quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Os Devoradores do Inverno - O Mito do Wendigo para Chamado de Cthulhu



Artigo originalmente publicado em 22/05/2011
Expandido em 13/11/2014

Wendigo (também Windigo, Windago, Windiga, Witiko, Wihtikow e outras variações) é um criatura sobrenatural que faz parte da mitologia dos povos indígenas da América do Norte.

De acordo com a mitologia, o Wendigo é formado a partir de um humano qualquer, que passou muita fome durante um inverno rigoroso, e para se alimentar, come seus próprios companheiros. Após perpetuar atos canibais por muito tempo, o indivíduo acaba se tornando este monstro e ganha muitos atributos para caçar e se alimentar. A monstruosa criatura, segundo o mito, é capaz de imitar a voz humana com perfeição, escalar árvores como se fosse um grande macaco, suportar cargas muito pesadas, e além disso demonstra uma inteligência sobre-humana. O Wendigo também tem a capacidade de hibernar por anos, e para suportar os invernos, estoca a carne de suas vítimas em cavernas subterrâneas onde as devora lentamente.

De acordo com a mitologia indígena para matar um Wendigo é preciso queimá-lo, pois segundo os nativos, os ferimentos infligidos por qualquer tipo de arma tendem a sarar com enorme velocidade o que torna extremamente difícil destruir um destes monstros.

O Wendigo é parte dos sistemas de crenças tradicionais de várias tribos Algonquian-falando no norte dos Estados Unidos e Canadá, mais notadamente os Ojibwa, Saulteaux, a Cree, e os Inuits, Naskapi e Montagnais.

Embora variem um pouco de uma tribo para outra, a concepção de Wendigos é sempre a mesma. Uma aberração malévola, canibal, sobrenaturais (Manitous) de grande poder espiritual.

Eles sempre foram fortemente associados com o inverno, o Norte, e frio extremo, bem como com a fome. Basil Johnston, um professor Ojibwa e estudioso de Ontário, dá uma descrição de como Wendigos eram vistos: “O Wendigo era um ser magro com pele ressequida colada sobre os seus ossos. Com os seus ossos empurrando-se contra a sua pele, sua pele era cinza, cor da morte para os povos indígenas. O Wendigo lembra um esqueleto descarnado recentemente desenterrado do túmulo. Seus olhos injetados de sangue brilham no escuro. Seus lábios (ou o que resta deles) é rasgado e sangrento [….] o Wendigo exala um odor estranho e misterioso de decadência e decomposição, da morte e da podridão".


Ao mesmo tempo, Wendigos são personificações da gula, ganância e excesso, nunca satisfeito após o abate e consumo de uma pessoa, eles estavam constantemente à procura de novas vítimas. Em algumas tradições, os seres humanos que se tornaram dominados pela ganância podiam se transformar em Wendigos; o mito Wendigo, assim, serviu como uma forma de incentivar a cooperação e moderação entre os membros da tribo.

Entre os Ojibwa, Eastern Cree, Micmac, Westmain Swampy Cree e Montagnais, os Wendigos eram tidos como gigantes ferozes, muitas vezes maiores do que os seres humanos (uma característica ausente na cultura Algonquian). Esses wendigos gigantes tinham o corpo coberto de pelos brancos que formava uma crina que corria pelas suas costas. As mãos tinham a forma de garras compridas e afiadas, sua boca era dotada de dentes pontiagudos que podiam rasgar o corpo de um homem ao meio com uma única mordida.

Todas as culturas em que o mito Wendigo aparece compartilham a convicção de que os seres humanos só poderiam se transformar em Wendigos se recorrerem ao canibalismo ou, alternativamente, se possuído por um espírito demoníaco. Uma vez iniciada a transformação, a pessoa se torna gradualmente violenta e obcecada por consumir carne humana. As mudanças a impulsionam para as florestas onde eles passam a viver.

Não por acaso, entre as culturas do norte Algonquian, canibalismo, mesmo para salvar a própria vida, era visto como um crime grave, a resposta apropriada à fome era o suicídio prática adotada pelos nativos no rigor extremo do inverno. Em um nível, o mito Wendigo, assim, trabalhou como um factor de dissuasão e uma advertência contra a recorrer ao canibalismo; aqueles que se tornariam monstros Wendigos em si.

Entre os Assiniboine, a Cree e os Ojibwa, uma dança satírica cerimonial foi apresentada originalmente durante tempos de fome para reforçar a seriedade do Mito Wendigo. A dança, conhecida como wiindigookaanzhimowin é praticada até hoje como parte das atividades do último dia da dança do sol. Ela envolve o uso de máscaras, sacrifício de animais e uma dança frenética ao som de tambores.

O termo “psicose Wendigo” refere-se a uma condição em que pessoas desenvolvem um insaciável desejo de comer carne humana, mesmo quando outras fontes de alimento estão disponíveis. A psicose Wendigo é identificado por psicólogos ocidentais como uma “síndrome cultural” típica de comunidades aborígenas. As pessoas afetadas acreditam que estão sofrendo a transformação em Wendigos, e muitas vezes solicitam ser executadas antes que pudessem prejudicar os outros.

Os casos de Psicose Wendigo, são bastante raros, mas bem documentados.

Um dos mais famosos casos de psicose Wendigo envolveu um caçador da tribo Cree de Alberta, chamado Swift Runner. Durante o severo inverno de 1878, Swift Runner e sua família ficaram isolados pela nevasca e começaram a passar fome. Seu filho mais velho teria sido o primeiro a morrer e a família se alimentou do cadáver enquanto tentava chegar a um lugar seguro. Quando a família estava a apenas 25 milhas do abastecimento alimentar de emergência em Hudson’s Bay, Swift Runner massacrou a esposa e os cinco filhos com um machado. Em seguida devorou o coração de cada um deles para que apenas ele se tornasse Wendigo. Tendo em conta que ele recorreu ao canibalismo quando já era possível presumir a sobrevivência de todos, e que ele matou e consumiu os restos de todos os presentes, foi concluído que Swift Runner sofria de Psicose Wendigo. Ele acabou confessando seu crime hediondo e foi executado pelas autoridades, em Fort Saskatchewan.

Outro caso famoso foi o de Jack Fiddler, um chefe e xamã Oji-Cree conhecido por seus poderes místicos. Fiddler se dizia um matador de Wendigos. Em 1907 ele e seu irmão Joseph, foram presos pelas autoridades depois de confessarem ter matado e desmembrado o corpo de um caçador que nas suas palavras estava se transformando em um Wendigo. O caçador teria recorrido ao canibalismo durante o inverno no ano anterior e já demonstrava os primeiros indícios de se transformar em um monstro canibal. Jack cometeu suicídio antes do julgamento, mas Joseph foi julgado e condenado à morte.

Antropólogos e etnógrafos sempre demonstraram interesse no estudo desse fenômeno e o trataram seriamente embora atualmente exista controvérsia a respeito da veracidade da Psicose Wendigo. No século XX foram poucos os casos verídicos de Psicose Wendigo, embora rumores a respeito continuem aparecendo de tempos em tempos sobretudo em regiões isoladas ou comunidades afastadas.

O Wendigo de "O Cemitério" adaptado para Chamado de Cthulhu


"Subitamente a névoa perdeu a luminosidade e Louis percebeu que havia um rosto no ar, olhando com malícia, fazendo sons esquisitos com a boca. Os olhos, puxados para cima como uma pintura clássica chinesa, eram uma coisa cinzenta e amarelada, funda, brilhante. A boca estava contorcida em um ricto, o lábio inferior parecia virado pelo avesso, revelando dentes com manchas escuras ou corroídas até as raízes. Mas o que mais impressionou foram as orelhas, que não eram absolutamente orelhas, mas chifres curvados. Não eram como chifres do diabo, eram como chifres de carneiro".

O Wendigo é uma criatura que age de maneira discreta mas implacável na trama de "O Cemitério", manipulando os acontecimentos e levando as pessoas à loucura. A criatura habita uma região selvagem nas cercanias da cidade de Ludlow, no Maine e costuma vagar por essa região, muito embora seja provável que ela tenha liberdade para trilhar outros caminhos e explorar diferentes localidades. Sua íntima ligação com a mitologia dos nativos-americanos sugere que ele seja ligado a esses povos e que habite os recônditos ainda selvagens da América do Norte. Os nativos da tribo Micmac conheciam o Wendigo e acreditavam que ele fosse um espírito maligno ligado ao canibalismo, sobrevivência e aos aspectos mais primais da natureza.

Na estória, o Wendigo é capaz de reanimar qualquer animal enterrado em um cemitério conspurcado pela sua presença hedionda. Animais domésticos, cães e gatos principalmente, mas também animais de grande porte como touros, retornam a vida depois de serem sepultados nesses terrenos malditos. Uma vez re-animados, a criatura "trazida de volta" apresenta agressividade, somada a um comportamento errático e confuso. Pessoas sensíveis percebem que a natureza dessas criaturas é alterada e ficam inquietas na presença desses seres. Eles vivem por volta de dez anos, até morrerem novamente de causas aparentemente naturais. 

Humanos podem ser re-animados da mesma maneira, mas quando retornam apresentam uma profunda mudança comportamental agindo com malícia, violência e motivação homicida. Humanos trazidos de volta também agem com intensão maligna, eles são capazes de "ler a mente" de outras pessoas e descobrir seus segredos mais íntimos, sobretudo, se estes estiverem relacionados a algum tipo de perversidade sexual ou transgressão moral. Eles não se acanham em confrontar suas vítimas com detalhes estarrecedores sobre segredos mantidos à sete chaves, copiando perfeitamente a voz de outras pessoas para obter impacto. As palavras dessas criaturas soam frias e cortantes, atingindo quem as ouve de forma dolorosa. Por essa razão, humanos são os servos mais terríveis do Wendigo.

O Wendigo atua como uma espécie de guardião ou zelador dos cemitérios por ele amaldiçoados. De tempos em tempos ele é capaz de exercer influência sobre a mente das pessoas, manipulando-as para convencê-las a usar os poderes mágicos do lugar maldito. A criatura age de forma insidiosa, ele lentamente manipula a mente de suas vítimas fazendo com que elas contemplem atitudes temerárias, num processo que invariavelmente arruína a sanidade e acarreta em tragédias. O Wendigo parece dispor de algum tipo de poder psíquico que afeta as pessoas, sobretudo em momentos de dor, sofrimento ou mágoa. Qualquer pessoa em luto pode se converter em uma vítima em potencial da criatura.

A criatura não possui um corpo físico, sendo uma manifestação espiritual. Em geral ele é invisível e imaterial, e sua presença não pode ser sentida a não ser por um odor forte de sangue que lembra o fedor típico de um matadouro. Ele é capaz de manipular o ambiente, fazendo com que a temperatura de uma grande área sofra variações perceptíveis de um momento para o outro. Nas ocasiões em que decide assumir uma presença física, a criatura assume a aparência descrita acima. Nessas circunstâncias ele apresenta uma gargalhada aterradora e produzem ruídos inquietantes. Os nativos acreditavam que o Wendigo também é capaz de assumir o controle de animais selvagens e usar seu corpo por breves períodos de tempo. 

Dotado de uma maldade extrema e de um desejo transcendental de disseminar a loucura e o horror, o Wendigo provavelmente é uma Entidade Única.

Drenar Pontos de Magia: O Wendigo pode drenar os pontos de magia de um alvo que esteja a pelo menos 10 quilômetros de um cemitério controlado por ele. A criatura tenta manter os pontos de magia de sua vítima próximo de zero, minando assim sua resistência mental e sua vontade. Como resultado o alvo se sente física e espiritualmente enfraquecido. Vítimas com zero de pontos de magia ficam inconscientes experimentando sonhos agourentos e desagradáveis. O Wendigo pode drenar até 100 pontos de magia, ao chegar a essa quantidade, ele opta por dormir por um período de tempo nunca menor do que 1d10 +10 anos.

Sugestão Mental: O Wendigo é capaz de atacar um alvo mentalmente. Seu poder pode ser voltado para um alvo numa área a até 10 quilômetros de um cemitério que ele controla. Esse poder tem um custo de 7 pontos de magia. O alvo pode fazer um teste na Tabela de Resistência confrontando Pontos de Magia contra Pontos de Magia. Em caso de falha, o alvo sente uma profunda depressão, uma falta de iniciativa constante e torpor mental. Uma vez enfraquecido, o alvo é acometido por pesadelos e sugestões mentais que manipulam suas ações e o forçam a fazer o que o Wendigo deseja. Em caso de sucesso, o alvo se recupera o suficiente para enfrentar seus temores. O Wendigo usa esse poder quando seu alvo tem poucos pontos de magia

Ataque Psíquico: O Wendigo é capaz de afetar um alvo que esteja numa área de 10 quilômetros do cemitério que ele controla. O ataque mental funciona de forma semelhante ao feitiço Rajada Mental (Mindblast). Utilizar esse ataque psíquico drena 10 pontos de magia da reserva do Wendigo.

Manifestação: Para criar um corpo físico e distorcido, o Wendigo deve gastar uma quantidade de pontos de magia igual ao TAManho que deseja manifestar fisicamente. Uma vez que o corpo toma forma, ele se mantém por um número de dias igual a quantidade de pontos empregada, sendo disperso ao fim desse prazo ou se for destruído. O Wendigo é capaz de usar seus poderes na forma material. Em sua forma física, o Wendigo é capaz de desferir dois ataques com suas garras ou uma mordida devastadora.

Quando em sua forma física, o Wendigo possui todas as características listadas abaixo. Quando imaterial e intangível, ele não possui as características colocadas entre parenteses, possuindo apenas INT, POW e DEX.

Wendigo, o Senhor do Sofrimento, o reanimador de mortos

(FOR)     45
(CON)    30
(TAM)    45
INT         20
POD       15
DES       10

(HP): 40
(Bônus de Dano)     +5d6

(Ataques): Garra (2) 40%, dano 1d6 +db
                   Mordida 50%, dano 2d6

(Armadura): 4 pontos de músculos e pelos, na forma imaterial ele só pode ser ferido por feitiços e armas mágicas. Na forma física, o Wendigo regenera 3 pontos por rodada.

Feitiços: O Wendigo conhece os feitiços que o Guardião achar adequados.

Sanidade: 1/1d10 por ver o Wendigo em sua forma material, 1/1d4 por sentir a presença imaterial do Wendigo. Ouvir o uivo de Wendigo causa 1/1d6 pontos de sanidade.

domingo, 9 de novembro de 2014

"O Cemitério" - Resenha do clássico livro de Stephen King


"Provavelmente é um erro acreditar que exista um limite para o horror que a mente humana pode suportar. Parece, ao contrário, que certos mecanismos exponenciais começam a prevalecer à medida que o infortúnio se torna mais profundo. Por menos que se goste de admitir, a experiência humana tende, sob muitos aspectos a corroborar a ideia de que quando o pesadelo se torna terrível o bastante, o horror produz mais horror, um mal que acontece por acaso engendra outro, frequentemente menos ocasional, até que finalmente a desgraça parece tomar conta de tudo. E a mais aterradora de todas as questões talvez seja simplesmente querer saber quanto horror a mente humana consegue suportar conservando uma atenta, viva, implacável sanidade".

Stephen King, Pet Sematary

com base no texto de Grady Hendrix

"O Cemitério" (Pet Sematary no original) é conhecido por ser o livro que Stephen King supostamente "achava tão assustador que não devia ser publicado", e esse comentário se tornou a base para toda a campanha de marketing por traz do lançamento do livro. Isso e o fato do autor se negar a participar da campanha, dar entrevistas ou apoiar sua divulgação. 

Mas as motivações de King eram outras. Ele se recusou a divulgar o livro não por achá-lo demasiadamente assustador, mas porque esse foi seu último gesto de rebeldia contra a Editora Doubleday. O livro era uma obrigação contratual que King tinha de cumprir. O manuscrito contendo a estória de "O Cemitério" estava guardado em uma gaveta há anos e ele não achava o livro nada de especial, francamente, todos que leram o rascunho o acharam no máximo mediano. Ironicamente, "Cemitério" se converteu em um grande sucesso de venda e de crítica. O livro anterior de King pela Doubleday, "Dança da Morte" (The Stand) teve uma primeira tiragem discreta, cerca de 50 mil cópias, Cemitério atingiu dez vezes esse número e se tornou um blockbuster.  

Em uma entrevista dada no ano seguinte ao lançamento de "O Cemitério", King disse, "Se eu pudesse escolher, provavelmente não teria publicado esse livro. Eu não gosto dele. É um livro terrível - não pela escrita, mas pelo conteúdo profundamente dark. Ele parece dizer que no final das contas não há esperança, que nada que se faça no final vale a pena, e eu realmente não acredito nisso".

Stephen King fazendo uma ponta no filme Cemitério Maldito
Desde "O Iluminado" (The Shinning) nenhum livro escrito por Stephen King chegou tão perto de sua vida pessoal. Em 1978, no mesmo mês que a Doubleday lançou "Dança da Morte", King se mudou com a família para Orrington, no Maine para que ele pudesse trabalhar como professor de escrita criativa na Universidade local. Sua casa ficava nos limites da Rota 15, uma estrada de movimento pesado, e sua esposa, Tabitha ficava frequentemente preocupada que seu filho mais novo corresse para o meio da rua e fosse atropelado. Na véspera da Ação de Graças, um carro matou o gato de sua filha, Smucky, deixando-a tão aflita que King se arrependeu de não ter dito que o animal simplesmente havia fugido. Smucky foi enterrado com honras em um cemitério de animais local (com uma placa contendo o nome escrito errado) e cuidado por um grupo de crianças da vizinhança. O "semitério" foi criado muitos anos antes, ele ficava no final de uma trilha florestal bem atrás da casa que o escritor vivia. Ele gostava de visitar o lugar, levava até lá uma cadeira de armar e ficava sentado tranquilamente observando a natureza e pensando em seu próximo trabalho.

Foi ali que surgiu a inspiração para "O Cemitério" depois de imaginar o que aconteceria se Smucky voltasse a viver. Quando terminou de escrever o manuscrito, entregou para a esposa que leu e imediatamente disse que o detestou. Disposto a dar uma segunda chance, ele o passou para seu colaborador (o escritor) Peter Straub que deu o mesmo parecer. No fim, King, que demorou meses para terminar o livro, colocou a única cópia existente no fundo da gaveta e começou a trabalhar em "A Hora da Zona Morta" (The Dead Zone). Ele não pensou mais a respeito de "O Cemitério" por um bom número de anos, até precisar de um livro (ao seu ver) mediano para entregar a Doubleday.

King literalmente entregou o manuscrito e lavou as mãos sobre a questão, se recusando a trabalhar com a publicidade e promoção do título. Não importava. A Doubleday se gabou de ter produzido uma tiragem de 500,000 cópias (na verdade 335,000 cópias) e "O Cemitério" chegou às livrarias vendendo um total de 657,000 exemplares em capa dura, apenas no primeiro ano. O livro continua popular entre os fãs de Stephen King não apenas pela sua incrível morbidez (o autor pesquisou costumes funerais enquanto escrevia o livro) mas pelo conteúdo macabro e obscuro que parecia não ter limites. Não por acaso, muitos consideram "O Cemitério" uma leitura difícil, angustiante, pesada... para os que gostam do estilo, é um dos livros mais diabólicos de sua bibliografia, talvez um dos melhores.


Seguem alguns spoilers sobre a trama, isso se você não viu o filme baseado no livro ou se desconhece inteiramente o enredo. 

O livro se inicia quando Louis Creed e sua família - a esposa Rachel, a filha Ellie, e o bebê Gage, se mudam de Chicago para uma casa em Ludlow, no Maine onde Louis assume o emprego como chefe de Enfermaria na universidade. A infame Rota 15 passa bem em frente de sua casa, o que deixa ele e sua esposa apavorados de ter que atravessar a rodovia e topar com um caminhão a alta velocidade. Do outro lado da estrada vive um simpático idoso chamado Jud Crandall e sua esposa, Norma. Os Creed rapidamente se sentem em casa e se acomodam em seu paraído suburbano, até que o gato de Ellie, Churchill, é atropelado por um automóvel na Rota 15. Sabendo que Ellie vai ficar devastada pela morte de seu bichinho de estimação, Jud leva Louis através da floresta "para lhe fazer um favor" . As crianças das redondezas construíram um cemitério para animais que morrem na autoestrada, o "Semitério de Bichos" (escrito errado na placa em sua entrada), o lugar fica bem atrás da casa dos Creed, numa área selvagem de Ludlow. Acontece que mais atrás, oculto por uma barreira natural (?) existe um cemitério indígena construído pela tribo Micmac há séculos. Louis enterra Churchill nesse lugar sinistro, e o gato acaba voltando à vida. 

Algo parece "estranho" com Churchill, e as pessoas instintivamente evitam a sua presença, mas Ellie parece feliz de que seu animalzinho esteja bem, mesmo que ele tenha um cheiro estranho dali em diante. Pouco tempo depois, a idílica vida dos Creed é esfacelada por uma tragédia brutal. Gage corre para a estrada e é atropelado por um caminhão. A dor toma conta da família, a sensação de impotência, sofrimento e o pesadelo de não ser capaz de voltar à vida normal os consome. Em meio ao desespero, Louis manda Rachel e Ellie para a casa dos sogros em Chicago e secretamente exuma o corpo de Gage de seu túmulo, o enterrando novamente no cemitério Micmac. Gage volta à vida, mas como um monstro ensandecido e cruel, disposto a provocar mais tragédias. 


À primeira vista, "O Cemitério" parece uma homenagem ou modernização do clássico conto de horror escrito por W.W. Jacobs, "A Pata do Macaco" (por sinal, quem não leu esse conto procure por ele IMEDIATAMENTE, vale muito a pena!!!). Contudo, ao longo dos capítulos, percebemos que há muitos outros elementos presentes. Durante a longa caminhada de Louis e Jud rumo ao cemitério para enterrar Church, fica claro que há forças terríveis agindo e influenciando as ações dos protagonistas. A jornada equivale a uma viagem alucinante através da floresta assombrada por ruídos fantasmagóricos, visões perturbadoras e até um encontro macabro com o Wendigo, um espírito de loucura e canibalismo parte das lendas nativo-americanas. A coisa gigantesca parece ter sido atraída para o cemitério micmac, o que o tornou "azedo" fazendo com que todos aqueles enterrados no chão pedregoso retornem diferentes, talvez possuídos por espíritos malignos, ou ainda, corrompidos pela influência do Wendigo. 

Na época em que King estava escrevendo esse livro, os micmacs estavam em todos os telejornais. Em 1980 o governo dos Estados Unidos finalmente aprovou os pedidos de reassentamento de tribos indígenas em suas terras, inclusive os territórios do Maine, acompanhado de uma indenização no valor de 81 milhões de dólares. Uma das razões para esse dinheiro era devolver às terras usadas pelos brancos, sua aparência original. No mundo real, os micmacs foram parcialmente excluídos da decisão, recebendo sua parte apenas em 1992. Em um trecho do livro, Jud comenta com Louis a respeito das terras ao norte da floresta de Ludlow, onde fica o cemitério maldito: "são as terras que os índios querem de volta, aquelas que eles precisam cuidar".   

Embora jamais seja dito textualmente, fica implícito que o cemitério dos micmac se tornou azedo pela presença dos homens brancos. Embora isso possa soar como uma política anti-colonial, trata-se de um pensamento que King repete em outros livros. "O Cemitério" é o terceiro livro de King onde os protagonistas são de alguma forma amaldiçoados por se envolver com nativos americanos: o primeiro, é claro, é "O Iluminado" (The Shining), com o Overlook Hotel construído sobre um cemitério indígena, o segundo Firestater em que um assassino profissional de origem nativo americana, John Rainbird, persegue Charlie McGee, e por fim Cemitério, que segue uma ideia semelhante a do Iluminado. 


A família Creed se muda da urbana e moderna Chicago para os limites da civilização, da mesma maneira que os pioneiros e colonos dos filmes de cowboy, e Jud até comenta em um determinado momento: "Eu sei, é engraçado dizer que sua bela casa ali na beira da estrada, com telefone e luz elétrica, televisão à cabo e tudo mais, está nos limites da civilização, mas ela está". Esse é um típico recurso usado por King em suas novelas, uma casa perfeitamente segura com uma família, e logo ali do lado, um lugar primitivo, isolado e habitado por coisas tenebrosas. Por mais seguro que um lugar possa parecer, ele pode ser invadido pela escuridão e pelo horror de um momento para o outro. 

A escrita de King, nesse livro em particular, ressoa em nossas mentes porque ela toca em um sentimento que sabemos ser real: nossa insegurança diante da morte. Não importa o quão amável e feliz seja o lar dos Creed ele pode ser invadido pela morte à qualquer momento. E quando a morte chega, ela muda para sempre a existência de quem toca. Louis pensa na morte como uma parte natural da vida, mas quando ela chega intempestivamente e leva o gato de sua filha, sua primeira reação é lutar contra ela, com unhas e dentes. Sua aceitação pacífica e paz de espírito diante do fim não passa de uma mentira. Sua esposa Rachel lida de forma ainda pior com a morte. já que ela tomava conta de sua irmã mais velha, acometida por uma doença terminal degenerativa que a transformou em um "monstro". Profundamente traumatizada por esse segredo vergonhoso de família, Rachel cresceu sem ser capaz de enfrentar a noção definitiva da morte. A mera possibilidade de alguém no círculo familiar morrer - mesmo que seja o animal de estimação, a apavora e a deixa em pânico. A unidade familiar se mantém enquanto nenhum deles pensa a respeito da morte, mas com a presença sobrenatural do cemitério micmac as coisas não ficam seguras por muito tempo.

Uma das sacadas mais interessantes da trama de "O Cemitério" é a maneira como as forças malignas que permeiam o cemitério manipulam os personagens. Em determinado momento, Jud conjectura se o cemitério de alguma forma não o teria manipulado para que ele mostrasse a Louis sua localização e como ele podia trazer os mortos de volta à vida. Talvez ele tivesse matado o gato e mais tarde, ele se pergunta, não teria sido esse mesmo mal ancestral, o responsável pela trágica morte de Gage. Tudo seria premeditado já que essa força sabia que Louis iria buscar no cemitério uma maneira de lidar com sua perda. 


Essa é uma saída muito elegante do escritor para fazer com que os personagens acabem agindo de forma temerária. Como se movidos por uma força poderosa, coagidos a assumir atitudes que pessoas razoáveis jamais tomariam - como exumar o cadáver do próprio filho! O resultado é uma espiral de loucura e horror magnificamente descrita ao longo das páginas. É possível sentir perfeitamente como a sanidade mental de Louis vai se deteriorando cada vez mais rápido a medida que a dor o consome. Chega um momento em que ele parece não se importar mais com nada, apenas com a obsessiva busca por um fim de sua dor. Nesse contexto, é possível entender porque King afirmava que esse era seu livro mais terrível: de fato, não há como escapar do horror, ele sufoca os personagens de tal forma que o leitor compartilha a sensação de claustrofobia, mas mesmo assim não consegue parar de ler.

Escrito por outro autor, "O Cemitério" talvez soasse forçado, mas através da condução de King aos poucos vamos entendendo as motivações e temores dos personagens, nos familiarizando com cada aspecto de suas vidas até eles se tornarem familiares, e é nesse momento que ele puxa o tapete e levamos o tombo que nos deixa chocados com  desenrolar dos acontecimentos. "Aquilo que plantamos, no fim, é aquilo que colhemos" diz Jud em determinado momento e é a mais pura verdade.

Mas há um outro aspecto mais sutil no livro, um que encontramos de modo recorrente em vários livros de King. A noção de que a terra é muito mais antiga do que nós, e embora ela possa ter sido conquistada e dividida, existem certos lugares que resistem a presença humana. Lugares que ocupam uma fronteira entre o natural e o sobrenatural e que afetam as pessoas que invadem esse espaço. O Wendigo, que aparece brevemente no final do livro personifica essa ideia. O texto se refere a ele como uma maldição ancestral, como um monstro gigante, com uma alucinação e como o espírito do canibalismo personificado. Ele existe como várias coisas ao mesmo tempo, mas sua real natureza jamais é explicada. Porque ele foi atraído para o cemitério e porque ele "azedou" essa terra permanece um mistério. O mesmo ocorre com o Hotel Overlook, com a Zona Morta, com o quarto 1408, coma cidade de Derry e com as fileiras de milho, regados com o sangue de sacrifícios de "As Crianças do Milharal". Não é importante saber como esses lugares surgiram, basta aceitar que eles existem e que sua presença constitui uma ameaça presente e capaz de transformar os personagens. Louis começa o livro como um pai de família amoroso,  mas no fim ele se entrega a insanidade se tornando um lunático, movido pela obsessão de devolver à sua família a sensação de que tudo está bem. 


Em 1991, "O Cemitério" foi adaptado para o cinema com roteiro escrito pelo próprio Stephen King. É curioso que ele tenha cortado qualquer menção ao Wendigo ou alusão aos aspectos espirituais da trama. Talvez King tenha encontrado dificuldade em incluir esses aspectos no texto final, e como resultado o filme fica abaixo do livro. Não se trata de modo algum de um filme ruim, mas a ausência de alguns detalhes e a falta de aprofundamento de outros o torna menos impactante, ainda que tenha cenas memoráveis como a do atropelamento de Gage. Isso sem falar da música tema à cargo dos Ramones - "I don't want be buried, in the pet sematary, I don't want to live my life again".

Mesmo que você, assim como eu, tenha visto o filme, não pense que ler o livro não terá graça por conta dos spoilers de conhecer a estória. Muito pelo contrário, ler "O Cemitério" é muito mais gratificante, talvez até por saber como as coisas vão terminar a sensação de temor acaba sendo amplificada. Logo após terminar o livro, decidi assistir "O Cemitério Maldito" no final de semana de Halloween, o filme continua legal, mas não chega aos pés do livro.     

A maneira como "O Cemitério" faz com que encaremos a dura face da perda é por si só assustadora, mas não menos intrigante. Eu repito várias vezes que a obra de Stephen King tende a ser inconstante e que para cada 5 livros publicados, ele acerta em apenas um. Mas neste em particular, ele acerta em cheio, tecendo uma fábula de horror moderna simplesmente aterrorizante que vale a pena ser lida.

Hey, Ho! Lets Go!

E por falar nisso, que tal terminar com um pouco de Ramones?



sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Ritual dos Inocentes - Tranformando uma notícia do mundo real em Horror Lovecraftiano


Basta abrir os jornais ou sites de notícias para se deparar com acontecimentos que poderiam tranquilamente figurar entre os contos de H.P. Lovecraft.

Aqui está uma notícia do mundo real, medonha é bem verdade, que pode ser convertida em material para abastecer uma fictícia investigação sobrenatural dos Mythos de Cthulhu.

O texto abaixo foi publicado dia 03 de novembro de 2014 no site de notícias "G1" (scoop de Janary Damacena), a respeito do resgate de duas crianças mantidas presas pelos próprios pais para alguma espécie de ritual.

Fonte: G1 - Notícias


CRIANÇAS MANTIDAS EM CÁRCERE PELOS PAIS SERIAM USADAS EM RITUAL NO PIAUÍ


O Conselho Tutelar de Teresina apresentou na manhã desta segunda-feira (3) à juíza da 1ª Vara da Infância e da Juventude a denúncia de que duas crianças eram mantidas em cárcere pela mãe e o padrasto e há suspeita de que seriam usadas em um ritual. De acordo com o conselheiro Djan Moreira, as crianças, uma de 7 e outra de 9 anos de idade, foram encontradas nuas trancadas em um quarto com o ar condicionado ligado e estavam sem alimentação há pelo menos três dias. O Conselho Tutelar foi acionado após denúncia feita pelos vizinhos e familiares que reside no bairro Satélite, Zona Leste da capital.

Segundo o conselheiro que acompanha o caso, os dois meninos só foram resgatados após ele conseguir uma liminar na Justiça para fazer as buscas na residência. No entanto, diante da negativa da mãe em receber os conselheiros, a Polícia Militar e Corpo de Bombeiros tiveram que ser acionados para fazer o resgate.

Conforme Djan Moreira, os bombeiros utilizaram da força para arrombar a porta da casa. As crianças foram encontradas nuas, molhadas e trancadas em um quarto com o ar condicionado ligado. "Elas estavam geladas e tremendo de frio, com fome e as roupas molhadas estavam no chão. No local tinha uma faca, uma jarra, imagens de Jesus Cristo espalhadas e o chuveiro estava ligado, mas não podemos confirmar que se tratava de um ritual. No entanto, antes já havíamos tentado falar com a mãe e ela nos disse que não poderia abrir a porta porque estava cumprindo uma missão dada pelo 'Senhor'", disse.

Além da falta de alimentação, os dois meninos também não estavam frequentando a escola. Durante a abordagem, o conselheiro disse que a mãe das crianças mostrou resistência e estava visivelmente transtornada.

Djan Moreira contou ainda que uma vizinha da família revelou que a última alimentação feita pelas crianças foi servida por ela e que há três dias ninguém saía ou entrava na casa. Os dois meninos foram levados para uma casa de acolhimento e lá estão sendo acompanhados por psicólogos e assistente social. Segundo o conselheiro, as crianças estão sendo ouvidas e os profissionais irão avaliar se eles têm condições de ficar com uma tia ou avó que mora próximo.

"Lá eles estão recebendo todo o atendimento necessário, como roupas novas, acompanhamento psicológico e comida. Na solicitação que enviamos para a juíza Maria Luíza pedimos providências do caso, inclusive com quem as crianças devem ficar", contou.

Segundo a juíza Maria Luiza Freitas, a justiça irá avaliar o caso e poderá pedir a retirada da guarda das crianças da mãe. A denúncia também será encaminhada à Vara Criminal para que o juiz possa pedir a prisão do casal. O Conselho Tutelar deverá registrar o caso ainda nesta segunda-feira na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

Na 1ª Vara da Infância e Adolescência em Teresina são pelo menos 5 mil processos que envolvem casos de maus tratos, negligência e abuso sexual contra crianças.



Esse foi o artigo conforme noticiado. 

Passando por um "filtro lovecraftiano" a notícia se transformaria em algo semelhante a isso:


CRIANÇAS ENCONTRADAS EM PORÃO SERIAM USADAS EM RITUAL NO PIAUÍ

O Conselho Tutelar de Teresina apresentou na manhã desta segunda-feira (3) à juíza da 1ª Vara da Infância e da Juventude a denúncia de que duas crianças eram mantidas em cárcere pela mãe e o padrasto e há suspeita de que seriam usadas em um ritual de magia negra. De acordo com o conselheiro Duarte Siqueira, as crianças, uma de 7 e outra de 9 anos de idade, eram mantidas em um aposento com o ar condicionado ligado e estavam sem alimentação há pelo menos três dias. O Conselho Tutelar foi acionado após denúncia feita pelos vizinhos que residem no Bairro da Lua, Zona Oeste da capital.

Segundo o conselheiro que acompanhava o caso, os dois meninos só foram resgatados após ele conseguir uma liminar na Justiça para fazer as buscas na residência. No entanto, diante da negativa da mãe em permitir a entrada dos conselheiros, a Polícia Militar e Corpo de Bombeiros tiveram que ser acionados para efetuar o resgate.

Conforme Siqueira, os bombeiros utilizaram da força para arrombar a porta e para dominar a mãe e o padrasto que ameaçavam matar as crianças e se suicidar, caso as autoridades entrassem na casa. Felizmente os agentes policiais conseguiram dominar o casal que tentou resistir a prisão, gritando, mordendo e cuspindo. Os dois serão submetidos a avaliação psicológica para determinar sua sanidade. 

As crianças estavam no porão da casa, nuas, molhadas e trancadas em um cubículo com o ar condicionado ligado em potência máxima. "Elas estavam quase congeladas, tremendo de frio, com fome e acorrentadas na parede. No local os conselheiros encontraram objetos de natureza perturbadora: havia uma faca com a lâmina recurva, uma bacia de metal com estranhas inscrições e imagens repulsivas desenhadas nas paredes do porão. Há indícios de que os pais planejavam realizar algum tipo de ritual no porão da casa onde as crianças foram resgatadas. Velas e incenso estavam espalhados aos pés de uma estatueta de aspecto medonho que foi recolhida. Já havíamos tentado falar com a mãe e ela nos disse que não poderia abrir a porta porque estava cumprindo uma missão dada pelo seu 'Senhor'", relatou.

Durante a abordagem, o conselheiro disse que a mãe das crianças estava visivelmente transtornada gritando palavras sem sentido no que parecia uma língua incompreensível: "Leve-nos Senhor das Profundezas! Iä, Iä! Nos arrebate para sua morada! Iä, Iä" ela gritava, além de outras palavras sem sentido que o conselheiro não foi capaz de reproduzir.

Siqueira contou ainda que uma vizinha da família revelou que a última alimentação feita pelas crianças foi servida por ela e que há três dias ninguém saía ou entrava na casa. Sons abafados de cânticos e um odor nauseante descrito como enxofre ou putrefação, foi sentido na véspera. Os vizinhos disseram que os cães da vizinhança latiram sem parar nas últimas noites. As pessoas evitam falar sobre o ocorrido e sobre o casal que não tem passagem pela polícia. 

Os meninos foram levados para uma casa de acolhimento e lá estão sendo acompanhados por psicólogos e assistente social. Segundo o conselheiro, as crianças ainda não puderam ser ouvidas já que permanecem em estado de choque. Os profissionais irão avaliar se eles têm condições de ficar com uma tia ou avó que mora próximo.

"Lá eles estão recebendo todo o atendimento necessário, como roupas novas, acompanhamento psicológico e comida. Não sabemos ainda a natureza do culto, mas em todos os meus anos como conselheiro foi a cena mais degradante que presenciei. Se não tivéssemos chegado à tempo, as crianças teriam morrido", contou.

Segundo a juíza Ana Lúcia Seixas, a justiça irá avaliar o caso e deve pedir a retirada da guarda das crianças da mãe. A denúncia também será encaminhada à Vara Criminal para que o juiz possa pedir a prisão do casal. Existe a suspeita de que os dois estejam envolvidos com raptos realizados nos últimos anos na região Oeste de Teresina. Desde 2008, a polícia vem investigando desaparecimentos de crianças na área e acredita que elas tenham sido vítimas da ação do casal e possíveis comparsas que participavam da mesma seita. Uma equipe de peritos irá realizar uma busca na casa por indícios que corroborem essa suspeita. 

O Conselho Tutelar deverá registrar o caso ainda nesta segunda-feira na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

Na 1ª Vara da Infância e Adolescência em Teresina são pelo menos 5 mil processos que envolvem casos de maus tratos, negligência e abuso sexual contra crianças.

*     *     *


Notas:

Obviamente os nomes dos envolvidos foram alterados.

Embora a notícia seja semelhante, os acontecimentos descritos no segundo artigo, foram totalmente inventados não correspondendo a nenhum incidente realmente ocorrido.

No mais fica a máxima: "A ficção de hoje, é a realidade de amanhã e vice versa".

Mas esperemos que não...

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

"O Rei de Amarelo" - Projeto da Editora Clock Tower reúne contos clássicos do Horror


Em 2014 o Rei Amarelo, ganhou enorme popularidade com o seriado policial True Detective.


Graças a citações a ele nesse excelente programa da HBO, mais e mais pessoas ficaram interessadas em conhecer detalhes a respeito dele. Muitas perguntas ficaram sem resposta: Como surgiu esse mito? O que realmente é o Rei Amarelo? O que é a lendária cidade assombrada de Carcosa? E como esses conceitos foram trabalhados por diferentes escritores?


A Editora Clock Tower - responsável por uma antologia dedicada ao genial H.P.Lovecraft, traz agora um novo projeto, inteiramente voltado para o Rei Amarelo e os autores que criaram e desenvolveram esse mito.

Uma ótima pedida para os fãs do horror!

Aqui está o release da editora:


O Rei Amarelo   
O clássico “O Rei de Amarelo” que inspirou a série True Detective em uma edição especial de fã para fã!


A Editora Clock Tower, conhecida pela belíssima antologia de contos de H. P. Lovecraft lançada em 2013, está em plena campanha de pré-venda de uma edição de luxo de "O Rei de Amarelo", de Robert W. Chambers. Esse livro é uma coletânea de contos que giram em torno de uma peça teatral maligna, capaz de levar à insanidade todos aqueles com quem com ela entram em contato. A obra de Chambers influenciou escritores, como H. P. Lovecraft, Peter Straub, Stephen King e Neil Gaiman.

Trata-se de uma edição limitada (menos de mil exemplares), voltada para colecionadores, e com acabamento de luxo: capa dura, laminação brilhante, fita marcadora de página e papel tipo pólen.  Além do conteúdo original, o livro contará também com conteúdos extras: biografia inédita do autor, exemplares numerados, ilustrações exclusivas, contos clássicos que inspiraram Chambers e se quiserem os compradores terão seus nomes impressos no livro, entre outras. Os compradores do livro também ganharão um ebook exclusivo, contendo 6 outros contos complementares de Chambers e que foram acrescentados posteriormente à obra original.

Diante de tudo isto, era de imaginar que o livro fosse custar uma fortuna, não? 

ERRADO! O livro está custando APENAS R$74,90, e com FRETE GRÁTIS para todo o Brasil! 

Mas ATENÇÃO: a edição é limitadíssima enquanto durarem os exemplares disponíveis. Portanto, garanta o seu AGORA!

WEBSTORE: http://editora-clocktower.lojaintegrada.com.br/o-rei-de-amarelo-edicao-de-luxo

Site da Editora: http://editora-clocktower.com.br

www.facebook.com/oreideamarelo

twitter: @clocktowerpress

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Lugares Estranhos: A Caverna Infernal - Fogo e Enxofre nas profundezas da terra


Existe um local na parte mais ao norte da costa da Baia de Nápoles que há tempo entrou para a história graças aos seus mistérios, mitos e magia. Conhecido como Campos de Phlegræan, trata-se de um lugar desolado; um deserto estéril coberto de pedregulhos e cortado por respiradouros subterrâneos que vomitam nuvens de fumaça sufocante, vapor cáustico e línguas de fogo. As lendas e os estranhos fenômenos se agarram a esse lugar coalhado de fumaça densa, por isso talvez não seja de se espantar que existam rumores de que lá, haveria um túnel que conduz literalmente para as profundezas do Hades, o mítico inferno greco-romano. 

O Campo de Phlegræan é uma espécie de platô que faz parte de uma ancestral caldeira vulcânica não muito distante do famoso Monte Vesúvio. O Vesúvio, é o vulcão conhecido por ter levado à destruição a grande cidade de Pompéia. Essa área de pesada atividade vulcânica, repleta de galerias subterrâneas, fossos de enxofre e até mesmo buracos com magma, era bem conhecida pelos romanos e gregos antigos e associada a portentos de magia e profecia. 
A volcanic vent on the Phlegræan Fields
Um respiradouro vulcânico
Uma das maiores lendas locais, fala da Sibila Cuméia, uma espécie de profetiza, que é apresentada no drama épico de Virgílio, a Eneida que relata a jornada do herói Enéias através da Terra dos Mortos. Essa profetiza toma emprestado o nome de uma cidade próxima chamada Cumae, que por sua vez seria a cidade natal de Dédalo, o pai de Ícaro. A Sibila é descrita como uma mulher sábia, abençoada com a imortalidade pelo Deus Solar Apolo e dotada com a capacidade de ter visões e interpretar o futuro. Sibila Cuméia viveria em uma caverna localizada nos campos devastados que também serviria de entrada para o submundo governado por Hades. Seus poderes são descritos como vastos, e Virgílio a retratava escrevendo suas visões alucinadamente em folhas que cobriam paredes e o chão de sua morada. Uma interessante estória a respeito da Sibila envolve a criação de nove pergaminhos que supostamente delineavam o futuro de Roma em detalhes. Ela teria oferecido esses documentos ao Rei Romano Tarquínio Superbus, também chamado de Tarquínio, o orgulhoso, em troca de uma quantia exorbitante de ouro. Quando o Rei se recusou a pagar a soma estipulada, Sibila começou a queimar os pergaminhos bem diante do governante que acabou aceitando a barganha. Ela teria preservado em seu poder os três últimos documentos, prometendo entregá-los apenas quando chegasse o momento certo.

Apesar dessa estória ser pura fantasia, ela é significativa, já que realmente existiu um Rei chamado Tarquínio e de fato existiram três pergaminhos mantidos em poder dos gregos que vieram a ser chamados "Os Livros de Sibile". Estes seriam parte dos textos adquiridos por Tarquínio e escritos pela Sibila Cuméia com base nas suas visões. Esses manuscritos eram mantidos em segurança em um cofre no Templo de Júpiter, e embora não se saiba se eles realmente continham profecias, os gregos pareciam acreditar nisso, já que eles só podiam ser consultados em tempos de iminente crise ou grave desastre. Os "Livros de Sibile" eram considerados de extrema importância e protegidos a todo custo por uma Legião de Honra, responsável por mantê-los a salvo de qualquer saqueador. Os gregos eram tão zelosos na proteção desses pergaminhos que, quando o Templo de Júpiter se incendiou em 83 a.C, todos os responsáveis pela proteção do documento, que falharam em sua missão, cometeram suicídio. Em seguida, mensageiros foram enviados para os lugares mais distantes da Terra em busca de cópias que pudessem substituir aqueles destruídos pelas chamas.   

The Cumæan sibyl with her prophetic scrolls.
A Sibila Cuméia e seus pergaminhos
Se esses intrigantes mitos já não fossem suficientes para alimentar lendas e estórias por gerações, eles serviram para impulsionar almas aventureiras a procurar a caverna que servia como a morada da Sibila Cuméia. Estas pessoas acreditavam que a caverna levaria a uma descida para as profundezas do próprio submundo, o inferno habitado pelos mortos e estavam dispostas a encontrar esse sinistro portão. A narrativa da Eneida, conforme escrita por Virgílio, é tão rica em detalhes que se encaixam na paisagem dos Campos de Phlegræan que historiadores, arqueólogos e folcloristas imaginavam se realmente ela não se referia a um complexo de cavernas existente. Ao longo da história, várias expedições de busca foram organizadas nos Campos de Phlegræan, para determinar a localização da mítica caverna, mas nenhuma teve sucesso na empreitada. Em face da ausência de qualquer prova física que apontasse para a caverna que originou o mito, a probabilidade dela existir parecia na melhor das hipóteses, questionável. Com o tempo, a legendária entrada para o submundo, se tornou não mais do que parte da mitologia.

A lenda da caverna pertencente a Sibila Cuméia poderia permanecer sob o manto dos mitos para sempre, se não fosse por uma curiosa descoberta feita em 1950 na cidade de Baiea um luxuoso resort localizado nos limites dos Campos de Phlegræan, famoso pelos seus spas e fontes de águas termais. Foi ali que o arqueólogo italiano Amedeo Maiuri encontrou algo curioso. Em meio as ruínas de um povoado abandonado há 2000 anos, um dia floresceu um resort romano que atraia visitantes ilustres e dignatários de todo Império. Durante as escavações, Maiuri encontrou um complexo de túneis meticulosamente escavado na rocha vulcânica que parecia levar do centro da cidade até o coração de uma montanha. A entrada em si não passava de uma estreita passagem, soterrada por 4 metros e meio de rochas e vinhas, localizada no porão de um antigo templo em ruínas. A passagem era obviamente resultado de cuidadoso trabalho humano, o que deixou o time de arqueólogos empolgado com a perspectiva de uma grande descoberta, afinal quem escavaria uma passagem nessa profundidade se não fosse por algum motivo importante. Infelizmente eles não conseguiram ir muito longe. Após vasculhar apenas uma pequena porção do túnel, imerso na total escuridão, logo se tornou óbvio que o lugar era perigoso demais, com fumaça venenosa emanando das profundezas e um calor beirando o insuportável. Os arqueólogos abandonaram a exploração temendo algum acidente, mas acabaram retornando em outras oportunidades para tentar cobrir uma área maior do subterrâneo, sem jamais conseguir avançar além de algumas poucas dezenas de metros.

Por fim, as expedições foram suspensas após se constatar que era impossível suportar as terríveis condições adversas. A temperatura interna no túnel beirava os 44 graus célsius, havendo o risco de se inalar vapor super-aquecido ou de sofrer envenenamento por enxofre. Com o tempo, o túnel se converteu em uma curiosidade.

The ancient Roman resort of Baiae
O antigo resort romano de Baiae
Anos mais tarde, no final da década de 1960, um arqueólogo britânico chamado Robert Paget tomou conhecimento a respeito da enigmática entrada do túnel e ficou fascinado por ela. Paget era uma das pessoas que acreditava que a lenda sobre a Caverna de Sibila poderia ter algum fundo de verdade e que poderia estar ligada ao túnel abaixo de Baiae. Ele ficou obcecado pela noção, e determinado a investigar por conta própria o mistério daquela passagem. Na companhia de um colega chamado Keith Jones e um pequeno grupo de voluntários, Paget fez os preparativos para uma expedição que pudesse suportar as condições insalubres e descobrir seus segredos. Usando trajes especiais de amianto e respiradores eles estavam dispostos a ir até o fim da passagem. 

Logo ficou claro para o grupo que não seria uma tarefa fácil. A expedição de Paget foi saudada por fumaça vulcânica e um odor pungente de enxofre. A passagem era mais estreita do que eles imaginavam, meras 21 polegadas de largura, ainda que ele tivesse aproximadamente quatro metros e meio de altura. A maior parte do equipamento não poderia passar através dessa fissura e os trajes eram extremamente desconfortáveis. A visibilidade era quase nenhuma. Uma vez entrando, o grupo enfrentou uma temperatura brutal, ainda assim, incentivados pela perspectiva de encontrar algum surpreendente tesouro arqueológico, seguiram em frente. Muito embora a passagem se tornasse mais ampla a medida que eles entravam, o grupo só conseguiu avançar 150 metros através do túnel até que chegou a uma intransponível pilha de detritos que bloqueava a passagem. Além de ficarem maravilhados pelo esforço e engenhosidade dos construtores, capazes de escavar um túnel impressionante com ferramentas primitivas, Paget chegou a conclusão de que o lugar havia sido construído com propósitos ritualísticos. A posição do túnel em relação à entrada e sua orientação com a linha do nascente, servia para determinar a chegada do solstício.  

The Baiae tunnel entrance
A entrada do túnel de Baiae
A parede de detritos impedia qualquer progresso além daquele ponto, mas para Paget a promessa de maiores descobertas era irresistível. Conduzido pela sua obsessão para revelar os segredos do túnel, Paget embarcou em um ambicioso projeto que visava vasculhar cada metro do túnel. Na opinião do britânico e de seus colegas, o corredor era parte de um sistema de túneis muito maior e mais intrincado que se estendia por muitos quilômetros abaixo da superfície, criado por razões desconhecidas. Para reforçar a teoria de que o local servia a propósitos rituais, a equipe encontrou indícios ao longo do caminho, como a existência de vários nichos para colocação de velas, incenso e o que poderiam ser oferendas nas paredes. Havia ainda a evidência de passagens secretas, para impedir o avanço de pessoas que não conhecessem o caminho. Esta foram deliberadamente bloqueadas com obstáculos intransponíveis. Parecia claro que seja lá quem tivesse construído o túnel, havia dedicado a ele enorme esforço e cálculo, mas também medidas para dificultar sua exploração.

Talvez, o grande mistério do túnel se encontre nas câmaras mais profundas, o local mais distante que a equipe de Paget conseguiu atingir. Nessas câmaras escuras, salpicadas por camadas ancestrais de enxofre, a temperatura atingia 49 graus e o ar era tão saturado de  fumaça sulfurosa existia o risco de sufocamento. Foi nesse lugar infernal que a equipe descobriu uma passagem oculta, que parecia ter sido construída justamente para que o visitante casual não a encontrasse. Quando Paget e Jones descobriram essa passagem - em um ângulo reto, foram confrontados com uma visão chocante: um rio subterrâneo com água sulfurosa e borbulhante que eles mais tarde chamariam de Rio Styx. Levando até esse rio de água aquecida, havia uma rampa, cujo propósito eles não conseguiram determinar. Mais além, do outro lado do rio eles conseguiram discernir outra passagem que levava a uma antecâmara que Paget nomeou "O Santuário Oculto". Por sua vez, essa passagem conduzia a uma rústica escadaria que saía na superfície, justamente nas ruínas dos antigos tanques de água usados pelos romanos em suas piscinas termais.

No fim das contas, Paget e seu grupo exploraram as passagens abaixo de Baiae por cerca de uma década. Durante esse tempo, eles se convenceram de que o sistema de túneis e o rio subterrâneo de água fervente serviam como uma representação do Submundo grego, o Hades mitológico. Após uma década de jornadas pelos corredores, Paget declarou ter encontrado a lendária Caverna de Sibila, ou ao menos, a caverna que ele acreditava ter servido de inspiração para a lenda.

Para comprovar sua teoria, Paget tentou se amparar na Eneida, na qual a viagem de Eneias e Sibila rumo ao submundo guardava uma incrível semelhança com a disposição daqueles túneis. Para Paget, aqueles túneis podem ter servido como referência para Virgílio, levando o poeta a acreditar que eles eram realmente a entrada para o Hades. Uma estimativa, data o complexo de 550 a.C, o que é consistente com a época em que teoricamente a Sibila existiu. Na opinião de Paget e Jones, o intrincado sistema de túneis e passagens foi criado para recriar uma jornada através do submundo, na qual o rio representaria o lendário Styx, no qual segundo a mitologia, o Barqueiro Caronte levaria as almas em sua viagem derradeira. Segundo o arqueólogos, uma representação impressionante do inferno, poderia ser usada por sacerdotes para convencer até o mais incrédulo dos homens da existência do submundo. Paget chegou ao ponto de conjecturar que o próprio Virgílio poderia ter, em algum momento, sido iniciado nos segredos do templo. 


As teorias de Paget foram recebidas com ceticismo por parte da comunidade científica que fez o possível para descreditar a maioria dos conceitos sugeridos, em parte porque Paget não era considerado um arqueólogo profissional na época. Como resultado, por muitos anos, as conclusões ficaram sem ser publicadas, e mesmo quando o foram, receberam críticas desfavoráveis. A despeito da campanha de seus detratores e do debate estabelecido, o trabalho de Paget e Jones permanece como a tentativa mais completa de descobrir os mistérios do Complexo de Baiae.

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Hoje ainda se sabe muito pouco a respeito dessa caverna, e nós não estamos nem um pouco próximos de compreender o que ele representou um dia. Ainda persistem várias questões: quem o construiu e porque? Seria ela uma representação do Hades? Porque havia caminhos secretos e túneis anexos? Porque o complexo foi abandonado e algumas áreas parecem ter sido lacradas? Como a entrada ficou fechada por tanto tempo? Será que os romanos tinham conhecimento de sua existência? Ele teria sido enterrado pelos romanos? Ninguém realmente sabe a resposta para essas perguntas. O único mistério que parece ter sido resolvido diz respeito a fonte do rio subterrâneo. Na década de 1980, dois exploradores conseguiram mergulhar no rio, usando equipamento especial, e determinaram que ele era abastecido por uma passagem que cuspia água super-aquecida vinda dos Campos de Phlegræan.  

O Complexo de túneis de Baiae atualmente está fechado, exploradores precisam de uma autorização do Governo Italiano e da Secretaria Nacional de Arqueologia e História para visitar o local. As autoridades italianas igualmente desencorajam visitantes no Campo de Phlegræan, considerado uma área de constante atividade vulcânica, mas turistas conseguem contratar guias locais para levá-los até o lugar que passou a ser chamado de "Caverna Infernal". Em 1998, dois turistas morreram ao entrar na passagem sem o devido equipamento.

Desde as expedições empreendidas por Paget e Jones, surpreendentemente houve poucos esforços para decifrar os segredos desse mistério do Mundo Antigo. Até que estudiosos consigam adentrar mais profundamente e vencer os desafios impostos, o mistério do Complexo de Baiae continuará sendo um dos maiores enigmas da Antiga Roma.