sexta-feira, 1 de março de 2024

Incidentes Bizarros - Encontros inexplicáveis de Policiais com criaturas desconhecidas


O trabalho de policial é, em grande parte, uma profissão nobre e imprescindível para a existência da sociedade. Eles estão lá para servir e proteger, para lidar com os perigos que se escondem nas sombras e nos manter a salvo do mundo muitas vezes violento em que vivemos. Mas e quando policiais precisam nos proteger não apenas do nosso mundo, mas também daquilo além do véu de nossa realidade? 

Policiais às vezes têm contato com o inexplicável e o paranormal, com entidades além do escopo de sua compreensão e para o qual não receberam treinamento. Agentes da Lei certamente veem coisas estranhas em suas patrulhas, mas nada tão estranho quanto alguns desses relatos. Essas narrativas vem de policiais que aparentemente tiveram encontros com coisas que não conseguem (e não podem) explicar. 

Neste artigo veremos alguns testemunhos de grande estranheza que supostamente foram feitos por indivíduos dentro da comunidade policial, e que nos mostram que esta profissão pode ser muito mais estranha e assustadora do que se pode imaginar.

Muitos encontros policiais com seres estranhos parecem envolver entidades que talvez não sejam deste mundo. Dos arquivos do pesquisador paranormal Albert Rosales do Supernatural Research Investigation (SRI) surge uma série de relatórios desse tipo. Rosales colecionou essas narrativas, a maioria transmitida a ele de forma anônima através de agentes policiais na ativa ou aposentados que o procuravam desejando partilhar incidentes incomuns do serviço.

O primeiro relato foi gravado originalmente pelo renomado investigador paranormal John A Keel e nos leva de volta ao ano de 1966, na cidade de Gaffney, Carolina do Sul. Por volta das 4 da manhã, os policiais C. Hutchins e A. Huskey estavam dirigindo por uma seção rural escura de Gaffney conhecida como West Buford Extension quando avistaram um homem andando no meio da estrada que por pouco eles não atropelaram.  

O relatório dos policiais dizia o seguinte:
 
"O sujeito estava andando no meio da estrada, naquela escuridão e foi uma sorte que não passamos sobre ele com a viatura". Huskey parou o carro no acostamento, eu desci imediatamente, disposto a dar ordem de prisão ao homem que até aquele momento eu imaginava devia ser um vagabundo, um bêbado ou as duas coisas".


Mas quando Hutchins se aproximou sentiu uma estranha energia ao redor do sujeito que o fez parar. Ele parecia um homem comum, vestia casaco, jeans e tênis, mas ele não tinha rosto! Sua face era um borrão cinzento que parecia se misturar constantemente como a superfície de um lago atingido por uma pedra. Hutchins, um veterano com 20 anos de serviços impecáveis ficou sem palavras, sentia uma aura de ameaça vindo da estranha figura e não conseguia se mover. Quando Huskey se juntou a ele também se sentiu confuso e estarrecido.

O que se seguiu foi ainda mais estranho. O misterioso ser se comunicou com os policiais através de um método não verbal, com perguntas que surgiam diretamente na mente deles. Ele fez inúmeras perguntas e ignorou quando os policiais tentavam, devolver alguma pergunta para entender o que se passava. Eles não foram capazes de lembrar de nenhuma das perguntas, mas admitiram ter respondido uma série delas, não porque quisessem, mas porque se sentiram compelidos a fazê-lo. Huskey até arriscou dizer que quando se negava a fazê-lo sentia uma forte pressão na cabeça, como se ela estivesse sendo apertada por um torno invisível.

Embora não tenham sido capazes de recordar o contexto da "conversa" que tiveram, toda interação ocorreu num plano surreal, quase onírico... Hutchins afirmou recordar que seu interlocutor se expressava num inglês perfeito, "não tinha sotaque distinto" e "que agia como se soubesse exatamente o que estava fazendo". Seu discurso foi muito preciso e direto. Os policiais divergiam de quanto tempo durou a conversa, Hutchins afirmou que foi algo breve, talvez apenas cinco minutos. Huskey disse que foi um contato bem mais longo, talvez de meia hora. Eles não se recordaram como aquilo terminou. Os dois simplesmente "piscaram" e o sujeito não estava mais lá. 

A dupla foi encontrada desmaiada naquele trecho de estrada, os dois haviam perdido a consciência, mas não estavam feridos. Um exame dos patrulheiros revelou que eles estavam em choque e que haviam sofrido um estranho caso de sangramento no nariz e ouvido. Fora isso, não sofrearam qualquer dano físico, mas foram afetados psicologicamente pela estranha experiência no meio da estrada.  

A história logo ganhou repercussão em jornais e na mídia. Muitos acreditavam que os dois policiais teriam tido um encontro com uma figura de origem desconhecida, talvez um ser alienígena, um anjo, um demônio ou uma entidade interdimensional que se manifestou em nossa realidade. Seja lá qual fosse a natureza do estranho ser, a breve interação foi o suficiente para custar a carreira de Hutchins que deixou a força no ano seguinte. Ele cometeu suicídio em 1969, após um grave quadro de depressão profunda. Huskey continuou na força policial por mais quatro anos, mas eventualmente também desistiu do trabalho se tornando um evangelista e defendendo que seu inusitado encontro envolveu uma entidade diabólica.


No ano seguinte, há um caso ocorrido em Ashland, Nebraska, envolvendo um sargento da polícia estadual chamado Herbert Schirmer de 22 anos. Ele estava fazendo uma patrulha de rotina em uma noite fria de dezembro, sem imaginar que estava prestes a encontrar algo muito bizarro. Schirmer se deparou com o que a princípio pensou ser um veículo estacionado bem no meio da estrada, mas ao se aproximar viu que era algo semelhante a uma porta iluminada pairando no ar. Ele parou o automóvel e se aproximou cautelosamente verificando que a porta parecia não ocupar um espaço físico, mas simplesmente estar ali com uma luz forte irradiando de seu interior. Então ela estranhamente desapareceu como se jamais tivesse existido. Parecia ser apenas uma história esquisita, mas sem grandes repercussões.  

Contudo, a partir de então o jovem policial começou a experimentar estranhos sonhos que o faziam acordar coberto de suor e aos gritos. Sem compreender a natureza do que estava acontecendo, ele concordou em se deixar hipnotizar para encontrar a raiz dos seus medos. Ao se submeter a uma sessão de hipnose, a história ficaria muito mais estranha. 

Sob transe hipnótico o policial começou a recordar de uma história bem diferente. Em vez de simplesmente sumir, o portal se iluminou com uma luz cegante no exato momento em que seu rádio, lanternas e o motor do carro falharam. Um grupo de estranhos seres humanóides, ainda que "não totalmente humanos" atravessou o portal e se aproximou do patrulheiro; eles o impediram de fugir ou sacar o revólver usando algum tipo de "bloqueio mental". Schirmer se sentiu paralisado e desmaiou. Os seres tinham baixa estatura, com no máximo um metro e meio, pele branca-acinzentada e não usavam roupas ou apetrechos. Pareciam assexuados, sem cabelos e com grandes olhos negros que contrastava com a boca pequena, pouco mais do que um rasgo horizontal.

Schirmer lembrou então de ter sido carregado através do portal em um estado de semiconsciência, vindo a acordar em uma espécie de sala branca imaculada, deitado sobre uma mesa de alumínio, incapaz de se mover ou mesmo gritar. As criaturas realizaram vários testes e procedimentos invasivos, obtendo amostras de sangue que era bombeado para estranhos frascos. O policial desmaiou repetidas vezes, sentindo agonia, dor e um medo indescritível. Sob influência hipnótica ele recordou que um dos seres no final do experimento tocou sua testa e fez com que ele sentisse uma dor aguda na cabeça que o fez esquecer a experiência por completo. 

O relato de Schirmer chamou a atenção, sobretudo porque certos aspectos de sua lembrança puderam ser corroborados por exames realizados posteriormente. Médicos atestaram que haviam sinais inequívocos de que o policial havia sido submetido a procedimentos similares a cirurgias sem que no entanto houvesse cortes e cicatrizes na sua pele. Atestaram ainda que pequenas partes de alguns órgãos; pulmão, fígado e rins haviam sido discretamente cortados para remoção de material. Também se descobriu que Schirmer havia recebido uma dosagem de raios X equivalente a 15 radiografias. Mais estranho ainda, exames médicos encontraram em seu corpo estranhos objetos de plástico e cristal que pareciam ter sido inseridos sem que houvesse sinais de como eles foram parar lá. Um total de 32 pequenos objetos - os menores do tamanho de grãos de arroz e os maiores do tamanho de uma unha foram removidos de seu corpo, sendo que o propósito deles, jamais foi explicado.

O caso de Herbert Schirmer é considerado um dos mais estranhos e inexplicáveis, envolvendo experimentos científicos supostamente realizados por seres extraterrestres em humanos. 


Outro caso bastante estranho envolvendo o contato de policiais com algo inexplicável ocorreu no ano de 2001 em El Pedroso, Califórnia. Na ocasião, dois policiais locais, R. Martin e C. Acuña, que faziam uma patrulha por uma região florestal se depararam com uma visão absurda. 

Ao fazer uma curva na estrada, eles se viram frente a frente com uma grande forma escura que flutuava no ar a cerca de 2 metros, sem fazer barulho ou se mover. Ela media pelo menos quatro metros de comprimento e parecia, segundo a descrição dos policiais, uma grande arraia. A criatura estava estática, mas quando os policiais pararam o carro de patrulha e usaram a lanterna para ver melhor, ela reagiu imediatamente.

A coisa avançou contra eles, flutuando no ar rapidamente se chocando contra o vidro do painel dianteiro produzindo um baque seco que fez o carro inteiro chacoalhar. Em seguida, ela escorreu sobre o veículo deixando marcas no teto, na lateral e quebrando a sirene no topo da viatura. Martin conta que eles aceleraram o automóvel para escapar da criatura que os perseguiu pela estrada em alta velocidade por quase um quilômetro. Ela chegou a alcançar o veículo pelo menos duas vezes, tentando tirá-los da pista. Acuña conseguiu manter o sangue frio e dirigir, escapando de seu misterioso perseguidor que frustrado soltou um urro alto e voou para dentro da floresta onde desapareceu.  


O mais estranho é que a bizarra criatura voadora foi vista em pelo menos outras cinco ocasiões por pessoas que garantiram se tratar de um tipo de monstro desconhecido. Há estranhas histórias na região de El Pedroso sobre animais desaparecendo e carcaças esmagadas e drenadas de sangue surgindo nos campos. Aqueles que acreditam na história afirmam que a estranha criatura seria algum tipo de ser alienígena, uma entidade extradimensional ou quem sabe um animal desconhecido que de alguma forma se manifestou naquela área.  

Em 1997, um repórter de jornal chamado Sonny Scwratz escreveu uma incrível reportagem sobre a experiência de um ex-policial chamado Frank Ingargiola, ocorrida três anos antes. Na época, o patrulheiro estava trabalhando no Departamento Rodoviário de Nova Jersey, quando testemunhou algo que mudou sua vida dali para frente.

Ingargiola estava se deslocando para um local onde havia ocorrido um acidente quando atravessou um trecho de nevoeiro denso. O nevoeiro surgiu do nada e imediatamente envolveu a viatura tornando extremamente difícil seguir adiante por falta de visibilidade. O oficial tentou contato com a chefatura, mas seu rádio apenas ecoava estática. Temendo por um acidente ele parou a viatura e resolveu aguardar por alguns instantes até o estranho fenômeno cessar. Entretanto, a situação apenas se agravou, fazendo com que a visibilidade que já era ruim chegasse a um ponto em que ele não era capaz de discernir absolutamente nada.

Poucos instantes depois, o policial alegou ter ouvido um ruído bizarro vindo do lado de fora, como um trotar pesado seguido de um sopro vigoroso que ele não conseguiu discernir. O carro foi então abalroado por uma forma grande e muito forte que lembrava um enorme alce. Mais duas investidas do estranho animal atingiram a lateral do veículo, arranhando a lataria, rachando vidros e deixando enormes amassados. Prevendo que se ficasse ali, havia um risco contra sua vida, o oficial ligou o carro e mesmo sem ver uma palmo da estrada à sua frente, acelerou através do nevoeiro cinzento.

Ingargiola saiu da pista repetidas vezes e quase destruiu a viatura em sua fuga desabalada. À todo momento ele ouvia o estranho sopro e o som das patas titânicas do animal que empreendia perseguição e vinha em sua direção com o objetivo inequívoco de matá-lo. O policial não foi capaz de descrever como era o animal titânico, mas contou que ele tinha olhos avermelhados que brilhavam em meio ao nevoeiro e enormes chifres. Após momentos dramáticos tentando escapar, a nuvem começou a se dissipar e o condutor foi capaz de ver a estrada novamente, momento em que a fera parece ter abandonado sua caçada.


Embora a história relatada pelo oficial fosse fantástica, ele tinha o automóvel e as estranhas marcas deixadas neste para corroborar o que havia acontecido. Especialistas chamados para analisar os danos não foram capazes de explicar o que poderia ter causado aquele tipo de avaria condizente com o ataque de um animal selvagem de grande porte. Ingargiola sustentou que o caso havia acontecido exatamente como ele relatou, mas sua narrativa não pode ser comprovada.

Na matéria pesquisada por Sonny Swartz, duas testemunhas afirmaram ter sido envolvidos pela mesma névoa densa que cobriu uma parte da estrada naquela mesma noite. Embora nenhuma das testemunhas tenha visto a criatura bizarra descrita pelo policial, ambos motoristas disseram ter ouvido estranhos sons vindo do interior da nuvem cinzenta e os ruídos de um automóvel em alta velocidade fora da pista. O caso foi apreciado por vários especialistas em criptozoologia que consideraram o incidente do oficial Ingargiola como um dos mais notáveis exemplos de encontro com entidade de natureza desconhecida.

Há outro relato bizarro de um policial da Pensilvânia, obtido em setembro de 1989 que se tornou notável. O policial Neil Collins vinha dirigindo por uma estrada deserta em um local arborizado que atravessa a seção sudoeste do condado de Westmoreland, quando teve um incidente bastante estranho. Ao rodar por esse lugar remoto, ele relatou ter atropelado uma criatura que saiu do acostamento e praticamente se atirou diante de seu automóvel de forma tão inesperada que ele não teve tempo de frear.

Collins freou sua viatura metros adiante, acreditando ter atingido um gamo ou outro animal selvagem de médio porte. Ele desceu do veículo carregando uma lanterna e à medida que o oficial se aproximou percebeu que a coisa diante dele não era nada que ele já tivesse visto antes ou depois daquela ocasião. Nas palavras dele "era grande como um homem adulto, tinha pelos castanhos avermelhados por todo corpo, não usava roupas e era mais fera do que homem". A coisa estava caída ao lado do acostamento, claramente ferida pelo atropelamento. Quando o policial tentou se aproximar, a criatura abriu os olhos e rosnou fazendo com que ele desse um salto para trás e apanhasse sua arma. A criatura se levantou confusa e tentou parar de pé, mas estava claramente abalada. 

Ela reagiu então como um animal acusado e soltou um rosnado feroz avançando contra o policial. O oficial disparou várias vezes e segundo ele os tiros acertaram a criatura que ainda conseguiu correr para o mato e desaparecer em meio a vegetação fechada.


Collins retornou apressado para sua viatura e pediu apoio imediato. Em poucos minutos outras quatro viaturas chegaram ao local e uma busca foi organizada para buscar o estranho animal, mas a essa altura ele já havia escapado. Os rumores sobre o caso mencionam que estranhas pegadas foram encontradas na cena e que manchas de sangue foram fotografadas pelos policiais. Nos dias que se seguiram, testemunhas relataram ter visto uma estranha figura grande e cabeluda vagando pelos arredores da reserva florestal, gritando e avançando contra aqueles que chegavam perto para tentar ver melhor do que se tratava. Alguns dias depois uma verdadeira caçada foi realizada para tentar capturar ou encontrar a criatura, apelidada de o "Pé Grande de Westmoreland".

Embora estranhos rastros e pegadas tenham sido encontradas, além de tufos de cabelo castanho avermelhado presos na vegetação, a criatura parece ter conseguido escapar. O policial Collins contou o incidente inúmeras vezes e deu entrevistas sobre sua estranha experiência jurando que tudo havia acontecido exatamente como ele descreveu.  

Outro relato muito conhecido sobre uma criatura análoga ao lendário Pé Grande foi feito por um policial que causou grande repercussão em sua época. Tudo ocorreu em agosto de 1996, na área rural de Whitehall, Nova York. Certo dia, o oficial Bryan Gosselin estava dirigindo nos arredores da cidade ao longo de um trecho solitário chamado Abair Road quando viu uma enorme criatura peluda, parecida com um homem, com olhos vermelhos, saindo da floresta cerca de 9 metros à sua frente. Gosselin o descreveria como um gigante medindo algo entre 2,10 ou 2,5 metros de altura e pesando pelo menos 200 quilos. Ele ficou tão alarmado com o que estava vendo que saiu de seu carro patrulha para apontar seu holofote e arma de fogo para a criatura. A estranha fera, capturada pelo foco do holofote, emitiu um grito sobrenatural antes de correr para a mata fechada deixando para trás pegadas gigantescas em um campo próximo. Nos dias seguintes, outros oficiais aparentemente viram a criatura. Gosselin acabaria escrevendo sobre sua experiência surreal em seu livro de 2004, "O Encontro de Abair Road".

Mas este não seria o único caso de estranheza em Whitehall, já que em fevereiro de 1982 outro policial da região chamado Dan Gordon e seu parceiro tiveram seu próprio encontro com uma criatura bizarra. Os dois estavam de plantão patrulhando ao longo da Rota 22, a 800 metros de East Bay, na base do Lago Champlain, quando uma criatura simiesca de 2,5 metros de altura atravessou a estrada correndo para subir um barranco íngreme e então desaparecer. A criatura foi descrita como sendo um pouco diferente de um Pé Grande típico, pois era esguio e tinha ombros estreitos em vez de músculos salientes. Outro detalhe é que ele andava curvado, tinha braços extremamente longos, finos e desengonçados, ainda que fosse notavelmente rápido e ágil. Gordon supostamente saiu do carro para tentar perseguir a criatura enquanto o outro policial ficou congelado no carro, mas a fera já havia desaparecido. 

Os dois manteriam sua experiência em segredo por anos, só tornando-a pública em 2003, após o que Gordon foi entrevistado extensivamente o ocorrido em programas de TV, incluindo Monsterquest e Mysterious Encounters. Gordon foi descrito como um homem incrivelmente honesto e confiável e insistiu na veracidade do que viu até sua morte em 2014.


Embora estes sejam os relatos que talvez tenham sido mais cobertos nas notícias e discutidos por criptozoologistas, na verdade existem muitos outros relatos desse tipo feitos sob juramento por policiais treinados e com excelente ficha de serviço, pessoas que aparentemente não teriam razões para inventar histórias que, na maioria das vezes acabam sendo prejudiciais às suas próprias carreiras. 

Dos arquivos da Supernatural Research Organization vem um relatório de 1975, em Jefferson Parish, Louisiana. Na primavera daquele ano, dois policiais foram chamados a uma casa na cidade de Marrero, aproximadamente às 21h, após a denúncia de um ladrão de casa aterrorizado. Os policiais chegaram ao local e interrogaram a proprietária da casa, e em seguida fizeram uma varredura perimetral da área, chegando a chamar uma unidade K-9. Assim que o cachorro chegou, aparentemente ficou enlouquecido, agitado e aparentemente com medo de alguma coisa nas cercanias. Os policiais circularam pela casa escura com armas em punho, convencidos de que havia um invasor à espreita na propriedade, mas o que viram estava além de tudo o que qualquer um deles esperava.

Ao contornarem a casa, aparentemente toparam com uma forma escura encolhida na lateral do prédio como se estivesse se escondendo, mas era enorme e, quando se moveu, puderam ver que não era humano em suas enormes proporções. A criatura foi relatada pelos policiais como tendo pelo menos 2,5 metros de altura, muito larga e dando longos passos até a rua, onde passou sob um poste de luz, e puderam ver que estava coberta de pelos castanhos escuros. Aparentemente, eles deram uma boa olhada nele, após o que ele fugiu em direção a uma área pantanosa e arborizada perto de um canal onde desapareceu. Quando entrevistado pelo investigador do SRO, a testemunha relatou:

"O incidente foi reportado oficialmente no sistema de registros da jurisdição. Lembro que não enfatizamos o “sujeito” além de descrevê-lo como “muito alto, de cor escura, sem descrição específica de qualquer roupa, etc”. Porque não estava vestido, e como já disse, naquela época eu não tinha ideia do que estava vendo. Nossos superiores sabiam de nós o que havíamos visto e acharam melhor desconsiderar a história. Lidamos com muitos incidentes inexplicáveis naquela época, assim como as agências policiais o fazem hoje em dia. O público não sabe de tudo. Não deve saber por uma questão de tranquilidade civil pois se soubesse haveria o caos".


Nos arquivos da SRO há um relato muito estranho ocorrido na cidade de Amarillo, Texas, que supostamente teve lugar no Verão de 2009. Ele começava com o telefonema de uma mulher pedindo ajuda para o Departamento de Polícia, alegando que tinha diante de si uma situação que não sabia como resolver. A pessoa pedia que policiais fossem enviados até seu endereço e salientava que "era melhor trazerem armas pesadas". Uma vez que a mulher misturava palavras em inglês e espanhol, os atendentes ficaram confusos diante de sua narrativa, mas ela parecia claramente preocupada.

Os patrulheiros C. Clark e D. Bellows estavam nas imediações e foram contatados por rádio para seguir o mais rápido possível até o lugar em questão. Era uma propriedade isolada em uma vizinhança tranquila na borda do deserto. Ao chegar, os policiais foram interpelados por várias pessoas da mesma família e alguns vizinhos que pareciam transtornados com algo que havia acontecido nos fundos da propriedade. Os policiais foram apresentados a um senhor chamado Nestor Cerapes, o chefe da família, que contou uma estranha historia: segundo ele, tudo começou quando a avó dele, que também residia na propriedade, descobriu uma toca de coiote perto de casa. Quando ela levou Cerepes até lá, no dia seguinte, encontraram os coiotes adultos mortos e os filhotes desaparecidos. Quando as carcaças dos coiotes foram examinadas, parecia que tinham sido dilaceradas por algo muito grande com garras formidáveis, e isso, compreensivelmente, deixou todos cautelosos quanto a possível presença de um predador na região.

Na noite seguinte, a avó teve uma premonição e um intenso mau pressentimento que a compelia a se afastar imediatamente do lugar. Enquanto estava discutindo com Nestor e o restante da família o que fazer, uma das crianças soltou um grito de alerta apontando para o quintal. Nestor se armou com uma pistola e foi averiguar. Deu de cara com uma criatura bizarra; humanoide mas que andava de quatro, coberta com uma pelagem castanha escura, longa cauda e olhos vermelhos injetados. A coisa avançou contra Cerapes que disparou à queima roupa. Ferida a criatura se refugiou em um galpão nos fundos da propriedade, onde estava escondida desde então.

Os policiais pareciam céticos, sobretudo depois que a avó advertiu que se tratava do lendário Chupacabra. Mesmo assim, eles concordaram em vasculhar o galpão em busca de um invasor. Os policiais nem precisaram procurar muito, assim que entraram, foram atacados por algo bizarro que foi descrito como um animal grande, que avançou contra eles tentando morder e arranhar. Os policiais, que reconheceram ter levado o maior susto de suas vidas, atiraram contra a criatura e a feriram mortalmente. Nas palavras de um deles, era "uma das coisas mais estranhas que ele já havia visto", parecia "um animal selvagem, mas ao mesmo tempo tinha as características um homem". A coisa tinha garras afiadas e presas agudas como uma fera, o corpo atarracado e musculoso tinha tufos de pelagem áspera marrom, mas outras partes eram lisas, tinha uma cauda fina como de um rato e um focinho pronunciado. Ele era rápido e fazia um ruído de rosnado sempre que avançava. Os policiais o alvejaram e ainda assim ele tentava se mover. O policial Clark recebeu arranhões no braço e no peito.

Enquanto Bellows contatava seus colegas pelo rádio relatando o que havia acontecido Clark recebia primeiros socorros. No período que ficaram longe, a avó ordenou aos demais membros da família que destruíssem o Chupacabras que ainda estava agonizando. Eles jogaram gasolina em cima da carcaça e riscaram um fósforo, o que fez a criatura se levantar e tentar uma vez mais fugir. Ela não foi muito longe uma vez que os donos da casa e vizinhos a cercaram e golpearam com paus, pedras e qualquer coisa que pudessem usar como arma.


Quando os reforços chegaram encontraram a carcaça totalmente carbonizada e os civis relatando como haviam matado o Chupacabra. O relato dos policiais se tornou motivo de debate, já que eles refutaram a versão do biólogo que analisou os restos e apontou pertencer a um lobo de grande porte. Nenhuma das pessoas que viu a criatura viva e andando concordou com a afirmação - para eles, era o Chupacabras. Clark e Bellows, que crivaram o monstro de chumbo, concordavam que era algo diferente e que eles jamais poderiam confundir aquilo com um lobo, embora não soubessem dizer o que era.

A história ganhou os jornais e a televisão enviou equipes para cobrir o incidente que ficou conhecido como "Chupacabra de Amarillo". Depois do ocorrido, várias testemunhas fizeram um retrato falado da criatura que foi tratada como um legítimo criptídeo. As análises dos restos renderam resultados conflitantes com especialistas atestando se tratar de um lobo, enquanto outros, afirmaram ser algo muito estranho e difícil de categorizar. 

Outro caso muito estranho diz respeito a um ser escondido em túneis subterrâneos úmidos, que se tornou uma espécie de lenda urbana na Carolina do Sul. Os túneis de serviço que se espalham sob a Universidade da Carolina do Sul datam de 1800, e há muito se diz serem o refúgio de algo menos que humano. Os avistamentos de algo bizarro escondido lá começaram em novembro de 1949, quando um estudante da universidade chamado Christopher Nichols caminhava em frente ao Longstreet Theatre uma noite e foi surpreendido por uma figura humanóide, nua e estranha que atravessou a rua, abriu uma tampa de bueiro e desapareceu nos túneis abaixo. Quando a notícia chegou ao jornal da escola, eles apelidaram a criatura de "Homem do Esgoto". Mas aquele não seria o último avistamento do que quer que fosse a criatura.

Em abril de 1950, um policial estava na área quando teve um encontro bastante assustador com a mesma criatura. Enquanto fazia sua patrulha na mesma vizinhança, o policial J. Halsey se deparou com uma pilha do que pareciam ser restos descartados de galinhas mortas, ainda ensanguentadas, que haviam sido atacadas e mutiladas por algum animal. Enquanto ele passava sua lanterna sobre a cena, o feixe avistou uma figura nua, com a pele cinzenta e aspecto grotesco. O mais aterrador eram os dentes afiados e a boca coberta de sangue. A criatura supostamente fez uma careta para o policial, rosnou e correu para o sistema de túneis mais abaixo, deixando para trás seu macabro esconderijo com as aves mutiladas.


O estranho habitante dos túneis ganharia a sugestiva alcunha de "Carniçal dos Túneis", e os avistamentos continuariam nas décadas de 1960 e 70, com um relatório particularmente angustiante descrevendo a coisa atacando o grupo de uma fraternidade universitária com um cano de chumbo e intenção homicida. Diante de todos os relatos, a polícia advertiu sobre a possibilidade de haver algum psicopata possivelmente perturbado rondando a área. Os túneis foram minuciosamente revistados, mas nenhum vestígio foi encontrado. Para ficarem seguros, os túneis foram em sua maioria lacrados e isolados do mundo exterior, ainda assim, haveria mais avistamentos do Carniçal. Considerando que há muito pouco para verificar, existe a possibilidade de que tudo não passe de uma lenda urbana.

Talvez o mais estranho de todos encontros de policiais com o inexplicável seja um incidente envolvendo um tipo de gosma disforme que foi abordado no livro “Strange World”, de Frank Edwards. O caso teve lugar na Filadélfia, Pensilvânia, em setembro de 1959. Além de ser notável por ter sido vivenciado por um total de quatro policiais veteranos, o caso é infame pelos detalhes. As primeiras testemunhas, os policiais Joe Keenan e John Cummings, estavam patrulhando uma noite quando, ao dobrarem uma esquina em uma rua tranquila, se depararam com a visão peculiar de algum tipo de massa globular que brilhava sob seus faróis e parecia estar se deslocando na direção a um campo próximo. Os policiais perplexos pararam o carro patrulha e foram investigar, encontrando uma grande massa do que parecia ser uma substância gelatinosa roxa com cerca de 4 metro de diâmetro e 30 centímetros de espessura, que pulsava, tremia, vibrava e oscilava sob suas lanternas. Também rescendia com um fedor medonho de esgoto e corrupção.

Estranhamente foi relatado que a coisa emitia uma espécie de brilho fosforescente quando as lanternas eram desligadas, como se fosse bioluminescente. Considerando seus movimentos deliberados, os policiais tiveram a impressão de que se tratava de algum tipo de coisa viva, embora não tivessem ideia do que poderia ser. À medida que a massa globular escorria, os dois oficiais perplexos pediram reforços, que chegaram na forma dos oficiais James Cooper e do sargento Joe Cook, que também testemunharam a visão sobrenatural.


Em algum momento, os quatro decidiram tentar agarrar a coisa, algo tanto desaconselhável considerando que não sabiam nada sobre o que estavam lidando. Mesmo assim, eles supostamente cercaram a coisa e começaram a levantá-la. Para sua surpresa, em vez de ser sólida, a coisa parecia se dissolver em suas mãos quando a tocavam, deixando para trás glóbulos de uma espécie de espuma fedorenta. Não está claro se o toque deles teve algum efeito negativo mas foi então que toda a bizarra bolha roxa começou a evaporar diante de seus olhos até que não restasse nada além de uma marca úmida no chão. Infelizmente, eles não pensaram ou não tiveram coragem de tirar uma amostra da coisa em nenhum momento, então ficamos apenas com esta história muito bizarra.

Existem vários relatos de coisas estranhas e incidentes paranormais acontecendo com policiais e essa foi apenas uma seleção de alguns deles. O que diabos seriam esses incidentes? Existe alguma verdade nesses relatos ou esses policiais são tão propensos a ficar assustados e a contar histórias fantásticas quanto qualquer pessoa? Independentemente de um ou mais destes casos terem realmente acontecido ou não, eles são certamente assustadores e, se forem verdadeiros, mostram que, além de protegerem os cidadãos de ladrões, assassinos e outros perigos mundanos, agentes da lei e da ordem podem também ter de lidar com forças desconhecidas.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

True Detective: Terra Noturna - Episódio 6 - O Amargo (e decepcionante) Final


Bem, True Detective finalmente chegou ao fim.

Por seis semanas, os espectadores não conseguiram desgrudar os olhos do que acontecia na trama tentando encontrar uma solução para o mistério. Quem matou a ativista inuit Annie K? Em que circunstâncias ocorreram as mortes dos cientistas da estação científica TSALAL? Estariam esses dois crimes bárbaros de alguma forma conectados? E qual a relação dos acontecimentos ocorridos no Alasca com os assassinatos na Louisiana? Estaria tudo conectado? Haveria algum nexo causal entre as mortes cometidas pelo maníaco devoto do Rei Amarelo nos pântanos do sul dos Estados Unidos e os incidentes na gelada Ennis?

A showrunner Issa López se debruçou sobre a história original, de longe a mais bem sucedida da série. Ela buscou na primeira temporada elementos interessantes para atrair o público e criar um mistério instigante. Desde o primeiro capítulo, a quarta temporada de True Detective lançou perguntas difíceis de serem respondidas e um enigma embalado por cenas onde o sobrenatural parecia dominar a história. Eram muitos elementos inexplicáveis, desde fantasmas e espíritos inquietos, passando por visões e premonições bizarras, até uma presença espreitando - Ela.

Amparado por um elenco de primeira grandeza, onde se destaca a brilhante Jodie Foster, Terra Noturna começou acertando em cheio no alvo. Crítica e audiência foram unânimes, aplaudindo essa reinvenção do suspense investigativo e procedimental. As terríveis mortes nos forçavam a questionar o que estaria acontecendo. Muito espertamente, o roteiro foi colocando alguns easter eggs aqui e ali, supostamente remetendo a primeira temporada: o pai de Rustin Cohle visto como fantasma, o envolvimento da Família Tuttle e é claro, o Símbolo de Espiral estavam lá novamente. Elementos que os fãs pescavam nas entrelinhas, frases no contexto exato e referências apareciam em todo canto, movimentando as suspeitas.

Por seis semanas, acompanhamos os episódios fazendo recapitulações dos fatos, levantando hipóteses e apostando em um determinado caminho para a conclusão. É inegável que True Detective: Terra Noturna criou algo que fazia tempo, nenhuma série conseguia - gerou enorme repercussão e interesse.

Com tantos mistérios, um dos grandes receios dos fãs era que nem todas perguntas fossem respondidas à contento. Nada pior para uma trama de mistério do que lacunas sendo deixadas abertas.

Bem, True Detective chegou a sua inevitável conclusão e esta dividiu opiniões.

Sim, foram oferecidas explicações para os crimes cometidos e a história teve um fechamento, contudo essas soluções deixaram um gosto amargo de decepção. Se a série conseguiu ser brilhante até o penúltimo episódio, justamente no derradeiro capítulo a coisa degringolou. Para usar uma analogia polar, o trenó de neve saiu da pista, capotou, explodiu e ainda foi soterrado por uma avalanche.

Infelizmente no episódio onde tudo é resolvido, aquela que, até então, vinha sendo uma temporada brilhante que muitos até comparavam com a notável primeira perdeu o rumo. Eu escrevo isso chateado, não apenas por ter ficado frustrado com a conclusão, mas pela sensação de que a série perdeu uma ótima oportunidade de ser grandiosa.

Na minha opinião foram três os pecados capitais do derradeiro episódio de True Detective - Terra Noturna: ele força demais a conclusão, pede para acreditarmos em coisas pouco plausíveis e recorre a saltos de lógica enormes para corroborar os incidentes. A sensação é que foram dadas as peças finais para montar o quebra-cabeças, mas as peças para encaixar precisam ser aparadas, cortadas e marteladas no lugar. Como consequência, a imagem final, é pouco satisfatória, não fecha direito.

A seguir eu vou fazer um recap do episódio, é claro, mergulhando em um mar de SPOILERS. Aqueles que ainda não assistiram a série e seu final devem parar de ler nesse momento. Apenas um disclaimer: eu não sou o dono da verdade, essa resenha é minha opinião e se alguns divergem dela e gostaram do final, fico feliz por eles... não estou escrevendo esse recap para criar polêmica ou fazer uma crítica demolidora de uma conclusão que alguns podem ter gostado (apesar do final). Sendo totalmente franco, eu adoraria ter gostado do final, mas achei ele desastroso, pelos motivos que irei explicar em seguida.

Então vamos lá?

1 - O Túnel de Gelo


No empolgante episódio 5, as Detetives se aproximaram da verdade convencendo Otis Heiss a acompanhá-las até as famigeradas cavernas de gelo onde Annie K havia sido assassinada. Encontrando a cena do crime, elas esperavam obter a pista decisiva para entender o que aconteceu e quem sabe desvendar o restante do caso. 

Com a morte de Heiss baleado por Hank Prior, e a a surpreendente morte deste nas mãos do próprio filho, Pete, a coisa parecia cada vez mais complicada. Danvers e Navarro decidem ir por conta própria vasculhar as cavernas de gelo que as tribos Inuit chamam de "Terra Noturna" e cujas entradas são marcadas com o misterioso símbolo em espiral. Uma busca rápida em um dos lugares previamente assinalados por Heiss num mapa revela a entrada para os túneis. As duas detetives decidem ir até lá por conta própria ignorando o alertas de perigo de desmoronamento dessas cavernas.

No fim das contas, encontrar a entrada para a Terra da Noite nem era algo tão complicado, já que as detetives localizam a entrada mesmo em meio a uma forte nevasca. Alguns golpes de picareta revelam o acesso ao vasto complexo de Cavernas de Gelo pontuado de fósseis de baleia arranjados no formato de espirais. Um lugar sinistro sem dúvida! O lugar se mostra um labirinto, mas as detetives contando com a sorte e com vozes que parecem guiar Navarro acabam caindo em uma câmara mais abaixo onde encontram equipamento usado para perfuração. Danvers inclusive percebe uma broca com a ponta em formato e estrela que sugere ter sido a arma usada para matar Annie K.

Tudo indica que aquela caverna foi onde Annie K viveu seus últimos momentos e onde encontrou seu destino. Enquanto investigam o local as detetives são surpreendidas por ninguém menos do que Raymond Clark em carne e osso.      

2 - Enfim, o elusivo Sr. Clark


No episódio dois ficamos sabendo que Raymond Clark não estava no meio do Picolé de Cadáveres que um dia foram seus companheiros de pesquisa na Estação TSALAL. Clark estava desaparecido e se tornou um dos suspeitos mais convenientes da trama.

As detetives haviam descoberto que Clark não apenas se comportava de uma maneira bizarra como havia estabelecido um relacionamento secreto com Annie K. Relacionamento esse restrito a encontros amorosos num motor-home coberto de fotos, frases estranhas escritas nas paredes e símbolos bizarros - inclusive, a Espiral.

Clark estava sumido e ninguém sabia de seu paradeiro. A polícia de Ennis o procurava há dias e a melhor pista havia sido sussurrada por Otis Heiss que afirmou categoricamente que Clark estava escondido na Terra da Noite. Quem diria, Heiss estava certo!

Infelizmente assim que as detetives o encontram, Clark decide correr. Durante a perseguição Danvers e Navarro acabam se separando e são levadas até uma estranha escada que por sua vez conduz até uma escotilha no interior da Estação TSALAL (!!!)

Ninguém sabia da existência dessa escotilha. Clark a havia utilizado para se esconder bem debaixo do nariz da polícia que o procurou inutilmente nas últimas semanas. Clark consegue prender Danvers em uma sala, a obrigando a quebrar uma vidraça para escapar. A essa altura ele havia golpeado Navarro com um extintor de incêndio, mas a patrulheira logo se recupera e nocauteia Clark e tem que ser contida por Liz para não matá-lo.

Conforme esperado Clark não fala coisa com coisa... está completamente delirante e Navarro decide amarra-lo e obrigá-lo a ouvir os gritos de horror de Annie K quando esta foi assassinada. Enquanto o sujeito se desespera, as detetives aproveitam para conversar já que a nevasca as impede de deixar a instalação.  

3 - A Verdade sobre a Morte de Annie K


Até esse momento, o episódio vinha bem e ainda parecia promissor. O primeiro escorregão vem justamente quando a verdade sobre a morte de Annie K é revelada por Clark quando interrogado pelas detetives.

O sujeito conta que o objetivo de TSALAL era encontrar os fósseis de raros micro-organismos que poderiam auxiliar na obtenção de DNA que curaria uma infinidade de doenças. Clark revela que os cientistas haviam tido sucesso em sua busca e que estavam prestes a recuperar as tão cobiçadas amostras. Para isso, contavam com uma ajuda inesperada. Já era de nosso conhecimento que a Mina Silver Sky estava trabalhando junto com TSALAL, e que ambas pertenciam a famigerada Família Tuttle. Os altos índices de poluentes criados pela Silver Sky tinham, afinal de contas um objetivo. A poluição servia para amolecer a Permafrost e permitir que o trabalho dos cientistas avançasse. Ou seja, sem produzir 11 vezes mais poluição do que o normal, eles não conseguiriam chegar ao seu objetivo. Os fins justificariam os meios, ou ao menos era nisso que os cientistas acreditavam.

[Não vou entrar no mérito desse método para chegar até as amostras, mas me parece algo absurdo. Embora perfurar a crosta gelada da permafrost seja uma tarefa realmente complexa, um dos maiores desafios para esse tipo de prospecção envolve preservar a pureza das amostras. Se os níveis de poluentes foram aumentados tão drasticamente, é óbvio que as amostras acabariam comprometidas. Bastava pesquisar um pouco para saber que esse método é uma tremenda furada. Mas enfim...] 

Annie K aparentemente descobriu essas informações quando estava namorando com Clark e conseguiu acesso aos túneis de gelo em que a extração das amostras acontecia secretamente. Na câmara exatamente abaixo de TSALAL Anne descobre as provas e furiosa com a revelação começa a arrebentar tudo destruindo anos de trabalho. Nesse momento a coisa começa a ficar forçada, e o roteiro pede que o espectador acredite em eventos bem pouco plausíveis.

Primeiro: a presença de Annie é descoberta por Anders Lund, diretor do TSALAL, que não fica nada satisfeito com a presença da ativista no túnel, ainda mais destruindo seu precioso equipamento. Ele imediatamente tenta agarrá-la, mas Annie consegue afastá-lo usando um braço robô (que era essencial para a coleta das amostras). Ela usa o braço como arma afastando Lund momentaneamente, mas ele acaba conseguindo imobilizá-la e feri-la. Os gritos terminam por atrair os demais cientistas da estação que se deparam com a cena de uma mulher ferida e do diretor já a dominando. 

Segundo: Embora Annie estivesse contida, ela ainda resistia. Nesse momento o roteiro força mais uma vez as coisas já que os demais cientistas acabam se juntando a Lund em um verdadeiro linchamento da mulher, com direito a espancamento, surra e punhaladas com as infames brocas com ponta em forma de estrela. 32 punhadas!!! Me parece incrivelmente exagerado querer do público que aceite que TODOS os cientistas, de comum acordo, e sem pestanejar, decidiram que aquela mulher deveria morrer. E pior ainda, que a assassinam de uma maneira tão truculenta sem pensar duas vezes.

Terceiro: Anne K é literalmente trucidada pelos cientistas, mas surpreendentemente ainda está viva. Cabe então ao próprio Clark acabar com a sua agonia a estrangulando com as próprias mãos. Embora o sujeito continue dizendo que amava Annie (e que sempre a amaria), fica claro que ele também preferia matá-la do que permitir que a pesquisa fosse interrompida pela revelação do escândalo.

Quarto: O corpo de Annie K é então recolhido por Hank Prior à pedido dos donos da mina e colocado em um lugar como recado para outros ativistas. A língua dela é cortada (supostamente por Hank) para que todos entendam que ela teria sido assassinada por falar demais (vamos voltar à língua mais adiante, um dos grandes furos do roteiro).

Ok... essa é a explicação para a morte de Annie K. 

A meu ver, é uma explicação que não convence. Eu poderia até entender que a morte dela tivesse sido resultado de um desentendimento entre os cientistas e a ativista. Com certeza as coisas estavam quentes e poderiam descambar em empurra-empurra e numa morte acidental, mas o linchamento promovido é um enorme exagero. Nenhum dos cientistas titubeou por um momento sequer? Nenhum deles tentou evitar a morte dela? Nenhum deles sentiu remorso ou arrependimento? De fato, todos os envolvidos naquele massacre brutal simplesmente continuaram trabalhando na estação como se nada tivesse acontecido. Mais esquisito ainda, embora Clark fosse o único a manifestar algum arrependimento, agindo de forma cada vez mais excêntrica, ele não foi despedido, não foi mandado para outro lugar e nem mesmo eliminado como um possível risco para o projeto. Não... eles o deixaram ficar lá, apesar de sua sanidade claramente cada vez mais deteriorada - outro baita furo do roteiro. 

O roteiro aliás parece querer que o espectador aceite essas explicações absurdas apenas porque as coisas acontecendo dessa forma justificam o que estaria por vir.      

4 - Presas em TSALAL


Após ouvir as revelações de Raymond Clark, as detetives deliberam sobre o que fazer em seguida. Como elas deverão agir e como vão conseguir explicar tudo isso de forma coerente? 

Embora Clark seja testemunha do que aconteceu com os cientistas ele continua dizendo que seus companheiros foram mortos por Annie K que retornou para obter vingança contra eles. Clark é incapaz de explicar como ocorreram as mortes já que ele afirma ter sentido que Annie havia despertado e que aterrorizado fugiu para a escotilha onde ficou escondido enquanto os demais morriam um a um. Clark acredita que algo sobrenatural aconteceu com seus companheiros, e que conseguiu escapar apenas pelo acaso se refugiando na Terra Noturna (os túneis de gelo abaixo de TSALAL). Ao sair dos túneis, Clark acreditava que seus companheiros haviam sido mortos pelo espírito vingativo de Annie K e é essa a explicação que ele oferece para a dupla de detetives.

Danvers e Navarro aliás estão em maus lençóis. Embora tenham descoberto as circunstâncias do assassinato da ativista talvez não sobrevivam para revelar o que descobriram. A nevasca está muito forte e as duas acabam ficando presas na estação que não tem energia para permitir que elas sobrevivam à noite.

Enquanto decidem sobre o que fazer, as duas conversam sobre o que aconteceu no Caso Wheeler, quando Navarro executou o sujeito com um tiro à queima roupa. Danvers admite que era sua intenção ter feito exatamente a mesma coisa, o que não explica porque então a morte de Wheeler acabou causando o afastamento das duas.  

Após uma série de desentendimentos e bate-boca, que culmina com Navarro andando na neve e Danvers caindo no gelo as detetives conversam sobre as visões de Navarro com Holden, o falecido filho de Danvers. O garoto parecia estar querendo desesperadamente se comunicar com a mãe e usava Navarro como interlocutora. A mensagem do menino era muito simples: ele queria que Liz soubesse que "ele a estava observando sempre". Francamente, essa era a mensagem que o menino queria tanto transmitir? Mais uma vez, a revelação soa frouxa e sem grande impacto. 

Enquanto Danvers tenta se recuperar da hipotermia, Clark acaba encontrando seu fim de uma forma semelhante aos seus colegas envolvidos na morte de Annie K. O sujeito acaba saindo na nevasca e morre congelado. Navarro diz que não soltou o sujeito, mas que ele simplesmente conseguiu sair. Suicídio ou morte induzida, Clark morre sem revelar maiores detalhes sobre o que aconteceu em TSALAL. Interessante é que uma de suas declarações, que ecoa as célebres palavras "o Tempo é um círculo plano" acabam fazendo sentido nesse momento. Aparentemente Clark teve uma visão de Navarro (e Navarro dele) onde o cientista percebe o futuro. Ele sofre então uma convulsão que o leva a se proteger na escotilha, escapando assim do que ele acredita ser a vingança de Annie K. Esse trecho é uma ótima sacada e um dos únicos pontos positivos do episódio.
      
5 - Os problemas de Prior estão apenas começando


Enquanto isso, Peter está lidando com as repercussões de seus atos e de suas escolhas. Ele decidiu ficar ao lado de Liz quando teve que escolher entre ela e seu próprio pai. Peter tem a dura tarefa de se livrar do corpo de seu pai e de Otis Heiss para que eles simplesmente desapareçam.

Navarro o instrui a levar os corpos até Rose Aguineau para que ela o ajude a se livrar deles mandando-os para onde está Julia. O plano é se livrar dos mortos e fazer com que eles jamais sejam encontrados. Peter faz a sua parte à risca, limpando as pistas do tiroteio e o sangue de seu pai. Ao longo da série Pete acatou ||à risca todas as ordens de Danvers, mesmo quando elas o faziam bater de frente com os interesses escusos de seu pai. No fim, Peter acaba fazendo novamente o que lhe é dito, embora ele diga à esposa que decidiu por conta própria qual caminho seguir.

Embora fosse um personagem interessante na trama, Pete acaba ficando em segundo plano na maior parte da trama e seu desfecho é um tanto dúbio... talvez se a série tivesse oito episódios (como as demais temporadas) esse personagem poderia ser desenvolvido mais à contento. Infelizmente, ele acaba sendo desperdiçado na história.

Quando Peter se livra do corpo do pai, Rose que havia perfurado os pulmões do cadáver para este não voltar à superfície, explica que o pior ainda está por vir. A parte mais difícil depois de fazer o que fez, será viver com aquilo. O jovem Pete começou a série como um inocente - um cara puxado no centro de um cabo de guerra. No final, ele se torna um homem que carrega um pesado fardo, o de ter um segredo torturante para sempre. 

6 - A Verdade sobre a Morte dos Cientistas


Mas ainda resta uma revelação final e cabe a Danvers descobrir a pista decisiva para desvendar quem matou os cientistas de TSALAL. O testemunho de Clark deixa claro que ele apenas escapou porque se refugiou na escada da escotilha e que o "espírito de Annie K" tentou abrir a porta sem sucesso. 

Danvers tem a ideia de colher digitais do lado de fora da escotilha e improvisando luminol com compostos químicos da base, ela obtém uma impressão perfeita de uma mão feminina onde faltam dois dedos. Aparentemente em Ennis, apenas uma pessoa possui esse perfil: Blair, uma jovem que trabalha na Empresa de pesca de caranguejos e que havia sido vista no primeiro episódio sendo vítima de um sujeito que a espancava frequentemente. Blair não chamou a atenção em nenhum momento da série, portanto, seu envolvimento no crime é uma surpresa. Era sabido que ela trabalhava em TSALAL fazendo a limpeza, mas como ela poderia estar ligada ao caso?

Quando Danvers e Navarro rastreiam Blair até a cabana de Bea, uma senhora que trabalhava com a moça, a coisa começa a ser explicada. E essa explicação é o segundo grande deslize do roteiro de True Detective, pois ele pede mais uma vez que o espectador aceite soluções mirabolantes que além de pouco plausíveis só são obtidas mediante saltos de lógica que beiram o ridículo.

Então vamos lá... 

Bea relata às detetives como ela e as demais funcionárias que faziam o serviço de limpeza e conservação em TSALAL descobriram o envolvimento dos cientistas na morte de Annie K. Vemos em um flashback como Bea encontra por acaso a escotilha que leva às Cavernas de Gelo onde Annie K havia sido assassinada seis anos atrás. Ela decide descer as escadas, movida por uma curiosidade inexplicável que só podemos creditar às necessidades de um roteiro preguiçoso. Bea explora o túnel e em um salto de lógica absurdo conclui que teria sido ali que Annie K foi morta. 

Como ela chegou a essa incrível conclusão? Intuição pura e simples, já que nas suas próprias palavras, até aquele momento todos achavam que Annie K havia sido morta por pessoas da Mina Silver Sky. Não havia nenhum motivo razoável para que ela ou qualquer um suspeitasse dos cientistas, mas inesperadamente ela conclui que tudo teve lugar ali com a participação deles. Não é razoável assumir que os cientistas tivessem deixado pistas claras no local, menos ainda passados SEIS anos. Ainda assim, Bea, uma senhora sem qualquer treinamento investigativo, que apenas posteriormente teve acesso ao relatório policial, correlaciona a infame broca com ponta em forma de estrela, com os ferimentos sofridos pela ativista.


Mas a coisa piora! Como ela concluiu que TODOS os cientistas estariam envolvidos na morte de Annie fica sem explicação! Não há NADA, absolutamente NADA que possa indicar que a ativista teria sido morta por um, dois, três, seis ou todos os homens que compunham a equipe da estação científica. Nada a não ser a necessidade do roteiro indicar isso para justificar o que acontece em seguida.

Determinadas a vingar a morte de Annie K, as mulheres se armam com espingardas e atacam a base rendendo facilmente os homens que simplesmente se entregam sem qualquer resistência. Ora, não seria de se esperar ao menos algum deles reagisse? Mas nenhum, nenhunzinho, esboça qualquer reação e todos, com exceção de Clark (que se escondeu na escotilha) acabam sendo capturados. Em seguida, os cientistas são conduzidos para caminhões e levados para um lugar no meio do deserto de gelo. Mais uma vez, é pouco razoável supor que eles simplesmente aceitaram seu destino, especialmente quando fica claro o que as mulheres pretendem fazer, ao ordenar que eles tirem suas roupas e corram nus pela planície congelada. Não haveria como sobreviver a isso, mas mesmo assim, eles se entregam a esse destino.

É exigir demais que o espectador aceite essa patética cronologia de eventos como algo plausível. Desde o descobrimento do envolvimento dos cientistas, passando pelo plano de matá-los e pela realização do mesmo, tudo é horrivelmente forçado.  

Não vou nem entrar no mérito da cansativa resolução do caso envolvendo cientistas brancos malvados de meia idade que são punidos pela ação conjunta de uma sororidade (já que só há mulheres no grupo) que quando a justiça falha, decide tomar para si a obrigação de punir os transgressores. Francamente, ficou muito, muito, muito forçado.

No fim, as detetives concluem que o "Esquadrão da Morte das Senhoras da Faxina" agiu de forma correta e que a vingança delas deve permanecer em segredo. Já que os legistas de Anchorage apuraram que as mortes foram decorrentes de uma avalanche, então elas não irão questionar, mantendo as coisas como estão.

Ai, ai...
    
7 - Os Casos sem solução


Uma das coisas mais incômodas nessa temporada é que a investigação acaba não dando em absolutamente nada.

A morte de Annie K e dos Cientistas do TSALAL acabam ficando sem qualquer solução. Para todos os efeitos, ninguém fica sabendo quem matou a ativista e quem foi o responsável pelas mortes da equipe. É ainda mais surreal que o grupo de homens era composto por vários estrangeiros. Aparentemente, ninguém se importava muito com eles já que a falta de conclusões não incomoda ninguém. No mundo real, as autoridades cobrariam alguma providência, mas na série, os caras morreram e ninguém dá a mínima. 

Nem mesmo a morte de Clark, que pereceu posteriormente em circunstâncias no mínimo suspeitas acaba chamando a atenção da corregedoria do Alasca que aparece no final entrevistando Danvers quatro meses depois. Que trabalho miserável pessoal! Ela conta que o cara correu para a neve e morreu de hipotermia e ninguém, absolutamente ninguém, questiona. 

O pior, no entanto, é constatar que das 11 mortes apresentadas na temporada, TODAS acabaram sendo acobertadas pelas Detetives. Duvida? 

Então vejamos: 

- A morte de Anne K fica sem solução pois ninguém é apontado como responsável
- A morte de William Wheeler causada por Navarro é acobertada como suicídio
- As mortes dos seis cientistas são abafadas e consideradas um bizarro acidente de avalanche
- A morte de Otis Heiss e de Hank Prior são abafadas pelas detetives com ajuda de Peter
- A morte de Clark é considerada acidental

Caramba... vou te dizer, a Chefe Danvers deve ter muitos contatos para ter sido mantida na chefia da Polícia de Danvers depois de uma investigação tão pífia e sem resultados.

8 - A Conclusão


No fim, os crimes terminam sem uma solução prática. Quatro meses depois dos acontecimentos na noite de ano novo, Danvers dá seu testemunho para dois agentes da Corregedoria que parecem satisfeitos com a versão dela.

A Mina Silver Sky é fechada e encerra suas atividades depois que um vídeo com Clark revelando a liberação proposital de poluentes no meio ambiente vaza na internet. O vídeo havia sido feito por Navarro pouco antes da morte do cientista, apenas não fica claro se por vontade própria dele ou por coação. Com a mina fechada, não se sabe qual será o futuro de Ennis, mas a cidade terá que lidar com essa mudança e se adaptar se quiser sobreviver dali em diante. 

Ficamos sabendo também que Navarro simplesmente desapareceu. Como era esperado, a patrulheira acabou sucumbindo ao que ela própria considerava "sua maldição de família". Ela já havia dado indicações de que preferia simplesmente andar pelo vazio em direção ao esquecimento e é justamente o que ela faz conforme vemos em uma cena de flashback. Embora não fique claro, o destino de Evangeline Navarro, é razoável assumir que ela fez isso por vontade própria.

Anteriormente, durante uma visão, Navarro havia entrado em contato com aquilo que eu assumo ser uma divindade inuit chamada Sedna (embora não seja nomeada assim em momento algum). Esta entidade estende a mão e toca Evangeline transmitindo a ela seu nome inuit Siqiññiaqtuaq (que significa "o retorno do sol após uma longa noite"). Esse encontro e a descoberta de seu nome enfim parecem satisfazer os espíritos que a atormentavam. Navarro cumpre a profecia de sua mãe, de que ela estava sendo aguardada não apenas por ela, mas pela irmã em um lugar onde enfim encontraria sua paz.

Quanto a Danvers, após o caso, ela acaba conseguindo se reaproximar da filha, aparecendo em uma viagem na companhia dela no que aparenta ser um final feliz. Liz Danvers passou por maus bocados durante a série mas supostamente encontrou um equilíbrio para sua vida.

Entretanto. estamos em Ennis, o "fim do mundo", e nesse lugar remoto os mortos sempre estão lado a lado dos vivos. Então não é surpresa ver Evangeline Navarro na porta da frente da casa onde Danvers está passando férias. Talvez ela esteja sempre com ela dali em diante.

E esse é o fim...

9 - Espera aí... mas e a Língua?


Alguém poderia, por favor, explicar como aquele diabo de língua foi parar na TSALAL?

Estou me referindo à língua de Anne K que teoricamente foi cortada por Hank para dar o recado de que ela estava falando demais. Se foi Hank quem cortou a língua, para que ele trouxe a coisa para a base e a deixou lá? O que ele ganhava com isso senão levantar a suspeita de que os crimes tinham ligação?

Mais esquisito ainda, para que ele manteve a língua guardada em um freezer por SEIS FUCKING ANOS?!?!?!?

Por que simplesmente não descartou a língua no meio do nada, jogou em um buraco no gelo ou no meio da estrada. Jesus, que coisa sem sentido!!!!

O que podemos imaginar é que a língua surgiu na base por intermédio de alguma força sobrenatural que assim desejou. Embora no fim o sobrenatural não tenha realmente figurado nos assassinatos, essa parece ser a única explicação. De outra forma temos que aceitar que Hank foi burro o bastante para guardar a língua, manter em sua posse até resolver descartar ela na base e fazer com que Navarro se envolvesse no caso. 

Meu Deus, que furo no roteiro!!!! 

10 - Espera aí... e o pai de Rusty Cohle?


Com tudo que aconteceu nesse último episódio, uma dúvida ficou em aberto. Qual era o papel de Travis Cohle, o pai do Rustin nessa história?

Sério, faria diferença se ao invés de Travis o sujeito se chamasse "João das Couves"?

Nenhuma!!! 

O personagem só estava ali para atrair a atenção do público e fazer os espectadores se perguntarem se em algum momento haveria alguma conexão direta com a primeira temporada. Golpe baixo, Issa López, golpe muito baixo.

11 - Espera aí.... e os Tuttle?


Mais uma bola fora do roteiro.

Parecia ser algo de enorme importância o fato da Mina Silver Sky ser propriedade da Família Tuttle. Da mesma forma, quando se descobriu que o TSALAL era patrocinado pela mesma corporação, a Tuttle United, parecia ser uma informação essencial na trama.

Mas não... se ao invés dos Tuttle, a Mina e o TSALAL pertencessem à família "Silva", daria no mesmo. 

Mais uma vez, Issa López explora elementos da primeira temporada que não resultam em absolutamente nada. Ridícula essa insistência do roteiro em fazer uma conexão que não se sustenta e que não tem qualquer significado para a temporada. 

12 - Espera aí... e as Espirais?


Mas o pior, o pior mesmo, foi o uso das espirais que estiveram presentes ao longo de toda temporada, mas que no fim não tinham qualquer ligação com os casos.

Ao que tudo indica, as Espirais que na primeira temporada representavam a posse do Rei Amarelo sobre uma pessoa ou sobre um sacrifício, não tinham o mesmo significado nessa temporada. De fato, o Rei Amarelo não é citado em nenhum momento. Tudo leva a crer que o que ocorreu em Ennis não tem qualquer ligação com o caso da Louisiana. Absolutamente nada!

Apesar de Travis Cohle viver em Ennis e dos Tuttle serem os donos da Mina e da estação científica, o mais provável é que isso não passe de uma bruta coincidência. Se bobear Travis Cohle nem é o pai de Rustin e os Tuttle citados são outra família com o mesmo sobrenome. O que é RIDÍCULO!

Mas e as espirais. pelo amor de Deus? 

Talvez elas também não passem de uma coincidência. A despeito do símbolo ser exatamente o mesmo, a função das espirais parece ser apenas marcar as entradas para a Terra da Noite que são as cavernas de gelo. Apesar de Rose Aguinou comentar no segundo episódio que sabia o significado das espirais, ninguém lembrou de perguntar a ela qual é (!!!). No fim, ficamos com a explicação capenga de que é algo ruim e muito antigo, mais nada. Que desperdício!

O que posso intuir é que o roteiro quis usar as espirais para atrair os fãs da primeira temporada que ficaram felizes quando viram no trailer o símbolo e elucubraram teorias de como o Rei Amarelo seria usado na Quarta Temporada. Tudo no fim não passava de uma isca para atrair o público. Golpe muito baixo, Issa López! 

*     *     *

Então é isso...

Na minha opinião True Detective: Terra Noturna começou bem, mas foi ambiciosa demais no sentido de lançar muitas perguntas para prender o público e envolvê-lo num grande mistério. O problema é que justo na hora de revelar esses mistério, o roteiro falha, levando a um final absurdo, pouco plausível e tolo.

Uma das minhas maiores queixas é que Terra Noturna deliberadamente usa a primeira temporada como bengala para estabelecer o interesse e atrair os espectadores sob uma premissa falsa de que haveria uma ligação entre as duas histórias. 

Não havia! 

Esse uso indevido e injustificável de elementos chapinhados da outra temporada acabou frustrando expectativas e esvaziando a série na sua conclusão. Não por acaso, Nic Pizzolato, o criador de True Detective criticou enormemente a condução de Issa López e o uso de temas que ele introduziu quando estava à frente da série. 

Mas apesar dos altos e baixos, True Detective retomou o interesse do público, alcançando uma excelente audiência. Com isso, uma quinta temporada deve estar nos planos do Canal Max Prime. Se vai valer a pena assistir ou não... veremos.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

True Detective episódio 4 - O Pior Natal de todos os tempos


Como se a escuridão interminável no Círculo Polar Ártico não fosse suficientemente deprimente, experimente passar o Natal sozinho no Alasca. O Episódio 4 de True Detective: Terra Noturna mostra praticamente todos os habitantes de Ennis passando o feriado do dia 24 e 25 de Dezembro solitariamente enfrentando alguma forma de turbulência pessoal - bem, não seria True Detective sem trauma psicológico e pavor existencial, não é? 

Ao final desse episódio, a impressão geral é que as coisas estão se tornando cada vez mais intrincadas nos casos de assassinato, tanto em TSALAL quanto de Annie Kowtok. Embora True Detective: Terra Noturna esteja se desenvolvendo de maneira muito interessante e consiga manter o interesse, o único receio é que fiquem pontas soltas sem amarrar no último episódio. A série terá seis episódios, dois a menos do que as demais temporadas, então não há mais muito tempo à perder. 

O quarto episódio se dedicou a aprofundar os dramas pessoais dos personagens e conceder camadas adicionais a eles. Foi um episódio muito mais centrado no s personagens do que na investigação e nos procedimentos. Isso não é ruim, mas em um cronograma tão enxuto, faz com que a gente levante uma sobrancelha. 

Apesar disso, não dá para dizer que não tenham havido progressos na trama, preservando o padrão de suspense que a série estabelecer. Em seguida, vamos analisar alguns dos acontecimentos principais do quarto episódio, lembrando a todos que teremos SPOILERS em enorme quantidade daqui em diante.

1 - Pistas no Vídeo de Annie K


O episódio três terminou com a descoberta de um vídeo no celular de Annie K mostrando seus últimos momentos de vida naquilo que parece ser uma caverna de gelo.

Danvers assiste a cena dezenas de vezes, mas como esperado, as imagens não revelam a identidade do assassino da ativista. Seus gritos são o único registro do terrível destino. Contudo, Danvers consegue perceber dois elementos interessantes no pequeno trecho.

Embora não haja nenhuma informação clara sobre onde fica esse local, a detetive percebe a existência de um fóssil na parede congelada da caverna. Tudo sugere que se trata da vértebra de uma baleia pré-histórica, presa no gelo há milhares de anos. Levando essa informação ao Professor Bryce, um geólogo que comenta a existência de cavernas desse tipo nos arredores de Ennis. Estas, no entanto, foram pouco exploradas já que é um enorme risco se meter no interior delas por conta de desabamentos. Tudo indica que foi em uma dessas avernas que Anne foi assassinada, mas que seu cadáver foi carregado posteriormente para o local onde foi descoberto. Eu ainda tenho minhas dúvidas sobre quem fez isso, pode ter sido o próprio assassino com o intuito de intimidar qualquer outro ativista protestando contra a Mina Silver Sky ou pode ter sido alguém que não queria simplesmente abandonar o corpo da mulher naquele lugar remoto.

Seja como for, Liz e Navarro devem buscar o local nos próximos episódios e a cena do crime deve revelar mais detalhes sobre o que aconteceu seis anos atrás.  

O outro detalhe que Danvers percebe é que o interior da Caverna de Gelo parecia ser iluminado por lâmpadas ligadas a um gerador. Ela percebe que essa iluminação é interrompida repentinamente de uma maneira muito similar ao que foi registrado no derradeiro vídeo do TSALAL. De fato, é uma cena muito semelhante, na qual a instalação elétrica apaga por inteiro após faíscas. 

Danvers relaciona esse detalhe ao Engenheiro de Manutenção Oliver Tagaq, que sem dúvida teria acesso a esse equipamento e saberia como cortar a energia e provocar o blackout. Essa informação é interessante pois leva a teoria de que o assassino de Anne pode ser o mesmo que atacou a Base Científica, utilizando o mesmo modus operandi: causar escuridão e gerar confusão. A Chefe Danvers decide enviar Navarro e Pete Prior para entrevistar Tagaq à respeito, o que os leva até a Cabana de Caça uma vez mais.

2 - O Capitão Connely aparece novamente


O superior direto da Chefe Danvers na APF, Capitão Ted Connely, retorna a Ennis com o objetivo de assumir a investigação e enviar as provas para Anchorage. Em teoria, o procedimento de Connely é correto já que uma cidade maior possui instalações e equipamento mais adequado para processar as pistas. O infame "picolé de cadáveres" já derreteu o suficiente para seguir viagem até os legistas mais gabaritados para a autópsia. O que eles vão descobrir pode ou não corroborar as impressões iniciais do veterinário que analisou os corpos à pedido de Pete.

Embora Connely inicialmente garanta a Danvers que não está lá para tirar o caso dela, sua chegada à cidade sinaliza com problemas para os investigadores locais. Nos episódios anteriores ficou claro que agentes da lei como Hank Prior tentaram enterrar evidências em torno do assassinato de Annie supostamente para proteger os interesses dos proprietários da Silver Sky Mine.

Como os assassinatos de TSALAL estão diretamente ligados à morte de Annie, é provável alguém interromper a investigação novamente antes que Danvers e Navarro cheguem ao fundo do mistério. Connely até o momento não agiu diretamente contra a investigação, aparentemente porque acredita que é questão de tempo até o caso deixar a jurisdição de Ennis e seguir para outros detetives. Estariam estes já comprometidos em enterrar a investigação? Nesse caso, a tão aguardada autópsia pode acabar trazendo menos revelações do que o esperado.

Em certa altura, Danvers pergunta ao Capitão Connely sobre o vídeo de Annie K, e ele pede que tudo seja mantido em sigilo. Isso já deixa uma insinuação de que a coisa pode ser abafada. Se os poderosos que controlam Ennis começarem a pressioná-lo, é bem capaz ele amarrar de vez as mãos de Danvers e Navarro as impedindo de seguir adiante coma investigação. 

Não é a primeira vez que vemos corrupção e jogos de poder serem um obstáculo para que a verdade venha à tona, resta saber como elas irão contornar essas barreiras. Em Ennis, um lugar pequeno, onde tudo fica longe e exige deslocamento por estradas mal iluminadas, fica ainda mais difícil manter o controle sobre diligências, entrevistas e coleta de provas extraoficialmente.

3 - Peter encontra outro homem com ferimentos semelhantes ao dos cientistas


Peter Prior realmente está despontando como um ótimo detetive nesse caso. O novato da chefatura de Polícia em Ennis teve mais uma boa ideia no quarto episódio, buscar por outras vítimas que tenham sofrido ferimentos similares aos cientistas de TSALAL.

De um ponto de vista procedimental, essa abordagem é perfeita. Ele está seguindo à risca a cartilha da criminologia que indica analisar as vítimas em busca de pontos comuns. Essa ciência é conhecida como VITIMOLOGIA e constitui uma parte central em qualquer inquérito.

Como diria, a Chefe Danvers, é preciso fazer as perguntar corretas para chegar ao fundo do mistério. A pergunta levantada por Peter é: "Já houve pessoas com ferimentos semelhantes aos dos cientistas"?

E a resposta é um surpreendente sim!

Nesse momento ficamos sabendo da existência de uma peça chave que pode auxiliar na elucidação do caso, um certo Otis Heiss. Um cidadão alemão, Heiss foi encontrado em abril de 1998 com ruptura nos tímpanos, córneas queimadas e marcas de mordidas auto infligidas nas mãos. A mesma lista de estranhos ferimentos dos cientistas do TSALAL. Entender como isso aconteceu com Heiss quase três décadas atrás pode lançar uma luz sobre como a mesma coisa aconteceu com os pesquisadores a algumas semanas.

Infelizmente, as coisas não são tão fáceis. Parece tarefa quase impossível localizar Otis Heiss já que ele não possui registros oficiais do governo, parentes próximos ou mesmo um endereço fixo. Após sofrer seus graves ferimentos, tratados como fruto de acidente na neve, o sujeito se tornou um andarilho e um viciado sem paradeiro conhecido. Ele é um vagabundo em uma região imensa que pode estar praticamente em qualquer canto.

Tenho a suspeita de que esse sujeito vai ser extremamente importante para explicar os assassinatos. Outra suspeita é que ele possa finalmente ser o indivíduo que vai jogar uma luz sobre o envolvimento do Rei Amarelo na trama. Não é totalmente estranho que pessoas desesperadas e que perderam tudo acabem desenvolvendo uma relação direta com o misticismo... no caso desse sujeito, me parece razoável teorizar que ele será a ponte de ligação das detetives com o mundo sobrenatural. Não tenho bases para provar isso ainda, mas me parece uma aposta válida.  

4 - A noiva de Hank não aparece


Desde o primeiro episódio, Hank está falando à respeito de sua noiva russa que virá de Vladivostok.

O sujeito está ansioso aguardando por ela, mas tudo indica que Irina não passa de um golpe promovido por um catfish para tirar dinheiro do detetive. Por um momento até é possível sentir pena de Hank Prior... por um momento.

Chega a ser patético ver como ele arrumou a casa para aguardar sua noiva, pintando a sala, redecorando e cobrindo a cama com pétalas de rosas (imagina quanto custaram essas rosas no Alasca!!!). Quando os passageiros do voo que deveria trazer Irina terminam de desembarcar a expressão desconsolada dele é de enorme tristeza.

"Você não chegou a enviar dinheiro para ela", pergunta mais tarde o filho, já imaginando o que teria acontecido. Nós sabemos que Hank mandou dinheiro para cobrir "despesas médicas" da mãe de sua futura esposa. Pobre diabo, nem a conheceu ainda e já está sendo engabelado.

Contudo a vulnerabilidade de Hank pode acabar beneficiando a investigação

Em última análise, isso pode ajudar na investigação, visto que Hank ocultou intencionalmente algumas informações sobre o caso de Annie K. Ele parece estranhamente "legal" com Peter depois do ocorrido, um misto de vergonha e "coração partido" poderiam regenerar ainda que parcialmente o sujeito? Talvez ele possa revelar quem eram os interessados em acobertar o assassinato e fazer seu trabalho nem que seja apenas para variar um pouco. 

5 - A Irmã de Navarro vai para a Neve


Num dos momentos mais profundos desse quarto episódio, a irmã de Navarro, Julia acaba desistindo de vez e se entrega ao desespero.

Confirmamos nossas suspeitas de que Julia sofria de esquizofrenia, doença que foi herdada de sua mãe que também padecia dessa condição mental. Após uma série de crises agudas, Julia acaba concordando em se internar num sanatório, receber ajuda e remédios para combater o quadro cada vez mais grave de alucinações. Talvez ela até tivesse a intensão de fazer isso, mas a visão de sua falecida mãe de baixo da cama acaba sendo pesada demais para ela suportar.

Aproveitando que a instituição onde ela está tem internação voluntária, ela acaba escapando sem que ninguém perceba. Ela acaba indo para seu esconderijo e de lá decide caminhar para o esquecimento sem roupa no meio do frio extremo. Curiosamente, é exatamente o que Navarro havia confidenciado a Danvers no episódio passado, seu desejo de simplesmente deixar tudo de lado e abraçar o esquecimento de uma vez por todas. 

Navarro fala à respeito de se sentir amaldiçoada depois que fica sabendo da morte da irmã. Ela com certeza teme que a doença que vitimou sua mãe - e agora a irmã possa estar nela também. Sabemos que esquizofrenia pode ser hereditária e o fato de Navarro estar experimentando várias alucinações e visões desde o início do caso, pode levá-la a suspeitar de que estes são apenas os primeiros indícios do que está por vir. Navarro ouviu vozes alertando de que alguém havia despertado, viu um urso polar (que pode ser uma alucinação), teve uma visão do filho de Danvers e mais recentemente recebeu um aviso de Anders Lund. Ela tem todos os motivos do mundo para achar que está perdendo a razão e cedendo espaço para a doença.

Sobre a morte de Julia, há alguns detalhes que chamam a atenção.

Primeiro, não há razões para suspeitar que ela sabia como os cientistas do TSALAL morreram, contudo assim como eles, ela também dobra cuidadosamente as roupas e calçados antes de remover e ir para a neve. É estranho! Uma pessoa prestes a cometer suicídio deixar as roupas cuidadosamente dobradas não faz muito sentido.

Outro detalhe curioso é que ela vê a mesma laranja que Navarro atirou longe e que retornou aos seus pés episódio passado. A laranja que rola de baixo da cama, supostamente empurrada pelo fantasma da mãe fazia parte da alucinação de Navarro. Não há porque acreditar que a patrulheira teria confidenciado isso para a irmã, então é no mínimo esquisito que ela também tenha tido essa experiência.

Finalmente temos a maneira como Julia morreu. Navarro fica sabendo que Julia andou até a costa e caiu no mar, seu corpo foi recolhido pela polícia. Por alguma razão isso me remete diretamente a Sedna, a Deusa Inuit que não apenas rege as vinganças e retribuição, mas também tem no Mar a sua província de poder. Poderia o suicídio de Julia ter elementos de uma espécie de auto sacrifício? Ela teria desistido por não era capaz de suportar as visões que recebia e que não conseguia interpretar?

Rose disse anteriormente que não se deveria confundir doença mental com o sobrenatural. Talvez Julia não fosse capaz de entender onde começava uma coisa e terminava a outra. Talvez as visões fossem avisos e presságios que ela não tinha estrutura para suportar. Ela enxergava esse assédio do sobrenatural, tentando mostrar algo, como um reflexo de uma doença.

Notem que Navarro logo em seguida começa a ter visões semelhantes às de Julia. Talvez, de agora em diante seja Evangeline quem passará a sofrer com esse assédio. Os mortos parecem querer contar algo aos vivos desesperadamente, mas os canais não estão dispostos a ouvir.      

6 - Onde está Oliver Tagaq? 


Mesmo que Oliver Tagaq não tenha sido visto neste episódio, ele ainda é fundamental em uma cena importante. 

Danvers envia Navarro e Pete de volta à casa onde Tagaq está vivendo para investigar o que ele teria a dizer sobre a súbita falta de luz na TSALAL e no vídeo gravado por Annie K. Ele é ao meu ver um dos principais suspeitos no caso de Annie e se eu tivesse que apontar alguém que tem culpa no cartório, esse alguém é esse sujeito.

Mas é claro, quando a dupla chega a cabana, Tagaq obviamente já desapareceu. Segundo os outros inuit no acampamento de caça, o suspeito deixou o local logo depois de ser interrogado por Danvers e Navarro. Embora o comportamento arredio de Tagaq possa ser decorrente de seu receio quanto autoridades, eu ainda acho que ele está envolvido nos crimes até o pescoço. 

Além disso, há uma pista a ser encontrada na cabana, uma que coloca Tagaq no rol dos suspeitos com ainda mais força. Navarro e Pete encontram o infame símbolo em espiral desenhado com carvão na tampa de uma caixa de papelão e esculpido em uma pedra. Ora, parece claro que o engenheiro conhece o símbolo e sabe qual o seu significado. 

A essa altura, Navarro já deveria ter questionado Rose à respeito da origem do símbolo já que ela claramente parecia saber sobre ele (como ficou subentendido no episódio 2). Rose disse que se trata de "algo antigo", "mais antigo que Ennis" e "tão antigo quanto a neve". Nesse episódio ficamos sabendo que Rose é uma ex-professora que em algum momento se sentiu compelida a deixar tudo para traz e se mudar para o Alasca em busca de paz. Há livros e mais livros na casa de Rose e ela parece ser alguém que estudou e que tem um conhecimento abrangente do mundo. Não descarto que ela possa ser uma antropóloga e como tal, possa ter estudado o símbolo do Rei Amarelo. Seria ótimo ver alguns dos mistérios do Símbolo serem esclarecidos de uma vez por todas, quem sabe no próximo episódio.

Mas voltemos a Tagaq. 

A pedra com o símbolo gravado me parece ser algum tipo de amuleto ou pendente, algo que um "devoto" usaria em volta do pescoço. Talvez tenhamos as indicações de que Oliver Tagaq é um cultista dessa manifestação sobrenatural, que eu imagino, talvez nem venha a ser chamado de Rei Amarelo. Possivelmente os povos nativos o conhecerão por outro nome, quem sabe Sedna.

Na saída da cabana abandonada, Navarro pergunta aos ex-vizinhos de Oliver se eles sabem o que significa o símbolo, eles não respondem - seus cachorros começam a latir e eles meio que apenas... olham ameaçadoramente. Ou seria com receio (ou ainda) medo?

7 - Mais sobre a Caverna de Gelo


Danvers e Navarro decidem visitar o Professor de Geologia da escola local para descobrir mais pistas sobre a caverna e os fósseis vistos no vídeo. É incrível como os informantes da dupla de Detetives são pessoas comuns, mas que se provam úteis no decorrer da investigação (que o diga o Veterinário que deu alguns insights muito úteis episódio passado).

O Professor Bryce revela que o fóssil parece ser de uma baleia pré-histórica conforme vimos anteriormente. Quando Navarro e Danvers perguntam sobre a localização da caverna onde a gravação foi feita, ele faz uma breve pesquisa online e descobre que ela fica próxima. E mais, um homem chamado Otis Heiss foi o responsável pelo mapeamento dessa mesma caverna. 

Apenas recordando, Otis é o sujeito que sofreu ferimentos similares aos Cientistas mortos do Tsalal. Parece ser muita coincidência...

Me pergunto se o acidente que Heiss sofreu em abril de 1998 teria acontecido nessa mesma Caverna de Gelo. Se os ferimentos que ele carregava teriam sido deixados por uma experiência nessa caverna, algo que deixou cicatrizes tanto físicas quanto mentais, e porque não dizer, espirituais. Me parece que esse "acidente" foi o que mudou o sujeito para sempre, transformou um cartógrafo em um andarilho drogado. Não deve ter sido pouca coisa.

Fica a questão: Otis teria sido um voluntário nessa experiência que mudou sua vida ou uma vítima de circunstâncias? Ele queria ver algo, queria experimentar algum grau de transcendência ou simplesmente foi colhido por um acidente que gravou o impacto de uma revelação em sua psique?

Eu acredito que Otis teve algum tipo de revelação. Ele experimentou algo que embora tenha lhe deixado cego e quase morto, serviu para "abrir a sua mente" para uma realidade da qual ele não conseguiu escapar. Algo que o condenou a uma vida errante.

8 - Navarro e Danvers visitam as Dragas 


Um pescador local viu um homem com a descrição próxima a Raymond Clark vagando pela neve próximo às dragas nos arredores de Ennis. A testemunha também envia uma foto na qual a figura de um homem veste a jaqueta cor de rosa de Raymond Clark (que antes pertencia a Annie). 

Apesar de estar angustiada com a notícia da morte de sua irmã, Navarro acompanha Danvers até as dragas para tentar encontrar Clark. Mas nem tudo é o que parece ser.

As dragas parecem ser grandes máquinas usadas para dragar o leito de rios e lagos congelados. Navarro comenta que são máquinas enormes, mas que foram simplesmente deixadas para enferrujar naquele lugar. Ao entrar no lugar, o complexo parece uma casa mal assombrada: escura, sinistra, silenciosa.

E como uma boa casa assombrada, o local tem as suas peculiaridades esquisitas.

Primeiro Navarro e Danvers acabam sendo separadas no momento que a primeira tem uma visão da própria irmã morta sendo arrastada pela água. Uma vez separadas, as duas detetives acabam pegando caminhos diferentes.

Danvers revista o local em busca de Clark. Encontra o que parece ser um esconderijo onde há drogas, cobertores e comida. Num canto escuro, Liz acaba achando um sujeito vestindo o casaco rosa com capuz e ordena que ele se renda. Mas então ela descobre que não se trata de Clark, mas de Otis Heiss.

As perguntas dela sobre o paradeiro de Clark são respondidas de forma enigmática. 

O cego se contorce e diz que Clark está escondido na Terra Noturna, o que me remeteu imediatamente a primeira temporada, quando Errol Childress (o assassino da Louisiana) dizia a Rusty Cohle no derradeiro episódio que eles não estavam mais no mundo real, e sim em Carcosa. Seria a "Terra Noturna" o equivalente a Carcosa? Uma espécie de realidade alterada regida por forças cósmicas, incompreensíveis e onde os limites entre os mundos se desfazem?  

Não foi isso que Rose disse sobre Ennis no segundo episódio? Que a "cidade no fim do mundo" está na fronteira entre o físico e o espiritual, onde os limites se perdem. Eu imagino se a Terra Noturna não seria a caverna de gelo, local de revelações e de incidentes inexplicáveis capazes de mudar a vida das pessoas para sempre. Onde Annie K encontrou seu destino, onde Heiss enlouqueceu de vez e onde Clark foi buscar respostas após a tragédia do TSALAL.

Danvers acaba prendendo Heiss e o imobilizando para levar até o que vai ser um interessante interrogatório no próximo episódio, mas e quanto a Evangeline?  
 
9 - Navarro tem outra Experiência Sobrenatural


Enquanto Danvers captura Otis Heiss, Navarro está experimentando sua própria fatia de terror.

Depois de chegar às dragas, Navarro tem a visão de uma mulher morta flutuando no canal de água abaixo deles. Navarro desce as escadas para investigar o que viu e parece encontrar o fantasma de sua irmã morta, reconhecível por seu cabelo azul e pela tatuagem sob a clavícula. 

Depois de capturar o homem cego, Danvers sai em busca de Navarro e a encontra sentada no chão em estado de choque. A visão da irmã a deixou catatônica e seus ouvidos estão sangrando.

Ao redor do mundo, para muitas culturas primitivas, ouvidos sangrando são o símbolo de uma verdade ou de uma revelação sobrenatural transmitida. As pessoas que não estão preparadas para receber essa revelação sentem fisicamente toda carga desta e manifestam ferimentos. Seria isso que aconteceu a Evangeline? Teria recebido uma revelação que não estava pronta para entender que a deixou em choque?

Rose disse anteriormente que os mortos procuram os vivos para compartilhar algum segredo. Me parece que foi o que aconteceu aqui, Julia transmitiu a irmã alguma informação que só ela (agora morta) é capaz de passar adiante. Se Evangeline vai ser capaz de entender ou não o que ela disse, isso veremos no próximo episódio.

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Embora nenhuma dessas “pistas” recém-descobertas faça muito sentido, o final do quarto capítulo de True Detective: Terra Noturna torna evidente a guinada para o sobrenatural em toda série. A Terra Noturna pode ser um mundo que está além da fronteira que separa os humanos dos mortos e estes desejam serem ouvidos. É algo puramente metafísico que vai muito, muito além do drama criminal procedimental que estamos acostumados.

Faltam apenas dois episódios para saber como isso vai terminar.

Fiquem conosco, detetives...