terça-feira, 15 de agosto de 2023

Morte Cruel - O Escafismo, uma das formas de execução mais horríveis da história


Ao longo da história a humanidade inventou uma assombrosa variedade de maneiras horríveis de matar. Embora o objetivos seja sempre o mesmo - dispor da vida de uma pessoa, a forma como isso é realizado pode variar muito. E a criatividade dos homens parece não conhecer limites.

Dos sangrentos métodos de execução medievais às "execuções humanas" de hoje em dia, cada período histórico usou as ferramentas ao seu alcance para extinguir, muitas vezes de forma cruel a vida daqueles considerados indignos de continuar vivendo. Aqui nas páginas do Mundo Tentacular já falamos sobre uma série desses métodos perversos de punição - da crucificação ao emparedamento, da evisceração aos horrores do empalamento. 

Mas sempre surge algo que desafia nossas convicções e nos faz perguntar se isso é o pior ou se aquilo é ainda mais aviltante. Talvez essa busca não tenha fim, e ainda tenhamos pela frente muitos artigos falando à respeito de métodos de execução. 

Esse artigo vislumbra algo que eu francamente nunca havia ouvido falar. Um termo que não fazia parte do meu vocabulário, mas que de agora em diante, será difícil esquecer. Trata-se do ESCAFISMO.

Baseado na palavra grega “skáphē”, que se traduz em "tigela" ou "casco", o escafismo é um dos métodos de execução mais macabros inventados pela humanidade.

Supostamente criado pelo Império Persa por volta de 500 a.C, o Escafismo é difícil de ser categorizado e por muito tempo foi considerado como mera ficção. Acredita-se que esse método de execução também era conhecido por outros nomes como "os barcos", pois durante os preparativos as vítimas eram colocadas no interior de dois troncos ou barcos ocos antes do sofrimento ter início. 


Vamos direto ao assunto para entender do que se tratava essa execução:
 
Uma vez deitado nu com o corpo entre os barcos, eram feitos cinco buracos para a cabeça e para os membros, braços e pernas que pendiam para o lado de fora do conjunto. Este era então colocado numa lagoa ou rio para que pudesse boiar e atado a uma corda para que não se afastasse.

A vítima então recebia uma dose generosa de leite e mel. Se ele não quisesse o alimento não havia escolha, pois colocava-se um funil ou mangueira na boca do sujeito que o forçava a consumir a mistura. Essa dieta forçada de leite fermentado e mel tinha um efeito devastador no intestino do indivíduo que começava a se dilatar com gases. O calor e a falta de movimentação eram um complicador. Eventualmente a vítima sofria com uma diarréia incontrolável. Seu excremento enchia o barco enquanto os carrascos derramavam mel sobre o rosto e membros da vítima. A combinação de odores atraía nuvens de insetos - moscas, mosquitos, abelhas e outros animais entravam pelos furos nos barcos e se banqueteavam com a mistura asquerosa. Pior ainda, os insetos depositavam ovos no corpo do prisioneiro, especialmente nas cavidades, sobretudo no anus. Quando os ovos eclodiam, os vermes recém nascidos se alimentavam do que estivesse ao seu alcance, devorando lentamente a vítima de dentro para fora.

A ideia é que o pobre diabo dentro do barco tivesse uma morte lenta a medida que se transformava em um viveiro de insetos. A morte poderia demorar dias até chegar, por desidratação e infecção generalizada diante das condições. O ideal para os carrascos era que o martírio durasse ao menos 12 dias, prazo mínimo para a execução ser considerada um "sucesso". 

Horrível, bárbaro e perverso como sugerem os relatos, não existe nenhuma prova tangível de que o escafismo realmente tenha ocorrido. Contudo, depois de mais de dois milênios, quaisquer restos humanos ou evidências da tortura, desapareceram há muito tempo. O que resta são os relatos históricos presentes na obra de cronistas, entre os quais, o filósofo greco-romano Plutarco. Ele afirmava ter testemunhado pessoalmente uma execução por Escafismo. 


No texto o filósofo relatava o triste fim de um soldado chamado Mitrídates responsável por matar Ciro, o Jovem, irmão do rei Artaxerxes II. O monarca exigiu que o soldado mantivesse em segredo sua façanha - e contasse aos outros que havia sido ele, Ataxerxes, o responsável pelo golpe final que assassinou Ciro.

Mitrídates, no entanto, não se conformou com a ordem. Após beber em demasia numa taverna ele começou a se gabar de ter matado Ciro dizendo que o rei sequer havia tomado parte do combate. Quando Artaxerxes II soube disso, mandou capturar imediatamente o soldado e o sentenciou à morte. Para demonstrar seu descontentamento ele ordenou que o carrasco real inovasse e usasse uma forma de execução especial. Não está certo se o carrasco conhecia o método ou se foi o responsável por inventá-lo, as o fato é que ele escolheu o Escafismo. Segundo Plutarco, Mitrídates suportou 17 dias antes de sucumbir.

Plutarco teria sido convidado a inspecionar o resultado final da execução. Ele escreveu:

"Quando o homem estava claramente morto, o barco superior foi removido e encontramos a carne do soldado totalmente lacerada, inchada e parcialmente devorada. Haviam enxames de moscas, vespas, abelhas e insetos de toda ordem aninhados ali dentro, além de vermes crescendo no interior de seu corpo".

O historiador bizantino Joannes Zonaras escreveu no século XII um texto sobre as leis (e execuções) praticadas pelo povo persa. Ele contou que o escafismo também chamado por alguns "ninho de insetos" ou ainda "colméia viva", era reservado aos criminosos mais odiados ou contra aqueles que desagradavam pessoalmente aos reis. Ainda segundo suas anotações "os persas superam todos os outros bárbaros na horrível crueldade de suas punições".


Zonaras foi responsável por detalhar ainda mais como ocorria a execução. Os barcos segundo ele eram firmemente pregados para garantir que não houvesse chance de fuga, a vítima era lavada com mel antes de ser depositado na caixa e em geral, a execução acontecia apenas no auge do verão. Além disso, ele explicou que a mistura de leite fermentado de camelo e mel era uma receita usada pelos médicos persas para causar uma violenta evacuação intestinal. Haviam variações desse método horrendo de execução, uma delas envolvendo colocar a vítima não entre barcos, mas no interior de um cavalo ou vaca. A vítima era amarrada dentro da carcaça de um animal morto com braços e cabeça para fora. Ele recebia os mesmos alimentos e sofria o mesmo destino absolutamente medonho. 

Mas diante de todo esse horror, resta uma pergunta: O Escafismo realmente existiu?

Aqueles que acreditam na autenticidade do escafismo como forma de execução afirmam que ele realmente surgiu na antiga Pérsia, mas que foi usado também na Mesopotâmia e Arábia. Afirmam que, no entanto, foi empregado em crimes muito graves envolvendo traição da coroa e assassinato de membros da família real. Há rumores de que os romanos teriam sido apresentados ao escafirmo, mas que, mesmo eles o acharam abominável.  

No entanto, nem todos historiadores estão plenamente convencidos que esse método de execução chegou a ser empregado. Muitos sugerem que a prática foi totalmente inventada por cronistas que tentavam retratar os persas como bárbaros sanguinários e seus costumes como grotescos. Para os céticos, o Escafismo foi quase certamente uma invenção literária de gregos antigos desonestos, ainda que extremamente criativos. Outros métodos de execução tão macabros quanto foram reputados aos povos do oriente médio ao longo dos séculos seguintes.

Verdade ou não, praticado largamente ou apenas em certas circunstâncias específicas, a mera possibilidade do Escafismo ter existido é algo assustador. Quem poderia conceber algo tão horrível? Quem poderia imaginar uma forma tão dantesca de despachar um criminosos? E pior, quem teria estômago de praticar tal coisa?

Uma coisa no entanto é certa!

Nunca, nunca mesmo subestime a capacidade da humanidade de se superar quando o assunto é impingir dor e sofrimento em seus semelhantes. 



segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Ouçam o que está se aproximando!


Ouçam o som que se aproxima...

Está cada vez mais próximo.

Ouçam o ruído da máquina, do gigante de ferro que se arrasta pelo coração da Europa. Ele carrega a ultima esperança de um continente ameaçado.
 
Ouçam os gritos de loucura em seu interior, escutem a gargalhada dos insanos e preparem-se para enfrentar um horror inenarrável.

Algo está se aproximando e seu movimento inexorável o coloca cada vez mais perto de nós.

A próxima parada, pode ser a nossa.

All aboard!




Você não vai querer perder essa viagem!

sexta-feira, 11 de agosto de 2023

Poço dos Shoggoth - Uma terrivel ruina criada pelos Seres Ancestrais

 

Em nosso planeta, há lugares estranhos e perdidos que repousam sob a sinistra sombra do Mythos. Quase todos eles são recônditos proibidos e afortunadamente jazem esquecidos pelos homens. Ainda que tenha  havido uma época na qual sua mácula era conhecida e temida. São querências escuras, que repelem os sensitivos fazendo com que eles sintam a presença de algo que não é natural e que precisa ser evitado à todo custo.

Não por acaso, esses lugares se tornavam tabu para os homens primitivos. Os povos antigos que tinham familiaridade com o mundo paranormal sabiam de sua existência e os detestavam. Coisas ruins e desagradáveis aconteciam nas proximidades e a própria luz parecia ser consumida pela escuridão pujante.

Nas densas florestas do continente norte americano encontra-se um desses lugares malditos. Engolido por florestas implacáveis, imerso num vasto mar de árvores ancestrais que jamais viram a lâmina de um machado, esse antro perdura como um grande mistérios. Alguns bruxos e feiticeiros sabem de sua pérfida existência, muitos tentaram encontrá-lo, mas poucos conseguiram explorar os seus segredos. Para a maioria desses ousados exploradores, loucura e morte foram a única recompensa. A história desse lugar está registrada nas páginas amareladas de uns poucos tomos de conhecimento arcano. 

O Pnakotika, compêndio de saber reunido pelos Yithianos e cuja versão mais antiga foi escrita em grego clássico, cita textualmente a existência desse monumento:

"Erguido antes mesmo do tempo da Grande Raça; resiste inquebrantável diante da passagem das eras, o fosso que rescende com a ímpia escuridão viva. (...) lá em recessos profundos habitam aqueles que foram escravos da raça primordial que desceu das estrelas e conquistou o planeta, quando ele ainda era jovem."

Mas é o registro de Abdul Al-Hazred lavrado no blasfemo Necronomicon o trecho mais completo sobre esse lugar, diz ele:

"Pois sabemos que os poderosos escravos que um dia serviram a Raça dos Anciões habitam cavernas profundas sob as montanhas, mas também os corredores de vastas ruínas abandonadas. O tempo não os consome, pois nada na criação é capaz de interferir na sua existência profana. Eles são imortais, e existirão perpetuamente. Eu tive visões despertas através da fumaça do alcatrão da papoula, e em meus devaneios vi um recesso rochoso de profundeza vertiginosa. Lá, ao fim de uma escadaria de seis mil degraus, estende-se uma caverna infindável, e a caverna se abre em câmara e a câmara em um majestoso subterrâneo. Esse lugar lhes serve de covil. Nela se arrastam os medonhos Shoggoth; seus grotescos corpos não são sólidos, tampouco aquosos - sendo ambos! Amalgamados à escuridão estígia eles dão forma a um pesadelo vivo e pulsante."


Em face desta descrição feita pelo escriba iemita, alguns teóricos do Mythos, passaram a chamar esse lugar legendário de Poço dos Shoggoth. Muitos se questionam qual seria a sua origem e propósito.

Embora seja virtualmente impossível saber ao certo, há aqueles que acreditam que esse lugar tenha sido construído pelos Seres Anciãos durante seu longo reinado na Terra milhões de anos atrás. 

Para alguns, seria uma espécie de depósito no qual a matéria protoplásmica que constitui os Shoggoth era criada e estocada. Uma hipótese é que o lugar seria utilizado como viveiro, ou tubo de ensaio para o material genético das temidas criaturas. No interior do poço, o resíduo protoplásmico seria moldado conforme os misteriosos métodos de criação conhecidos apenas pela Raça Ancestral. A instalação contaria com laboratórios e alas de contenção nas quais as criaturas seriam mantidas cativas por seus criadores. 

Essa teoria esbarra em alguns pontos contraditórios. É sabido que a Raça Ancestral idealizou a engenharia por trás dos Shoggoths para cumprir funções básicas. Eram tarefas atribuídas a eles construir as magníficas cidades de pedra e empreender guerra em nome de sua civilização. Os Shoggoth constituíam as ferramentas mais versáteis à serviço da Raça Ancestral, podendo cumprir dezenas de funções graças a sua notável adaptabilidade. Contudo, também é sabido que os Shoggoth por serem demasiadamente poderosos só eram criados na segurança das cidades, para que o segredo de sua gênese jamais caísse nas mãos de inimigos em potencial.

Havia um temor, que mais tarde se provou justificado, de que os Shoggoth pudessem ser copiados ou ainda corrompidos para se voltar contra seus mestres. Talvez os geneticistas da Raça Ancestral soubessem disso, ou ao menos desconfiassem dessa possibilidade e por isso preferiam destruir os Shoggoth ao invés de perdê-los para oponentes como os Mi-Go ou os Xothianos.

É possível, entretanto, que o Poço cumprisse outros propósitos. Há conjecturas de que ele teria sido um tipo de instalação militar na qual uma "tropa de choque" de Shoggoths teria sido reunida com o intuito de atacar e tomar posições dos inimigos. Sabe-se que na antiguidade os continentes foram usados como campo de batalha e que viram inúmeros embates entre Shoggoths e outras aberrações atávicas como as Crias Estelares de Cthulhu, ou então falanges aladas dos Fungos de Yuggoth. Aqueles que creem ter sido o Poço uma instalação para reunir os shoggoth, acreditam que uma batalha em larga escala possa ter ocorrido naquela posição.


Finalmente, há uma terceira e ainda mais controversa possibilidade, a de que o Poço fosse usado como um tipo de prisão para os Shoggoth dissidentes que se provaram uma ameaça aos da Raça Ancestral.

O Necronomicon contém farto material relatando a audaciosa rebelião dos Shoggoth que quase levou à aniquilação da magnifica civilização da Raça Ancestral. Em algum momento, os Shoggoth, fartos de sua condição servil , se ergueram contra seus criadores empreendendo contra eles, uma sangrenta guerra parricida. Apenas pela vantagem de armas de fissão atômica a revolta foi debelada. 

Os anais da história da Raça Ancestral menciona que alguns Shoggoth teriam despertado uma consciência rudimentar e que foram estes que lideraram a revolta. Os defensores dessa hipótese acreditam que o Poço teria sido o destino final dos líderes que uma vez vencidos foram capturados. Incapazes de serem destruídos, o encarceramento teria sido a opção mais adequada.

É possível que estes Shoggoth tenham desenvolvido ao longo das eras capacidade mental que os tornavam especialmente perigosos. Se por um lado a paranoia da Raça Ancestral é bem conhecida, por outro, também o é, a profunda curiosidade científica. Eles poderiam ter isolado os Shoggoth que apresentaram uma singularidade mental com o intuito de estudá-los e compreender os meandros de seu desenvolvimento intelectual.

Após a rebelião, a Raça Ancestral continuou dependente dos Shoggoth e precisou criar novos indivíduos para assumir o lugar dos que foram destruídos. O estudo criterioso dos indivíduos inteligentes justificaria mantê-los vivos e aptos para a dissecação. Os cientistas precisariam sem dúvida de uma instalação de máxima segurança para fazê-lo, sem mencionar que, quanto mais longe de suas cidades, melhor.


No fim das contas, não há como saber exatamente qual o propósito exato do Poço dos Shoggoths e esse mistério parece fadado a permanecer sem solução. Mas se os motivos para a criação do poço nos ilude, sua existência parece ser um fato concreto.

O Poço se localiza na porção setentrional do território que hoje corresponde ao estado do Maine nos Estados Unidos. Sua localização exata é desconhecida, mas é provável que ele se encontre nas densas florestas de pinheiros que cobrem quase 90% do estado. A vegetação nativa é tão densa e as matas tão fechadas que se faz quase impossível explorar certas áreas. Tribos ancestrais que habitavam essa região podem fornecer pistas sobre a localização aproximada na forma de áreas consideradas proibidas desde os primórdios da sua ocupação. A Floresta de North Woods se apresenta como uma das mais prováveis localizações sendo ela vasta, insalubre e absolutamente inexpugnável.

O Poço dos Shoggoth estaria oculto da civilização e para encontrá-lo seria necessário vagar pelas matas e seguir marcos de pedra que alguns feiticeiros supostamente ergueram pelo caminho. Em algum momento, o Poço, dada a sua importância para a historiografia do Mythos, pode ter atraído a peregrinação de estudiosos ou ter sido centro de poder buscado. Há indicações de que um bem desenvolvido Culto devotado a Shub-Niggurath se instalou nesse enclave florestal tornando-se guardião do Poço e de seus segredos.

Essa cabala de perigosos feiticeiros devotados a Deusa da Fecundidade teria se estabelecido na região no período colonial e reclamado a localidade. Eles o utilizam como sede para muitos dos seus rituais degenerados. Para defender essas florestas eles teriam invocado várias Crias Negras de Shub-Niggurath que erram pela região coibindo a presença de qualquer invasor. O Culto conhece vários segredos do Poço, e é de se inferir que eles tenham explorado seu interior e entrado em contato com seja lá o que habita suas profundezas.

Ephraim Waite, o diabólico feiticeiro de Innsmouth e sua filha, Asenath estão entre os que visitaram esse sítio na floresta e participaram ativamente da Cabala. Ephraim adotava perante os seus colegas o nome Kamog enquanto participava dos rituais. Ele teria utilizado o corpo de seu genro, Edward Pickman Derby, enquanto visitava o Poço dos Shoggoth e tomava parte em cerimônias. Em pelo menos uma ocasião Derby teria despertado momentaneamente deparando-se com alguns dos ritos selvagens dos cultistas - experiência tão chocante que quase aniquilou sua sanidade mental.


Há poucas descrições do Poço dos Shoggoth e qual a sua aparência. Muitos no entanto concordam que dada a sua antiguidade ele não passe de uma ruína de pedra bruta. Há menções de que ele teria uma estrutura externa na forma de uma construção abobadada e de um portão que permite acesso a um interior fechado. Estatuário reminiscente de eras passadas, representando indivíduos da Raça Ancestral e façanhas de sua civilização estariam espalhados pelo sítio decadente. Haveria também pilares e paredões contendo fragmentos da escrita que compõe o alfabeto da Raça Ancestral. A compreensão desses caracteres se traduziria em inestimável saber do Mythos.

Mais de uma fonte fidedigna menciona uma escadaria de seis mil degraus que conduziria às câmaras mais profundas fervilhando com os objetos de um passado distante. Lá dentro, distribuídos por passagens labirínticas construídas pela Raça Ancestral incontáveis milênios atrás, encontram-se alguns de seus maiores segredos. Talvez apenas a maior cidade dessa espécie extinta, localizada na imensidão gelada da Antártida, contém tesouros semelhantes. Alguns supõem que lá estariam os últimos laboratórios de ciência avançada dos Seres Ancestrais, repletos de segredos até hoje perdidos - talvez até aquele para a criação dos Shoggoths.

Tal lugar, entretanto, se mostra extremamente perigoso, mesmo para o mais ambicioso dos exploradores e mais mordaz dos feiticeiros. Ao fim da escadaria de seis mil degraus, os túneis se abrem em passagens e corredores escuros. Aparentemente infindáveis, eles são habitados por terrores genéticos nadando em lagos subterrâneos de matéria protoplásmica. Haveriam ainda cápsulas e tonéis que encerram a matéria viva e tenebrosa que dá vida aos shoggoth. Estes teriam se rompido liberando seu conteúdo pela instalação, criando sabe lá que reações ao longo das eras. Além disso, quando o assunto são os Shoggoth, como é possível ter certeza de qualquer coisa? Abandonados em um ambiente como esse, eles podem ter se adaptado e se transformado em algo que não estamos preparados para conhecer.   


segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Vampira de Belém - Quem foi a cantora lírica Marie Camille Montfort (ela existiu mesmo?)


Você já ouviu falar em Marie Camille Monfort?

Recentemente, em Junho de 2023 começaram a pipocar em redes sociais imagens de uma suposta cantora lírica que viveu no final do século XIX e que teria imigrado da França e se radicado na cidade de Belém do Pará

A história para quem não leu é a seguinte: 

CAMILLE MONFORT, A VAMPIRA DA AMAZÔNIA

Em 1896, Belém prosperava com a venda da borracha amazônica para o mundo, enriquecendo fazendeiros, da noite para o dia, que construíam seus ricos palacetes com materiais vindos da Europa.

O Theatro da Paz era o centro da vida cultural na Amazônia, com concertos de artistas europeus. Entre eles um chamou especial atenção do público, o da bela cantora lírica francesa Camille Monfort (1869 - 1896), que causou desejos desenfreados em ricos senhores da região, e ciúmes atrozes em suas esposas por sua grande beleza.

Camille Monfort também causou indignação por seu comportamento livre das convenções sociais de seu tempo --- ela era vista, semi nua, a dançar pelas ruas de Belém, enquanto se refrescava sob a chuva da tarde; era também vista em solitários passeios noturnos, com seus longos vestidos negros esvoaçantes, à beira do Rio Guajará.

Logo, ao seu redor, boatos se criaram e deram vida a comentários maledicentes sobre sua pessoa. Dizia-se que era amante de Francisco Bolonha, que a trouxera da Europa, e que este lhe dava banho com caríssimas champanhes importadas da França, na banheira de seu palacete; dizia-se também que ela fora atacada pelo vampirismo em Londres, devido sua palidez e aspecto doentio, e que trouxera este grande mal à Belém, possuindo misteriosa necessidade de beber sangue humano, ao ponto de hipnotizar jovens mocinhas com sua voz em seus concertos, fazendo-as adormecerem em seu camarim, e terem seus pescoços sugados pela misteriosa dama. [O que, curiosamente, coincidiu com relatos de desmaio nas dependências do teatro durante seus concertos, que eram explicados como apenas o efeito da forte emoção produzida por sua música aos ouvidos do público]; dizia-se também que ela possuiria o poder de se comunicar com os mortos e materializar seus espíritos em densas brumas etéreas de materiais ectoplasmáticos expelido de seu próprio corpo em sessões mediúnicas. [Eram, sem dúvida, as primeiras manifestações na Amazônica do que mais tarde viria ser chamado de Espiritismo, praticado em misteriosos cultos em palacetes de Belém, como o Palacete Pinho].

Em finais de 1896, um terrível surto de cólera devastou a cidade de Belém, fazendo uma de suas vítimas Camille Monfort que faleceu, sendo sepultada no Cemitério da Soledade.

Hoje, sua sepultura está lá, tomada pelo limo, musgo e pelas folhas secas, sob uma enorme mangueira que faz o túmulo mergulhar na obscuridade de sua sombra, apenas clareada por alguns raios de sol que se projetavam por entre suas folhas verdes. É um mausoléu de linhas neoclássicas com um portão fechado por um velho cadeado enferrujado, de onde pode-se ver um busto feminino em mármore branco sobre a ampla tampa do túmulo abandonado; e, fixado à parede, uma pequena imagem emoldurada de uma mulher vestida de preto; e em sua lápide pode-se ler a inscrição:

Aqui Jaz
Camille Marie Monfort (1869 - 1896)
A Voz que Encantou o Mundo

Mas há aqueles que, ainda hoje, dizem que seu túmulo está vazio, que sua morte e enterro não passaram de encenação para acobertar seu caso de vampirismo; e que Camille Monfort ainda vive na Europa, hoje aos 154 anos de vida.

Quando você visitar o Cemitério da Soledade, em Belém, não esqueça de visitar seu túmulo, e lhe depositar uma rosa; e não se assuste se noutro dia a rosa tenha se tornado em sangue


Com tantos detalhes e com a repercussão resultante, algumas pessoas começaram a se perguntar se a tal cantora lírica realmente existiu e se a sua história poderia ter algum fundo de verdade.

Infelizmente, como acontece frequentemente com as coisas postadas na internet, é bom manter um pé atrás quanto às informações. Nesse caso, a verdade é que a fascinante história não passa de um conto. Sendo bastante objetivo: A moça não existiu no mundo real.

De acordo com historiadores procurados para dar seu parecer sobre a história, não há registros sobre nenhum Camille Montfort em veículos da época. Se ela fosse tão famosa e reconhecida mundialmente, haveria uma boa quantidade de informações sobre ela, mas uma breve pesquisa resulta em zero achados.

Além disso os jornais e revistas paraenses da época (que não eram poucos) não mencionam sua visita e suas apresentações no Teatro Nacional. De fato, na época o Teatro estava passando por uma reforma e se encontrava fechado, ou seja, ninguém estava se apresentando lá no período que ela supostamente teria feito sua turnê. Além disso, é possível constatar que artistas famosos realmente estiveram em Belém para apresentações, contudo é impossível que tal coisa tenha acontecido sem receber ampla cobertura da imprensa local. A vida social bastante ativa na cidade dava ensejo a várias colunas sociais, e mesmo uma visita breve não passaria desapercebida da mídia.

Conforme dito, Belém e Manaus, as maiores cidades da região amazônica experimentaram um acelerado desenvolvimento no início do século graças ao boom da borracha que fez a fortuna de muitas pessoas. Isso permitiu às cidades se modernizarem e abraçar uma vida cultural efusiva. O inusitado de possuir teatros requintados bem no meio da Amazônia, também servia de chamariz para os artistas que desejavam conhecer essa região do país.

A inserção de personagens famosos da vida social de Belém do Pará no período confere uma aura de credibilidade à ficção. O nome de Francisco Bolonha nos faz erguer uma sobrancelha, já que ele realmente era um figura conhecida na cidade, mencionado anteriormente em artigos que também ganharam fama circulando pelas redes sociais. 

Francisco foi o construtor do chamado Palácio Bolonha, uma mansão em Belém do Pará que também possui fama de ser assombrada. Aqui no Blog falamos à respeito do palácio Bolonha e das muitas lendas fantasmagóricas que cercam a bela propriedade. Sobre essas histórias, os leitores podem encontrar um link no final desse artigo. 

Quanto a imagem de Camille Montfort, supostamente retratada no ano de 1901 por um estúdio inglês não restam informações que possam corroborar sua veracidade. É bastante fácil "trabalhar" fotos e alterá-las para que pareçam antigas. O estúdio em questão no número 55 da Baker Street de fato existiu, mas essa moldura, com endereço, pode ser facilmente encontrada na internet e encaixada sobre uma fotografia recente mas devidamente alterada para parecer autêntica. 

O estúdio em questão foi destruído na década de 1940 durante os ataques aéreos sofridos pela capital britânica. Os registros de clientes desapareceram após o conflito e não restaram negativos dessa fotografia em especial.  



Além disso, as pessoas mais atentas chamaram a atenção para o fato da personagem vista na foto estar segurando um suposto smartphone. Alguns supõem que, o que ela estaria segurando, é na verdade um cabinet (um tipo de porta cartão de visitas), item bastante comum na época. 

Contudo, parece bastante um smartphone novinho em folha, saído da loja.

Outro detalhe que contradiz diretamente a narrativa é que no Cemitério da Soledade, não existe nenhuma lápide ou jazigo com o nome Montfort. Alguns curiosos visitaram o cemitério e perguntaram à respeito obtendo zero informações. Não satisfeitos com isso, alguns chegaram até a procurar entre as lápides pelo jazigo da personagem. Não acharam sinal do mausoléu identificado no conto.

Os registros do Cemitério de Soledade são bastante completos e encontram-se em ordem. Eles não citam em parte alguma o enterro de uma mulher de nome Camille Montfort ou a localização de seu descanso eterno nas dependências do cemitério. Seria virtualmente impossível o registro ter sido adulterado ou ignorar a presença de um jazigo de uma estrangeira, quanto mais uma famosa. 

Ao que tudo sugere, o busto de mármore branco citado no texto também pertence a outra pessoa. No caso a estátua estaria no mausoléu da família do Senador Justo Chermont, Visconde de Ariri, um conhecido político falecido em 1926. O mausoléu é considerado um dos mais belos e bem cuidados do Cemitério e possivelmente serviu de inspiração. 

Considerando tudo isso, parece correto afirmar que tudo não passa de uma invenção. Mas se esse é o caso, de onde vem essa história e com que propósito ela foi criada? 

A biografia enigmática de uma cantora lírica de espírito independente que vem da França e que luta pelo direito ao voto feminino em pleno século XIX e mais, que, com seu comportamento livre choca a conservadora sociedade paraense parece algo tirado de romance. E de fato, ele é parte do roteiro de um livro que tem por título "Após a Chuva da Tarde – A Lenda do Cão Fantasma do Palacete Bolonha", do escritor belenense Bosco Chancen.

O romance escrito em estilo gótico adapta ao nosso clima tropical e aos palacetes da cidade de Belém, personagens reais, lendas amazônicas, romance e vampirismo. Segundo a descrição do livro: 

"Ficção e realidade se confundem na trama que aproveita a atmosfera sombria da floresta amazônica para contar histórias assombradas."

O autor Bosco Chancen ou alguém próximo a ele provavelmente aproveitou para inserir o rumor nas redes sociais como forma de chamar a atenção para sua personagem. Uma forma inteligente de atrair leitores para seu trabalho. Confesso que funcionou, já que eu mesmo fiquei curioso, querendo saber mais sobre o livro.

Nem tudo é o que parece, mas que daria uma bela história, daria.

Para quem quiser saber mais sobre as lendas do Palácio Bolonha, só clicar no link:

sexta-feira, 4 de agosto de 2023

Asenath e Ephraim Waite - Pai e Filha unidos pelo Mythos


Na noite em que Asenath Waite veio ao mundo na propriedade da família, em Innsmouth, uma violenta tempestade irrompeu sobre a cidade portuária.

Enormes ondas rebentaram no cais, destroçando os barcos de pesca, enquanto raios reluziam no horizonte cinzento. Tamanha foi a borrasca que alguns acreditaram se tratar do fim do mundo. A mãe de Asenath, uma mulher estranha que vivia praticamente reclusa no escuro palacete, morreu de complicações do parto. Apenas cinco dias mais tarde, Ephraim Waite, o viúvo, surgiu para comunicar as circunstâncias do falecimento da esposa. Poucos sequer sabiam que ela estava grávida.

Ephraim era um sujeito muito respeitado em Innsmouth; homem taciturno de poucas palavras e personalidade forte, havia sido marinheiro e se tornou capitão antes dos 25 anos, embora ninguém recordasse o nome das embarcações por ele comandadas. Tinha viajado ao redor do mundo, como era comum aos estoicos homens nascidos em Innsmouth que, segundo alguns, tinham água salgada correndo em suas veias. Ephraim esteve no Extremo Oriente, envolvido ativamente no comércio de pérolas e no transporte de carga preciosa.

Nativo de Innsmouth, ele sempre soube de sua herança de sangue, tendo participado de rituais de iniciação na Ordem Esotérica de Dagon que o vincularam aos abissais habitando aquelas águas turvas. É provável que ele fosse um híbrido que jamais manifestou a aparência batráquia dos moradores do assentamento. Ephraim era alto e empertigado, muito energético e com cabelo claro, além de um largo bigode emoldurando sua face comprida.

Algumas pessoas acreditam que Waite conheceu sua noiva nas Ilhas Andaman, no Oceano Índico e que ela foi trazida até Innsmouth no porão de seu navio. Os poucas que a conheceram, diziam que era uma mulher feia, de baixa estatura e cabelos muito escuros, praticamente o oposto do noivo. É quase certo que ela era uma híbrida humana e abissal, manifestando os primeiros estágios de transformação. Isso explicaria porque ela era mantida escondida dos olhares de curiosos. 

Após núpcias muito discretas, Ephraim abandonou a vida no mar e se tornou Oficial Portuário, um cargo importante em Innsmouth. Ele também se converteu em figura proeminente na Ordem de Dagon. Embora não fosse um sacerdote, gozava de intuição mágica e se tornou um notável feiticeiro.


Sua filha única recebeu o nome bíblico Asenath e foi batizada diante da Congregação reunida na Ordem Esotérica de Dagon. Desde muito jovem a menina de pele alva e cabelos negros chamava a atenção pelo seu interesse nos segredos ancestrais do Mythos de Cthulhu. Ephraim se converteu em seu preceptor, revelando a ela os mistérios ritualísticos dos abissais e de sua pérfida feitiçaria.

Muito jovem a menina nadava entre os Abissais e auxiliava Ephraim em seus ritos blasfemos. Ela também se sobressaiu aprendendo as minúcias da arte do hipnotismo e do controle mental. Apesar de suas inegáveis habilidades, e do potencial de superar o próprio pai em aptidão mágica, Asenath sempre foi fanaticamente devotada a ele. Essa fidelidade seria colocada a prova quando o velho Ephraim urdiu um sinistro estratagema para se perpetuar pela eternidade. 

Asenath deixou a pequena e decrépita Innsmouth e se transferiu para Arkham onde passou a residir em uma casa alugada a oeste da Bishop Street. Ela cursou brevemente a Universidade Miskatonic e participou de palestras abertas como o controverso curso de Metafísica Medieval. Foi nessas ocasiões que Asenath teve contato com estudantes que compunham um infame círculo boêmio. Dado a festas escandalosas e comemorações extravagantes, os membros desse grupo atraíam para si olhares de reprovação dos residentes.

Um dos membros desse círculo era Edward Pickman Derby, um poeta de criatividade prodigiosa que havia composto soturno sonetos reunidos na coleção Azathoth e outros. Derby se inspirou em livros achados na Biblioteca Orne - tomos ancestrais repletos de conhecimento arcano. Derby era afetado por esse saber profano, mas na mesma proporção que estes lhe causavam pesadelos, o deixavam fascinado.

Foi em uma soirè na Sociedade Ocultista de Arkham que Derby conheceu Asenath. Ele ficou impressionado com o magnetismo da jovem, que demonstrava suas habilidades hipnotizando voluntários. Asenath era considerada esquisita, mesmo para os padrões do Círculo Boêmio, mas essa estranheza cativou o jovem Derby. 

A corte desajeitada do poeta foi assunto de escárnio entre seus colegas, ninguém esperava que Asenath retribuísse as atenções do rapaz. Entretanto, eles passaram a ser vistos cada vez mais juntos, compartilhando de aulas e reuniões sociais, o que tornava evidente que haviam se tornado um casal. A relação, no entanto era peculiar, já que o tímido Derby parecia ser dominado, controlado e até emasculado pela geniosa Asenath.


Encantado por Asenath, Edward a pediu em casamento. Na ocasião ele ficou sabendo que o pai da jovem, Ephraim, havia falecido de um mau súbito. Apesar de protestos velados do seu lado da família e da suspeita de amigos, o casamento acabou ocorrendo com a lua de mel se consumando em Innsmouth.

Ao retornar, o casal ocupou a magnífica mansão de Crownshield Manor em Arkham, servidos por três criados soturnos trazidos de Innsmouth. O casamento não foi exatamente um mar de rosas para Derby, cujo encanto pela esposa parecia ter arrefecido. Amigos percebem mudanças em seu comportamento, algumas delas bastante acentuadas.

Tais mudanças eram reflexo do plano de Ephraim que prevendo sua morte transferiu sua consciência para o corpo da própria filha. Esse seria o primeiro estágio de uma mudança permanente visando habitar o corpo de Edward Derby. Waite provavelmente aprendeu a técnica de transferência mental durante seus estudos arcanos e seu plano era continuar vivendo após o declínio de seu corpo. Contudo, assumir a forma delicada de Asenath não era satisfatório já que ele desejava o vigor de um corpo masculino.

Aos poucos Asenath/Ephraim ampliou seu controle sobre Derby, dominando-o por períodos cada vez mais longos. Ele o usou como veículo para suas ações nefastas explorando as florestas fechadas do Maine em busca de ruínas ancestrais e participou de vários rituais. O que ele pretendia atendendo a estas cerimônias, não se sabe, mas ao que tudo indica, o feiticeiro estava em busca de outros poderes do Mythos.

Por fim, o plano dos Waite acabou sendo frustrado pela diligência de Daniel Uphan, um fiel amigo de Edward Derby que descobriu a verdade sobre a trama que se desenrolava. Após dar cabo do cadáver decrépito que hospedava a mente de Derby, ele baleou também seu corpo, sabendo que na verdade estava matando o feiticeiro que o habitava.


Não há como saber se Ephraim já havia realizado o ritual de transferência de mentes em outras ocasiões, mas essa possibilidade de fato existe. Talvez, a mente que habitava seu corpo fosse muito mais velha do que se pode imaginar. O que se sabe é que ele foi um bruxo bastante poderoso e um adversário perigoso disposto a tudo para cumprir seus objetivos - mesmo que isso envolvesse dispor de sua filha.

Da mesma forma, não há como saber se Asenath tinha total conhecimento dos planos de seu pai. Uma vez que ele reclamou seu corpo, a consciência da jovem foi catapultada para um cadáver, experiência da qual ela não conseguiu se recobrar. Por mais leal que pudesse ser, é difícil acreditar que ela aceitou de bom grado o destino que a aguardava. É possível que Ephraim a tenha ludibriado, contudo é óbvio que ela participou do plano para se aproximar de Derby, casar com ele e prepará-lo para a transferência mental visando ajudar o pai.

Asenath era descrita como uma moça culta que com apenas 20 anos dominava as reuniões boêmias com sua presença cativante e opiniões fortes. Na Miskatonic se destacava pela obstinação com que defendia seu ponto de vista chegando a discutir com mais de um professor. Muitos a classificavam como brilhante, ainda que odiasse ser contrariada. Quando tal coisa ocorria mordia o lábio inferior com tanta força que este chegava a sangrar.

Diferente de sua mãe, Asenath era atraente e desde sua chegada à Miskatonic atraiu muitos galanteios no campus. De fato, alguns reputavam a ela uma certa fama, típica de moças modernas, intensificada pela forma como ela dirigia seu automóvel pelas ruas da cidade. As más línguas davam contas de que ela esteve envolvida em mais de um affaire. A jovem tinha cabelos pretos cortados à moda flapper e uma pele tão branca que alguns supunham jamais ter sido tocada pelo sol. Vestia-se de preto, dos pés à cabeça mesmo depois do casamento. Seus olhos azuis eram descritos como um tanto grandes, mas seu sorriso compensava a estranheza inicial, ainda que ela o reservasse para algumas poucas ocasiões. Lembrava o sorriso satisfeito de um felino, prestes a brincar com uma presa capturada.

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ASENATH WAITE


"Ela era morena, baixa e de muito boa aparência exceto pelos olhos protuberantes, contudo algo em sua aparência afastava as pessoas mais sensíveis."

"A Coisa na Soleira da Porta", H.P. Lovecraft

Ocupação: Estudante
Local de Nascimento: Innsmouth, Nova Inglaterra
Idade: 23

FORça               12          DEStreza           13          INTeligência     18
CONstituição     14         APArência         15          PODer               18
TAManho          10                                                  EDUcação         21
HP: 12, 
Bônus de Dano: +0

Habilidades Principais: Arte (Literatura) 43%, Arte (Dança) 40%, Arte (Retórica) 65%, Charme 69%,  Nível de Crédito 45%, Dirigir Automóveis 70%, Escutar 36%, Esquiva 35%, Furtividade 55%, História 38%, Lutar (Briga) 50%, Mythos de Cthulhu 22%, Natação 70%, Ocultismo 59%, Persuadir 44%, Usar Biblioteca 47%

Idiomas: Inglês 75%, Árabe 10%, Latim 32%

Feitiços: Hipnotismo, Névoas de R'Lyeh, Contatar Abissais, Beijo das Profundezas

EPHRAIM WAITE


Ocupação: Capitão, Oficial da Marinha
Local de Nascimento: Innsmouth, Nova Inglaterra
Idade: 70

FORça               12          DEStreza           08          INTeligência     18
CONstituição     10         APArência         10          PODer               20
TAManho          15                                                  EDUcação         16
HP: 12 
Bônus de Dano: +1d4

Habilidades Principais: Antropologia 10%, Contabilidade 30%, Direito 40%, Furtividade 25%, História 50%, Lutar (Briga) 38%, Mythos de Cthulhu 67%, Mundo Natural 47%, Natação 85%, Navegação 40%, Nível de Crédito 50%, Ocultismo 51%, Persuasão 80%, Pilotar (Barco) 62%, Psicologia 42%   

Idiomas: Inglês 80%, Árabe 50%, Latim 48%, Hindi 62%

Feitiços: Alterar Clima, Maldição de Azathoth, Transferir Mente, Hipnotismo, Névoas de R'Lyeh, Secar Membro,  Invocar Abissais, Contatar Pai Dagon e Mãe Hidra, Contatar Cthulhu, Contatar Shubb-Niggurath e mais quaisquer magias que o Guardião julgar adequadas.