sexta-feira, 10 de julho de 2015

Mestres do Tentáculo - A Anatomia dos aterradores Lloigor


Os Lloigor são inimigos naturais do homem desde tempos imemoriais. Quando viviam na superfície eles submeteram humanos pouco evoluídos a um regime de escravidão e sofrimento.

Hoje, os Lloigor podem estar adormecidos ou pouco ativos, mas não resta dúvida de que mesmo os que aparentam impassividade se mantém atentos. Essas criaturas imortais observam o mundo desde a aurora dos tempos e se recordam amargamente da época em que foram grandes. Não há nada que um Lloigor deseje mais do que comandar e subjugar.

Em sua forma original, eles são seres imateriais compostos de um tipo desconhecido de energia psíquica. Eles não tem uma forma básica, sendo praticamente invisíveis, mas sua presença pode ser detectada como uma discreta ondulação no ar, semelhante a uma miragem criada pelo calor. Além disso, a proximidade de um Lloigor tem um efeito curioso em seres vivos que ocupam uma área próxima. As pessoas - sobretudo indivíduos mais sensíveis, sentem como se houvesse uma presença que não é natural nas imediações. Essa sensação é normalmente descrita como uma série de arrepios, com a impressão de se estar sendo observado ou como um medo inexplicável.

Alguns textos antigos mencionam os Lloigor e revelam detalhes a respeito de sua origem. O Necronomicon fala deles como os "Conquistadores das Estrelas" e se refere a eles como "Terríveis monstros que escravizaram a humanidade". O Unausprachlichen Kulten revela a existência de colônias com cultistas humanos devotados a servi-los como verdadeiras divindades profanas. Von Junz, o autor desse tratado, conta ter encontrado um desses ascetérios numa viagem ao atual Líbano. O texto no entanto alude para outras colônias espalhadas pelo mundo inteiro, sobretudo em enclaves distantes ou isolados onde o poder centralizado pelo Lloigor é completo. O "Monstres and their Kynde", os chama de "Os Reis Lagartos" e determina que estes horrores vieram das estrelas eras atr´pas acompanhando os Grandes Antigos que ficaram presos em nosso planeta.


Contudo é o obscuro Manuscrito de Sussex que reúne as informações mais valiosas sobre os Lloigor (também chamados de Lloigore ou Liugore).

Segundo o documento guardado pelo Museu de Wharby, em Yorkshire os Lloigor são oriundos de uma esfera distante, localizada na Galáxia de Andromeda. Eles teriam empreendido um grande êxodo há milhões de anos, lançado suas consciências através do cosmos em busca de um lugar onde pudessem se estabelecer. Os motivos que os impeliram nessa jornada não são conhecidos e supõe-se, são tema considerado tabu entre eles. Chegando a Terra, eles se fixaram na lendária Ilha de Mu, no Pacífico Sul. Em um primeiro momento, os Lloigor submeteram e escravizaram a raça humana, tornando-os escravos de suas vontades e caprichos. Uma raça essencialmente maligna, os Lloigor forçavam seus escravos às mais árduas tarefas e exigiam completa lealdade. Qualquer transgressão era punida com tortura e mutilação. Os Lloigor também usavam como punição uma medonha forma de desfiguração que amedrontava seus servos de tal forma que as rebeliões tornavam-se raras.

O domínio dos Lloigor vigorou por muitos séculos, um tempo no qual os habitantes de Mu sofreram sob o jugo de seus cruéis opressores. Com o passar dos séculos, o controle dos conquistadores começou a reduzir a medida que a população humana crescia. Sentindo que era questão de tempo até sua autoridade ser desafiada, os Lloigor começaram a se retirar para os subterrâneos. Muitos abandonaram Mu, adotando refúgios em terras distantes onde poderiam oprimir populações mais suscetíveis. Os Lloigor que permaneceram em Mu eventualmente também desapareceram. Muito se discute o que causou o declínio de poder dessas criaturas, alguns teóricos conjecturam que o aprendizado de magia pelos humanos de Mu ou a aliança destes com alguma divindade (Tsathogua mais provavelmente) tenha causado um enorme temor entre os Lloigor.

É preciso compreender que a mente dos Lloigor é preenchida por um incomensurável pessimismo. Suas mentes não são divididas em id, ego e super-ego, como a dos humanos. Eles são incapazes de contemplar um futuro ou planejar qualquer coisa a longo prazo. Eles não tem qualquer criatividade e por isso tendem a ter uma existência estagnada e improdutiva. Como consequência direta, raramente colocam seus planos em ação, a não ser que sejam compelidos a fazê-lo por alguma entidade que decidiram servir. As criaturas tendem a buscar aliados ou patronos poderosos, sendo Ghatanathoa e Itaqua suas escolhas mais frequentes.

Como dito, algumas dessas criaturas se estabeleceram em lugares distantes do planeta, preferindo cavernas, recessos profundos e túneis no interior de montanhas. Muitos deles, acompanhando os Grandes Antigos escolheram hibernar nesses esconderijos, mantendo-se atentos aos acontecimentos a sua volta, valendo-se para isso de agentes humanos ou de sondagem mental. Com o tempo, a maioria dos Lloigor se cansaram de sua vigília e se renderam a uma apatia perpétua na qual passaram a hibernar nas profundezas. De tempos em tempos, entretanto, um deles desperta de seu torpor e experimenta um interesse repentino pelo mundo que o cerca.

Os Lloigor são muito suscetíveis a mudanças drásticas no inconsciente coletivo humano. Certos estados de ânimo tendem a atrair sua atenção, sobretudo aqueles que envolvem grande agitação, perturbação e medo. Segundo Abdul Al-Hazred, o notório árabe louco que escreveu o Necronomicon, "os Lloigore são atraídos pelo medo e pelo desespero do homem. Eles se alimentam do espirito combalido da humanidade, as lágrimas do homem para eles, são doces como mel".

Verdade ou não, há uma relação direta entre o despertar dessas criaturas e períodos conturbados da história humana. Revoluções, guerras e massacres parecem ter um efeito revitalizador na psique dos Lloigor, mesmo daqueles inativos há milênios. A Revolução Francesa (1789), o Levante dos Boxers (1910), a Revolução Russa (1917), a Queda de Nankin (1936), os Massacres no Camboja (1975) e a Revolução Iraniana (1979) são alguns exemplos recentes de momentos chave da história humana que contribuíram para o despertar de Lloigors há muito adormecidos. Durante a Grande Guerra, vários Lloigor que dormiam na França despertaram atraídos pela tragédia da Guerra das Trincheiras, estes mesmos talvez tenham sido acordados antes durante as Guerras Napoleônicas e com certeza posteriormente, quando eclodiu a Segunda Guerra Mundial (período áureo para o despertar dessas criaturas). 

Os Lloigor parecem compreender que quando a população humana se encontra acossada pelas suas próprias atrocidades, surge o momento mais adequado para atacar. Eles não se alimentam do horror e do medo como suspeitam alguns estudiosos dos Mitos de Cthulhu, mas essas sensações concedem a eles um indicativo de que a humanidade está fragilizada e portanto propensa às suas investidas. 

Também diferente do que alguns suspeitam, os Lloigor não planejam se tornar mestres da humanidade, como foram um dia. Eles parecem perfeitamente confortáveis simplesmente em dominar cidades e extrair de seus habitantes energia vital. Seu sustento é obtido com emanações psíquicas captadas enquanto os humanos dormem profundamente (o sono REM). Uma deles é capaz de sugar a energia de centenas de pessoas simultaneamente, simplesmente se concentrando nessa tarefa. Aqueles drenados pelo Lloigor acordam sentindo-se incomodados: esgotados física e mentalmente mesmo após uma noite inteira de sono. A drenagem contínua pode desencadear a longo prazo efeitos mais nocivos, que assumem a forma de epidemias de acomodação, depressão e por fim suicídios.

Quando plenamente ativos, os Lloigor sentem-se mais à vontade para interagir diretamente com os humanos. Nessas circunstâncias, algumas pessoas sentem a influência mental das criaturas e adotam um comportamento cada vez mais agressivo, beirando em alguns casos a sociopatia. Crime e violência se tornam corriqueiros em áreas assoladas pela criatura. Algumas vezes, o Lloigor se encarrega de buscar os membros mais degenerados de uma população para servi-lo como lacaio. Ainda que muitos desses indivíduos acreditem que em troca da servidão, irão receber grandes poderes de seus mestres, eles não significam nada para o Lloigor, que normalmente os sacrifica ao primeiro sinal de problemas. É comum que os monstros demonstrem a sua insatisfação mutilando seus serviçais, arrancando braços, pernas ou olhos. Em seguida, essas partes são substituídas por tentáculos flácidos ou apêndices repulsivos de aparência completamente alienígena. Dentre os escravos da vontade do Lloigor não é raro encontrar homens e mulheres com membros extirpados e transfigurados em medonhas paródias do original. A intimidação exercida pelas criaturas é uma maneira eficaz de manter os servos na linha.

Os Lloigor sobrevivem nos dias atuais, mas eles não possuem um décimo da capacidade e alcance que um dia dispuseram. Dentre os poderes que ainda podem invocar, encontram-se certas capacidades utilizadas para coagir seus inimigos. Todos seus poderes, no entanto carecem de energia vital e o Lloigor precisa repor esse depositário antes que este seja exaurido. Se tal coisa ocorre, a criatura pode ser forçada de volta a hibernação, despertando apenas séculos mais tarde. Usando uma pequena parcela de energia roubada, um Lloigor é capaz de pequenas intromissões: desmagnetizar bússolas, afetar equipamento fotográfico ou eletrônico e exercer força psicocinética sobre pessoas ou objetos. Dessa forma, conseguem afastar curiosos e lidar com a curiosidade de estranhos.

Mas esses pequenos atos, por vezes confundidos com manifestações sobrenaturais, não são as únicas armas a disposição desses monstros. Usando uma quantidade maior de energia, eles podem desencadear efeitos impressionantes. Eles podem por exemplo fazer navios ou aeronaves desaparecer (causando o efeito de "perda de tempo", geralmente relacionado ao fenômeno OVNI), podem gerar um surto repentino de paranoia numa população inteira ou semear uma tempestade de vento de uma hora para outra. A arma mais devastadora dos Lloigor, no entanto, é uma implosão que eles podem engendrar mediante enorme quantidade de energia. Esse efeito é tão avassalador que tudo aquilo atingido pelo choque é feito em pedaços pelo vórtex de energia. Seres vivos são estraçalhados, árvores são arrancadas do chão, rios desviados de curso e montanhas podem desmoronar se energia suficiente for utilizada. Quando dois ou mais Lloigor se juntam para arregimentar uma grande quantidade de energia os efeitos podem ser catastróficos. Não se sabe ao certo como essas implosões ocorrem (há indícios de que seja uma fissão nuclear), mas no rastro delas, tudo o que resta são escombros, poças de água estagnada e um odor distinto de ozônio. Alguns suspeitam que a explosão de Llandalffen e a detonação próximo de Al-Kazimiyah, no Iraque tenham sido causadas pelos Lloigor. No passado, outras explosões inexplicáveis podem ter sido deflagradas por tais seres.

Em certas circunstâncias, os Lloigor podem adotar uma forma material, construindo corpos físicos utilizando suas reservas de energia. A forma escolhida é constituída de energia psíquica crua, gerando uma espécie de ectoplasma que a criatura pode moldar conforme a sua vontade. Embora em teoria eles pudessem assumir a aparência que desejassem, os lloigor acabam sempre optando pelo mesmo simulacro - o de imensos répteis que remetem aos dragões das lendas. Supõe-se que essa forma seja, na concepção dos Lloigor, a mais adequada para gerar terror na humanidade. Uma forma que remete ao medo primordial da humanidade diante de répteis vorazes. Isso pode explicar porque o mito das grandes feras reptilianas está presente em tantas culturas, ainda que não haja qualquer traço de tais criaturas para ser encontrado. Levando essa hipótese adiante, o lloigor pode ser também a base para as lendas de monstros habitando lagos e mares. É uma explicação razoável para o avistamento de tais criaturas ao longo da história, sem que jamais tais criaturas tenham sido capturadas ou detectadas nem com moderna tecnologia.


No que diz respeito a sua aparência, os monstros são realmente intimidadores. Um lloigor parece um enorme lagarto com escamas cinza-esverdeadas distribuídas ao longo do corpo. Eles podem ter algo entre seis e catorze metros de comprimento da cauda ao focinho. Placas ósseas podem surgir em suas costas, projetando-se como espinhos afiados como ocorre nas iguanas. Os Lloigor são frios e desagradáveis em todos os sentidos. Sua carne é rígida em alguns pontos e repulsivamente esponjosa em outros, sendo difícil feri-lo usando armas comuns. Os membros são atrofiados ou bizarramente longos, raramente simétricos. Ele se move arrastando o enorme corpanzil como um réptil de verdade faria, mas há algo de estranho em todo seu deslocamento. Por vezes eles possuem uma cauda informe que se parece mais com um grande tentáculo, e que o auxilia no arrastar pelo chão. Tentáculos aliás brotam em toda extensão ventral, agitando-se como apêndices com vontade própria. 


A cabeça é mau formada, parecendo disforme no todo e grande demais em relação ao corpo. Os olhos amarelados e pequenos ocupam posições assimétricas, as fossas nasais são desiguais e a boca larga é longitudinal. A boca aliás é preenchida por protuberâncias pontiagudas que embora se assemelhem a dentes, estão mais para ossos afiados capazes de destroçar o corpo de um homem adulto. Eles não tendem a engolir suas vítimas, ao invés disso tentam causar ferimentos usando os dentes ou as garras nas patas, verdadeiros esporões que cortam como lâminas. Um observador que não enlouqueça ao ver esse horror, poderia sugerir que um lloigor é a mistura de um iguana e um Dragão de Komodo, mas com deformidades claras e impossíveis de serem encontradas em um animal comum. Ao redor da criatura permeia um fedor de sangue e corrupção, reminiscente dos grandes predadores que ocasiona uma sensação tangível de intimidação. Alguns acreditam que os lloigor utilizaram como base para construir essa forma bestial os grandes sáurios que eles teriam encontrado no planeta quando chegaram milhões de anos atrás.

Embora seja menos frequente, alguns lloigor escolheram assumir uma aparência claramente batráquia, parecendo imensos sapos-boi, com óbvias deformidades. Tentáculos são comuns nesses horrores que são encontrados em lagos e rios. O que leva um lloigor a optar por uma determinada forma em detrimento de outra não pode ser determinado.

Os principais centros de atividade conhecidos dessas criatuars incluem o Iraque, País de Gales, Líbano, Ceilão, China, Haiti, Chile, Rússia e a Costa Oeste dos Estados Unidos. É possível, entretanto que espécimes hibernem em muitos outros lugares do globo. A população de tais criaturas aparentemente teve uma expressiva redução em seu número, mas isso não significa que eles estejam extintos.

Nota: August Derleth e Mark Schorer criaram originalmente uma entidade chamada Lloigor como uma das obscenidades gêmeas apresnetadas na estória curta intitulada "The Lair of the Star Spawn" (1932). Lloigor e seu irmão Zhar eram típicas monstruosidades lovecraftianas dotadas de tentáculos. Para todos os efeitos eles eram Grandes Antigos. Derleth se referiu aos Lloigor em vários outros contos, em especial "The Sandwin Compact".

Colin Wilson tomou emprestado o nome para uma de suas estórias mais conhecidas "The Return of the Lloigor" (1969), mas a criatura é bastante diferente. Os lloigors de Wilson são uma raça de criaturas formadas por energia psíquica, capazes de se manifestar como grandes répteis, os dragões das lendas. Estes são os Lloigor apresentados nesse artigo.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

True Detective - Recap Episódio 3 "Maybe Tomorow"


Primeiro as boas notícias: Ray Volcoro está vivo!

A cena de abertura do episódio 3 de True Detective foi marcada pela estranheza. Na realidade diria até mais: parecia algo saído de um dos muitos filmes esquisitos de David Lynch (Cidade dos Sonhos, Veludo Azul, Estrada Perdida). Para falar a verdade, não é de agora que eu tenho reparado em um clima que remete diretamente a obra do diretor David Lynch. As paisagens vastas vistas do alto, os closes nos personagens, os detalhes estranhos nos coadjuvantes, a trilha sonora meio noir, a sensação de que todos vivem em uma espécie de sonho acordado...

O fato do filme estar com esse tom Lynchiano (estou criando um termo) para alguns pode ser interessante, para outros nem tanto. O polêmico diretor de Twin Peaks não é exatamente uma unânimidade. Seja como for, a aura de esquisitisse que permeia os filmes assinados por David Lynch atingiu a escala máxima nas primeiras cenas do episódio 3, intitulado "Maybe Tomorow" (Talvez Amanhã).

A experiência surreal de Velcoro foi agonizante. Não dava para saber se aquilo era um delírio, uma alucinação, um sonho ou mesmo uma visão do além pelos olhos de um homem ferido fatalmente. A experiência dele remetia a uma daquelas visões de pós vida na qual alguns vêem uma luz e seus entes queridos chamando. No caso de Velcoro sua experiência envolvia uma conversa com seu pai e a apresnetação de um sósia do cantor Conway Twitty cantando a balada mega-brega "The Rose". Esquisito? Muito!

Logo em seguida Velcoro acorda ofegante. Costelas partidas, ferimentos aqui e ali, sem ar, mas vivo. Os disparos foram de munição não-letal de borracha. Dói pra cacete, mas não mata, o tipo da coisa que a polícia utiliza para dispersar tumultos.


O fato de Velcoro estar vivo é um alívio para quem já estava se sentindo órfão do detetive corrupto (de longe o personagens mais interessantes da temporada). Muita gente estava comentando que essa reviravolta seria extremamente perigosa, afinal sacrificar um protagonista dessa maneira logo no segundo episódio era uma temeridade. Para ser sincero, eu achei que Velcoro tinha ido para o inferno dos tiras corruptos e que as futuras participações do Collin Farrel seriam em flashback. Já estava inclusive aceitando que essa poderia ser uma virada interessante na trama, colocando Velcoro de alguma maneira envolvido na resoluação indireta do caso. Mas não seguiu por aí.

Mas qual é a desse atentado? Porque o assassino, que usou um método extremamente cruel para despachar Caspere optou por poupar Velcoro? Qual a sua motivação para apenas derrubar o policial e não matá-lo? A morte de Caspere, tudo indica, foi um assassinato movido por ódio, vingança ou reparação. Ninguém mata daquela maneira cruel (pendurando, cegando com ácido e estourando os países baixos!), a não ser que haja emoções muito fortes envolvidas. O assassino não tinha a mesma motivação contra Velcoro, por isso o poupou de um destino semelhante. Simplesmente o tirou de combate e foi embora.


À primeira vista essa cena pode ter parecido desnecessária, uma cena que está lá apenas para atrir o público para o episódio seguinte; curioso em saber se o personagem sobreviveu ou não. Mas acredito que essa sequência tem uma razão de ser: ela vai marcar o início de uma mudança no personagem. As visões de Velcoro enquanto estava desmaiado aparentemente vão ter efeito na sua personalidade e vão fazer com que ele reavalie sua vida louca. Não acho que o personagem vai ficar "bom" de uma hora para outra. Lembre-se isso é True Detective, ninguém se coloca totalmente no lado negro ou no lado branco, todos vestem cinza. Mas depois disso, imagino que Velcoro vai assumir um tom cinzento mais claro. Já é possível ver alguns efeitos diretos disso: Velcoro se reúne com seus chefes corruptos e pede para ser retirado do caso, ele conversa com Frank dando a entender que teve uma reviravolta, ele busca o pai (Fred Ward - que envelheceu muito desde "Remo desarmado e Perigoso") para colocar a conversa em dia, tenta uma pequena conciliação com a ex-mulher, e até bebe água ao invés de whisky... Entretanto, na minha opinião, a principal mudança no detetive vai ser em relação ao caso. Ele deve focar na resolução deste, doa a quem doer, porque o caso representa o ponto de mudança de sua personalidade, o momento em que ele decidiu dar uma guinada na sua vida.

No que diz respeito a detetive Bezerides a relação dela com seus chefes é tão ruim quanto a de Ray com seus patrões no Departamento de Polícia de Vinci. Uma das suas supervisoras chega a sugerir que Ani tente se aproximar sexualmente de Velcoro para ganhar sua confiança. É o tipo de conselho sórdido que vemos em uma série como True Detective, na qual indivíduos em posições proeminentes fazem qualquer coisa para atingir seus objetivos, não importando quem ou o que precisem sacrificar. O fato da sugestão vir de uma mulher é ainda mais perturbador.


Minha teoria é que toda essa pressão sobre os detetives, exercida por diferentes grupos, cada qual com seus próprios interesses, acabará saíndo pela culatra. Cada um dos detetives está sendo pressionado a agir por conta própria e resolver o caso atendendo a uma agenda particular de seus chefes. Acredito que em última análise, isso vai servir para unir os detetives e fazer com que eles confiem uns nos outros, uma vez que já está claro, não podem confiar em seus comandantes. Essa é uma saída muito interessante que permite aos personagens centrais desenvolver um vínculo mais forte do que o simples ideal de justiça. Como toda boa estória noir, os detetives acabam fazendo o que é certo não porque a lei assim dita, mas porque o caso acena como uma espécie de redenção para tudo de errado que eles já fizeram.

Desde o início, os três detetives da temporada estão sendo retratados como figuras trágicas, cheias de faltas, vícios e defeitos. O propósito disso, me parece, será permitir que eles encontrem alguma salvação resolvendo esse caso de maneira limpa, à despeito do que desejam seus superiores. Como isso vai se desenvolver, só saberemos no futuro.

E quanto a Frank Semyon? No episódio anterior vimos Frank fazer um verdadeiro trabalho de investigação no submundo. De certa forma, o detetive mais eficiente até o momento é o gangster. Claro, ninguém mais do que ele tem interesse de descobrir quem matou Caspere porque sua fortuna e seu futuro dependem disso. Curiosamente para fazer o trabalho de detetive ele precisa incorporar novamente sua porção gangster, coisa que ele não parece muito à vontade em fazer. O desejo de Frank, era deixar a vida de criminoso e abraçar o papel de homem de negócios. A construção milionária da estrada de ferro ajudaria a legitimar seu dinheiro a medida que aumentaria sua influência. Desde o início vemos Frank falando em deixar um legado e construir um futuro. Seus planos incluem ter um herdeiro, através de fertilização já que por meios naturais parece haver algum impedimento. O desejo dele de legalizar seus negócios, ter um filho indicam que ele também estava em busca de redenção pelo seu passado - "Deixar tudo para trás". Mas ironicamente, para se ver livre dos seus pecados ele precisa cometer mais algumas atrocidades aqui e ali: tirar dinheiro de alguns, ameaçar outros e mostrar que ainda dá conta do recado. 


Numa das melhores cenas do episódio, Frank reúne alguns bandidos de quem precisa obter informações e quando um deles levanta dúvidas sobre sua autoridade ele mostra que ainda é o mesmo Frank de anos atrás. Depois de dar uma surra no sorridente cafetão com dentes de ouro (onde pode-se ler as palavras Fuck You), ele remove a provocação na base do alicate. "Eu nunca gostei dessa porcaria!" diz ao arrancar os dentes do sujeito um por um. Frank está sob grande pressão, não duvido que ele vai acabar cruzando o caminho dos detetives auxiliando estes na solução do caso quando descobrir que eles estão comprometidos com esse objetivo. Ao invés de três detetives, teremos quatro?

E por falar nele, onde anda o terceiro detetive?

O patrulheiro Woodrugh ainda está perdido em sua nova função de investigador eparece relutar dentro da sua nova função. Tudo o que ele queria,a final, era continuar voando pelas estradas do sul da Califórnia em sua moto, trabalhar como detetive não o deixa nem um pouco satisfeito. Pior ainda é que sua linha de investigação o conduz ao lado mais barra pesada da cidade, em busca das garotas de programa com quem Caspere estava envolvido. A linha de investigação faz todo sentido, Caspere costumava buscar companhia feminina em todo canto e sua casa é um altar aos aspectos mais doentios do sexo. A pista mais quente diz respeito a uma prostituta chamada Tasha, que ainda não sabemos quem é. Os indícios acabam levando Paul a mesma boite onde ele esbarra (literalmente em Frank), lá o patrulheiro segue em busca de informações sobre a vida promíscua de Caspere.  

O que torna a visita ainda mais perturbadora para Woodrugh é que ele acaba dependendo da ajuda de um rapaz gay com contatos na tal boite, o mesmo que ele estava espionando da janela do hotel. Está claro que Paul tem sérios problemas emocionais e não aceita sua própria condição sexual o que o deixa frustrado e irritado. Suponho que não vai demorar até ele explodir de vez.


Nesse episódio nós temos um pequeno vislumbre daquilo que Paul tenta ocultar sobre o seu passado. Tudo indica que quando ele trabalhou para a Black Mountain no Oriente Médio (provavelmente no Iraque) Paul acabou se envolvendo com um companheiro de armas. Como comentou um colega, deve ter rolado um tipo de "Brockeback Iraquiano", com o tal sujeito que Woodrugh encontra em dado momento da estória. Há alguns indicadores claros de que Paul está dividido, mas tenta resistir: o fato dele encontrar o ex-companheiro de armas num circuito de motociclismo (transbordando testosterona), o discurso no qual deixa claro que não voltaria a trabalhar para a companhia de segurança e a reação furiosa quando o sujeito tenta tocar no tal "assunto proibido" demonstram o tamaho da tensão pela qual ele está passando. Por pouco Paul não avança no sujeito para parti-lo ao meio. É impressão minha ou Paul sempre faz uma cara de apreensão quando alguém encosta nele? Com a mãe foi assim, com esse amigo também... será que Paul sofreu alguma coisa mais no Iraque? 

Há mais um indicativo curioso: enquanto trabalhava no Iraque Paul parece ter participado de uma ação militar em uma vila, algo que terminou muito mal. O que será que aconteceu? Tudo leva a crer que a coisa saiu de controle, descambando para um inevitável massacre no qual Paul e o colega tiveram participação direta. Vai ver, os dois se arrependeram, vai ver tentaram evitar e por isso foram desligados da companhia. Com certeza os fantasmas da guerra, deixaram cicatrizes profundas nos dois e nós saberemos mais detalhes em breve.     

Outro detalhe interessante é que o parceiro de Velcoro, o detetive Dix aparece seguindo Woodrugh e tirando fotos. Está claro que ele já percebeu o dilema sexual do patrulheiro e espera tirar vantagem disso, fotografando algum encontro indiscreto, para depois chantageá-lo.  


Na sequência mais movimentada do episódio, Ani e Velcoro seguem a pista do automóvel usado pelo assassino e por pouco não conseguem capturá-lo. O sujeito destrói o veículo e quando é visto foge às pressas, atravessando uma auto-estrada. Achei curiosa a máscara que ele escolheu usar dessa vez: uma máscara branca aparentemente sem feições, bem diferente daquela utilizada quando ele matou Caspere e feriu Velcoro - a máscara de corvo negro que lhe rendeu o apelido de "Birdman" (Homem Pássaro). A perseguição é alucinada, e por pouco Ani não acaba atropelada por um caminhão, não fosse Velcoro saltar em cima dela.

Não está claro se é o verdadeiro assassino, mas Ani parecia ter certeza, já que gritou "É ele" antes de iniciar a perseguição. Claro, o sujeito vestia uma máscara e acabara de incendiar um automóvel, mas não há como ter certeza de que se trata do assassino ou de outra pessoa envolvida. E se não for, então temos dois indivíduos trabalhando juntos o que deixa as coisas ainda mais complicadas. Eu aposto em algum tipo de conspiração envolvendo pessoas que foram afetadas por Caspere, seja economicamente ou emocionalmente. Se tivesse de sugerir alguma coisa, diria que alguém que sofreu nas mãos de Caspere (uma prostituta vingativa?) fez um sangrento ajuste de contas. Mas essa é apenas uma suposição que confesso é bem rasa.   

Ah, eu nem acredito que estava esquecendo de comentar a visita de Ani e Paul à casa do prefeito de Vinci logo no início do episódio. Cara, o que era aquela foto de família na parede da sala? Tudo ali era extremamente bizarro: a jovem esposa do prefeito fumando maconha dentro de um saco plástico e recortando revistas, a decoração com gosto prá lá de duvidoso e a aura de exagero permeando cada aposento explorado. Lembra que eu comentei que True Detective está parecendo um filme de David Lynch? A visita a Casa do Prefeito Chessani só reforça esse lado onírico esquisitíssimo. Ela tem todos os elementos de um sonho acordado: repleto de visões que não se encaixam e de acontecimentos sem muito nexo. As escadarias, as portas enormes, as fotografias, tudo tem um quê de surreal.


E então somos apresentados ao filho do prefeito (o ator brasileiro Vinícius Machado) que na sua primeira aparição arremessa uma mulher, supostamente uma prostituta do segundo andar da casa direto na piscina. O que dizer desse personagem? O cara é o clássico babaca, filhinho de papai, playboy, cheio do dinheiro e disposto a explorar todos os excessos que sua fortuna pode proporcionar. Ele trabalha como "organizador de festas", o que acende uma luz de alerta já que Caspere parece figura fácil em várias "festas exclusivas". Infelizmente Chessani Jr não está disposto a dar maiores informações sobre seu trabalho, ameaçando chamar um advogado para expulsar os detetives da casa do papai prefeito.

Já sabemos que Tony (esse é o nome do sujeito) é um consumidor regular de cocaína que deveria ter sido preso por agressão e direção perigosa. O prefeito deu um jeitinho para que nada acontecesse e as queixas fossem retiradas. É o tipo do cara que deve estar envolvido em alguma coisa pesada ou que ao menos está ali para atrair suspeitas.

Não podemos esquecer também da filha adolescente de Chessani vista muito rapidamente. Ani a encontra sentada no quarto examinando o que parece ser um mapa rodoviário da Califórnia (Hmmm). "Está tudo bem?" Ani pergunta e a garota nem se importa de responder, simplemsente fecha a porta na cara da detetive. 

Família desajustada é pouco! O antro de luxo dos Chessani parece ser um ninho de cobras, cada uma escondendo segredos mais profundos. Não duvido que ainda ouviremos falar deles ao longo dessa estória e que ao menos um deles tenha ligação com o caso.


Bom é isso...

De um modo geral, "Maybe Tomorrow" não trouxe muitas pistas para o caso. O episódio ajudou a aprofundar alguns pontos da personaliadde dos personagens e sinalizou mudanças profundas para os próximos episódios. Eu francamente achei o episódio com um ritmo mais lento que o normal, não exatamente arrastado, mas menos ágil. Apesar de ter havido uma cena de ação com uma boa perseguição, o clima surreal e onírico deixa no ar uma impressão pesada. A mudança na direção mais enxuta de Justin Lin, para a mais contida de Janus Pedersen ficou bem evidente no estilo e forma.

True Detective continua provocativo, mas tendo passado mais de um terço da segunda temporada me pergunto se todos os plots que estão sendo apresentados serão fechados à contento. Temos até o momento um caso que está se tornando cada vez mais confuso. Uma solução parece muito distante. 

A sensação é que existem MUITAS pontas soltas, mas estas não parecem mais do que fiapos, finos demais para amarrar uma conclusão. Não há nada onde possamos nos apegar ou que parecem apontar para uma direção do caso...

Talvez amanhã.

PISTAS E INDÍCIOS DO EPISÓDIO

Com o término do episódio 3 de True Detective, acho que a questão mais importante passando pela mente das pessoas era: "Quem diabos é Stan?"

Bom, dei uma boa pesquisada e aqui estão alguns detalhes a respeito do sujeito:

Stan é apenas um capanga de Frank Semyon, um pau mandado contratado para bater em pessoas e fazer o que o chefe mandar. O tipo do cara que mandam pular e ele pergunta "qual a altura"?

Quando o cadáver do sujeito é descoberto dentro de uma lixeira, o próprio Frank comenta:

"Quem diabos teria alguma coisa contra o Stan? Quem é ele para merecer isso?"

O choque vem do fato do cadáver apresentar os mesmos ferimentos impingidos a Ben Caspere que é um cara importante, influente, rico e que aparentemente coleciona inimigos e desafetos. Mas o Stan??? Quem diabos é o Stan? E porque ele "merecia algo melhor"? nas palavras de Frank.

Se você não sabe quem é o Stan não se preocupe, você não está sozinho, essa foi a reação geral dos espectadores diante da descoberta do cadáver:
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Se você ficou preocupado achando que perdeu alguma cena ou que cochilou, pode ficar tranquilo. Stan não é ninguém! 

Ele é basicamente o capanga #4 na quadrilha de Frank. O papel é interpretado por Ronnie Gene Blevins. Ele aparece claramente em duas cenas. No primeiro episódio, ele está na cena de flashback, parado ao lado de Velcoro (ainda sem o bigode). Ele é o sujeito no meio.
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No epísódio dois, Stan faz uma aparição mais clara. É ele o sujeito quem joga spray de pimenta nos olhos do bookmaker à mando de Frank:
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Este cara é o Stan! É isso o que ele fez até o momento na série.
Bem isso e terminar assim:
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Agora, a questão é ligar Stan a Ben Caspere... será que ele trabalhou para Caspere ou sabia de alguma coisa? Difícil elaborar muito sem saber nada a respeito desse personagem. Veremos como isso vai se resolver...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

O Incorruptível Corpo em Isleta Pueblo


Todas as coisas vivas um dia morrem.

Mórbido como pode parecer, essa frase não tem nada de estranho ou errado. Essa é uma parte inevitável de um ciclo natural. Nós nascemos, gradualmente envelhecemos, morremos e nossos restos se tornam poeira a medida que desaparecem.

Algumas culturas antigas não temem a morte, pois dizem com muita propriedade que "a morte é a única certeza da vida" ou que "cada minuto de vida, leva mais perto da morte". Para alguns esses pensamentos servem como lembrança de nossa transitoriedade nesse mundo e estimulam as pessoas a viver cada segundo como se fosse o último.

Entretanto, existem casos misteriosos que desafiam, ao menos em parte, esse ciclo implacável de morte e corrupção.


Um duradouro enigma em algumas partes do mundo diz respeito ao inexplicável fenômeno de cadáveres que simplesmente se recusam a apodrecer e se decompor. Estes permanecem intactos por anos e anos após a morte da pessoa. As Igrejas Católica e a Ortodoxa se referem a esses restos humanos como "Corpos Incorruptíveis" (Incorruptibilium), e acreditam que eles resistem às depredações do tempo em face de sua santidade ou da intercessão divina. De fato, tal predicado é considerado como um importante fator para a beatificação e a ascenção de um indivíduo à santidade. Não apenas os cadáveres, mas também os objetos enterrados com eles resistem de modo prístino a passagem do tempo, sendo vistos como relíquias divinas, permanecendo em perfeitas condições livres de degradação, sujeira e até mesmo poeira. 

 Há uma clara distinção entre o estado de incorruptibilidade e mumificação, embalsamamento ou qualquer outra forma de preservação criada pelo homem. Cadáveres embalsamados podem se manter preservados por muito tempo após a morte, mas os métodos utilizados envolvem manipulação e a aplicação de compostos químicos. A preservação artificial deixa marcas óbvias: palidez, rigor e outros indicativos visuais e olfativos que podem ser facilmente percebidos. Já os corpos incorruptíveis permanecem imaculados, idênticos a como eram quando vivos. Eles possuem a mesma flexibilidade, o mesmo rubor e em muitos casos não possuem sequer o característico odor da decomposição. Algumas pessoas acreditam que esse grau de preservação sópode ser resultado direto de forças sobrenaturais. Seja qual for a causa desse mistério, corpos preservados tem deixado as pessoas perplexas há séculos.


Um dos mais interessante casos de preservação conhecidos ocorreu na Igreja de Isleta Pueblo, no etsado do Novo México. O santuário foi construído originalmente no ano de 1613, e é uma das mais antigas igrejas dos Estados Unidos. A estória se inicia em meados de 1700 com um frei missionário chamado Juan Jose de Padilla que foi enviado para o território do Novo México para erguer uma missão. Padre Padilla era um homem muito simples e admirado pelos paroquianos. Durante uma viagem a uma fazenda ele foi atacado por bandoleiros, esfaqueado e abandonado para morrer na estrada. Seu corpo foi recuperado e levado para Isleta Pueblo, onde foi enterrado sob o altar principal da igreja em 1756. Padre Padilla ficou pacificamente sepultado ali até um incidente 19 anos mais tarde. Durante uma missa, o piso da igreja, junto com o altar, começou a ruir e desmoronar sem razão aparente, acompanhado de estranhos ruídos vindos de baixo. As pessoas presentes não conseguiam entender o que estava acontecendo, até que o corpo de Padre Padilla, surpreendentemente brotou do chão consagrado.      

Quando os surpresos paroquianos e sacerdotes examinaram o cadáver, eles se surpreenderam ao descobrir que se tratava do Padre Padilla. Alguns que o haviam conhecido em vida se espantaram ao perceber que ele estava igual ao dia em que morreu. O corpo estava flexível, corado e segundo testemunhas quente ao toque. Mesmo os trajes estavam perfeitamente limpos e intactos. Para todos os efeitos, ele parecia estar vivo. Confuso com o que encontrou, o sacerdote pediu a presença de autoridades clericais para examinar o cadáver. Estes vieram imediatamente, mas não conseguiram encontrar uma explicação racional para aqueles restos extraordinariamente bem preservados. Na falta de uma explicação concreta, a igreja decidiu reenterrar o corpo, dessa vez vestindo Padre Padilla como um monge e concedendo a ele um sepultamento franciscano. Alguns acreditavam que o Padre havia retornado como protesto por ter sido enterrado sem que as formalidades de sua ordem fossem atendidas. O novo enterro iria evitar novos incidentes. Mas não funcionou!

Padre Anton Docher
Em 1819, o caixão de Padre Padilla emergiu do piso onde havia sido enterrado pela segunda vez. Novamente por intermédio de um fenômeno inexplicável que fez tudo vir a superfície de maneira repentina. Embora tivessem se passado 44 anos desde o primeiro incidente, o cadáver de Padre Padilla continuava imaculado. Nem ele e nem suas humildes roupas monásticas haviam se degradado. Os restos foram examinados uma vez mais e nenhuma explicação foi obtida. O corpo foi então depositado em um caixão de vidro e deixado em exposição para os fiéis por alguns anos. Para qualquer um que visse o corpo, parecia que ele estava simplemsente tirando uma soneca.      

Com tanto tempo tendo se passado desde a morte de Padre Padilla, e sem apresentar qualquer sinal de ter sido artificialmente preservado, a igreja o proclamou como incorruptível. Além das condições perfeitas, era surpreendente que do cadáver frequentemente emanava um perfume de flores, de orvalho ou de terra molhada. Em 1875, a igreja declarou que o estado do cadáver era um milagre e Isleta Pueblo se converteu em destino de perigrinação. Alguns acreditavam que tocar as vestes do padre tinha efeitos curativos.   

Nas décadas seguintes testemunhas relataram ter visto o fantasma de Padre Padilla rondando as dependências da igreja. Alguns disseram ter visto a figura vagando pelo jardim e pelo cemitério ao lado do templo. 134 anos depois do primeiro incidente, o franciscano francês Padre Anton Docher que cuidava da igreja, relatou ouvir batidas vindas do subsolo de Isleta Pueblo. O som persistente dos estrondos era tão incômodo que não o deixava dormir. Seguindo o ruído ele descobriu que este vinha do porão que fora coberto com tábuas de madeira. Os estranhos sons eram tão claros que ele decidiu chamar alguns homens para arrebentar as tábuas e escavar no lugar. Diz a lenda que durante os trabalhos, os homens localizaram várias ossadas desconhecidas, possivelmente pertencentes a um cemitério indígena que havia existido ali muito antes da construção da Igreja. Ainda segundo a lenda, a descoberta macabra desencadeou uma série de incidentes inexplicáveis e diabólicos. Passos eram ouvidos quando não havia ninguém, vozes, coisas se quebravam e incêndios começavam do nada.

Para piorar, Padre Docher e os operários envolvidos na escavação contraíram uma doença que lhes causou uma estranha gangrena e alucinações. Docher teria se curado depois de vivenciar um sonho no qual Padre Padilla lhe ensinou uma oração para exorcisar o templo da presença de espíritos malignos. Depois de liberar o templo, Docher e os homens se curaram miraculosamente.

A estória foi colhida pelo escritor John Nester, autor de livros sobre parapsicologia que nos anos 1920 tratou o fenômeno de Isleta Pueblo como um caso impressinante de atividade espiritual - mais tarde, o fenômeno foi reconhecido como um legítimo poltergeist

Docher, um nativo e John Nester
O fransciscano viveu até os 78 anos, e quando faleceu em 1928, foi enterrado na Igreja. Os restos de Padre Padilla foram depositados novamente no piso da Igreja que passou por uma reforma completa. Em 1969, o piso foi quebrado e um grupo de clérigos examinou a cripta atestando que não apenas o corpo de Padilla, mas também o de Docher estavam perfeitamente preservados. Não foram permitidos exames subsequentes nos restos ou a presença de testemunhas para corroborar o fato.

Alguns supersticiosos acreditam em uma curiosa Profecia que começou a se disseminar em meados da década de 1940. Segundo estes, se um dia o corpo incorruptível sepultado em Isleta Pueblo se deteriorar, o acontecimento marcará o nascimento do Anticristo e o início de seu reinado sobre a Terra. Aqueles que defendem a profecia acreditam que Padre Padilla em vida foi um Homem Santo, acometido por visões e premonições muitas delas incompreensíveis para um homem de sua época. Ele teria deixado documentos registrando suas visões a respeito dos dias negros da humanidade, as guerras mundiais, terremotos e tragédias. As passagens mais significativas falariam da vinda de um Inimigo de Deus. Apesar dos rumores, tais documentos jamais foram vistos e sua existência é altamente contestada.

Finalmente, há boatos de que autoridades eclesiásticas realizam visitas a Isleta Puebla em busca de qualquer sinal visível de deterioração no corpo. A cada década os cadáveres incorruptíveis seriam exumados: os trajes verificados e tudo passaria por um cuidadoso escrutínio. Em 2006, circularam boatos de que as autoridades descobriram sinais de deterioração, mas que tudo foi devidamente abafado para não causar comossão.

A Igreja nega veementemente essas estórias, mas desde 1928 o corpo de Padre Padilla não é visto publicamente.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Sad Satan - Jogo da deep web assusta e confunde usuários


Baseado nos artigos de Dave Gonzales (geek.com), Bernie Kriegstein (Reddit), Frank Dalmonte (Horror Weekend) e Patricia Hernandez (Kotaku)

Scoop de Luiz Felipe Vasques

A internet é um lugar vasto e desconhecido.

Os lugares onde nós interagimos diariamente são apenas uma pequena porção daquilo que está flutuando por aí. A web pode ir muito mais fundo, e a medida que você mergulha em suas profundezas abissais ela se torna cada vez mais escura.

Esta é uma daquelas estórias de internet que não tem uma solução. Tudo indica que ela não passe de mais uma daquelas bizarrices que escondem referências esperando alguem ter tempo e paciência para destrinchar e decifrar. Com um pouco de sorte (ou azar) ela se espalha e se torna viral.

A assim chamada "Deep Web" (Internet Profunda) é a internet que não está acessível através dos métodos de busca convencionais: escondida em diretórios confusos ou camuflada em canais de mídia social quase insacessíveis. Ela congrega tudo que está fora dos bancos de dados convencionais: servidores protegidos por senhas de segurança, websites e fóruns restritos onde acontece de tudo um pouco (ao menos dizem as lendas!) Compartilhamento de material proibido? Sim! Imagens e Filmes clandestinos sem censura? Com certeza! Material que normalmente jamais seria exibido? Pode apostar!

A Deep Web é o equivalente a uma terra sem lei, na qual tudo é permitido e onde tudo pode ser conseguido, desde que a pessoa conheça os caminhos, utilize os atalhos e evite as muitas armadilhas. As lendas contadas por quem acessou esse território selvagem relatam coisas medonhas proibidas na web: sites de pedofilia, sexo hardcore, escravidão, snuff movies, assassinos oferecendo seus serviços, endereços de clubes privados devotados ao canibalismo e outras coisas imensamente perturbadoras que é melhor nem falar a respeito.

Mas muito se fala a respeito e pouco se sabe. A despeito de coisas como a página Silk Road que negociava drogas através da deep web, a maior parte das coisas contidas ali não passa de lixo. Isso e muitas armadilhas para destruir o sistema e instalar virus nos visitantes desavisados. Vez por outra, entretanto, surge algo nos recessos da deep web que chama a atenção por ser especialmente bizarro. Essas coisas acabam escapando da aura de segredo que envolve a internet proibida e se convertem em lendas urbanas compartilhadas aqui e ali... Sad Satan é exatamente isso.



O site geek.com publicou recentemente um artigo a respeito do jogo Sad Satan (Satã Triste), um estranho jogo independente, com direito a videos e imagens. O resultado é algo... perturbador. Não que ele cause qualquer sensação além de estranheza, mas tem algo mais ali. Não sei explicar, é grotesco e muito sinistro em sua simplicidade... o tipo da coisa que você assiste sem muita convicção de que deveria fazê-lo e que se arrepende depois de uns instantes. Mesmo assim, continua vendo para saber onde vai terminar.

Quando um amigo enviou o link da postagem eu abri no trabalho e logo uns colegas cercaram minha mesa perguntando o que diabos eu estava asistindo. Expliquei por alto e um dos meus amigos já levantou decidido a ir embora, reclamando da vez em que passamos o "Squiddy Suicide" e ele detestou. Os demais, no entanto, quiseram saber mais e nesse espírito começamos a assistir os vídeos.

Mas antes, que tal mais alguns detalhes:

Segundo o site que publicou a estória, Jamie o dono de um canal chamado Obscure Horror Corner recebeu de um dos seus assinantes o link para acessar o tal jogo Sad Satan. Ele avisou que este poderia ser acessado apenas via deep web. Segundo Jamie, "encontrar o jogo foi complicado, os arquivos são todos codificados e você não tem certeza se já entrou até ele começar". Ainda segundo Jamie, o assinante que lhe enviou o link, um tal ZK o advertiu para ter cuidado com o jogo:

"É algo hipnótico... você se sente estranho jogando esse negócio. O tempo passa e você fica ali olhando e nada acontece... mas você se sente esquisito. Não dá para explicar!" escreveu ZK.

Jamie conhece bem a deep web, ele costumava explorar seus recessos em busca de materialpara seu canal. Sabendo que é melhor se precaver, ele fez o download do arquivo e rodou uma checagem de mallware para ver se não havia risco. Estranhamente o jogo não tinha nenhum programa hostil, algo raro nas trincheiras virtuais da deep web. Ele testou mais duas vezes e nada. Quando o jogo começou a rodar, Jamie deu início a gravação para exibir no seu canal do You-Tube.

Nas palavras de Jamie o jogo é uma daquelas coisas criadas para ferrar com a sua percepção (me vêm a mente o termo "mindfuck"). Não me entenda mal, nada acontece, mas você sente uma vibe negativa como se aquilo não fosse um passatempo sadio. 

Aqui vai a primeira parte: 



Boa parte do jogo se resume a isso, o jogador anda em um corredor escuro, parecido com um labirinto tendo como trilha sonora nada além dos seus passos. Apenas ocasionalmente o visual é alterado e interrompido por um flash momentâneo ou por uma fotografia esquisita.

Lá pelas tantas, o clima beira a monotonia, mas então surgem algumas luzes e a medida que se aproxima delas um som de estática acompanhado do que parece ser uma trilha de diálogo é ouvida. A voz vai se tornando um gorgolejar. O jogador continua andando, já que essa é a única coisa que se pode fazer. Eventualmente o corredor se abre em uma área mais confusa com uma linha amarela pintada no chão, como uma faixa de trânsito,

Os padrões de imagem se confundem e mudam novamente para algo preto e branco, parecendo o negativo de uma fotografia. O gorgolejo se torna um rosnado esquisito e o jogo parece estar preso, até que, finalmente uma fotografia em preto e branco surge repentinamente, ficando ali por dois segundos, antes de sumir.



A imagem mostra um sujeito no alto de uma escadaria ornamentada por várias galhadas de cervo nas paredes. No fundo da imagem, uma dessas galhadas repousa perfeitamente sobre a cabeça do sujeito quase como se os chifres se projetassem da cabeça. O efeito é no mínimo estranho.


Segundo rumores, a imagem é uma fotografia de Knopiste, uma cabana de caça localizada na República Tcheca. Este lugar era usado pelo Arquiduque Franz Ferdinand, o último governante do Império Austro-Húngaro, um ávido caçador cujo assassinato em 1914 deflagrou a Primeira Grande Guerra. O homem fotografado seria Franz Joseph, o nono Príncipe de Thurn, um amigo íntimo do Imperador que lutou em ambas as Guerras Mundiais ao lado dos Alemães e morreu na década de 1970. Essa fotografia supostamente foi usada pelos seus desafetos como uma prova de seu interesse em ocultismo e feitiçaria, algo que jamais foi provado. Joseph negava que o efeito dos chifres tivesse sido proposital.

Quando a imagem desaparece, o jogador retorna ao maldito corredor onde se vê obrigado a continuar andando.  Mais adiante, surge uma segunda imagem, tão inesperadamente quanto a primeira:




A fotografia é de Jimmy Savile ao lado da Primeira Ministra Margaret Thatcher promovendo um evento da National Society for the Prevention of Cruelty to Children (NSPCC - algo que pode ser traduzido como Sociedade Nacional de Prevenção a Crueldade contra Crianças). A foto é incrivelmente irônica uma vez que Savile foi acusado de inúmeros estupros e de atentado grave ao pudor. Em 2011 ele foi processado por 216 crimes de natureza sexual, praticados entre os anos de 1955 e 2009, chegou a ser preso mas morreu logo em seguida. O sujeito era tão famoso na Grã-Bretanha apresnetando programas de auditório, que muitos não conseguiam acreditar no seu envolvimento nesses crimes, apesar das centenas de acusações.

Não está claro qual o significado essa fotografia, mas da mesma maneira que a primeira, ela desaparece poucos segundos depois.   

Alguns dias depois dessa primeira parte, Jamie postou o segundo vídeo sobre suas experiências jogando Sad Satan:


Segundo Jamie essa segunda parte é ainda mais bizarra, com uma fotografia do ex-presidente americano John Fitzgerald Kenedy tirada poucos minutos antes dele ser assassinado em 1963. Não demora muito, aparece uma segunda foto, a famosa imagem do “Sabbatic Goat” (Cabra do Sabá) desenhada por Eliphas Levi para representar Baphomet.

Há também alguns diálogos confusos sendo proferidos de trás para frente, bem como propagandas de estações de rádio servindo com uma mistura de áudio atmosférico. Esquisito realmente, mas não especialmente bizarro...

Mas é claro, o pior ainda está por vir.



O trecho mais bizarro dessa segunda parte é que na metade do vídeo podemos discernir formas de crianças que também parecem presas no labirinto. Essas crianças não interagem com o jogador, apenas ficam paradas observando ou andando à esmo pelos corredores em preto e branco.


Jamie chamou a atenção para o fato dessas "crianças" serem diferentes contando com características físicas borradas, mas ainda assim capazes de serem discernidas umas das outras. Segundo ele, há pelo menos oito dessas figuras sinistras ao longo desse trecho do jogo.

Ocasionalmente uma tela branca surge como um flash em lugares randômicos. Cada vez que essa tela aparece é possível ver trechos escritos usando a fonte wingdings. Um usuário do Reddit conseguiu decifrar esses símbolos que resultaram nas seguintes combinações de palavras/frases:

S2FZnyO

De cima para baixo temos as seguintes frases/palavras: "Eu posso rastrear você", "Boa sorte", "Você está sozinho", "Enterrado", "Mate, Mate e Mate novamente", "Você está na minha lista", "5 vítima", "Salve 666" "Pessoas Tristes Morrem".

Jamie jogou Sad Satan por tempo suficiente para conhecer os caminhos e depois gravar as sessões nos vídeos que acompanham essa postagem. Jamie contou que acabou apagando o jogo por achar que ele não levaria mais a lugar algum. Ele escreveu logo após fazer o upload do segundo trecho:

"É uma sensação estranha jogar essa coisa. Assistir apenas, não é nem metade do que senti jogando. Eu apenas andava de um lado para o outro na tela e o personagem parecia ser teleportado para diferentes lugares. Nada acontecia, mas mesmo assim eu sentia uma sensação estranha e enervante. Eu não acho que o jogo tenha terminado ou que ele tenha simplesmente travado, mesmo assim decidi apagar do meu computador".

Jamie contou que quando postou as duas primeiras partes do vídeo em seu canal, esperava que alguém conseguisse dar mais informações a respeito dele e de seu propósito. Será que o programador simplesmente não havia terminado o jogo? Ou ele havia atingido um beco sem saída?

Passaram-se dois meses até que Jamie decidiu tentar novamente. 

"Eu estava curioso. Não estava particularmente ansioso para voltar a jogar, mas imaginei que a coisa havia ficado pela metade. De certa forma eu queria entender o jogo", ele escreveu.

Demorou algumas semanas para que ele conseguisse ganhar acesso ao jogo. O método de entrada e a senha de ZK. haviam expirado e o jogo não reconhecia as tentativas de Jamie de entrar no sistema e jogar novamente. Parecia que Sad Satan não o deixaria brincar novamente, pois a cada tentativa um malware o repelia.

Mas foi então que algo curioso aconteceu: Um dos leitores do canal enviou um novo link de acesso para jogar. Ele não escreveu nada na mensagem, simplesmente passou o link adiante e assinou de maneira criptica: "Boa Sorte" (vai precisar)"

Quando jogou novamente, Jamie conseguiu passar do ponto em que havia parado originalmente e gravou a terceira parte vista abaixo:



Este terceiro vídeo se assemelha aos demais, mas inclui um monólogo famoso gravado na Prisão de San Quentin em 1980, com a voz do assassino Charles Manson concedendo uma entrevista a rede de televisão NBC.

O jogador é forçado a ouvir um trecho realmente longo dos devaneios egocêntricos de Charles Manson, o assassino hippie que comandou um grupo de jovens a praticar chacinas na Califórnia em 1969. Manson, o líder da Família coordenou uma série de ataques a mansões, pretendendo com isso dar início a uma Guerra Racial entre Brancos e Negros, desencadeando o Helter Skelter, que anteciparia o Fim do Mundo. 

Uma frase chave em determinado momento começa a se repetir sem parar:  "If I started murdering people, there’d be none of you left". (“Se eu começasse a matar as pessoas, não restaria nenhum de vocês").



Mais adiante uma lanterna aparece na tela e as palavras "Suffering Doesn't End" (O Sofrimento não tem Fim) aparece na tela. 

"Além desse ponto as coisas ficam ainda mais esquisitas", escreveu Jamie. Além do monólogo de Charles Manson e dos trechos sob a lanterna o som vai se tornando mais distorcido e é possível identificar que há vários trechos curtos tocados de trás para frente.

Esse era um truque muito comum nos antigos discos em vinil, no qual supostas mensagens secretas eram inseridas nas músicas e só podiam ser ouvidas quando o disco era tocado de trás para frente. Uma das músicas mais famosas por alegadamente conter mensagens satânicas ocultas na faixa é "Stairway to Heaven" do Led Zeppelin. 

Ouvida da forma normal, o trecho diz o seguinte:

"If there’s a bustle in your hedgerow, don’t be alarmed now, it’s just a spring clean for the May queen. Yes there are two paths you can go by, but in the long run there’s still time to change the road you’re on."

[Traduzido como: "Se há alvoroço em sua horta, não fique assustada. É apenas limpeza de primavera da Rainha de Maio. Sim, há dois caminhos que você pode seguir, mas na longa estrada, há sempre tempo de mudar o caminho que você segue".]

Na época do lançamento, as pessoas tocavam esse trecho de trás para frente e segundo alguns obtinha-se a seguinte mensagem:

"Oh here’s to my sweet Satan. The one whose little path would make me sad, whose power is satan. He’ll give those with him 666, there was a little toolshed where he made us suffer, sad Satan."

[Oh aqui está para meu doce Satã. Aquele cujo pequeno caminho irá me deixar triste, cujo poder é Satã. Ele irá dar para aqueles com ele 666, há um pequeno depósito onde ele nos faz sofrer, triste Satã".]

Aqui estão os trechos:



Não parece fazer o menor sentido, mas na década de 1970, quando Stairway to Heaven foi lançado e se tornou um grande sucesso, o trecho causou muita controvérsia. É claro, o fato de Jimmy Page, um dos membros da banda britânica se identificar como ocultista serviu para inflamar ainda mais as suposições. Page chegou a comprar a Mansão de Boleskine que pertenceu ao notório místico Aleister Crowley e lá supostamente realizou uma tentativa de invocar seu espírito.

Seria isso apenas uma coincidência ou o título Sad Satan (Triste Satã) tem algum significado na conclusão do jogo?

Seja qual for a resposta, Jamie decidiu apagar o jogo depois de atingir esse novo beco sem saída: 

"Não há como passar desse estágio, a imagem simplesmente fica estática e não há o que fazer... eu já tentei de tudo e não há solução. Eu imagino que deve ser um defeito no jogo, mas não sei ao certo", disse ele alguns dias depois de publicar o terceiro vídeo em seu canal.

Jamie acredita, no enatnto, que o responsável pelo jogo (seja lá quem for) deverá em breve arrumar o problema permitindo assim continuar o jogo. Mesmo assim ele deixou claro que não quer mais jogar Sad Satan: 

"Eu perdi a vontade de jogar essa coisa. Totalmente! É algo desagradável. Quando joguei, queria chegar ao fim e ver o que acontecia, mas o jogo não faz bem... pode parecer bobagem, mas eu me senti incomodado enquanto jogava e não gostei nada da experiência. É algo enervante... Não recomendo a ninguém fazê-lo".

Os boatos a respeito de Sad Satan se espalharam rapidamente depois da terceira parte do vídeo ter sido publicada. Supostamente uma quarta parte teria sido colocada no ar, com progressos feitos por um outro jogador. O vídeo de baixa qualidade teria sido removido por conter elementos bizarros excessivamente perturbadores. 

Como não poderia deixar de ser, algumas pessoas parecem interessadas em criar toda uma Lenda Urbana ao redor do jogo "Sad Satan". O rumor mais recente é que o trecho final é tão tenebroso que motivou o massacre em uma Igreja na cidade americana de Charleston, no qual nove pessoas (todos afroamericanos) foram assassinadas. O matador, um extremista branco chamado Dylann Roof foi capturado logo após o tiroteio. Ele teria agido sob algum tipo de influência diabólica contida nas imagens da sequência final do jogo que ele assistiu dias antes da tragédia.

Provavelmente tudo isso não passa de um boato infundado, mas em se tratando de deep web, está longe de ser o mais estranho já ouvido...

quarta-feira, 1 de julho de 2015

True Detective Recap - Episódio 2 - "Night Finds You"




















E aqui vai o recap do segundo episódio de True Detective, que tem o título "Night Finds You" (A Noite encontra você).

Como sempre teremos uma enorme dose de SPOILERS, sendo assim, para quem não assistiu talvez seja melhor ler isso mais tarde. De qualquer maneira, esteja avisado que teremos:


Que tal irmos direto ao que importa?

Quem assistiu o episódio sabe qual foi o ponto alto então vou começar pelo final: Que diabo de cena final foi essa?

Eu nem percebi o que ia acontecer e quem disser que imaginou que esse seria o final do episódio dois está inventando. Quer dizer, Ray Velcoro leva não apenas um, mas dois tiros de uma espingarda 12 à queima roupa. Diante de tudo isso, não dá para imaginar que o cara tenha sobrevivido, ou será que dá?

A pista não parecia ser nada de mais. O detetive Velcoro estava investigando uma casa usado como lugar de encontros por  Ben Caspere, com direito a câmeras atrás de espelhos, cama redonda e máscaras de animais na parede. Nós já havíamos visto uma casa semelhante no episódio anterior e sabíamos que o funcionário corrupto era sexualmente... ousado.

Até aí tudo bem, Ray vasculha o lugar enquanto um rádio ligado num volume absurdo berra para as paredes vazias. O título da música, "I pity the fool" (Eu tenho pena do idiota!) parece um aviso de que algo ruim está para acontecer. Ele abre uma porta, abre outra e nisso, um vulto escuro passa por trás dele. Até aí, parecia apenas que Ray teria de descer a mão em algum suspeito, mas então: Surpresa!


A figura aparece atrás dele, usando a máscara de corvo que supostramente pertence ao assassino de Caspere. Pior ainda, o sujeito está com uma espingarda. Antes da gente poder respirar: BOOOM! Velcoro voa com o tiro e cai no chão. O assassino recarrega e se aproxima, aponta para a barriga do detetive inerte e BOOOOOM! Outro balaço. Vemos a entrada da casa, a câmera se afasta lentamente... fim.


Que diabo de final de episódio é esse?

O que se pode imaginar é que Ray Velcoro, um dos personagens centrais nessa segunda temporada está morto. Isso a não ser que o assassino tenha usado uma arma carregada com munição não-letal ou sal grosso. Mas revendo a cena, tudo indica que não é o caso. Mas se Velcoro dançou, o que isso significa para a investigação e para a série?

Os espertos de plantão devem ter corrido no IMDB e já sabem que Colin Farrel, o ator que interpreta o detetive que estávamos aprendendo a gostar, foi contratado para a temporada inteira e que ele tem participação nos oito episódios. Isso quer dizer então que ele não morreu? perguntariam os esparançosos. Teria ele sobrevivido ao atentado? Ele estaria vestindo um colete à prova de balas? Será que o restante da temporada veremos Velcoro apenas em flashback? Ou quem sabe numa cama de hospital?

Nessa altura do campeonato não tem como dizer. Existem penas duas certezas: O próximo episódio será imperdível - até para saber o que raios aconteceu. A outra é que em True Detective ninguém está à salvo nem mesmo os protagonistas.

Desde o início do episódio, os sinais estavam lá. Nas primeiras cenas Ray já havia deixado claro que "aceita os julgamentos". O que nem ele, e muito menos nós, podíamos esperar é que o julgamento viria tão cedo. O segundo episódio já havia confirmado o que foi sugerido antes: que Ray de fato usou a informação dada por Frank para achar e matar o homem que havia estuprado sua esposa anos atrás. Houve ainda mais uma cena deprimente no bar onde Velcoro e Frank se encontram. Lá o detetive deixa implícito que contemplava o suicídio como uma opção válida, afirmação corroborada para a garçonete (com uma baita cicatriz na face!), quando ele diz que "a única maneira dele conseguir tirar férias será depois de morto". 

Essa cena final carregada de surpresa deu nova vida a um episódio que comparativamente ao primeiro, teve um desenvolvimento bem mais lento. Não que tenha até então ele fosse um desapontamento, mas obviamente o ritmo estabelecido na estréia diminuiu.


Mas que tal falarmos do início do episódio? Logo na primeira cena temos Frank deitado na cama com a sua mulher, Jordan, dicutindo o surgimento de uma estranha mancha no teto do quarto de casal. A imagem faz com que Frank tenha um deja vu de sua infância, quando ele vivia em Chicago sob a tutela de seu pai que "gostava de sair para beber" e quando o fazia "trancava o pequeno Frank no porão da casa". A medida que Frank vai relatando a mórbida estória de quando seu velho o "esqueceu" no porão e ele teve que lidar com a fome e a presença de roedores, a gente experimenta uma agonia quase paupável.

A cena dura três ou quatro minutos, um monólogo longo mas que acrescenta muitas facetas à personalidade do gangster que nesse episódio desponta como o fio condutor da trama. Se alguém tinha ainda algum resquício de desconfiança de que Vince Vaugn - um ator marcado pelos papéis de bobão em comédias idiotas, era a melhor opção para uma série dramática como True Detective, essa cena serviu para mostrar que ele está muito à vontade. Enquanto ele usa metáforas a respeito de um mundo falso feito de papel maché e as lembranças de um garotinho apavorado num porão infestado de ratos, fica a sensação de ouvirmos novamente um dos monólogos niilistas de Matthew McConaughey em seus momentos mais abrasivos.

A cena termina de maneira muito eficiente com as manchas no teto sobrepostas às órbitas vazias dos olhos de Ben Caspere. 


O cadáver foi levado para o consultório do legista que já fez alguns testes preliminares. O cadáver foi dopado, pendurado provavelmente de cabeça para baixo, os olhos foram queimados com ácido e os genitais foram removidos com um disparo de espingarda (ouch!). Temos até uma imagem rápida e medonha do sujeito transformado em um boneco Ken.

A cena seguinte, na qual os três detetives Paul, Ani e Ray se organizam é meramente procedimental. Nela, temos os superiores dos três decidindo quem vai ficar á frente da investigação, já que é um crime com confusão de jurisdição. Teoricamente, os trê sdetetives estão do memso lado, tentando descobrir quem teria praticado essa atrocidade, mas logo fica claro quecada um deles precisa obedecer a uma agenda mais importante e às ordens de seus superiores. Num primeiro momento, Paul é colocado de lado, dando mais espaço para Ani e Ray interagirem em viagens de carro nas quais Ani tenta discutir o caso mas é cortada à todo momento por Velcoro interessado em falar de outras coisas - como sua opinião gabaritada a respeito de cigarros eletrônicos. Há espaço de sobra também para uma discussão sobre as diferenças sexuais entre detetives e homens e mulheres, na qual Ani deixa claro que não leva desaforo de ninguém para casa.


Melhor do que essa sequência é outro encontro entre Ray e Frank, no qual fica claro que o indivíduo mais comprometido com a investigação não são os detetives, mas o gangster. Caspere antes de morrer deu um bruta desfalque nas finanças de Frank e ele precisa correr contra o tempo para recuperar seus investimentos. Ao longo do episódio vemos Frank fazendo o trabalho sujo, algo bem distante do jogo de bajulação e conversa fiada em que ele estava metido durante a festa de apresnetação de seu projeto. Minha teoria é que Frank, na melhor tradição do bandido que tenta se regenerar e legalizar seus negócios, terá de encarar a possibilidade de voltar ao mundo do crime para reaver o que é seu. Se alguéme stá fazendo o papel de detetive nesse primeiro momento é ele, sozinho, ele consegue descobrir mais do que os outros departamentos.

O que nos leva a Paul que fica meio alheio ao procedimento investigativo, quase como um peixe fora d´água. O negócio dele é andar de moto pelas estradas e ele muito a contra gosto aceita assumir um papel na investigação, apenas diante da possibiliadde de posteriormente voltar a atuar como patrulheiro. 

Um tanto quanto desinteressado do caso, Paul acaba brigando com a namorada e vai em seguida visitar a mãe. O que nos leva a mais uma sequência que parece ter sido extraída de um pesadelo edipiano. Enquanto conversa com a mãe (aquilo era um herpes na boca dela?), ele tenta evitar qualquer contato com ela, embora a mulher não canse de tentar encostar nele de maneira quase compulsiva. Ela também menciona duas vezes que ele pode ficar no seu antigo quarto o que faz ele reagir imediatamente no sentido de dar o fora dali. A cena inteira parece propositalmente desagradável e o personagem fica absolutamente incomodado. Desde o início ficou claro que Paul tem algum problema sexual, algo sobre o qual ele não quer falar e que pode ter ligação direta com seus dias trabalhando para a Companhia Black Mountain, mas também é possível que sua personalidade e sua disfunção tenha origem na sua relação com a mãe. Incesto? Pode muito bem ser uma possibilidade...


Mas há algo mais... desde o início, o comportamento do patrulheiro sinaliza que ele é um homesexual enrustido que não apenas vive, mas se tranca no armário. A disfunção (tratada com uma inconfundível pílula azul) e a expressão de descontentamento diante das investidas da namorada deixaram claro que há algo no ar. Logo no início do episódio dois ele conta uma anedota para o parceiro de Velcoro sobre um "veado" que se atira em cima dele e mais tarde percebemos os olhares de curiosidade que ele lança para um rapaz que aborda motoristas na estrada. Não houve nada direto, mas os indícios apontam na direção de que os problemas de Paul estão no reino da auto-rejeição.

Enquanto isso, temos a melhor cena de Velcoro - excetuando a última, na qual ele encontra a ex-esposa e tem uma daquelas horríveis conversas na qual ela ameaça afastar o filho dele. Colin farrel alterna momentos de raiva borbulhante ("Eu vou queimar essa porar de cidade até o chão antes de você me afastar dele") e de angústia (quando ela ameaça exigir um exame de paternidade). O sujeito parece à beira de um colapso nervoso.

Voltando a investigação, Velcoro e Ani fazem uma visita ao sinistro psiquiatra que examinava Caspere, um tal Dr. Pitlor que mais parece um clone de Doctor Ray. É impossível evitar um arrepio quando os dois detetives passam em frente aos quartos com os pacientes do Doutor e encontram um destes com marcas de cirurgia. Que tipo de intervenção cirúrgica Pitlov realiza em seus pacientes e com qual objetivo. A clínica aliás, lembra um daqueles lugares assombrados em que pacientes são submetidos a experiências e tratamentos nada ortodoxos. O lugar tem uma aura de limpeza e esterilização, algo que soa estranho e perturbador. Não é apenas a expressão vazia do médico ou sua voz em tom monórdio, é algo mais, há algo positivamente creepy nesse sujeito. 

Eu adoraria vê-lo em outros episódios e descobrir que ele tem uma participação importante na trama do assassinato. De qualquer maneira, é sugerida uma ligação entre Pitlor e o pai hippie da detetive Bezzerides, os dois teriam trabalhado em algo chamado Good People nos anos 1970. 


Ani não consegue esconder sua repugnância diante dos comentários do médico sobre sua participação nesse programa no qual várias crianças acabaram mortas ou com sérios problemas psicológicos, sendo que uma delas se tornou uma detetive (ela própria). O que será essa comunidade Good People? É provável que ainda ouviremos falar a respeito do pai de Ani e das suas teorias birutas envolvendo religião. Eu torço para que o tal Instituto esteja diretamente ligado a morte de Caspere pois a partir dele seria fácil haver um componente de culto ou seita na trama. A segunda temporada de True Detective até pode não ter um elemento claro de ocultismo tão óbvio quanto o da temporada anterior (onde tinhamos o Rei Amarelo), mas se não existir nada místico nessa estória seria um baita desperdício. Tudo no roteiro cheira a ocultismo e bizarrice, seria uma pena, se na resolução do caso não houvesse nada nesse sentido.


Com o episódio se encaminhando para um final meio morno, faltava um cliffhanger para atrair os espectadores para a semana que vem e essa conclusão com direito a dois disparos de espingarda foram sem dúvida o ponto alto do capítulo. 

Agora é torcer para a semana passar rápido...

PISTAS, INDÍCIOS E SUSPEITAS NO SEGUNDO EPISÓDIO:

1) A Vida estranha de Ben Caspere


O psicanalista Dr. Pitlov fala sobre as estranhas preferências de seu paciente Ben Caspere. Já havia ficado claro que Caspere tem um gosto sexual peculiar pelo que vimos na decoração da casa onde ele desapareceu... mas os detalhes supridos pelo Dr. Pitlov só corroboram que há algo mais estranho no comportamento dele.

Segundo o médico o sujeito era um viciado em sexo que "gostava de observar". Curiosamente os olhos do sujeito foram mutilados e seu pênis explodido com uma espingarda.  Tudo aponta para o fato desse assassinato ter sido cometido por alguém que odiava o sujeito e que desejava machucá-lo ao invés de simplesmente executá-lo.

2) A Misteriosa Srta. Tasha

Lá pelas tantas descobrimos que Ben Caspere era visto na companhia de uma prostituta chamada Tasha. Faz um bocado de sentido que ele andasse na companhia de profissionais do sexo, já que Caspere parece ser viciado em mulheres como explicou o médico.

Ficamos sabendo ainda que Caspere tinha um comportamento passivo em seus relacionamentos, no que a edição permite um corte pra lá de estranho para uma escultura na mesa do médico, com destaque para uma pedra com um furo no meio. Que diabo foi isso? Repara só na cena, se voc|ê piscar de repente perde ela...


Quem seria a tal Tasha? O nome não parece ser falso, será que veremos uma possível ligação da irmã de Antigone com o caso? A maneira como ela buscava obsessivamente as páginas de sexo na internet dão a entender que Ani ficou de alguma forma perturbada pelo componente sexual no caso.

3) As Máscaras na Parede da Casa de Caspere

Talvez seja apenas uma coincidência, maaaaaaaas não se pode desconsiderar nada em True Detective.

As estranhas máscaras na casa de Caspere remetem diretamente às máscaras usadas pelos cultistas do Rei Amarelo na primeira temporada.



Será que é apenas um "red herring" ou haveria alguma conexão entre as histórias? Acho be difícil que haja essa relação direta, mas quem pode dizer ao certo?