domingo, 20 de outubro de 2019

O Ataque dos Homens Mortos - Uma história aterrorizante da Grande Guerra


Não faltam histórias estranhas e narrativas arrepiantes a respeito da já centenária Grande Guerra (1914-1918), episódio histórico que definiu boa parte do mundo como conhecemos hoje.

A Primeira Guerra trouxe o horror do conflito em Escala Industrial, no qual armamentos novos e mortais, táticas antiquadas e um número elevado de envolvidos, contribuíram para desencadear uma tragédia sem precedentes. Entre as armas mais abomináveis empregadas com pioneirismo nos campos de batalha estava uma que se tornou sinônimo de terror; o Gás Venenoso.

Um dos mais perturbadores combates da Grande Guerra aconteceu na Batalha da Fortaleza de Osowiec, no Oeste da Polônia, onde tropas alemãs enfrentaram o mais próximo de verdadeiros mortos vivos.

Era 6 de agosto de 1915 e a guerra estava em seu primeiro ano, com a estagnação que marcou todo conflito já instalada. Com as linhas de frente traçadas, os combatentes permaneciam uns diante dos outros em suas trincheiras, avançando e retrocedendo, ganhando apenas alguns metros que não faziam muita diferença.

No front oriental, os alemães estavam na ofensiva; enfrentavam tropas russas e polonesas que empreendiam uma ferrenha resistência. A defesa se concentrava num antigo forte medieval chamado Osowiec que protegia a entrada de um vale e impedia a invasão dos soldados do Kaiser. Os russos tinham cerca de 900 homens dentro da fortificação, sendo que a maioria deles eram civis que receberam armas e a missão de defender o local. Da posição que ocupavam eles conseguiam perceber a aproximação dos alemães e disparar de um ponto vantajoso. A tática de aguardar e repelir os avanços estava dando resultado e o forte se mantinha inconquistável passados oito meses.


O Comando alemão decidiu então concentrar seus esforços na tarefa de tomar o forte a todo custo. Preparou para isso um assalto pesado. Foram destacados nada menos do que 14 batalhões de infantaria, com sapeiros e artilharia pesada - os temidos canhões Big Bertha do Exército que disparavam os maiores projéteis da época. O objetivo era reduzir a fortaleza à pó e remover esse obstáculo inconveniente.

Os alemães iniciaram o bombardeio e mantiveram uma barragem constante fazendo cair sobre a cabeça dos russos bombas e explosivos. Ainda assim, quando avançavam tentando tomar o forte encontravam homens no alto das muradas prontos para alvejá-los. Por dias, a situação continuou indefinida, com os alemães usando artilharia, mas com os russos mantendo a defesa sem permitir a conquista da posição. Os defensores usavam criptas subterrâneas para se proteger e ficavam escondidos durante os bombardeios, em túneis escavados na rocha.

Finalmente, depois de semanas, os Generais alemães se enfureceram com o revés. Sentiam-se humilhados pelo pequeno contingente capaz de deter batalhões inteiros. Decidiram que precisariam usar a mais temida arma de seu arsenal, o Gás Venenoso. Uma combinação de duas substâncias foi escolhida para ser lançada sobre os russos, o Brometo e o Gás Clorídrico. O Brometo é por si só um componente que causa irritação nas vias respiratórias, mas não chega a ser mortal, contudo, quando combinado com o Gás de Cloro eles formam uma combinação letal. Juntos, viram ácido hidro-clorídrico reagindo dentro do corpo da vítima. Literalmente, no momento que o gás é aspirado, ele reage com a umidade natural do pulmão e se transforma em uma substância que queima a carne e as membranas internas. A vítima morre de dentro para fora. O terror desse cocktail letal não para por aí, afetando as demais mucosas, ele fustiga os olhos, podendo deixar a vítima permanentemente cega, faz o nariz sangrar em profusão e cobre a boca de doloridas feridas.


Contudo, é o sistema respiratório que mais sofre com a ação. As mucosas pulmonares tem uma grave deterioração e começam a dissolver. Com sorte, a vítima morre rápido, afogada em seu próprio sangue que transborda para os pulmões. Poucos minutos são fatais, mas aqueles apenas parcialmente expostos, podem sofrer por semanas com os efeitos danosos. Com a capacidade respiratória reduzida, morrem após uma prolongada agonia.

Os alemães sabiam que o gás teria sucesso em remover os russos e poloneses. O serviço de espionagem havia colhido a informação que seus inimigos não dispunham de máscaras de proteção contra gás. Os russos tinham apenas máscaras de pano, pouco eficazes contra a combinação química.

Os componentes foram colocados em projéteis de artilharia e disparados a alguns metros da entrada do forte. Quando uma nuvem esverdeada se ergueu no campo repleto de crateras de explosões, os homens na murada entenderam o que aquilo significava. Muitos correram para se proteger no interior dos túneis. Outros usaram as máscaras de pano encharcadas com água para tentar respirar, mas isso não os salvou. Alguns em meio ao desespero usaram até mesmo urina para molhar as máscaras, pois acreditavam que tal coisa pudesse bloquear os efeitos.


Os homens começaram a tossir e engasgar, cegos e aterrorizados, muitos deles vomitavam torrentes de sangue. 

Os alemães esperaram alguns minutos e então enviaram um grupo com máscaras para verificar os resultados do ataque. Eles acreditavam que encontrariam apenas corpos se contorcendo e cadáveres, mas ao invés disso se depararam com algo mais bizarro. Haviam sim soldados cobertos de sangue, sujos de vômito e urina, cuspindo pedaços de seus próprios pulmões, mas ainda estavam vivos e dispostos a lutar. As queimaduras químicas afetaram os soldados e os deixaram com uma aparência dantesca. Para os soldados alemães incumbidos de entrar no forte era como se os portões do inferno tivessem sido abertos, vomitando uma legião de mortos vivos furiosos.

As ordens dos russos e poloneses era manter posição até o fim. Mas ao invés disso, os homens sabendo que iriam morrer, fizeram aquilo que era menos provável: contra-atacaram. Os alemães não esperavam um ataque e muitos que estavam simplesmente aguardando nas trincheiras, comendo ou descansando, foram surpreendidos pelo avanço de uma coluna de moribundos possuídos. O avanço desabalado ficou conhecido como O Ataque dos Homens Mortos, pois era exatamente isso que eles pareciam.

De acordo com algumas fontes, menos de 100 homens tomaram parte do ataque, mas a visão daquela cena foi o suficiente para atingir os alemães em cheio. Ninguém esperava ter que encarar tal pesadelo. É possível que a visão dos resultados do gás tenha causado um dano psicológico nos soldados, pois a maioria daqueles homens jamais haviam presenciado o uso do gás. Naturalmente temiam que aqueles expostos a ele pudessem transmitir seus efeitos. Em uma palavra, ficaram aterrorizados.


Os alemães começaram a debandar em massa, retrocedendo sem olhar para trás. Abandonando suas posições, muitos ficaram presos no arame farpado ou esqueceram de campos minados. Os russos não pararam e continuaram perseguindo o batalhão horrorizado. Há relatos de que alguns gargalhavam e gritavam, talvez pelo efeito que os devorava internamente, mas o fato é que aquilo acrescentou ainda mais terror à investida.

Pode parecer improvável que 100 homens prestes a morrer conseguissem colocar para correr mais de 7 mil. Mas é isso que diz a história... A 226a Infantaria Russa, chamada de Regimento Zemlyansky entrou para a história, mas um nome se destacou em meio aos demais, o sub-tenente Vladimir Kotlinsky. Ele não era o oficial de maior graduação, mas foi quem deu a ordem de contra-atacar.

Sua missão não tinha esperança de sucesso, mas os homens sob seu comando decidiram que lutariam até o último fôlego e tombariam em combate. Kotlinsky morreu durante a investida, dizem que gargalhava e brandia numa mão uma pistola e na outra uma pá com a qual golpeava os inimigos em fuga.    

Após o ataque, nenhum dos soldados russos e poloneses sobreviveu. Segundo os cálculos, além dos que participaram da investida, outros 350 homens foram encontrados mortos dentro do forte e cerca de 100 nos túneis abaixo da fortaleza. Curiosamente após o ocorrido, a Fortaleza acabou sendo destruída com cargas explosivas. O comando alemão não desejava usar as instalações depois do ocorrido e os próprios soldados detestavam a ideia de ficar ali dentro. Logo rumores se espalharam - boatos de que os russos haviam levantado dos mortos para defender o forte.


O Ministério da Guerra Alemão tentou censurar as histórias sobre soldados mortos vivos, mas como impedir que tamanho rumor fosse compartilhado? Além das histórias, o lugar se converteu numa espécie de Terra Devastada, com a grama se tornando negra e as folhas das árvores amareladas e ressecadas. Objetos de metal ficavam oxidados, incluindo armas, fragmentos de bombas e veículos. Tudo parecia coberto por uma camada de limo esverdeado. Uma das explicações oficiais para o incidente é que a concentração de gás foi mal calculada e isso permitiu que alguns homens resistissem aos seus efeitos por mais tempo. Nunca saberemos ao certo... 

Os alemães abandonaram as ruínas da Fortaleza e seguiram em frente invadindo a Polônia, mas logo a Guerra iria empacar novamente e uma nova Terra de Ninguém iria se desenhar. 

A Conquista da Fortaleza foi celebrada pelos alemães como uma grande vitória, todavia, havia pouco a comemorar. Os russos por sua vez aproveitaram a História de Coragem de seus homens para contagiar os demais. Todos soldados que combateram na Fortaleza ganharam comendas por bravura e o sub-tenente Vladimir Kotlinsky foi postumamente agraciado com a Medalha da Ordem de São Jorge, uma das mais importantes condecorações da Rússia czarista.

Apesar da derrota, os russos não esqueceram do ocorrido. Músicas e adaptações da história foram escritas. Uma canção tradicional com o título "Os Russos jamais se rendem", se tornou muito popular e passou a ser cantada pelos soldados para motivá-los. Infelizmente após a Revolução de 1917, a música foi censurada pelos bolcheviques que não queriam os soldados do regime anterior sendo admirados. Ainda assim, a canção podia ser ouvida nos campos da Segunda Guerra, quando os russos precisavam acreditar que era importante jamais se render.


A Canção tinha a seguinte letra:

Dezenas de soldados russos fariam a diferença.

Eles não aceitariam seu destino

Queimados até os ossos

Eles correram para a Batalha

A medida que o inimigo fugia 

O medo os contaminava

Aqueles que viam

O Ataque dos Homens Mortos


A Banda Sabaton compôs um álbum temático só a respeito da Grande Guerra e dedicou uma música ao acontecimento. 

É claro, o nome não poderia ser outro além de "O Ataque dos Homens Mortos".


quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Dangerous Books - Editions of the Malleus Maleficarum with Mythos Lore


In his work, H.P. Lovecraft never quoted the Malleus Maleficarum, the infamous Witch Hunters Manual. He probably considered the book of no practical use in the Mythos Universe. A staunch materialist like Lovecraft would never validate religious beliefs and practices that he had see as an anachronistic nonsense of a dark time. Therefore, the things described by the authors of the Der Hexenhammer would be no more than mere superstition and ignorance.

However, one of the central ideas in the Mythos universe is that in their inability to understand the alien nature of these creatures of cosmic power, some would interpret them in the light of known beliefs. Such beings could be pictured in mythologies, particular belief systems, and religions, often as demons to be avoided, feared, and fought against.

It seems perfectly reasonable to assume that an important book such as the Malleus Maleficarum had received attention not only from witch hunters, but from people who dealt with the threat of Cthulhu's Mythos. It is likely that in this context there were apocryphal works from the original treatise written by Kramer and Sprenger, books that would address specific aspects of an even more pernicious evil than Witchcraft and Black Magic.

The core book of Call of Cthulhu RPG briefly mentions this abominable tome, but this can be considered the simple version of the book found in bookstores, libraries, or even on the Internet. Horrible as it may be, readers don't suffers sanity loss when flipping through your pages.

However, when the words of witch hunters mingle with ancient mythos lore, things change.

The following are some misleading versions of Malleus Maleficarum that refer to Mythos and can be interpreted as books of profane Knowledge, if not in full, at least in part.

For practical purposes, I used the statistics stats from the Cthulhu 7th Call books and tomes.

MALLEUS MALEFICAR
in German and Latin, author unknown, c. 1499

Sanity Loss: 1D4
Myhos de Cthulhu: +2/ +4 percentiles
Mythos Rating: 6
Study: 3 weeks
Suggested Spells: Contact Deity Nyarlathotep (in the form of the Black Man)

One of the first revisionist adaptations of the original manuscript, this unique volume has about 180 additional pages. The title was changed to "Malleus Maleficar" probably as part of the revision or maybe a grammar error.

The binding is from the late fifteenth century, a typical work of German printers in the city of Speyer in central Germany.

Additional pages mention details about the Black Man, a powerful avatar of Nyarlathotep (treated in the text as Narlato). The text mentions the existence of witch cults in Germany dedicated to worshiping this Black Man, who in return for carnal favors and sacrifices of unbaptized children, bestowed rewards in the form of magic and power. The book describes an exaustive ritual for contacting the Black Man and an enchantment that would supposedly trap him in a circle of magic. Once captured, the creature would fulfill its captors' wishes. It is likely that the Ritual is a version of the Contact Nyarlathotep Spell and that the part about capturing the entity is a gross (and dangerous) misinterpretation.

The book also contains notes on the borders of the original text, containing anottations that attempt to correct the authors' observations. Unfortunately part of the book has been damaged and some pages have been lost over time.

The volume was incorporated into the collection of the Nuremberg City Library. He previously figured in a private collection, having been donated anonymously in 2002.

Der eingelöste Vorschlaghammer
in german, author unknown, c. 1600

Sanity Loss1D3
Myhos de Cthulhu: +0/ +1 percentiles
Mythos Rating: 3
Study: 2 weeks
Suggested Spells:  None

The title of this revised and largely rewritten version can be roughly translated as "The Redeemed Hammer." It was written in the late 16th century and is a purged version of Malleus written by an unknown author, possibly a high member of the clergy.

The author claims to have made recurrent use of the book in his work as "witch hunter" in Germany of the period. In a tone of confession he says he never really believed in the book or its methods and that he used it only to gain power and influence among the society, at the expense of false accusations and mostly vicious claims against innocents. The author goes on to describe numerous manipulated judgments and legal frauds in which he actively participated.

He explains that his understanding of theology changed radically after an episode in Bavaria when he attests to have found a true witch dedicated to serving evil forces that would be far darker than Satan and his infernal hosts. The Inquisitor mentions interviews conducted with this witch, using torture in which she confesses her many sins and the existence of entities that dwell "beyond time, beyond space." At the end of the interrogation process, the Inquisitor claims that the accused disappeared from her cell, possibly resorting to some magical prodigy to escape the sentence. He later mentions having suffered reprisals from the witch he had tortured, being persecuted by her and her demonic allies, both awake and in his sleep.

Fearing for his life and determined to find redemption, the author withdraws from clerical life and becomes a hermit. During this period, he writes the book in which he seeks to denounce the falsehood of Malleus Maleficarum and the truth about the ancient forces that inhabit the earth.

The book was published in a small number in 1610 in Leipzig, and given its content, denouncing the Malleus Maleficarum, was eventually included in the Index Librorum Prohibitorum. Most of the volumes were collected and burned, leaving only two surviving editions, both currently in private collections in Europe.

DER HEXEN HAMMER - Mainz Edition
in German and Latin, c. 1620

Sanity Loss:
1D6
Myhos de Cthulhu: +3/ +6 percentiles
Mythos Rating: 12
Study: 7 weeks
Suggested Spells:  Dread Curse of Azathoth, Powder of Ibn-Ghazi and Contact/Bind Servitor of the Old Ones.

One of the most perfect and complete editions of the Malleus Maleficarum, it was printed in Mainz in two volumes by a specialist linked to Johannes Gutemberg.

The book was probably presented as a gift to the Cardinal of the City of Cologne in 1624 and is listed in his private library.

Unlike other editions, it had an appendix possibly censored in other copies of Malleus. This 30-page appendix included an excerpt from the Latin Necronomicon, dealing with Al Hazred's Pilgrimages and his journey to the legendary Irem, City of the Pillars. The passage describes among other things a Cannibal Cult that existed in the decrepit ruins of the city, unhealthy rituals practiced by its inhabitants, and a series of incantations used to conjure Servants of the Outer Gods.

Ironically, the additional content was not discovered until 1750 when an ambitious librarian named Dieter Stamph who worked for the Cologne Curia found it. Noticing this difference in the book, Stamph made a copy of the appendix and negotiated its publication. He was denounced in 1754 and excommunicated for heresy the same year. It is not known whether Stamph's copy survived or not, but the librarian tried to negotiate the material at Strassbourg in 1756, when he was assassinated.

The Mainz Edition, the first to be identified with the German title "Der Hexen Hammer" was held by the University of Cologne and for a short time was confiscated by Thule Society agents and incorporated into the private collection of Commander SS Heinrich Himmler . The book was found only in 2016, amid a vast collection recovered in Norway.

Once recovered and properly identified, the Hexen Hammer Edition returned to Colony Library collection from where it had been removed in 1937.

MAZZA DA STREGA - Edizione del Nunzio Paolo di Genova
in Latin with notes in italian by Titus Pauli, c. 1552

Sanity Loss: 
1D3
Myhos de Cthulhu: +1/ +3 percentiles
Mythos Rating: 9
Study: 3 weeks
Suggested Spells: Contact Deity (Nyogtha)


This edition of Malleus Maleficarum was produced in a Genoa press in a circulation of no more than 400 copies. Many of them can still be found in collections and libraries around Italy.

The edition described here belonged to the Nuncio of Genoa Titus Pauli (1532-1596) an important ecclesiastical messenger responsible for establishing diplomatic relations of the Holy See in northern Italy. The story has erased most of the cleric's accomplishments, but the notes written on the edges of the book attest that he had a keen interest in the practicalities of witch-hunting and the fight against witchcraft. More, Pauli's remarks include notes on court proceedings and commentary in which he denounces witches who in his opinion practice "the darkest black magic."

The Nuncio notes mention a cult dedicated to a demon identified as Nyoghta, something that should not exist. This includes the transcript of an interrogation held in Genoa in which a woman accused of witchcraft exposes her sordid practices in collusion with this hideous being. It lists child and fetus sacrifices, creation of magical familiars, murder of innocent people, and glorification of evil beings.

After Pauli death, the book was incorporated into the Cervara Abbey Library in the Santa Margherita region of Liguria. The book was held by the Library until the property of the Abbey was sold in the mid-twentieth century. The collection was purchased by an Italian collector in 1967 and was rumored to have been recently aquired by a Chinese anonymous collector.

EL MARTILLO, con anotaciones del clérigo Ramiro de las Mercedes, querido hermano de la Orden de la Purificación.
in spanish, author Ramiro de las Mercedes, c. 1620

Sanity Loss:  1D6
Myhos de Cthulhu: +1/ +4
Mythos Rating: 9
Study: 10 semanas
Suggested Spells: Enchant Knife, Enchant Whistle and Summon/Bind Traveler of the Void (Byakhee)

The Holy Inquisition did not act only in Europe and the North American colonies, it was present in other corners of the world, especially in Spanish America. When the Conquerors traveled to South America in search of all the gold and silver they could plunder, they brought with them priests interested in catechizing these peoples. By force if necessary. During colonization they encountered resistance to tame what they thought it to be a sinful spirit. They create a version of the Inquisition Courts in the New World, the dreaded Autos de Fé.

In Lima, the richest Spanish colony in Peru, one of these public acts took place in 1639, led by Inquisidor mor Ramiro de las Mercedes. The cleric was member of the Order of the Purification, arm of the Inquisition that knew the Cthulhu Mythos, although interpreted them like demonic entities.

Ramiro claimed to have found in the New World, especially in Lima, evidence of the presence of nefarious cults and deities that were still venerated by natives descending from the Incas. Although there were small groups devoted to Hastur and Yog-Sothoth, in their fanatical zeal, the Inquisition made countless innocent victims. During the two years of the campaign to "clean up" the Colony, there were many arrests, torture and executions. The early prisoners, members of the Cult of Hastur revealed to Ramiro the basis for his most abhor rites. The chief Inquisitor made notes of his progress and later drafted an addendum to the Malleus Maleficarum which he called El Martillo (The Mallet), a compilation of interrogations and investigations into cults in the colony.

In 1641, the Inquisitor wrote a letter to the Holy See claiming to have purged the germ of heresy in the Colony. However, before leaving the port, de las Mercedes was poisoned and died on board the ship that would take him to Mexico, where he planned to carry out a similar crusade.

The book was collected by a close follower of the Inquisitor who mantened the chapters written by de las Mercedes that specifically refer to Hastur (called Xhastur) and the Yellow King mythology, according to the testimonies obtained. He also mentions torture, the use of spells against cultists, and presents a list of heretics who have been executed.

The work of Ramiro de las Mercedes was never published, although
"The Mallet" was later copied by members of the Order and preserved in churches or ecclesiastical libraries sympathetic to the Organization.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Livros Perigosos - Versões do Malleus Maleficarum com conhecimento dos Mythos


Em sua obra, H.P. Lovecraft nunca citou textualmente o Malleus Monstrorum, o infame Manual de caça às bruxas. Provavelmente ele considerava que o livro não tinha nenhuma utilidade prática no Universo dos Mythos. Um materialista convicto como Lovecraft não daria razão a crenças e práticas religiosas que na sua opinião não passavam de tolices anacrônicas de um tempo obscuro. Portanto, as coisas descritas pelos autores do Martelo das Feiticeiras seriam mera superstição e ignorância.

No entanto, uma das ideias centrais no universo dos Mythos é que na incapacidade de compreender a natureza alienígena dessas criaturas de poder cósmico, alguns as interpretariam à luz das crenças conhecidas. Tais seres poderiam ser encaixados em mitologias, sistemas de crenças particulares e religiões, quase sempre vistos como demônios a serem evitados, temidos e combatidos.

Parece perfeitamente razoável assumir que um livro importante como o Malleus Maleficarum tivesse recebido atenção não apenas de caçadores de bruxas, mas de pessoas que lidaram com a ameaça dos Mythos de Cthulhu. É provável que nesse contexto existissem obras apócrifas do tratado original redigido por Kramer e Sprenger, livros que abordariam aspectos específicos de um mal ainda mais pernicioso do que o da Feitiçaria e da bruxaria.

O Livro Básico de Chamado de Cthulhu menciona brevemente esse tomo abominável (pg 236 da Edição New Order), mas essa pode ser considerada a versão simples do livro que pode ser achada em livrarias, bibliotecas ou mesmo na internet. Horrível como pode ser, seus leitores não perdem parte de sua sanidade ao folhear suas páginas.

Contudo, quando as palavras dos caçadores de bruxas se misturam ao conhecimento ancestral, a coisa muda de figura.

A seguir, temos algumas versões deturpadas do Malleus Maleficarum que se referem ao Mythos e que podem ser interpretados como Tomos de Conhecimento Profano, se não de forma integral, ao menos em parte.

Para efeitos práticos, usei o padrão de estatísticas dos livros e tomos de Chamado de Cthulhu 7th.

MALLEUS MALEFICAR
em alemão e latim, autor desconhecido, c. 1499

Perda de Sanidade: 1D4
Myhos de Cthulhu: +2/ +4 por cento
Nível de Mythos: 6
Tempo de Estudo: 3 semanas
Feitiços Sugeridos: Contactar Divindade Nyarlathotep (na forma do Homem Negro)

Uma das primeiras adaptações revisionistas do manuscrito original, esse volume único possui cerca de 90 páginas adicionais que parecem ter sido encartadas em uma edição como uma espécie de acréscimo ao texto. O título foi alterado para "Malleus Maleficar" provavelmente como parte da revisão ou um erro de gramática.

A encadernação é provavelmente do final do século XV, um típico trabalho dos tipógrafos alemães da cidade de Speyer, na Alemanha central.

As páginas adicionais mencionam detalhes a respeito do Homem Negro, um poderoso avatar de Nyarlathotep (tratado no texto como Narlato). O texto menciona a existência de seitas de feiticeiras na Alemanha, dedicadas a adorar o Homem Negro, que em troca de favores carnais e sacrifícios de crianças não batizadas, concedia recompensas na forma de magia e poder. O livro descreve um extenso ritual que permite contatar o Homem Negro e um encantamento que supostamente serviria para prendê-lo em um círculo de magia. Uma vez capturada, a criatura atenderia os desejos de seus captores. É provável que o Ritual seja uma versão do Feitiço Contatar Nyarlathotep e que a parte sobre a captura da entidade seja uma grosseira deturpação.

O livro contém também anotações nas bordas das páginas do texto original, contendo apontamentos que tentam corrigir as observações dos autores. Infelizmente parte do livro foi danificado e algumas páginas se perderam com o passar do tempo. 

O volume foi incorporado ao acervo da Biblioteca Municipal da Cidade de Nuremberg. Antes ele fazia pare de uma coleção particular, tendo sido doado anonimamente em 2002.

Der eingelöste Vorschlaghammer
em alemão, autor desconhecido, c. 1600

Perda de Sanidade: 1D3
Myhos de Cthulhu: +0/ +1 por cento
Nível de Mythos: 3
Tempo de Estudo: 2 semanas
Feitiços Sugeridos: nenhum

O título dessa versão revista e largamente reescrita pode ser traduzido grosseiramente como "O Martelo Redimido". Ele foi escrito no fim do século XVI e é uma versão expurgada do Malleus escrita por autor desconhecido, possivelmente um alto membro do clero.

O autor afirma ter feito uso recorrente do livro em seu trabalho como Inquisidor e "caçador de bruxas" na Alemanha do período. Em tom de confissão ele diz que jamais acreditou realmente no livro ou em seus métodos e que se valeu dele apenas para granjear poder e influência entre o clero, às custas de acusações infundadas e processos viciados na maioria das vezes contra inocentes. O autor prossegue descrevendo inúmeros julgamentos manipulados e fraudes legais em que tomou parte ativamente.

Ele explica que sua compreensão a respeito de teologia mudou radicalmente após um episódio ocorrido na Baviera quando ele atesta ter encontrado uma feiticeira verdadeira, dedicada a servir forças nefastas que seriam muito mais tenebrosas que Satã e suas hostes infernais. O Inquisidor menciona entrevistas conduzidas com essa bruxa, com o uso de tortura na qual ela confessa seus muitos pecados e a existência de entidades que habitam "além do tempo, além do espaço". Ao fim do processo de interrogatório, o Inquisidor afirma que a acusada desapareceu de sua cela possivelmente recorrendo a algum prodígio mágico para fugir da sentença. Posteriormente ele menciona ter sofrido retalhação por parte da bruxa que havia torturado, sendo perseguido por ela e seus aliados demoníacos, tanto desperto quanto em seu sono.

Temendo pela sua vida e decidido a encontrar redenção, o autor se retira da vida clerical e se torna um eremita. Nesse período, escreve o livro no qual busca denunciar a falsidade do Malleus Maleficarum e a verdade sobre as forças ancestrais que habitam a Terra. 

O livro foi publicado em uma pequena tiragem em 1610 em Leipzig, e dado o seu conteúdo, denunciando o Malleus Maleficarum, acabou sendo incluído no Index Librorum Prohibitorum. A maioria dos exemplares foram recolhidos e queimados, restando apenas duas edições sobreviventes, ambas atualmente em coleções particulares na Europa. 

DER HEXEN HAMMER - Edição de Mogúncia
em alemão, autor desconhecido, c. 1620

Perda de Sanidade: 1D6
Myhos de Cthulhu: +3/ +6
Nível de Mythos: 12
Tempo de Estudo: 7 semanas
Feitiços Sugeridos: Maldição Pavorosa de Azathoth, Pó de Ibn-Ghazi e Invocar/ Vincular Serviçal dos Deuses Exteriores.

Uma das edições mais perfeitas e completas do Malleus Maleficarum, ela foi impressa em Mainz em dois volumes por uma gráfica especializada em bíblias e ligada ao próprio Johannes Gutemberg criados do processo.

O livro foi provavelmente presenteado ao Cardeal da Cidade de Colônia em 1624, constando no registro de sua biblioteca particular.

Diferente das demais edições, esta trazia um apêndice possivelmente censurado nas demais cópias do Malleus. Esse apêndice com cerca de 30 páginas incluía um trecho presente no Necronomicon, versando a respeito das Peregrinações de Al Hazred e de sua jornada à legendária Irem, Cidade dos Pilares. O trecho descreve entre outras coisas um Culto Canibal que existia nas ruínas decrépitas da cidade, rituais doentios praticados por seus habitantes e uma série de encantamentos visando ao realizador invocar os Serviçais dos Deuses Exteriores.

Ironicamente o conteúdo adicional da Edição da Mogúncia só foi descoberto em 1750 por um ambicioso bibliotecário chamado Dieter Stamph que trabalhava para a Cúria de Colônia. Percebendo essa diferença no livro Stamph fez uma cópia do apêndice e negociou sua publicação. Ele foi denunciado em 1754 e excomungado por heresia no mesmo ano. Não se sabe se a cópia de Stamph sobreviveu ou não, mas é sabido que o bibliotecário tentou negociar o material em Strassbourg em 1756, ocasião em que foi assassinado.

A Edição da Mogúncia, a primeira a ser identificada com o título alemão "Der Hexen Hammer" ficou em poder da Universidade de Colônia e por um curto período de tempo foi confiscada pelos agentes da Sociedade Thule e incorporada a coleção particular do Comandante SS Heinrich Himmler. O livro foi encontrado apenas em 2016, em meio a uma vasta coleção recuperada na Noruega (para saber mais a respeito leia a notícia no LINK).

Uma vez recuperado e devidamente identificada a Edição do Hexen Hammer retornou ao acervo da Cúria da Cidade de Colonia de onde havia sido removido em 1937.

MAZZA DA STREGA - Edizione del Nunzio Paolo di Genova
em Latim com anotações em italiano por Titus Pauli, c. 1552

Perda de Sanidade: 1D3
Myhos de Cthulhu: +1/ +3 por cento
Nível de Mythos: 9
Tempo de Estudo: 3 semanas
Feitiços Sugeridos: Convocar Divindade (Nyogtha)

Essa edição do Malleus Maleficarum foi produzida em uma gráfica de Gênova em uma tiragem de não mais do que 400 exemplares. Muitos deles ainda podem ser encontrados em coleções e acervos espalhados pela Itália.

A edição descrita aqui pertenceu ao Núncio de Gênova Titus Pauli (1532-1596) um importante mensageiro eclesiástico responsável por estabelecer relações diplomáticas da Santa Sé no Norte da Itália. A história apagou a maioria das realizações do clérigo, mas as anotações escritas nas bordas do livro atestam que ele tinha enorme interesse nos aspectos práticos da Caça às Bruxas e no combate à Feitiçaria. Mais do que isso, as observações de Pauli incluem notas sobre processos judiciais e comentários de próprio punho, no qual ele dispõe sobre feiticeiras que na sua opinião praticam "o que há de mais escuro, dentro da magia negra".

As anotações do Núncio mencionam um Culto devotado a um demônio identificado como Nyoghta, a Coisa que não Deveria Existir. As anotações incluem trechos de um interrogatório conduzido em Genova no qual uma mulher, acusada de bruxaria, dispõe sobre suas práticas sórdidas em conluio com essa terrível entidade. Ela relata sacrifícios de crianças e de fetos, a criação de familiares, o assassinato de pessoas inocentes e a glorificação de seres nefastos.

Após a morte do Núncio, o livro foi incorporado a Biblioteca da Abadia de la Cervara, na região de Santa Margherita de Liguria. O livro ficou em poder da Biblioteca até a propriedade da Abadia ser vendida na metade do século XX. O acervo foi comprado por um colecionador italiano em 1967 e segundo rumores arrematado recentemente por um colecionador chinês que permaneceu anônimo.

EL MARTILLO, con anotaciones del clérigo Ramiro de las Mercedes, querido hermano de la Orden de la Purificación.
em espanhol, autor Ramiro de las Mercedes, c. 1620

Perda de Sanidade: 1D6
Myhos de Cthulhu: +1/ +4
Nível de Mythos: 9
Tempo de Estudo: 10 semanas
Feitiços Sugeridos: Encantar Apito, Encantar Adaga Sacrificial e Chamar o Viajante do Vazio (Invocar Byakhee)

O Tribunal do Santo Ofício não funcionou apenas na Europa e nas colônias da America do Norte, ele esteve presente em outros cantos do mundo, em especial na América Espanhola. Quando os Conquistadores viajaram para a América do Sul em busca de todo ouro e prata que pudessem pilhar, levaram consigo padres interessados em catequizar aqueles povos. À força se necessário. Durante a colonização encontraram resistência para domar o julgavam ser um espírito pecaminoso. Montaram no Novo Mundo versões dos Tribunais da Inquisição, os temidos Autos de Fé. 

Em Lima, a mais rica colônia espanhola, ocorreu um desses atos públicos em 1639, comandado pelo Inquisidor mor Ramiro de las Mercedes. O religioso era membro da Orden de la Purificación, braço da Inquisição que tinha conhecimento do Mythos, ainda que os interpretasse como entidades demoníacas.

Ramiro afirmou ter encontrado no Novo Mundo, em especial em Lima indícios da presença de cultos e divindades nefastas que ainda eram veneradas pelos nativos que descendiam dos Incas. Embora existissem pequenos grupos devotados a Hastur e Yog-Sothoth, em seu zelo fanático, a Inquisição fez inúmeras vítimas inocentes. Durante os dois anos da campanha para "limpar" a Colônia, ocorreram muitas prisões, tortura e execuções. Os primeiros prisioneiros, membros do Culto de Hastur revelaram a Ramiro as bases para seus ritos mais sagrados. O Inquisidor mor, fez anotações de seus progressos e posteriormente redigiu um adendo ao Malleus Maleficarum que chamou El Martillo (O Malho), uma compilação de interrogatórios e investigações a respeito de cultos na colônia.

Em 1641, o Inquisidor escreveu uma carta a Santa Sé afirmando ter extirpado o germe da heresia na Colônia. Contudo, antes de deixar a colônia, de las Mercedes foi envenenado, vindo a falecer à bordo do navio que o levaria ao México, onde planejava realizar uma cruzada semelhante.

O livro foi recolhido por um seguidor próximo do Inquisidor que copilou os capítulos escritos por de las Mercedes que se referem especificamente a Hastur (chamado Xhastur) e a mitologia do Rei Amarelo, conforme os testemunhos obtidos. Ele cita ainda torturas, o uso de feitiços contra os cultistas e apresenta uma lista de hereges que foram executados. 

O trabalho de Ramiro de las Mercedes jamais foi publicado, embora o malho tenha sido copiado por membros da Ordem e preservados em Igrejas ou bibliotecas eclesiásticas simpáticas a obra da Organização.

domingo, 13 de outubro de 2019

Martelo das Feiticeiras - Um dos livros mais perigosos de todos os Tempos


O século XV foi um período especialmente obscuro na Europa, uma era em que Magia Negra, Bruxas, Feiticeiros e Espíritos Malignos eram considerados como ameaças reais espreitando nas sombras. Por toda Europa e depois na América, supostas bruxas eram caçadas e exterminadas sistematicamente. Tribunais Eclesiásticos eram investidos com o poder para destruir esse mal, cuja mera existência era uma anátema à Deus na Terra. Muitas vezes, não importava se o acusado era realmente culpado ou não, uma vez que a mera suspeita de que ele fosse um praticante de magia negra era suficiente para justificar a pena de morte. Milhares morreram direta ou indiretamente com a caça às bruxas.

Ainda assim, para aqueles que pensam ter se tratado de um movimento caótico e confuso de repressão, nada poderia estar mais longe da verdade. Havia todo um sistema norteador das ações da Igreja. Um sistema que estabelecia regras bastante rígidas a serem obedecidas pelos "caçadores de bruxas". 

É provável que o mais famoso e influente manual de regras sobre o tema tenha sido liberado no mundo no ano de 1487. Mas como esse estranho tratado sobre bruxaria, demonologia e métodos para combater a escuridão se tornou tão importante? Como esse medonho compêndio que ensinava desde interrogar e torturar acusados, até executar bruxas da maneira adequada, se tornou tão popular?

O célebre Malleus Maleficarum, comumente traduzido como "O Martelo das Feiticeiras", foi originalmente escrito na Alemanha em 1486 por um ex-sacerdote da Ordem Dominicana, feito Inquisidor chamado Heinrich Kramer. Quando colocou a pena sobre o pergaminho, para escrever seu clássico, Kramer já era um veterano no ofício de caçar bruxas e realizar exorcismos. Acredita-se que ele vagava pela parte central da Europa, uma das mais obscuras e supersticiosas, oferecendo seus serviços. Em 1484 ele teria caído em desgraça, sendo afastado da igreja após um escandaloso julgamento presidido no Tirol. Exilado sob acusação de ser "senil e louco", ele teve que reconstruir sua reputação novamente. Para isso, estava decidido a criar o Manual definitivo a respeito de demônios, exorcismo, bruxas e seres das trevas. Esse livro traria todas as informações necessárias para caçar, identificar, enfrentar, interrogar e processar aqueles em conluio com as trevas.

Outra função importante do livro seria provar definitivamente que bruxaria existia, já que na época, aos olhos da Igreja, magia negra nada mais era do que os devaneios de pessoas enganadas pelos demônios. Ou seja, bruxas eram pessoas supersticiosas que acreditavam ter poderes sobrenaturais, quando na verdade os únicos capazes de tal coisa eram os espíritos malignos e demônios que os tentavam. Essa noção seria contestada pelo trabalho de Kramer que se dedicava a provar, sem sombra de dúvida, que os mortais, em consórcio com o Inferno, recebiam dele terríveis dádivas.    


Para provar seu ponto de vista, Kramer procurou um conhecido teólogo chamado Jacob Sprenger, um dominicano reformista que de fato não acreditava em bruxas. Sprenger, no entanto, era Chefe Inquisidor nas Províncias de Mainz e Trier, personalidade de grande influência. Para que o livro tivesse as devidas credenciais, Kramer colocou o teólogo na posição de co-autor e se aproveitou de sua fama.

Escrito às pressas por Kramer, repleto de erros gramaticais e trechos incompletos, a primeira edição do Malleus Maleficarum foi submetida a Faculdade de Teologia da Universidade de Colônia com o intuito de ganhar seu endosso. Ele acabou sendo publicado em 1487 em uma pequena tiragem, ainda com os erros que marcavam seu rascunho inicial.

Não se sabe ao certo se a Universidade de Colônia estava realmente de acordo com as teorias contidas no livro. Embora o autor contasse com uma Carta de Aprovação assinada pela universidade, muitos historiadores acreditam que esta foi forjada. Mas isso pouco importava, já que o Malleus Maleficarum logo se tornou extremamente popular e difundido. Em 1490 o livro chegou a ser condenado pela Igreja Católica como antiético e contrário às doutrinas sobre demonologia. Eventualmente, ele entrou para a lista de livros banidos, o Index Librorum Prohibitorum, que versava sobre obras consideradas perigosas aos olhos da fé. Contudo, nada disso conseguiu deter a imensa popularidade do texto, que foi rapidamente traduzido em outros idiomas tornando-se o equivalente medieval de um best-seller. Inquisidores Medievais o adotaram quase de imediato como um manual de bolso para caçadores de bruxos que até então não tinham credibilidade para seu estranho ofício. De fato, muitos desses caçadores eram até então ridicularizados e tratados com desdém. O que o livro deu a eles foi uma aceitação tácita da qual eles jamais haviam gozado. 

Em poucos anos, as suspeitas a respeito da Bruxaria e do seu perigo deixaram de ser superstição e se tornaram uma dúvida. Mais algumas décadas e a dúvida se tornou certeza. Incontáveis edições e revisões ao longo dos anos, impulsionaram o livro além das fronteiras de uma Europa que era uma verdadeira colcha de retalhos de reinos e feudos. A invenção da Imprensa, creditada a Johannes Gutenberg deu o impulso final, permitindo sua expansão definitiva. Da Alemanha para a Suíça, de lá para Itália e França e depois Leste Europeu, Espanha, Portugal e finalmente Inglaterra. Da Europa, o Martelo foi carregado para a América colonial, terra que não estava livre da plaga das feiticeiras. Já assimilado pela Igreja de Roma, o próprio Papa emitiu uma bula na qual defendia o propósito e importância do livro.

O conteúdo do Malleus era por si só bombástico: escandaloso, excêntrico, chocante e em última análise sedutor aos olhos de uma sociedade fechada. O propósito dele não era redimir ou reeducar, mas destruir e condenar com unhas e dentes tudo aquilo que fosse considerado sacrilégio. As bruxas assumiam o posto de servas de Satã e discípulas do Grande inimigo de Deus. Elas eram uma força a ser temida e confrontada pelo fogo.


O tratado era dividido em três grandes partes, cada qual lidando com um diferente aspecto da caça às bruxas em detalhes. A primeira parte tinha o título "Das Três Condições Necessárias para a Bruxaria: O Diabo, a Bruxa e a Permissão de Deus Todo-Poderoso". Entre suas principais questões estavam os argumentos que validavam como certo o pecado de não se crer em bruxaria, criticavam a lascívia feminina e sua fácil corrupção, além de exaltar a permissão de Deus para combater as práticas das bruxas. O texto tratava de estabelecer que bruxaria era real e afirmava que ceticismo sobre a magia negra era um perigo extremo. 

Esse capítulo acompanhava vários relatos, supostamente verídicos envolvendo possessão e poderes sobrenaturais. Demônios continuavam sendo uma parte importante, tendo agora as bruxas como aliadas. Elas mantinham relações sexuais espúrias com esses seres gerando Incubus e Sucubus, entidades que se alimentavam da energia sexual e através dela disseminavam a corrupção dos inocentes. A versão original trazia descrições que podiam ser facilmente categorizadas como pervertidas, com uma fixação anormal pelo sexo entre mulheres e seres antropomórficos.  

A segunda parte tratava mais especificamente de demonologia e sua relação com magia negra. Examinava diferentes tipos de feitiçaria e explicava os poderes e habilidades sobrenaturais das bruxas. Também ensinava como reconhecer o trabalho da bruxa, o malefício, e a forma como este corrompia e pervertia a alma. As magias, maldições e maus agouros eram descritos nesse trecho, com uma quantidade de detalhes bizarros que passaram a povoar a mente das pessoas do período. Temas como infanticídio, canibalismo e outras atrocidades lançaram sobre as feiticeiras uma sombra cada vez mais escura. 

Com todo esse panorama atros pintado em cores dramáticas, a terceira parte versava sobre os aspectos legais e persecutórios do combate à bruxaria. Ele era voltado para juízes, advogados, escriturários e Inquisidores que povoavam as cortes legais. Os procedimentos eram dissecados na forma de métodos que deveriam ser adotados à risca. O livro chegava ao ponto de instruir sobre os procedimentos do tribunal, incluindo como deveria se comportar a acusação, como deveria ser realizado o interrogatório e conduzida a tortura das bruxas e testemunhas, bem como as punições às quais elas estariam sujeitas. 

A tortura era não apenas encorajada, mas endossada como uma necessidade para separar os acusados. O livro dizia textualmente que era mais provável uma mulher vir a ser corrompida pelas forças nefastas do que um homem, já que elas eram mais propensas a se entregar às relações carnais. O tratado também defendia que a fé das mulheres possuía uma falha que estava ligada ao pecado original de Eva. O livro inteiro, estava infectado com uma profunda misoginia e absurda discriminação contra as mulheres em geral. Kramer dizia várias vezes que as mulheres eram um dos motivos para a corrupção terrena e que a magia negra nascia de suas relações intempestivas.         


Não é de se surpreender que Kramer quisesse culpar as mulheres da maneira explicitada no Malleus Maleficarum. Ele foi, conforme todos os registros, um homem pequeno, desprezado e preterido em tudo que fez a não ser pelo seu livro. Jamais se casou ou teve filhos, se dizia um celibatário e tornou-se um sacerdote pela falta de opções. Como caçador de bruxas era implacável, sempre disposto a apontar uma mulher como pivô das tragédias ocorridas. Ele continuou a escrever manuais e tratados sobre bruxaria ganhando status de celebridade entre outros Inquisidores até sua morte em 1505. Seu legado foi perpetuado com sangue, perseguição e horror sem precedente na História da Igreja.

É importante salientar que até a publicação do Malleus, bruxaria raramente era punida com a pena de morte. Ela não era considerada sequer como heresia e portanto, não demandava uma punição particularmente séria por parte das autoridades. Tortura sequer era cogitada, sendo que a maioria das alegadas feiticeiras eram tratadas apenas como transgressoras menores. No máximo bruxas recebiam chibatadas ou eram banidas, ainda que tais penas fossem raras e cumpridas somente em comunidades isoladas. O Martelo das Feiticeiras cumpriu exatamente o que o título insinuava, ele golpeou com violência arrebatadora, colocando as bruxas e de fato, todas as mulheres numa posição de grave risco.

Quando cortes seculares abraçaram o livro com um entusiasmo jamais visto antes, decretaram uma nova e medonha era de paranoia, medo e brutalidade em toda Europa. Suas páginas eivadas de rancor fizeram emergir uma espécie de loucura religiosa e fervor doentio que continuaria presente na Igreja Católica pelos séculos seguintes, produzindo efeitos até o século XVIII. Bruxas se tornaram hereges que estavam além de qualquer redenção e precisavam ser esmagadas. O maior dos pecados era aderir a essas práticas nefastas e não importava se dizer inocente, pois a mera acusação já era capaz de produzir imenso dano.

No centro de toda essa horrenda tempestade de ódio figurava tão somente um livro. Um terrível livro que deflagrou tudo, um testemunho de como ideias podem ser perigosas.

Hoje, historiadores consideram que o Malleus Maleficarum está no mesmo nível de influência perniciosa que o Mein Kampf, que ecoava os pensamentos de Adolf Hitler. Em ambos, horríveis teorias foram capazes de contaminar a mente das pessoas e de se entranhar no tecido social, alterando a forma como as pessoas viviam. Não por acaso, ele é considerado como "um dos trabalhos mais sangrentos da história humana".


A caça às bruxas é tida como uma das piores atrocidades da história, mas se enganam os que pensam que ela é coisa do passado distante. Que esse livro contribuiu para instaurar um dos capítulos mais negros da história é inegável, assim como inegável é o fato de ainda haver perseguições em todo mundo. 

Ainda existem muitos aspectos misteriosos no papel do Malleus Maleficarum como catalizador da histeria que se seguiu a sua publicação. Ele permanece como um tema fascinante a ser discutido e estudado. Como um obscuro livro, escrito por um autor mentalmente instável, pode ter ganho tamanha importância? Como suas teorias foram aceitas tão rapidamente e onde estavam aqueles que poderiam ter falado contra ele? Essas perguntas talvez jamais poderão ser respondidas à contento.

O livro abominável, versando sobre um mundo estranho, foi capaz de motivar tragédias, e ainda hoje continua a alimentar uma fogueira que arde vigorosa com preconceito e paranoia. Cabe a nós, que acreditamos ser melhores que nossos antepassados, a eterna vigilância, para que tal horror jamais venha a ocorrer novamente.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Regras Opcionais: Perícias Secundárias - Novas e menores habilidades


Em Chamado de Cthulhu, ao criar a ficha de seu personagem você tem diante de si uma lista de Perícias. Essa lista contempla boa parte das habilidades do seu personagem e fornecem todas aquelas habilidades que poderão ser importantes em uma sessão de jogo.

Algumas delas serão de suma importância no decorrer da investigação, como Encontrar, Usar Biblioteca ou Psicologia. Outras serão úteis para refinar as buscas e aprofundar as descobertas como Arqueologia, História ou Avaliação. Finalmente, existem aquelas que serão vitais para manter seu personagem vivo ou que permitirão a ele sobreviver em situações de risco, como Saltar, Esquivar e Lutar.

Claro, todas as perícias são de suma importância e como jogador, você irá escolher aquelas que melhor retratarem seu personagem. Mas eis que surge a seguinte questão.

Um indivíduo é bem mais do que um agrupamento de habilidades e perícias gerais. Existe uma vasta gama de hobbies, passatempos, conhecimentos mais ou menos inúteis e habilidades inerentes que não estão incluídas na listagem da ficha. Os jogadores mais veteranos já devem ter percebido um espaço de duas linhas para preencher com habilidades específicas. Se por exemplo, seu personagem for um conhecedor de "Jazz e Blues" ele poderá colocar ali. Da mesma maneira, se ele se destacar por saber algo a respeito de "Consertar sapatos", "passear com cães", "pintar miniaturas" ou for um entusiasta de "Filatelia", esse espaço poderá ser usado.

Eu sempre adorei incluir habilidades que fornecem um colorido para os personagens, permitindo assim fugir um pouco daquele formato restritivo da ficha. Nada expressa melhor a individualidade humana do que pequenos interesses particulares.

Quem já leu algum módulo ou cenário pronto de Chamado sabe que esse tipo de perícia está presente entre os NPCs desde a primeira edição.

Mas aí a gente recai em um problema no que diz respeito aos pontos. 

Em Chamado de Cthulhu, os pontos para serem distribuídos nas perícias são limitados e se os atributos dos jogadores forem baixos não sobra muito no que gastar. Seria injusto forçar o jogador a distribuir pontos em habilidades "menos úteis" como as citadas acima em detrimento de outras realmente importantes. Quer dizer, seria muito legal que um personagem soubesse "cozinhar", "fazer tricô" ou conhecesse "história militar", mas sejamos francos, quantas vezes tais habilidades serão usadas?

Pensando nisso, criei uma regra caseira chamada Perícias Secundárias, que é totalmente opcional e permite aos investigadores escolher alguns hobbies e passatempos que fornecem um colorido todo especial aos seus personagens.


Ela funciona da seguinte maneira:
  •  O personagem recebe 200 pontos para usar gratuitamente na escolha de Perícias Secundárias que ajudem a compor o seu personagem.
  • Cada personagem pode ter no máximo 4 Perícias Secundárias.
  • As Perícias Secundárias só podem ser adquiridas com a concordância do Guardião, no momento da criação do Investigador ou no decorrer de campanhas com o aval do Guardião. Todas elas começam com 0%. 
  • Perícias Secundárias podem ser marcadas em caso de um teste bem sucedido e estão sujeitas a aumento conforme as regras. Contudo, as Perícias Secundárias não fornecem Recuperação de Sanidade ao atingir o grau de 90%.
  • O valor mínimo para as Perícias Secundárias é 50%. Elas representam algo que seu investigador realmente devotou tempo e interesse. O valor máximo na Perícia Secundária durante a criação de personagem é 80%. Quaisquer pontos restantes sao desperdiçados.
Perceba que uma boa parte dessas Perícias Secundárias pode ser listada sob a Perícia Arte e Ofício. Considere que um personagem que gasta pontos em perícias secundárias numa determinada arte se dedica a uma área muito específica e restrita ou o faz sem o intuito de ser profissional. Portanto é perfeitamente aceitável que uma personagem gaste pontos de Perícia Secundária em "Dança de Salão" ou "Canto Gregoriano", enquanto "Dança" e "Canto" em um sentido mais amplo, devem ser adquiridas da maneira convencional.

Para facilitar, a seguir temos uma lista de Perícias Secundárias.  

De modo algum essa lista é exaustiva, permitindo que muitas outras Perícias Secundárias sejam adotadas pelos seus personagens dependendo somente do aval do Guardião.

Lista de Perícias Secundárias:

Abaixo temos uma longa lista de sugestões para Habilidades Secundárias, levando em conta o período clássico de 1920.

O jogador pode rolar nas tabelas abaixo ou escolher as que achar mais interessante, sempre com a concordância do Guardião. Divirta-se.

Role 1d100

1 Sorrir falsamente

2 Dançar (escolha um estilo), Ex: valsa, dança de salão, salsa. (Não profissionalmente) *

3 Desenhar Caricaturas

4 Escrever Poesias

5 Escrever diário

6 Engraxar Sapatos

7 Lembrar velhas histórias

8 Cortar ou Pentear Cabelo

9 Risada exagerada

10 Ouvir Pacientemente

11 Dar gorjetas

12 Numismática (colecionar moedas)

13 Escrever/ler partituras

14 Caligrafia

15 Taquigrafia

16 História (escolha uma área específica de interesse), ex: medieval do século XIII, santos franceses, imigrantes judeus, dos Montes Cárpatos)

17 Apreciar (escolha algo), Ex: Cigarros, bebidas, mulheres, trabalhos bem feitos

18 Detestar (uma pessoa), escolha uma pessoa que seu personagem odeia (Ex: sua mãe, um juiz, um policial, um político)

19 Detestar (um grupo), escolha um grupo de pessoas que seu personagem odeia (Ex: Advogados, parentes, huguenotes, alemães)

20 Amar (uma pessoa), escolha uma pessoa que seu personagem adora (Ex: seu avô, um professor, um colega, um líder)

21 Amar (um grupo), escolha um grupo de pessoas que seu personagem adora (Ex: Compositores clássicos, Irlandeses, o time de rugby local, parentes)

22 Encadernar Livros

23 Escrever artigos

24 Vestir-se com elegância

25 Provocar

26 Misturar Bebidas

27 Datilografia

28 Preparar (escolha um prato), ex: Goulash, Strogonof, Lagosta ao termidor

29 Conhecer ditados

30 Citar (alguma pessoa que admira), ex: Winston Churchill, Shakespeare ou Júlio Cesar

31 Fumar compulsivamente

32 Sapatear (Não profissionalmente)

33 Declamar Poesias

34 Fazer Mímica

35 Falar de doenças

36 Taxidermia

37 Contar velhos casos

38 Remendar roupas

39 Grosseria

40 Tocar (Instrumento), ex: Gaita, Violão, piano (não profissionalmente)

41 Truques com cartas

42 Filatelia (colecionar selos)

43 Falar de negócios

44 Elogiar

45 Criticar

46 Pescar

47 Apostar (escolha um interesse), Ex: cavalos, lutas de boxe, jogos de azar, corridas de automóveis

48 Entreter Crianças

49 Fazer compras

50 Citar (um livro), ex: a Bíblia, o Corão, o Manifesto Comunista

51 Jogar (escolha um hobby) Ex: Dardos, xadrez, gamão, mah-jong

52 Gentileza

53 Bajulação

54 Pintar Miniaturas

55 Fazer Exercícios

56 Preparar (especificar um alimento), ex: café, refeição leve, sanduíche, sopa

57 Esnobar

58 Etiqueta

59 Ofender

60 Conhecer Vinhos

61 Tarot

62 Bom gosto

63 Cantar (uma música), Ex: Hino de seu país, uma balada, hino religioso

64 Organizar Festa/Evento

65 Jogar (esporte), ex: Futebol, Baseball, Golf (não profissionalmente)

66 Colecionar (algo de seu interesse), ex: borboletas, relógios de bolso, abotoaduras, canetas.

67 Organizar (definir um tipo de coleção), Ex: Livros, pinturas, mapas, ferramentas

68 Resolver Palavras Cruzadas

69 Imitar o som de pássaros

70 Costurar e Cerzir

71 Desenhar (tipo), ex: retrato, paisagens, natureza morta (não profissionalmente)

72 Ser fã de (uma pessoa ou grupo), ex: Pablo Picasso, Rodolfo Valentino, Mickey Mantle ou Pintores Flamencos.

73 Tecer (especificar), ex: tapetes, casacos, cachecol

74 Conhecer Uísque

75 Beber socialmente (ou em excesso)

76 Reclamar

77 Cuidar de cães

78 Ser fã de (estilo musical), ex: música clássica, Jazz, Blues, Música sacra

79 Esbanjar dinheiro

80 Decoração

81 Dar nó de gravata ou Laço decorativo

82 Astrologia

83 Acordar cedo

84 Misturar (especificar bebida), ex: martini, drink, hi-fi

85 Interromper pessoas

86 Floricultura

87 Jogar Cartas (Bridge/ Buraco/ Truco)

88 Contar Piadas

89 Poupar dinheiro

90 Flertar

91 Aparar Bigode ou Fazer maquiagem

92 Rezar

93 Estalar os dedos

94 Ser fã de (gênero literário), ex: Poesia medieval, Romantismo, Realismo, Pulp Fiction

95 Ser simpático

96 Limpar (definir algo em especial), ex: armas, cachimbo, gavetas, talheres

97 Canto (definir), ex: lírico, opera, gregoriano (não profissionalmente)

98 Obedecer ordens

99 Fazer caminhadas

00 OPCIONAL - Escolha ou sorteie uma Perícia qualquer da lista, nesta seu investigador poderá alocar até 99%. Isso o torna um conhecedor profundo, entusiasta devotado ou simplesmente alguém com muito tempo livre e com uma área de interesse muito particular.


* O termo "não profissionalmente", significa que o personagem conhece o básico a respeito de uma determinada atividade, mas não tem o conhecimento profundo ou mesmo, o treinamento e dedicação de alguém que vive daquela atividade.

A lista acima não é final, existe um número quase inesgotável de Perícias que cabem nessa lista e que podem ser incluídas pelo jogador, desde que ele tenha a concordância do Guardião.