrair órgãos e fluidos quando necessário - conforme evidenciavam livros versando sobre anatomia e necropsia.

Os corpos estavam dispostos em uma espécie de semicírculo, no qual parecia evidente, o profanador se colocava no centro. Ali, naquele meio havia uma cama de armar com cobertores de pele e mantas, alguns manchados com semen.     

A mente degenerada responsável por aquele horrendo festival desmaiou ao ser desmascarada pelos detetives, mas logo em seguida foi reanimado e afirmou estar disposto a cooperar. "Não tenho vergonha do que fiz, essas crianças são minhas e eu escolhi cuidar delas", teria dito enquanto era interrogado. Moskvin só aceitou deixar o apartamento depois que o detetive que havia conquistado sua amizade garantiu que nada seria removido sem a sua autorização.

Na Estação Policial, Moskvin explicou como ele havia realizado seus crimes ao longo de mais de uma década. Contou a respeito de suas técnicas de mumificação, usando uma combinação de sal e bicarbonato de sódio nos corpos. Para preservar os cadáveres e garantir o processo, o professor movia os corpos para outros cemitérios escolhendo lugares secos que ofereciam as condições ideais. Eventualmente os corpos eram preenchidos com bolas de algodão e então envolvidos com faixas de gaze e pedaços de pano para evitar a deterioração. A última etapa era transportar a boneca para o apartamento, usando uma entrada pelos fundos do prédio que só ele tinha acesso. O profanador então escolhia uma roupa e a posição na qual a boneca seria disposta. Em alguns casos, pequenas caixas de música eram colocadas na caixa toráxica das múmias para permitir que elas "cantassem". Moskvin revelou ainda que alguns dos primeiros cadáveres subtraídos haviam sido devolvidos para os cemitérios quando apresentaram deterioração. Isso levou o professor a aprimorar suas técnicas de mumificação até quase a perfeição.


Quando questionado a respeito de seus motivos, o sujeito contou que costumava realizar festas para as bonecas, conversar com elas, dar nomes e até brincar como se estivessem vivas. Os detetives se perguntavam se haveria algum componente erotizante no caso, como ocorre com fetichistas contumazes. Embora os psiquiatras considerassem possível, o prisioneiro negava tal coisa veementemente. Ao ser confrontado a respeito da cama de armar e amostras de semen ele respondeu candidamente: "Eu a uso para dormir e para zelar por elas à noite. Algumas tem medo do escuro". Embora os psiquiatras acreditem que Moskvin extraía de sua conduta algum tipo de gratificação, não ficou claro se era de natureza sexual.

Foi determinado que embora existissem 29 "bonecas" no apartamento, Moskvin era responsável por nada menos do que 150 profanações de sepulturas. Suas vítimas preferenciais eram crianças e adolescentes, mas os ataques visavam também algumas mulheres adultas. O homem justificava suas ações afirmando sentir simpatia pelas meninas mortas, acreditando que seria capaz de devolver a elas a vida por meios sobrenaturais. Ele defendia que as crianças poderiam  ser salvas da morte, trazidas de volta à vida depois que ele cuidasse delas em sua casa por algum tempo. Moskvin de fato acreditava que as crianças falavam com ele e respondiam, dando permissão para que ele agisse daquela maneira. Fazia parte de seu "ritual" beijar a testa de cada "boneca" e sussurrar em seu ouvido palavras de incentivo para que voltassem. Os psiquiatras acreditam que, em sua mente doentia, o sujeito de fato pensava estar ajudando aquelas pobres crianças.

Da mesma forma, ele negava que aquilo fosse um tipo de hobby ou uma perversidade. Embora seu maior desejo fosse alegadamente salvar as crianças, essa explicação não ajudou a confortar as famílias das meninas transformadas em bonecas. A maioria dos pais, que continuavam a prantear suas crianças inocentes não sabiam que estavam visitando covas vazias. É claro, eles reagiram de maneira furiosa ao ultraje sofrido. Com o retorno dos restos mortais e com a localização de cadáveres enterrados em outros lugares, finalmente as famílias puderam devolver suas crianças ao solo. 


Moskvin foi processado por profanar as sepulturas, mas diagnosticado como esquizofrênico foi declarado incapaz de passar por um julgamento. Ele acabou enviado para uma Instituição Psiquiátrica onde permanece até hoje. O chefe do Comitê de Investigação da Federação Russa na região de Nizhny Novgorod, descreveu o caso como excepcional e sem paralelo na literatura policial. 

Os jornais russos apelidaram o criminoso de "Fazedor de Bonecas" e "Senhor das Múmias", expondo cada detalhe da investigação de maneira minuciosa. As circunstâncias chocantes do caso deixaram a população apavorada. A carreira acadêmica de Anatoly Moskvin obviamente foi encerrada depois do ocorrido e sua tese jamais foi publicada ou divulgada, embora alguns teóricos que tiveram acesso ao que ele já havia produzido concordavam que ela era nada menos que brilhante.

O que faz uma pessoa escavar cemitérios em busca de cadáveres humanos? Prepara-los e dispô-los como se fossem bonecas. Que mente distorcida criaria tamanho sacrilégio em nome de um bem maior? Seja lá o que for que motivou a história do "Fazedor de Bonecas", ele se tornou um dos crimes mais absurdos e sinistros de que se tem notícia.

quarta-feira, 15 de junho de 2022

O Aviário - Uma Sociedade Secreta que pretende revelar a verdade sobre os Alienígenas


Não é de hoje que existem histórias sobre Sociedades e Organizações Secretas sombrias que espreitam nos bastidores de eventos governamentais e mundiais. Esses grupos envoltos em sombras, puxam as cordas e manipulam as coisas como as conhecemos. Os Maçons, os Illuminati e outros grupos, há muito povoam conversas sobre conspirações em larga escala. Tais organizações misteriosas são apontadas como patrocinadoras de todo tipo de eventos mundiais e suas ações moldam o mundo. As vezes trabalhando com governos mundiais, mas muitas vezes trabalhando completamente pelas costas destes para manter o status quo vigente. 

O tema alienígenas certamente esta inserido em gigantescas teorias conspiratórias envolvendo sociedades secretas arquitetando e vendo frutificar seus planos. Uma dessas sociedades secretas é uma organização ultra secreta de indivíduos com permissões de segurança extremamente altas que foram unidas para apurar informações e colher evidências sobre o fenômeno OVNI. Seus arquivos poderiam mudar o mundo para sempre se um dia tais segredos viessem à público.

Tratado como uma espécie de órgão não-oficial dentro do governo norte-americano, esse grupo é conhecido vulgarmente como Majestic 12 (ou MJ-12 para abreviar). Eles se notabilizaram por coletar informações sobre OVNIs e mantê-las em segredo custe o que custar. Supostamente o grupo foi estabelecido no ano de 1947, após a queda de uma espaçonave em Rosswell, Novo México. O MJ-12 foi formado por uma ordem executiva do então presidente dos EUA, Harry S. Truman. Sua função era facilitar a recuperação e investigação de espaçonaves alienígenas, estabelecer uma espécie de diplomacia extraterrestre e estudar tecnologia recuperada. Seus membros são cientistas, militares de alta patente e funcionários do governo encarregados de guardar as informações sobre OVNIs tão confidenciais que nem mesmo o presidente dos Estados Unidos tem acesso a elas. O MJ-12 é frequentemente considerado o grupo de controle e política de informações ufológicas no governo, operando completamente no escuro. Não por acaso ele tem sido pivô de inúmeras conspirações de OVNIs.


Contudo, embora o MJ-12 possa ser o mais infame dos grupos, certamente ele não é o único. Há outra organização secreta talvez ainda mais sombria que opera nos bastidores e que monitora uma agenda própria de controle de informações e divulgação pública. Eles não buscam ocultar a verdade, pelo contrário, seu maior objetivo é difundir aquilo que descobrem.

As raízes dessa organização remontam aos anos 70, quando um seleto grupo de indivíduos que estavam trabalhando em vários ramos de pesquisa extraterrestre, decidiu se juntar. Seu objetivo era analisar e compartilhar descobertas, correlacionar dados e discutir pesquisas sobre alienígenas e espaçonaves acidentadas. No início tudo era muito informal, mas com o passar do tempo, o grupo começou a se transformar em uma organização mais coesa e afinada em seus ideais. Uma dúzia ou mais de indivíduos compõem essa cabala exclusiva usando nomes de pássaros como codinomes, levando-os a serem conhecidos como "O Aviário". 

A lista de supostos membros reunia ex-figurões das forças armadas americanas, pesquisadores consagrados e pessoas profundamente envolvidas no campo da ufologia. Segundo boatos, os três membros fundadores eram:


- Dr. Christopher “Kit” Green, Médico Ph.D, membro do Departamento de Ciências Biomédicas do Governo, que usava o codinome "Blue Jay". 

- Ron Padolfi, ex-coordenador dos arquivos de OVNIs da CIA e vice-diretor para a Divisão de Ciências e Tecnologia da CIA, codinome "Pelican". 

- Bruce Maccabee, Ph.D, pesquisador em física óptica e aplicações de armas a laser no Laboratório de Armas de Superfície Naval dos EUA, Maryland, e prolífico autor de supostos dados de OVNIs do governo vazados, codinome "Cardinal". 

Além destes membros, haviam também:

- Hal Puthoff, engenheiro teorista e físico do Instituto de Pesquisa Avançada em Austin, Texas, conhecido como "Coruja".

- John Alexander, Ph.D. em Ciências;  tenente-coronel do Comando de Inteligência e Segurança do Exército dos EUA e diretor do Departamento de Armas Não Letais, conhecido como "Pinguim". 

- O Comandante. C.B. Scott Jones, Ph.D, ex-oficial do Escritório de Inteligência Naval e pesquisador eminente da Agência Nuclear de Defesa, codinome "Chickadee". 

- O ex-astrofísico e famoso pesquisador de OVNIs Jacques Vallee, Ph.D, codinome "Papagaio".

- O ex-capitão Bob Collins, aposentado da USAF; Agente Especial no Escritório de Investigações da Força Aérea, codinome "Condor".

- Richard “Dick” Doty, Agente Especial no Escritório de Investigações da Força Aérea, codinome "Falcão" 

- Ernie Kellerstrauss, piloto da aeronáutica, supostamente habilitado para informações de OVNIs e que trabalhou na Base Aérea de Wright na década de 1970, codinome "Vulture".

- Dale Graff, um pesquisador de Percepção Extra-Sensorial no Laboratório Nacional de Los Alamos, conhecido por seus colegas como "Águia"

- Jaime Shandera, contato e especialistas em desinformação, que por acaso é Produtor de Hollywood, codinome "Nightgale".


Diferente de outras organizações à serviço do governo, o Aviário parecia estar mais interessado em reunir informações ultrassecretas não para escondê-las, mas para vazá-las ao público em uma ampla campanha de divulgação. Seu posicionamento diretamente em desacordo com o que o MJ-12, que tenta reter as informações com mão de ferro, criou certo atrito entre os dois grupos. Membros de cada organização tentando se infiltrar constantemente no outro grupo e sabotar suas informações. 

No entanto, também há rumores de que membros do Aviário discordam sobre o que fazer com suas informações, com alguns sentindo que o público merece saber tudo o que é apurado, enquanto outros optam por manter certas informações, em especial as mais chocantes, em sigilo. Essa disputa aparentemente causou uma ruptura dentro do próprio Aviário. O pesquisador do fenômeno UFO, o Dr. Richard J. Boylan, escreveu livros sobre as ações do Aviário ponderou sobre essa situação:

"Relatos vazados de fontes próximas ao Aviário sugerem que há uma divisão filosófica dentro do grupo. De um lado estão os membros que sentem que as informações sobre contato com alienígenas devem ser amplamente divulgados. Eles defendem que o público está pronto para receber essas informações. Outros contudo resistem a tal ideia. Eles não querem perder o poder que seu “monopólio da informação” lhes concede. Além disso, alguns se envolveram em projetos e operações complexas, até ilícitas. A divisão está criando um clima em que os vazamentos estão aumentando, já que alguns tentam forçar a divulgação desses casos. A maioria dos membros do Aviário são cientistas bem-intencionados ou ex-oficiais militares ou ainda da inteligência com carreiras sólidas durante a Guerra Fria. Eles sabem que o tempo para se pronunciar está se esgotando".


Algumas das informações às quais os membros do Aviário supostamente tem acesso são, se verdadeiras, bastante impressionantes, incluindo evidências de acidentes com OVNIs e a captura de alienígenas ainda vivos. Até mesmo casos recentes, como o Incidente Varginha, são de conhecimento do Aviário que teve acesso aos fatos.

Um dos boatos mais incríveis afirma que o Aviário têm acesso a um documento chamado de "Livro Amarelo", que seria um extenso registro de entrevistas com um alienígena chamado EBE-1. Este ser foi resgatado em um acidente e mantido sob custódia pelo MJ-12. O Livro Amarelo é guardado cuidadosamente e cópias de seu conteúdo são terminantemente proibidas. 

 O Aviário possui um segundo registro conhecido apenas como "Livro Vermelho", que é supostamente um compêndio de informações derivadas do contato direto entre humanos e extraterrestres ao longo dos anos. Ele contém séculos de incidentes detalhados além de previsões sobre eventos mundiais, desastres, catástrofes ambientais e todos os tipos de revelações surpreendentes. Esse livro contêm ainda revelações sobre a origem do homem, algumas delas conectadas com a Bíblia.


Richard J. Boylan explica sobre esse pormenor:

"Os Livros Vermelho e Amarelo contém a previsão de que em breve haverá um princípio de guerra que levará a civilização humana bem perto de sua ruína. Mas antes dessa guerra escalar, seres extraterrestres irão estabelecer contato e transmitir para os humanos seu conhecimento. E este conhecimento estará intimamente ligado a revelações surpreendentes que envolvem a religião cristã. Isso irá mudar nossa percepção diante da origem do homem e nosso papel num universo muito mais vasto do que podemos supor". 

O Aviário está bastante preocupado que grupos cristãos fundamentalistas experimentem um profundo choque espiritual, senão ontológico, com a revelação da participação de ETs em trechos da Bíblia. Uma das revelações sugere que Jesus Cristo (e outras figuras religiosas) teriam conexão com seres extraterrestres ou que poderiam, eles mesmos, serem alienígenas. Tais revelações poderiam criar enorme controvérsia e causar fricção entre porções conservadoras da religião cristã.


Adicionando mais combustível a polêmica, uma estação de televisão europeia informou que especialistas nas Profecias de Fátima, ligados ao Vaticano, pediram uma reunião à portas fechadas com representantes do governo do Reino Unido, França, Alemanha e EUA. O tema discutido seria a terceira Profecia jamais divulgada pela Igreja Católica. Há rumores de que essa Profecia lidaria com a visitação de ETs. Um porta-voz do Vaticano teria confirmado que a reunião de fato aconteceu em 2019 deixando os convidados estarrecidos com o que foi discutido. Um dos objetivos da reunião era iniciar uma preparação para que a civilização ocidental conseguisse absorver a revelação. O teor da reunião teria sido vazado justamente por membros do Aviário que viram a necessidade de divulgar tal acontecimento. 

Há ainda rumores atestando que o Aviário detém em sua posse artefatos alienígenas realmente importantes que poderiam comprovar a existência de seres extraterrestres. Persiste ainda o boato de que eles mantém contato regular com interlocutores alienígenas, até mesmo se encontrando com eles e agindo como ponte entre governos humanos e seres extraterrestres. Tal conexão seria um trunfo para o Aviário e uma forma deles se manterem seguros diante de outros grupos interessados em preservar o sigilo. 

Com tudo isso, o que podemos concluir? Será que o Aviário realmente existe e ainda atua? Que tipo de informação eles estão protegendo? Quando eles receberão sinal verde para expor tais verdades? Não há como saber se essa é apenas mais uma história bizarra relacionado a Extraterrestres ou uma revelação sensacional que nos coloca cada vez mais próximos da verdade.

domingo, 12 de junho de 2022

Vecna - Origem e História de um dos grandes vilões de D&D


A série do Netflix, "Stranger Things" trouxe em sua quarta temporada um novo e ainda mais ameaçador vilão na forma da criatura apelidada de Vecna. Mas o monstro deformado da série não é exatamente o feiticeiro maligno que marcou história no Dungeons & Dragons, embora os dois guardem semelhanças marcantes.

Vecna é um dos mais inimigos mais populares de D&D, presente em todas as edições do RPG mais famoso de todos os tempos e cada vez mais influente, atraindo a curiosidade e temor de incontáveis jogadores. Mas quem exatamente é Vecna? Qual a sua origem? Seus poderes e do que ele é capaz?

Para quem quer conhecer esse terrível personagem que inspirou os roteiristas da série, eis aqui a história completa do terrível Arquelich, um dos mais interessantes e perigosos inimigos que podem ser encontrados nas mesas de jogo. 

Sem mais delongas... VECNA


"O mal não é a ausência do bem. Não é uma escolha... 
O mal é uma das duas forças no cosmos, uma agência travada na eterna luta contra sua antítese... 
Só o bem e o mal existem. E nem a largura de um fio de cabelo os separa".

- Vecna

O início da vida de Vecna ​​jaz obscurecido por lendas e rumores que depõem contra uma biografia livre de contradições. A árdua tarefa que é traçar suas origens fica especialmente comprometida uma vez que o próprio Arquelich tentou de várias maneiras nublar esse conhecimento, tornando-o quase inacessível aos historiadores que se debruçam sobre o tema. 

A maioria dos relatos afirmavam que ele originalmente nasceu como um humano no mundo de Oerth, em um pequeno reino cujo nome se perdeu e que não parece ter sido registrado nos anais da história corrente. Presume-se que a Família de Vecna tivesse posses e que ele descendesse de nobreza já que em algumas fontes, sua mãe, Mazzel é tratada como uma cortesã de certa influência. Além de circular pelas intrigas palacianas, Mazzel também é reconhecida como uma maga de certa habilidade. Foi ela quem supostamente introduziu seu jovem filho nas artes arcanas.

Vecna demonstrou grande habilidade mística desde a juventude, conjurando e invocando forças que ele próprio sequer compreendia. Sua mãe era uma tutora exigente e e se provou uma mestre implacável forçando a criança a um nível de excelência notável. Em determinado momento, Mazzel acabou atraindo a atenção de Inquisidores (possivelmente da Igreja do Deus Solar Pholtus) que consideraram sua prática mágica herética. Há motivos para acreditar que Mazzel se inclinava demasiadamente na direção da Necromancia e que suas atividades fossem proibidas. 

Mazzel foi declarada culpada de conspiração e de crimes e condenada a morte em uma fogueira. O jovem Vecna assistiu ao suplício da mãe, e enquanto ela ardia jurou vingança contra seus algozes. Desse momento em diante ele passou a nutrir um ódio por todas as religiões organizadas, sobretudo aquelas com inclinação para a Ordem e o Bem. Vecna conseguiu enganar os sacerdotes e ocultar suas habilidades místicas, mantendo à partir desse ponto segredo sobre suas capacidades.


Há alguma controvérsia sobre o que aconteceu a seguir e como Vecna desenvolveu suas habilidades místicas após a morte de sua mãe. Um dos boatos mais fantásticos envolve a lendária entidade conhecida como a Serpente, um ser ancestral que alguns acreditam ser a personificação da própria magia arcana. Contudo, a mera existência dessa entidade é muitíssimo debatida e considerada por estudiosos da magia um mito. Não obstante, há aqueles que sustentam que a Serpente teria adotado Vecna como seu discípulo, introduzindo-o nos caminhos mais tortuosos da magia. Como e de que maneira tal aliança teria sido forjada, não se sabe.

Outra possibilidade é que o Arqui-demônio Orcus poderia ter oferecido a Vecna patronato, algo que tampouco se sabe ao certo.  Seja lá como, Vecna se mostrou um virtuose, enveredando pelos caminhos da magia e avançando sem reservas rumo a áreas obscuras que mesmo os mais calejados magos temiam trilhar. Vecna não se deixava intimidar ou demonstrava pudores em sua busca incessante por conhecimento arcano. No seu afã por ampliar seus poderes ele realizava quaisquer pactos, rituais ou experimentos, mesmo os mais chocantes e blasfemos. Isso lhe permitiu ampliar enormemente suas habilidades até chegar a um ponto no qual ele se tornou o que muitos julgam ter sido o mais poderoso dos utilizadores de magia.

Com tamanho poder ao seu dispor, Vecna estendeu seu desejo por conquistas e se tornou o autoproclamado déspota de um Reino de Pesadelos. Amparado por um exército formado por hordas de mortos vivos e magos sob os quais ele exercia rígido controle, Vecna governava inquestionável, sem ninguém que ousasse desafiá-lo. Contudo, o déspota estava ciente de que mesmo com todo seu poder, o tempo era um inimigo que mesmo ele não poderia sobrepujar - ou será que poderia?


Em algumas versões da lenda, Vecna teria ouvido rumores sobre maneiras de se perpetuar. Ele sabia da existência de uma casta superior de mortos-vivos capazes de reter sua consciência mesmo após a morte. Em seus corpos putrefatos, animados pela mais negra das magias, a centelha da existência (ainda que não da vida) poderia continuar indefinidamente. Os filósofos místicos chamavam tal condição de Lichdom, pois tais seres eram os Lich, os supremos feiticeiros que existiam na fronteira da vida e da morte. Há contudo versões que atestam ter sido o próprio Vecna, aquele quem definiu os ritos e parâmetros para alcançar essa execrável condição. Teria sido ele, o pioneiro a realizar essa transição maldita.

Verdade ou rumor, sabe-se que a busca incessante de Vecna pela imortalidade consumiu não apenas uma vultuosa fortuna em ouro, mas trouxe o horror aos súditos que tinham de se sujeitar a ele. Há lendas amedrontadoras sobre vilarejos sendo devastados e populações inteiras submetidas a experimentos necromânticos abomináveis. Vecna, cioso de todos os riscos realizou testes que decretaram a morte - ou um destino ainda pior, para um sem número de inocentes.

Confiante com seus resultados, Vecna deu adeus à própria mortalidade, extirpando de seu corpo órgãos e talhando na própria carne os símbolos arcanos que lhe permitiriam continuar existindo mesmo depois de se converter numa casca vazia. Com as mãos determinadas, ele arrancou do próprio peito o coração maligno que ainda pulsava e o depositou na urna que se tornaria seu filactério macabro.

Morto porém renascido graças às energias necróticas que doravante o sustentariam, o corpo desmorto de Vecna se conformou rápido com sua nova realidade. Como Lich, ele jamais morreria e poderia governar para sempre com a mão de ferro habitual. Em algum momento blasfemo de obsceno júbilo, Vecna deve ter se sentido mais próximo dos deuses que tanto odiava.


As forças da Ordem e do Bem, é claro, captaram o distúrbio que a ascensão tétrica de Vecna produziu e reverberou pelo tecido do multiverso. Os Deuses se ressentiam daquela mácula e se reuniram para formar uma frente contra Vecna e tudo o que ele representava. O mais diligente deles, o Deus Pelor, se lançou em uma cruzada particular para punir Vecna pela sua transgressão e por pouco não logrou êxito em seu intento de purgar Oerth da presença do Lich. Não fosse por um dos lugares tenente de Vecna, outro mago submetido a Lichdom - e dizem, ex-aprendiz chamado Acererak ele teria sido destruído. Ao invés disso, Vecna escapou e se resguardou no claustro de seu castelo decrépito.

Ironicamente, caberia ao próprio Acererak intentar uma emboscada contra seu mestre ​para obter os segredos mais preciosos de Vecna. Mas novamente o Lich conseguiu agir com presteza e impedir essa nova ameaça. Depois que ​​tomou conhecimento da conspiração de Acererak, ele jurou nunca deixar seu conhecimento esotérico ser comprometido novamente. O zelo de Vecna ​​por sigilo e poder apenas cresceu, chegando ao ponto da paranoia. Seu voto era de jamais tomar um novo discípulo, pois temia que a ambição os dominasse mais cedo ou mais tarde. Passou também a ser chamado de Arquelich, título que dava dimensão de sua importância como algoz da vida e emissário da não-morte,

Os séculos passaram, e a influência de Vecna continuou crescendo, embora seu desejo por conquistas territoriais tenha arrefecido e ele tenha mostrado contentamento com seu domínio sedimentado. As terras de Vecna a noroeste do Mar Azure eram evitadas, tratadas como uma espécie de afronta ao povo e mesmo aos deuses de Oerth. Uma ferida pustulenta que vertia pus no seio das Flanaess, o Império Ocluído. Vecna fora cuidadoso após o ataque de Pelor e tratou de erguer defesas que contavam com servos que o defenderiam na iminência de uma nova incursão divina.


Foi assim que Vecna, criou sua guarda de honra que contava com nomes execráveis de maldade inenarrável, agentes de sua vontade, quase tão perversos quanto ele próprio. Entre seus devotos mais fervorosos surgiu o paladino sem coração, Kas, aquele que chamavam de Mãos Sangrentas.

Durante seu reinado, Vecna ​​confiou a seu tenente Kas a maioria das tarefas administrativas de suas terras escurecidas. Ele não tinha vontade de cuidar de tais coisas que eram aos seus olhos enfadonhas e menores. Kas se mostrou um servo valoroso lidando com todas incumbências grandes e pequenas, que lhe eram atribuídas. Tamanha era a sua devoção que Vecna decidiu usar de sua magia necromântica para conceder ao tenente longevidade não natural tornando-o assim como ele, um morto-vivo, um vampiro. Vecna considerava Kas tão valioso que decidiu lhe presentear com uma poderosa espada mágica que simbolizava sua inquestionável autoridade emanando para seu capataz.

No entanto, a maldade latente de Vecna ​​se manifestou na espada que seduziu Kas a usurpar e matar seu mestre. De acordo com um historiador, Vecna ​​planejava canalizar seus poderes e drenar energias através dos planos alcançando assim um novo grau de poder. O local escolhido para conduzir esse experimento foi sua Torre Apodrecida. Durante o processo, Vecna estaria vulnerável, por isso ele colocou Kas para proteger o local. Mas foi justamente Kas quem interrompeu o ritual e atacou o mestre. 

Entretanto, um Lich jamais é uma presa fácil e a luta entre os dois desencadeou um tremendo confronto. No final, Vecna ​conseguiu vantagem, mas assim que o Lich se preparou para matar seu ex-servo, Kas cortou sua mão e enfiou a espada no olho esquerdo de Vecna. Com efeito, uma violenta conflagração destruiu a torre e abalou as terras ao redor.

Independentemente do resultado exato, os únicos vestígios do corpo físico de Vecna após o confronto ​​eram sua mão esquerda e seu olho, que ainda carregava um fragmento da vontade do Lich. De Kas, ninguém soube, embora rumores atestassem que ele também havia sobrevivido, ainda que seriamente comprometido. Servos fiéis de Vecna, que já o tratavam como uma semi-divindade recolheram tanto a mão quanto o olho e garantiram que eles fossem protegidos e pranteados como artefatos sagrados. O poder latente ainda presente neles os transformou nos legendários artefatos que ganharam fama como a Mão de Vecna ​​e o Olho de Vecna.


Apesar da destruição de seu corpo físico, o espírito de Vecna ​​resistiu. O experimento envolvendo os planos fez com que a sua essência fosse espalhada pelo multiverso. Embora muitos acreditassem que aquele era o fim de Vecna, seu espírito foi lentamente ganhando força graças aos membros sobreviventes de sua entourage. Com o fim do seu reinado, seus súditos, quase todos eles mortos-vivos se espalharam pelo mundo, formando uma espécie de culto tendo o Lich como a figura central. Vecna ainda incutia medo nos mortais e dizia-se que, por intermédio de seus artefatos nefastos, sua maldade se perpetuava. Os fragmentos decrépitos de Vecna se tornaram tesouros ambicionados por feiticeiros poderosos e déspotas cruéis, prêmios desejados por aqueles que conheciam sua história. Mais que isso, eram lembretes de quem ele foi e um aviso de que ele poderia um dia retornar.

Séculos se passaram e embora o Reino de Vecna tenha sido obliterado da história, seu nome ganhou status de lenda nos lábios dos mortos que ainda caminhavam. O culto profano do Arquelich ​​acumulou seguidores e adoradores suficientes, contando com magos ambiciosos que queriam seguir os seus passos. Nessa época ele passou a ser chamado de Lorde Mutilado e Aquele sobre quem se Sussurra. Vecna passou a ser visto como Guardião de segredos profanos e mistérios impronunciáveis. Em meio ao Mar Astral, os poderes corruptos aceitaram sua inevitável ascensão.

Contudo, antes de reclamar sua deidade, Vecna se viu cooptado para uma outra realidade, um Demi-Plano que lhe oferecia um Domínio, mas que também era uma prisão. Capturado nessa jaula dourada, chamada Cavitus, Vecna se sentiu coagido pelos Poderes das Trevas e obstinadamente se colocou contra eles tentando ver-se livre. Maior ainda foi sua cólera quando ele descobriu que o odiado Kas também havia sido cooptado para o Demiplano, recebendo seu próprio Domínio, o Reino Sulfuroso de Tovag, que fazia fronteira com Cavitus. Hordas e mais hordas de suas tropas foram enviadas para capturar ou destruir Kas, mas o embate não trazia um vencedor. Nesse Purgatório planar, os dois odiados inimigos pareciam destinados a se engajar pela eternidade sem jamais ver-se frente a frente.   

Algum tempo depois, Vecna urdiu uma nova trama que lhe permitiria ascender à tão almejada divindade. Ele acreditava corretamente que nem mesmo os poderes do Demi-Plano seriam capazes de conter um Deus e assim sua conspiração visava absorver a essência do semideus Iuz, o Maligno. Com esse plano frutificando, Vecna irrompeu da dimensão que o aprisionava, o primeiro a realizar tal feito. Livre e cobiçoso, ele voltou suas atenções para uma empreitada ainda mais ambiciosa. Mirando em Sigil, a Cidade das Portas, ele pretendia conquistá-la e exercer controle sobre todo o multiverso.


Vecna ​​invadiu a cidadela, tornando-se a única divindade existente que violou com sucesso as defesas de Sigil e causou uma grande perturbação no multiverso. Seu plano, contudo foi frustrado por aventureiros que conseguiram expulsá-lo de Sigil com a providencial ajuda da Senhora da Dor. Vecna teve sua essência divina separada de Iuz, mas ainda conseguiu reter uma parcela de seu poder como uma divindade menor. Após a derrota de Vecna, a Senhora da Dor fortaleceu as defesas de Sigil e reorganizou a estrutura planar para reparar os danos sofridos ​​e evitar que tal evento acontecesse novamente.

Vecna conseguiu retornar a Oerth e apesar de ser agora um Deus Menor, glorificado quase que exclusivamente por mortos-vivos e magos maníacos, continuou exercendo sua influência numa congregação crescente. Ainda que confrontada por deuses como St. Cuthbert, Pholtus, a Deusa Corvo, Pelor e a poderosa cabala conhecida como Círculo dos Oito, os seguidores de Vecna seguiram se organizando em uma estrutura religiosa mais e mais poderosa. Os templos devotados a Vecna se disseminaram pelos planos sendo os maiores os baluartes erguidos em Gloomwrought e Zerthadlun.

Em determinado momento, através da obra de seguidores leais, como a Lich Mauthereign, Vecna foi granjeando mais e mais espaço até se estabelecer como um Deus Intermediário, reclamando o etos de Senhor dos Segredos Místicos e dos Mistérios Arcanos.

Hoje ele é uma ameaça tão grande quanto sempre foi, talvez ainda maior em face do poder que conquistou através de seu Clero e do fanatismo dos seus seguidores. Um dos grandes temores é que Vecna tenha assumido que é seu destino refazer o Multiverso de acordo com a sua concepção, e se tal coisa um dia acontecer, nada e ninguém estará à salvo de sua influência. 


Vecna está presnete no universo de fantasia de Dungeons and Dragons desde o início. Ele foi idealizado por Brian Blume, em 1974, quando este criou os dois artefatos de poder - Olho e Mão de Vecna, antes mesmo de determinar quem havia sido o dono original deles. 

O nome Vecna, por sinal, é um anagrama de Vance, sobrenome de Jack Vance, o autor de literatura fantástica que inspirou todo o sistema de magias do D&D desde o seu princípio. Hoje chamamos o sistema em que se "prepara-conjura-esquece" de magia vanciana.

Um pouco de Vecna ao longo das edições de D&D:


D&D 1ª Edição (1974-1976): No suplemento Eldritch Wizardry (1976) foram apresentados dois artefatos: o Olho e a Mão de Vecna. Os dois terríveis artefatos eram tudo o que restou de um Lich, destruído a muito tempo.

AD&D 1ª Edição (1977-1988): No Dungeon Master's Guide (1979) os dois artefatos são apresentados uma vez mais. Ao longo dessa edição, ficamos sabendo que Vecna havia sido um bruxo e lich lendário, destruído por aventureiros milênios atrás.

AD&D 2ª Edição (1989-1999): Vecna volta a ser mencionado nos livros Dungeon Master's Guide (1989) e Book of Artifacts (1993). A curiosidade à respeito de sua história acaba justificando o surgimento da aventura Vecna Vive! (1990) onde ele surge como um vilão real. Alçado a condição de semi-deus, ele é derrotado por heróis e transportado para a ambientação de terror Ravenloft. 

Em Ravenloft, o Lich ganha destaque e uma nova aventura chamada Vecna Reborn (1998). Finalmente, com Die Vecna, Die! (2000) a trilogia de aventura se encerra com o antagonista sendo uma ameaça em três diferentes ambientações: Greyhawk, Ravenloft e Planescape.

D&D 3.0 (2000-2002): Com a passagem de D&D da TSR para a Wizards of the Coast, Vecna se torna uma figura ainda mais proeminente. Ele apareceu no Player's Handbook (2000) como uma divindade menor de Greyhawk. O lich também é explorado nos suplementos Living Greyhawk Gazetteer (2000) e Deities and Demigods (2002). Nesse último suplemento, o alinhamento é alterado de Leal e Maligno para Neutro e Maligno.


D&D 3.5 (2003-2007): Esta edição aproveitou que Vecna foi alçado ao posto de divindade para detalhar sua igreja no suplemento Complete Divine (2004) e trouxe o próprio vilão como uma divindade no Libris Mortis (2004).

D&D 4ª Edição (2008-2012): No Dungeon Master's Guide (2008) o Lich retorna, desta vez como o Deus dos Segredos. Ainda em 2008, no suplemento Open Grave, Vecna foi brevemente detalhado e ganhou uma ficha. Uma curiosidade é que o servidor que hospeda o software de criação de personagens da 4ª edição, o Character Builder, é batizado como Vecna, em homenagem a este vilão icônico do D&D.

D&D 5a Edição (2014- presente): Na 5ª Edição do Dungeon Master's Guide (2014), Vecna ​​surge como um membro do "Panteão da Guerra do Amanhecer", que é principalmente derivado do panteão da 4ª Edição. Ele também é citado no Players Handobook (2014) como uma das divindades de Greyhawk. Em ambos livros, ele é listado como o deus dos Segredos Malignos. Além disso, tanto a mão quanto o olho são listados como artefatos. 

No Guia do Aventureiro da Costa da Espada (2015), Vecna ​​é mencionado como um possível Deus para o Domínio dos Clérigos Arcanos, bem como um patrono de Bruxos. No cenário de Exandria, Vecna ​​é um Deus Traidor também conhecido como o Sussurrado. Ele foi apresentado a esse cenário na websérie de Dungeons & Dragons Critical Role como o principal vilão no último arco da primeira campanha.

Em junho de 2022, a Wizards of the Coast lançou o Vecna ​​Dossier como um recurso digital no D&D Beyond. Lá encontramos informações básicas e um bloco de estatísticas da 5ª Edição para Vecna ​​no estilo atualizado da edição.

Com todo esse interesse que continua crescendo, Vecna se transformou em um dos nomes mais populares do jogo. Nada mal para quem começou sua carreira como uma mão e um olho.