quinta-feira, 10 de setembro de 2026
RPG do mês: Heart: The City Beneath - Caos e Exploração como nunca visto antes numa Masmorra
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Navegadores dos Mares Etéreos - Anatomia das cruéis Bestas Lunares
Alguns afirmam que chegaram àquele lugar vindas de outro mundo; por intermédio de meios desconhecidos que lhes garantiram esse tipo de peregrinação astral. Outros sustentam que as Bestas Lunares são tão antigas quanto a própria Lua e que, quando os primeiros homens aprenderam a olhar para o céu, elas já observavam de volta com curiosidade para o planeta ao redor do qual seu satélite girava.
Sua origem permanece motivo de disputas entre os poucos estudiosos que ousaram investigar o assunto. Há quem sustente que as Bestar Lunares são uma raça degenerada de seres lunares aborígenes que, em eras esquecidas, abandonaram uma forma superior e assumiram corpos adequados à existência subterrânea. Outros defendem que foram criadas deliberadamente por Nyarlathotep, como servas destinadas a dominar os caminhos do Sonhar. Esta última hipótese é particularmente repugnante, mas não inteiramente desprovida de evidências. Certos manuscritos mencionam que as Bestas prestam homenagem ao Caos Rastejante, oferecendo-lhe sonhos, escravos e lembranças roubadas. Outras fontes, entretanto, afirmam que sua verdadeira devoção pertence a uma entidade lunar chamada simplesmente de Senhor da Lua, cuja natureza é tão obscura que talvez seja apenas outro nome pelo qual atende o Caos Rastejante.
A descrição de seu aspecto físico, felizmente, é mais consistente. As Bestas Lunares possuem corpos grandes e disformes, vagamente semelhantes aos de sapos ou lesmas gigantes, sustentados por membros inferiores curtos porém musculosos. Sua carne é úmida, pálida ou de coloração cinzenta e pustulenta. Sua anatomia inteira parece ter sido concebida para inspirar repulsa antes mesmo que qualquer comportamento hostil seja observado. Não possuem rosto no sentido que os homens atribuem à palavra, pois lhes faltam feições. Onde deveria existir a face, encontra-se uma massa informe da qual emergem longas proboscídeas ou trombas carnosas cor de rosa, utilizada para alimentação, respiração e percepção. Este apêndice multifuncional costuma ser percebido tateando tal qual uma serpente utiliza sua língua para sondar o ambiente. A boca num esgar horizontal existe abaixo dos apêndices e é como a de um batráquio, escondida entre dobras de lábios. O interior dela contém dentes pequenos e arredondados brotando nas gengivas gotejantes. Alguns relatos mencionam olhos ocultos nos vincos rugosos; outros afirmam que tais criaturas não possuem olhos e percebem o mundo através de vibrações, odores e sonhos. Indubitavelmente elas são atentas aos seus arredores e com um grau de alerta que lhes permite detectar outras pessoas antes delas serem detectadas.
Como disposto, as Bestas Lunares possuem pernas fortes que são usadas para se movimentar com um manquitolar característico. Os pés são longos com dedos compridos terminando em polegares arredondados que lhes garante equilíbrio ainda que andem arrastando os pés. Os braços são longos e esquálidos, com mãos dotadas de três ou quatro dedos terminando em ventosas. Raramente vestem roupas, mas quando o fazem, preferem tecidos tingidos e lenços coloridos, ou então argolas e brincos unidas por correntes de metal que pendem livremente e que servem de adornos tilintantes.
É possível que as Bestas Lunares tenham se adaptado a gravidade rarefeita de seu mundo e que elas se movam de forma atípica por conta disso. Há razões para acreditar que a espécie seja capaz de alterar sua anatomia conforme o ambiente em que se encontra, garantindo assim uma notável adaptabilidade a variações de gravidade.
As Bestas se comunicam por intermédio de pequenas flautas de metal que são levadas ao canto da boca e sopradas em tons que denotam uma linguagem. Há relatos de que algumas destas criaturas são capazes de produzir ruídos semelhantes a palavras que soam de forma gutural e que podem ser compreendidas como uma tentativa de emular idiomas com quem tiveram contato. Elas se valem desse método de comunicação poucas vezes, considerando-o bárbaro.
Seu comportamento revela uma inteligência que não deve ser confundida com sabedoria. São seres sociais, capazes de se organizar em comunidades, construir embarcações e utilizar ferramentas de maneira consideravelmente sofisticada. No Sonhar, em especial no lado escuro da Lua, erguem cidades de calcário poroso e madeira apodrecida, onde vivem em bandos numerosos sob a autoridade dos indivíduos mais antigos. Estes agem como déspotas impondo sua vontade, muitas vezes pela força e pela violência. Quando um destes começa a envelhecer e demonstra fraqueza, uma Besta Lunar mais jovem e decidida acaba contestando a autoridade e eliminando o mais velho afim de tomar seu lugar. Essa mudança de poder tende a ser algo um evento rápido e sanguinolento.
A Sociedade destas criaturas gravita em torno do comércio, atividade muito valorizada embora o conceito mercantil entre elas seja bastante diferente daquele praticado pelos homens. As bestas negociam carne, especiarias, escravos e itens exóticos, além, é claro, segredos. Eles consideram perfeitamente legítimo entregar um prisioneiro em troca de informações sobre uma passagem entre mundos. As Bestas sabem que muitas raças, em especial humanos se mostram apreensivos diante delas. Para garantir o comércio elas tendem a contratar agentes que barganham suas mercadorias em Celephais, Leng e outros portos espalhados pela Terra dos Sonhos. Os Homens de Leng tendem a ser seus associados mais frequentes, já que falam vários idiomas e podem transitar pelos portos humanos sem chamar atenção - desde que escondam suas características mais perturbadoras. Já os nefários Gatos de Saturno, outra raça alienígena nativa da Terra dos Sonhos tendem a ser companheiros de viagem das Bestas Lunares e seus aliados usuais. As Bestas Lunares não são consideradas confiáveis e os mercadores da Terra dos Sonhos tendem a tratar qualquer negociação com elas com muito cuidado. Mesmo relações amistosas estabelecidas podem ser rompidas de modo repentino caso ele percebam alguma vantagem ao fazê-lo. Sua moralidade, ou melhor imoralidade, não é cruel; sendo simplesmente incompatível com a nossa.
A escravidão parece constituir parte essencial de sua sociedade. Humanos capturados durante incursões pelo Sonhar podem ser empregados como trabalhadores, carregadores, remadores ou então alimento. Não existe crueldade especial nisso aos olhos das Bestas; para elas, aparentemente, o homem possui o mesmo valor que um animal doméstico possui para nós. Ao abordar uma embarcação humana, as Bestas determinam imediatamente qual a função que cada prisioneiro recolhido terá e esta tende a ser uma decisão inapelável.
Seus navios merecem uma menção especial. Diz-se que as Bestas Lunares navegam os mares negros de éter de sua Lua em embarcações semelhantes a grandes galeras ou naus, capazes de singrar tanto pela água quanto pelos mares oleosos que não possuem equivalente no mundo desperto. Algumas embarcações são conduzidas por escravos humanos, enquanto outras parecem mover-se por meios que nenhum marinheiro conseguiu compreender. Não se deve cometer o erro de imaginar que tais navios pertencem exclusivamente à Lua. Há registros de viajantes que afirmam ter encontrado Bestas em portos do Sonhar, onde comercializam mercadorias provenientes de regiões que não aparecem em qualquer mapa. Talvez certas embarcações sejam capazes de atravessar a própria fronteira entre o sonho e a realidade. Se isso for verdadeiro, não seria prudente considerar essa raça como confinada ao seu domínio selenita.
Quanto aos tomos que registram sua existência, três fontes são frequentemente mencionadas. A primeira é o Livro dos Sonhos, atribuído a sacerdotes cujo nome se perdeu e que descreve os caminhos entre a vigília e as regiões profundas do Sonhar. A segunda é o Necronomicon, embora apenas algumas traduções contenham referências suficientemente claras para que se possa identificá-las. Há ainda menções dispersas no Unaussprechlichen Kulten, de von Junzt, onde se afirma que certas raças lunares mantêm relações com povos terrestres desde antes da existência das primeiras cidades humanas. É difícil determinar quais dessas passagens são autênticas. Alguns exemplares consultados pelo autor apresentavam páginas inteiras dedicadas a criaturas que simplesmente não existiam em outras versões. Isso pode ser atribuído a erros de tradução. Ou talvez os livros existam apenas no Sonhar.
É curioso observar que as Bestas não parecem possuir uma religião comparável à dos homens. Não constroem templos para suplicar proteção nem realizam sacrifícios por esperança de uma existência futura. Sua devoção parece assumir uma forma mais prática e terrível: veneram aquilo que lhes concede acesso aos caminhos do Sonhar e às criaturas que podem ser exploradas nesses caminhos. Nyarlathotep aparece repetidamente nesses relatos, mas talvez seja um erro dos autores humanos atribuir a ele toda manifestação sobrenatural que não compreendem. Existe ainda uma tradição segundo a qual as Bestas veneram uma divindade cujo rosto jamais pode ser contemplado e cuja voz é ouvida somente durante os eclipses.
Há, entretanto, uma característica que merece especial atenção: as Bestas parecem possuir uma relação particularmente íntima com o medo humano. Não são predadores irracionais. Observam, aprendem e aguardam. Um homem encontrado sozinho no Sonhar pode ser capturado sem que seus perseguidores demonstrem qualquer pressa; eles simplesmente o seguem durante horas ou dias, aprendendo seus hábitos, seus sonhos e seus caminhos preferidos. Há testemunhos de pessoas que acordaram repetidamente de pesadelos nos quais uma enorme criatura semelhante a um sapo as observava de longe. Algumas descobriram, ao despertar, marcas úmidas no chão de seus quartos. Outras desapareceram. É provável que a maior parte desses relatos seja superstição. Naturalmente, aqueles que desapareceram não puderam esclarecer a questão.
Outra característica peculiar e especialmente desagradável diz respeito ao gosto que essas criaturas tem pelo sofrimento, em especial pelas formas mais variadas de tortura. Sabe-se de casos de Bestas Lunares realizando torturas extremamente cruéis e dolorosas em prisioneiros humanos que caem em suas garras. Essas torturas não parecem atender a nenhuma outra razão além da torpe satisfação desses seres degenerados. Alguns teóricos supõem que os Selenitas extraem do sofrimento alheio algum tipo de complemento emocional ou que o fazem com o intuito de instar o medo de uma maneira mais direta. Não se sabe ao certo qual o significado disso, mas é perfeitamente possível que estes seres sejam tão somente perversos e que a agonia de outras criaturas os agrade. Não é raro encontrar na residência ou mesmo nas embarcações das Bestas Lunares compartimentos de tortura com estranhos aparelhos e ferramentas infernais. De fato, uma das atividades prediletas destes seres em sociedade é comparecer a grandes arenas em que espetáculos de tortura são realizados.
Para os investigadores que se deparam com tais criaturas, convém recordar que uma Besta Lunar não deve ser confundida com um simples monstro. Sua força física é considerável, mas sua verdadeira vantagem está na inteligência, no conhecimento do Sonhar e na capacidade de utilizar outras criaturas como instrumentos para atingir seus objetivos. Um encontro isolado pode ser perigoso; uma comunidade inteira pode constituir uma ameaça muito maior. Elas não precisam necessariamente matar. Podem capturá-los, torturá-los, interrogá-los, negociar com eles ou utilizá-los como moeda de troca. A possibilidade mais aterradora é aquela em que uma Besta percebe que seus prisioneiros possuem conhecimentos úteis. Nesse caso, mantê-los vivos pode ser muito mais vantajoso do que destruí-los.
Dizem alguns que as Bestas Lunares não podem abandonar o Sonhar. Trata-se de uma afirmação reconfortante e provavelmente errônea. Outros sustentam que elas podem atravessar para o mundo desperto somente quando são convidadas, seja através de um sonho, de um ritual ou da abertura de determinada passagem. Também há aqueles que afirmam que cada lua cheia aproxima seus domínios do nosso e que, em determinadas noites, uma criatura pode atravessar sem auxílio.
Por fim, deve-se registrar a mais perigosa das possibilidades. Talvez as Bestas Lunares não sejam simplesmente criaturas que habitam um mundo onírico e ocasionalmente capturam sonhadores humanos. Talvez estejam observando nossa espécie há muito mais tempo do que imaginamos. Talvez os sonhos sejam, para elas, equivalentes às pegadas deixadas por animais durante uma caçada. Cada pesadelo, cada visão recorrente, cada criança que descreve uma criatura que jamais poderia ter visto pode ser apenas mais uma oportunidade para que elas estudem nosso mundo. Se assim for, a pergunta não deveria ser "Como encontrar as Bestas Lunares?", mas sim "Como saber se elas já nos encontraram?"
quinta-feira, 3 de setembro de 2026
"Eles comeram humanos" - O vídeo viral de uma mulher alertando sobre uma elite praticante de canibalismo
Pouco se sabe com segurança sobre a própria Gabriela Rico Jiménez. Diversas publicações posteriores a apresentam como modelo mexicana de aproximadamente 21 anos e afirmam que ela havia participado de um evento privado antes do episódio. Contudo, a biografia que circula atualmente na internet é bastante contaminada por informações não verificadas. Algumas fontes chegaram a descrevê-la como uma "supermodelo" com acesso às maiores personalidades do mundo, mas verificações posteriores não encontraram documentação que sustente essa caracterização. O que podemos afirmar com muito mais segurança é que uma mulher identificada como Gabriela Rico Jiménez protagonizou aquela ocorrência pública em Monterrey em 2009.
O vídeo mostra Gabriela extremamente agitada, fazendo acusações aparentemente desconexas contra membros de uma suposta elite. Entre os nomes e figuras que aparecem nas versões traduzidas de suas declarações estão personalidades como a então rainha Elizabeth II, o Príncipe Charles, Bill Gates, os Presidentes norte-americanos George W Bush e Barack Obama e o empresário Carlos Slim.
O trecho mais famoso, entretanto, é aquele em que ela afirma que pessoas haviam sido assassinadas e que seres humanos teriam sido comidos por indivíduos poderosos. É importante lembrar que o vídeo documenta as declarações de Gabriela, mas não constitui evidência independente de que aquilo que ela dizia fosse verdadeiro. Não foram apresentados, nas fontes públicas disponíveis, documentos, testemunhos ou evidências forenses que confirmem suas acusações.
A polícia acabou intervindo e Gabriela foi retirada do local. É nesse ponto que a história começa a adquirir contornos mais nebulosos. Segundo as narrativas que se espalharam posteriormente, ela teria sido detida e depois simplesmente desaparecido. A ausência de informações públicas sobre sua vida posterior alimentou a imagem de uma jovem que teria sido "silenciada" depois de revelar os segredos de uma poderosa organização. O problema é que a existência de um desaparecimento forçado não está estabelecida pelas evidências públicas disponíveis. Não há, nas fontes atualmente acessíveis, um conjunto sólido de registros policiais ou judiciais que demonstre que Gabriela tenha sido sequestrada, assassinada ou eliminada por causa de suas declarações.
Como acontece frequentemente em casos bizarros que atinem a internet a lacuna documental acabou sendo preenchida por Fóruns, vídeos, redes sociais e canais dedicados a mistérios. Estes passaram a reconstruir o episódio como se Gabriela fosse uma espécie de denunciante involuntária de uma conspiração internacional.
Com o passar dos anos, a história ganhou novos elementos: festas secretas da elite, sociedades ocultas, Illuminati, rituais de sacrifício, canibalismo e até a ideia de que personalidades extremamente poderosas estariam envolvidas em uma rede criminosa internacional. Por que eles fariam essas coisas medonhas e bizarras? Simples! Porque eles podem! Participar de festas fechadas nas quais um dos tabus mais profundos da humanidade seria quebrado como exceção para um grupo poderoso a esse ponto seria a transgressão final.
Mas vamos com calma.
A cada nova versão, a distância entre o episódio original e a narrativa conspiratória aumentava vertiginosamente. Verificações independentes ressaltam justamente essa diferença entre o vídeo real e as afirmações acrescentadas posteriormente.
Também não parece haver evidência de que tenha ocorrido uma grande investigação criminal sobre as acusações feitas por Gabriela. As fontes que revisitaram o episódio apontam para uma ocorrência policial e posterior encaminhamento para atendimento, mas não apresentam uma investigação formal que tenha confirmado a existência da suposta rede de assassinatos ou canibalismo denunciada por ela. Isso é particularmente importante porque, diante da gravidade das acusações, seria de esperar algum tipo de documentação caso elas tivessem desencadeado uma investigação criminal de grande porte. Até onde as fontes públicas consultadas permitem determinar, essa documentação não apareceu.
A explicação mais prosaica para o episódio é que Gabriela estivesse atravessando uma crise psiquiátrica ou emocional grave. Algumas reconstruções do caso mencionam atendimento ou internação psiquiátrica, embora também falte documentação pública suficiente para reconstruir com precisão seu estado clínico naquele momento. É necessário, portanto, evitar diagnosticar retrospectivamente uma pessoa a partir de um vídeo de poucos minutos. Ainda assim, a fala desorganizada, a extrema agitação e a aparente desconexão entre diferentes elementos de seu discurso são compatíveis com a possibilidade de uma crise dessa natureza — uma explicação muito menos extraordinária do que a existência de uma conspiração internacional.
O caso ganhou uma nova vida em 2026, quando documentos relacionados ao caso Jeffrey Epstein voltaram a circular amplamente e usuários das redes sociais passaram a relacioná-los ao antigo vídeo de Gabriela. A associação parecia, para muitos, conveniente demais para ser ignorada: de um lado, documentos envolvendo acusações e crimes relacionados a pessoas poderosas; de outro, uma mulher que anos antes havia falado sobre uma suposta elite envolvida em assassinatos e canibalismo e que, segundo a narrativa popular, teria desaparecido. Entretanto, essa conexão não foi comprovada. As verificações realizadas sobre os documentos divulgados não encontraram Gabriela Rico Jiménez mencionada neles, nem evidência que estabeleça uma ligação entre suas declarações de 2009 e Jeffrey Epstein.
As teorias mais extremas vão ainda além. Há versões segundo as quais Gabriela teria testemunhado rituais de canibalismo praticados por uma elite mundial, teria descoberto uma sociedade secreta ligada aos Illuminati ou teria sido deliberadamente internada para impedir que revelasse o que sabia. Algumas versões chegam a atribuir aos acontecimentos elementos envolvendo reptilianos, satanismo e sociedades ocultistas. Nenhuma dessas afirmações possui comprovação independente. O mais curioso, entretanto, é observar como elas se encaixam umas nas outras: cada elemento extraordinário serve para explicar a ausência de evidências do elemento anterior. Se não existem registros, isso seria porque foram apagados; se ninguém confirmou a história, seria porque as testemunhas foram silenciadas; se Gabriela desapareceu da esfera pública, isso seria interpretado como prova de que alguém a fez desaparecer. A ausência de evidência transforma-se, assim, em evidência dentro da própria teoria.
Talvez seja justamente essa transformação que faça de Gabriela Rico Jiménez um caso tão fascinante. Existe um acontecimento real, registrado em vídeo: uma jovem em evidente perturbação faz acusações extraordinárias diante de um hotel em Monterrey e é retirada pela polícia. Depois disso, existem lacunas, informações difíceis de verificar e muito pouco material público sobre sua vida posterior. Em torno dessas lacunas nasceu uma narrativa muito maior — uma história de elites, assassinatos, canibalismo e sociedades secretas. Não sabemos se Gabriela testemunhou alguma coisa extraordinária; sabemos, porém, que a internet transformou suas palavras em uma espécie de mito moderno. E, para quem trabalha com horror, talvez seja justamente essa fronteira entre o acontecimento real e a lenda que torne o caso tão perturbador.



























